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	<title>MöellerBotelho &#187; Direto da Broadway</title>
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	<description>Site oficial dos diretores Charles Möeller &#38; Claudio Botelho</description>
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		<title>A BROADWAY DE HOJE EM 5 CAPÍTULOS, por Claudio Botelho. Capítulo 4 – E por falar em Natal, o novo ‘Godspell’ na Broadway</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Dec 2011 08:30:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/godspell+na+broadway+13146488741.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-20406" title="godspell+na+broadway+1314648874" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/godspell+na+broadway+13146488741.jpg" alt="" width="550" height="373" /></a><br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
<strong>A BROADWAY DE HOJE EM 5 CAPÍTULOS, por Claudio Botelho<br />
Capítulo 4 – E por falar em Natal, o novo ‘Godspell’ na Broadway</strong></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Fui assistir à nova montagem de <strong>GODSPELL </strong>na Broadway por sugestão de um amigo, que viu e adorou. Eu já sabia que as críticas eram negativas, mas pra mim isso não é significativo hoje em dia, pois o que mais venho aprendendo nestes últimos tempos é o quanto a crítica de teatro em Nova York e Londres, por mais poderosa e abalizada que seja, também é similar à daqui no que diz respeito a ser infiltrada por influências externas, corporativismo, implicâncias pessoais dos críticos com certos artistas, ou seja, não estamos mais no tempo do Clive Barnes, o crítico que fez do NY Times uma instituição capaz de determinar quanto tempo uma peça ficaria em cartaz ou mesmo tirá-la de cartaz em uma semana. Hoje, espetáculos como A FAMÍLIA ADDAMS (que eu amo) e O HOMEM ARANHA são destruídos pela crítica e continuam vendendo ingressos da mesma forma, inclusive vendem mais do que a maioria dos “eleitos” como melhores.<br />
&nbsp;<br />
Pois bem: fui ver GODSPELL. Os primeiros 10 minutos são lindos. O espetáculo é na arena do teatro Circle In The Square, o que de cara já me ganha a simpatia pois adoro espetáculos em arenas. Tenho fascinação por este formato de palco e por encenações circulares (quando bem feitas). Logo no começo, os atores (todos jovens) estão com suas roupas cotidianas (como aliás está indicado no script original da peça), e é feito o “batismo” do personagem que seria Jesus. Uma solução linda com água no porão do teatro, emulando o rio Jordão (não me cobrem exatidão nos nomes bíblicos pois sou agnóstico, não entendo nada da história de Cristo nem dos Santos) e realmente a primeira cena me emocionou quase às lágrimas. Uau – pensei – vai ser bom demais!<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
<a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/06GODSPELL1-articleLarge.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-20407" title="06GODSPELL1-articleLarge" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/06GODSPELL1-articleLarge.jpg" alt="" width="540" height="307" /></a><br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas daí, como é do formato da peça, todos os atores saem pra trocar de roupa e voltam vestidos de… palhacinho. Gente, não dá mais pra ver teatro com gente vestida de palhacinho. Tudo bem que isso é GODSPELL, que sempre foi assim, tudo certo… Mas se mexeram tanto na estrutura da peça, se praticamente reescreveram vários arranjos e músicas, se colocaram telefone celular e menções a Steve Jobs no texto, se enfiaram tanta “percussão corporal” (uma das coisas que eu mais tenho horror atualmente, mas falarei adiante), por que fazer todo o figurino com esta “ideia” de que as roupas foram pegas num baú de circo? Precisavam mesmo repetir esta ideia do original de 1977? Que brochante! Lá vem a fulana com um tchu-tchu de bailarina; lá vem o sujeito com chapeuzinho côco à la Chaplin; lá vem o outro com a calça larga e o sapato de palhaço; lá vem a gordinha com short de elanca e um top que ela pediu emprestado pra tia que faz pilates. Ai, Jesus! Nesse caso, o Jesus da peça mesmo, que é feito pelo belíssimo Hunter Parrish, que fazia o DESPERTAR DA PRIMAVERA e parece que é o astro da série de TV WEEDS. Como Jesus ele entra em cena com uma cueca samba-canção branca e, não sei se é pecado, mas achei muito sexy e me lembrei na hora dos filmes pornô que eu assisto, estrelados por rapazes do leste europeu. São meus ídolos. Jesus me ganhou na hora com aquela cueca, mas quando ele canta é apenas igual a qualquer outro bom cantor da Broadway. Mas falarei disso mais pra frente.<br />
&nbsp;<br />
Bom, falando sério: GODSPELL é um musical datado, e isso não é um problema, apenas uma constatação. Todos os musicais são datados, basta passar um ano e tudo fica datado hoje em dia no teatro. HOMEM ARANHA já é assunto velho na Broadway. Mas GODSPELL foi criado numa época que era o auge das experimentações com um teatro ligado à mímica moderna, a interpretações “clownescas”, sempre com um viés didático que tratava a plateia como um rebanho a ser catequizado, coisa muito em voga nos anos 60/70 e que deu vários musicais do tipo ‘farsa com mensagem’, como PIPPIN (do mesmo compositor, Stephen Schwartz, que faz canções excelentes às vezes, mas também faz coisas semi-bregas e muito chorosas), STOP THE WORLD OI WANT TO GET OFF, CANDIDE, THE FANTASTICKS, e mesmo HAIR, entre outros. Alguns destes espetáculos têm música de primeira linha e se transformaram e clássicos, vêm sendo relidos e reencenados com algum sucesso. Outros sucumbiram ao tempo, eram muito mais produto de encenações da época do que propriamente obras fortes de texto e música.<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
Veja aqui um número brilhante do GODSPELL original, pra mim a melhor canção da peça:
</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/psZY_4a3PnQ?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, o diretor desta remontagem de GODSPELL sabia que tinha um material datado nas mãos e decidiu insuflar um vento novo na coisa, isso é claro. Até aí, tudo bem. Mas, pro meu gosto, ele mexeu justamente onde não precisava. Primeiro, rearranjaram várias das canções. Pra que? Os arranjos originais eram ótimos e as músicas são a alma da peça, muito mais que o texto chato e de auto-ajuda. Transformaram algumas músicas em “rap”. Sinceramente, o problema aqui é meu, pois não acho que “rap” deveria sequer existir. Esse jeito de cantar dos habitantes do Bronx e do Harlem (sem citar as abominações brasileiras que chamam de funk, mas na verdade é rap mesmo) é algo que não me diz nada, pra mim isso é a anti-música, e fica mais sério ainda quando pegam música que era boa e transformam nisso. Pois fizeram essa maldade com algumas boas canções de Godspell. Não satisfeito, o diretor decidiu também que cada palavra do texto deveria ser acompanhada de um ruído dos atores, fosse produzido pela boca ou pelo corpo dos mesmos. Ninguém diz um “bom dia” em Godspell sem que se ouça um “schlep” ou um “pow” vindo de um colega que está batendo palma ou soprando entre os dentes ali do lado. Juro: não param de acontecer coisas. Tem um momento em que todo o elenco faz tantos barulhos com os dedos, braços, palmas, sovacos, e o texto tá rolando por baixo, que a gente não sabe no que prestar atenção. Como é uma arena, se o sujeito que tá falando o texto tá lá do outro lado, eu daqui só vejo a fulana que fica fazendo barulhos com a bochecha na minha frente.<br />
&nbsp;<br />
Outra coisa chatérimaaaaaaaaaaaaaaaa: a mania de botar alguém pra falar o texto com outro dublando na frente. Ai, Jesus (de cueca branca!!!), o Antônio Abujamra (meu ídolo) passou uma vida fazendo isso, e no começo era “ooohhhh, que legal!”, mas ninguém aguenta mais esse truque pelo truque. Isso acrescenta o que à história? Nada. Por que diabos um sujeito é o que fala e o outro é o que mexe os lábios? Que sentido tem isso? Há gente que ainda usa isso no teatro brasileiro, e deve achar que está arrasando na direção, e adora também colocar um ‘côro’ em cena fazendo gestos quando um ator tá simplesmente falando uma fala, ninguém mais se conforma em deixar um ator falar e pronto. Mas isso é outra conversa…<br />
&nbsp;<br />
Pois bem, esta direção de GODSPELL quer mostrar o tempo todo que “está dirigindo”. Não há uma cena que não seja marcada milimetricamente a cada sílaba. Você não ouve o texto, não vê os atores, não ouve a música: você só vê o diretor o tempo todo por trás de tudo, nos mostrando o que foi que ele fez naquele momento, suas marcações, sua partitura para as falas, e finalmente sua insuportável “percussão corporal”. Me ajudem: toda vez que um ator começar a bater no próprio corpo pra marcar um ritmo, e o ator seguinte fizer o contratempo com sons “bucais” ou nasais, me tirem do teatro. Isso é chato pra cacete!<br />
&nbsp;<br />
O que há de bom em GODSPELL: há alguns bons atores. Não vou lembrar o nome de ninguém, pois perdi o playbill, mas quem quiser saber, no site da peça deve ter. O japonezinho que faz Glee canta muito bem. O negro que faz Judas canta bem, mas tem uns 200 negros melhores que ele em cartaz. Tem uma moça horrorosa com sutiã três números menores que o aceitável que também canta direito. O resto é normal, sendo que o elenco é escolhido um pouco pela feiúra, deve ser algum problema que o diretor tenha com gente bonita, não sei direito. Mas o Jesus de Hunter Parrish é mesmo lindo, encantador e canta bem. O problema é que alguém disse pra ele que Jesus deveria passar a peça inteira sorrindo. Então ele faz isso. Os dentes são excelentes, branquíssimos e ele sorri e conquista a gente de cara, mas depois de passar 40 minutos sorrindo no primeiro ato, a gente imagina que ele esqueceu (ou esqueceram de avisar pra ele) que GODSPELL é antes de mais nada uma peça política, e que Jesus não é só um bobo- alegre, é um arauto, um enviado de Deus para mudar o mundo. Portanto, fica-se esperando algo a mais de Jesus além da dentição de galã que fez um bom clareamento.<br />
&nbsp;<br />
Estou sendo severo com um musical que tenho certeza de que irá agradar a muita gente, como agradou ao meu amigo que me sugeriu assistir. Como não sou crítico, falo aqui do que me bateu na hora. E o início do espetáculo tão tocante e tão sereno, tão cheio de verdade até a cena do batismo, me encheu de euforia e de emoção, fiquei na ponta dos pés esperando o resto da noite. E fui sendo lentamente esfriado por uma direção hiper-presente e essa estética circense que, pra mim particularmente, chega como teatro infantil da pior qualidade. Excesso de cores e brilhos (lamê de brechó), figurinos sempre engraçadinhos, atores de maria-chiquinha, chapéu côco, calça larga, tênis velho… Desculpem, mas não dá. To velho e rabugento e to de mal com o “teatro da bobagem”, ando precisando de coisas mais pensadas, mais elaboradas, não superficiais. Que seja a história de Chapeuzinho Vermelho, mas que seja cheia de verdade e com alguma inteligência por trás, não apenas truques e mais truques de direção para mostrar serviço.<br />
&nbsp;<br />
Vejam aqui um clipe belíssimo deste GODSPELL, são cenas lindas e o clipe é bastante fiel ao que há de melhor na peça. Não deixem de assistir ao espetáculo por minha causa, minha opinião é totalmente pessoal e eu sou aquele que adora Mandy Patinkin com Patti LuPone cantando sem cenário e quase sem se mexer: quer dizer, sou chato!<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/NL4aFn1DxGE?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
<em>Fotos: Site oficial Godspell Revival 2011</em><br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A BROADWAY DE HOJE EM 5 CAPÍTULOS, por Claudio Botelho. Capítulo 3: Harry Connick Jr. e um Gay Nada Comestível!</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 08:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/aclearday11.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-20379" title="aclearday11" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/aclearday11.jpg" alt="" width="546" height="412" /></a><br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
<strong>A BROADWAY DE HOJE EM 5 CAPÍTULOS, por Claudio Botelho</strong><br />
&nbsp;<br />
<strong>Capítulo 3: Harry Connick Jr. e um Gay Nada Comestível! </strong></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, falei das duas coisas legais que vi nestes sete dias recentes em Nova York. Mas nem tudo é perfeito. Logo no dia seguinte ao espetáculo de Hugh Jackman, fui ver o esperadíssimo (por mim e por todos que acompanham musicais na Broadway) ON A CLEAR DAY YOU CAN SEE FOREVER, com o super astro do jazz e da música pop, Harry Connick Jr.<br />
&nbsp;<br />
Por que este espetáculo seria tão esperado? Bem, era a primeira remontagem do musical dos anos 60, que fez sucesso na época por ser o primeiro musical a colocar a psicanálise em cena, misturando uma história a princípio freudiana com pitadas de reencarnação, vidas passadas, algum misticismo. Foi sucesso no original com uma estrela de teatro, Barbara Harris, mas tornou-se mesmo um musical mais famoso por ter sido filmado com Barbra Streisand e Yves Montand. O filme nem é exatamente um blockbuster, foram cortadas muitas músicas na edição final, mas tudo que envolve Barbra Streisand torna-se ícone imediatamente, portanto estamos falando de um musical cuja remontagem (esta que vi) gerava muita expectativa e em cuja produção haviam sido investidos mais de 15 milhões de dólares.<br />
&nbsp;<br />
O diretor e os produtores são os mesmos de O DESPERTAR DA PRIMAVERA, o que deveria trazer para a cena, esperava-se, algo no mínimo arrojado, uma leitura particular da obra, um mínimo de modernidade ou mesmo de reinvenção.<br />
&nbsp;<br />
Realmente, há reinvenção. É o que mais há ali. Mas os tiros saem todos pela culatra. Basicamente a história original é a de um psicanalista que recebe uma paciente a princípio pouco interessante, com problemas para parar de fumar e que, sob hipnose, mostra uma personalidade bastante diferente da atual, torna-se uma cantora de cabaré de enorme carisma e que, com o andar da peça, descobrimos tratar-se de uma das encarnações anteriores da protagonista, não apenas uma personalidade escondida nela. Na peça original, tanto a paciente quanto a sua outra personalidade são interpretadas pela mesma atriz, e o X da questão é que o psiquiatra se apaixona pela cantora, pela encarnação anterior, e o que se segue é um história de amor impossível, mas cartesiana, sem grandes novidades até o final.</p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/aclearday13.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-20381" title="aclearday13" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/aclearday13.jpg" alt="" width="502" height="397" /></a></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Já a grande “ideia” do diretor Michael Mayer agora foi trocar o gênero da personagem. Nesta montagem, quem quer parar de fumar não é mais uma moça, mas sim um rapaz. Um rapaz gay que trabalha numa loja de flores. E, sob hipnose, ele se transforma em&#8230; uma cantora. Sim, mas esta é representada por outra atriz. Ou seja: na vida atual e real, o cara é um gay afetado; e na vida passada, uma mulher que não tem absolutamente nenhuma semelhança com o seu “cavalo”, digamos assim.<br />
&nbsp;<br />
Vamos até aceitar que a ideia seja interessante. Por que não? Tudo é possível em teatro, e tudo é aceitável quando você tenta pegar um clássico supostamente empoeirado e datado e assume a tarefa de o reler sob nova ótica. Até aí tudo bem, eu comecei o espetáculo já sabendo desta troca de gêneros e isso não me incomodava em nada.</p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/aclearday8.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-20383" title="aclearday8" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/aclearday8.jpg" alt="" width="480" height="401" /></a></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O grande problema é que ao escalarem o ator que faz o gay, optaram por um moço afetadíssimo, aquilo que chamaríamos de “bichinha” pra sermos bem deselegantes. Nenhum problema com isso, pelo contrário: sou absolutamente contra o excesso de pseudo-masculinidade nos personagens gays que dominam o cinema e as artes em geral hoje em dia, como se fosse necessário ser macho para ser viado. Detesto isso. Mas no caso da peça, o ator escolhido (que canta muito bem e atua razoavelmente) é muito feio. Também não sou juiz da beleza de ninguém, não to com essa bola toda e não me acho em posição de julgar nada na área estética, mas é óbvio que a gente reconhece alguém atraente em cena. E neste caso não há relativismo: o cara é muito feio e pronto. E é muito afetado e pronto. Seria perfeito para alguma montagem de CHÁ E SIMPATIA, ou algum personagem engraçado do ZORRA TOTAL ou mesmo da PRAÇA É NOSSA, programas que geralmente mostram gays com camisa amarrada na barriga, dando pulinhos, gritinhos, etc. Eu adoro tudo isso, repito: nada contra. Mas como levar adiante o segundo ato da peça, quando Harry Connick Jr. (personagem heterossexual) está em dúvida sobre se sua paixão é pela cantora ou&#8230; pela bichinha? Gente, não rola. O mundo é o mundo, não dá pra ser bonzinho quando queremos ser realistas. Não dá pra você tentar montar um Romeu e Julieta gay com Reynaldo Gianecchini como Romeu e o Zacarias dos Trapalhões como Julieta. E ainda querer que alguém acredite na história!<br />
&nbsp;<br />
Bom, dito isto, Harry Connik Jr., que é o mais alto salário da Broadway no momento (cerca de 100 mil dólares por semana), é um desastre em cena. Ele tem talvez a voz mais bonita que a gente tenha ouvido desde Frank Sinatra (e também imita-o desde o início da carreira), mas ele nem se mexe. Fica em cena perdido, faz todas as canções de frente, não consegue dar um perfil para a plateia, e tem um problema qualquer (acho que deve ser uma cinta pra esconder a barriga) que o faz não mexer o tronco sem que os braços balancem juntos, o que lhe confere uma incrível semelhança com aqueles bonecos do carnaval de Olinda. E tudo que ele canta faz você pensar que o Frank Sinatra acabou de invadir o teatro e mandou parar a peça pra cantar uma música; ele simplesmente pára de representar e torna-se um ‘crooner´ na hora de fazer as canções. Não dá!<br />
&nbsp;<br />
O cenário é uma das coisas mais horripilantes que já vi. Como a tentativa é emular situações de hipnose e transe, são círculos concêntricos, quadrados e espirais que meio se movem o tempo todo, com a luz também fazendo o mesmo movimento, tudo meio tentando “hipnotizar” a plateia. Bom, o resultado é que no intervalo o assunto no banheiro é que estava todo mundo tonto, enjoado, ninguém aguentava mais olhar pra cena.<br />
&nbsp;<br />
As críticas já saíram e já detonaram o espetáculo por motivos diversos. O que é uma grande pena, porque ON A CLEAR DAY tem canções simplesmente perfeitas. Obras de arte, uma atrás das outra. Música de Burton Lane e letras de Alan Jay Lerner, mestres e nomes maiores da boa música de teatro. Foram incorporadas duas canções do filme ‘Núpcias Reais’, também da dupla, o que não exatamente soma nada á peça, mas é sempre agradável ouvir a belíssima “Too Late Now” e “You´re All the World To Me”. E, esquecendo a falta de “acting” de Harry Connick Jr, ouvi-lo cantando “Come Back To Me” no segundo ato é um presente. Amo esta canção e já teria ido ao teatro só pra ouvi-la.<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
Aqui o fantástico Harry Connick Jr. fazendo o que faz melhor: cantar, sem ter de fazer personagem. E a canção é o tema principal do espetáculo:<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/jFtsdXqX2FY?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
<em>Fotos:<br />
Site oficial On a Clear Day You Can See Forever<br />
Playbill </em><br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
<strong>Atenção: Publicaremos os capítulos 4 e 5 desta série na próxima segunda-feira e terça-feira, respectivamente</strong><em>. </p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A BROADWAY DE HOJE EM 5 CAPÍTULOS, por Claudio Botelho. Capítulo 2:  Hugh Jackman &#8211; O Novo Rei da Broadway</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 13:49:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/hugh-01.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-20369" title="hugh 01" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/hugh-01-1024x415.jpg" alt="" width="590" height="239" /></a><br />
&nbsp;<br />
<strong>A BROADWAY DE HOJE EM 5 CAPÍTULOS, por Claudio Botelho</strong><br />
&nbsp;<br />
<strong>Capítulo 2: Hugh Jackman &#8211; O Novo Rei da Broadway </strong></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, depois da “masterclass” da geração naterior, com Manty Patinkin &amp; Patti Lupone, caí no novo Rei da Broadway. Sim, este é o apelido de HUGH JACKMAN por lá agora. Foi assim que o New York Times o chamou na crítica que saiu há algumas semanas sobre o espetáculo solo que ele está apresentando numa curta temporada até o dia primeiro de janeiro. Curta porque ele já tinha compromissos com o cinema, porque a venda dos ingressos foi tão absurdamente rápida, que após uma semana de estreia, só mesmo cambistas conseguiam bons lugares. Eu e Charles cortamos um dobrado pra assistir da terceira fila.<br />
&nbsp;<br />
Posso passar um tempão aqui fazendo elogios rasgados e reverências mil ao talento extraordinário de Jackman, seja como ator, bailarino, performer, homem de palco, entertainter, o que seja. Isso é óbvio, gente. Não é preciso ir lá pra ver. Basta dar um click no YouTube. Eu já o tinha visto no musical THE BOY FROM OZ há alguns anos, e lá ele recriava de maneira espetacular a vida do cantor australiano Peter Allen. Aliás, um ponto altíssimo do espetáculo atual é quando Jackman vem vestido de dourado no início do segundo ato, fazendo Allen e sendo despudoradamente efeminado, completamente lânguido como Allen era, kitsch na performance e ferino com a plateia, algo extremamente corajoso para um galã de cinema que inclusive é sempre citado em colunas de fofoca com insinuações de homossexualidade. O que parece é que Hugh, seja o que for dentro ou fora do armário (o assunto é dele, não nosso), não tá nem aí e manda ver fazendo a bichona que foi Peter Allen com um enorme orgulho e um prazer derramado.<br />
&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/hugh-02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-20370" title="hugh 02" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/hugh-02.jpg" alt="" width="574" height="412" /></a></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, mas eu ia dizendo: é óbvio demais ficar aqui exaltando as qualidades artísticas de Hugh Jackman. Prefiro então desenvolver um pensamento que me ocorreu durante o espetáculo e que talvez tenha eco em algum de vocês.<br />
&nbsp;<br />
Vejam: é um ator de cinema. Não digo qualquer ator de cinema, mas é o Wolverine. Talvez um dos personagens mais pop e famosos do “cinema pipoca” atual. Mesmo tendo começado no teatro musical (ele chegou a protagonizar OKLAHOMA no West End de Londres e já era alguém de palco quando o cinema o chamou para X-MAN), Hugh Jackman é hoje um dos astros internacionais mais conhecidos do mundo. E é galã.<br />
&nbsp;<br />
Meu pensamento foi: quando eu era jovem – isso lá pelos anos 80 &#8211; ninguém merece – os galãs eram Tom Cruise, Rob Lowe, Matt Dillon, Sean Penn, Kevin Bacon, Charlie Sheen, Patrick Swayze e alguns outros, lindos, cheios de sex-appeal, e alguns inclusive talentosos. Extremamente populares e puxadores de bilheterias nos cinemas no mundo todo. Mas qual deles seria imaginável num palco da Broadway? Digo melhor, num musical? Nenhum se aventurou, ou ninguém os convidou, muito menos qualquer um tinha origem ligada aos musicais.<br />
&nbsp;<br />
O fato é que Hugh Jackman nasceu no teatro musical profissionalmente, teve a sorte de tornar-se do dia para a noite num astro de cinema de projeção exponencial, mas que continua ligado aos musicais. E fez questão de voltar à Broadway agora para este show/concerto concebido e ensaiado em menos de dois meses, preenchendo uma lacuna na agenda entre um filme e outro. E torna-se o evento mais importante da Broadway este ano. É a vitória dos musicais, a volta definitiva do gênero ao primeiríssimo plano da indústria do entretenimento.<br />
&nbsp;<br />
Fred Astaire começou sua carreira em teatro ao lado da irmã Adele e por ali estrelou e brilhou durante muitos anos até que Hollywood o descobrisse e o levasse para se tornar o maior astro do cinema musical de algumas décadas. O mesmo se deu com Gene Kelly, que saltou de protagonista de PAL JOEY, na Broadway, para uma carreira que simplesmente mudou a história dos grandes musicais da Metro. Hugh Jackman transmite a sensação de estar emulando Gene Kelly o tempo todo. As semelhanças são muitas. Jackman dança muito bem, e o estilo é atlético como o de Kelly. Gene Kelly nunca foi um grande cantor, a voz era traqueotômica e apenas charmosa, mas ninguém se chateava com isso. Já Jackman tem boa voz, não exatamente agradável como crooner, mas voz de personagem, de alcance extraordinário, as notas agudas são praticamente uma festa no final de cada número.<br />
&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/hugh-03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-20371" title="hugh 03" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/hugh-03.jpg" alt="" width="512" height="450" /></a></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando ao show, devo dizer ainda que eu – mesmo prostrado diante do Deus Hugh Jackman – ia adorar que ele falasse menos em cena e cantasse mais. Ia gostar mais ainda que ele demitisse o côro de moças que entra e sai de cena sem nenhuma função específica e empresta um ‘glamour’ meio duvidoso a algo que poderia ser mais simples. Sempre prefiro alguém que canta a alguém que se acha na obrigação de dançar para mostar que pode tudo, e portanto pra mim não faria a menor diferença que Jackman não dançasse.<br />
&nbsp;<br />
Mas que importância tem isso? O importante aqui e o fundamental é que um astro pop está na Broadway, fazendo&#8230; musical. E cantando o “Solilóquio” de CAROUSEL, uma das canções mais importantes da história do teatro musical, escrita há 50 anos por Rodgers &amp; Hammerstein, para uma platéia de fãs de super-heróis. Isso é definitivamente um acontecimento transgenérico que vale mais que tudo que se investiu na promoção do show.<br />
&nbsp;<br />
Há alguns anos vi Antônio Banderas fazendo maravilhosamente o personagem central de NINE, pelo qual ganhou um Tony. Banderas vem do cinema, mas definitivamente não é um astro em ascensão, pelo contrário. Chegou à Broadway após diversos filmes de pouca bilheteria e uma ligação com um cinema muito mais ‘autoral’ do que exatamente com grandes sucessos. Portanto, não é o mesmo caso. E vez por outra vemos mulheres famosas do cinema fazerem sucesso na Broadway, como recentemente Catherine Zeta Jones em A LITTLE NIGHT MUSIC, ou mesmo Nicole Kidman que encheu as bilheterias de uma peça não musical há alguns anos, e assim como entrou em cena, saiu sem mudar a temporada em nada. Apenas vendeu ingressos. Hugh Jackman é, sem nenhuma dúvida, o grande acontecimento desta temporada. Tão grande que simplesmente destruiu a campanha de lançamento do musical sobre o qual falarei a seguir.<br />
&nbsp;<br />
Mas antes, vale uma olhada em Hugh Jackman cantando “Oh What a Beautiful Morning” do musical OKLAHOMA, num concerto gravado há pouco mais de 10 anos, quando Jackman era apenas um talentoso e bem conceituado ator de musicais no teatro, mas ainda nem um milímetro próximo do astro internacional que se tornaria em pouquíssimo tempo. Vejam portanto, Wolverine antes de ser Wolverine!<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/CFjxMGM36Hk?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
<em>Fotos:</em><br />
<em> The New York Times</em><br />
<em> Hugh Jackman &#8211; Back on Broadway &#8211; Official Site</em></p>
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&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A BROADWAY DE HOJE EM 5 CAPÍTULOS, por Claudio Botelho. Capítulo 1: An Evening with Patti LuPone and Mandy Patinkin</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Dec 2011 11:08:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A BROADWAY DE HOJE EM 5 CAPÍTULOS, por Claudio Botelho</strong></p>
<p>&nbsp;<br />
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<p style="text-align: justify;">Vou começar, como sempre, avisando para algum leitor que tenha caído aqui por acaso: não sou crítico de teatro. Não sou professor, historiador, jornalista, nem mesmo tenho qualquer graduação na área de didática teatral. Sou só artista, e portanto, faço parte da vidraça. Levo pedradas, faço peças ruins, espetáculos que podem ser chatos, medíocres, insignificantes, pretensiosos&#8230; Ou podem até ser legais, mas não sou eu quem decide, são os espectadores. E os críticos. Dito isto, vou escrever sobre o que vi na Broadway na última semana, sob o único ponto de vista que posso oferecer: meu gosto pessoal. Vamos dividir em capítulos pois foram cinco espetáculos. Cada dia falarei de um.</p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
<strong>Capítulo 1: An Evening with Patti LuPone and Mandy Patinkin</strong><br />
&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/patti-01.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-20343" title="patti 01" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/patti-01.jpg" alt="" width="446" height="572" /></a></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Dei sorte. Logo no primeiro dia fui ver <strong>An Evening with Patti LuPone and Mandy Patinkin</strong>. Talvez a turma jovem que está chegando agora aos musicais (artistas e plateia) não os conheça ou saiba a extensão da importância deles como artistas. São dois veteranos, devem ter uns 60 anos cada, e fizeram história. Tanto Patti quanto Mandy criaram papéis estratégicos na história dos musicais. Ela foi a primeira Evita, ele o primeiro Che Guevara, na montagem americana do musical de Andrew LLoyd Weber. Ela estrelou a remontagem histórica de ANYTHING GOES, ele fez o personagem central de SUNDAY IN THE PARK WITH GEORGE, musical ícone de Stephen Sondheim. Ela recentemente reviveu Mama Rose em GYPSY, ganhando finalmente um Tony (seu primeiro). Ele tem dedicado muitos anos de sua vida a fazer espetáculos em iídiche para plateias judaicas, além de ser bastante visto em séries de tv. Foi o astro em duas temporadas do mega sucesso CRIMINAL MINDS, que passa em algum canal de cabo no Brasil.</p>
<p>&nbsp;<br />
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<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/evita3b.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-20344" title="evita3b" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/12/evita3b.jpg" alt="" width="600" height="285" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Patti as Evita, Mandy as Che</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, adoro os dois. Gostava menos de Mandy Patinkin porque tenho um CD dele cantando Sondheim e Hammerstein. Acho que é o primeiro que ele gravou solo, e acho a voz chata de se ouvir, muito específica, maneirista, cheia de vibratos nos graves, enfim&#8230; Mas em cena muda tudo. Ele dirigiu e criou o espetáculo, e ao lado de Patti Lupone, faz o que há de mais simples: canta. E cantam muito! O roteiro faz uma mistura absolutamente improvável de Sondheim, Lloyd Webber, Rodgers &amp; Hammerstein, Frank Loesser, e até uma canção da PEQUENA LOJA DOS HORRORES, tudo sem nenhum pudor de juntar uma letra na outra, misturar épocas e estilos, dar novo sentido a temas já reconhecidamente velhos ou datados.<br />
&nbsp;<br />
Um piano e um contrabaixo acústico em cena, duas cadeiras, algumas lâmpadas de ensaio&#8230; E só. E é contagiante! É puro teatro musical, nenhum artifício extra, só a música e as letras, e o talento dos intérpretes. Não desce nem sobe cenário nenhum, e ninguém berra, tudo é suave, você ouve as vozes bem nos lábios dos cantores, quase não se sente o microfone. É bastante engraçado e ao mesmo tempo, pungente. A cena completa do musical CAROUSEL, que chega ao ápice com a canção “If I Loved You”, é um dos momentos mais emocionantes da noite e de toda a temporada.<br />
&nbsp;<br />
Mas aviso: eu não recomendaria este espetáculo a ninguém que não tenha intimidade com o repertório da chamada “old Broadway”, porque pode ser um tédio só. Seria o mesmo que me mandar assistir um show da Lady Gaga ou de algum desses caras que “cantam” funk: eu vomitaria em 10 minutos. Mas se você gosta de música de teatro, dos compositores da época de ouro dos musicais, e se não faz questão de muita confusão em cena, não perca.<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Veja aqui Patti &amp; Mandy brincando de Facebook e em seguida um vídeo com alguns ótimos momentos do show:</strong>.</p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/WeKMrLlVpkI?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
<p><iframe width="500" height="281" src="http://www.youtube.com/embed/MOZbf7yIBr8?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Claudio Botelho: A magia de Follies, um musical onde ninguém é feliz</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 10:28:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; &#160; FOLLIES é o melhor e mais inovador musical da Broadway já escrito nos últimos 40 anos. &#160; Frase dramática e pretensiosamente definitiva, não? Quem sou eu pra ditar normas ou parâmetros sobre o que é bom ou ruim num palco? O que é bom é o que o povo gosta, o que encontra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/follies.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-19279" title="follies" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/follies.jpg" alt="" width="324" height="377" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>FOLLIES</strong> é o melhor e mais inovador musical da Broadway já escrito nos últimos 40 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Frase dramática e pretensiosamente definitiva, não? Quem sou eu pra ditar normas ou parâmetros sobre o que é bom ou ruim num palco? O que é bom é o que o povo gosta, o que encontra seu público, o que de certa forma nunca foi o caso de <strong>FOLLIES</strong>.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas então vou reformular a sentença: <strong>FOLLiES</strong> é – na minha particular e modesta opinião – o melhor, etc, etc, etc&#8230;  Em tempos de total relativismo, tenho de me lembrar sempre que “na minha opinião” deve preceder minhas frases quando as coloco por escrito. Pois, por mais que este seja um blog e site particular e livre, há gente que ainda se sente atacada quando, por um motivo ou outro, digo algo não muito simpático sobre o ídolo de alguém, a peça favorita de um, o musical dos sonhos de outro. Então, antes de mais nada: na minha opinião&#8230; <strong>FOLLIES</strong> é o melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Quando ouvi <strong>FOLLIES</strong> pela primeira vez, foi um CD do elenco original, que por motivos de produção quando o LP foi lançado, não tinha todos os números.  Como há muita música, cortaram algumas canções do disco, e chegaram mesmo a cortar pedaços de músicas, fazendo uma espécie de Highlights. Conheci esta gravação e logo depois me chegou às mãos, através do saudoso Nildo Parente, o famoso concerto em vídeo de <strong>FOLLIES</strong> no Lincoln Center. Parecia o destino: o CD chegava a mim (acho que era um dos primeiros CDs que pude comprar na vida, eu só tinha LPS e demorei a ter o aparelho que tocava a mídia digital) e ao mesmo tempo, aquele vídeo.  Mudou minha vida. Acho que um fã de musical terá sempre algo parecido com isso pra dizer: “antes e depois de Stephen Sondheim”. Porque – juro – muda tudo!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Já a primeira audição do disco foi devastadora. Tudo soava diferente, mas ao mesmo tempo completamente conhecido. É como se alguém tivesse pegado tudo havia da melhor música de teatro e de operetas,  reinventado e transformado numa coisa  nova, complexa, e ainda assim, assoviável. . Eu não sabia ainda, claro, mas <strong>FOLLIES</strong> pretende justamente isso: Sondheim se traveste de  diversos compositores das primeiras décadas do século XX, e ao compor ele os emula, praticamente os psicografa. Tudo em Follies é ‘pastiche’. Ele escreve as  canções com a alma de Irving Berlin, Gershwin, Franz Lehar, Otto Harbach, e diversos outros, cada um remetendo a uma década entre os anos 20 e os 50.  Talvez por isso a sensação de que você  conhece aquele som, embora seja tudo novo. E eu não sabia nada do enredo, nada da peça. Apenas passei a ouvir disco compulsivamente.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam aqui um vídeo raro  e amador da lendária montagem original, com a sensacional  Alexis Smith. A imagem é ruim, mas vale a pena pra entender o que virá depois.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><object width="500" height="375"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/AmexU4Qd0HM?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/AmexU4Qd0HM?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="375" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, depois que eu já sabia de cor o CD inteiro, o Nildo me emprestou aquele videocassete (não existia DVD ainda). Era o concerto feito em 84 no Lincoln Center, revivendo a peça com uma orquestra gigante no palco, e algumas das estrelas mais incríveis de musical interpretando os números. O vídeo mostra os três dias de ensaio e a apresentação e portanto passei a conhecer mais da história, mesmo assim não entendendo direito qual era exatamente a historinha dos dois casais principais. Vejam aqui um clipe de 10 minutos deste concerto histórico. O elenco  é simplesmente o seguinte: Barbara Cook (Sally), George Hearn (Benjamin), Mandy Patinkin (Buddy), e Lee Remick (Phyllis), e as participações mais que especiais de  Carol Burnett, Betty Comden, Adolph Green, Liliane Montevecchi, Elaine Stritch, Phyllis Newman and Licia Albanese.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Após este clip, talvez dê pra imaginar a minha emoção de ver aquilo num videocassete quando eu tinha apenas 20 anos e alguns sonhos sobre fazer teatro:</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><object width="500" height="375"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/D6v7wbXkfow?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/D6v7wbXkfow?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="375" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, pra chegar logo no assunto principal: minha paixão por <strong>FOLLIES</strong> se tornou um ‘estupro consentido’ quando finalmente em 2001 eu pude assistir em Nova York à primeira remontagem na Broadway desde 71. Não vou esquecer aquilo nunca. Todos os especialistas falaram mal deste <em>revival</em>, dizem que não deu certo, sei lá. A temporada encerrou-se em poucos meses. Mas para mim foi uma crise de choro atrás da outra, a cada número eu me embrenhava mais naquele mundo exótico, a música me maltratava positivamente a cada nova canção , e a história me enlouquecia mais ainda.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Usei as palavras “estupro” e “maltratar” porque <strong>FOLLIES</strong> é um espetáculo mau. Tudo ali dói. Os dois casais que conduzem a história são vazios, fúteis,  absolutamente desinteressantes, não têm nada a dizer além de lamentar vidas mesquinhas não deram certo. Mas nem deveriam ter dado, pois eles são auto-centrados, não são simpáticos, não são nada&#8230; E no entanto a peça é sobre eles. E mais os fantasmas deles, seus duplos jovens, e uma multidão de  figuras do passado, que também não chegaram a lugar nenhum.  Ninguém é feliz. Todas as letras de música falam em perda e desamor. No número de maior glamour de toda a peça, <strong><em>Who´s That Woman</em></strong>, que deveria ser uma celebração de vedetes,  a letra diz: “Espelho, espelho meu/ Quem é a garota mais triste da cidade/ esta garota sou eu”. Isso é só um exemplo.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">As alegres vedetes do passado são na verdade um bando de mulheres infelizes,  todas foram derrotadas pelo tempo. Uma velhota canta que é uma “garota da Broadway”, mas seu figurino mostra que ela não passou nem dos testes.  A  soprano anciã que canta  sobre um último beijo (<em>One More Kiss</em>)é apenas um retrato do que fora,  suas notas agudas ficaram no passado e seu duplo/jovem tem de ajudá-la na canção. A estrela de cinema  canta <em>I´m Still Here</em> quase como uma lição de como passar a vida sendo rejeitada e machucada. Tudo é, enfim, melancolia  – e é maravilhosamente genial.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Pois foi esta a emoção que tive em 2001 assistindo pela primeira vez uma montagem completa da obra. Vejam a fantástica Polly Bergen que defendia <em>I´m Still Here</em> nesta montagem:</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><object width="500" height="375"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/N527QBDXdm8?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/N527QBDXdm8?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="375" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, isso foi há exatos 10 anos. Mas a  razão deste texto é que assisti na semana passada a mais uma remontagem de<strong> FOLLIES</strong>. Desta vez a produção veio do Kennedy Center em Washington, e supostamente seria uma super-produção.  Mas antes de começar a dizer minhas impressões gerais, quero adiantar: não há como um artista do teatro musical não gostar de <strong>FOLLIES</strong>, a obra em si. Não é uma obra que esteja sob discussão, gosto ou não gosto, como qualquer peça de teatro normal. Você pode desgostar de <em>Wicked</em>, de <em>Billy Elliot</em>, ou mesmo do <em>Fantasma da Ópera</em> e de Cats (este último eu tenho horror). Mas <strong>FOLLIES</strong> já pertence a um panteão onde estão <em>Show Boat</em>,<em> My Fair Lady, West Side Story, Carousel</em>, e por aí vai. Não se contesta a qualidade dessas obras, só alguém desinformado entra neste mérito. Há bastante controvérsia sobre o texto da peça, uns gostam, outros detestam, mas a música composta para este espetáculo já não pertence mais ao mundo dos achismos, ela é sublime e pronto.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem, pra começar: esta produção de <strong>FOLLIES</strong> em cartaz no Marquis Theatre da Broadway não é uma super-produção. Podem ter gasto os sete milhões que dizem ter gasto para abrir o pano, mas isso foi pro figurino (riquíssimo e cheio de cristais Svarowsky pendurados) e pra orquestra (28 músicos, coisa rara na Broadway de hoje). O cenário é apenas o cenário de qualquer montagem usual de <strong>FOLLIES</strong>, só que não é definitivamente rico. Um primeiro ato com o teatro vazio, panos cobrindo coisas velhas, uma escadaria abandonada. E o segundo ato, onde acontece a ‘folia’ do título, é o lugar onde deveria aparecer a “produção”. Mas neste caso, há um cenário único, bonito, mas que é apenas uma <em>plotter</em> de flores gigante. Creiam: nada além disso e algumas cortinas.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Follies-02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-19271" title="Follies 02" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Follies-02.jpg" alt="" width="350" height="528" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, mas nada disso me importaria se houvesse emoção e carisma no elenco. Mas há altos e baixos. Bernadette Peters é uma das atrizes mais conceituadas da Broadway, tem uma coleção de prêmios Tony em casa, e eu adoro quase tudo que vejo dela. Mas como a Sally desta montagem ela está completamente atrapalhada com agudos complicadíssimos que não funcionam com sua emissão de ‘belter’. Não vou aqui entrar em mérito de técnica vocal, pois isso é um porre de chato&#8230; Mas é a primeira vez que vejo Bernadette Peters sofrendo para dar conta de um papel vocalmente. Ela está evidentemente desconfortável no dueto que fecha o primeiro ato, <em>Too Many Mornings</em>,  completamente engolida pela voz tonitruante de Ron Raines (este muito bom como Ben Stone).</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O papel de Sally é em si já  muito pouco atraente, ela é a chatinha suburbana que ainda acha que ama o marido da amiga. A redenção do papel é que, no segundo ato, cabe a ela expressar sua loucura e seu desespero numa das canções mais emocionais que Sondheim já escreveu, <em>Losing My Mind</em>. Esta canção é (assumidamente) um pastiche de <em>The Man I Love</em>, mas vai vários degraus pra baixo na descida ao inferno de querer o amor de alguém. Em <em>The Man I Love</em> existe esperança, embora melancólica; <em>Losing My Mind</em> não vê luz no final do túnel, e até mesmo a última esperança é posta em dúvida num golpe de misericórdia do verso final: “<em>You said you love me/ or were you just being kind</em>?” (Você disse que me ama/ ou estava apenas sendo gentil?). Pois Bernadette faz este número com emoção, mas pelo menos no dia em que eu assisti, sem brilho.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Follies-04-Jan.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-19272" title="Follies 04 - Jan" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Follies-04-Jan.jpg" alt="" width="320" height="491" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Já a Phyllis de Jan Maxwell é um show à parte, a melhor do elenco disparada. Foi a melhor interpretação de <em>Could I Leave You</em> que eu já vi, e olha que vi dezenas delas. Ela faz o número com fúria, dá uma nova versão ao sentimento da personagem, muito mais raivoso e amargurado que a ironia costumeiramente associada a esta canção. Vejam o número completo aqui, num vídeo amador, mas reparem como ela cresce do meio para o final com o ódio guardado que ela vomita em cima do marido:</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><object width="500" height="281"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/1cnQ8JQi8YI?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/1cnQ8JQi8YI?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="281" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando à parte ruim; melhor dizendo, a parte que não gostei. Acho que um dos personagens mais mal defendidos nesta remontagem é o Buddy de Danny Burstein. O ator não é crível como alguém que possa ter participado de um quarteto amoroso no passado. Tudo bem, Buddy é um loser. Mas se a gente entra no teatro e já sabe disso porque o ator que o representa é a pessoa mais sem charme e menos atraente que você já viu na vida, o que há pra descobrir lá na frente? Danny Burstein é um comediante de carreira expressiva, fazia bem o  vilão em “<em>South Pacífic</em>”, mas ele não é galã nem aqui nem na Groenlândia.  Buddy não precisa ser o Marlon Brando, mas neste caso é como se tivessem escolhido o Cascão da Turma da Mônica , ou seja, não dá pra você ter nem pena dele.  E em 2001 quem fazia este papel era Treat Williams&#8230; Como esquecer?</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O elenco de coadjuvantes (que neste musical é praticamente a alma da coisa) também não diz muito a que veio. Jayne Houdyshell é menos velha que o necessário e faz um Broadway Baby apenas rotineiro, uma vez que já vimos isso dez vezes melhor com Elaine Stritch. Terri White se sai super bem em <em>Who´s That Woman?</em>, tem carisma e uma ótima voz de contralto. As demais vedetes não chegam a impressionar.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Follies-07-Elaine-Paige.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-19273" title="Follies 07 - Elaine Paige" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/Follies-07-Elaine-Paige.jpg" alt="" width="343" height="541" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O grande problema é que, tratando-se de <strong>FOLLIES</strong>, há tantas e tão incríveis performances dos números em concerto, e todo mundo vive vendo e revendo isso, que fica difícil você não cobrar da montagem atual algo no mínimo do mesmo nível.  Quem escapa por pouco das comparações e consegue emprestar alguma verdade a <em>I´m Still Here</em> é a diva Elaine Paige.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui um clipe de 9 minutos com diversos momentos do espetáculo. São belíssimas imagens. Acho que dão uma geral no que eu disse acima e mostram bastante cada um dos intérpretes principais:</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><object width="500" height="281"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-BXKfT5FQ3E?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/-BXKfT5FQ3E?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="281" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, se você conseguiu chegar ao final deste texto prolixo, é porque você é um herói. E merece um prêmio. <strong>FOLLIES</strong> é um prêmio pra quem gosta de teatro musical adulto, até mesmo uma montagem mediana é sempre um deleite para o espectador com sensibilidade para este tipo de entretenimento menos óbvio. E a atual montagem recebeu críticas excelentes do NY Times e dos jornais que mais importam na Broadway, portanto minha opinião certamente não é um bom parâmetro, e como quase sempre acontece, eu devo estar enganado quanto às minhas restrições. Se você tiver chance de ir a Nova York até janeiro, não pode deixar de ver este musical.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas chega de papo. Encerremos com um número que, para mim, define tudo que falei até agora: Elaine Stritch cantando <em>I´m Still Here</em>.  A alma de <strong>FOLLIES</strong> está aí. Esta é a minha – modesta – opinião.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><object width="500" height="375"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/fN56nkDkKdM?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/fN56nkDkKdM?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="375" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h3><strong>Claudio Botelho</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h3 style="text-align: center;">Veja mais fotos de FOLLIES:</h3>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
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</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
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		<title>Claudio Botelho: &#8216;Anything Goes&#8217;  é Cole Porter vivo e vibrante</title>
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		<comments>http://www.moellerbotelho.com.br/arquivos/19258#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 11:31:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Möeller & Botelho]]></category>
		<category><![CDATA[Site]]></category>
		<category><![CDATA[Broadway]]></category>
		<category><![CDATA[Claudio Botelho]]></category>
		<category><![CDATA[Direto da Broadway]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; REVIVAL é um termo bastante preciso em inglês, e talvez não tenha uma boa tradução na nossa língua para descrever o que realmente é no mundo do teatro. Em português poderíamos usar “remontagem”. Mas um ‘revivai’ é muito mais que isso. É um termo usado para designar todo e qualquer espetáculo que não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/AnythingGoes2011RevivalEdition-22.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-19259" title="AnythingGoes2011RevivalEdition 22" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/AnythingGoes2011RevivalEdition-22.jpg" alt="" width="391" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">REVIVAL é um termo bastante preciso em inglês, e talvez não tenha uma boa tradução na nossa língua para descrever o que realmente é no mundo do teatro. Em português poderíamos usar “remontagem”. Mas um ‘revivai’ é muito mais que isso. É um termo usado para designar todo e qualquer espetáculo que não seja estreia na Broadway. Isso vale até pra Shakespeare. Montar Hamlet é um revival. Montar Ibsen, Tcheckov, Tenesse Williams – tudo revival.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Houve um tempo por aqui em que a demanda por novos musicais e, especialmente, novas canções que pudessem entreter o público, era enorme. A indústria vivia disso, da novidade. Ainda vive, é claro. Mas desde o  início dos anos 90 há uma forte tendência a reviver mais e mais musicais clássicos. Por um lado, porque este é um país que trata muito bem seus ídolos do passado, especialmente seus compositores (se Noel Rosa vivesse aqui, já teria tido sua obra revisitada uma centena de vezes, sob diversos ângulos, teria tudo que escreveu publicado, gravado, relançado, reinterpretado, enfim&#8230;). Portanto, a Broadway tem prestado o serviço de colocar à disposição das novas gerações as obras de Gershwin (Crazy for You), Irving Berlin (Annie Get Yor Gun),  Jerome Kern (Show Boat), Rodger &amp; Hammerstein (South Pacific), Frank Loesser (Guys and Dolls, How To Succeed), Jule Styne (Gypsy), e tantos outros.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Esta pequena introdução é pra dizer que eu, particularmente, adoro revivals em geral. Eles são a garantia de que vou ao teatro ouvir a melhor música, as melhores orquestrações, e no mínimo algumas boas performances, o que já dribla a minha preguiça de ter de ver algo que pode me encher o saco e não ter nada interessante musicalmente pra me disparar o pulso  &#8211; caso do premiadíssimo Next To Normal , que sei que é idolatrado por muitos de meus colegas brasileiros, os quais respeito e até acho que estão certos&#8230;  mas a mim não pegou. Gosto é gosto. Mas em resumo, pra mim o fundamental para que um espetáculo me ‘pegue’ é mesmo a música.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Pois este ANYTHING GOES em cartaz na Broadway atualmente é um dos melhores revivals que já tive a chance de assistir na vida. De tanto ouvir as gravações disponíveis da obra,  confesso que tinha certa preguiça de ir pro teatro ver de novo aquela história supostamente cheia de teias de aranha, o auge da comédia musical onde a música tinha pouco a ver com a história, tudo era pretexto para os compositores colocarem músicas e prepararem grandes números de produção, sapateado, balé,  etc. Portanto comprei meus ingressos achando que ia ter duas horas do melhor Cole Porter, canções incríveis, mas que ia ser apenas banal, que teria de aturar o texto e as piadas de época. E claro, como sempre, eu estava enganado.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>Kathleen Marshall,</strong></span> a diretora, é gênio! O que ela fez com ANYTHING GOES é simplesmente indescritível. Ela apresentou o material de 1934 como se tivesse sido escrito ontem. E não há nenhuma concessão “modernizante”. O que você vê é o que é, não há truque nenhum. São as canções, a dança, o espírito puro daquilo que nasceu há mais de 70 anos. E tudo resulta novo, revigorado, empático e comunicativo com qualquer plateia. As cabeças brancas e cinzas (como a minha) eram predominantes no teatro, mas havia muitos jovens também. Jovens às gargalhadas com letras que, certamente, não fazem mais nenhum sentido hoje em dia.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Cole Porter ficou muito famoso por suas “list-songs”, canções em que ele listava adjetivos ou substantivos os mais diversos, rimando uns com os outros, em letras enciclopédicas e super longas, mas absolutamente encantadoras e geniais. Há várias “list-songs” em ANYTHING GOES. E um problema básico para fazer com que esta peça se comunique com plateias de hoje em dia é que muitas das coisas e situações listadas por Porter nas letras simplesmente já não existem há muitos e muitos anos.  Em “You re The Top”, por exemplo, a lista de comparações fala em ‘Garbo´s Salary’,  ‘the great Durante’, ‘Mae West´s Shoulder’, ‘a dance in Bali’, ‘Vincent Youmans’&#8230; Quem hoje em dia liga alguma coisa ao Salário da Greta Garbo? Aliás, quem com menos de 40 anos sabe quem é Greta Garbo? Jimmy Durante é um nome nacional nos Estados Unidos, mas pergunte a algum garoto entre 15 e 30 anos  aqui na porta do meu hotel se ele jamais ouviu falar neste sujeito de voz enlatada e nariz gigante? E Vincent Youmans, alguém sabe quem é (compositor dos anos 20/30)?  Os ombros de Mae West então, alguém se arrisca?</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Pois aí está o primeiríssimo e absoluto desafio para uma remontagem dessas. A peça é vintage, de época, e tudo nela é datado. Todas as piadas são datadas, o texto é um compêndio cômico sobre o final dos anos 30, tudo é auto-referente  para o momento em si, após o crash da bolsa, gente que perdeu tudo e gente que ganhou dinheiro rápido, ingleses que não conseguem entender os americanos por causa das novas gírias&#8230; Ou seja, nada disso faz sentido hoje em dia. Mas&#8230; Vejam o resultado justamente em “You re the Top”  neste vídeo do número completo:</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><object width="500" height="281"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6WjTaMZyS70?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/6WjTaMZyS70?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="281" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Eu estava enganado quando achei que ia ver algo empoeirado? Claro que estava&#8230; O que se vê em cena é um musical reluzente como uma coroa de jóias. Piadas? Ouvem-se explosões de gargalhadas com as piadas mais ingênuas, pois são muito bem adaptadas para a plateia de hoje, sem que se mude o sentido original.  Tudo faz sentido e se torna atual, brilhante, cheio de vida. Nenhuma teia de aranha por perto. E acho que muito desta energia está na qualidade suprema do elenco. O profissional que fez casting para este musical deve ter ganhado o Tony. Se não ganhou, merecia (não fui checar, to com preguiça).  Depois alguém me conta!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/anything_goes_02.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-19261" title="anything_goes_02" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/anything_goes_02.jpg" alt="" width="600" height="400" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">A protagonista é <strong><span style="color: #800000;">SUTTON FOSTER</span></strong>,  que recria o papel estrelado em 1934 por Ethel Merman. Foster é praticamente uma máquina de trabalhar, vem emendando um musical atrás do outro há alguns anos, e sempre fantástica. O que ela faz em ANYTHING GOES é antológico: dança, canta, sapateia, faz graça, tem emoção, tem classe, não há nada que esta mulher não faça. Um furacão, e não claro que levou o Tony pelo papel.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>John MacMartin</strong></span>, veterano galã da Broadway e do cinema (ele foi o par de Shirley MacLaine em “Sweet Charity”) dá uma classe toda especial a um papel que nem é à altura de seu talento, mas ele arrasa. O casal de ‘pombinhos’ <span style="color: #800000;"><strong>Colin Donnel</strong></span> e <span style="color: #800000;"><strong>Erin Mackey</strong></span> são  as vozes legit (empostadas) mais bonitas que vi nesta temporada. Ele então é uma grata surpresa, pois nunca o tinha visto em cena e não há nada mais chato que um tenor chato. Mas <span style="color: #800000;"><strong>Collin Donnel </strong></span>é perfeito como galã de época e a voz é um primor, tanto para os números cômicos quanto os românticos.  Já <span style="color: #800000;"><strong>Adam Godley</strong></span> faz o inglês desajeitado que passa a peça inteira pagando mico, e faz isso com uma categoria ímpar.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">No link abaixo, uma geral em vídeo com diversos números e o elenco completo. Acho que dá pra ver um pouco de cada um que eu mencionei acima:</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><object width="500" height="281"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NQ23uEuSzeE?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/NQ23uEuSzeE?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="281" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/anything_goes_04_1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-19260" title="anything_goes_04_1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/09/anything_goes_04_1.jpg" alt="" width="400" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Agora,  além de tudo isso, existe a emoção maior que  ver <span style="color: #800000;"><strong>JOEL GREY </strong></span>em cena. Amigos, o que é Joel Grey? Pra mim não precisava mais nada&#8230; Aliás, ele não faz por menos. Caminha como um Chaplin dos musicais, dança como um Marcel Marceau da Broadway, e até mostra quando está cansado, buscando a cumplicidade do público, o que consegue  imediatamente. Não há uma única piada que Joel Grey deixe passar. Os olhos são brilhantes, os gestos precisos para parecerem imprecisos, e há uma coisa ali que a gente não sabe se ri ou se chora de emoção. Ele nos mostra o tempo inteiro que está exultante  de ter 79 anos e estar num palco representando, cantando, ‘sellinig it out’ como se diz na gíria de teatro por aqui. Imaginar que aquele homúnculo é o MC do “Cabaret”, tanto do filme quanto da peça, um talento tão arrebatador a serviço de um personagem que quase lhe custou o restante da carreira por ter sido tão marcante.  Mas deu certo, Joel Grey ainda é o MC eterno na cabeça e no coração de todos nós (não há Allan Cumming que me faça mudar de ideia), mas ele também vem conseguindo emplacar sucessos em outros personagens  &#8211; brilhou com Amos na remontagem de “Chicago” e esteve genial como o Mágico em “Wicked”.  Fez um dos pais na versão para cinema de “The Fantasticks”, versão esta que nunca chegou ás telas, saiu só em DVD.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui está ele apresentando a peça no TONY AWARDS deste ano, e em seguida o número título completo. Preparem-se, é de tirar o fôlego:</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><object width="500" height="281"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/I1dpBhDBv-c?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/I1dpBhDBv-c?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="281" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, antes que este meu pequeno texto comece a ficar cheio de referências cifradas ou mesmo vire um ‘drop-name’ de gente que ninguém sabe quem é, e antes que eu me torne chato como um tenor chato, vou parando por aqui. Não sem antes jurar pra vocês que generosamente me lêem: ANYTHING GOES é uma acontecimento na Broadway. Lembro ainda que tive esta  mesma sensação quando eu e Charles assistimos a KISS ME KATE, outro Cole Porter maravilhosamente remontado em 1999, com coreografia desta mesma incrível Katheleen Marshal. Mas ali o desafio era um tanto menor, pois KMK é a mais ‘moderna’ das peças de Porter, uma das que mais resiste em termos de enredo e de personagens. Ou seja, em ANYTHING GOES, o baú era muito mais fundo e muito mais perigoso. E graças a Kathleen Marshall e a este elenco sensacional,  Cole Porter continua Rei por aqui. He´s the top!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h3>Claudio Botelho</h3>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h3 style="text-align: center;">Veja mais fotos do revival de Anything Goes:</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">
<div class="ngg-galleryoverview" id="ngg-gallery-252-19258">


	
	<!-- Thumbnails -->
		
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<p style="text-align: justify;"><em><strong>Nota do Site:</strong></em><br />
<em><strong> O revival de &#8216;Anything Goes&#8217; recebeu um total de nove indicações para o prêmio Tony, ganhando três: Best Revival of a Musical, Best Performance by a Leading Actress in a Musical (Sutton Foster) e Best Choreography. A produção teve também 10 indicações ao Drama Desk Award , ganhando cinco prêmios.</strong></em></p>
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		<title>La Cage Aux Folles e a Música de um Gênio. Por Claudio Botelho.</title>
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		<comments>http://www.moellerbotelho.com.br/arquivos/11615#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 11:37:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Site]]></category>
		<category><![CDATA[Claudio Botelho]]></category>
		<category><![CDATA[Direto da Broadway]]></category>

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		<description><![CDATA[Os diretores Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento Minha história com LA CAGE AUX FOLLES – o musical – começa há muito anos. Muitos mesmo. Eu tinha uns 17 quando comprei um LP que foi lançado aqui com o elenco da montagem original da Broadway.  Estava [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><em>Os diretores Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais  espetáculos em cartaz na Broadway no momento</em></strong></p>
<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="wallpaper-001" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/wallpaper-001.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-11616" title="wallpaper-001" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/wallpaper-001-1024x768.jpg" alt="" width="553" height="415" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="La Cage Aux Folles The Broadway Musical (1983 Original Broadway Cast)" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/La-Cage-Aux-Folles-The-Broadway-Musical-1983-Original-Broadway-Cast.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-11617" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="La Cage Aux Folles The Broadway Musical (1983 Original Broadway Cast)" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/La-Cage-Aux-Folles-The-Broadway-Musical-1983-Original-Broadway-Cast.jpg" alt="" width="265" height="260" /></a>Minha história com<span style="color: #000000;"><strong> LA CAGE AUX FOLLES</strong></span> – o musical – começa há muito anos. Muitos mesmo. Eu tinha uns 17 quando comprei um LP que foi lançado aqui com o elenco da montagem original da Broadway.  Estava começando a me interessar por musicais, tinha muito pouco acesso aos discos, pois tudo era importado, caro, e não existia Internet (eu sou antigo!), de modo que conseguir comprar um LP de um musical da Broadway naquele tempo era uma façanha pra mim.</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, o que importa é que o destino pôs na minha mão aquele disco e – tenham certeza – talvez tenha sido um dos musicais que eu mais escutei até hoje na vida. Eu ouvia aquilo compulsivamente, praticamente todos os dias, e quanto mais ouvia mais me encantava com aquela música. Sei de cor cada palavra das letras, sei cada nota da partitura, sei até as falas que estavam gravadas no álbum.  Os intérpretes principais eram <span style="color: #000000;"><strong>Gene Barry</strong></span> (o ator que fazia Bud Masterson numa série de TV) como George, e <span style="color: #000000;"><strong>George Hearn</strong></span> que fazia Zazá.  George Hearn é ainda para mim uma das vozes mais lindas da Broadway, além de um ator impecável, com uma classe incrível. Pude vê-lo em cena algumas vezes nesses anos todos e cada vez mais o tenho como ídolo.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje há registros em vídeo muito ruins da montagem original. Tudo que existe são gravações de programas de TV ou a apresentação no Tony Award do ano de 1984, onde vemos alguns números das ‘Cagelles’ ou Hern cantando “I Am What I Am” sem caracterização, sempre vestindo um smoking. Portanto, minha ligação com o espetáculo foi, durante muito tempo, com a música mesmo, o que estava no LP.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="Jerry Herman suit" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Jerry-Herman-suit.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-11626" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Jerry Herman suit" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Jerry-Herman-suit.jpg" alt="" width="218" height="280" /></a>Aprendi naquele LP quem era <span style="color: #000000;"><strong>Jerry Herman</strong></span> <em>(foto à direita)</em>, o compositor, e fui atrás de outras coisas dele. Percebi, com o tempo, que talvez eu goste tanto de Herman quanto de Sondheim e da dupla Kander &amp; Ebb, que são meus compositores contemporâneos favoritos. Hoje tenho tudo de Jerry Herman, todos os seus shows (os fracassos e os sucessos) e posso dizer que ele nunca escreve uma canção que seja descartável. Todas são lindas. Discípulo de Irving Berlin (música e letras), Jerry Herman foi muito influenciado e muito ajudado pelo mestre que lhe deu o caminho para criar canções que sejam facilmente absorvidas por quem as ouve sem serem vulgares ou pobres. A música de Herman vai direto ao coração, assim como as geniais criações de Irving Berlin. Nenhum dos dois fez canções por fazer, canções de passagem, técnicas &#8211; todas vêm molhadas de humor ou de emoção.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, um show de Herman que fracassou, “Mack And Mabel”, não tem uma única canção ruim, é tudo contagiante.  Os números que ele escreveu para “A Day In Hollywood” são no mínimo geniais; o score inteiro de “Mame” é de pérolas; o mesmo dá pra dizer de “Milk and Honey”, “Parade”, entre outros. E “Hello, Dolly” dispensa qualquer apresentação, mesmo que a canção título tenha sido considerada um plágio de uma antiga gravação de Frank Sinatra, plágio esse que Herman acabou tendo que negociar e pagou um milhão de dólares para que o caso fosse “arquivado”, ou algo assim. Não sei os detalhes disso e nem interessa no momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Além dos discos com os elencos originais, comecei a curtir Jerry Herman mais ainda quando comprei o CD de Jerry´s Girls, uma revista com as canções dele de diversas fontes. E também o CD em que Michael Feinstein canta acompanhado pelo próprio JH ao piano, este sim um disco pra estar na primeira prateleira da estante pra sempre. Há vários tributos e noites de Gala com a música de Jerry Herman, uma delas lançada em DVD (gravado no Hollywood Bowl) que rendem momentos incríveis de muita emoção e prazer.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="5435a" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/5435a.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11629" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="5435a" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/5435a-203x300.jpg" alt="" width="203" height="300" /></a>Bom, mas estou aqui pra falar de <span style="color: #000000;"><strong>LA CAGE AUX FOLLES</strong></span>. O fato é que só consegui unir aquele som que ficou anos na minha mente a um espetáculo real, em carne e osso, quando assisti à montagem de 2003 na Broadway. E entrei em êxtase. Tinha o sensacional <span style="color: #000000;"><strong>Gary Beach</strong></span> <em>(sentado, à esquerda)</em> no papel de Zazá, um comediante maravilhoso que quase roubava a cena como o diretor gay em “The Producers” (no filme e no teatro) e era uma superprodução, com quase 20 ‘Cagelles’ em cena, cenários enormes, uma coreografia genial de Jerry Mitchel, enfim uma montagem digna de Broadway mesmo. Foi minha primeira vez assistindo a La Cage e não ficou nada a dever ao que minha fantasia baseada nas músicas me fazia imaginar.</p>
<p style="text-align: justify;">Já no ano passado fomos, eu e Charles, assistir à montagem que estava em cartaz em Londres, num teatro pequeno, quase fora do West End (na verdade, era uma montagem que havia se mudado de um teatro menor ainda e mais afastado). O que vimos foi uma produção muito pobre, atores dobrando papéis em cena, cenários muito caídos, figurinos próximos de um show de boate, orquestra de meia dúzia de músicos. Era uma decepção como espetáculo, mas tinha dois bons protagonistas. <span style="color: #000000;"><strong>John Barrownman</strong></span> estava estreando no papel de Zazá, e ele canta muito bem. Infelizmente ele é bonito demais pro papel, é um galã no lugar errado, já que Zazá deve ser uma bicha matrona, nunca alguém que tira a camisa em cena e mostra alguns gomos no abdome. Mas enfim, a música é tão bonita que a noite foi divertida.</p>
<p>Quando soubemos que aquela mesma montagem iria para Broadway em seguida, imaginamos que iriam dar um banho de loja naquilo, afinal estava muito longe do padrão Broadway de musicais.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, o que vimos agora na Broadway é exatamente a mesma produção. Tudo igual, mas tudo restaurado, melhorado, mais limpo e bem acabado. Continuo achando uma produção acanhada para um ingresso de 120 dólares, já que a orquestra não tem cordas, há apenas seis bailarinos no coro e os cenários são os mesmos de Londres, ou seja, pobres. Mas o que faz você esquecer tudo isso é que, liderando o elenco, estão dois atores dos mais talentosos que já vi num palco de teatro musical até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="kelsey" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/kelsey.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11618" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="kelsey" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/kelsey-300x207.jpg" alt="" width="300" height="207" /></a>Começando pelo George de <span style="color: #000000;"><strong>Kelsey Grammer</strong></span> <em>(dir.)</em> famoso pela série “Frasier” na televisão: o cara é o melhor George que eu já vi. Um papel ingrato, que sempre acaba ofuscado pelo travesti que o acompanha, costuma fazer com que os atores que o representam se sintam na obrigação de exagerar em tudo para arrancar gargalhadas da plateia. Grammer não faz nada disso. Ele está sempre cedendo lugar ao brilho do companheiro e isso lhe confere uma classe que a gente se encanta com ele de imediato. Canta lindamente as canções do personagem que são suaves e escritas para voz de barítono que saiba se expressar sem gritos ou trejeitos. Um tiro mesmo a escolha deste ator.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora, não há como ficar imune a <span style="color: #000000;"><strong>Douglas Hodge</strong></span> como Zazá (Albin, quando vestido de ‘homem’). Ele tira a gente do sério. Não provoca riso, provoca uma convulsão na plateia.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="dodge" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/dodge.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11619" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="dodge" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/dodge-300x209.jpg" alt="" width="300" height="209" /></a>Geralmente sou impaciente com atores que gesticulam muito e que fazem muitos movimentos em cena, me dá a impressão de que querem chamar mais atenção que o que estão dizendo. <strong>Hodge</strong> <em>(esq.)</em> faz tudo isso, ele não pára um único segundo, parece que está com alguma espécie de sarna porque se coça e se contorce o tempo todo, mas faz tão bem e com tanta convicção que o resultado é difícil de descrever: é preciso assistir mesmo! Não é uma grande voz no sentido dado por George Hearn ao papel inicialmente, mas quem precisa de mais voz quando aquela que está ali é absolutamente crível, afinada, concentrada, e dá tanta humanidade ao papel? Acrescento ainda o despudor com que Hodge se despe em cena, mostrando que é um travesti de meia idade (embora o ator aparente menos de 40 anos), decadente sim, maluco sim, mas generoso e doce. Zazá não tem maldade, o musical é sobre isso: um travesti aparentemente desmiolado e que vive num mundo de fantasia, que se transforma num herói numa noite que tinha tudo para ser um desastre.  Douglas Hodge faz de Zazá o momento mais brilhante desta temporada na Broadway, e não é nenhuma surpresa que ele tenha acabado de ganhar o Tony de Melhor ator pelo papel. Sean Hayes, outro ponto alto da temporada com sua atuação em “Promises, Promises”, acabou perdendo o prêmio para outro comediante gay com atuação exemplar. Os espetáculos em geral não estão muito brilhantes neste ano, mas essas atuações masculinas valem a viagem.</p>
<p style="text-align: justify;">
<h2 style="text-align: center;"><strong><span style="color: #000000;"><em>&#8220;La Cage Aux Folles é – e sempre foi – uma peça séria. A comédia de Jean Poiret sempre  foi encenada no mundo todo como um libelo contra a hipocrisia e um tapa  na cara dos &#8216;bons costumes&#8217; burgueses&#8221;</em></span></strong></h2>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Acho que vale ainda dizer que LA CAGE AUX FOLLES é – e sempre foi – uma peça séria. A comédia de <span style="color: #000000;"><strong>Jean Poiret</strong></span> sempre foi encenada no mundo todo como um libelo contra a hipocrisia e um tapa na cara dos “bons costumes” burgueses, especialmente nos anos 70/80,  quando a peça foi levada à cena inicialmente, um momento em que pouco se falava sobre liberação homossexual e o assunto era tratado de maneira muito envergonhada no teatro. Colocar um casal gay em cena, sendo um dos cônjuges um travesti, era uma atitude de vanguarda e, embora cheia de piadas e muito engraçada, a peça não deixava nunca de dar seu recado contundente e debochar com muita ironia dos preconceitos de então. O filme com Ugo Tognazi e Michel Serrault é obra prima, comédia sim, mas totalmente política e explicitamente liberal, tendo sido proibido em muitos países (em quase toda a América Latina inclusive) quando foi lançado.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente, a peça foi montada no Brasil com um cunho machista inaceitável. Ficou anos em cartaz com o grande <span style="color: #000000;"><strong>Jorge Dória</strong></span> (um dos melhores comediantes que já vi em cena até hoje) no papel de George e <strong><span style="color: #000000;">Carvalhinho</span></strong> (outro gênio da comédia) como Zazá. Eram dois atores incríveis, mas uma montagem que ridicularizava o relacionamento do casal, colocava tudo na base do deboche e com aquele viés para a chanchada que infelizmente tanto fez e ainda faz a felicidade de um certo tipo de plateia.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="LIVE! WITH REGIS AND KELLY" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Les-Cagelles.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11620" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="LIVE! WITH REGIS AND KELLY" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Les-Cagelles-300x248.jpg" alt="" width="300" height="248" /></a>LA CAGE AUX FOLLES, o musical, é uma comédia tão séria quanto a peça. As canções são super engraçadas quando têm de ser, mas muito emocionantes quando tratam do que é o tema central da peça, ou seja, o respeito à liberdade do próximo. Não é um show de escracho, é uma comédia de situação milietricamente construída para que os personagens se apresentem, se engalfinhem e acabem se entrelaçando num final patético, mas feliz. Todas as montagens a que assisti fora do Brasil, desde a de 2004 até a atual, todas sem exceção não fazem concessão à piada fácil ou ao deboche com os gays. Você sai do teatro amando a Zazá, nunca rindo dela. Isso é fundamental.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você tiver a oportunidade de estar em Nova York nos próximos meses (não há data para o final da temporada), não pense duas vezes: vá assistir a LA CAGE AUX FOLLES. É imperdível!</p>
<p style="text-align: justify;">
<h1><span style="color: #000000;"><strong>Claudio Botelho</strong></span></h1>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p><span style="text-decoration: underline;">Créditos das Fotos:</span></p>
<p>* Broadway.com</p>
<p>* Playbill.com</p>
<p>* The New York Times</p>
<p>* Theatermania.com</p>
<p>* Lacage.com</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>American Idiot: Ópera Punk Rock Anárquica e Contestadora. Por Charles Möeller</title>
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		<comments>http://www.moellerbotelho.com.br/arquivos/11541#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 13:24:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Möeller & Botelho]]></category>
		<category><![CDATA[Site]]></category>
		<category><![CDATA[Charles Möeller]]></category>
		<category><![CDATA[Direto da Broadway]]></category>

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		<description><![CDATA[Os diretores Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento &#8216;American Idiot&#8217; é um espetáculo baseado num disco conceitual da banda de punk rock americana Green Day, lançado em 2004, de enorme sucesso e prestígio, considerado como um dos melhores discos de punk rock de todos os tempos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><em>Os diretores Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais  espetáculos em cartaz na Broadway no momento</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="AMERICAN IDIOT" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/AMERICAN-IDIOT.jpg"><img class="size-full wp-image-11542  aligncenter" title="AMERICAN IDIOT" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/AMERICAN-IDIOT.jpg" alt="" width="441" height="581" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>&#8216;American Idiot&#8217;</strong></span> é um espetáculo baseado num disco conceitual da banda de punk rock americana Green Day, lançado em 2004, de enorme sucesso e prestígio, considerado como um dos melhores discos de punk rock de todos os tempos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele é muito similar em termos de estrutura com outros álbuns como The Wall, do Pink Floyd, e Tommy do The Who, ou seja, uma ópera rock. E como aconteceu com Tommy era quase inevitável sua adaptação para musical e para o cinema &#8211; Já dizem que Tom Hanks adquiriu os direitos e estaria interessado em levá-lo pro cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">Além de músicas do álbum “American Idiot”, o musical acrescentou algumas canções do disco “21st Century Breakdown” (2009) e uma inédita. O espetáculo é basicamente o disco em cena. Obviamente se expande o conceito do álbum por meio de cenas curtas e poucos diálogos costurados durante uma hora e meia sem intervalo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="green 1" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green-1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11543" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="green 1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green-1-300x220.jpg" alt="" width="300" height="220" /></a>Com base no universo niilista do punk, o musical propõe um painel de um tipo de juventude atual através de seus protagonistas e não tem como falar da montagem sem entrar na sua rebuscada história. Então pra quem não viu e quer surpresa pule esse parágrafo (spoilers): Johnny, Will e Tunny, três jovens de classe média americana de vinte e poucos anos, inconformados com a vida medíocre do subúrbio planejam fugir pra cidade grande acreditando que suas frustrações e anseios sejam aplacados. Na véspera da viagem, Will descobre que sua namorada está grávida e resolve ficar. Johnny e Tunny vão para a cidade. Enquanto Johnny ama tudo que vê e se deslumbra com a possibilidade de um novo mundo, Tunny não se enquadra na vida da grande metrópole e se alista no exército. Johnny, frustrado com o abandono de seus amigos e com sua incapacidade pessoal de se conectar com o mundo, cai nas drogas e acaba criando um alterego: poderoso, descolado, urbano, um ícone punk. No subúrbio, a vida de Will caminha a passos lentos, se tornando apática e sem sentido. Ele fica inerte com sua total incapacidade em assumir a paternidade e passa os dias no sofá alcoolizado! Tunny é enviado para guerra, é ferido a tiros e acaba perdendo uma perna. Johnny vai ao fundo do poço com a heroína e, sem amigos e sem ninguém, é obrigado a reconhecer que sua vida tem sido um nada. Volta pro subúrbio e reencontra Will já separado e Tunny recém chegado do Iraque. Os três unidos novamente com destinos opostos, mas com muito em comum: suas escolhas erradas, suas frustrações e suas perdas! Anti-heróis americanos.</p>
<p>O show tem uma equipe de criação parecidíssima com o ‘Spring Awekening’: produção de Tom Hulce, direção de Michael Mayer, luz de Kevin Adams e cenário de Christine Jones. Eles se juntaram novamente para abordar o mesmo tema recorrente da peça anterior: O rock como uma manifesto anárquico e contestador. E com o mesmo protagonista: John Gallagher Jr.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="green2" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11544" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="green2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green2-300x223.jpg" alt="" width="300" height="223" /></a>Me parece até coerente a escolha dele, pro papel de Johnny, pois Moritz (de Wedekind) é considerado por muitos um personagem ícone e precursor do movimento punk. E nada mais natural que o espetáculo seguinte desse time fosse uma ópera punk rock. E assim como Dunkan Sheik emprestava uma sonoridade indie aos musicais da Broadway, o Green Day faz o mesmo com o punk rock. Não sei se intencionalmente ou por falta de repertório, mas <span style="color: #000000;"><strong>John Gallagher Jr</strong></span>. <em>(à direita)</em> parece representar o Moritz novamente! Não consegui olhar pra ele sem achar que era um continuação de com tudo que eu já havia visto dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a banda em cena e com todos os atores tocando instrumentos, o elenco se mostra totalmente entregue. Com garra e juventude, defendem ‘American Idiot’ com o mesmo entusiasmo que vi o elenco de estreia do ‘Spring’ e isso é muito cativante.</p>
<p style="text-align: justify;">O cenário único com andaimes e paredes forradas de manchetes de jornal e com dezenas de televisões espalhadas das mais diversas formas lembra muito o clima do ‘Laranja Mecânica’ de Kubrick. A integração do vídeo em cena é excelente. Eu geralmente não gosto desse artifício, mas não é gratuito em nenhum momento e até se torna um ruído interessante, pois segundo Michael Mayer, o vídeo é um personagem que funciona como uma voz interna, como um coro grego, que as vezes comenta, outras critica, outras apenas observa e contracena com os personagens. Mas principalmente nos mostra como somos uma sociedade teleguiada lobotomicamente pela televisão e ficamos cada dia mais anestesiados pela notícia e pelas televendas que nos empurram um mundo idealizado e nos fazem esquecer a miséria, a fome, o desemprego, a guerra, a violência banalizada que não nos tocam mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="green5" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green5.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11545" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="green5" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green5-300x216.jpg" alt="" width="300" height="216" /></a>Com apuro técnico impecável, Michael Mayer consegue fazer um espetáculo conciso, direto e muitas vezes perturbador. A música, muito boa no disco, acaba perdendo um pouco na sua transposição para o palco. Mesmo tendo momentos muito emocionais e teatrais como o dueto aéreo em ‘Extraordinary Girl’, a impressão que eu fiquei foi que todas as baladas são parecidas e todas as canções de punk rock resultam iguais na encenação como na coreografia! E sobre interpretação dos atores realmente me incomoda um novo jeito cool de interpretar e cantar onde as palavras perdem a importância e temos a impressão de não ver um personagem e sim o aproveitamento de uma personalidade. Musicalmente é mais uma experiência sensitiva como num show, com tudo e todos equalizados na mesma forma e com a mesma importância. Falta um pouco de dinâmica para meus ouvidos mais conservadores: ou gritam ou fazem pianíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho que o texto de Billie Joe Armstrong &amp; Michael Mayer é um pouco precipitado demais e superficial. Às vezes me parece forçada a entrada da canção e a opção por diálogos ligeiros. Cenas curtas acabam resultando em personagens monocromáticos e caricaturas. E não é como no quadrinho que a imagem conta mais que a s palavras. Me parece uma opção mesmo que seja dessa forma: quase em concerto encenado.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="green3" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green3.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11546" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="green3" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green3-300x208.jpg" alt="" width="300" height="208" /></a>O melhor de ‘American Idiot’ é ser mais do que um musical: é ser um evento! É reflexivo, atual, arrojado, lindamente produzido e defendido com toda a garra juvenil que representa uma facção grande de uma juventude niilista esquecida. É fundamental que existam shows assim pra tratar o jovem com a maior idade que ele merece!</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas ressalvas são totalmente pessoais, pois tenho uma certa resistência com essa linguagem híbrida entre o show de rock e o teatro. Era isso o que mais me incomodava no ‘Spring Awekening’ &#8211; só me interessei em montar quando pude ter liberdade de criação. Mas é inegável que ‘American Idiot’ é muito bom.</p>
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<h1 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Charles Möeller</strong></span></h1>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p>* Crédito das Fotos:</p>
<p>Paul Kolnik (www.americanidiotonbroadway.com)</p>
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<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>‘Promises, Promises’: Deliciosa Comédia de Situações com Clima Vintage. Por Charles Möeller.</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 19:18:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os diretores Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento Estava muito ansioso pra ver a primeira remontagem de “Promises, Promises” (o original é dos anos 60), pois tem um time de criadores de peso! O texto é de um dos maiores comediógrafos de todos os tempos, Neil [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><em>Os diretores Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais  espetáculos em cartaz na Broadway no momento</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="prom 09" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/prom-09.jpg"><img class="size-full wp-image-11504    aligncenter" title="prom 09" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/prom-09.jpg" alt="" width="438" height="681" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Estava muito ansioso pra ver a primeira remontagem de “<span style="color: #800000;"><strong>Promises, Promises</strong></span>” (o original é dos anos 60), pois tem um time de criadores de peso! O texto é de um dos maiores comediógrafos de todos os tempos, Neil Simon, baseado no Filme “O Apartamento”, de Billy Wider, com músicas de Burt Bacharach e Hal David. Direção e coreografia do tarimbado Rob Ashford e, ainda pra reforçar, Sean Hayes e Kristin Chenoweth como protagonistas! Claro que foi essa peça que eu escolhi pra ser a primeira da maratona!</p>
<p style="text-align: justify;">Já entramos no clima no overture, com bailarinos dançando todos os temas!   A peça se passa em 1962 e tem aquele clima vintage que sempre acaba rondando as remontagens de musicais dessa época. O cenário: o bom e velho ambiente de escritório. Os americanos adoram enredos que envolvem personagens de grandes escritórios, há dezenas de musicais, filmes, séries de TV, todos ambientados e à volta de situações de secretárias, chefes, datilógrafas, telefonistas, até mesmo ascensoristas de grandes corporações.</p>
<p style="text-align: justify;">‘Promises, Promises’ é prima-irmã de “How to Succeed in Business Without Really Trying”, outra obra prima de musical da época! Nada mais machista e sexista que o ambiente de um escritório americano em plenos anos 60, com suas secretárias carreiristas e seus patrões chauvinistas! Ainda não se vivia sob a sombra do politicamente correto e os processos por assédio sexual não eram sequer imaginados!</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="prom 01" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/prom-01.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11506" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="prom 01" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/prom-01-299x214.jpg" alt="" width="299" height="214" /></a>O tal ‘apartamento’ do titulo original do filme pertence a um novo funcionário da Consolidated Life, Chuck Baster, vivido por Sean Hayes. Por ele morar só, acaba emprestando o imóvel para um colega de trabalho ter um encontro às escondidas com uma colega. A partir daí a notícia da ‘locação’ se espalha e o apartamento se torna um cafofo para encontros amorosos de seus colegas de repartição: todos querem ter um lugar para levarem suas amantes de fino trato, em geral secretárias da empresa. O tal apartamento vira um point e acaba interessando ao próprio chefe do departamento, o mega poderoso JD Sheidrake, vivido pelo altíssimo Tony Goldwyn (que fez dezenas de vilões na TV e no cinema). O chefe deseja  ter um lugar privado para levar sua amante Fran Kulelik (Kristin Chenoweth), ironicamente a moça por quem Chuck nutre um amor platônico. Começa aí uma deliciosa comédia de situações, onde Neil Simon é mestre. Sempre impagável!</p>
<p style="text-align: justify;">Produção caprichada,  com  reconstituição de época detalhada, luz linda, cenários deslumbrantes e figurino impecável. Ótimas coreografias com destaque absoluto para o trio em ‘Turkey Lukey Time’. E o elenco afiadíssimo faz de ‘Promises. Promises’ um programa imperdível!</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="Sean Hayes" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Sean-Hayes.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11505" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Sean Hayes" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Sean-Hayes-177x300.jpg" alt="" width="143" height="243" /></a>Mas tudo isso não seria completo sem a cereja do bolo: o  talentoso <span style="color: #800000;"><strong>Sean Hayes</strong></span> <em>(dir.)</em>. Pra quem não liga o nome à pessoa era o amigo gay afetado de Will na serie “Will &amp; Grace”. Hayes está, inacreditavelmente, estreando na Broadway. A peça é dele! Tem um tempo de comédia ímpar e preciso, e não faz conceção à piada, consegue fazer todas as gags com uma incrível naturalidade. Lembra muito o jovem Jerry Lewis (que ele já retratou em um filme feito para a TV).</p>
<p style="text-align: justify;">A cena em que ele tenta entender e depois se sentar numa ‘la chaise’, (aquela cadeira esquisita de  acrílico branco que tem um  furo no meio, criada por Charles &amp; Ray Eames e que foi febre de design  nos anos 50),  já vale o ingresso!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="prom 02" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/prom-02.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11507" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="prom 02" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/prom-02-300x210.jpg" alt="" width="270" height="189" /></a>Sou fã de <span style="color: #800000;"><strong>Kristin Chenoweth</strong></span> há muitos anos! A primeira vez que a vi foi  fazendo Sally em ‘You´re a Good Man, Charlie Brown’, musical que lhe rendeu o Tony e todos os prêmios daquele ano. Mas virei fã incondicional mesmo quando a vi fazendo ‘Candide’: sua Cunegonde era hilária e hipnotizante. Ela dividia as atenções em cena com ninguém menos que Patti LuPone, no papel da Velha Senhora. A partir daí venho acompanhando de perto seus sucessos, sendo o mais cultuado de todos o personagem Glinda no musical mega ‘popular’ (desculpem o trocadilho)  ‘Wicked’.</p>
<p style="text-align: justify;">Na TV tem feito muitas coisas e chegou a ter um show com seu nome: “Kristin”. Ganhou um Emmy por “Pushing Daises”, mas ambos os projetos não foram muito longe.  Participou do elenco de Vila Sésamo e  atualmente está no elenco do fenômeno ‘Glee’. É uma comediante de mão cheia e uma atriz de voz característica. Adoro esse tipo de voz, muitas vezes rejeitado no Brasil, pois nós brasileiros amamos mesmo as mezzo-sopranos de voz ‘gorda’ ou sopranos dramáticas. Acredito que seja algo cultural, já que nossa MPB recente é, em sua quase totalidade, um enxame de vozes graves. Voz característica, tão normal e apreciada no musical americano, ganha entre nós o apelido de “voz de pato”! Há dezenas de papeis em musicais para essa cor vocal e muitos são de protagonistas. Exemplos de grandes nomes que levaram multidões aos teatros não faltam, sendo talvez a mais cultuada de todas a grande Shirley Booth, que nos anos 50/60 foi uma estrela na Broadway e arrebatava multidões aos musicais que estrelava. Bernadette Peters e Faith Prince são outras estrelas atuais com registros vocais similares. Particularmente,  adoro. Não sou exatamente um fã incondicional das atrizes que gritam seus pulmões como leitoas sendo assassinadas no Natal, mas sei que o público jovem em geral as ama.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas digo tudo isso para arrematar dizendo que fiquei decepcionado com Kristin em ‘Promises, Promises’. Esse show realmente não é para ela. Está apagada no papel da mocinha, e a apesar de haverem incluído no score duas canções famosíssimas de Burt Bacharach que não faziam parte do espetáculo original  (“ I Say a little Prayer “ e “ A House is not a Home”) que são solos para ela, Kristin tem pouco a fazer no papel da amante do Patrão.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim ela ainda é uma delícia em cena, especialmente  cantando (em duo com Hayes) o mega hit “ I’ll Never Fall in Love Again” (este sim, escrito originalmente para o musical) no sofá com um violão, num momento totalmente bossa nova.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho que o grande problema de Kristin ultimamente é sua aparência: ela tem apenas 42 anos e parece ser tão dependente do botox que está quase se transformando  numa boneca de borracha. Muito  magra, parece anoréxica, e se não fosse a peruca, a gente mal sabe se ela está de frente e ou de lado. E seu bronzeamento artificial lhe dá um tom Malibu meio alaranjado, quase cor de tijolo, tá estranho! Realmente é complicado envelhecer dentro desta  indústria. Espero que ela não se afunde nessa loucura de retocamentos infindáveis, pois é genial e quero poder vê-la muitas vezes  ainda sem ter a impressão de que  estou vendo um duende. Por uma louca coincidência, no dia em que assistimos ao espetáculo estava sentada perto de nós a própria  Bernadette Peters, que citei há pouco. Tão baixinha quanto Kristin e bem mais velha, mas ao que parece levando a idade com mais dignidade e sabedoria.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="prom 07" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/prom-07.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11508" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="prom 07" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/prom-07-267x300.jpg" alt="" width="267" height="300" /></a>Pra concluir, quem rouba a peça de Kristin é <span style="color: #800000;"><strong>Katie Finneran</strong></span>, num papel episódico no segundo ato, mas transforma sua entrada em momentos hilariantes e espetaculares. Com uma voz poderosa, faz uma bêbada com seu casaco de pena de coruja antológica. Realmente a mulher é um monstro de talento, e os melhores momentos da peça são dela e de Sean Hayes. Ambos estão indicados ao Tony em suas categorias, além de vários outros prêmios da temporada.</p>
<p style="text-align: justify;">‘Promises, Promises’ cumpre o que promete:  é um musical super divertido, adorável de ver, e traz de volta aos palcos um score sensacional de Burt Bacharach, o único que ele escreveu para um musical da Broadway.</p>
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<p style="text-align: justify;">
<h1><strong><span style="color: #000000;">Charles Möeller</span></strong></h1>
<p style="text-align: justify;">
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<p style="text-align: justify;">
<p>Créditos das Fotos:</p>
<p><em>* http://promisespromisesbroadway.com<br />
* Sara Krulwich/The New York Times<br />
* Playbill.com</em></p>
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<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Charles Möeller: Mais um Musical da Broadway!</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 16:07:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem nos acompanha já sabe que sempre viajamos pra Nova York e Londres todos os anos pra assistir o que esta acontecendo no mundo dos musicais! E nos últimos anos temos publicado nossas impressões no Site M&#38;B! Resolvi abrir meu diário de bordo desse ano de uma maneira diferente. Antes de falar de um espetáculo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="musicals" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/musicals.jpg"><img class="size-full wp-image-11487  aligncenter" title="musicals" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/musicals.jpg" alt="" width="523" height="720" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quem nos acompanha já sabe que sempre viajamos pra Nova York e Londres todos os anos pra assistir o que esta acontecendo no mundo dos musicais! E nos últimos anos temos publicado nossas impressões no <strong>Site M&amp;B</strong>! Resolvi abrir meu diário de bordo desse ano de uma maneira diferente. Antes de falar de um espetáculo em si, queria abordar uma questão com a qual sempre me esbarro nos últimos anos:  A generalização da expressão “musical da Broadway!”</p>
<p style="text-align: justify;">Em todos as maiores cidades do mundo se montam musicais: Do Japão aos antigos países da cortina de ferro. De Berlim a Buenos Aires, o gênero é cultuado e incorporado independentemente da cultura local, ou, às vezes, com adaptações à cultura local! Em quase toda grande metrópole há musicais autorais, réplicas, musicais originários da Broadway, de West End ou criações locais! O gênero atrai  milhões de pessoas, movimenta o turismo mundial e uma quantidade de dinheiro e empregos incalculáveis, e é  um fenômeno  que existe enquanto forma teatral há quase um século e meio.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="Black_Crook" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Black_Crook1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-11496" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Black_Crook" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Black_Crook1.jpg" alt="" width="262" height="580" /></a>Considera-se que  a primeira peça teatral adaptada ao moderno conceito de musical foi “<span style="color: #800000;"><strong>The Black Crook</strong></span>” &#8211; de Charles M. Barras e Giuseppe Operti, de 1866. A partir de 1890  batizou-se de “comédia musical” o que acontecia dentro dos teatros da “Broadway“. Portanto, não estamos diante de um minuano, mas falando de um ancião com muito fôlego! Sua longevidade e sua força vêm especialmente de  sua capacidade de transformação, renovação, reinvenção e até auto-negação! Como, aliás, o teatro em si em todos os seus diversos gêneros e vertentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrevo esse preâmbulo para esclarecer o quanto ainda me incomoda  a classificação genérica que trata um musical da Broadway como um gênero, e não como um espetáculo que teve origem naquele centro de entretenimento.</p>
<p style="text-align: justify;">A Broadway não é um estilo de teatro musical e muito menos  um conceito estético; menos ainda uma classificação como estrelas em hotéis e restaurantes. Um musical não é um genérico que brota de outro, e de mais outro, e de mais outro. O Musical Americano, como, aliás, o teatro mundial em si, vertente e  sub-vertentes,  idiomas distintos e identidades diversas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não devemos olhar para uma forma de arte que já passa dos cem anos de vida e de descobertas e tentar reduzi-la  a  um homem de brilhantina e máscara correndo atrás da mocinha com um barquinho e velas. Estou há bastante tempo próximo desse negócio por paixão e por vocação, mas  ainda continuo descobrindo  o novo a cada nova temporada, e ainda  me encanto com a diversidade e a complexidade do que se habituou chamar de “musical da Broadway”.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma mãe  bipolar que toma eletro-choques  não se  parece em nada com a bruxa verde tentando ser popular, ambas estão a anos-luz de distância de  um multi-instrumentista nigeriano pioneiro da música afrobeat, ativista político e dos direitos humanos! O que todos eles têm em comum? Apenas são fenômenos de bilheteria num certo lugar em Nova York que prima, quase sempre, pela excelência de produção e cuidado no que é apresentado ao público. De resto, são tão diferentes quanto os peixes e os elefantes que vivem no mesmo zoológico.</p>
<p style="text-align: justify;">Os musicais da Broadway estão cheios de polaridades, identidades, auto-referencias e auto-negações. É a maior diversidade de criação teatral que tive e tenho tido a oportunidade de conhecer. Mais até do que os chamados espetáculos “sérios” que os países europeus se orgulham de ter e que, de certa forma, acabam todos reunidos no famoso saco da “vanguarda”. Mas isso é outra história.</p>
<p style="text-align: justify;">Passado e presente coexistem na Broadway com uma infinidade de  linguagens e tendências, talvez tendo em comum, ao fim de tudo, apenas o alvo de suas criações e suas constantes descobertas: o público. Encantar o público. Puro encantamento. O resto&#8230; Não sei do resto!</p>
<p style="text-align: justify;">
<h1><strong><span style="color: #000000;">Charles Möeller</span></strong></h1>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Claudio Botelho: &#8220;Delícia de Família Addams&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 20:20:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento Vou começar este texto lembrando a todos que não sou crítico de teatro. Vou ao teatro para ver o que pode me divertir, emocionar ou, no mínimo, me tirar de mim mesmo por umas boas duas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><em>Direto de Nova  York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais  espetáculos em cartaz na Broadway no momento</em></strong></p>
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<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="addams 1" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/addams-1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-11441" title="addams 1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/addams-1.jpg" alt="" width="537" height="337" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Vou começar este texto lembrando a todos que não sou crítico de teatro. Vou ao teatro para ver o que pode me divertir, emocionar ou, no mínimo, me tirar de mim mesmo por umas boas duas horas&#8230; O fato de estar na profissão não me dá nenhum crédito para falar dos espetáculos alheios algo mais do que “gosto” ou “não gosto”.  Isso é para os críticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Dito isto, vamos lá: A-DO-REI a FAMÍLIA ADDAMS, o musical!!!</p>
<p style="text-align: justify;">Pra começar, não sou íntimo daqueles personagens, conheço o pouco que vi na televisão e nem é o tipo de seriado que eu goste, já que minha fixação são definitivamente os seriados policiais, de júri, sequestros, gente sendo assassinada, e o que mais Se puder imaginar nesta área&#8230;  Portanto, ”The Addams Family” na TV nunca foi meu prato favorito.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas um musical é um musical. E o que mais me faz gastar 130 dólares em espetáculos da Broadway é acreditar que posso ouvir um tipo de música que me agrade, ou seja, música de teatro. E confesso que fui ver a FAMÍLIA ADDAMS cheio de medo de que eu fosse ouvir aquele tipo de canção que anda na moda na Broadway ultimamente, o tal do “indie-rock” (ou lá como se escreva isso), ou ainda o abominável “rap”, ou música que você pode perfeitamente ouvir no rádio, ou pior de todos: os imitadores de Stephen Sondheim que escrevem “música difícil” pra mostrar pra você que são ótimos alunos de harmonia de Berkeley e que assobiar uma canção no final do show é coisa pra gente decadente e pouco antenada .</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="addams 3" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/addams-3.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-11453" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="addams 3" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/addams-3.jpg" alt="" width="382" height="418" /></a>Bom, mas neste caso aqui, de cara já fui surpreendido por uma música deliciosa de  Andrew Lippa, autor da música e das letras, que tem pouca estrada na Broadway (fez apenas “The Wild Party” que é ótimo, e algumas canções extras em “You´re a Good Man, Charlie Brown”).  As canções de “The Addams Family” são o ponto alto do espetáculo, com letras engraçadíssimas, cheias de humor negro e muito cinismo, como é de se esperar de um espetáculo baseados nestes personagens.  Há muito ritmo latino nas canções, um tango sensacional no segundo ato (“Tango de Amor”), que é um número onde Morticia e Gomez dançam depois de cantarem, e que proporciona em seguida uma das melhores coreografias do espetáculo para Morticia e o coro de bailarinos. Outro número excelente é o quarteto “Let´s not Talk About Anything Else But Love”, com Gomez, Mal, Uncle Fester e a Vovó Addams, um delírio no estilo de Cole Porter (a canção é quase uma paródia de uma das “list-songs” de Porter, “Let´s Not Talk About Love”), que traz um gosto de ‘velha Broadway’ ao centro da cena, o que aliás aparece em diversos outros momentos. Virei fã de Andrew Lippa assim que baixou o pano, quero ver e ouvir tudo o que ele fizer a partir de agora, já que dificilmente consigo me interessar por compositores de teatro nos últimos tempos, pois fico sempre esperando escutar algo que só ouço mesmo nos revivals.</p>
<p style="text-align: justify;">O espetáculo foi muito mexido desde a estreia há alguns meses fora de Nova York. Trocaram de diretor, mexeram diversas vezes no texto, mudaram músicas, foi um tipo de produção bastante traumática e cheia de problemas até chegar ao Lunt Fontanne Theatre, que é um dos maiores teatros de Nova York, e um dos mais cheios de recursos cênicos para espetáculos de grande porte. Não faço ideia do pesadelo que viveram antes da estreia, nem mesmo do que rolou por trás do pano até chegarem aqui&#8230; Mas isso também não interessa, pois estou assistindo ao que está na minha frente, e não o que não chegou a nós na plateia. Deste modo, o cenário é bastante complexo, grandioso, talvez um pouco monumental demais, mas não deixa de ser bonito e gótico na medida certa. Os figurinos são lindos e as caracterizações são coisa de cinema: você está vendo o que viu na TV em preto e branco, sem tirar nem pôr. A luz é o padrão Broadway, ou seja, dificilmente você vai ver uma iluminação ruim ou mal feita num espetáculo que chegou a estrear ali. O mínimo de garantia é sempre ver um espetáculo bem iluminado, mesmo quando a proposta é trabalhar com muita escuridão e sombras, como é o caso de “Addams Family”.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="Zachary James as Lurch and Kevin Chamberlin as Uncle Fester" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Zachary-James-as-Lurch-and-Kevin-Chamberlin-as-Uncle-Fester.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11442" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Zachary James as Lurch and Kevin Chamberlin as Uncle Fester" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Zachary-James-as-Lurch-and-Kevin-Chamberlin-as-Uncle-Fester-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>O elenco é um caso à parte. <span style="color: #000000;"><strong>Kevin Chamberlin</strong></span> como Uncle Fester é um ladrão de cenas, no melhor sentido da palavra. Super protegido pela adaptação, o personagem ganha número fantástico no segundo ato, algo entre entre o lírico e o grotesco, onde Fester dança com a Lua, sua namorada. Jackie Hoffman, que faz a Vovó Adams, é outro acerto: fala pouco, tem apenas alguns trechos em canções, mas é hilariante e tem as tiradas mais ferinas da peça. Uma delícia de composição!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o casal de protagonistas é mesmo o destaque absoluto.  Primeiro, <span style="color: #000000;"><strong>Bebe Newirth</strong></span>, uma estrela da Broadway, como Morticia. Ela é o personagem, com sua voz rouca e sensual, sempre parecendo de mau humor, com um charme incrível, e num papel que inclusive nem é à altura da sua carreira e do seu talento.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="Nathan Lane as Gomez and Bebe Neuwirth as Morticia" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Nathan-Lane-as-Gomez-and-Bebe-Neuwirth-as-Morticia.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11443" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Nathan Lane as Gomez and Bebe Neuwirth as Morticia" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Nathan-Lane-as-Gomez-and-Bebe-Neuwirth-as-Morticia-300x192.jpg" alt="" width="300" height="192" /></a>Contudo, a noite e o espetáculo são de <span style="color: #000000;"><strong>Nathan Lane</strong></span>. Sou suspeito pra falar dele, pois sou mais que fã: sou obcecado por Nathan Lane.  Desde que o vi num palco pela primeira vez fazendo “Guys &amp; Dolls” em 1996”, tornei-me um seguidor de Lane, não deixei de ve-lo em nenhum espetáculo em todos estes anos. De lá pra cá ele se tornou top billing absoluto, ou seja, um nome que sempre vem antes do título. Isto é para poucos no teatro, e Lane nem fez a habitual passagem para Hollywood (fez poucos filmes e não é um astro internacional, digamos assim); continua um ator da Broadway e dos musicais, como sempre. Já vi Nathan Lane em espetáculos inesquecíveis como “The Producers”, onde ele era o show em pessoa, e também em espetáculos menos vitoriosos como o tedioso “The Frogs” de Stephen Sondheim, que Lane ajudou a re-escrever e levar à cena. O show era um pouco chato, mas Nathan Lane fazia a gente aguentar até o fim.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui na FAMÍLIA ADDAMS, no papel do patriarca Gomez, ele tem um personagem que lhe exige pouco, pois Nathan é muito parecido com seu Gomez.  É o dono da cena em quase todos os quadros, mas nem precisa se esforçar muito: sua cara de enfado, de preguiça e de desinteresse apenas ajudam o personagem que é cheio de tiques, detalhes de expressão facial impagáveis, sobrancelhas que se mexem para cada palavra do texto, e uma piada certeira atrás da outra.  Tudo o que Nathan Lane sabe fazer, e faz quase como se estivesse em casa, entre uma refeição e um banho de banheira, completamente à vontade e quase entediado.  Eu adoro isso! E o público o ama!</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="Nathan Lane as Gomez and Krysta Rodriguez as Wednesday" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Nathan-Lane-as-Gomez-and-Krysta-Rodriguez-as-Wednesday.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11444" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Nathan Lane as Gomez and Krysta Rodriguez as Wednesday" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Nathan-Lane-as-Gomez-and-Krysta-Rodriguez-as-Wednesday-300x196.jpg" alt="" width="300" height="196" /></a>Sei que a crítica do Times falou mal do espetáculo. Sei que realmente não é uma unanimidade. Mas está lotado até o final do ano, você realmente precisa batalhar por ingressos na fila de desistências, e lhes garanto que o público sai muito feliz e cantarolante do teatro. É uma festa.</p>
<p style="text-align: justify;">Comentei com um amigo brasileiro que não gostou muito do espetáculo que eu estou no meu momento “Márcia de Windsor”, ou seja, estou curtindo as coisas sem muito compromisso, achando tudo ótimo, divertido, dando nota dez sem nem pensar nas consequências&#8230; Bom mesmo é ser feliz, e to torcendo pra este sentimento durar bastante.</p>
<p style="text-align: justify;">Então indico A FAMÍLIA ADDAMS pra todas as pessoas normais que forem à Nova York e quiserem assistir a um musical que não é uma revolução em nenhum aspecto da dramaturgia mundial, nem mesmo uma facada no peito de quem está a fim de descer às profundezas da alma humana, e menos ainda é algo pra você passar o resto da semana pensando a respeito. Mas é diversão garantida por duas horas e meia, com música de grande qualidade, muitas risadas, uma festança para os olhos e ouvidos.  Eu A-DO-REI!</p>
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<h1><span style="color: #000000;"><strong>Claudio Botelho</strong></span></h1>
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<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><strong>Veja mais fotos de The Addams Family:</strong></span></h3>
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<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="14addams_CA0-articleLarge1" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/14addams_CA0-articleLarge11.jpg"><img class="size-full wp-image-11456  aligncenter" title="14addams_CA0-articleLarge1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/14addams_CA0-articleLarge11.jpg" alt="" width="504" height="269" /></a></p>
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<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="addams 2" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/addams-2.jpg"><img class="size-full wp-image-11446  aligncenter" title="addams 2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/addams-2.jpg" alt="" width="543" height="347" /></a></p>
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<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="Bebe Neuwirth as Morticia and Carolee Carmello as Alice Beineke" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Bebe-Neuwirth-as-Morticia-and-Carolee-Carmello-as-Alice-Beineke.jpg"><img class="size-full wp-image-11447  aligncenter" title="Bebe Neuwirth as Morticia and Carolee Carmello as Alice Beineke" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Bebe-Neuwirth-as-Morticia-and-Carolee-Carmello-as-Alice-Beineke.jpg" alt="" width="538" height="347" /></a></p>
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<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="Kevin Chamberlin as Uncle Fester, Terrence Mann as Mal Beineke and Nathan Lane as Gomez" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Kevin-Chamberlin-as-Uncle-Fester-Terrence-Mann-as-Mal-Beineke-and-Nathan-Lane-as-Gomez.jpg"><img class="size-full wp-image-11448  aligncenter" title="Kevin Chamberlin as Uncle Fester, Terrence Mann as Mal Beineke and Nathan Lane as Gomez" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Kevin-Chamberlin-as-Uncle-Fester-Terrence-Mann-as-Mal-Beineke-and-Nathan-Lane-as-Gomez.jpg" alt="" width="317" height="476" /></a></p>
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<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="Bebe Neuwirth as Morticia" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Bebe-Neuwirth-as-Morticia.jpg"><img class="size-full wp-image-11449  aligncenter" title="Bebe Neuwirth as Morticia" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Bebe-Neuwirth-as-Morticia.jpg" alt="" width="318" height="482" /></a></p>
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<p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Créditos das Fotos: </strong></span></p>
<p>The Addams Family &#8211; A New Musical Home Page</p>
<p>Broadway.com</p>
<p>Playbill.com</p>
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		<title>Quebra-cabeça de horror sob chuva incessante</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 11:32:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Möeller & Botelho]]></category>
		<category><![CDATA[Direto da Broadway]]></category>

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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento Daniel Craig e Hugh Jackman em encontro histórico na Broadway “A Steady Rain”  é um caso raro, talvez único na história da Broadway, de dois dos astros de maior poder e ascensão do cinema, ambos na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Direto de Nova York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain2.jpg"><img class="size-full wp-image-8260  aligncenter" title="A Steady Rain2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain2.jpg" alt="A Steady Rain2" width="485" height="347" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Daniel Craig e Hugh Jackman em encontro histórico na Broadway</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“A Steady Rain”  é um caso raro, talvez único na história da Broadway, de dois dos astros de maior poder e ascensão do cinema, ambos na lista dos 10 mais poderosos da indústria cinematográfica e na Forbes, dos que mais rendem bilheteria da história e ambos na lista dos 10 mais sexys do mundo, sendo Hugh o primeiro colocado, se juntarem numa produção tão pequena e obscura na Broadway!</p>
<p style="text-align: justify;">É claro que isso causou um enorme furor e os ingressos se esgotaram em segundos! Está <em>sold out</em> a temporada toda e ingressos prêmios estavam sendo vendidos na bagatela de 600 dólares no balcão e já se esgotaram!</p>
<p style="text-align: justify;">“A Steady Rain” é realmente uma chuva constante de fofocas, comentários,  gritinhos histéricos e não é pra menos! As criticas principais são todas positivas ao espetáculo e reverentes ao encontro.</p>
<p style="text-align: justify;">Me parece ser o que está salvando a Broadway da crise: As estrelas nessa temporada estão por lá e algumas até no off, como Cate Blanchet.</p>
<p style="text-align: justify;">A peça conta a história de dois policiais  de Chicago amigos de infância que se vêem envolvidos numa rocambolesca história de prostituição, assassinatos, seqüestro, vinganças, traições e ate canibalismo! Acho que a peça se passa em uma ou duas noites, mas são anos de amizade que vêm à tona!</p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida é uma experiência única ver Daniel Craig e Hugh Jackman juntos. Sou fã de ambos muito antes do Wolverine e do 007 os tornarem ícones de ação. Comprei meus ingressos assim que a bilheteria abriu, pois imaginava que seria uma loucura. Só não imaginava que eles escolheriam ou se motivariam por algo tão sem proteção, pois a simplicidade da produção e direção chega a ser assustadora em se tratando de um espetáculo da Broadway e não um off ou off off!</p>
<p style="text-align: justify;">Gostaria de ler a peça e falar com calma disso, mas sem dúvida a presença deles eleva o material deste drama de policial, fugindo do maniqueísmo do bom e o mau. Eles realmente são atores espetaculares e vê-los em cena é uma chuva constante de sensações!</p>
<p style="text-align: justify;">A peça é um veículo ideal para estrelas do calibre deles brilharem e darem seus shows particulares! A grande sacada do texto apesar de extremamente elaborado e cheio de viravoltas, é que eles quase nunca contracenam. Eles na verdade parecem que estão prestando depoimentos pra nós, numa delegacia escura e cinza com aquela famosa lâmpada de panela de interrogatório. Percebemos que estão na mesma sala, no mesmo interrogatório, ambos ouvindo o que o outro tem a relatar e muito embora não concordem, também não discordam a ponto de dialogar. Complementam-se! Isso permite que ambos tenham momentos impecáveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8261" title="A Steady Rain" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain.jpg" alt="A Steady Rain" width="585" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A peça é narrada na primeira pessoa como uma confissão, num jogo constante de ‘eu fiz isto, ele fez aquilo’. Ambos compactuam conosco o tempo todo, nos tornando um terceiro personagem, talvez o terceiro policial encarregado de escutar seus depoimentos,  ou um companheiro de cela, ou um padre, ou Deus, enfim&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Os personagens se apresentam pra nós separadamente, tecendo linhas que só ocasionalmente se sobrepõe, e quando isso acontece,  muitas vezes nos vêm aquele gostinho de ‘quero mais’ -  a sensação de ter aquela grande cena um pro outro acontecerá!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a direção é má com o público e bem esperta, nos obrigando a continuar com ambos separadamente em seus depoimentos. Aos poucos vamos juntando um enorme quebra-cabeça de uma noite de horror na vida de dois amigos de infância, parceiros erradamente complementares.</p>
<p style="text-align: justify;">O público é convidado a escolher a versão da mesma história contada por dois policiais com comportamento ético bem distinto . Vemos de cara que Jackman é o policial corrupto e violento e Daniel o policial do bem e solitário. Mas isso é só o começo. Você acredita, é obrigado de cara a escolher  uma versão dos fatos, mas depois você muda de idéia e depois muda de novo!  Esse é o elemento interessante desse jogo, pois a ação já aconteceu, o crime já foi feito&#8230; tudo é no passado. O destino é imutável e trágico e com um golpe final de tirar o fôlego!</p>
<p style="text-align: justify;">Eles não mudam ou passam a ser maus ou bons. Nós é que mudamos de ótica na medida em que a historia é contada! O ponto de partida é que esses  homens viveram suas vidas entrelaçadas até o momento que a peça começa. Saberemos que algo aconteceu que mudou o mudará aquela situação pra sempre! A forma usada pelo autor é fascinante, pois quando um acaba de falar, o outro continua enchendo de detalhes e opiniões, completando um enorme quebra-cabeça sobre uma noite de erros e  incidentes envolvendo uma  prostituta, gangue de latinos, seqüestro de um adolescente vietnamita canibalizado , drogas, traições e família mostrando como a amizade deles é desafiada o tempo inteiro e ao mesmo tempo em que é destruída, é imediatamente restaurada por um laço indissolúvel de tempo!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain3.jpg"><img class="size-full wp-image-8262  aligncenter" title="US Craig 1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain3.jpg" alt="US Craig 1" width="482" height="402" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Jackman e Craig deitam e rolam nesta folha em branco</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">A solidez da amizade deles é surpreendente, pois apesar de ambos errarem o tempo todo um com outro, não pinta o memento “DR” &#8211; eles simplesmente vão adiante. O que é quebrado se conserta. Afinal é uma peça de <em>tough guys</em> e sujeitos durões não sabem e nem são hábeis para revelar os sentimentos mais profundos de um para com o outro!</p>
<p style="text-align: justify;">Joey e Denny nos falam tudo o que fazem, mas nunca param pra explicar por que exatamente. Só justificam suas ações.</p>
<p style="text-align: justify;">É um show de interpretações! Personagens dialéticas! E Jackman e Craig  deitam e rolam nesta folha em branco, rabiscando seus personagens com exatidão e tanta inteligência que não escolhemos lados, nem mocinhos nem bandidos, muito menos entramos em julgamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo que construímos no principio pra um desfazemos depois e assim continua até o final surpreendente! Fica difícil ser mais explicito ao falar da peça e estragar a surpresa desse jogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Hugh Jackman traz a Denny uma exasperação indignada. Apesar de ser um policial corrupto e racista, fica incrédulo por estar sendo castigado pela falta de  lógica no sistema policial. Ele tem o personagem mais trágico na mão, o que traz mau agouro e desencadeia todos os conflitos e é castigado por isso. Colocando tudo que o rodeia em risco e em questão, sua família, filhos, amizades e até o código de honra entre os policias.</p>
<p style="text-align: justify;">Craig dá um show como o correto Joey  uma espécie de sombra de Denny: menos impulsivo, mais racional e lógico, mas que precisa do todo o desafino de Denny  pra viver!  Como a mariposa e a lâmpada. Denny é o que leva a ação e Joey fica atrás limpando tudo, e tentando consertar as coisas. Apesar de criticar o comportamento vulcânico do parceiro, ao mesmo tempo existe uma admiração e quase uma idolatria pelo amigo irmão destemido e de caráter duvidoso.</p>
<p style="text-align: justify;">Joey vive a vida de Denny, pois não tem brilho próprio, mas à medida que a peça avança, ele vai se apropriando da vida de Danny,  e se fundindo com a dele, se tornando um homem mais confiante e destemido. Denny, ao contrário, vai se fragilizando e é aí que vemos os dois lados da mesma moeda. Eles desenham seus personagens com um transbordamento de humanidade e uma ausência de truques impressionantes. Adoro atores assim, sem maneirismos e isso impede que nós, plateia, tenhamos um julgamento  do comportamento dele no final da peça, pois friamente suas atitudes são altamente dúbias e questionáveis, mas a humanidade deles, faz com que sejamos apenas testemunhas e não juízes!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8263" title="A Steady Rain4" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain4.jpg" alt="A Steady Rain4" width="535" height="424" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O destaque é a inteligência dos intérpretes</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Jackman e Craig sabem tudo e sua simbiose é de tirar o fôlego. Criam uma  enorme tensão e não escutamos nem uma mosca no teatro! Às vezes ficamos suspensos numa atmosfera de suspense e quase terror e começamos a nos sentir cúmplices daquela noite de horrores.</p>
<p style="text-align: justify;">A química entre eles é absoluta e realmente acreditamos que Denny e Joey são amigos de infância e têm uma vida de lembranças em comum. Eles criam personagens como recipientes vazios que só eles mesmos e suas lembranças podem encher com uma historia cheia de erros, cheia de mentiras e de julgamento amorais, e que só pertence a eles mesmos, pois  sãos os triunfos e tragédias de uma enorme convivência numa chuva incessante  (a metáfora da peça)  sobre dois destinos trágicos e errantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu destaque vai total para a inteligência dos intérpretes, pois assim como  Craig constrói o bom Joey com uma pitada de inveja e um q de <em>loser</em> de personalidade dúbia, Jackman satura o mau Denny com um humor agradável e charme incrível. Nos vemos torcendo por eles mesmo errando e  quando o caráter desaparece por completo e  eles agem com desconcertante violência e amoralidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Estas escolhas são de grandes intérpretes, escolhas profundas de olhar para os personagens com sutileza e indo contra expectativas a uma plateia ávida pra ver invencíveis feitos heróicos de Wolverine e Double Zero! Encontramos dois homens comuns propositadamente desglamurizados numa caixa teatral cinza com uma luz precisa discreta e uma cenografia sutil revelada só em cenas de alta tensão &#8211; atores simples  a serviço de uma peça.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao acabar a peça pudemos ver os personagens indo embora e aparecerem os astros que sabem o poder que têm e usam isso a seu favor: leiloam suas camisetas suadas de baixo pra arrecadar fundos pra AIDS! Eles arremataram em minutos 13 mil dólares na sessão que eu fui. Um amigo tinha ido na matinê e eles arrecadaram 14 mil dólares pelas duas peças suadas&#8230; enquanto os outros teatros faturam cento e poucos dólares com os famosos baldinhos na com elenco esmolando na saída.</p>
<p style="text-align: justify;">Já anunciaram o fim da temporada e a renda daquela noite será paras vitimas da AIDS, famílias que perderam tudo nos Katrinas e nas enchentes, mulheres espancadas e crianças violentadas, enfim os astros são quase uma Madonna com Eike!</p>
<p style="text-align: justify;">As malíssimas línguas da malíssima classe andam dizendo que eles têm um tórrido romance, e escolheram uma peça pequena na Broadway pra ficarem mais perto e pararem suas agendas atribuladas por completo pra estarem juntos. Isso realmente não interessa em nada e se é verdade ou mentira o que importa é que estão em cartaz  pois são tão bons atores que merecem sempre estarem no palco ao nosso alcance&#8230; o resto é fofoca e se for verdade:  let the sunshine in!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Charles Möeller. Novembro 2009. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Charles Möeller: Memphis vale a pena, apesar do score óbvio</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 10:51:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento Um elenco enorme e talentoso, vocalmente impecável, com  números de dança arrasadoramente vigorosos e beirando muitas vezes a acrobacia dão o maior gás no novo musical  &#8220;Memphis”. Evidentemente acerta em ter como plote segregação racial em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Direto de Nova York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Montego-Glover-2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8166" title="Montego Glover 2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Montego-Glover-2.jpg" alt="Montego Glover 2" width="573" height="369" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Um elenco enorme e talentoso, vocalmente impecável, com  números de dança arrasadoramente vigorosos e beirando muitas vezes a acrobacia dão o maior gás no novo musical  &#8220;<span style="color: #800000;"><strong>Memphis</strong></span>”. Evidentemente acerta em ter como plote segregação racial em tempos miscigenados de Obama.</p>
<p style="text-align: justify;">Memphis é uma cidade, onde, nos anos 50, os negros eram proibidos de  aparecer em programas de TV, de tocar em rádios pra brancos, e de saírem dos seus guetos. As vezes Memphis me parece ser uma versão séria de “Hairspray”: a cidade o tema do racismo se assemelham com o Baltimore de John Waters.</p>
<p style="text-align: justify;">A história é parecida, até existe um programa de TV, um programa que ganha audiência com entrada de um apresentador visionário que insiste em ter em seus shows a música negra, e negros como as grandes atrações e  destaques.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/James-Monroe-Iglehart.jpg"><img class="size-full wp-image-8167  aligncenter" title="James Monroe Iglehart" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/James-Monroe-Iglehart.jpg" alt="James Monroe Iglehart" width="534" height="368" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>O que mais incomoda é o score e a previsibilidade da história</strong></p>
<p>Adorei o show, é ótimo de ver e ouvir! Os cenários são lindos e ágeis, o figurino de época impecável! A luz super acertada.</p>
<p style="text-align: justify;">O que mais me incomoda é o score e a previsibilidade da história! O maniqueísmo. Em resumo: todos os brancos são maus, exceto o mocinho, e ele paga um preço alto por isso. Todos os negros são bons e vítimas de crueldades atrozes. E no final, existe a redenção total: os canalhas branquelos se rendem à força da Black Music e o rock &amp; roll nasce. Felicia se torna um estrela e o branquelo e cafona Huey continua em Memphis descobrindo e garimpando talentos negros na sua incansável luta contra o racismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse ponto acho que “Ragtime” fala de coisas parecidas e mais profundamente sem cair em tantos clichês. Vejam, adoro clichês e chorei horrores como nas várias vezes que Felicia era espancada, quando o irmão mostra as cicatrizes da violência no corpo ou quando um negro que nunca mais falou, vitima de estrangulamento, de repente começa a cantar pra ajudar o branco bonzinho. Aí eu desidratei de chorar, mas sei que são clichês, e é bacana ficar esperto pra eles e saber que isso é estratégia dramatúrgica pobre e fácil, pois chorar eu choro em comercial de liquidação das Casas Bahia!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas todos os atores estão ótimos e fazem com muita alma e sinceridade, o que faz que a alguns chavões passem despercebidos! Isso faz com que você desejasse realmente que o score tivesse sido menos superficial, já que o elenco dá conta total do recado e te convence o tempo todo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Chad-Kimball-as-Huey-Calhoun-and-Montego-Glover.jpg"><img class="size-full wp-image-8168  aligncenter" title="Chad Kimball as Huey Calhoun and Montego Glover" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Chad-Kimball-as-Huey-Calhoun-and-Montego-Glover.jpg" alt="Chad Kimball as Huey Calhoun and Montego Glover" width="318" height="433" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Segundo ato resolve os conflitos rapidamente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O  segundo ato é mais fraco, pois tenta justificar e finalizar as histórias e os conflitos acabam sendo resolvidos levianamente e rapidamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Tirando o score óbvio, acho que o grande erro de Memphis foi ter usado música composta.  Seria o maior achado usar pérolas eternas da música negra. Poderíamos ter o prazer de ver standards da genial Black music, souls e gospels originais em vozes negras do elenco tão magníficas. Eles perderam essa oportunidades!</p>
<p style="text-align: justify;">O elenco, a coreografia e a altíssima energia proporcionam um grande prazer mesmo quando o score escorrega. Meu destaque vai pra ótima Montego Glover <em>(foto acima, com Chad Kimball) </em>que faz Felicia com muita garra e garganta de diva! James Monroe Iglehart, que faz Bobby, é pra mim o melhor numero do show. Um negão de uns 200 quilos e dois metros de altura que dança com leveza e carisma impressionantes! Foi quem ouviu o meu uhuhuhuhuh! Não sei se gosto de Chad Kimball <em>(foto acima, com Montego Glover)</em>, o branco bonzinho da trama, às vezes me parece ótimo, outras composto e vaidoso demais! Sabe ator que entra e já acha que arrasa e faz cara de ”olha como sou cool e faço pequeno e tenho olhinho de sol (defino assim ator que sempre faz cara de muita claridade, eles acham que ficam sexy) Detesto esse tipo de ator. O cinema brasileiro tá cheio deles&#8230; ator que chega dizendo: ‘não faço nada, falo baixo, monocordicamente, não abro a boca pra falar e sou Brando!!!’ Gosto dos que suam, dos que desequilibram, dos que arriscam! Quero ver um outro trabalho com ched. de repente to enganado e isso foi uma opção pro papel!</p>
<p style="text-align: justify;">Memphis vale a pena!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Charles Möeller.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Novembro 2009.</strong></p>
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		<title>Claudio Botelho: Bye Bye Birdie: Um excelente exemplo de segundo time de comédias musicais</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 10:38:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento BYE BYE BIRDIE, que vem a ser a primeira remontagem deste sucesso do início dos anos 60, me pegou num momento em que ando meio sem saco pra essas comédias musicais que tanto estiveram em voga [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Direto de Nova York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Bye-Bye-Birdie-01.jpg"><img class="size-full wp-image-8141        aligncenter" title="Bye Bye Birdie 01" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Bye-Bye-Birdie-01.jpg" alt="Bye Bye Birdie 01" width="235" height="351" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>BYE BYE BIRDIE</strong>, que vem a ser a primeira remontagem deste sucesso do início dos anos 60, me pegou num momento em que ando meio sem saco pra essas comédias musicais que tanto estiveram em voga naqueles tempos, onde música de qualidade, letras quase sempre muito boas e história engraçadinha, tudo baseado  – mesmo que cinicamente – no único interesse que uma mulher parece (parecia) ter na vida: arranjar  marido.  Portanto o que direi aqui deve ser lido com o distanciamento de quem já sabe que o autor (eu) não estava exatamente predisposto a cair de amores por mais esta sessão da tarde que a Broadway vem oferecendo nos últimos anos e que parece agradar tanto aos jovens quanto às vovós da plateia.</p>
<p style="text-align: justify;">A música de Charles Strouse é ótima, são canções bastante atraentes e muito comunicativas, algumas com letras até ousadas pra época (“Spanish Rose”; “What did I see in Him?”), sendo que o destaque absoluto é mesmo para “PUT ON A HAPPY FACE”, logo nos primeiros vinte minutos do primeiro ato. O número é mesmo sensacional e você nem presta atenção na coreografia meio  indigente desta montagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Charles-Co1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-8140" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Charles &amp; Co" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Charles-Co1-225x300.jpg" alt="Charles &amp; Co" width="225" height="300" /></a>O cenário é lindo, figurinos lindos, tudo no lugar e muito bem resolvido. Pra mim o grande problema é a falta de carisma de <strong>John Stamos</strong> <em>(foto, à esq.) </em>no papel originado por Dick Van Dyke em 1960 (ele também fez o mesmo papel no cinema). Stamos canta apenas regularmente, tem poucos atrativos como ator, e parece estar tentando “parecer” Van Dyke o tempo todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Já Gina Gershon, no papel da secretária latina que apenas pensa em se  casar com o chefe, só faz a gente ficar imaginando como este papel deve ter sido um sonho com Chita Rivera quando o musical estreou cinco décadas atrás.  Gershon, que tem currículo de peso na Broadway, não tira o sono de ninguém, faz tudo direitinho, mas você não fica louco por ela. E, portanto, não ficar louco por aquele furacão latino que deveria ser o personagem, é um fator importante pra gente não ficar louco pelo espetáculo.</p>
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<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/bill-irwin_jpg_606x10000_q85.jpg"><img class="size-full wp-image-8139  aligncenter" title="bill-irwin_jpg_606x10000_q85" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/bill-irwin_jpg_606x10000_q85.jpg" alt="bill-irwin_jpg_606x10000_q85" width="545" height="228" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Bill Irwin vale o ingresso</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quem rouba a peça é Bill Irwin. Aliás, todas as vezes que vi este ator e mímico sensacional mesmo em espetáculos falados aqui na Broadway, ele roubou o espetáculo. O papel do  chefe de família do interior dos Estados Unidos, que nem canta muito e tem poucas cenas, passaria despercebido se defendido por um ator apenas correto. Mas Irwin dá um show em cada centímetro de sua atuação, um trabalho corporal incrível, caretas e mais caretas com estilo e verdade em todos os momentos. Enfim, Bill Irwin vale o ingresso.</p>
<p style="text-align: justify;">O restante do elenco, incluindo crianças e adolescentes, é bastante bom. Infelizmente o cantor de rock do título (Conrad Birdie) estava sendo feito pelo substituto na nossa sessão, de modo que nem vale a pena comentar sua interpretação insegura e apenas correta.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o fato é que não tenho mais paciência pra esse tipo de musical. O auge disso foi HOW TO SUCCEED IN BUSINESS WITHOUT REALLY TRYING, este sim um musical impecável do começo ao fim, já que além de contar com música do genial Frank Loesser, tem um texto absolutamente cínico e inteligente, mesmo flertando com este lado “mulherzinha” do musical o tempo todo. Mas, como em toda época, há os grandes e os médios. BYE BYE BIRDIE é, na minha opinião, um excelente exemplo de segundo time nesta seara.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas certamente haverá algum produtor brasileiro que virá aqui e vai achar isso a coisa mais “legal” pra montar no Brasil daqui um ano ou dois, já que hoje em dia até as amigas  da minha tia no interior de Minas se lançam como produtoras de musicais. E podem crer, vai ser sucesso!</p>
<p><strong>Claudio Botelho.<br />
Novembro 2009.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Charles Möeller: “Billy Elliot é um bunker infinito de conflitos”</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 14:22:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento Gregory Jbara e David Alvarez em &#8220;Billy Elliot&#8221;, na Broadway Quando estreou em março 2005 no Victoria Palace Theatre em Londres, eu e Claudio estávamos lá e tive a sensação que o teatro musical estava diante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Direto de Nova York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Billy-02.jpg"><img class="size-full wp-image-8120  aligncenter" title="Billy 02" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Billy-02.jpg" alt="Billy 02" width="425" height="477" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Gregory Jbara e David Alvarez em &#8220;Billy Elliot&#8221;, na Broadway</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quando estreou em março 2005 no Victoria Palace Theatre em Londres, eu e Claudio estávamos lá e tive a sensação que o teatro musical estava diante de um “Antes e Depois de<span style="color: #800000;"><strong> Billy Elliot</strong></span>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tive esse prazer algumas vezes na vida e é o que busco a cada estreia: Um tsunami de emoções! Tive isso com espetáculos como Crazy for You, Chicago, Kiss me Kate, Kiss of Spider Woman,  Spring Awakening, Hair e alguns outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser testemunha de um fenômeno logo que ele estreia é um acontecimento único, algo arrebatador, como muitas vezes já escrevi: ter a sensação de desaparecer no terceiro sinal e só retornar nos aplausos. Por isso me obrigo há muitos anos estar em estreias e previews, tanto em Londres como em Nova York, sigo atrás desse momento.</p>
<p style="text-align: justify;">A peça em Nova York é a mesma e sua transposição para os palcos americanos é perfeita! Até o dialeto me parece mais suave aqui, ou me acostumei de tanto ouvir.</p>
<p style="text-align: justify;">O elenco é extraordinário e imagino que esse deva ser o elenco mais difícil de ser formado em toda a história dos musicais, pois além de garimpar crianças ciborgues &#8211; sem palavras pra defini-las -, o elenco em volta é dos mais complexos, pois os atores têm que parecer mineiros caucasianos, pobres rústicos no meio de um piquete de trabalhadores e policiais viris e assustadores. E ainda têm que dançar, cantar e interpretar um dramalhão dos mais emocionais que já vi.</p>
<p style="text-align: justify;">Em qualquer primeira aula de dramaturgia, a gente aprende que pra se ter ação dramática é preciso se ter  conflitos. Billy Elliot é um bunker infinito de conflitos estratégicos feitos sadicamente pra te matar na cadeira!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Billy-03.jpg"><img class="size-full wp-image-8121  aligncenter" title="Billy 03" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Billy-03.jpg" alt="Billy 03" width="429" height="477" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>No final do primeiro ato você já era!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Criança pobre órfã de mãe criada pela avó senil, com pai brutal e irmão violento no meio de um strike de mineiros em 1984, tem como melhor amigo um crossdresser, e uma professora de dança nada convencional. Nesse cenário, se descobre um excepcional e particular BAILARINO! A partir daí o conflito se desenrola e no final do primeiro ato, você já era!</p>
<p style="text-align: justify;">A direção de Stephen Daldry, o mesmo do filme, é a melhor que já vi na vida! Os atores interpretam uns pros outros,  evitando os clichês de estarem sempre de frente. É muito realista e profundo. Estão todos inseridos naquele submundo da sobrevivência, onde ter um dom artístico é uma piada, afinal não há dinheiro pra comida. Como olhar com carinho para uma audição no The Royal Ballet School?</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os números coreográficos são espetaculares. Teria que escrever um livro pra descrever todos. Não sei apontar qual eu amo mais! Lógico que tem os óbvios ‘arrasa quarteirão’, como o do final do primeiro ato, com Billy se atirando nos policiais no meio do piquete em ‘Angry Dance’. Tem a audição frustrada na Royal que resulta na exibição do preciosismo  ‘Electricity’; o adorável e corajoso ‘Expressing Yourself’, com Michael (genialmente feito aqui por Keean Johnson) e Billy (vi pela desta vez com o cubano David Alvarez, que é fantástico. Mesmo assim não entendo esse politicamente correto e essa cota racial. Fica pouco crível num espetáculo tão realista ver um cubano, com pai, avó e irmão tão nórdicos e caucasianos! Às vezes te dá a sensação que Billy é adotado, mas isso é outro capitulo, afinal David é genial e merece cada segundo de aplauso que teve).</p>
<p style="text-align: justify;">Vou me arriscar a escolher um número que sempre choro e vejo a genialidade do coreógrafo Peter Darling: “We’d go Dancing”, com a avó de Billy dançando com todo elenco masculino que atravessa a cena como fantasmas rústicos do passado com cigarros na boca, cadeiras de bar e garrafas de whisky e desaparecem pela janela como um carrossel de lembranças&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/greg_jpg_606x10000_q85.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8122" title="greg_jpg_606x10000_q85" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/greg_jpg_606x10000_q85.jpg" alt="greg_jpg_606x10000_q85" width="545" height="268" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>O destaque é Gregory Jbara</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Meu destaque total nessa versão americana vai pra  Gregory Jbara, que faz o pai de Billy. Ele é o grande catalisador de todas as minhas lágrimas&#8230; da truculência inicial, até sua despedida de Billy na cena final, foi ele que me assaltou! Foi merecidamente vencedor do Tony de melhor ator coadjuvante! Já o tinha visto num chiquérrimo  Billy Flynn em ‘Chicago’. Aqui, ele está irreconhecível como mineiro inglês emocional e sem traquejos com os filhos! Li que ele engordou 20 quilos para parecer mais brutal e rústico, o que realmente fez o maior diferença nas cenas que ele está de camiseta, com uma barriga pesada e truculenta! No final, quando aparece de tutu dançando  com toda técnica e preparo de tantos anos de musicais, fica até chocante.</p>
<p style="text-align: justify;">Billy Elliot após tantos anos de sua criação ainda mantém o frescor de estreia e é dos meus shows preferidos. Fico muito feliz quando amo um show, pois antes de ser diretor sou fã de musical e rever é sempre um enorme prazer. É sempre entrar em contato com o que me motiva a continuar nessa profissão&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Charles Möeller</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Novembro, 2009. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Charles-Co.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8123" title="Charles &amp; Co" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Charles-Co.jpg" alt="Charles &amp; Co" width="384" height="512" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Charles Möeller, Tina Salles, Antonia Prado, Ana Paula e Ada Chaseliov na plateia de &#8220;Billy Elliot&#8221; &#8211; novembro 2009</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Claudio Botelho: Um arco íris para quem ama a velha Broadway</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 18:01:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento Finian´s Rainbow: Um Arco-Íris para quem ama a velha Broadway FINIAN´S RAINBOW foi sempre um dos meus musicais favoritos no campo das idéias, ou seja, eu amava o espetáculo sem nunca te-lo visto realmente em cena. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Direto de Nova York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-01.jpg"><img class="size-full wp-image-8099 aligncenter" title="FInians Rainbow 01" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-01.jpg" alt="FInians Rainbow 01" width="550" height="350" /></a><br />
</em></strong></span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Finian´s Rainbow: Um Arco-Íris para quem ama a velha Broadway<br />
</em></strong></span></p>
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<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>FINIAN´S RAINBOW</strong></span> foi sempre um dos meus musicais favoritos no campo das idéias, ou seja, eu amava o espetáculo sem nunca te-lo visto realmente em cena. Mas o contato com as canções nas diversas gravações  de original cast  que existem por aí sempre tornaram este musical de 1947 um daqueles tesouros que eu me orgulho de saber “de cor” do início ao fim.</p>
<p style="text-align: justify;">A versão filmada dos anos 70, que vem a ser o primeiro filme dirigido por Francis Ford Coppola e o último musical estrelado por Fred Astaire, é considerada um péssimo filme. O que pra mim tanto faz, já que quando assisti estava mais interessado em ouvir a música e conhecer a história, portanto foi um deleite. Tem no elenco ainda Petula Clark, que tem uma voz nada convencional e eu adoro. Portanto, sempre assisti ao filme com prazer, embora hoje já dê pra perceber que não é realmente um grande filme, ainda mais sabendo que o chatérrimo Coppola demitiu o grande Michael Kidd durante as filmagens porque achava que ele mesmo (Coppola!!!) sabia mais sobre coreografias de musical que um dos maiores gênios e criadores da história do teatro e do cinema do gênero de todos os tempos&#8230; Ou será que ele demitiu o Hermes Pan? Não me lembro agora. Mas são coisas de bastidores que não interessam aqui, claro.</p>
<p style="text-align: justify;">O que importa é que ontem pela primeira vez pude assistir FINIAN´S RAINBOW no palco. Grande emoção. A música é tratada como o grande atrativo da montagem. São cantores de primeira linha, vozes lindas e você percebe que é uma versão quase em concerto, pobrinha, daquelas que vêm da série “Encores” do City Center, ou seja, algo que foi produzido para ficar em cartaz por cinco dias, mas que ganhou uma temporada maior,  geralmente por mérito ou mesmo pela relevância da obra.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-09.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-8100" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="FInians Rainbow 09" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-09.jpg" alt="FInians Rainbow 09" width="423" height="299" /></a>Aqui o elenco é o que sustenta a montagem, com uma <strong><span style="color: #800000;">Kate Baldwin</span></strong> <em>(foto ao lado)</em> cantando lindamente no papel de Sharon, a protagonista feminina que canta talvez uma das mais belas canções românticas já escritas para um musical da Broadway, “OLD DEVIL MOON”. Ela nem é exatamente expressiva ou interessante como atriz, mas tem uma linda voz treinadíssima e fez bonito também em “HOW ARE THINGS IN GLOCKA MORRA?”, outra pérola.</p>
<p style="text-align: justify;">O par romântico dela é Cheyenne Jackson, que eu acabei de conhecer há poucas semanas através de um CD que um amigo me indicou. É um CD chamado THE POWER OF TWO, onde Cheyenne canta ao lado de Michael Fienstein, que sempre foi meu ídolo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-04.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-8101" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="FInians Rainbow 04" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-04.jpg" alt="FInians Rainbow 04" width="470" height="336" /></a>O chato do CD é você descobrir no meio que eles estão casados e fizeram um cd dedicando músicas românticas um pro outro. Vendo a cara hiper-plastificada de Feinstein na capa, ao lado do gostosão cafona de cabelo pintado Jackson sorrindo do lado, faz com que aquele caso de amor adquira um sabor meio “Jesus é meu pai e nada, nem mesmo um comprimido de Cialis, me faltará”, portanto apesar de gostar do disco, fico enjoado quando penso nas letras.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas voltando ao musical, <span style="color: #800000;"><strong>Cheyenne Jackson</strong></span> (<em>foto ao lado</em>) realmente canta muitoooo e arrasa. Como ator ele é canastrão, mas isso pouco importa. O que importa é que a voz é linda e super no lugar, sem excessos e sem afetação, por incrível que pareça.</p>
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<p style="text-align: justify;"><strong>Christopher Fitzgerald e Jim Norton</strong></p>
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<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-08.jpg"><img class="size-full wp-image-8102 aligncenter" title="FInians Rainbow 08" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-08.jpg" alt="FInians Rainbow 08" width="587" height="393" /></a></p>
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<p style="text-align: justify;">Quem rouba o espetáculo é <span style="color: #800000;"><strong>Christopher Fitzgerald</strong></span> (<em>foto acima, à dir.</em>) no papel do duende Og. Já o tinha visto em “YOUNG FRANKENSTEIN” também roubando a peça dos protagonistas, e aqui ele dá um banho de humor e competência física, e sua interpretação de “WHEN I´M NOT NEAR THE GIRL I LOVE” é antológica.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, o grande protagonista e papel título é<span style="color: #800000;"><strong> Jim Norton</strong></span> (<em>foto acima, à esq</em>.), ator septuagenário no papel que Fred Astaire fez no cinema. Norton é um gênio, tem incrível agilidade e presença cênica absolutamente irresistível. O papel não canta muito, mas é o líder em quase todas as cenas e você se apaixona pelo velhinho logo de cara.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho bobagem comentar direção, coreografia e etc., já que isso na verdade é um concerto estendido, não é exatamente um espetáculo com o “padrão Broadway” mais óbvio. Um turista desavisado vai achar pobre e talvez perdido no tempo, mas a platéia de ontem era basicamente de americanos e a maioria da terceira idade. Todos (como eu) amando e envolvidos com aquelas melodias  lindas, irretocáveis, do gênio Burton Lane com letras de Yip Harburg. A falta de criatividade na direção, o cenário único e pobre, o fato de só usarem metade do palco, não estraga em nada o prazer de ouvir um dos mais lindos scores já escritos para o teatro até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você curte um espetáculo simples e onde a música é o principal atrativo, não perca.</p>
<p><strong>Claudio Botelho</strong></p>
<p><strong>Novembro 2009.<br />
</strong></p>
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