Raridade: Primeira Leitura de “7 – O Musical” (2007)

fevereiro 11, 2010 by Site Möeller & Botelho  
Filed under 7 - O Musical, Vídeos

Vídeo histórico: bastidores da primeira leitura de “7 – O Musical“, em 2007.

Aparecem no vídeo os diretores Claudio Botelho e Charles Möeller, o compositor Ed Motta, a saudosa Ida Gomes e outros nomes do elenco, como Alessandra Maestrini, Rogéria, Zezé Motta, Eliana Pittman e Rodrigo Cirne, além da diretora assistente Paula Sandroni e membros da equipe.

Möeller & Botelho são destaque na retrospectiva do Estado de São Paulo

dezembro 31, 2009 by Site Möeller & Botelho  
Filed under 7 - O Musical, Site

caderno 2

A dupla Möeller & Botelho foi destaque na retrospectiva teatral que o jornal O Estado de São Paulo publicou em sua edição desta quinta-feira, 31/12/09.

A capa do Caderno 2 do Estadão foi uma foto de Rogéria em “7 – O Musical”, espetáculo que foi elogiado pelo jornal paulista.

Leia a parte da matéria que cita Möeller & Botelho e “7 – O Musical”:

“A dupla formada por Charles Möeller e Cláudio Botelho fez durante este ano mais coisas do que as linhas disponíveis. Entre elas o originalíssimo Sete, o Musical. Sem desdenhar a experiência norte-americana no gênero, os autores do espetáculo foram mais fiéis ao espírito do que à letra da tradição ianque. Como dramaturgia, o musical é sofisticado e surpreendente. A música inquietante, repleta de fusões deliberadas entre gêneros e estilos, é da autoria de Ed Motta. Convocar Ed Motta para compor já sinaliza a vocação dos autores para o contemporâneo. E talvez não haja nada mais radical neste momento do que o respeito e a absorção na trama contemporânea dos talentos e habilidades de várias vertentes criativas e diferentes épocas. Neste espetáculo musical, há desafios para cantores líricos, para uma vedete do cabaré carioca como Rogéria, para Zezé Motta, atriz, cantora e musa dos anos 70 e também para o excepcional talento dramático de Suzana Faini. O teatro musical brasileiro é uma tradição cujos fios o diretor Luiz Antonio Martinez Correa reatava nos anos 80. Sem a mesma paixão nativista Möeller e Botelho parecem ter idêntica sensibilidade para o que os rodeia”.

O Estado de São Paulo – 31/12/09.

Renata Celidonio: “Alguma coisa acontece no meu coração…”

junho 18, 2009 by Site Möeller & Botelho  
Filed under 7 - O Musical, Artigos

Renata Celidonio fala sobre sua participação em “7 – O Musical”

renatacelidonio

Em “Sampa”, um dos maiores sucessos de Caetano Veloso, o cantor e compositor baiano relatava de maneira poética o impacto que a cidade de São Paulo causou nele. Convidamos  outra baianinha, a atriz e cantora Renata Celidonio, para nos contar como foi participar da temporada paulista de “7 – O Musical”, no qual ela viveu Elvira. Com toda certeza algo também aconteceu no coração de Renata…


“Há algumas semanas recebi um pedido muito carinhoso: escrever um depoimento, um mini-artigo, sobre a minha participação no “7”. Fiquei um tempo pensando “por onde começar?”… bom… vamos começar do começo!

Ao ver um espetáculo, eu sei que ele é sensacional quando tenho vontade de fazer parte dele. E foi exatamente o que aconteceu em 2007, quando fui ao Teatro João Caetano. E o melhor: senti isso antes mesmo do espetáculo começar. Quando olhei o cenário e vi a “Clara” (Tatiana Kohler) deitada por meia-hora ali, no meio daquela floresta sombria… e veio o terceiro sinal, a orquestra a tocar aquela melodia “meio torta”… e veio aquele relógio imenso iluminado e a entrada da “Senhora A.” (a saudosa Ida Gomes)… 1… 2… 3… e pronto! O “7” mal havia chegado e eu já estava encantada. Completamente hipnotizada! Que equipe espetacular!

Eu já havia trabalhado com o Charles e o Claudio na “Ópera do Malandro” e na “Ópera do Malandro em Concerto”; já havia visto outros trabalhos deles após isso. Com resultados impecáveis, a super Tininha ao lado, o suporte da Paulinha Sandroni e equipes sempre muito competentes – então não é difícil imaginar o quão imediata e feliz foi a minha resposta ao convite dos meninos para ser a terceira “Elvira” do “7”.

Cheguei a São Paulo dia 11 de abril e comecei a acompanhar os ensaios, estudar o texto e as marcações. O que me deixava mais tranquila era o fato de poder seguir todos os passos da Janaína Azevedo (a “segunda Elvira”), que se mostrou uma companheira de trabalho espetacular, tornando-se também uma amiga muito querida! Ela estreou dia 16 e fez as seis primeiras apresentações. E dia 26 de abril de 2009 encarei a platéia do Teatro Sérgio Cardoso de frente, pela primeira vez.

Durante os primeiros ensaios, eu ainda estava entretida com as músicas, o espaço, ter as letras de cor e aprender nota por nota daquela melodia lindamente empenada das canções desse espetáculo. Mas eu também tinha outra preocupação: criar a “minha Elvira”.

Num processo de substituição dentro de um elenco já formado – e com tanta sintonia – eu sentia que esse passo seria o mais delicado de todos: fazer nascer um novo personagem, com novas reações, respeitando, porém a direção, as marcações e as relações estabelecidas anteriormente pelas outras atrizes com o todo.

E foi assim que a “ela” chegou… aos poucos… a Elvira invejosa, “irmã má da Cinderela”… a voz, o humor, os olhares, a maquiagem trágica… o corpete ajustado, a saia longa, as anáguas sob ela, a forma de andar, a respiração… a cada dia uma nova descoberta – sempre contando com o apoio de quem estava por perto.

renata-celidonio-sete-02A atenção e a disponibilidade de todos do elenco foram fundamentais para que eu me sentisse completamente livre para criar. Após cada ensaio de cena, cada passagem de som, havia sempre alguém com uma crítica construtiva, um elogio, uma palavra ou um gesto carinhoso. Jamais esquecerei as palavras do Charles pra mim, numa carta destinada ao elenco, logo após a estréia: “Renata – pode entrar que a casa é sua. Entre, bata a porta e arrebente, afinal você sabe o que é que a baiana tem.” – aaaahhhh… tem coisa melhor que isso pra começar a trabalhar?

Todas as noites bradávamos em coro as seguintes palavras: “Junto minha mão à sua, junto meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer aquilo que eu não posso fazer sozinha”. E foi exatamente assim que eu me senti durante toda a temporada paulista do espetáculo: completamente aconchegada dentro de uma parceria maravilhosa.

Não dá pra esquecer de falar aqui da recepção calorosa que tivemos do público da “paulicéia desvairada”. Como era prazeroso, ao fim de cada espetáculo, ouvir os aplausos constantes preenchendo aquela sala com tanta alegria! Como era delicioso ir ao foyer e sentir de perto o resultado de um trabalho bem realizado. Todos encantados com o espetáculo, gente que voltava e dizia pra mim: “Eu to vendo pela segunda vez, hoje eu trouxe 10 pessoas, semana que vem trago 60”! Sessenta! Mas o mais engraçado é que eu saía e poucas pessoas me reconheciam! Teve um comentário sensacional, feito por uma das amigas da Rogéria: “Ei, eu quase não te reconheci! Você fora do palco é uma menina de família!” – eu, prontamente, respondi: “O que? Eu sou pra casar!” (e rimos muito).

Dia 31 de maio de 2009, domingo: toda a equipe com os olhos cheios d´água. Platéia LOTADA. Não conseguíamos acreditar que estava chegando ao fim… é um tipo de ficha demora mesmo pra cair. “Todo artista tem de ir aonde o povo está”… mas pra isso ele precisa de dinheiro, minha gente! E essa temporada só foi possível graças ao investimento dos próprios produtores: a Aventura Produções. Investiram por acreditar na qualidade desse espetáculo GENUINAMENTE BRASILEIRO, criação desses “monstros sagrados do teatro musical” em parceria com o talento indiscutível do Ed Motta. Pensar que não estamos em cartaz hoje, simplesmente por falta de patrocínio, é uma pena! Espero, sinceramente, que os empresários desse país comecem a ouvir melhor o que uma platéia como a do “7” diz… e fiquem mais sensíveis ao produto nacional de boa qualidade.

Bom… é isso. Demorou, mas saiu. Para um “mini-artigo”, até que escrevi bastante, né?

Termino por aqui, com a esperança que mantém a arte em minhas veias: VIDA LONGA AO “7”!!!”

Renata Celidonio.

“7 – O Musical”: Emoção nos Aplausos Finais da Temporada Paulista

junho 16, 2009 by Site Möeller & Botelho  
Filed under 7 - O Musical, Vídeos

Assista o vídeo dos aplausos finais no encerramento da temporada paulista de “7 – O Musical“, com direito a fala emocionada de Alessandra Maestrini:

 

Alessandra Verney: Uma Artista Sem Fronteiras

Em “7 – O Musical”, ela entra em cena já com 30 minutos de peça iniciada. Surge no escuro, no alto de uma escada. A cara branca, o cabelo preto e a boca vermelha desenhada no meio do rosto… assim é descrita Bianca, a antagonista de Amélia (Alessandra Maestrini), no mais autoral espetáculo da dupla Charles Möeller & Claudio Botelho.

aleverney01

Foto: Paulo Ruy Barbosa

A personagem, que teria tudo para vir a ser mais uma “vilã femme-fatale”, é defendida por sua intérprete, Alessandra Verney, que a vê como alguém que também foi iludida, tal qual Amélia.

Trancafiada em um subúrbio carioca, o sonho de Bianca é conhecer o mar. Já o de Alessandra Verney é continuar cruzando oceanos – Nascida no interior do Rio Grande do Sul, ela mora hoje no Rio e quando encontra uma brecha, tem zarpado para fazer shows na Grécia – por onde está tentando conquistar um lugar ao sol também na Europa.

Às vésperas do encerramento da temporada paulista de “7” (onde canta duas belas canções: “Se Essa Rua” e “Ele Vai Voltar”), Alessandra Verney conversou com o Site Möeller Botelho sobre sua personagem, sobre seus trabalhos com a dupla e sua experiência como atriz e cantora.

Conheça mais um pouco dessa artista sem fronteiras

Foto:  Chico Lima

aleverney021

A sua personagem no musical, Bianca, é a antagonista de Amélia (Alessandra Maestrini) e tem um perfil complexo. Você a vê como uma vilã ou uma vítima?

Vejo a Bianca como alguém que apostou em algo que acreditava e as coisas não corresponderam da forma como ela esperava. Consequentemente, virou uma mulher aprisionada – assim como a princesa que se encontra no alto da torre. Só que em vez de aceitar essa situação, ela externaliza a sua insatisfação e  resolve se arriscar. Carmem dos Baralhos surge como o canal para essa “fuga”, mas o tiro sai pela culatra… Herculano e Bianca se envolveram, ela engravidou e então fugiram juntos – a situação ficou fora de controle; ele prometeu várias coisas, mas não as cumpriu.  Na visão de Amélia, Bianca aparece como uma espécie de “vilã femme-fatale”, a mulher que “roubou” seu marido; porém, no decorrer da história, fica claro que não é bem assim, que existem os dois lados da moeda. Bianca também foi iludida… Na sua cabeça, sente-se constantemente perseguida por Amélia. Além disso, carrega muita culpa: culpa de ficar com o Herculano, culpa de ser bonita, culpa de não saber ser mãe… Não a vejo como vítima e nem como vilã.


“7” teve uma interrupção entre as temporadas de 2007, e as de 2008/2009. Os diretores alteraram várias coisas da peça neste intervalo. O que mudou para você da primeira para estas duas temporadas (Rio/2008 e São Paulo/2009?

Houve um afastamento da peca de quase um ano entre essas duas temporadas (2007 e 2008). Durante esse período vivi novas experiências, fiz outros trabalhos e isso fez com que, naturalmente, tanto a bagagem pessoal  como emocional fossem  ampliadas. Ao voltar o foco novamente para o “7″ – após os “breaks” -  foi como nascer de novo, mas já sabendo o que eu queria e possuindo um caminho traçado, tendo uma nova oportunidade de acrescentar ou de modificar alguns pontos para manter a personagem vivo e em constante evolução. Vejo a força da Bianca na vulnerabilidade. Isso ficou cada vez mais claro à medida que fazia mais e mais o espetáculo.

Foto: Tina Salles

aleverney08E o que representa para você estar em “7”, com esse enredo, esse elenco, esse compositor (Ed Motta), essas músicas?

Eu sou muito feliz fazendo esse trabalho, realmente acredito nele e tenho muito orgulho fazer parte desde o comecinho. Precisamos musicais originais no Brasil, que busquem qualidade. Desde a primeira vez que o Charles Moeller me falou que estava escrevendo essa história e que teria músicas de Ed Motta e letras do Claudio Botelho, achei incrível, pois era algo ousado e, sobretudo, original. É fascinante estar num musical que vai sendo artesanalmente montado peça por peça, onde você vai acompanhando o nascimento dos personagens, das canções, onde você será o primeiro criador e a primeira voz daquele personagem. É uma sensação única e não tem preço.


Além de “7”, você já trabalhou em outros cinco musicais de Charles Möeller & Claudio Botelho. Gostaria que você recordasse um pouco como foi participar desses espetáculos

Adorei ter feito todos os espetáculos, cada um foi especial de um jeito, sempre com novas descobertas e “upgrades”. A começar pelo repertório e os compositores de cada um… Um luxo. São várias lembranças de todos! Tenho um carinho muito especial por “Cole Porter”, principalmente a primeira temporada no Teatro Arena, que coroou uma retomada do Teatro Musical no Rio, foi uma grande vitrine e era uma delícia de se fazer, muito envolvente. Cristal Bacharach era divertidíssimo – em cena e na coxia. “Tudo é Jazz!” ficou pouco tempo em cartaz, mas foi muito marcante; era ótimo estar no palco com um elenco tão talentoso, com grande química vocal e cênica, a orquestra era um show à parte.  “Ópera do Malandro em Concerto” também foi muito prazeroso, não só pelo elenco, mas  pela forma que o espetáculo foi alinhavado, um tiro certo no coração da plateia.

foto: Chico Lima

aleverney04Hoje Charles Möeller & Claudio Botelho são reconhecidos como os grandes nomes do teatro musical brasileiro contemporâneo. Mas você começou a trabalhar com eles lá atrás, quando eles ainda estavam começando. Como é fazer parte dessa história?

Meu primeiro musical já foi com a dupla, “O Abre Alas”. Eu nunca havia feito teatro e de repente me vi num elenco enorme, num universo totalmente novo pra mim, pois até então eu só trabalhava como cantora e tinha uma carreira no RS, estava há pouco no Rio de Janeiro em busca de um novo espaço profissional. Charles e Claudio me receberam com muito carinho e respeito, o que me fez ir ganhando segurança naquela “nova empreitada” em minha vida. Foi um grande presente, no momento certo. Sou muito grata que eles tenham visto em mim potencial para o gênero, por terem apostado  em mim. Isso me moveu para procurar dar o meu melhor sempre, estudar, me aperfeiçoar – como atriz e como cantora. É interessante olhar para trás e ver o quanto a dupla cresceu,  conquistou seu espaço e certamente foi porque eles sempre souberam onde gostariam de chegar, com determinação e acreditando na sua verdade e no seu sonho.

Você imaginava fazer teatro musical um dia? Estava dentro dos seus planos no comecinho de sua carreira?

Desde pequena sempre fui cinéfila e consequentemente adorava os musicais de cinema; queria ser atriz, mas não tinha noção de que um dia poderia vir a ser atriz e cantora, achava que tinha que optar entre uma carreira e outra. Muito sinceramente, querer ser artista já era uma realidade muito distante da que eu vivia… (risos), mas era o meu sonho. O teatro musical em si era uma realidade mais distante ainda, até porque esse mercado era muito pequeno no Brasil. Evoluiu muito rápido nos últimos anos e espero que continue crescendo.

Foto: André Wanderley

aleverney05O que representa para você ser cantora e atriz?

Penso que tanto o cantar como o atuar são canais únicos de comunicação do ser humano e para com o ser humano; portanto, me sinto privilegiada ao poder fazer disso minha profissão, apesar de toda a instabilidade da mesma. Ter vocação é indispensável. Sou muito feliz de viver do que amo e amar o que faço. Além disso, é uma profissão sem fronteiras, o que é fascinante, basta ter – e criar – oportunidades para ser um artista do seu país e “do mundo” .

“7″ termina a temporada amanhã, 31 de maio. Já está com saudades de Bianca e de todo o espetáculo?

Nem me fale… O coração já está apertado. É um trabalho tão especial, com um elenco e equipe tão especiais… Independente de estarmos chegando ao fim de uma história ou ao fim de mais um capítulo, despedir-se de algo que se gosta muito, sempre é difícil. Tivemos uma receptividade incrível aqui em São Paulo, plateias calorosas e envolvidas com o espetáculo. Foi maravilhoso o “7″ ter vindo pra cá. Vai deixar saudades sim, muitas…  Porém, com gostinho de “quero mais” – para nós e para o público, com certeza.

Alessandra Verney em 4 tempos:


aleverney06_opt1

Cole Porter – Ele Nunca Disse que me Amava

aleverney_cristal_opt

Cristal Bacharach

aleverney_tudo-e-jazz_opt

Tudo é Jazz!

aleverney_operaconcerto_opt

Ópera do Malandro em Concerto

Crédito foto Cole Porter: Guga Melgar.

Crítica “7″: ” Musical com um sopro de originalidade”

maio 15, 2009 by admin  
Filed under Clipping, Críticas

criticaestadao-foto

Mesclando lendas urbanas e contos de fadas, 7 evoca dramaturgia rodriguiana

Crítica: Mariangela Alves de Lima

Tudo que atropela o senso comum cabe no teatro musical, um lugar onde, para começar, as pessoas podem cantar em vez de falar. Nesse domínio de fantasia absoluta, a dupla de criadores formada por Charles Möeller e Cláudio Botelho tem exercitado as vertentes usuais do gênero. Encenam desde 1996 peças brasileiras, musicais norte-americanos de muito sucesso de público, peças que são sucesso de estima e, também, produzem peças de autoria própria. A diversidade desse trabalho erige verdadeiros parques de diversões, imensos conjuntos para multidões com elencos numerosos, prodígios de cenotecnia e coreografias espetaculares, mas também contempla obras ácidas e intelectualmente brilhantes como as canções de Cole Porter ou uma criação de Stephen Sondheim. É provável que todo esse esforço eclético e o trabalho sobre diferentes etapas criativas, da tradução à composição de letras originais, seja indispensável para o aprendizado de um tipo de teatro que solicita em proporções iguais criatividade e preparo técnico. Mas, depois disso tudo, os criadores de 7 – O Musical parecem mais do que aptos para a liberdade autoral.

Neste caso não há sinais de que uma criação com o sopro da originalidade queira divergir das tradições consolidadas. Möeller e Botelho são autores que seguem por algumas trilhas ousadas do musical que já foram desbravadas por outros pioneiros. Há neste espetáculo, por exemplo, recorrência aos contos de fada e às lendas urbanas do passado.

Desde a invenção da ópera, o fantástico e o terrível foram sempre ingredientes usuais da associação entre o drama e a música. Stephen Sondheim, artista particularmente cultuado pelos criadores deste musical, fez duas obras célebres, uma baseada em um apavorante caso policial londrino do século 19 (Sweeney Todd) e outra em contos de fadas (Into the Woods). Os mesmos procedimentos servem aqui a propósitos diferentes e, sobretudo, têm um tratamento que pouco se assemelha ao de outros autores. Também nesta narrativa se mesclam ao conto de fada as versões modernizadas da feitiçaria e, ao fundo, salpicando diálogos e caracterizando a cidade noturna intemporal, a memória diluída das peças de Nelson Rodrigues. Para tramar esses repertórios de origens diversas há, como um tema persistente, o mito órfico. A mulher que desce ao submundo para resgatar o amor perdido sugere a um só tempo o lirismo do sofrimento amoroso e o grotesco da jornada infernal. É essa mescla de duas categorias em geral dissociadas que torna especialmente pungentes a música de Ed Motta e as letras de Cláudio Botelho. Colada à paixão desmedida da protagonista está a contraface do ridículo que ameaça os amantes sem pudor ou escrúpulos.

Não é o ritmo que prevalece na composição das personagens, mas a imprevisibilidade jazzística, a nota sustentada, a melodia com um grau de abertura suficiente para caracterizar situações dramáticas que não têm solução, ou seja, estados de alma em lugar dos acontecimentos decisivos das fábulas. É uma matéria difícil para os atores, porque desprovida de pontos de apoio sonoros ou verbais desconhecidos. Os elementos do roteiro têm uma origem mais ou menos familiar, mas a parte musical desencoraja qualquer clichê de interpretação.

Sob a direção-geral de Charles Möeller, os jovens intérpretes formados e experimentados no canto lírico são, além de esplêndidos cantores, perfeitamente capazes de imprimir à parte dialógica as mesclas estilísticas de lirismo e comicidade. Alessandra Maestrini pode ser uma diva segundo a tradição da cena musical, mas atua como uma disciplinada atriz de ensemble. Inversamente, intérpretes com outra formação musical, como Eliana Pittman, Rogéria e Zezé Mota, conservam os traços fortes das respectivas personalidades, como se fossem solistas. A música respeita e enfatiza a individualidade e, uma vez que o espetáculo não procura submeter essas artistas consagradas a um estilo uniforme, o público celebra a presença de cada uma.

Funcionando como uma espécie de elo de ligação entre as diversas escolas interpretativas mobilizadas pelo espetáculo Suzana Faini é uma extraordinária condutora de trama novelesca. Quando sua personagem narra a história para a criança ouve-se mais o desencanto pelo futuro do que os tempos passados dos verbos. Há alguma coisa insinuante e misteriosa no tom de voz e na expressão facial da personagem. Mesmo no momento em que, ao final da história, desvenda-se o enigma da narrativa, permanece a impressão de ocultamento.

Nesta peça, os moços fazem muito bem o pouco que têm a fazer. Não é a hora e a vez deles. Rogério Falcão emoldurou o palco com as paredes enegrecidas e festões murchos dos antigos contos góticos, criou escadarias para movimentar a cena, efeitos em contraluz e discretas mutações de ambientes. Ainda é muito para um espetáculo que se realiza inteiramente por meio dos recursos dos intérpretes e dos músicos. Fossem mais abstratos e escassos, os elementos cenográficos combinariam melhor com um tipo de espetáculo cuja sedução não se apoia no fascínio da cenotécnica. Esse é outro tipo de musical.

O Estado de São Paulo – 15/05/09.


Midas dos Musicais

maio 4, 2009 by admin  
Filed under Clipping, Möeller & Botelho

Consagrada no Rio, a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho traz cinco espetáculos à cidade e testa seu poder de fogo por aqui.

veja-so-paulo-os-midas-dos-musicais-14-03-09-editado

Crítica “7 – O Musical”

abril 28, 2009 by admin  
Filed under 7 - O Musical, Críticas



À leitura do currículo das montagens da dupla Charles Möeller & Claudio Botelho no programa de 7 – O Musical da 1ª, em 1996, até aos seus atuais sucessos, emociona a persistência intrépida, determinada dos jovens criadores empresários no gênero musical, com textos brasileiros, muitos, ou estrangeiros alternativos da off Broadway.

De fato, assim procederam e continuam procedendo na crença,  certamente, de que juntando a música, o canto, a dança e a palavra econômica à exuberância dos cenários e dos figurinos e ainda, hoje em dia, a uma iluminação inquieta e nervosa na busca de inimagináveis, até há pouco, efeitos plásticos, temos como conseqüência natural o cume da inteligência cênica.

Realmente, é no mínimo fascinante  tal  ruidosa manifestação, capaz, sempre, de arrastar aos teatros do mundo milhões de pessoas que buscam diversão na arte ou vice-versa.

Por sua vez,  Möeller  e Botelho re-instalaram na atividade empresarial artística o charme dos números superlativos pelo envolvimento de muitos na produção e execução de projetos cujas altas cifras o público vê inteiras no palco.

Uma preocupação: dizem que o brasileiro tem inveja do sucesso alheio. Com meia dúzia de mega sucessos em cartaz no Rio e em São Paulo, rezemos para que a ala dos eternos descontentes com a distribuição de verbas estatais – polêmicas,  às vezes-, não se voltem contra esses destemidos empreendedores, não fossem eles igualmente talentosos e eficientes nas funções de autores, diretores, letristas e outras tantas que assumem paralelamente em suas montagens teatrais.

E NÃO É QUE NELSON RODRIGUES ASSINARIA EMBAIXO?

Você pode questionar – como vem acontecendo – o uso da música de Ed Mota, pouco melodiosa para alguns, não alçando ao pódio das “assobiáveis”, como manda o bom figurino da Broadway. Mas, a nosso ver, a música aqui utilizada serve como uma luva ao tom predominantemente sombrio da descabelada narrativa.

O uso do conto gótico dos Irmãos Grimm – Branca de Neve – em paralelo ou como base para a trama urdida pelo autor Charles Möeller , resulta num inusitado flagrante do universo de Nelson Rodrigues, nosso mais transgressor dramaturgo, com tudo a que nos acostumamos em sua obra, da fase mítica ou suburbana: mulher traída e inconformada; marido fujão e mulherengo (nada menos que um certo Herculano!); cafetinas, prostitutas, cartomantes vigaristas; e um caldeirão de ingredientes melodramáticos: ódio, inveja, vingança, punhais estraçalhando literalmente corações incautos…

O tom é de tragicomédia, de uma solenidade grandiloquente, com pitadas aliviadoras, de um humor tipicamente carioca, como por exemplo na cena do morto sapateador (que arranca aplausos divertidos da platéia). É claro que o autor sabia em que fonte bebia e tal recurso, consciente ou não, alavanca o  texto para além do mero folclore da lenda “dark” da secular heroína. Nelson Rodrigues assinaria em baixo, acreditamos.

Outro aspecto positivo que salta aos olhos: o domínio técnico dos elencos brasileiros (cariocas, principalmente) nos musicais, quer cantando, dançando ou contracenando longe do psicologismo televisivo. Nesta bela montagem estamos diante de  magníficas intérpretes musicais como Zezé Mota, Eliana Pittman, Alessandra Maestrini e Alessandra Verney.

Rogéria se encarrega do humor carioquês, como a cafetina Odete, bem seguida por Ivana Domenico e Janaina Azevedo (ou Renata Celidônio). E Suzana Faini está brilhante na misteriosa Sra. A, estreando no papel aqui em São Paulo, secundada com graça por Malú Rodrigues.

Não menos importante, o naipe masculino, encabeçado por Jarbas Homem de Mello (Herculano), não só canta, como executa com  sensibilidade movimentos coreográficos de hipnótica força imagética.

A direção musical e a pequena orquestra valorizam a música original de Ed Mota, assim como as letras de Cláudio Botelho, insuperável neste item desde sempre.

Toda a produção é do mais irretocável profissionalismo, passando pelos figurinos de Rita Murtinho, pela cenografia de Rogério Falcão e pela iluminação de Paulo César Medeiros, todos “cobras”!

Como bem observou minha companheira de tantos anos, Elvira, assídua dos musicais da Broadway: parece que agora é a  Broadway que precisa prestar atenção – e aprender – com os musicais do “Aventura” (nome oficial da empresa de Möeller e Botelho.


Por: AFONSO GENTIL – Crítico Teatral filiado a APCA desde 1992.


Lenise Pinheiro registra “7 – O Musical”

abril 27, 2009 by admin  
Filed under 7 - O Musical, Fique Ligado

Uma das principais fotógrafas de teatro do Brasil, Lenise Pinheiro, esteve nos bastidores de “7 – O Musical” na semana passada para registrar as nuances e os detalhes do espetáculo de Charles Möeller & Claudio Botelho.

As fotos foram publicadas no Blog Cacilda, da Folha de São Paulo.


Confira algumas das belas imagens de Lenise:

Fotos: Lenise Pinheiro – Blog Cacilda (Folha).

“7 – O Musical” em SP

abril 27, 2009 by admin  
Filed under 7 - O Musical, Vídeos

Confira a reportagem exclusiva do Site Möeller & Botelho sobre a temporada de “7 – O Musical” em São Paulo.

Depoimentos de Charles Möeller, Claudio Botelho, Alessandra Maestrini, Zezé Motta, Alessandra Verney, Rogéria, Suzana Faini e Malu Rodrigues:

“7” em Progresso

abril 21, 2009 by admin  
Filed under 7 - O Musical, Destaques

7 – O Musical” estreia em São Paulo com novos nomes no elenco e cenas modificadas


Considerado o mais autoral (e mais ousado) dos espetáculos de Charles Möeller & Claudio Botelho, “7 – O Musical” estreou em São Paulo no último final de semana com o desafio de seduzir o público paulista com uma sombria história de amor e ódio passada em um Rio de Janeiro atemporal e soturno.

Contrariando os que dizem que Möeller & Botelho só trabalham com velhos amigos, “7” traz um elenco improvável e jamais reunido: além de atores-cantores consagrados como Alessandra Maestrini, Alessandra Verney, Jarbas Homem de Mello, Ivana Domenico e Betto Serrador, o espetáculo reúne ainda nomes como Zezé Motta, uma de nossas cantrizes precursoras; a cantora Eliana Pittman, que faz sua estreia em teatro; a transformista Rogéria, que brilha na pele de D.Odete; e a atriz Suzana Faini, que faz seu primeiro trabalho com a dupla e tem a ingrata – porém honrosa – missão de substituir Ida Gomes no papel da Sra.A. Ida faleceu em fevereiro de 2009, alguns dias após o término da temporada carioca de “7”.


Cenas modificadas

A montagem de “7” em São Paulo traz também outras novidades: a jovem Malu Rodrigues, que havia feito Louise Von Trapp na temporada carioca de “A Noviça Rebelde”, assume o papel de Clara, no lugar de Marina Ruy Barbosa.

Do ponto de vista dramatúrgico também houve mudanças. Uma das cenas do espetáculo, a do espelho (o “Coração no Bosque”) foi retirada e o solo de Eliana Pittman, logo no início do segundo ato, foi modificado.

“A cena anterior era muito bonita, mas nós já tínhamos vontade há algum tempo de facilitar a vida da plateia e tirar algumas das pistas falsas que poderiam criar confusão para a compreensão do espetáculo. Todo o início do segundo ato até o final da Cena do Bebê, embora tivessem seus méritos, não avançavam a ação em nada, eram apenas uma alegoria antes de entrarmos novamente na história. Então privilegiamos a história e o ato já começa”, explica o diretor Claudio Botelho.

“A canção interpretada pela Eliana Pittman ganhou nova letra e funciona agora quase como um entreato, uma pré-cena para o que virá. A música e o arranjo são exatamente os mesmos. O que mudou foi apenas uma parte da letra. Eu gostava da letra original, mas esta é mais direta e um pouco menos confusa para a história”, diz Botelho.

Já o diretor Charles Möeller lembra que “7” é um ‘work in progress’ (“é a única vantagem de ser autor e diretor”, brinca ele).

“Com o primeiro tratamento do texto dava para montar uma trilogia. Originalmente tinha todo o passado de Herculano, toda a infância de Amélia e a própria começando a envelhecer… Tinha Odete, Carmem e Rosa jovens. Era realmente um ‘E O Vento Levou”, ri o diretor.

Charles frisa que em teatro o processo é esse mesmo – as coisas vão sendo depuradas com o tempo e vai se percebendo o que funciona e o que soma, e vice-versa.

“O fato de fecharmos o primeiro ato com o uivo de Amélia tapando os ouvidos, pois não quer escutar os ecos do seu sortilégio em frente à Sra.A, desesperada por ter entendido seu trágico destino de ter que matar aquilo que ela ama, fazia com que o público fechasse uma parte do quebra-cabeça e saísse no intervalo intrigado com uma sensação de ‘o que é isso?’ Ao voltarmos do intervalo precisávamos esclarecer imediatamente essa questão levantada e não confundir mais. Precisávamos voltar do ponto em que paramos. Era essa a questão principal”, explica Möeller.



Desembaralhando o enredo

Charles concorda com Claudio que o número do espelho, embora adorável, confundia o público: “É das músicas que eu mais gosto, mas esse número servia pra embaralhar de vez a cabeça de quem espera algumas respostas pra se manter interessado na trama. Ele começava com um berro de Madalena dizendo que uma mulher congelou e desembocava na entrada da Sra.A brigando com Clara, que repetia o numero “Esfregando o chão” com outra letra. Muitas pessoas achavam ali que Clara era Amélia”,

Segundo Charles, o auge da confusão se dava quando a Madrinha Rosa entrava com outro figurino (anos mais jovem ou não), com um outro bebê e cantando uma música de ninar. “Já temos um bebê na peça que é a menina que havia acabado de ser abandonada em casa por Bianca. Então dava a impressão que a Rosa estava com a filha de Bianca que se chamava Amélia, afinal não havíamos falado que a filha de Herculano e Bianca era Clara! O que a Rosa estaria fazendo com o filho de Bianca e Herculano no colo? Parecia que o bebê havia sido sequestrado e entregue à Rosa pra ela criar, como mais um castigo de Carmem e Amélia contra Bianca”, desembaraça o diretor.

“A maioria das pessoas achava que tudo isso era muito claro, mas alguns me questionavam esses ruídos. Musical quando não é cartesiano é difícil, pois as pessoas querem respostas imediatamente para se sentirem inteligentes. Lendo um livro de dramaturgia, me veio uma luz. Ele dizia que no primeiro ato você levanta as perguntas e no segundo você as responde. Eu ainda estava levantando questões no segundo ato! Preferi não falar de Clara e da Sra.A, para focar em Amélia. Foi duro e triste, mas ficou melhor e o público paulista recebeu a peça bem melhor e com mais entendimento”, revela Charles.


CD à vista

Outra novidade da temporada paulista foi o anúncio (tão esperado pelos fãs do musical) do lançamento do CD de “7”.

“Finalmente o CD será gravado. Não sei muitos detalhes ainda, mas ao que parece a Trama vai realmente gravar o CD. Vamos usar atores dos dois elencos nas diversas faixas. Até eu e Ed vamos participar como cantores (a princípio). Nunca entendi porque consegui lançar ‘Company’, ‘Lado a Lado com Sondheim’ e ainda não tinha sequer conseguido entrar num estúdio pra gravar ‘7’. Era uma frustração absoluta. Mas parece que isso vai ser resolvido agora, antes do fim da temporada paulista”, diz Claudio Botelho.


Serviço

7 – O Musical
Temporada de 17 de abril a 6 de junho
Sextas, às 21h30. Sábados, às 21h. Domingos, às 18h.

Teatro Sergio Cardoso
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista
Tel: 3288-0136
Ingressos a R$ 40 (platéia) e R$ 20 (balcão)
Duração: 2h15
Lotação: 856 lugares
Classificação etária: 14 anos
Vendas Online:
www.ingressorapido.com.br

Fotos: Site Ego, Agência Estado, Denny Naka.

Branca de Neve em versão dark

abril 16, 2009 by admin  
Filed under 7 - O Musical, Clipping

O espetáculo 7 transforma a fábula infantil em musical, narrado por canções soturnas de Ed Motta

O Estado de São Paulo – Ubiratan Brasil – 16/04/09

72


Sete são os pecados capitais e também as maravilhas do mundo. As pragas do Egito são sete assim como as cores do arco-íris. E sete são os anões da Branca de Neve, história infantil que inspirou o mais autoral trabalho da dupla Claudio Botelho e Charles Möeller, que estreia hoje para convidados, no Teatro Sérgio Cardoso, e que se chama justamente 7 – O Musical.

“O número é emblemático e nos surgiu durante o processo”, conta Möeller, autor do texto e responsável pela direção. “E a fábula da Branca de Neve é apenas o ponto de partida, pois a história é como um tratado sobre a inveja”, completa Botelho.

A trama desconstrói a história infantil ao centralizar a narração na madrasta má, Amélia (Alessandra Maestrini), que é trocada pelo namorado por Bianca (Alessandra Verney), jovem pura, simples e bonita. Aconselhada por sua madrinha (Eliana Pittman), Amélia consulta uma cartomante, Carmen dos Baralhos (Zezé Motta), que a submete a sete pedidos para recuperar o amor.

De todas, a sétima tarefa revela-se a mais complicada: conseguir o coração de alguém que nunca tenha se apaixonado. Com isso, Amélia vai parar no bordel de Dona Odete (Rogéria), onde se envolve com o jovem Álvaro (Pedro Sol) e sofre nas mãos de outras funcionárias do local, Madalena (Janaína Azevedo) e Elvira (Ivana Domenico). Ao mesmo tempo em que a trama segue, uma misteriosa velhinha, Senhora A. (Suzana Faini), conta para a afilhada a história de Branca de Neve, em uma das chaves do misterioso enredo.

Os fatos se desenrolam em uma Rio de Janeiro que bem poderia ter sido recriada por Tim Burton: escura, tenebrosa e onde até neva. O tom de ópera dark surgiu quando Botelho e Möeller foram surpreendidos pelo cantor e compositor Ed Motta. “Em 2001, depois de assistir à nossa montagem de Company, ele nos procurou para dizer que tinha algumas canções sem letra que se encaixariam em um musical”, lembra Botelho, que ficou com um CD demo. A audição foi surpreendente. “Não eram canções simples, pois sugeriam personagens, dramaturgia, com diálogos já desenhados entre contralto e soprano. Não tinha assunto, mas era absolutamente teatral.”

Admirador de autores clássicos dos musicais como Stephen Sondheim e Cy Coleman, Ed Motta já ensaiava há muito uma aproximação com o gênero. “Compus algumas canções cuja melodia acabei incorporando em meus álbuns”, conta ele, sensivelmente inspirado por artistas diversos, como Carla Bley e Paul Haines (Escalator Over the Hill ) e até Frank Zappa (Absolutely Free). “Para o musical, é preciso uma acuidade sonora muito grande, um controle com o desenho de cordas, com a letra.”

Claudio Botelho, então, realizou o sonho de criar letras para as canções – autor das elogiadas versões em português dos grandes musicais da Broadway recentemente montados no Brasil, ele domina a dicção do gênero, sabendo qual sílaba é a mais correta para determinada nota. Assim, o trabalho com Motta começou em 2004 e terminou três anos depois.

O tom soturno das composições (“Acho que ouvi muito Sweeney Todd, do Sondheim”, brinca Motta) logo inspirou Charles Möeller a criar sua melancólica história sobre a frieza que domina as almas humanas. Não foi difícil pois ele já pesquisava sobre os contos dos irmãos Grimm – não as versões edulcoradas de Walt Disney, mas os aspectos mais adultos, especialmente a crueldade. “Charles é um obcecado estudioso desses contos, colecionando versões e traduções ao longo do tempo”, conta Botelho.

Para dar vida a personagens tão marcantes e distintas, Möeller e Botelho decidiram escalar um elenco sui generis, com artistas de gerações e trajetórias bem distintas, além de uma cantora, Eliana Pittman, estreando como atriz. “São mulheres de forte personalidade, que exigiam papéis especialmente escritos para cada uma”, explica Möeller.

Do grupo que encenou o musical no Rio de Janeiro, apenas uma alteração sentida: Suzana Faini substitui Ida Gomes, que interpretou Senhora A. até janeiro deste ano, um mês antes de morrer. “Ida foi uma das primeiras atrizes escolhidas, pois queríamos alguém que tivesse uma voz marcante”, lembra Botelho. “Como fez muitas dublagens para filmes e desenhos, Ida tinha um tom muito conhecido, que contribuiu fundamentalmente para a criação de toda a atmosfera do espetáculo.”

Como não observou cuidadosamente o trabalho de Ida, Suzana Faini sentiu-se à vontade para criar seu próprio trabalho. “Não me lembro de detalhes da atuação dela, o que me ajudou”, conta a atriz que, curiosamente, utiliza o mesmo figurino da antecessora. “As roupas e os sapatos serviram bem. É como se ela estivesse ainda acompanhando o espetáculo.”


UM ELENCO INUSITADO

  • ELIANA PITTMAN: Com uma discografia que ultrapassa 20 álbuns, a cantora conta que precisou adaptar-se para o musical. “Nos shows, eu enlouqueço; no palco, porém, tenho de seguir o que manda o diretor”, conta ela, que tem dois solos em cena.
  • ZEZÉ MOTTA: Com vasta carreira, a atriz e cantora sentiu-se agradavelmente surpreendida com seu papel em 7: “Pela primeira vez, vou interpretar uma personagem má”, brinca ela, que vive a cartomante Carmen. “Por isso, tive dificuldade em descobrir a melhor forma de interpretá-la.”
  • ROGÉRIA: Sem esconder a idade (completa 66 anos em maio), a artista que já fez shows na Europa e na África conta que ficou apavorada quando foi convidada para o musical. “Saí da mesmice e ainda criei a maquiagem que uso em cena.”

Serviço

7 – O Musical. 135 min. 14 anos. Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153, 3288-0136. 6.ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 18h. R$ 20 (balcão) e R$ 40 (plateia). Hoje, para convidados. Até 31/5.


Os Mestres dos Musicais

março 27, 2009 by admin  
Filed under Clipping, Möeller & Botelho

Revista Quem - 27 de Março de 2009:

A Música está no Ar – Möeller Acreditou no seu Sonho

março 27, 2009 by admin  
Filed under Clipping, Möeller & Botelho

Site Möeller & Botelho faz homenagem a Ida Gomes

fevereiro 23, 2009 by admin  
Filed under 7 - O Musical, Destaques

Aos 85 anos de idade e 65 de carreira, a atriz Ida Gomes, a inesquecível Srª A de “7 – O Musical“ faleceu neste domingo, 22/02, às 19h, em consequência de uma pneumonia, no Hospital Samaritano.

Ida já tinha sido escolhida para ser a grande homenageada da 21ª edição do Prêmio Shell de Teatro do Rio, pela contribuição ao teatro brasileiro. De acordo com parentes, ela estava preparando o discurso de agradecimento com muita alegria.

Seu último trabalho foi justamente “7 – O Musical”, de Charles Möeller & Claudio Botelho,  pelo qual foi indicada ao Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio).

Ida Gomes foi, antes de tudo, uma grande companheira.

Escrevemos  “7 – O Musical”  pensando sempre nela para o papel da Senhora A. Ela foi a inspiração para o personagem, sua voz e sua personalidade contribuiram fundamentalmente para a criação de toda a atmosfera de “7”.

Ida aceitou o convite para participar do elenco sem ler o texto. Um telefonema nosso e ela respondeu com uma vibração quase infantil que adoraria fazer um musical e que topava o que tivéssemos para oferecer.  A partir da estréia, foi uma das mais entusiasmadas defensoras do espetáculo, lutou conosco em todos os momentos para que tivéssemos uma vida mais longa nos palcos. Ida foi inclusive a reuniões com patrocinadores para seduzir novos investimentos e manter a dispendiosa produção em cartaz.

É uma tristeza enorme imaginar o “7” sem Ida. A temporada em São Paulo, marcada para finalmente estrear no dia 16 de abril próximo, foi um dos sonhos dela e, de certo modo, um incentivo para que  continuasse firme na luta contra os problemas de saúde que ela vinha enfrentando há algum tempo. Ainda assim, comemorou conosco seus 85 anos de vida e 65 de carreira no palco do Teatro Carlos Gomes, numa festa emocionante e muito feliz.

Recentemente, o juri do prêmio APTR de teatro  perdeu a chance de ter premiado uma das nossas atrizes mais interessantes, singulares, significativas e caras à memória dos brasileiros: numa reversão  de expectativas, Ida perdeu sua indicação para  melhor atriz-coadjuvante na última edição do prêmio. Já o Prêmio Shell de certa forma pretendia reparar esta injustiça dedicando a ela a sua próxima edição, tornando-a a homenageada da noite.

Ida deixa muita saudade em todos nós.”

Charles Möeller & Claudio Botelho


Tudo que eu falar sobre Ida Gomes será pouco. Uma mistura de saudade, amor e admiração invade meu coração nesse momento! Só devo agradecer de ter tido a oportunidade de conviver com uma pessoa tão especial e querida. Em qualquer lugar, a qualquer hora sempre em nossa memória e acima de tudo em meu coração. ‘ Somente o tempo ameniza a dor, e aos que amam eterniza o amor ‘. Saudades da minha ‘mãezinha’.

Marina Ruy Barbosa

(Ida ao lado de Marina Ruy Barbosa em seu último trabalho: a Srª A de “7 – O Musical”  – foto: Paulo Ruy Barbosa).

Confira algumas imagens de Ida nos bastidores de ”7 – O Musical”:


Em seu 85º aniversário, nos bastidores de “7″, em 2008

Ida e sua colega de elenco de “7″, Eliana Pittman

Nos camarins do Teatro Carlos Gomes, se transformando na Senhora A

Ida e Miryam Theresa, que a substituiu em “7″ em 2008

Recebendo o carinho de Marina Ruy Barbosa na coxia de “7″

Com Ed Motta, na reestreia de “7″, em 2008

Sendo homenageada por seus 85 anos (2008)

Fotos dos bastidores de “7″ :  Leo Ladeira  (Acervo Site Möeller & Botelho)

Marina Ruy Barbosa prestigia Marília Pêra em “Gloriosa”

fevereiro 18, 2009 by admin  
Filed under Clipping, Gloriosa

Marina Ruy Barbosa, que no momento prepara-se para estrear “7 – O Musical” em São Paulo, prestigiou outro trabalho de Charles Möeller & Claudio Botelho: a comédia musical “Gloriosa“, estrelada por Marília Pêra. Ao final da apresentação, Marina e Marília posaram para os fotógrafos.  Elas já trabalharam juntas em TV e Marina leu o livro “Cartas a uma Jovem Atriz”, escrito por Marília.


“A Noviça Rebelde” e “7 – O Musical” se despedem do Rio neste final de semana

janeiro 28, 2009 by admin  
Filed under 7 - O Musical, A Noviça Rebelde, Fique Ligado

7-novia

Os espetáculos “A Noviça Rebelde” e “7 – O Musical”, dirigidos por Charles Möeller e Claudio Botelho, encerram temporada no Rio de Janeiro no próximo domingo (01/02).

Com Kiara Sasso, Saulo Vasconcelos e um elenco de 44 atores/cantores, “A Noviça Rebelde” foi assistido por mais de 150 mil pessoas e foi campeão de indicações ao Prêmio Shell. O musical também marcou a reinauguração do Teatro Oi Casa Grande, no Leblon.

Já “7 – O Musical” ganhou, no ano passado, cinco prêmios APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio), que somaram-se aos três prêmios Shell que o espetáculo ganhou em 2007.

Retrospectiva 2008 – Möeller & Botelho

dezembro 24, 2008 by admin  
Filed under Destaques, Möeller & Botelho

Beatles num Céu de Diamantes, A Noviça Rebelde, 7 – O Musical, Prêmios… Saiba como foi 2008 para Charles Möeller & Claudio Botelho:

09 de Janeiro – Montado em tempo recorde de um mês, “Beatles num Céu de Diamantes” estréia no Espaço SESC-Copacabana, no Rio. No palco, 11 atores-cantores — quase todos saídos da primeira temporada de “7 — O Musical”, — e três músicos interpretam quase 50 canções dos Beatles, divididas em blocos temáticos. Sem usar diálogos, Charles Möeller e Cristiano Gualda (também no elenco) elaboraram o enredo a partir das letras, em inglês. Sucessos como “Lucy in the Sky with Diamonds”, “Yesterday”, “Hey Jude”, “Let it Be” e “Strawberry Fields Forever”, além de canções menos conhecidas do quarteto de Liverpool, compõem o repertório.


10 de Março“7 – O Musical” ganha três prêmios Shell: direção (Charles Moeller), figurino (Rita Murtinho) e iluminação (Paulo Cesar Medeiros). O espetáculo concorria em outras três categorias: cenário (Rogério Falcão), texto (Charles Möeller) e direção musical (Claudio Botelho e Ed Motta).


21 e 22 de Março
“Beatles num Céu de Diamantes” é apresentado, com muito sucesso, no Festival de Teatro de Curitiba 2008, no Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão).


04 de Abril
“Beatles num Céu de Diamantes” reestréia no Rio, no Teatro Leblon, Sala Fernanda Montenegro.

20 de Maio – Möeller & Botelho estréiam sua versão para o clássico “A Noviça Rebelde”, de Rodgers e Hammerstein, com Kiara Sasso no papel principal. O musical reinaugura o Teatro Casa Grande, no Rio, e em pouco tempo tornou-se fenômeno de bilheteria. O texto da montagem original da Broadway de 1959 é encenado praticamente na íntegra, assim como todos os números musicais são incluídos, mesmo aqueles que não entraram no filme de 1965. “A Noviça Rebelde” recebeu quatro indicações para o Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro: melhor Ator (Fernando Eiras), cenário (Rogério Falcão), figurino (Rita Murtinho) e categoria especial, pela produção de Aniela Jordan, Beatriz Secchin Braga e Monica Athayde Lopes.


27 de Agosto
– Entra no ar o Site Möeller & Botelho.


27 de Setembro
“7 – O Musical” reestréia no Teatro Carlos Gomes (RJ), com parte do elenco original e novos nomes (entre eles, Marina Ruy Barbosa, Ivana Domenico e Janaina Azevedo). Na ocasião da reestréia de “7”, a dupla Möeller & Botelho contabiliza três musicais em cartaz simultaneamente no Rio: “Beatles”, “Noviça” e “7”. No dia 29 de setembro, o aniversário de Ida Gomes e a reestréia de “7l” foram comemorados com uma sessão especial do espetáculo, exclusiva para a classe artística.


15 de outubro – O musical “A Noviça Rebelde” ganha dois prêmios Qualidade Brasil, que homenageia os artistas e os espetáculos que mais se destacaram no ano. “A Noviça Rebelde” é premiado nas categorias Melhor Espetáculo Teatral Musical e Melhor Diretor Teatral Musical (Charles Möeller e Claudio Botelho.


20 de outubro – Em noite de festa para o Teatro carioca, a segunda edição do Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio) consagra “7 – O Musical”. O espetáculo de Charles Möeller & Claudio Botelho ganhou cinco dos sete prêmios a que concorria: Autor (Charles Möeller), Diretor (Charles Möeller e Claudio Botelho), Figurino (Rita Murtinho), Iluminação (Paulo César Medeiros) e Categoria Especial (Charles Möeller e Claudio Botelho, pela atividade contínua das diferentes modalidades do teatro musical).


22 de Outubro – O ator-cantor Saulo Vasconcelos assume o papel do Capitão Von Trapp no lugar de Herson Capri, que deixa o elenco de “A Noviça Rebelde”.


10 de Novembro
– Dois espetáculos de Charles Möeller & Claudio Botelho são agraciados com o Prêmio Contigo! de Teatro. “Beatles num Céu de Diamantes” ganha o Prêmio de Melhor Espetáculo Musical Nacional (Júri Oficial). Já “A Noviça Rebelde” ganha o prêmio de Melhor Espetáculo Musical em Versão Brasileira (Júri Oficial).


11 de Novembro – A Revista Veja Rio promove uma festa para celebrar os melhores de 2008 em diversas categorias – o Prêmio Cariocas do Ano. A cerimônia de entrega dos prêmios, realizada no Golden Room do Copacabana Palace. Charles Möeller e Claudio Botelho foram premiados como os diretores teatrais de 2008.


13 de Novembro“Gloriosa, A Vida de Florence Foster”, espetáculo dirigido por Charles Möeller & Claudio Botelho, e protagonizado por Marília Pêra, estréia no Teatro Abel, em Niterói. A peça, baseada na história de Florence Foster Jenkins, milionária excêntrica que não conseguia acertar uma única nota musical, foi escrita por Peter Quilter e se tornou um grande sucesso. Tendo gravado apenas dois discos, Florence fez uma apresentação histórica em 1944, no Carnegie Hall, em Nova York, atraindo mais de duas mil pessoas. Na montagem brasileira, além de Marília, estão também no elenco Eduardo Galvão (interpretando Cosme McMoon, o pianista que acompanhou a carreira da diva) e Guida Viana, que se reveza em três papéis: a empregada mexicana, a melhor amiga e uma professora de canto inconformada com a voz de Florence. O espetáculo faz turnê pelo Brasil antes de estrear no Rio (em janeiro de 2009).


29 de novembro – Charles Möeller & Claudio Botelho são indicados ao Prêmio “Faz Diferença”, promovido pelo jornal O Globo para destacar os nomes que mais se destacaram em 2008 em diversas categorias.


30 de Novembro – Encerramento da temporada 2008 de “7 – O Musical”.

03 de dezembro - Última etapa das audições do elenco infantil de ”A Noviça Rebelde” em São Paulo (estréia em Março de 2009).

08 de Dezembro – É iniciado um workshop para o elenco brasileiro de “Avenue Q” (“Avenida Q” em português), que se divide em três horas de música e três horas de exercícios com bonecos. O elenco é formado por Andre Dias, Sabrina Korgut, Renato Rabelo, Claudia Netto, Fred Silveira, Maurício Xavier, Renata Ricci e Gustavo Klein.


21 de Dezembro
– Encerramento da temporada 2008 de “A Noviça Rebelde” e de “Beatles num Céu de Diamantes”.


Um ano Feliz, um grande Natal e até 2009!!!

Tuto Gonçalves: O Maestro dos Bastidores

dezembro 8, 2008 by admin  
Filed under 7 - O Musical, A Noviça Rebelde, Entrevistas

Tuto ao lado de Marina Ruy Barbosa e Stein Jr. no número ”O Coração no Bosque” de “7 – O Musical” (Foto: Paulo Ruy Barbosa)

Na última apresentação de 2008 de “7 – O Musical”, Alessandra Maestrini, a protagonista do espetáculo, fez, em público, uma menção especial a ele. Rogéria costuma dizer que ele é profissionalíssimo em tudo o que faz. Como coordenador de palco seu trabalho não é simples: é ele quem verifica se tudo está funcionando, se os atores estão prontos, se a coxia está em ordem, tal qual um maestro que não está no fosso da orquestra. Estamos falando de Maurício Gonçalves, o Tuto, que além de todo seu trabalho na coxia, também atua como um dos rapazes de “7” e faz participações em “A Noviça Rebelde”.

O Site Möeller & Botelho conversou com Tuto, o Maestro dos Bastidores dos musicais de Charles Möeller & Claudio Botelho.

Tuto e a mulher, a cantriz Kacau Gomes
Como começou sua carreira?

Comecei a trabalhar em 1989, em Curitiba, com um grupo chamado Giovani Promoções, que fazia trabalhos voltados para crianças. Fazíamos o Projeto Escola. Eram duas produções por ano. Nós mesmos fazíamos tudo: cenário, figurino, adereços, luz, som… Uma verdadeira escola de teatro, que levo comigo até hoje. Em 1994, comecei a fazer o curso de Artes Cênicas do Colégio Estadual do Paraná, me formando em 1997 como ator profissional.

Em que momento você chegou até a dupla Möeller & Botelho?

Foi em 2000, quando Charles foi chamado pra dirigir um espetáculo do Ary Fontoura, “A Diabólica Moll Flanders”, em Curitiba. Era uma comemoração de aniversário de carreira do Ary e foi em Curitiba porque ele é natural de lá também. A oportunidade apareceu por indicação de um amigo, Rafael Camargo, ator do espetáculo do Ary, que já me conhecia de outros espetáculos que tínhamos feitos juntos em Curitiba.

Com Charles & Claudio trabalhei em “Ópera do Malandro”, “Cristal Bacharach”, “Lupicínio e Outros Amores”, “Super Bacana – Dançando A Tropicália” (Ballet), “Lado a Lado com Sondheim”, “Ópera do Malandro em Concerto”, “Sassaricando”, “Sweet Charity”, “7 – O Musical”, “Beatles num Céu de Diamantes” e “A Noviça Rebelde”.

Como é o seu trabalho como coordenador de palco?

Toda vez que toca o terceiro sinal para o início do espetáculo, vem um friozinho na barriga. Isso me acompanha do primeiro ao último dia da temporada, e a sensação de missão cumprida vem quando eu mesmo fecho a cortina de boca.

Para que tudo isso aconteça sem maiores problemas existe todo um “ritual” antes do espetáculo. Todos os dias, três horas antes do início, são checados todos os itens, como som, luz, cenários e figurinos. Se existe algum problema, tentamos resolver o mais rápido possível.

Microfones testados, cenários verificados, luz funcionando e figurinos todos ok, vamos ao espetáculo!

Aí meu trabalho é checar as entradas e saídas de cenário e de objetos de cena no momento exato, se os atores estão no lugar certo na hora certa, se as trocas de roupa na coxia são impecáveis, enfim, um verdadeiro espetáculo técnico e artístico. E eu ali coordenando todo esse ballet técnico!

Em “7 – O Musical”, você também participa como um dos rapazes. O que significou isso para você?

Fico muito feliz com essa participação no “7”, por vários motivos. Além de estar exercitando o lado de ator, é ótimo dividir o palco com Rogéria, Zezé, Ida, Maestrini etc. Faço parte do primeiro espetáculo inédito de Charles & Claudio com texto, letras e músicas inéditas… Fico muito feliz!

Você também atua como uma espécie de “coringa” nos musicais de Möeller & Botelho. Já foi oficial nazista, convidado da festa dos Von Trapp e até padre em “A Noviça Rebelde”…

São oportunidades que vão aparecendo e que temos que ir aproveitando. O fato da minha escola de Teatro ter sido sempre jogar em várias posições, me facilita bastante, além do fato de acompanhar todo o processo de ensaio, do primeiro dia de leitura do texto até o ultimo dia de temporada. Isso acaba me gerando essas oportunidades.

Tuto e Tina Salles
Que tal  trabalhar com Charles & Claudio e toda sua equipe?

Já são quase seis anos trabalhando com eles. É um aprendizado diário, com o respeito que eles têm com a música e com a arte de representar. Fico feliz em ver o crescimento dos dois, os espetáculos em cartaz com sucesso, prêmios e mais prêmios, boas perspectivas de futuro… Eles merecem, pois lutaram por isso!

E a equipe? Que equipe afinada… Paulinha com sua Bíblia, o texto com  marcações dos atores; Tininha com seus cronogramas de ensaio impecáveis e sempre pensando em tudo; Elma, a nossa camareira chefe, super cuidadosa com os figurinos; Paulinho na luz, Claret no som; Rogério no cenário… Basta um olhar, uma palavra e já entendemos o que o outro está precisando. Uma loucura!


Quais são seus planos profissionais para um futuro próximo?

Na verdade  não sou de pensar muito no futuro, essas coisas de fazer planos, porque amanhã eu vou… Não faço mesmo!  Meu futuro é hoje. Meu foco está aqui. Assim eu canalizo toda minha energia no presente, sempre com muita determinação. Meu futuro é aqui: Noviça, 7, Beatles… É isso!

O Coringa Tuto:

3-x-tuto

Tuto Gonçalves em três momentos de A Noviça Rebelde: convidado da festa dos Von Trapp, oficial nazista e padre!


Marina Ruy Barbosa: A menina com cabelo de fogo que é a alma de “7”

dezembro 2, 2008 by admin  
Filed under 7 - O Musical, Entrevistas

Ela foi um dos maiores ganhos da remontagem de “7 – O Musical” em 2008. Convidada por Charles Möeller & Claudio Botelho para viver a menina Clara, a jovem atriz Marina Ruy Barbosa não hesitou e topou aceitar o desafio, mesmo nunca tendo atuado em uma peça adulta e em um musical.

Já nos ensaios, ela foi elogiada não só pelos diretores, mas por todo o elenco e produção. Sua interpretação de Clara se aproximava da que Charles imaginara: “Queria muito uma menina moça com cabelo de fogo, e de talento e beleza proporcionais. Uma menina que fosse selvagem e doce, que tivesse faisca e lágrimas nos olhos… pensei que seria impossível tanta coisa junta, mas eu encontrei tudo em Marina. Ela é a Clara perfeita. É a alma do 7”, disse o diretor.

Às vésperas do encerramento da temporada 2008 do espetáculo, o Site Möeller & Botelho conversou com a doce e talentosa Marina em seu camarim:

A temporada 2008 de “7” está chegando ao fim. O que você achou de participar desse espetáculo?

“Esse momento é uma mistura de felicidade e tristeza. Felicidade porque é um trabalho que estamos completando e tristeza porque está no final e eu amei fazer ‘7’. Eu já tinha feito peças infantis, mas essa foi minha primeira peça adulta e eu adorei. Foi otimo trabalhar com esse elenco especial”.

O que você sentiu quando soube do convite de Charles Möeller & Claudio Botelho para fazer a Clara?

“Quando meu pai me falou que o Charles e o Claudio tinham me convidado para fazer o ‘7’, eu fiquei muito feliz. Nunca imaginei que pudesse fazer um musical desses. Poucos dias antes eu estava assistindo a ‘Noviça Rebelde’ e fiquei surpresa com o musical, com os cenários, com a produção, com as músicas… na hora pensei: ‘será que um dia eu vou fazer um musical desse porte?’ Alguns dias depois meu pai me disse que Charles & Claudio haviam me convidado para fazer um musical deles. Eu fiquei super feliz! Claro que deu aquele friozinho na barriga, mas pensei: ‘Vou encarar’. Eu vi o DVD da montagem anterior. É uma peça muito diferente de tudo o que a gente já conhece. Mas eu achei super legal e topei encarar o desafio”.

O que achou da Clara? Foi difícil interpreta-la?

“A Clara é um personagem que você precisa construir, estudar. Ela não tem uma construção dramática simples. É um personagem difícil, mas com a direção do Charles e do Claudio tudo fica mais fácil. Você aprende rápido as marcas, as falas… E eles são super delicados. Foi muito bom ser dirigida por eles”.

Como foi contracenar com três Senhoras A diferentes (Ida, Paula e Miryan)?

“Muda muito de uma pra outra. Várias pessoas vieram falar comigo dizendo que fui guerreira e que fiquei no mesmo nível de interpretação. Mesmo mudando da Ida para as outras, eu acho que eu consegui manter meu padrão de interpretação. Continuei firme no personagem. A gente se ajudou. Trocávamos idéias. Eu sempre as chamava para ensaiar na coxia, até para ajudar mesmo. É aquilo que o Charles fala da peteca. Nós temos que ajudar a levantar a peteca do outro. E eu tentei fazer isso”.

Você irá para São Paulo em 2009 com o musical?

“Eu to louca para ir para São Paulo. O Charles já falou para eu não deixar o ‘7’, mas dependerá de algumas coisas, como a escola. Eu quero muito continuar interpretando a Clara. Não quero larga-la. Charles disse que a Clara é minha e eu to muito feliz de estar aqui. Eu amo fazer a Clara”.

Tomou gosto por musicais? Vai querer continuar nesta área?

“Eu to fazendo aula de canto, to estudando porque não tinha experiência com canto. Minha área era interpretação mesmo. Mas eu to fazendo aulas e sentindo que estou melhorando. To fazendo aula de piano também para ajudar nessa parte musical e quero continuar fazendo musicais com Charles e Claudio”.

Fotos: Paulo Ruy Barbosa e Leo Ladeira.

Próxima Página »