‘Gypsy’ encerra temporada no Rio com chave de ouro
junho 28, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Madame Rose diria: “Foi um estouro!”
Sim, a temporada carioca de ‘Gypsy‘, dirigido por Charles Möeller & Claudio Botelho, foi um estouro! Um sucesso de público (casa lotada do primeiro ao último dia), de crítica e de produção – toda a equipe de Möeller & Botelho e da Aventura é só elogios ao elenco do espetáculo.
Neste domingo, 27/06, as cortinas de ‘Gypsy’ se fecharam no Rio (abrirão em São Paulo em julho) com direito a discursos, agradecimentos e lágrimas nos bastidores.
A tradicional rodinha do elenco e da produção estava imensa – reuniu atores, músicos, técnicos, equipe e os diretores Charles e Claudio.
O elenco infantil, se despedindo do espetáculo neste domingo, preparou uma cartinha lida por Pedro Aguiar. Na carta, eles agradeceram a todos e pediram desculpas pelos ‘transtornos’ que causaram (levando às gargalhadas o elenco e direção). Também prestaram uma homenagem especial à Gabi Calainho, e desejaram sucesso à temporada paulista.
Matheus Costa também falou, ressaltando que não estava dizendo adeus, mas um até logo: “Não queria falar em adeus, nem tchau, mas sim até o próximo trabalho”, disse ele, sendo muito aplaudido.
Thayani Campos e Hannah Zeitoune também fizeram seus agradecimentos, principalmente a Charles e Claudio por terem apostado nelas.
O diretor Charles Möeller encerrou os discursos citando o “até logo” de Matheus Costa e elogiando o elenco de ‘Gypsy’, segundo ele um dos mais profissionais com quem a dupla já trabalhou. Charles lembrou ainda que muitos desacreditavam no sucesso de ‘Gypsy’ e que sentia orgulho desse ser um de seus trabalhos de maior êxito.
Crianças entram juntas ao final do espetáculo
Ao final do espetáculo, o público teve uma surpresa especial: todas as 14 crianças de ‘Gypsy’ entraram no palco para agradecer. Elas fizeram uma coreografia ensaiada por Tina Salles e Ana Paula Abreu na tarde de ontem. Assim, não só a Baby June e a Baby Louise do dia puderam ser aplaudidas, mas todas as meninas e os meninos.
Na saída, as mães esperavam com lágrimas nos olhos e flores. Foi um momento de bastante emoção, carinho e abraços. Ah, claro, com direito a muitas fotos!
‘Gypsy’ encerrou sua temporada no Rio com muito profissionalismo, sucesso e emoção. Até São Paulo!
Veja mais fotos do encerramento de ‘Gypsy’ no Rio:
Fotos: Leo Ladeira. © Copy Right: Site Möeller Botelho.
Colaboração: Claudia Zeitoune
Vídeo: Homenagem à Temporada Carioca de ‘Gypsy’
junho 27, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Vídeo do Site Möeller & Botelho e do Blog de Gypsy – O Musical em homenagem ao encerramento da bem-sucedida temporada de ‘Gypsy‘ no Rio de Janeiro.
Parabéns à direção, produção, equipe técnica, elenco e todos que participaram direta ou indiretamente desse grande sucesso!
Junho – 2010.
Entrevista de Charles Möeller para o Site Palma Louca
junho 18, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Confira essa entrevista do diretor Charles Möeller para o Site Palma Louca.
Entrevistado pelo jornalista Cesario Mello Franco, Charles fala sobre sua experiência como diretor de musicais, da evolução do gênero no país e da nova geração de artistas que vêm se formando no Brasil.
Veja a entrevista em:
Fonte: Site Palma Louca – http://www.palmalouca.com.br
Vídeo: Os ‘Tulsa’ de Gypsy
junho 17, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Confira este vídeo especial sobre os atores-cantores-bailarinos que vivem o personagem Tulsa no musical ‘Gypsy‘: André Torquato e Elton Towersey (sub).
Veja imagens dos atores em cena e assista um depoimento exclusivo do diretor Charles Möeller:
La Cage Aux Folles e a Música de um Gênio. Por Claudio Botelho.
junho 16, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Os diretores Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento
Minha história com LA CAGE AUX FOLLES – o musical – começa há muito anos. Muitos mesmo. Eu tinha uns 17 quando comprei um LP que foi lançado aqui com o elenco da montagem original da Broadway. Estava começando a me interessar por musicais, tinha muito pouco acesso aos discos, pois tudo era importado, caro, e não existia Internet (eu sou antigo!), de modo que conseguir comprar um LP de um musical da Broadway naquele tempo era uma façanha pra mim.
Bom, o que importa é que o destino pôs na minha mão aquele disco e – tenham certeza – talvez tenha sido um dos musicais que eu mais escutei até hoje na vida. Eu ouvia aquilo compulsivamente, praticamente todos os dias, e quanto mais ouvia mais me encantava com aquela música. Sei de cor cada palavra das letras, sei cada nota da partitura, sei até as falas que estavam gravadas no álbum. Os intérpretes principais eram Gene Barry (o ator que fazia Bud Masterson numa série de TV) como George, e George Hearn que fazia Zazá. George Hearn é ainda para mim uma das vozes mais lindas da Broadway, além de um ator impecável, com uma classe incrível. Pude vê-lo em cena algumas vezes nesses anos todos e cada vez mais o tenho como ídolo.
Hoje há registros em vídeo muito ruins da montagem original. Tudo que existe são gravações de programas de TV ou a apresentação no Tony Award do ano de 1984, onde vemos alguns números das ‘Cagelles’ ou Hern cantando “I Am What I Am” sem caracterização, sempre vestindo um smoking. Portanto, minha ligação com o espetáculo foi, durante muito tempo, com a música mesmo, o que estava no LP.
Aprendi naquele LP quem era Jerry Herman (foto à direita), o compositor, e fui atrás de outras coisas dele. Percebi, com o tempo, que talvez eu goste tanto de Herman quanto de Sondheim e da dupla Kander & Ebb, que são meus compositores contemporâneos favoritos. Hoje tenho tudo de Jerry Herman, todos os seus shows (os fracassos e os sucessos) e posso dizer que ele nunca escreve uma canção que seja descartável. Todas são lindas. Discípulo de Irving Berlin (música e letras), Jerry Herman foi muito influenciado e muito ajudado pelo mestre que lhe deu o caminho para criar canções que sejam facilmente absorvidas por quem as ouve sem serem vulgares ou pobres. A música de Herman vai direto ao coração, assim como as geniais criações de Irving Berlin. Nenhum dos dois fez canções por fazer, canções de passagem, técnicas – todas vêm molhadas de humor ou de emoção.
Por exemplo, um show de Herman que fracassou, “Mack And Mabel”, não tem uma única canção ruim, é tudo contagiante. Os números que ele escreveu para “A Day In Hollywood” são no mínimo geniais; o score inteiro de “Mame” é de pérolas; o mesmo dá pra dizer de “Milk and Honey”, “Parade”, entre outros. E “Hello, Dolly” dispensa qualquer apresentação, mesmo que a canção título tenha sido considerada um plágio de uma antiga gravação de Frank Sinatra, plágio esse que Herman acabou tendo que negociar e pagou um milhão de dólares para que o caso fosse “arquivado”, ou algo assim. Não sei os detalhes disso e nem interessa no momento.
Além dos discos com os elencos originais, comecei a curtir Jerry Herman mais ainda quando comprei o CD de Jerry´s Girls, uma revista com as canções dele de diversas fontes. E também o CD em que Michael Feinstein canta acompanhado pelo próprio JH ao piano, este sim um disco pra estar na primeira prateleira da estante pra sempre. Há vários tributos e noites de Gala com a música de Jerry Herman, uma delas lançada em DVD (gravado no Hollywood Bowl) que rendem momentos incríveis de muita emoção e prazer.
Bom, mas estou aqui pra falar de LA CAGE AUX FOLLES. O fato é que só consegui unir aquele som que ficou anos na minha mente a um espetáculo real, em carne e osso, quando assisti à montagem de 2003 na Broadway. E entrei em êxtase. Tinha o sensacional Gary Beach (sentado, à esquerda) no papel de Zazá, um comediante maravilhoso que quase roubava a cena como o diretor gay em “The Producers” (no filme e no teatro) e era uma superprodução, com quase 20 ‘Cagelles’ em cena, cenários enormes, uma coreografia genial de Jerry Mitchel, enfim uma montagem digna de Broadway mesmo. Foi minha primeira vez assistindo a La Cage e não ficou nada a dever ao que minha fantasia baseada nas músicas me fazia imaginar.
Já no ano passado fomos, eu e Charles, assistir à montagem que estava em cartaz em Londres, num teatro pequeno, quase fora do West End (na verdade, era uma montagem que havia se mudado de um teatro menor ainda e mais afastado). O que vimos foi uma produção muito pobre, atores dobrando papéis em cena, cenários muito caídos, figurinos próximos de um show de boate, orquestra de meia dúzia de músicos. Era uma decepção como espetáculo, mas tinha dois bons protagonistas. John Barrownman estava estreando no papel de Zazá, e ele canta muito bem. Infelizmente ele é bonito demais pro papel, é um galã no lugar errado, já que Zazá deve ser uma bicha matrona, nunca alguém que tira a camisa em cena e mostra alguns gomos no abdome. Mas enfim, a música é tão bonita que a noite foi divertida.
Quando soubemos que aquela mesma montagem iria para Broadway em seguida, imaginamos que iriam dar um banho de loja naquilo, afinal estava muito longe do padrão Broadway de musicais.
Bem, o que vimos agora na Broadway é exatamente a mesma produção. Tudo igual, mas tudo restaurado, melhorado, mais limpo e bem acabado. Continuo achando uma produção acanhada para um ingresso de 120 dólares, já que a orquestra não tem cordas, há apenas seis bailarinos no coro e os cenários são os mesmos de Londres, ou seja, pobres. Mas o que faz você esquecer tudo isso é que, liderando o elenco, estão dois atores dos mais talentosos que já vi num palco de teatro musical até hoje.
Começando pelo George de Kelsey Grammer (dir.) famoso pela série “Frasier” na televisão: o cara é o melhor George que eu já vi. Um papel ingrato, que sempre acaba ofuscado pelo travesti que o acompanha, costuma fazer com que os atores que o representam se sintam na obrigação de exagerar em tudo para arrancar gargalhadas da plateia. Grammer não faz nada disso. Ele está sempre cedendo lugar ao brilho do companheiro e isso lhe confere uma classe que a gente se encanta com ele de imediato. Canta lindamente as canções do personagem que são suaves e escritas para voz de barítono que saiba se expressar sem gritos ou trejeitos. Um tiro mesmo a escolha deste ator.
Agora, não há como ficar imune a Douglas Hodge como Zazá (Albin, quando vestido de ‘homem’). Ele tira a gente do sério. Não provoca riso, provoca uma convulsão na plateia.
Geralmente sou impaciente com atores que gesticulam muito e que fazem muitos movimentos em cena, me dá a impressão de que querem chamar mais atenção que o que estão dizendo. Hodge (esq.) faz tudo isso, ele não pára um único segundo, parece que está com alguma espécie de sarna porque se coça e se contorce o tempo todo, mas faz tão bem e com tanta convicção que o resultado é difícil de descrever: é preciso assistir mesmo! Não é uma grande voz no sentido dado por George Hearn ao papel inicialmente, mas quem precisa de mais voz quando aquela que está ali é absolutamente crível, afinada, concentrada, e dá tanta humanidade ao papel? Acrescento ainda o despudor com que Hodge se despe em cena, mostrando que é um travesti de meia idade (embora o ator aparente menos de 40 anos), decadente sim, maluco sim, mas generoso e doce. Zazá não tem maldade, o musical é sobre isso: um travesti aparentemente desmiolado e que vive num mundo de fantasia, que se transforma num herói numa noite que tinha tudo para ser um desastre. Douglas Hodge faz de Zazá o momento mais brilhante desta temporada na Broadway, e não é nenhuma surpresa que ele tenha acabado de ganhar o Tony de Melhor ator pelo papel. Sean Hayes, outro ponto alto da temporada com sua atuação em “Promises, Promises”, acabou perdendo o prêmio para outro comediante gay com atuação exemplar. Os espetáculos em geral não estão muito brilhantes neste ano, mas essas atuações masculinas valem a viagem.
“La Cage Aux Folles é – e sempre foi – uma peça séria. A comédia de Jean Poiret sempre foi encenada no mundo todo como um libelo contra a hipocrisia e um tapa na cara dos ‘bons costumes’ burgueses”
Acho que vale ainda dizer que LA CAGE AUX FOLLES é – e sempre foi – uma peça séria. A comédia de Jean Poiret sempre foi encenada no mundo todo como um libelo contra a hipocrisia e um tapa na cara dos “bons costumes” burgueses, especialmente nos anos 70/80, quando a peça foi levada à cena inicialmente, um momento em que pouco se falava sobre liberação homossexual e o assunto era tratado de maneira muito envergonhada no teatro. Colocar um casal gay em cena, sendo um dos cônjuges um travesti, era uma atitude de vanguarda e, embora cheia de piadas e muito engraçada, a peça não deixava nunca de dar seu recado contundente e debochar com muita ironia dos preconceitos de então. O filme com Ugo Tognazi e Michel Serrault é obra prima, comédia sim, mas totalmente política e explicitamente liberal, tendo sido proibido em muitos países (em quase toda a América Latina inclusive) quando foi lançado.
Infelizmente, a peça foi montada no Brasil com um cunho machista inaceitável. Ficou anos em cartaz com o grande Jorge Dória (um dos melhores comediantes que já vi em cena até hoje) no papel de George e Carvalhinho (outro gênio da comédia) como Zazá. Eram dois atores incríveis, mas uma montagem que ridicularizava o relacionamento do casal, colocava tudo na base do deboche e com aquele viés para a chanchada que infelizmente tanto fez e ainda faz a felicidade de um certo tipo de plateia.
LA CAGE AUX FOLLES, o musical, é uma comédia tão séria quanto a peça. As canções são super engraçadas quando têm de ser, mas muito emocionantes quando tratam do que é o tema central da peça, ou seja, o respeito à liberdade do próximo. Não é um show de escracho, é uma comédia de situação milietricamente construída para que os personagens se apresentem, se engalfinhem e acabem se entrelaçando num final patético, mas feliz. Todas as montagens a que assisti fora do Brasil, desde a de 2004 até a atual, todas sem exceção não fazem concessão à piada fácil ou ao deboche com os gays. Você sai do teatro amando a Zazá, nunca rindo dela. Isso é fundamental.
Se você tiver a oportunidade de estar em Nova York nos próximos meses (não há data para o final da temporada), não pense duas vezes: vá assistir a LA CAGE AUX FOLLES. É imperdível!
Claudio Botelho
Créditos das Fotos:
* Broadway.com
* Playbill.com
* The New York Times
* Theatermania.com
* Lacage.com
A Encantadora Renata!
junho 12, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Renata Ricci fala sobre seu trabalho como a June de ‘Gypsy’, que mistura superação, entrega e alegria
Mal conquistou o papel de June no musical ‘Gypsy’, de Möeller & Botelho, no final de 2009, a atriz, cantora e bailarina Renata Ricci passou por uma verdadeira prova de resistência e superação: quebrou o pé, o que prejudicaria muito sua performance, afinal precisava sapatear e dançar em cena. Quando começaram os ensaios, ela teve uma traqueíte que a obrigou a ficar quatro semanas sem cantar. Mesmo com tantos obstáculos, Renata hoje pode dizer que superou os problemas e está muito feliz e realizada com sua atuação no espetáculo.
Taurina e auto definindo-se como uma pessoa de emoções (ela até chorou durante a entrevista ao lembrar do irmão que faleceu em um acidente há cinco anos), Renata Ricci prepara-se agora para levar ‘Gypsy’ para sua cidade natal, São Paulo, mantendo, porém, o desejo de morar no Rio de Janeiro.
Conversamos com Renata em seu camarim, enquanto ela orientava Thayani Campos e Raquel Bonfante a pintar quadrinhos coloridos (todas as meninas do elenco querem pintar com ela).
No nosso bate-papo, ela fala não só sobre June, mas também sobre o processo de direção de Charles Möeller & Claudio Botelho, da experiência de ter feito ‘Avenida Q’ e ‘Sweet Charity’, de como se prepara vocalmente para ‘Gypsy’ e da relação com os fãs de musical, entre outros temas.
Com vocês… a encantadooooooooooora Renata Ricci!!!!
Como está sendo para você a experiência de participar de ‘Gypsy’?
Independente de ser uma peça de Charles & Claudio, de todas as peças que já fiz em minha carreira esta é a que estou tendo mais chance de mostrar meu trabalho. As outras eram participações muito bacanas, não tenho o que reclamar, mas agora estou fazendo um papel que dá um foco maior no meu trabalho. Então existe não só a maravilha disso, mas também a dificuldade. A entrega tem que ser muito maior. Eu brinco que fui abduzida. É quase esta a sensação. Eu fui puxada para o mundo ‘Gypsy’. Há atores que não são assim. Eu preciso desse tipo de dedicação. Preciso estar 100% para não ficar doente, pra estar com a cabeça boa, afinal nós também somos seres humanos. O meu maior desafio tem sido estar sempre 100% no palco, independentemente do que esteja acontecendo na minha vida pessoal. Eu chego no teatro e tenho que me zerar, para me entregar completamente. Mas estou adorando essa experiência de participar de ‘Gypsy’. Estou muito feliz!
Em ‘Gypsy’ você atua, dança e canta. Como você se preparou para esse espetáculo? Assim como o André Torquato, você também não sabia sapatear antes do musical, não é?
Foi muito engraçado na hora do teste. Eles pediram: ‘quem sabe sapatear vem pra esse lado e quem não sabe vai para aquele’. Eu, que só tinha feito umas cinco aulinhas de sapateado, fui para o lado das que não sabiam. Ficaram umas 10 meninas do lado que não sabiam e umas 40 do outro lado. Quando o Flávio Salles começou a passar a sequência, as pessoas iam tentando sapatear e não conseguiam, e acabaram mudando de lado (risos). Eu realmente nunca havia sapateado, só tinha feito essas cinco aulinhas. O sonho da minha avó era que eu sapateasse. Mas a minha maior dificuldade foi que eu quebrei o pé. Tive uma fratura no metatarso por stress e decorrente de todo o trabalho de ‘Avenida Q’, onde eu passava o tempo todo de tênis All Star. Então enquanto o André Torquato, a Adriana Garambone e os outros já estavam tendo workshop de sapateado, eu não podia fazer. A minha entrega ao musical começou aí. Eu quebrei o pé um dia antes da primeira reunião do elenco e fui assim mesmo. Achei que era só uma torção. Mas quando fiz o exame e soube que tinha fraturado, chorei muito. Ali começou um tratamento muito sério. Eu não podia encostar o pé no chão. O médico disse que se eu não fizesse o tratamento direitinho, teria que operar. No dia que o médico disse que estava ok, mas que eu não poderia usar salto eu fiquei tranqüila, porque em ‘Gypsy’ eu não preciso usar salto para dançar. Cheguei até a ir em Aparecida do Norte para agradecer! Então aprendi a sapatear já nos ensaios e fazendo a peça, não fiz workshop.
Então esse trabalho foi uma superação para você…
Esse musical tá sendo uma superação a cada dia. Não foi só a questão do meu pé. Quando começou o ensaio, houve uma mudança total na minha vida. Eu estava vindo pro Rio, mudando tudo e acabei tendo uma traqueíte (inflamação da traquéia) alérgica e tive que ficar sem cantar. São oito semanas de ensaio. Eu fiquei no mínimo quatro semanas sem poder cantar. Foi um pânico, mas foi uma coisa de trabalhar muito a cabeça para não perder o controle. Nessa hora foi muito bom não estar sozinha, estar com a Vivi (Viviane Rojas) e o André (Torquato) em casa (eles dividem o apartamento no Rio). Meus pais me deram a maior força lá de São Paulo também. Eu sentia muito sono nos ensaios, pois o remédio me deixava quase que dopada. Tinha que pedir desculpas pro Flávio (Salles). Foi sofrido, mas acredito que desta forma, quando a gente consegue vencer, a realização, o prazer e a felicidade são bem maiores. A cada dia estou descobrindo novas maneiras de cantar, até porque perdi o tempinho de descobrir isso, que todo mundo teve. Então tive que usar um pouco na própria temporada para ‘ganhar’ mais e felizmente continuo ‘ganhando’ todos os dias. Claro, são coisas muito singelas. Não podemos passar por cima do que o diretor queria. Mas a temporada faz a gente ganhar muito sim.
“O Charles trabalha com elogio, ao contrário de vários diretores que trabalham detonando as pessoas. Ele não tira o seu chão, ele te dá apoio para você ir melhorando”.
Por falar no ‘diretor’ (Charles Möeller), como foi o trabalho com ele?
Não dá pra falar só em ‘Gypsy’ porque é o estilo Charles Möeller e Claudio Botelho. O que funciona muito é que eles são de uma educação ímpar! Eu confio muito neles. O Charles trabalha muito com elogio, ao contrário de vários diretores que trabalham detonando as pessoas. Ele não tira o seu chão, ele te dá apoio para você ir melhorando. Ele não tira a sua confiança. Então eu me jogo de cabeça em tudo o que ele fala, sem desconfiança ou dúvida alguma. E o Claudio é uma das pessoas mais engraçadas que conheço. Ele tem um humor inteligente… o trabalho fica leve. Nunca presenciei um ensaio deles pesado. Mesmo que haja muitos problemas, é sempre muito leve e positivo. A gente se sente muito acolhido. Um exemplo foi quando fiquei doente. Eles diziam: “A gente precisa de você. Vamos ficar bem”. Não era uma reprovação, era me dar força, me ajudar. Foi maravilhoso da parte deles.
Vamos falar um pouco sobre sua personagem, a Encantadora June. Como você a trabalhou e como você pensa ela?
A June é a mais esperta das duas irmãs. Ela é vista um pouco como a vilã da história, que humilha a irmã, que está sempre bem… mas na verdade ela não é a vilã. É a mais esperta e não queria aquilo. Ela teve a coragem que a Louise demorou a ter. Ela era realista. Sabia que se não saísse dali não iria conseguir nada. E o engraçado é que a verdadeira June viveu até os 97 anos. Ela era uma velhinha muito feliz, muito alegre e viveu feliz até os 97 anos, enquanto que a mãe e a irmã morreram bem antes, de câncer. Ela conseguiu se livrar e fez a escolha dela, que era viver. As duas estavam infelizes e as duas queriam ser amadas pela mãe. A June se sentia usada e a Louise se sentia rejeitada. Mas no fundo, as duas só queriam ser amadas. Eu acho linda a cena das duas irmãs, só de pensar nessa relação… (Nesse ponto da entrevista Renata se emociona e chora, sendo confortada por sua colega de camarim, Patricia Bueno). Eu perdi meu irmão, então essa relação de irmãos é uma das coisas mais lindas da vida. A minha maior preocupação com a June é mostrar que ela é humana. Ela tem os seus defeitos, mas ela ama aquela irmã. Ela gosta de estar no palco, mas para ela o principal é a necessidade de amor, como todos os seres humanos.
E o relacionamento da June com o Tulsa, que pega muita gente de surpresa quando é anunciada a fuga deles?
Quem assiste várias vezes percebe que há momentos de pequenos carinhos entre os dois. No Hotel, por exemplo, eu dou comida pra ele. São pequenas coisas, pois não podemos chamar muito a atenção. É um carinho um no outro… É muito sutil, mas tem.
Você está tendo aulas com o cantor e ator Danilo Timm (do elenco de ‘O Despertar da Primavera’). Como está sendo esse trabalho com ele?
Na época dos ensaios eu não estava conseguindo fazer aulas por causa da traqueíte. Agora estou fazendo aula uma vez por semana com o Dan. Já fiz aula com professores maravilhosos, mas o Dan, mesmo sendo muito novo, é um dos professores mais experientes que já tive. Ele trabalha bem a voz para musical. Pra cada trabalho você tem que adequar de um jeito. O Dan tinha me passado umas coisas em aula e mudou depois que ele viu ‘Gypsy’. Ele disse: ‘Esquece. Não é aquilo que você tem que fazer. Você tá dançando muito e se fizer daquele jeito, vai faltar ar’. Ele dialoga junto com o seu trabalho. A aula de canto é viva, não pode ser hipotética. Então eu to fazendo nesse momento uma aula de canto mais voltada pra ‘Gypsy’.
Você canta na verdade três músicas (a ‘Vaquinha’, ‘Broadway’ e o dueto) e trabalha com vozes diferentes. Como é isso?
Sim, essa é a maior dificuldade, pois o Claudio pediu para eu cantar bem infantilizada, fingindo ter nove anos. É uma voz caricata. Depois ela volta em ‘Broadway’ um pouco mais glamourizada e depois tem a própria June cantando, no dueto. São três músicas diferentes na maneira de cantar. Pra cada uma tem que adequar a voz de um jeito. Assim como a Louise tem a passagem de menina para a stripper, pra mim tem a passagem da pessoa no palco que canta de forma caricata para a pessoa de verdade cantando. Adoro a virada da June, quando ela pega aquele cigarro…
Gypsy é o seu terceiro trabalho com Möeller & Botelho. Vamos lembrar um pouco de ‘Avenida Q’ e ‘Sweet Charity’…
Para o ‘Avenida Q’ eu fui convidada em uma situação muito especial. Eu estava namorando o Fred Silveira, que já havia sido convidado para o musical. Uma noite, eu ia numa festa, mas recebi uma notícia muito ruim. Desisti de ir na festa e eu e Fred resolvemos jantar fora. Ele errou o caminho do restaurante e fomos parar em outro, que não conhecíamos. Quando entramos no restaurante demos de cara com Charles e Tininha (Tina Salles). O Claudio não estava. Eu falei com eles, nos abraçamos e fui sentar na minha mesa. Aí a Tininha foi até lá e me disse “Fofis, a gente não encontrou a Ursinha do Mal para o Avenida Q. Acho que estávamos esperando você!” Eu comecei a chorar no meio do restaurante (risos).
No ‘Avenida Q’ eu fazia a Ursinha do Mal, a Dona Coisa Ruim, pegava em todos os personagens e cantava em todos os coros. Foi a peça mais ‘física’ que fiz. Eu saía pingando do espetáculo. Enquanto que no ‘Gypsy’ é um trabalho mais de atriz e emocional, em ‘Avenida Q’ era físico. Doía muito, tivemos que ensaiar com bonecos que tinham outro peso, pois os verdadeiros ficaram presos na alfândega. Teve um processo complicado. Aí de novo a importância do clima que eles deixavam, do elenco estar unido. Foi um trabalho muito especial.
Já no Sweet Charity eu enviei meu material e eles não receberam. Eu não ia conseguir fazer a audição. Comecei a ligar para Deus e o mundo. Dizia: “Eu só quero fazer a audição”. Consegui fazer depois de muita luta. Fui a última. Acabei pasando. Acho essa história muito interessante.
O que você acha de fazer parte desse meio tão pequeno e até fechado do teatro musical no Brasil?
Eu gosto, mas já fiz três novelas e adoro fazer televisão também. Eu cresci vendo os musicais na TV, os clássicos, então nunca tive o preconceito que muita gente da classe tem com o musical. Eu sempre fui bailarina e muita gente via com preconceito eu querer fazer teatro e TV. E tanto a TV como o musical são meios que dão mais garantias ao ator. Dão um salário direito, horas de trabalho. É aonde você consegue se estabilizar melhor. As pessoas se sentem respeitadas fazendo. O teatro musical é arte, não é só entretenimento e marketing como muitos dizem. Eu pude criar a minha June, dialogando com o Charles. Não foi cópia de ninguém. Shakespeare só é montado até hoje porque as pessoas não copiam. Às vezes se acerta e às vezes se erra, mas se cria. É arte. E o teatro musical do jeito que a gente tá fazendo é arte. O musical está muito forte e tem público. ‘Gypsy’ está com casa lotada todos os dias. Não é maneira de falar. É casa cheia mesmo e isso é muito gostoso, muito gratificante.
“Somos seres-humanos, que podem errar de vez em quando. Eu tento não me cobrar como se fosse uma máquina, exatamente por admitir que sou humana, que eu faço arte. Porque senão eu não seria uma artista e sim um computador”.
Você é bem antenada nas novas tecnologias. Está no Twitter, Facebook… Tem um diálogo direto com os fãs. Como você lida com os fãs de musical?
Eu tenho muito carinho pelos meus fãs e pelos fãs de musical. Eu estou disposta a dar carinho pra todo mundo. Se a pessoa me dá carinho, vai receber também. Eu gosto de olhar no olho dos fãs, eu sei o nome das pessoas… E a gente aprende a lidar até com o lado negativo. A gente sabe o que é falado por fora. Eles acham que nunca chega na gente, mas chega. Até os fãs radicais têm um lado bom ao sabermos que eles amam aquilo que a gente tá fazendo. Eu admiro porque eles amam a mesma coisa que eu amo. Claro, tem muita paixão envolvida e eles não podem esquecer que nós não somos máquinas. Somos seres-humanos, que podem errar de vez em quando. Pra mim o grande barato da atuação é a celebração da vida. Por mais que eu entregue 100%, eu tento não me cobrar de maneira como se eu fosse uma máquina, exatamente por admitir que sou humana, que eu faço arte. Porque senão eu não seria uma artista e sim um computador que reproduz todo dia a mesma coisa. Pra fazer arte temos que partir do princípio de que estamos falando com iguais.
Veja mais fotos de Renata Ricci em ‘Gypsy’:
Fotos: Leo Ladeira. © Copy Right: Blog Gypsy – O Musical / Site Möeller Botelho.
American Idiot: Ópera Punk Rock Anárquica e Contestadora. Por Charles Möeller
junho 11, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Os diretores Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento
‘American Idiot’ é um espetáculo baseado num disco conceitual da banda de punk rock americana Green Day, lançado em 2004, de enorme sucesso e prestígio, considerado como um dos melhores discos de punk rock de todos os tempos.
Ele é muito similar em termos de estrutura com outros álbuns como The Wall, do Pink Floyd, e Tommy do The Who, ou seja, uma ópera rock. E como aconteceu com Tommy era quase inevitável sua adaptação para musical e para o cinema – Já dizem que Tom Hanks adquiriu os direitos e estaria interessado em levá-lo pro cinema.
Além de músicas do álbum “American Idiot”, o musical acrescentou algumas canções do disco “21st Century Breakdown” (2009) e uma inédita. O espetáculo é basicamente o disco em cena. Obviamente se expande o conceito do álbum por meio de cenas curtas e poucos diálogos costurados durante uma hora e meia sem intervalo.
Com base no universo niilista do punk, o musical propõe um painel de um tipo de juventude atual através de seus protagonistas e não tem como falar da montagem sem entrar na sua rebuscada história. Então pra quem não viu e quer surpresa pule esse parágrafo (spoilers): Johnny, Will e Tunny, três jovens de classe média americana de vinte e poucos anos, inconformados com a vida medíocre do subúrbio planejam fugir pra cidade grande acreditando que suas frustrações e anseios sejam aplacados. Na véspera da viagem, Will descobre que sua namorada está grávida e resolve ficar. Johnny e Tunny vão para a cidade. Enquanto Johnny ama tudo que vê e se deslumbra com a possibilidade de um novo mundo, Tunny não se enquadra na vida da grande metrópole e se alista no exército. Johnny, frustrado com o abandono de seus amigos e com sua incapacidade pessoal de se conectar com o mundo, cai nas drogas e acaba criando um alterego: poderoso, descolado, urbano, um ícone punk. No subúrbio, a vida de Will caminha a passos lentos, se tornando apática e sem sentido. Ele fica inerte com sua total incapacidade em assumir a paternidade e passa os dias no sofá alcoolizado! Tunny é enviado para guerra, é ferido a tiros e acaba perdendo uma perna. Johnny vai ao fundo do poço com a heroína e, sem amigos e sem ninguém, é obrigado a reconhecer que sua vida tem sido um nada. Volta pro subúrbio e reencontra Will já separado e Tunny recém chegado do Iraque. Os três unidos novamente com destinos opostos, mas com muito em comum: suas escolhas erradas, suas frustrações e suas perdas! Anti-heróis americanos.
O show tem uma equipe de criação parecidíssima com o ‘Spring Awekening’: produção de Tom Hulce, direção de Michael Mayer, luz de Kevin Adams e cenário de Christine Jones. Eles se juntaram novamente para abordar o mesmo tema recorrente da peça anterior: O rock como uma manifesto anárquico e contestador. E com o mesmo protagonista: John Gallagher Jr.
Me parece até coerente a escolha dele, pro papel de Johnny, pois Moritz (de Wedekind) é considerado por muitos um personagem ícone e precursor do movimento punk. E nada mais natural que o espetáculo seguinte desse time fosse uma ópera punk rock. E assim como Dunkan Sheik emprestava uma sonoridade indie aos musicais da Broadway, o Green Day faz o mesmo com o punk rock. Não sei se intencionalmente ou por falta de repertório, mas John Gallagher Jr. (à direita) parece representar o Moritz novamente! Não consegui olhar pra ele sem achar que era um continuação de com tudo que eu já havia visto dele.
Com a banda em cena e com todos os atores tocando instrumentos, o elenco se mostra totalmente entregue. Com garra e juventude, defendem ‘American Idiot’ com o mesmo entusiasmo que vi o elenco de estreia do ‘Spring’ e isso é muito cativante.
O cenário único com andaimes e paredes forradas de manchetes de jornal e com dezenas de televisões espalhadas das mais diversas formas lembra muito o clima do ‘Laranja Mecânica’ de Kubrick. A integração do vídeo em cena é excelente. Eu geralmente não gosto desse artifício, mas não é gratuito em nenhum momento e até se torna um ruído interessante, pois segundo Michael Mayer, o vídeo é um personagem que funciona como uma voz interna, como um coro grego, que as vezes comenta, outras critica, outras apenas observa e contracena com os personagens. Mas principalmente nos mostra como somos uma sociedade teleguiada lobotomicamente pela televisão e ficamos cada dia mais anestesiados pela notícia e pelas televendas que nos empurram um mundo idealizado e nos fazem esquecer a miséria, a fome, o desemprego, a guerra, a violência banalizada que não nos tocam mais.
Com apuro técnico impecável, Michael Mayer consegue fazer um espetáculo conciso, direto e muitas vezes perturbador. A música, muito boa no disco, acaba perdendo um pouco na sua transposição para o palco. Mesmo tendo momentos muito emocionais e teatrais como o dueto aéreo em ‘Extraordinary Girl’, a impressão que eu fiquei foi que todas as baladas são parecidas e todas as canções de punk rock resultam iguais na encenação como na coreografia! E sobre interpretação dos atores realmente me incomoda um novo jeito cool de interpretar e cantar onde as palavras perdem a importância e temos a impressão de não ver um personagem e sim o aproveitamento de uma personalidade. Musicalmente é mais uma experiência sensitiva como num show, com tudo e todos equalizados na mesma forma e com a mesma importância. Falta um pouco de dinâmica para meus ouvidos mais conservadores: ou gritam ou fazem pianíssimo.
Acho que o texto de Billie Joe Armstrong & Michael Mayer é um pouco precipitado demais e superficial. Às vezes me parece forçada a entrada da canção e a opção por diálogos ligeiros. Cenas curtas acabam resultando em personagens monocromáticos e caricaturas. E não é como no quadrinho que a imagem conta mais que a s palavras. Me parece uma opção mesmo que seja dessa forma: quase em concerto encenado.
O melhor de ‘American Idiot’ é ser mais do que um musical: é ser um evento! É reflexivo, atual, arrojado, lindamente produzido e defendido com toda a garra juvenil que representa uma facção grande de uma juventude niilista esquecida. É fundamental que existam shows assim pra tratar o jovem com a maior idade que ele merece!
Minhas ressalvas são totalmente pessoais, pois tenho uma certa resistência com essa linguagem híbrida entre o show de rock e o teatro. Era isso o que mais me incomodava no ‘Spring Awekening’ – só me interessei em montar quando pude ter liberdade de criação. Mas é inegável que ‘American Idiot’ é muito bom.
Charles Möeller
* Crédito das Fotos:
Paul Kolnik (www.americanidiotonbroadway.com)
Vídeo: Gypsy – Cenário e Palco
junho 10, 2010 by Site Möeller & Botelho
Filed under Gypsy, Vídeos
Veja neste vídeo o trabalho do cenógrafo Rogerio Falcão e do diretor de palco Tuto Gonçalves no musical ‘Gypsy‘, de Möeller & Botelho.
Vídeo: Evoé Produções.
‘Promises, Promises’: Deliciosa Comédia de Situações com Clima Vintage. Por Charles Möeller.
junho 8, 2010 by Site Möeller & Botelho
Filed under Críticas, Site
Os diretores Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento
Estava muito ansioso pra ver a primeira remontagem de “Promises, Promises” (o original é dos anos 60), pois tem um time de criadores de peso! O texto é de um dos maiores comediógrafos de todos os tempos, Neil Simon, baseado no Filme “O Apartamento”, de Billy Wider, com músicas de Burt Bacharach e Hal David. Direção e coreografia do tarimbado Rob Ashford e, ainda pra reforçar, Sean Hayes e Kristin Chenoweth como protagonistas! Claro que foi essa peça que eu escolhi pra ser a primeira da maratona!
Já entramos no clima no overture, com bailarinos dançando todos os temas! A peça se passa em 1962 e tem aquele clima vintage que sempre acaba rondando as remontagens de musicais dessa época. O cenário: o bom e velho ambiente de escritório. Os americanos adoram enredos que envolvem personagens de grandes escritórios, há dezenas de musicais, filmes, séries de TV, todos ambientados e à volta de situações de secretárias, chefes, datilógrafas, telefonistas, até mesmo ascensoristas de grandes corporações.
‘Promises, Promises’ é prima-irmã de “How to Succeed in Business Without Really Trying”, outra obra prima de musical da época! Nada mais machista e sexista que o ambiente de um escritório americano em plenos anos 60, com suas secretárias carreiristas e seus patrões chauvinistas! Ainda não se vivia sob a sombra do politicamente correto e os processos por assédio sexual não eram sequer imaginados!
O tal ‘apartamento’ do titulo original do filme pertence a um novo funcionário da Consolidated Life, Chuck Baster, vivido por Sean Hayes. Por ele morar só, acaba emprestando o imóvel para um colega de trabalho ter um encontro às escondidas com uma colega. A partir daí a notícia da ‘locação’ se espalha e o apartamento se torna um cafofo para encontros amorosos de seus colegas de repartição: todos querem ter um lugar para levarem suas amantes de fino trato, em geral secretárias da empresa. O tal apartamento vira um point e acaba interessando ao próprio chefe do departamento, o mega poderoso JD Sheidrake, vivido pelo altíssimo Tony Goldwyn (que fez dezenas de vilões na TV e no cinema). O chefe deseja ter um lugar privado para levar sua amante Fran Kulelik (Kristin Chenoweth), ironicamente a moça por quem Chuck nutre um amor platônico. Começa aí uma deliciosa comédia de situações, onde Neil Simon é mestre. Sempre impagável!
Produção caprichada, com reconstituição de época detalhada, luz linda, cenários deslumbrantes e figurino impecável. Ótimas coreografias com destaque absoluto para o trio em ‘Turkey Lukey Time’. E o elenco afiadíssimo faz de ‘Promises. Promises’ um programa imperdível!
Mas tudo isso não seria completo sem a cereja do bolo: o talentoso Sean Hayes (dir.). Pra quem não liga o nome à pessoa era o amigo gay afetado de Will na serie “Will & Grace”. Hayes está, inacreditavelmente, estreando na Broadway. A peça é dele! Tem um tempo de comédia ímpar e preciso, e não faz conceção à piada, consegue fazer todas as gags com uma incrível naturalidade. Lembra muito o jovem Jerry Lewis (que ele já retratou em um filme feito para a TV).
A cena em que ele tenta entender e depois se sentar numa ‘la chaise’, (aquela cadeira esquisita de acrílico branco que tem um furo no meio, criada por Charles & Ray Eames e que foi febre de design nos anos 50), já vale o ingresso!
Sou fã de Kristin Chenoweth há muitos anos! A primeira vez que a vi foi fazendo Sally em ‘You´re a Good Man, Charlie Brown’, musical que lhe rendeu o Tony e todos os prêmios daquele ano. Mas virei fã incondicional mesmo quando a vi fazendo ‘Candide’: sua Cunegonde era hilária e hipnotizante. Ela dividia as atenções em cena com ninguém menos que Patti LuPone, no papel da Velha Senhora. A partir daí venho acompanhando de perto seus sucessos, sendo o mais cultuado de todos o personagem Glinda no musical mega ‘popular’ (desculpem o trocadilho) ‘Wicked’.
Na TV tem feito muitas coisas e chegou a ter um show com seu nome: “Kristin”. Ganhou um Emmy por “Pushing Daises”, mas ambos os projetos não foram muito longe. Participou do elenco de Vila Sésamo e atualmente está no elenco do fenômeno ‘Glee’. É uma comediante de mão cheia e uma atriz de voz característica. Adoro esse tipo de voz, muitas vezes rejeitado no Brasil, pois nós brasileiros amamos mesmo as mezzo-sopranos de voz ‘gorda’ ou sopranos dramáticas. Acredito que seja algo cultural, já que nossa MPB recente é, em sua quase totalidade, um enxame de vozes graves. Voz característica, tão normal e apreciada no musical americano, ganha entre nós o apelido de “voz de pato”! Há dezenas de papeis em musicais para essa cor vocal e muitos são de protagonistas. Exemplos de grandes nomes que levaram multidões aos teatros não faltam, sendo talvez a mais cultuada de todas a grande Shirley Booth, que nos anos 50/60 foi uma estrela na Broadway e arrebatava multidões aos musicais que estrelava. Bernadette Peters e Faith Prince são outras estrelas atuais com registros vocais similares. Particularmente, adoro. Não sou exatamente um fã incondicional das atrizes que gritam seus pulmões como leitoas sendo assassinadas no Natal, mas sei que o público jovem em geral as ama.
Mas digo tudo isso para arrematar dizendo que fiquei decepcionado com Kristin em ‘Promises, Promises’. Esse show realmente não é para ela. Está apagada no papel da mocinha, e a apesar de haverem incluído no score duas canções famosíssimas de Burt Bacharach que não faziam parte do espetáculo original (“ I Say a little Prayer “ e “ A House is not a Home”) que são solos para ela, Kristin tem pouco a fazer no papel da amante do Patrão.
Mesmo assim ela ainda é uma delícia em cena, especialmente cantando (em duo com Hayes) o mega hit “ I’ll Never Fall in Love Again” (este sim, escrito originalmente para o musical) no sofá com um violão, num momento totalmente bossa nova.
Acho que o grande problema de Kristin ultimamente é sua aparência: ela tem apenas 42 anos e parece ser tão dependente do botox que está quase se transformando numa boneca de borracha. Muito magra, parece anoréxica, e se não fosse a peruca, a gente mal sabe se ela está de frente e ou de lado. E seu bronzeamento artificial lhe dá um tom Malibu meio alaranjado, quase cor de tijolo, tá estranho! Realmente é complicado envelhecer dentro desta indústria. Espero que ela não se afunde nessa loucura de retocamentos infindáveis, pois é genial e quero poder vê-la muitas vezes ainda sem ter a impressão de que estou vendo um duende. Por uma louca coincidência, no dia em que assistimos ao espetáculo estava sentada perto de nós a própria Bernadette Peters, que citei há pouco. Tão baixinha quanto Kristin e bem mais velha, mas ao que parece levando a idade com mais dignidade e sabedoria.
Pra concluir, quem rouba a peça de Kristin é Katie Finneran, num papel episódico no segundo ato, mas transforma sua entrada em momentos hilariantes e espetaculares. Com uma voz poderosa, faz uma bêbada com seu casaco de pena de coruja antológica. Realmente a mulher é um monstro de talento, e os melhores momentos da peça são dela e de Sean Hayes. Ambos estão indicados ao Tony em suas categorias, além de vários outros prêmios da temporada.
‘Promises, Promises’ cumpre o que promete: é um musical super divertido, adorável de ver, e traz de volta aos palcos um score sensacional de Burt Bacharach, o único que ele escreveu para um musical da Broadway.
Charles Möeller
Créditos das Fotos:
* http://promisespromisesbroadway.com
* Sara Krulwich/The New York Times
* Playbill.com
Charles Möeller: Mais um Musical da Broadway!
junho 5, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Quem nos acompanha já sabe que sempre viajamos pra Nova York e Londres todos os anos pra assistir o que esta acontecendo no mundo dos musicais! E nos últimos anos temos publicado nossas impressões no Site M&B! Resolvi abrir meu diário de bordo desse ano de uma maneira diferente. Antes de falar de um espetáculo em si, queria abordar uma questão com a qual sempre me esbarro nos últimos anos: A generalização da expressão “musical da Broadway!”
Em todos as maiores cidades do mundo se montam musicais: Do Japão aos antigos países da cortina de ferro. De Berlim a Buenos Aires, o gênero é cultuado e incorporado independentemente da cultura local, ou, às vezes, com adaptações à cultura local! Em quase toda grande metrópole há musicais autorais, réplicas, musicais originários da Broadway, de West End ou criações locais! O gênero atrai milhões de pessoas, movimenta o turismo mundial e uma quantidade de dinheiro e empregos incalculáveis, e é um fenômeno que existe enquanto forma teatral há quase um século e meio.
Considera-se que a primeira peça teatral adaptada ao moderno conceito de musical foi “The Black Crook” – de Charles M. Barras e Giuseppe Operti, de 1866. A partir de 1890 batizou-se de “comédia musical” o que acontecia dentro dos teatros da “Broadway“. Portanto, não estamos diante de um minuano, mas falando de um ancião com muito fôlego! Sua longevidade e sua força vêm especialmente de sua capacidade de transformação, renovação, reinvenção e até auto-negação! Como, aliás, o teatro em si em todos os seus diversos gêneros e vertentes.
Escrevo esse preâmbulo para esclarecer o quanto ainda me incomoda a classificação genérica que trata um musical da Broadway como um gênero, e não como um espetáculo que teve origem naquele centro de entretenimento.
A Broadway não é um estilo de teatro musical e muito menos um conceito estético; menos ainda uma classificação como estrelas em hotéis e restaurantes. Um musical não é um genérico que brota de outro, e de mais outro, e de mais outro. O Musical Americano, como, aliás, o teatro mundial em si, vertente e sub-vertentes, idiomas distintos e identidades diversas.
Não devemos olhar para uma forma de arte que já passa dos cem anos de vida e de descobertas e tentar reduzi-la a um homem de brilhantina e máscara correndo atrás da mocinha com um barquinho e velas. Estou há bastante tempo próximo desse negócio por paixão e por vocação, mas ainda continuo descobrindo o novo a cada nova temporada, e ainda me encanto com a diversidade e a complexidade do que se habituou chamar de “musical da Broadway”.
Uma mãe bipolar que toma eletro-choques não se parece em nada com a bruxa verde tentando ser popular, ambas estão a anos-luz de distância de um multi-instrumentista nigeriano pioneiro da música afrobeat, ativista político e dos direitos humanos! O que todos eles têm em comum? Apenas são fenômenos de bilheteria num certo lugar em Nova York que prima, quase sempre, pela excelência de produção e cuidado no que é apresentado ao público. De resto, são tão diferentes quanto os peixes e os elefantes que vivem no mesmo zoológico.
Os musicais da Broadway estão cheios de polaridades, identidades, auto-referencias e auto-negações. É a maior diversidade de criação teatral que tive e tenho tido a oportunidade de conhecer. Mais até do que os chamados espetáculos “sérios” que os países europeus se orgulham de ter e que, de certa forma, acabam todos reunidos no famoso saco da “vanguarda”. Mas isso é outra história.
Passado e presente coexistem na Broadway com uma infinidade de linguagens e tendências, talvez tendo em comum, ao fim de tudo, apenas o alvo de suas criações e suas constantes descobertas: o público. Encantar o público. Puro encantamento. O resto… Não sei do resto!
Charles Möeller
Claudio Botelho: “Delícia de Família Addams”
junho 1, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Direto de Nova York, Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento
Vou começar este texto lembrando a todos que não sou crítico de teatro. Vou ao teatro para ver o que pode me divertir, emocionar ou, no mínimo, me tirar de mim mesmo por umas boas duas horas… O fato de estar na profissão não me dá nenhum crédito para falar dos espetáculos alheios algo mais do que “gosto” ou “não gosto”. Isso é para os críticos.
Dito isto, vamos lá: A-DO-REI a FAMÍLIA ADDAMS, o musical!!!
Pra começar, não sou íntimo daqueles personagens, conheço o pouco que vi na televisão e nem é o tipo de seriado que eu goste, já que minha fixação são definitivamente os seriados policiais, de júri, sequestros, gente sendo assassinada, e o que mais Se puder imaginar nesta área… Portanto, ”The Addams Family” na TV nunca foi meu prato favorito.
Mas um musical é um musical. E o que mais me faz gastar 130 dólares em espetáculos da Broadway é acreditar que posso ouvir um tipo de música que me agrade, ou seja, música de teatro. E confesso que fui ver a FAMÍLIA ADDAMS cheio de medo de que eu fosse ouvir aquele tipo de canção que anda na moda na Broadway ultimamente, o tal do “indie-rock” (ou lá como se escreva isso), ou ainda o abominável “rap”, ou música que você pode perfeitamente ouvir no rádio, ou pior de todos: os imitadores de Stephen Sondheim que escrevem “música difícil” pra mostrar pra você que são ótimos alunos de harmonia de Berkeley e que assobiar uma canção no final do show é coisa pra gente decadente e pouco antenada .
Bom, mas neste caso aqui, de cara já fui surpreendido por uma música deliciosa de Andrew Lippa, autor da música e das letras, que tem pouca estrada na Broadway (fez apenas “The Wild Party” que é ótimo, e algumas canções extras em “You´re a Good Man, Charlie Brown”). As canções de “The Addams Family” são o ponto alto do espetáculo, com letras engraçadíssimas, cheias de humor negro e muito cinismo, como é de se esperar de um espetáculo baseados nestes personagens. Há muito ritmo latino nas canções, um tango sensacional no segundo ato (“Tango de Amor”), que é um número onde Morticia e Gomez dançam depois de cantarem, e que proporciona em seguida uma das melhores coreografias do espetáculo para Morticia e o coro de bailarinos. Outro número excelente é o quarteto “Let´s not Talk About Anything Else But Love”, com Gomez, Mal, Uncle Fester e a Vovó Addams, um delírio no estilo de Cole Porter (a canção é quase uma paródia de uma das “list-songs” de Porter, “Let´s Not Talk About Love”), que traz um gosto de ‘velha Broadway’ ao centro da cena, o que aliás aparece em diversos outros momentos. Virei fã de Andrew Lippa assim que baixou o pano, quero ver e ouvir tudo o que ele fizer a partir de agora, já que dificilmente consigo me interessar por compositores de teatro nos últimos tempos, pois fico sempre esperando escutar algo que só ouço mesmo nos revivals.
O espetáculo foi muito mexido desde a estreia há alguns meses fora de Nova York. Trocaram de diretor, mexeram diversas vezes no texto, mudaram músicas, foi um tipo de produção bastante traumática e cheia de problemas até chegar ao Lunt Fontanne Theatre, que é um dos maiores teatros de Nova York, e um dos mais cheios de recursos cênicos para espetáculos de grande porte. Não faço ideia do pesadelo que viveram antes da estreia, nem mesmo do que rolou por trás do pano até chegarem aqui… Mas isso também não interessa, pois estou assistindo ao que está na minha frente, e não o que não chegou a nós na plateia. Deste modo, o cenário é bastante complexo, grandioso, talvez um pouco monumental demais, mas não deixa de ser bonito e gótico na medida certa. Os figurinos são lindos e as caracterizações são coisa de cinema: você está vendo o que viu na TV em preto e branco, sem tirar nem pôr. A luz é o padrão Broadway, ou seja, dificilmente você vai ver uma iluminação ruim ou mal feita num espetáculo que chegou a estrear ali. O mínimo de garantia é sempre ver um espetáculo bem iluminado, mesmo quando a proposta é trabalhar com muita escuridão e sombras, como é o caso de “Addams Family”.
O elenco é um caso à parte. Kevin Chamberlin como Uncle Fester é um ladrão de cenas, no melhor sentido da palavra. Super protegido pela adaptação, o personagem ganha número fantástico no segundo ato, algo entre entre o lírico e o grotesco, onde Fester dança com a Lua, sua namorada. Jackie Hoffman, que faz a Vovó Adams, é outro acerto: fala pouco, tem apenas alguns trechos em canções, mas é hilariante e tem as tiradas mais ferinas da peça. Uma delícia de composição!
Mas o casal de protagonistas é mesmo o destaque absoluto. Primeiro, Bebe Newirth, uma estrela da Broadway, como Morticia. Ela é o personagem, com sua voz rouca e sensual, sempre parecendo de mau humor, com um charme incrível, e num papel que inclusive nem é à altura da sua carreira e do seu talento.
Contudo, a noite e o espetáculo são de Nathan Lane. Sou suspeito pra falar dele, pois sou mais que fã: sou obcecado por Nathan Lane. Desde que o vi num palco pela primeira vez fazendo “Guys & Dolls” em 1996”, tornei-me um seguidor de Lane, não deixei de ve-lo em nenhum espetáculo em todos estes anos. De lá pra cá ele se tornou top billing absoluto, ou seja, um nome que sempre vem antes do título. Isto é para poucos no teatro, e Lane nem fez a habitual passagem para Hollywood (fez poucos filmes e não é um astro internacional, digamos assim); continua um ator da Broadway e dos musicais, como sempre. Já vi Nathan Lane em espetáculos inesquecíveis como “The Producers”, onde ele era o show em pessoa, e também em espetáculos menos vitoriosos como o tedioso “The Frogs” de Stephen Sondheim, que Lane ajudou a re-escrever e levar à cena. O show era um pouco chato, mas Nathan Lane fazia a gente aguentar até o fim.
Aqui na FAMÍLIA ADDAMS, no papel do patriarca Gomez, ele tem um personagem que lhe exige pouco, pois Nathan é muito parecido com seu Gomez. É o dono da cena em quase todos os quadros, mas nem precisa se esforçar muito: sua cara de enfado, de preguiça e de desinteresse apenas ajudam o personagem que é cheio de tiques, detalhes de expressão facial impagáveis, sobrancelhas que se mexem para cada palavra do texto, e uma piada certeira atrás da outra. Tudo o que Nathan Lane sabe fazer, e faz quase como se estivesse em casa, entre uma refeição e um banho de banheira, completamente à vontade e quase entediado. Eu adoro isso! E o público o ama!
Sei que a crítica do Times falou mal do espetáculo. Sei que realmente não é uma unanimidade. Mas está lotado até o final do ano, você realmente precisa batalhar por ingressos na fila de desistências, e lhes garanto que o público sai muito feliz e cantarolante do teatro. É uma festa.
Comentei com um amigo brasileiro que não gostou muito do espetáculo que eu estou no meu momento “Márcia de Windsor”, ou seja, estou curtindo as coisas sem muito compromisso, achando tudo ótimo, divertido, dando nota dez sem nem pensar nas consequências… Bom mesmo é ser feliz, e to torcendo pra este sentimento durar bastante.
Então indico A FAMÍLIA ADDAMS pra todas as pessoas normais que forem à Nova York e quiserem assistir a um musical que não é uma revolução em nenhum aspecto da dramaturgia mundial, nem mesmo uma facada no peito de quem está a fim de descer às profundezas da alma humana, e menos ainda é algo pra você passar o resto da semana pensando a respeito. Mas é diversão garantida por duas horas e meia, com música de grande qualidade, muitas risadas, uma festança para os olhos e ouvidos. Eu A-DO-REI!
Claudio Botelho
Veja mais fotos de The Addams Family:
Créditos das Fotos:
The Addams Family – A New Musical Home Page
Broadway.com
Playbill.com


















