Por um eterno e novo Verão Vermelho
janeiro 28, 2010 by Leo
Filed under O Despertar da Primavera, Site
Após 23 semanas, chega ao fim, neste domingo, 31/01, a temporada carioca de “O Despertar da Primavera“, espetáculo que atraiu um grande número de público, especialmente o jovem, que adotou o musical dirigido por Möeller & Botelho.
O Despertar sai de cartaz na Cidade Maravilhosa com excelentes críticas e como líder (ao lado de Avenida Q) em indicações ao Prêmio Shell de Teatro – 2009 nas categorias Direção, Ator (Rodrigo Pandolfo), Cenário, Figurino e Iluminação.
O musical também ganhou dois prêmios Qualidade Brasil: Melhor Espetáculo Teatral Musical e Melhor Direção Teatral Musical. E o Jornal O Globo ainda escolheu o Despertar como uma das 10 melhores peças de 2009.
Em janeiro de 2010, foi lançada a trilha sonora do musical, a venda na lojinha do Teatro e em breve disponibilizada oficialmente na Internet.
Durante esses cinco meses, os atores do Despertar se transformaram em verdadeiros pop stars - ganharam comunidades em sites de relacionamento, fã-clubes, ganharam presentes, e tiraram muitas, muitas fotos com os fãs.
O Site Möeller Botelho recebeu dezenas de e-mail´s de famosos e não famosos que se encantaram com O Despertar e acompanharam cada etapa do processo.
Abrimos esse espaço para os fãs do musical deixarem suas impressões. O que representou o Despertar pra você? Do que você vai sentir mais saudade? Conte pra nós.
Fotos: Marian Starosta
Os Sons do Despertar – Entrevista Márcio Castro
janeiro 26, 2010 by Leo
Filed under O Despertar da Primavera, Site
Um dos (muitos) belos momentos de O Despertar da Primavera ocorre no final do espetáculo, quando, ao som da “Canção de um Verão”, a cortina se ergue revelando a presença da orquestra ao fundo do palco.
Esse momento causa inclusive surpresa em quem passa a peça inteira achando que o som vem de playback.
A orquestra do Despertar é formada por tarimbados músicos que são regidos pelo pianista Márcio Castro. Oriundo de uma família de maestros, Márcio, que tem experiência em corais e trabalhos para televisão, encarou sua primeira regência em musicais com muita garra e talento.
Conheça nessa entrevista mais um pouco sobre nosso maestro e também da orquestra do Despertar.
Márcio, você é carioca? Como e quando começou a tocar instrumentos e a se interessar pela música?
Da gema! Nascido em Cascadura, criado e morando no Méier. Dois bairros do subúrbio. Meu início na música? Primeiro eu era um espermatozóide guardado por papai, que mais tarde foi parar em mamãe… Bem, o desenrolar dessa história todo mundo sabe (menos a Wendla), mas isso é só pra ilustrar que penso que a música já tem interesse por mim antes mesmo que eu tivesse interesse por ela. Senão, vejamos: Só de maestros, minha família tem quatro: meu bisavô, minha avó, meu pai e meu irmão (o diretor musical e regente Marcelo Castro). Isso pra não falar dos primos em segundo grau. Eu era muito pequeno, logo, não lembro, mas meu pai diz que algumas de suas composições foram escritas comigo trepado sobre suas costas “tocando” uma velha escaleta. Mais tarde, aos seis anos, fui estudar piano de verdade. Desconfio que, mais para deixar de incomodar ouvidos alheios do que por alguma vocação aparente.
Qual é a sua formação? Fale um pouco de suas experiências profissionais anteriores.
Sou publicitário, com MBA em Marketing e Gestão de Clientes. Verdaaaade! – como diz a Ilse. Só que é verdade mesmo. Mas creio que a pergunta se referia à música, então vamos lá: Tenho formação em piano, harmonia e canto coral pelo Conservatório Brasileiro de Música. Já toquei, compus e arranjei para alguns corais e conjuntos evangélicos, assim como para um coral universitário. Participei de alguns festivais de música também. Meus trabalhos mais recentes foram a gravação do cd e dvd acústico do cantor Jerry Adriani e, antes do convite para o Despertar, vinha realizando alguns trabalhos para a Rede Record de Televisão.
Essa foi sua primeira experiência como regente de um musical? E que tal a experiência de reger um musical como O Despertar?
Sim, e que experiência! Meus trabalhos anteriores, apesar de fundamentais para o aprendizado e maturidade, ainda não tinham o peso profissional que este tem. Até porque não estamos falando de algo pontual onde você chega, faz o seu, pronto e um beijo. Nosso trabalho é por toda uma temporada, por isso é preciso muita disciplina e regularidade. Soma-se a isso o fato de cada apresentação ser uma história diferente. Não há rotina, pois se uma “deixa”, marca ou tempo de cena mudarem, isso vai se refletir imediatamente na regência. Dos cinco sentidos, nós músicos temos de estar com três muito aguçados. Re-la-cha-men-to? Desculpe, não sei pronunciar essa palavra (risos). E assim não foram poucas as vezes em que me perguntei o que deu na cabeça dessa gente pra me chamar para um trabalho desses. Tenho uma “listinha” de agradecimentos, posso falar?
Com a temporada do “Despertar” chegando ao fim no Rio, como você analisa sua participação nesse trabalho?
São vinte e uma “feras” – duas adultas e dezenove filhotes – que precisam ser contidas por muros de tijolos e ferros. Minha função é tão somente alimentá-las de quinta a domingo com generosas porções de semibreves, semínimas e colcheias. Aos sábados, é preciso dobrar a alimentação. Brincadeiras à parte – a exceção das “feras”, pois de fato o são – me vejo como parte de uma engrenagem. Compete a mim um trabalho de grande responsabilidade, eu sei, mas que nem de longe é mais importante do que os demais. Afinal, o que seria do Carlos Gregório se a Martinha não estivesse com a roupa dele já na mão numa rápida troca de cena? Ou como ficaria a abertura do 2º ato se o “João Grandão” e o pessoal da varanda esquecessem de descer a iluminação? Exemplifiquei apenas dois casos, senão a temporada acaba e a entrevista não. E é essa a magia que tem me encantado. A dependência mútua que existe entre todos que trabalham num projeto como esse.
Como foi convivência com os músicos, elenco e produção?
A melhor possível. Onde há profissionalismo, há respeito. Num local onde cada um sabe exatamente o que tem de fazer (e faz), não há como deixar de haver bom relacionamento. E foi isso que vivenciei durante todo esse tempo. Mas faço questão de separar as respostas, tal como solicitado:
Os músicos – Meu Deus, como esse pessoal toca! Não é brincadeira ter de erguer os braços para gente tão competente, escondida ali atrás daquele “pano preto”. Marcinho, Professor Omar, Thiagão, Dantas, Poyart, Jocce, Saulinho e Anderson. Meu agradecimento público a vocês e vossos subs.
O elenco – alguns acham que não, mas já estou meio velhinho, por isso me vejo meio como “tiozão”, quer dizer, “irmão mais velho” dessa garotada. Às vezes perturbo, querendo saber como estão suas vozes, se estão se cuidando, pedindo para que se poupem. Mas é tudo carinho, pois são todos lindos, obedientes e maravilhosamente profissionais.
O teatro, o cinema, a TV e sei lá qual arte a mais podem ficar tranqüilos pelos próximos anos, pois se essa gente tão nova já faz isso tudo agora…
A Produção – são nosso alicerce. Eficazes, eficientes e efetivos, propiciam tudo para que não nos preocupemos com nada.
Um dos momentos mais bonitos do espetáculo é quando a “cortina” é erguida, revelando a orquestra no fundo do palco. O que as pessoas comentam sobre esse momento, que é sempre aplaudido?
É emoção purinha, sem gelo. O curioso é que a cortina sobe simultaneamente com o arrepio que começa no pé e vai até a cabeça. É a hora de sorrir com o público, com o elenco, com o backstage e por que não sorrir para nós mesmos, pela certeza de mais uma noite de dever cumprido. É, sem dúvida, um momento único, no qual os aplausos são os maiores comentários que ouvimos. Mas já houve gente inconformada, questionando sobre o porquê de “taparem” a gente no início e só nos mostrarem no final. Diziam que devíamos aparecer o tempo todo. É uma divertida demonstração de carinho.
Como é a sensação de sentir a energia da plateia estando fora do palco? Ou vocês ficam tão concentrados que não dá nem para perceber?
Por mais concentrados que estejamos, não há como deixar de sentir o que vem lá da frente. Lembra o que falei sobre os sentidos? Nessa hora, as mãos estão tocando. A visão está voltada para a partitura (até porque o “pano preto” não nos deixa ver nada), mas os ouvidos se dividem entre as melodias que produzimos e os sorrisos, aplausos e silêncios que a platéia nos oferece. Sinestesia total.
Gostaria de continuar trabalhando nesta área (Teatro), mais especificamente em musicais? Tem preferência por algum tipo de musical (clássico ou moderno, por exemplo)?
Escrevi a uns amigos recentemente, dizendo que estava realizando um trabalho sem precedentes em minha vida profissional. Por este trabalho, tenho dado o meu melhor. Não fui eu que escolhi “O Despertar da Primavera”. Fui escolhido para ele, por ele. Melhor: escolhido e contaminado. Logo, não cabe a mim preferir esse ou aquele tipo de musical. O que devo fazer é agradecer a Deus e continuar trabalhando sério para que em outras primaveras possa colher as flores de carinho, respeito e comprometimento que estou plantando hoje.
Conheça a Orquestra do Despertar:
Márcio Castro Regência
Márcio Castro - Teclado
Marcio Romano – Percussão
Thiago Trajano – Guitarra / violão
André Dantas – Violão/ guitarra
Anderson Pequeno – Violino
Jocelynne Cardenas – Viola
Saulo Vignoli – Cello
Omar Cavalheiro – Baixo elétrico e acústico
Confira fotos da orquestra nesse ensaio fotográfico:
Fotos:
Marian Starosta
Leo Ladeira
Vencedora de Promoção conhece bastidores do Despertar
A jovem Fernanda Schmoltz, vencedora da Promoção 20º elemento, promovida pelo Blog Escancare, fez sua “estreia” nos bastidores do Despertar na primeira sessão do espetáculo deste sábado, 23/01.
O vídeo de Fernanda foi o vencedor entre mais de 20 concorrentes. Ela cantou “Murmurar” (Whispering) e foi muito elogiada pelo elenco do Despertar que a recebeu nos camarins.
Fernanda pôde conversar um pouco com cada ator, além de acompanhar detalhes que ninguém vê, como a maquiagem, cabelos, aquecimento vocal e a tradicional rodinha do elenco pré-espetáculo.
Acompanhada da equipe do Escancare, Fernanda tirou fotos com vários membros do elenco e da produção, e ainda ganhou um presente: a possibilidade de assistir o Despertar da coxia.
Confira algumas fotos de Fernanda nos bastidores do Villa-Lobos:
Fernanda entre Alice Motta e Lua Blanco
A vencedora da Promoção do Blog Escancare com Debora Olivieri
Fernanda no camarim de Thiago Amaral
Com Carlos Gregório
Entre Bruno Sigrist e Rodrigo Pandolfo
Fernanda e a galera do Escancare com Lílian e Lívia
No camarim de Estrela Blanco, Laura Lobo, Eline Porto e Mariah Viamonte
No camarim dos meninos
Com Pedro Sol
Fernanda e Gabriel Falcão
Com a galera do Escancare no palco
Com o Regente, Márcio Castro
Fernanda ganhou camisa do Despertar e posou com Malu Rodrigues
Na Rodinha pré-espetáculo
Assista o Vídeo de Fernanda, vencedor da Promoção:
Fotos: Leo Ladeira
Melhores momentos do chat com o diretor Charles Möeller no Vídeo Show
Charles Möeller, diretor de ‘O Despertar da Primavera’ e ‘Avenida Q’, ambos indicados ao Prêmio Shell, participou de um chat do Vídeo Show, onde falou sobre a experiência de fazer musical no Brasil e falou sobre a minissérie ‘Dalva e Herivelto’.
Confira os melhores momentos do chat no vídeo abaixo:
Link: Globo Vídeos
Macksen Luiz: “Versão Brasileira”: Simpático Balanço de Carreira
janeiro 21, 2010 by Leo
Filed under Möeller & Botelho, Versão brasileira
Confira a crítica de Macksen Luiz (Jornal do Brasil) para “Versão Brasileira”, publicada nesta quinta-feira, 21/01/10: (clique na imagem para ampliá-la)
Texto na Integra:
Simpático balanço de carreira
Por Macksen Luiz
Claudio Botelho demonstra em 20 anos, ao lado de Charles Möeller, na produção de musicais, a sua capacidade como tradutor de letras das canções originais. A sensibilidade musical de Botelho está aliada a soluções verbais que transcrevem para o português, além do significado em inglês, a sua espontaneidade para descobrir formas de recriá-las com acuidade linguística. Em Versão brasileira, em cartaz no Espaço Sesc, Claudio em espetáculo solo, quase um recital, mostra várias destas traduções, além de percorrer, musicalmente, o repertório das montagens dupla neste período.
Desde o primeiro espetáculo, As malvadas, até os futuros, como Gipsy, Hair, Nine, Annie, e um tributo a Roberto Carlos, o show conta a história das realizações dos parceiros, com poucas palavras e muita música.
Neste balanço, fica evidente o processo de aclimatação dos musicais ao paladar nacional, como o percurso até a atual projeção da grife Claudio e Charles no mercado teatral. Os difíceis tempos em que oito espectadores na plateia eram suficientes apenas para pagar a passagem do ônibus de volta à casa são lembrados como o início da escalada de reconhecimento, que hoje mantém, simultaneamente, dois ou mais espetáculos em cartaz, e, permanentemente, com novas produções engatilhadas.
Recordando a escalada da dupla, Botelho faz pequenas intervenções para situar a série de canções que canta com voz que sustenta bem cada uma delas e como o recital não se propõe a ser demonstração virtuosística, o que prevalece é a sua simpática presença na apresentação de seu trabalho. Marcelo Castro, piano, Thiago Trajano, violão, guitarra e banjo, e Edgar Duvivier, sopros, robustecem a qualidade do repertório e apoiam essa transcrição intimista da exuberância de um gênero.
Jornal do Brasil – 21/01/10.
Elenco e Equipe do Despertar comemoram 100 apresentações e aniversário de Debora Olivieri
Duas faixas brancas foram estendidas no foyer do Teatro Villa-Lobos após a sessão deste domingo, 17/01, do Despertar.
Nas faixas liam-se várias mensagens coloridas do elenco e de toda a equipe do espetáculo. O motivo? As 100 apresentações do musical e o aniversário de Debora Olivieri, que ganhou parabéns pra você ainda no palco, após a sessão.
Para comemorar a ocasião, a Aventura Entretenimento ofereceu ao elenco e equipe técnica um coquetel no saguão do teatro. Debora ganhou uma torta e posou com os dizeres em sua homenagem.
A festinha particular do elenco teve como DJ, Thiago Amaral, o Hanschen do espetáculo.
Foi uma confraternização de toda a família Despertar. A única ausência foi o diretor Claudio Botelho, que, por ter feito seis sessões seguidas de “Versão Brasileira”, foi para casa descansar.
Presente também, o ator Nelson Freitas, que cumprimentou Debora e Pierre Baitelli, o coreógrafo Alonso Barros, o ator Tomas Quaresma (de Gypsy), entre outros.
Veja as fotos da festinha das 100 apresentações e do níver de Debby:
Fotos: Leo Ladeira
Barbara Heliodora: “Versão Brasileira” – Um Espetáculo de Imenso Encanto
janeiro 16, 2010 by Leo
Filed under Möeller & Botelho, Versão brasileira
Crítica – Versão Brasileira:
Barbara Heliodora – O Globo: “Um espetáculo de imenso encanto”
Versão brasileira: Claudio Botelho e Charles Möeller festejam 20 anos de musicais em texto intimista
Comemorando 20 anos de parceria fazendo musicais, trazendo a música de volta aos palcos brasileiros, Cláudio Botelho e Charles Möeller, respectivamente ator/cantor e diretor, estão apresentando na arena do Sesc Copacabana “Versão brasileira”. O roteiro é mais um papo entre amigos, que vai contando a história de tudo o que a dupla já fez e até mesmo o muito que pretende fazer no futuro próximo.
Com cada lembrança servindo para recordar uma época da carreira e sempre deixando transparecer a paixão que tanto um quanto outro têm pelo que fazem, permitindo entrever, aqui e ali, o trabalho que dá fazer tudo parecer tão leve e fácil.
Com ambientação e figurinos de Charles Möeller, simples e simpáticos, um complexo desenho de luz de Paulo César Medeiros, desenho de som de Marcelo Claret e direção musical de Marcelo Castro, que, ao piano, completa com Thiago Trajano (violão, guitarra e banjo) e Edgar Duvivier (sax e clarinete) o trio que acompanha Cláudio Botelho, fica armada a cena. A direção, como de hábito, é de Möeller, que trabalha todo o espetáculo na arena de Copacabana no sentido de uma espécie de alegre intimidade entre o protagonista e o seu público, fazendoo passear não só pela arena como pelas escadas, parando aqui e ali para “conversar” com os espectadores.
Tudo muito simples, tudo muito informal, tudo ocultando, com um sorriso, o trabalho que dá atingir aquela simplicidade e informalidade.
O espetáculo é estruturado como uma abertura, cinco partes e um finale, o resultado da seleção e organização das canções, de tal modo que os 20 anos de trabalho sejam percorridos com referência cronológica, em parte, e referência a estilos, em parte. A abertura realmente fala do primeiro espetáculo da dupla Möeller & Botelho (“As malvadas”), a seguir chegam, no original ou nas versões brasileiras, os dois primeiros supersucessos (“Cole Porter” e “Company”) e os grandes musicais (inclusive os que não vieram ao Rio) “Fantasma”, “Les miserables”, “Saigon”, “Chicago”, “Sweet Charity”, “My fair lady”, “West Side story”. Na sequência, os brasileiros, três de Chico Buarque de Hollanda e “Sassaricando” — o projeto sobre marchinhas de Sérgio Cabral e Rosa Maria Araujo —; os sucessos mais recentes, “Avenida Q”, “A noviça rebelde”, “O despertar da primavera”; e um finale que já apresenta amostras do que está por vir: “Annie”, “Gypsy”, “Nine”, “Um violinista no telhado”, “Hair” e “Roberto Carlos”.
Marcelo Castro faz ótima direção musical
Só um número é estritamente instrumental, o que vem do “Fantasma da ópera”; todo o resto Cláudio Botelho trata com carinho, aproveitando muito bem a ótima direção musical de Marcelo Castro. Comemoração e passeio, “Versão brasileira” é um espetáculo de imenso encanto, no que apresenta tanto quanto na maneira por que é apresentado.
O Globo – 16/01/10.
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“Versão Brasileira” é destaque em jornais, sites e blogs
janeiro 14, 2010 by Leo
Filed under Möeller & Botelho, Versão brasileira
A estreia de “Versão Brasileira” e o lançamento do livro “Os Reis dos Musicais“, na última terça, foram destacados em jornais, sites e blogs.
A Coluna Gente Boa, do jornal O Globo, traz na edição de hoje uma cobertura divertida da estreia, com fotos de Charles e Claudio, do Governador de São Paulo José Serra, de Marília Pêra, Gilberto Braga e Sérgio Cabral.
A estreia foi comentada também em sites como Ego, Quem, O Fuxico e Yahoo Notícias.
Já o Site Brazil Broadway World publicou uma bela crítica do novo espetáculo da dupla Möeller & Botelho, assinada por Paulo Afonso de Lima.
Leia abaixo a crítica na íntegra:
A foto que ilustra esta crítica não é do espetaculo que ontem estreou no Espaço Sesc Copacabana. Nela estão Inez Viana, Alessandra Verney, Ivana Domenico, Gottsha, Ada Chaseliov e Stella Maria Rodrigues em Cole Porter- ELE NUNCA DISSE QUE ME AMAVA, onde o publico e a imprensa carioca conheceu pela primeira vez a expressão: “Um espetaculo de Charles Möeller e Claudio Botelho”.
Agora, alguns anos depois, Möeller e Botelho comemoram a parceria com um acontecimento teatral memorável que, desde já, vai entrar para a História dos dois e com certeza para a da platéia que em irrepreensível trajetória, eles formaram. VERSÃO BRASILEIRA reafirma, utilizando apenas e tão somente TALENTO, a maturidade que estes dois artistas alcançaram.Claudio Botelho revela uma segurança e dominio de palco que só os grandes “entertainers” possuem. É curioso que até em canções como “I DREAMED A DREAM” (de LES MISERABLES), que a mídia internacional explorou até a exaustão no ultimo ano (alguem ainda se lembra de Susan Boyle?), Botelho encontre uma interpretação absolutamente pessoal, suave, personalíssima, surpreendente, inesquecível e única. O roteiro (assinado pela dupla) nos mostra de cara, através de LET’S CALL THE WHOLE THING OFF(George e Ira Gershwin) que os dois, mesmo trabalhando sempre juntos, são completamente diferentes um do outro. Talvez essa característica seja uma prova contundente de que os opostos se atraem e dão certo. Foi assim com Rodgers e Hammerstein, com Kander e Ebb e até mesmo com os irmãos Gershwin, isso só no campo dos musicais.
Assim, na simplicidade do espaço elegantemente criado por Charles, Claudio passeia pelo tempo e por vários sucessos internacionais por ele traduzidos como COMPANY, MISS SAIGON, CHICAGO, SWEET CHARITY, MY FAIR LADY, WEST SIDE STORY, O BEIJO DA MULHER ARANHA (KISS OF THE SPIDER WOMAN), LADO A LADO COM SONDHEIM (SIDE BY SIDE BY SONDHEIM),A NOVIÇA REBELDE(THE SOUND OF MUSIC),AVENIDA Q (AVENUE Q) e o recente fenomeno de critica e bilheteria (campeão absoluto de premios) O DESPERTAR DA PRIMAVERA (SPRING AWAKENING). Cumpre destacar a genialidade de transformar LE JAZZ HOT de VITOR OU VITÓRIA (Victor VictorIA) numa quase vinheta, sem qualquer acompanhamento instrumental, utilizando apenas o estalar dos dedos de Claudio e dos musicos ( e tambem da platéia, na noite de estreia para convidados).
Então, embarcamos quase sem sentir (uma caracteristica inteligente do roteiro), no seguimento brasileiro da obra de Möeller e Botelho,onde Claudio interpreta Chico Buarque (NA BAGUNÇA DO TEU CORAÇÃO, A OPERA DO MALANDRO, SUBURBANO CORAÇÃO), Ed Motta ( 7- O MUSICAL) e Carlos Lyra na (hoje um hino) MARCHA DA QUARTA FEIRA DE CINZAS,de SASSARICANDO, que ganhou um sabor especial com a presença de Lyra na primeira fila. Aliás é deste bloco mais um dos inúmeros momentos antológicos do espetaculo: o “dueto” de Claudio com Edgar Duvivier no sax, interpretando SASSARICANDO de Luis Antonio, Oldemar Magalhães e Zé Mario. Teatro puro!
A direção de Charles Möeller é absolutamente impecável,demonstrando possuir em cada segundo do espetaculo sua caracteristica indiscutível de “showmanship”, termo que, até mesmo na Broadway, poucos diretores conseguiram acrescentar a seus curriculos. Fundamental em toda a realização, é a contribuição valiosa desse poeta da luz (e das sombras) que é Paulo Cesar Medeiros. É incrivel como até mesmo as caracteristicas arquitetonicas da sala de espetaculo são aproveitadas por esse grande artista. Por exemplo, quando Claudio interpreta O BEIJO DA MULHER ARANHA, Paulo Cesar consegue transformar o teto do Espaço Sesc numa ameaçadora teia purpura, iluminando tão somente as barras de ferro onde estão colocados os refletores. Arrepiante. As projeções de Rico e Renato Villarouca da mesma forma dão ao espetaculo mais um de seus toques mágicos, principalmente no ultimo bloco (que não vamos revelar aqui para não acabar com a surpresa) onde cada um dos logotipos que aparecem no centro do palco são recebidos por manifestações espontâneas de encantamento vindas da platéia.
A destacar tambem os criativos arranjos de Marcelo Castro e Thiago Trajano ( que tambem estão ao piano e nas cordas respectivamente, juntamente com Edgar Duvivier nos sopros) e o design de som competente de Marcelo Claret.
VERSÃO BRASILEIRA é daqueles espetaculos que fazem o ato de estar na platéia numa experiencia absolutamente única. Saímos do teatro com muitas canções dentro da alma e lágrimas nos olhos por testemunharmos,em pouco menos de duas horas, a trajetória de dois meninos que se transformaram, com trabalho e nenhuma concessão, em maduros e verdadeiros Homens de Teatro.
Paulo Afonso de Lima.
Publicado originalmente no Site Brazil Broadway World.com
A estreia de “Versão Brasileira” e o lançamento de “Os Reis dos Musicais” foram um sucesso
janeiro 13, 2010 by Leo
Filed under Möeller & Botelho, Versão brasileira
A estreia de “Versão Brasileira” e o lançamento do livro “Os Reis dos Musicais” sacudiram a noite de terça-feira, 12/01.
A piada mais ouvida na noite era que se caísse uma bomba ali, o teatro musical brasileiro estaria extinto. Não é pra menos: dezenas de estrelas dos musicais estiveram presentes no evento prestigiando os 20 anos de parceria artística de Charles Möeller & Claudio Botelho.
E não foram apenas astros do teatro musical que conferiram o lançamento: personalidades da política, da música e das artes também estiveram no Espaço SESC, em Copacabana.
Versão Brasileira
A noite começou com o show solo de Claudio, “Versão Brasileira” (o primeiro sem estar cercado por mulheres, brincou ele). Em uma hora e quinze minutos, Botelho reviveu a trajetória da dupla contando histórias e cantando temas de musicais como “Company”, “Cole Porter – Ele Nunca Disse que me Amava”, “Ópera do Malandro”, “A Noviça Rebelde”, “Avenida Q”, “7″ e “O Despertar da Primavera”, além dos musicais para os quais ele fez a versão, tais como “O Fantasma da Ópera”, “O Beijo da Mulher Aranha”, “Chicago”, “My Fair Lady” e “Les Miserables”.
Ao final do show dois momentos marcantes: Claudio apresenta, cantando, as próximas produções da dupla, arrancando reações entusiasmadas da plateia; e os aplausos finais, onde ele convida Charles a subir na ribalta.
Os Reis dos Musicais
O Governador de São Paulo, José Serra, veio ao Rio especialmente para o lançamento do livro da Coleção Aplauso, que é editado pela Imprensa Oficial de SP. Serra posou com a dupla de diretores e com a atriz Marília Pêra, e, na volta à Sampa, registrou em seu twitter três comentários a respeito do lançamento e ainda recomendou o Site Möeller Botelho para seus seguidores!
Também presentes no evento, nomes como Sérgio Britto, Gilberto Braga, Sérgio Cabral (pai), Carlinhos Lyra, Ney Latorraca, Totia Meireles, Ana Botafogo, Eduardo Dussek, Emiliano Queiroz, Leiloca, Debora Olivieri, Carlos Gregório, Eduardo Galvão, a Secretária de Cultura Adriana Rattes, Dalal Achcar, Patrícia Bueno, Maria Pompeu, Sergio Fonta, João Fonseca, os produtores Marcus Montenegro e Cacau Hygino, Gregório Duvivier; e muitos nomes do Teatro Musical: Soraya Ravenle, Kiara Sasso, Sabrina Korgut, Alessandra Verney, Marya Bravo, André Dias, Adriana Garambone, Ivana Domenico, Ester Elias, Kacau Gomes, Raul Veiga, Ada Chaseliov, Liane Maya, Pierre Baitelli, Malu Rodrigues, Letícia Colin, Julia Bernat, Felipe de Carolis, Otávio Zobaran, Cristiano Penna, Renata Ricci, Thiago Amaral, Zaida Valentim, Delia Fischer, Maria Netto, Cássio Pandolfi, Léo Wainer, Felipe Tavolaro, Cláudia Costa, Elton Towersey, Lua Blanco, Estrela Blanco, Laura Lobo, André Loddi, Thiago Marinho, Bruno Sigrist, Alice Motta, Mariah Viamonte, Danilo Timm e Gabriel Falcão, entre outros.
Foi uma noite de emoções, reencontros e recordações: atrizes de “As Malvadas” lembraram do primeiro musical efetivo da dupla Möeller & Botelho, enquanto os jovens atores de “O Despertar da Primavera” trocavam experiências com elencos de outros espetáculos da dupla. Já Totia Meireles tirou, pela primeira vez, uma foto com suas “filhas” Renata Ricci e Adriana Garambone, família de “Gypsy”, o próximo musical de M&B.
Veja abaixo as fotos do evento (são três galerias):
Fotos: Leo Ladeira
Imprensa destaca estreia de “Versão Brasileira” e lançamento de “Os Reis dos Musicais”
janeiro 12, 2010 by Leo
Filed under Möeller & Botelho, Versão brasileira
A imprensa destacou nesta terça-feira, 12/01, a estreia de “Versão Brasileira”, no Espaço SESC Copacabana, e o lançamento do livro da Coleção Aplauso “Os Reis dos Musicais”, que aborda a trajetória da parceria Möeller Botelho em 20 anos de carreira.
O Jornal O Globo destacou o show solo de Claudio e o livro em sua edição de ontem, 11/01 (veja aqui).
Hoje foi a vez do Jornal do Brasil e do Estado de São Paulo trazerem matérias sobre os lançamentos.
Confira:
Jornal do Brasil
Parceria Musical
Por Daniel Schenker , Jornal do Brasil – 12/01/10
Todo mundo está cansado de ouvir que Charles Möeller e Claudio Botelho formam uma das mais bem-sucedidas duplas do teatro brasileiro. A afirmação, de fato, é inquestionável. Mas os dois não se mostram tão parecidos quanto pode soar a princípio. Ao contrário. São justamente as diferenças – e a habilidade em administrálas – que garantem a longevidade de uma parceria de 20 anos. Möeller passou pelo Centro de Pesquisa Teatral (CPT), de Antunes Filho, trabalhou como ator em encenações elogiadas, como Master Harold e os meninos (1990), de Athol Fugard, e acumulou experiência (e prêmios) como cenógrafo e figurinista. Botelho estudou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e enveredou pelo ramo musical, encontrando em Claudia Netto uma partner à altura.
Um dia, eles se encontraram.
Aos poucos, tornaram-se referência no gênero musical. Nada mais justo que comemorar o feito.
Versão brasileira, 24º espetáculo que realizam juntos, estreia hoje no Espaço Sesc, reunindo números que atravessaram seus trabalhos em comum (leia o roteiro no quadro ao lado). Trata-se de um convite do Sesc, igual ao que deu origem a Beatles num céu de diamantes (2008). Completando a celebração, o lançamento do livro Os reis do musical, escrito por Tania Carvalho.
Charles Möeller e Claudio Botelho comprovam que, muitas vezes, as diferenças podem se converter em ganhos.
– Estou com 45 anos, mas gosto da velha Broadway. Parei em Stephen Sondheim. Não era apaixonado por O despertar da primavera (2009) como Charles.
Mas embarquei no projeto e hoje adoro. Já Gypsy é uma obsessão minha. Charles, porém, está bem empolgado. Hair é outra história: vimos a remontagem em Nova York e nos emocionamos.
Foi uma escolha conjunta – assume Botelho, mencionando o espetáculo atualmente em cartaz realizado a partir de texto de Frank Wedekind e enumerando dois dos novos musicais que desenvolverá ao lado de Möeller.
Além de Gypsy, centrado na relação passional entre a stripper Gypsy e sua mãe, Mama Rose, eHair, hino de amor ao universo hippie, a dupla planeja montar Annie, sobre a menina órfã que conquista o coração de um milionário (adaptado para o cinema por John Huston, em 1982), Aquela canção do Roberto, a partir das músicas de Roberto Carlos, Kiss me Kate, com canções de Cole Porter, e Um violinista no telhado, baseado em histórias de Sholem Aleichem (também transportado para a tela por Norman Jewison, em 1971).
Tudo isto, no entanto, é futuro.
Em Versão brasileira, Charles Möeller dirige Claudio Botelho, que não só volta aos palcos – a última vez que esteve em cena foi em Lado a lado com Sondheim (2005) – como assume a responsabilidade de segurar, sozinho, a atenção do espectador, contando “apenas” com as presenças de Marcelo Castro (também diretor musical) ao piano e de Edgar Duvivier nos sopros. Os dois conceberam um roteiro com músicas de vários dos espetáculos que realizaram ao longo desses 20 anos, contados a partir de Hello Gershwin, de 1990, ainda que o marco zero da dupla costume ser considerado o divertidíssimo As malvadas, de 1997.
– Fizemos dois shows com Marco Nanini, Hello Gershwin e De rosto colado (1993) – lembra Möeller. – Tínhamos o sonho de um terceiro projeto, mas na época Nanini estava empolgado com a direção e nós sentíamos necessidade de dar um passo além, mesmo sem pai e sem mãe.
Hello Gershwin marca, portanto, o primeiro encontro. Já As malvadas foi a primeira montagem que assinaram em conjunto.
O fato é que começaram a percorrer um caminho valorizado pelo vínculo com composições de Cole Porter (Cole Porter – Ele nunca disse que me amava, de 2000), Chico Buarque (Na bagunça do teu coração, de 1997; Suburbano coração, de 2002, e Ópera do malandro, de 2003) e Stephen Sondheim (Company, de 2001, e Lado a lado com Sondheim) – além de muitos projetos ousados, como 7 – O musical (2007), no qual estreitaram contato com Ed Motta.
Um dos blocos de Versão brasileira, porém, diz respeito unicamente à carreira de Claudio Botelho: aquele que agrupa os trabalhos que fez ao ser convidado para assinar versões para o português das canções dos grandiosos musicais americanos que vêm desembarcando em São Paulo nos últimos anos.
– Em Les miserables (2001) foi possível ser autoral. Em Miss Saigon (2007), também. Em Chicago (2004) fiquei mais preso.
A equipe que veio para cá não estava interessada em pensar a montagem para o público brasileiro – revela Botelho.
Ciente de que não teria como falar sobre a dupla no singular, Tania Carvalho assumiu as especificidades dos dois no livro.– As entrevistas definiram a estrutura do livro. Conversei com Charles e depois, com Claudio.
Aí me detive na dupla – explica Tania, que confirma as peculiaridades de cada um. – De igual, eles “só” tem a paixão pelo gênero.
Charles gosta das possibilidades do espetáculo e Claudio, das músicas. O primeiro é mais expansivo, engraçado; o segundo, mais sério, contido.
Apesar de Os reis do musical ser seu 13º livro para a Coleção Aplauso, Tania se viu diante de uma nova empreitada.
– A partir de dado momento, não esclareço qual deles está com a palavra, mas fica óbvio para o leitor – garante a autora.
Para Tania, a maior dificuldade não foi a de costurar os depoimentos dos biografados, mas conseguir manter atualizado um livro sobre uma dupla repleta de projetos. Além de todos os musicais, eles foram convidados pela Globo para trabalhar nos bastidores da recémexibida minissérie Dalva e Herivelto.
– Tivemos liberdade total. Fomos para a TV fazer exatamente o que realizamos no teatro. Pude até pedir para fazerem mudanças de luz – destaca Möeller.
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O Estado de São Paulo
Os Reis dos Musicais
A parceria entre Charles Möeller e Claudio Botelho inspira livro que recupera os esforços e o talento da dupla em renovar um gênero sempre presente no Brasil
Por Ubiratan Brasil
No primeiro espetáculo, As Malvadas, de 1997, o dinheiro era curto e a plateia era formada em sua maioria por amigos e convidados. Hoje, a assinatura da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho tornou-se valiosa – em pouco mais de dez anos, eles aproveitaram o ressurgimento do musical no Brasil (agora sob a forte influência do estilo Broadway) e se firmaram como Os Reis dos Musicais (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), título do apurado livro de Tânia Carvalho sobre sua trajetória que será lançado hoje, no Rio.
Trata-se de um balanço feito pela dupla a respeito basicamente dos 23 espetáculos que criaram juntos. Uma lista tão diversificada e atraente que rendeu até um pocket, Versão Brasileira, um pequeno musical em que Botelho, dirigido por Möeller, faz um apanhado de canções que fizeram parte dessas montagens. A estreia ocorre hoje, no Espaço Sesc, no Rio, seguido do lançamento do livro de Tânia.
Botelho e Möeller sabem que não descobriram a pólvora – o musical é um estilo praticado no Brasil desde o início do século 19 (veja no texto abaixo). Mas conseguiram a alquimia certa, ou seja, unir o apuro técnico e o senso profissional da Broadway com a familiaridade musical típica do brasileiro. Com isso, aproveitaram o grande impulso promovido pelos investimentos da CIE Brasil (hoje Time For Fun) que, a partir de Les Misérables, em 2001, colocou o País na rota dos musicais.
Na época, porém, o terreno ainda era árido. “O som era uma tragédia, as pessoas usavam microfones amarrados, tudo chiava e apitava”, relembra Möeller, em depoimento para o livro. “A luz não era de musical, era uma luz de peça normal, sem o menor cuidado e incapaz de preparar o clima para a música; os cenários rangiam, demoravam minutos para serem trocados, ou seja, nada funcionava.”
O desastre continuava em cena, quando era raro encontrar um profissional que soubesse cantar, dançar e interpretar. O aprendizado, portanto, foi mútuo: ao mesmo tempo em que se alimentavam anualmente na Broadway e em Londres, onde assistiam às novidades, Möeller e Botelho participaram da formação e aprimoramento de profissionais como Claudia Netto e Kiara Sasso, entre outros.
Conquistaram ainda o reconhecimento externo, a ponto de receberem na plateia de sua montagem de Company, em 2001, a presença do próprio autor, o lendário americano Stephen Sondheim. “Ele foi aos bastidores falar com o elenco”, conta Möeller. “Suas palavras eram um misto de elogios e de surpresa por encontrar um elenco tão preparado no Brasil, país que ainda não tem (ou não tinha) nenhuma inscrição no mapa de produção de musicais pelo mundo.”
Company, aliás, foi um dos primeiros projetos mais ousados assumidos pela dupla que, além das apostas em espetáculos já consagrados lá fora (como Sweet Charity e A Noviça Rebelde), investiu tanto no cancioneiro nacional (como uma nova versão de Ópera do Malandro, de Chico Buarque) como em montagens mais radicais, cujo exemplo é o recente e desbocado Avenida Q.
Com tamanha bagagem, Möeller e Botelho resolveram se aventurar em uma criação própria e, a partir de canções originais de Ed Motta e de uma ideia de Möeller vagamente inspirada na história de Branca de Neve, surgiu 7 – O Musical, em 2007, espetáculo dark cujo cenário à la Tim Burton traz o Rio como uma cidade escura, tenebrosa e onde até neve cai. “Como dramaturgia, o musical é sofisticado e surpreendente”, escreveu Mariângela Alves de Lima no Estado. “A música é inquietante, repleta de fusões deliberadas entre gêneros e estilos.”
Möeller e Botelho contam que a perenidade da parceria está justamente no convívio das diferenças. “Deve-se a Charles o apuro estético, visual, o desempenho dos atores e até mesmo os fundamentos teóricos de cada espetáculo”, conta Botelho. “A mim cabe cuidar da música, o que em musical geralmente não é tão pouco.” É desse atrito que a dupla tanto envereda para novos meios (eles foram responsável pelos números musicais da microssérie Dalva e Herivelto) como aposta em trabalhos ambiciosos, como O Despertar da Primavera, que chega em março a São Paulo trazendo um novo talento, Rodrigo Pandolfo.
Trechos
COMPANY (2000): Até a Sondheim Review, publicação norte-americana especializada na obra do próprio, estranhou uma montagem brasileira do compositor e veio conferir, fazendo matéria de quatro páginas e dando uma crítica absolutamente favorável ao espetáculo. E, em Company, dissemos adeus às imposições. Fizemos exatamente o que queríamos.
ÓPERA DO MALANDRO (2003): Quando começamos a produção, todo mundo falava: essa peça não vai dar certo, é uma loucura vocês mexerem nisso, isso é um patrimônio dos anos 1970. E seguimos adiante. A peça tem um viés político muito forte, que não sabia se ia interessar tanto nos dias de hoje, e é extremamente verborrágica. Isso me preocupava.
SWEETY CHARITY (2006): Era um espetáculo muito caro, com vários bailarinos, uma orquestra de 12 músicos, figurino chiquérrimos, tudo o que o público esperaria de um espetáculo nosso com a grande estrela Cláudia Raia e uma superprodução da CIE. Tudo era muito difícil de fazer. Foi nosso primeiro trabalho no qual a dança era fundamental.
O Estado de São Paulo – 12/01/10
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O show solo de Claudio e o livro “Os Reis dos Musicais” foram destaque ainda:
No Site Aplauso Brasil:
A biografia dos Reis dos Musicais – por Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil
Nos últimos anos eles foram os responsáveis pela revitalização do gênero Musical no teatro brasileiro. Espetáculos como A Noviça Rebelde, Avenida Q e 7 – O Musical entre outros, apresentaram o talento da dupla de ouro dos musicais brasileiros Charles Moeller e Claudio Botelho. Vários também foram os prêmios conquistados por essa dupla. O mais recente deles foi o Troféu Especial de Teatro dado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Teatro), em 2009.
Em homenagem ao trabalho realizado pelos dois ao longo dos últimos 20 anos e de sua importância para a história do teatro brasileiro, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo decidiu publicar o livro Os Reis dos Musicais – Charles Möeller e Claudio Botelho, escrito por Tania Carvalho a partir do depoimento deles. A obra faz parte da Coleção Aplauso – Série Especial e o lançamento acontece no dia 12 de janeiro, às 21h30, no Espaço SESC – RJ (Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana), depois da estreia do novo espetáculo Versão Brasileira, em cartaz no Rio de Janeiro até o dia 7 de fevereiro.
Na apresentação do livro, Tania Carvalho ressalta que a dupla revigorou um gênero quase esquecido. “Um gênero que talvez nunca tivesse sido levado tão a sério – nem pelo meio teatral nem pelo público. Hoje são responsáveis por grandes montagens reconhecidas internacionalmente. Tudo feito com muita petulância, arrogância, como gostam de dizer, e, especialmente, talento e competência. Eles são, definitivamente, os reis dos musicais”, destaca a autora.
Charles Möeller e Claudio Botelho iniciaram timidamente a parceria em 1997, mas com uma montagem que acabou virando cult no Rio de Janeiro – As Malvadas – feita com amigos no elenco, amigos na produção, gente que colocava fé nos projetos idealizados pelos dois. De lá pra cá, produziram vários espetáculos de sucesso, entre eles O Abre Alas (1998), Cole Porter – Ele Nunca Disse que me Amava (2000), Company (2000), de Stephen Sondheim, Ópera do Malandro (2003), Tudo é Jazz (2004), Sweet Charity (2006), Sassaricando (2007), A Noviça Rebelde (2008), Gloriosa (2008), com Marília Pêra, e Avenida Q (2009). Nos últimos meses do ano passado, a dupla trabalhou na produção da minissérie Dalva e Herivelto – Uma canção de amor, de Maria Adelaide Amaral, com direção de Dennis Carvalho, exibida pela TV Globo entre os dias 4 e 8 de Janeiro de 2010.
Os dois formam uma dupla afinada, cujo diapasão é a diferença. Charles é de Santos e, segundo Tania Carvalho, é “mais solar, menino de praia, apaixonado pelo que faz, passional, engraçado, sofredor quando algo não dá certo, que conta sua vida com detalhes histriônicos e dramáticos deliciosos. Como ele mesmo diz, tem certa vocação para ser a alegria da festa”.
Charles Möeller estreou no teatro muito jovem, na peça O Noviço, com o grupo de Neyde Veneziano, em Santos; rompeu as fronteiras da cidade; protagonizou novela, fez muitos clássicos, como A Gaivota, até encontrar seu norte: os musicais. Entrou no CPT (Centro de Pesquisa Teatral) para ser ator e trabalhar com Antunes Filho, mas saiu de lá cenógrafo e figurinista depois que conheceu o mestre J. C. Serroni.
“Entrei no CPT acreditando. E, curioso, enquanto acreditei só apanhei. Eu havia me aproximado do J.C. Serroni que era cenógrafo do grupo e precisava de assistente. Como tinha dois anos de arquitetura, comecei a trabalhar com ele, meu tempo lá dentro dobrou, mas eu achava que valia a pena, pois começava a me aproximar da companhia principal. Além do trabalho no CPT, Serroni passou a me chamar também para outras produções. E aí o teatro se tornou finalmente profissional para mim”, conta Charles.
Mineiro de Uberlândia, Cláudio é mais contido. Sua paixão é e sempre será a música – quer seja de Roberto Carlos, o único artista que conhecia quando morava em Uberlândia; Chico Buarque, que mudou sua vida; ou dos grandes compositores de musicais: Cole Porter, Gershwin, Sondheim, Rodgers e Hammerstein, Kander e Ebb, entre tantos outros que despertaram uma paixão quase obsessiva.
“Cláudio começou como músico e logo o teatro levou-o a ser ator. Hoje une as duas coisas: é compositor premiado, versionista aclamado e ator consagrado, embora bissexto”, ironiza Tania.
De fato, a música sempre esteve presente na vida de Claudio Botelho. “Uma das primeiras palavras que falei foi ‘rádio’. Eu adorava ouvir rádio e ficava louco quando via a banda passar na minha rua. Minha infância foi muito ligada à música. Minha avó Raúla, mãe de minha mãe, era violinista e chegou a tocar em cinemas na época em que as sessões tinham música ao vivo. Meu avô Nenê, pai de meu pai, tocava acordeom. Com certeza, os genes me ajudaram. Teatro? Eu nem sabia que existia”, revela Botelho.
Os dois têm muitos pontos em comum, mas o que mais aproxima a dupla é a paixão por musicais – embora um confesse que o que mais o interessa é a possibilidade do enredo; o outro, garante, ser a paixão pelo compositor e pela música.
É nesse jogo de semelhanças e diferenças que os dois crescem e produzem cada vez com mais competência. E prazer, fundamental para ambos. Suas opiniões são complementares, quase nunca díspares. Por isso mesmo há a proposta de um jogo neste livro. Nos primeiros depoimentos estão identificadas as opiniões de um e de outro. A partir do momento em que falam da dupla, esta identificação quase desaparece, ficando apenas com um sutil detalhe – um negrito para as declarações de um dos dois.
“Garanto, porém, que é possível saber exatamente quem é quem nesta dupla de talento, o que cada um faz, mas também o quanto eles se misturam em busca do que já uma grife de qualidade: um espetáculo Charles Möeller & Claudio Botelho, como assinam todas as suas montagens”, diz Tania Carvalho. Além de histórias e imagens de todos os espetáculos produzidos por eles, o livro traz fotos de família, da infância e da juventude dos dois.
Ver postagem original aqui.
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No Blog de Rubens Ewald Filho:
Os Reis dos Musicais
Nesta terça-feira dia 12, no Rio de Janeiro, a coleção Aplauso da Imprensa Oficial, vai lançar um novo livro de formato grande, Os Reis dos Musicais, escrito por Tania Carvalho que narra – com muitas fotos e preço baixo (R$ 30,00) – a biografia da dupla Claudio Botelho (tradutor, ator, produtor) e Charles Moeller (habitualmente diretor, produtor) de alguns dos melhores musicais famosos no Brasil.
Avenida Q, O Despertar da Primavera (ainda no Rio, breve em São Paulo, A Noviça Rebelde, Gypsy, que está sendo ensaiado no momento, Sweet Charity. Sem esquecer que ganharam todos os prêmios como a melhor montagem do ano em São Paulo, com o musical original deles, 7- o Musical).
A dupla é extremamente competente e um exemplo de caráter! – para todos os outros possíveis concorrentes, além de muito trabalhadores, tanto que eles foram responsáveis pelos números musicais do Cassino da Urca mostrados na minissérie da Globo sobre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.
Não é à toa que o livro leva esse merecido título. Além disso, Cláudio aproveita o lançamento e trabalha um pouco estreando num novo show, desta vez solo.
Ele nos deu uma entrevista por escrito e quando fizerem o lançamento em São Paulo, será a vez de Charles.
1 – O que vai ser o show que você vai apresentar? Fica em cartaz? Onde e como? É dificil voltar a se apresentar, ainda mais sozinho? Ou prazeroso?
Cláudio – Muito prazeroso. O fato de não ter nenhum “partner” além dos músicos me deixa bem ansioso, realmente será uma experiência nova. Ainda mais numa arena como a do Sesc Copacabana onde a plateia fica tão perto da gente.
É uma espécie de “monólogo musical” (se bem que eu odeio a expressão) onde conto uma passagem ou outra do que foi a trajetória artística minha com o Charles, mas fundamentalmente canto canções de diversos musicais que fizemos ou participamos.
São mais de 40 canções no roteiro, mas há muitos medleys e o espetáculo terá apenas uma hora e quinze minutos de duração. Fica em cartaz a partir de 13 de janeiro (estreia para público) no Espaço Sesc Copacabana, de quarta a domingo, até o fim de semana anterior ao carnaval.
2 – E o livro, foi bom recordar? Como foi trabalhar com a Tânia? Alguma vez vocês se contradisseram?
Cláudio- O livro foi uma experiência incrível. Eu, que me considero uma pessoa mais fria que o comum, fui surpreendido por me emocionar ao falar de diversos assuntos. A Tânia foi um presente… Não sei como são os demais autores da coleção, mas acho que tiramos a sorte grande, pois a Tânia é muito a nossa cara, temos muita afinidade e certamente ela se tornou uma ótima amiga.
Acho que a gente se contradisse mais de uma dezena de vezes. Na verdade, o tema da nossa dupla é mesmo a contradição. Isso ficará claro no livro e o show fala disso também.
3 -Vocês estão começando agora Gypsy, fala um pouco do projeto.
Cláudio – Conheci o musical Gypsy através de um LP antigo bem no começo do meu interesse por musicais, isso ainda na década de 1980. Sempre fui fascinado por aquela música, mesmo sem ter ideia do que aquilo queria dizer ou qual era exatamente a história.
Depois conheci o todo através do filme com a Bette Middler, que é bastante fiel à peça, praticamente filmado em cenários de teatro o tempo todo. Lembro de ver este filme em VHS na época que ainda morava com meus pais. Naturalmente vi depois o filme anterior com a Rosalind Russell e Natalie Wood (adoro o filme) e duas versões na Broadway, uma com a Bernadette Peters ( direção esquisita do Sam Mendes), e a que considero definitiva, com a Patti Lupone (direção apenas burocrática do autor, Autur Laurents, mas interpretações magistrais do trio principal).
Continuo achando que é o “musical dos musicais”, uma peça perfeita de integração entre música e dramaturgia, e é um desafio tentar fazer isso direito aqui no Brasil, especialmente pelas adaptações que deverão ser feitas nas letras e na história para que o espetáculo seja próximo da nossa platéia e não seja “americano” demais.
4 – Quando você começou alguma vez, achou que o sonho de ter um mercado e um elenco possíveis para os musicais darem certo no Brasil? Por que acha que isso aconteceu?
Cláudio- Sempre sonhei com esta realidade que vivemos hoje. Talvez por ingenuidade, acreditei que era possível correr atrás disso… Mas corremos atrás, do nosso jeito, e em mais ou menos uns 10 anos a realidade mudou de zero pra 100. Esse nosso papo aqui não estaria acontecendo há mais de uma década, ou talvez estivéssemos conversando apenas sobre sonhos ou possibilidades…
Hoje falamos de coisa reais, palpáveis, os espetáculos acontecem, muitos com qualidade de primeiro mundo, e muita gente se tornou profissional de primeira linha nesse meio tempo.
5 – Quais são seus musicais preferidos. Falta realizar algum sonho?
Cláudio – Meus musicais favoritos são: Follies, Merrily We Roll Along e She Loves Me (para citar só três). Falta realizar sonhos demais, muitos mesmo. Mas confesso que não me entusiasmo mais tanto com isso de passar o resto da vida montando musicais da Broadway.
Todos os meus sonhos são mais no sentido de continuar a fazer o que tentamos fazer no 7 – O Musical. Isso é o que mais me interessa, e talvez o que me pague menos.
6 – O que mais te irrita quando vê um musical mal feito?
Cláudio- Puxa, me irrito muito com letras mal traduzidas. Com atores representando como se fossem dubladores. Com iluminadores que nunca viram um musical na vida e acham que devem fazer uma luz “discreta”. Com diretores que não dirigem, e com coreógrafos de final de ano de academia de jazz.
Irrito-me com pseudoestrelas de televisão fingindo que têm condição de se apresentar num palco cantando e dançando, quando na verdade não teriam condição nem de se apresentar no próprio banheiro. Bom, é muito irritante ver qualquer coisa mal feita, né? Tanto faz se é musical, drama, comédia Se for ruim é ruim e pronto!
7 – Há alguma diferença entre algo musical feito no Rio ou São Paulo?
Cláudio -Acho que, puxando a sardinha pro nosso lado, no Rio os atores são mais naturais que em São Paulo. Talvez pelo fato de a maior parte dos musicais montados em São Paulo ter sido dirigida por estrangeiros, que não conhecem nosso idioma e baseiam suas direções em formatos que vêm prontos dos originais da Broadway.
Formou-se de certo modo uma geração de atores que são ultra competentes na execução de partituras difíceis, mas deficientes ao viver personagens de verdade, críveis, verossímeis. No Rio, apesar de termos chegado um pouco atrasados em termos de produção e técnica, o improviso nos obrigou a criar mais e tentar atrair o público com fatores mais humanos e menos formais.
8 – Vejinha escolheu seu musical Sete como o melhor espetáculo do ano! Virão outros desse jeito?
Cláudio- Como respondi lá em cima, é isso que me move e também ao Charles. Continuar isso… Nosso próximo musical “autoral” é uma adaptação de Mirna, histórias de Nelson Rodrigues, e dessa vez pretendo fazer música e letras. Acabo de saber (hoje, dia 31 de janeiro) que Sete também foi escolhido como destaque do ano pelo Estado de São Paulo. Dá pra ficar mais feliz?
Ver postagem original aqui.
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O Globo: Para comemorar 20 anos fazendo musicais, um musical de todos eles
janeiro 11, 2010 by Leo
Filed under Möeller & Botelho, Versão brasileira
Estreia amanhã ‘Versão brasileira’, de Charles Möeller e Claudio Botelho
Charles Möeller e Claudio Botelho brigam há 20 anos. Möeller é capaz de frequentar festival de cinema iraniano, mas não convidem Botelho. Que, quando viaja, faz como se estivesse em casa e não muda sua rotina, enquanto o outro não sai da rua.
Botelho critica um pouco a cada dia, mas sempre critica, enquanto Möeller leva sempre na tranquilidade, mas quando estoura…
Apesar das brigas, ou por causa do complemento entre as diferenças, Möeller e Botelho trabalham juntos há 20 anos.
Naquilo que é a coisa em que melhor combinam: o gosto pelos musicais e o talento para criá-los. Amanhã, no Espaço Sesc, estreia o 24o deles, “Versão brasileira”, uma homenagem às duas décadas de trabalho em conjunto, que já renderam sucessos como “A ópera do malandro” e “Company”.
Renascimento dos musicais começou no Rio O próximo, “Gipsy”, vem em abril; “Hair”, até agosto. “7” vai para o cinema, no embalo da chegada da dupla à TV, onde o público viu o nome dos dois nos créditos da minissérie “Dalva e Herivelto”. Outra comemoração pelos 20 anos vem também amanhã, com o lançamento de “Os reis dos musicais”, biografia dos dois escrita por Tania Carvalho para a Coleção Aplauso.
“Versão brasileira” traz trechos de boa parte das traduções que Claudio Botelho fez para 25 musicais, entre espetáculos assinados pela dupla e obras montadas por outros.
Nele, Botelho está sozinho no palco. A direção é de Möeller.
— É um inferno. Claro que ele não se deixa dirigir — atesta o diretor.
O ano de 2009 também marcou a chegada a São Paulo do reconhecimento a que a dupla já se acostumou no Rio. Seis musicais deles foram para lá ano passado: “A noviça rebelde”, “Beatles num céu de diamantes”, “Sassaricando”, “7”, “Gloriosa” e “Avenida Q”. Todos foram bem.
— Foram uns seis anos para furar o bloqueio — diz Möeller, sobre o fato de eles terem demorado a entrar em São Paulo.
— Sou bairrista do Rio, apesar de ser mineiro. Mas aqui, realmente, há um movimento musical maior. Uma aceitação maior, até pelo fato de gêneros como o teatro de revista terem começado aqui — diz Botelho.
— Esse renascimento dos musicais começou no Rio. Em São Paulo, não havia nada disso até os anos 00, quando a CIE começou a fazer os seus. O Rio é mais generoso, abraçou o besteirol, que nunca deu muito certo em São Paulo.
Letrista e versionista, Botelho, de 45 anos, é mineiro de Araguari, foi criado em Uberlândia, veio para o Rio criança e se reconheceu na cultura carioca pelo elo com a música. Möeller, de 42, diretor, é paulista de Santos, foi para São Paulo e, se não o ouvem falar com carinho do teatro paulista, é porque suas primeiras experiências por lá o desequilibraram. Ele foi do Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho, onde praticava “uma técnica chamada desequilíbrio, que consistia em ficar em pé, jogar o corpo levemente para a frente e… aprender a andar”, conta o diretor no livro de Tania Carvalho (ricamente ilustrado por fotos de musicais e de álbuns de família dos dois).
— Quem era do Zé Celso era o porra-louca, livre e sensual; os do Antunes eram adoentados, silenciosos, macilentos; os da EAD (Escola de Arte Dramática), estudiosos, sabiam todas as teorias.
Até hoje, o teatro em São Paulo é coletivo. Você só existe se for de um grupo. Eu só passei a me sentir um indivíduo na minha profissão quando vim para o Rio — analisa Möeller.
Os dois se encontraram em 1990, na peça “Um e outro”, na qual Botelho tocava violão. Miguel Falabella, na direção, levou aos ensaios Möeller, que contracenava com ele numa novela.
Vinte anos depois, após quase findarem a parceria em “Cristal Bacharach” (Botelho queria mais música, e Möeller, mais texto, na briga mais séria até hoje), dominaram tanto os musicais no palco que querem passar a dirigi-los no cinema, a começar por “7”, em 2011.
Em 2010, estreiam “Gipsy” — “É o musical que os especialistas consideram o mais perfeito, e é um clássico, então faremos com cara de clássico”, adianta Botelho — e “Hair” — “É hippie, tem que ser despojado”, acrescenta Möeller. Também começam um musical sobre Myrna (pseudônimo feminino de Nelson Rodrigues), e pela primeira vez Botelho se arriscará a fazer a música, não só a letra.
— No começo, eu ajudava na bilheteria de “Cole Porter” e ouvia gente perguntar se aquele americano, Charles Möeller, era bom — conta Möeller, ao comentar a evolução do musical ao lado da carreira dos dois. — Hoje, para os testes de “Gipsy”, aparecem três mil pessoas.
— Em “O despertar da primavera”, tem noite que é show de rock — conclui Botelho. — O pessoal descobriu que musical pode ser Sondheim e hip hop, noviça e um monte de boneco falando sacanagem
O Globo – 11/01/10
CD do Despertar é lançado com comemoração
janeiro 11, 2010 by Leo
Filed under O Despertar da Primavera, Site
Ansiosamente aguardado (e desejado) pelos fãs, o CD de “O Despertar da Primavera“ foi finalmente lançado na última semana e já está à venda a princípio apenas na lojinha do Teatro Villa Lobos. Entre quinta e domingo vários fãs já adquiriram o seu exemplar (não é necessário assistir o espetáculo para se entrar no foyer do teatro e comprar o CD).
Neste domingo, 10/01, uma comemoração foi realizada ao final da sessão para celebrar o lançamento do CD. A celebração contou com a presença de todo o elenco (à exceção de Pierre Baitelli, que por motivos de saúde não pôde atuar ontem) e convidados VIP´s, como a escritora Nélida Piñon, o compositor Billy Blanco, o Ministro João Paulo dos Reis Velloso e Isabel Barrozo do Amaral; os atores Ana Rosa, Maria Ceiça, Sérgio Marone, Sophie Charlotte, Juliana Alves, Guilherme Fontes, Anderson Muller, Johnny Massaro; além de nomes do teatro musical, como Mauro Gorini, Cássio Pandolfi e Felipe Tavolaro.
O grande momento da festinha foi quando o elenco desceu as escadas em direção ao foyer do teatro, sendo entusiasmadamente aplaudido. Um dos mais festejados foi Rodrigo Pandolfo, intérprete de Moritz, e que está concorrendo ao Prêmio Shell de Melhor Ator.
Confira as fotos da celebração do lançamento do CD do Despertar e também os primeiros registros do ator Gabriel Falcão em cena:
Fotos: Leo Ladeira
Coleção Aplauso lança a história da dupla Charles Möeller & Claudio Botelho
Em homenagem ao trabalho realizado pela dupla Möeller & Botelho ao longo dos últimos 20 anos e de sua importância para a história do teatro brasileiro, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo decidiu publicar o livro Os Reis dos Musicais – Charles Möeller e Claudio Botelho, escrito por Tania Carvalho a partir do depoimento deles.
A obra faz parte da Coleção Aplauso – Série Especial e o lançamento acontece no dia 12 de janeiro, às 21h30, no Espaço Sesc-RJ (Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana), depois da estreia do espetáculo solo de Botelho, “Versão Brasileira”, em cartaz no Rio de Janeiro até o dia 7 de fevereiro.
Elenco do Despertar comemora estreia de Gabriel Falcão e indicações do Shell
Após a sessão de ontem, 07/01, do “Despertar”, boa parte do elenco do musical se reuniu no tradicional La Fiorentina para comemorar a estreia de Gabriel Falcão no espetáculo e também para festejar as cinco indicações do Prêmio Shell (ver quais foram aqui).
Juntaram-se ao grupo o diretor João Fonseca, a cantriz Marya Bravo e o designer de luz Paulo César Medeiros (duplamente indicado, como o diretor Charles Möeller), entre outros.
Veja as fotos da comemoração:
“Versão Brasileira” celebra 20 anos de parceria artística de Möeller & Botelho
janeiro 7, 2010 by Leo
Filed under Möeller & Botelho, Versão brasileira
Foto: Leo Aversa
O “Verão Vermelho” de Möeller & Botelho já está pegando fogo!
Enquanto a TV Globo exibe a microsérie “Dalva & Herivelto”, cujos números musicais foram dirigidos pela dupla, já estão sendo realizados, no SESC Copacabana, os ensaios de “Versão Brasileira”, show solo de Claudio Botelho, que celebra os 20 anos de parceria artística dele e de Charles Möeller.
Mesmo tendo sido a dupla oficialmente efetivada em 1997, com “As Malvadas”, o encontro de Möeller & Botelho data de 1990, ano em que eles trabalharam juntos pela primeira vez, no musical “Hello Gershwin”.
De lá pra cá foram mais de 20 espetáculos, incluindo a direção de uma ópera (“Magdalena”, no VII Festival Amazonas de Ópera, em Manaus), muitos prêmios, boas críticas e casas cheias.
Versão Brasileira
O show, com uma hora e 15 minutos de duração, tem concepção de Charles Möeller e Claudio Botelho, e faz um panorama da trajetória dos mais bem sucedidos diretores de teatro musical do Brasil.
Trata-se de um presente não só para os fãs da dupla, mas para os fãs de musicais, pois o espetáculo traz pérolas de clássicos do gênero, assinadas por nomes como Cole Porter, Gershwin, Sondheim, Rodgers & Hammerstein, entre outros.
Claudio apresenta algumas canções no original, e outras em português, já que são suas as versões dos principais musicais exibidos no Brasil nos últimos 10 anos. Também em português são as músicas de Chico Buarque dos musicais “Ópera do Malandro” e “Suburbano Coração”, ambos montados pela dupla, e que terão canções interpretadas por Claudio.
Em “Versão Brasileira”, Claudio será acompanhado por três músicos: Edgar Duvivier (sax e clarinete), Marcelo Castro (piano) e Thiago Trajano (violão, guitarra e banjo). O ator-cantor também contará histórias divertidas desses 20 anos de parceria.
Na estreia, no dia 12 (para convidados), será lançado o livro “Os Reis dos Musicais”, escrito por Tânia Carvalho dentro da Série Aplauso, da Imprensa Oficial de São Paulo.
Veja abaixo alguns momentos do ensaio de “Versão Brasileira”
Fotos: Leo Ladeira
“O Despertar da Primavera” e “Avenida Q” lideram as indicações ao Prêmio Shell de Teatro
janeiro 6, 2010 by Leo
Filed under Avenida Q, O Despertar da Primavera, Site
O Globo de hoje: 07/01/10:
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“O Despertar da Primavera” e “Avenida Q” lideram as indicações ao Prêmio Shell de Teatro
O musical “O Despertar da Primavera“, dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho, é o líder em indicações do 2º Semestre ao Prêmio Shell de Teatro, que elegerá em março os melhores espetáculos que passaram pelo Rio de Janeiro em 2009.
O musical de Duncan Sheik e Steven Sater, adaptado para o Brasil pela dupla Möeller e Botelho, concorre em cinco categorias, entre elas a de melhor direção e de melhor ator, para Rodrigo Pandolfo. O espetáculo concorre ainda por cenário (Rogério Falcão), figurino (Marcelo Pies) e iluminação (Paulo César Medeiros).
Em julho do ano passado, foram divulgados os indicados do primeiro semestre de 2009. A peça “Avenida Q” liderou as indicações do 1º semestre, concorrendo por direção (Charles Möeller), atriz (Sabrina Korgut), ator (André Dias) e iluminação (Paulo César Medeiros). Claudio Botelho ainda foi indicado na categoria especial, pela versão brasileira da trilha sonora do espetáculo.
Com isso, “O Despertar” e “Avenida Q” estão empatados com cinco indicações cada.
Não só Charles Möeller concorre com ele mesmo, mas o designer de luz Paulo César Medeiros também. Paulinho, como é carinhosamente conhecido, concorre por seus trabalhos em “Avenida Q” e “O Despertar da Primavera”.
Confira a lista completa dos indicados:
Autor:
(2º semestre)
Gustavo Gasparani e Eduardo Rieche por “Oui oui… A França é aqui”
Flávio Marinho por “Além do arco-íris”
(1º semestre)
Lícia Manzo por “A História de Nós 2″
Rodrigo Nogueira por “Play”
Direção:
(2º semestre)
Bruce Gomlevesky por “Festa de família”
Charles Möeller por “O despertar da primavera”
João Fonseca por “Oui oui… A França é aqui”
(1º semestre)
Charles Möeller por “Avenida Q”
Enrique Diaz por “In on It”
João das Neves por “Farsa da boa preguiça”
Ator:
(2º semestre)
Chico Diaz por “Moby Dick”
Michel Bercovitch por “Gorda”
Rodrigo Pandolfo por “O despertar da primavera”
(1º semestre)
André Dias por “Avenida Q”
Fernando Eiras por “In on It”
Otávio Augusto por “Rock N’ Roll”
Atriz:
(2º semestre)
Beth Goulart por “Simplemente eu, Clarice Lispector”
Cristina Pereira por “A tartaruga de Darwin”
Solange Badin por “Oui oui… A França é aqui”
(1º semestre)
Bianca Byington por “Farsa da boa preguiça”
Marília Pêra por “Gloriosa”
Sabrina Korgut por “Avenida Q”
Cenário:
(2º semestre)
Camila Toledo e Bia Lessa por “Formas breves”
Fernando Mello da Costa e Rostand Albuquerque por “Moby Dick”
Rogério Falcão por “O despertar da primavera”
(1º semestre)
Alberto Renault por “Dois irmãos”
Carlos Alberto Nunes por “A chegada de lampião no inferno”
Figurino:
(2º semestre)
Beth Filipecki por “As meninas”
Marcelo Pies por “O despertar da primavera”
(1º semestre)
Kalma Murtinho por “Gloriosa”
Rodrigo Cohen por “Farsa da boa preguiça”
Iluminação:
(2º semestre)
Maneco Quinderé por “Simplemente eu, Clarice Lispector”
Paulo César Medeiros por “O despertar da primavera”
(1º semestre)
Paulo César Medeiros por “Avenida Q”
Renato Machado por “A chegada de lampião no inferno”
Música:
(2º semestre)
Tim Rescala pela direção musical e arranjos de “Miranda por Miranda”
João Callado e Nando Duarte por “”Oui oui… A França é aqui”
(1º semestre)
Alexandre Elias por “Farsa da boa preguiça”
Liliane Secco por “Esta nossa canção”
Categoria especial:
(2º semestre)
CCBB pelos 20 anos de incentivo ao teatro e demais atividades artísticas
Márcia Rubin pelas coreografias de “Miranda por Miranda”
(1º semestre)
Claudio Botelho pela versão das músicas de “Avenida Q”
Galpão Aplauso pela inclusão social no teatro de forma dinâmica e produtiva, através do espetáculo “Todo mundo é mundo”
Cia. Movimento Carioca de Teatro pelo projeto de montagem de “Espia uma mulher que se mata” por sua importância para o intercâmbio cultural com o teatro latino-americano
Homenagem:
Eva Todor por sua trajetória no cenário artístico brasileiro
Os vencedores serão conhecidos em março deste ano.
Fonte: O Globo online
Versão Brasileira
janeiro 5, 2010 by admin
Filed under Versão brasileira
Ouça a entrevista de Claudio Botelho à Rádio CBN sobre “Versão Brasileira” e os 20 anos da dupla Möeller & Botelho:
Veja fotos de “Versão Brasileira”:
Fotos: Marian Starosta, Leo Ladeira, Acervo Alcione Mazzeo
Charles Möeller e Claudio Botelho falam sobre a direção dos números musicais em Dalva e Herivelto
janeiro 3, 2010 by Leo
Filed under Dalva e Herivelto, Site
Em mais um documentário dos bastidores das gravações da minissérie Dalva e Herivelto, uma canção de amor, que exibimos com exclusividade no site da Rede Globo, você vai saber mais a respeito da construção dos musicais que serão exibidos na nova produção.
Os diretores Charles Möeller e Claudio Botelho, responsáveis pelos espetáculos onde brilharão os personagens Dalva e Herivelto na telinha, contam um pouco do que vem por aí.
A estreia da minissérie é nesta segunda, 4 de janeiro.
Confira o vídeo no link abaixo:
Veja também:
” (…) Para dirigir os shows que fizeram a fama de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, o diretor Dennis Carvalho chamou a dupla Cláudio Botelho e Charles Möeller. Tidos como os grandes nomes do teatro musical brasileiro atual, os dois levaram o apuro de montagens como “Noviça rebelde” e “Sweet Charity” pela primeira vez à televisão.
— Foi um trabalho muito parecido com o que a gente faz no teatro, sem desrespeitar os shows originais e ao mesmo tempo desrespeitando tudo — brinca Möeller, que mereceu uma deferência especial da produção. — Tivemos um dia inteiro de ensaio no Quitandinha, o que é um luxo para a TV. (…)”
Revista da TV – O Globo – 03/01/10
Fotos de Möeller & Botelho em “Dalva & Herivelto”:
Retrospectiva M&B 2009 em 15 minutos
janeiro 1, 2010 by admin
Filed under 7 - O Musical, A Noviça Rebelde, Avenida Q, Beatles num Céu de Diamantes, Destaques, Entrevistas, Gloriosa, Gypsy, Hair, Möeller & Botelho, O Despertar da Primavera, Vídeos
Nós do site M&B preparamos os fatos marcantes de 2009 em vídeo, totalizando 15 minutos de material que estava arquivado, espetáculos como Avenida Q, A Noviça Rebelde, Beatles num Céu de Diamantes, 7 O Musical, O Despertar da Primavera e Gloriosa. Conta também com entrevista com os diretores, atores e também alguns projetos para este ano.
O conteúdo foi todo retirado do site, transformado em roteiro e moldado para ser apresentado de uma forma mais interativa com imagens exclusivas que só encontra aqui, confira:
Parte 1:
Parte 2:
Vídeo por: Denny Naka
Roteiro: Denny Naka e Leo Ladeira
Apresentação: Thais Conti







































































