Crítica “7 – O Musical”

abril 28, 2009 by admin  
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À leitura do currículo das montagens da dupla Charles Möeller & Claudio Botelho no programa de 7 – O Musical da 1ª, em 1996, até aos seus atuais sucessos, emociona a persistência intrépida, determinada dos jovens criadores empresários no gênero musical, com textos brasileiros, muitos, ou estrangeiros alternativos da off Broadway.

De fato, assim procederam e continuam procedendo na crença,  certamente, de que juntando a música, o canto, a dança e a palavra econômica à exuberância dos cenários e dos figurinos e ainda, hoje em dia, a uma iluminação inquieta e nervosa na busca de inimagináveis, até há pouco, efeitos plásticos, temos como conseqüência natural o cume da inteligência cênica.

Realmente, é no mínimo fascinante  tal  ruidosa manifestação, capaz, sempre, de arrastar aos teatros do mundo milhões de pessoas que buscam diversão na arte ou vice-versa.

Por sua vez,  Möeller  e Botelho re-instalaram na atividade empresarial artística o charme dos números superlativos pelo envolvimento de muitos na produção e execução de projetos cujas altas cifras o público vê inteiras no palco.

Uma preocupação: dizem que o brasileiro tem inveja do sucesso alheio. Com meia dúzia de mega sucessos em cartaz no Rio e em São Paulo, rezemos para que a ala dos eternos descontentes com a distribuição de verbas estatais – polêmicas,  às vezes-, não se voltem contra esses destemidos empreendedores, não fossem eles igualmente talentosos e eficientes nas funções de autores, diretores, letristas e outras tantas que assumem paralelamente em suas montagens teatrais.

E NÃO É QUE NELSON RODRIGUES ASSINARIA EMBAIXO?

Você pode questionar – como vem acontecendo – o uso da música de Ed Mota, pouco melodiosa para alguns, não alçando ao pódio das “assobiáveis”, como manda o bom figurino da Broadway. Mas, a nosso ver, a música aqui utilizada serve como uma luva ao tom predominantemente sombrio da descabelada narrativa.

O uso do conto gótico dos Irmãos Grimm – Branca de Neve – em paralelo ou como base para a trama urdida pelo autor Charles Möeller , resulta num inusitado flagrante do universo de Nelson Rodrigues, nosso mais transgressor dramaturgo, com tudo a que nos acostumamos em sua obra, da fase mítica ou suburbana: mulher traída e inconformada; marido fujão e mulherengo (nada menos que um certo Herculano!); cafetinas, prostitutas, cartomantes vigaristas; e um caldeirão de ingredientes melodramáticos: ódio, inveja, vingança, punhais estraçalhando literalmente corações incautos…

O tom é de tragicomédia, de uma solenidade grandiloquente, com pitadas aliviadoras, de um humor tipicamente carioca, como por exemplo na cena do morto sapateador (que arranca aplausos divertidos da platéia). É claro que o autor sabia em que fonte bebia e tal recurso, consciente ou não, alavanca o  texto para além do mero folclore da lenda “dark” da secular heroína. Nelson Rodrigues assinaria em baixo, acreditamos.

Outro aspecto positivo que salta aos olhos: o domínio técnico dos elencos brasileiros (cariocas, principalmente) nos musicais, quer cantando, dançando ou contracenando longe do psicologismo televisivo. Nesta bela montagem estamos diante de  magníficas intérpretes musicais como Zezé Mota, Eliana Pittman, Alessandra Maestrini e Alessandra Verney.

Rogéria se encarrega do humor carioquês, como a cafetina Odete, bem seguida por Ivana Domenico e Janaina Azevedo (ou Renata Celidônio). E Suzana Faini está brilhante na misteriosa Sra. A, estreando no papel aqui em São Paulo, secundada com graça por Malú Rodrigues.

Não menos importante, o naipe masculino, encabeçado por Jarbas Homem de Mello (Herculano), não só canta, como executa com  sensibilidade movimentos coreográficos de hipnótica força imagética.

A direção musical e a pequena orquestra valorizam a música original de Ed Mota, assim como as letras de Cláudio Botelho, insuperável neste item desde sempre.

Toda a produção é do mais irretocável profissionalismo, passando pelos figurinos de Rita Murtinho, pela cenografia de Rogério Falcão e pela iluminação de Paulo César Medeiros, todos “cobras”!

Como bem observou minha companheira de tantos anos, Elvira, assídua dos musicais da Broadway: parece que agora é a  Broadway que precisa prestar atenção – e aprender – com os musicais do “Aventura” (nome oficial da empresa de Möeller e Botelho.


Por: AFONSO GENTIL – Crítico Teatral filiado a APCA desde 1992.


Lenise Pinheiro registra “7 – O Musical”

abril 27, 2009 by admin  
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Uma das principais fotógrafas de teatro do Brasil, Lenise Pinheiro, esteve nos bastidores de “7 – O Musical” na semana passada para registrar as nuances e os detalhes do espetáculo de Charles Möeller & Claudio Botelho.

As fotos foram publicadas no Blog Cacilda, da Folha de São Paulo.


Confira algumas das belas imagens de Lenise:

Fotos: Lenise Pinheiro – Blog Cacilda (Folha).

Nos Bastidores de Avenida Q

abril 27, 2009 by admin  
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O Site Möeller & Botelho esteve nesta sexta-feira, 10/04, conferindo os bastidores da Avenida mais querida dos palcos cariocas.

avq-passagem-de-som-01Antes do início do espetáculo, todos os atores e a pianista e regente Zaida Valentim deram um depoimento para um vídeo especial que será produzido pelo Site.

O diretor Charles Möeller também esteve no teatro Clara Nunes prestigiando o espetáculo, assim como o produtor Sandro Chaim, o diretor João Fonseca, a diretora Cininha de Paula, entre outros.

Confira as fotos dos bastidores de ontem:

“7 – O Musical” em SP

abril 27, 2009 by admin  
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Confira a reportagem exclusiva do Site Möeller & Botelho sobre a temporada de “7 – O Musical” em São Paulo.

Depoimentos de Charles Möeller, Claudio Botelho, Alessandra Maestrini, Zezé Motta, Alessandra Verney, Rogéria, Suzana Faini e Malu Rodrigues:

Sandro Christopher entra em “A Noviça Rebelde” no papel de Tio Max

abril 25, 2009 by admin  
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Leia a entrevista do ator e cantor Sandro Christopher, que entrou em “A Noviça Rebelde”, no papel de Tio Max

A sessão de ontem, 24/04, de “A Noviça Rebelde” marcou a estreia de Sandro Christopher no papel de Max Detweiler. Sandro entra na Noviça substituindo o ator Francarlos Reis, falecido há algumas semanas.

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O Site Möeller & Botelho conversou com Sandro às vésperas de sua estreia.

  • O que está achando de participar de “A Noviça Rebelde”? O que achou do convite?

Esse foi um dos convites que mais me apanhou de surpresa. Eu estava em casa recebendo amigos no domingo de Páscoa, quando o Claudio me ligou para fazer o convite. Eu estava com uma viagem de férias marcada para Nova York e ia ficar por lá durante um mês e meio. Estou sem férias desde 2006 e tinha acabado de emendar cinco trabalhos em série. Pedi um tempo pro Claudio para pensar por vários motivos: os planos de férias, os compromissos já assumidos, mas, principalmente, porque num primeiro momento me senti muito mal em entrar para um espetáculo para substituir um colega que tinha falecido. Um grande ator como o Francarlos foi, é difícil de se substituir. Mas, depois de pesado tudo, decidi aceitar para homenagear o Fran, por ser um grande papel, para trabalhar com o Saulo que foi meu aluno e pela amizade, carinho e admiração que eu tenho pelo Charles e pelo Claudio. Estou feliz de estar de voltar a São Paulo, com um elenco maravilhoso e nesse papel que é um presente.

  • Quanto tempo você levou para ensaiar o Tio Max?

Foi tudo muito de última hora. Tive pouquíssimos ensaios por uma questão que as pessoas têm espetáculo para fazer, então eu fui assistindo para ir pegando o personagem. Ele não está absolutamente pronto ainda. Tem um tempo dele amadurecer. A vantagem de se fazer dois espetáculos num mesmo dia é que a gente força o amadurecimento. É que nem fruta, que se embrulha no jornal para amadurecer rápido. Eu to nesse processo. To embrulhado no jornal. O elenco, que é uma delícia, ajuda muito. A Estela Ribeiro é uma partner fenomenal, a Kiara é ótima, as crianças são ótimas, enfim, todo o elenco. Eu tenho muitos amigos no elenco. Então me sinto em casa! Isso te dá também uma segurança de subir no palco em tão pouco tempo. Só estou aqui há uma semana e foram três ensaios.

  • Que tal voltar a trabalhar com Möeller & Botelho?

Trabalhar com os meninos é sempre um prazer. Somos amigos há cerca de 20 anos e pensamos de maneira muito parecida. Dividimos essa grande paixão pelo teatro musical e sempre fiz trabalhos com eles que me deram muito prazer. E na minha idade, só vale a pena trabalhar por prazer ou muito dinheiro (Risos). Nós fizemos juntos inúmeras coisas e em várias combinações diferentes. O Charles fez figurinos para mim para diversas óperas em que cantei, o Claudio traduziu coisas que eu fiz, eu fiz assistência de direção em peças que o Charles fazia o cenário, eu e Claudio dividimos a cena em “Candide”, os dois me dirigiram, enfim… uma parceria de 16 anos. Estou feliz e espero que o publico venha se divertir conosco nessa peça deliciosa.

Veja mais fotos da estreia de Sandro Christopher como Tio Max:

“7” em Progresso

abril 21, 2009 by admin  
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7 – O Musical” estreia em São Paulo com novos nomes no elenco e cenas modificadas


Considerado o mais autoral (e mais ousado) dos espetáculos de Charles Möeller & Claudio Botelho, “7 – O Musical” estreou em São Paulo no último final de semana com o desafio de seduzir o público paulista com uma sombria história de amor e ódio passada em um Rio de Janeiro atemporal e soturno.

Contrariando os que dizem que Möeller & Botelho só trabalham com velhos amigos, “7” traz um elenco improvável e jamais reunido: além de atores-cantores consagrados como Alessandra Maestrini, Alessandra Verney, Jarbas Homem de Mello, Ivana Domenico e Betto Serrador, o espetáculo reúne ainda nomes como Zezé Motta, uma de nossas cantrizes precursoras; a cantora Eliana Pittman, que faz sua estreia em teatro; a transformista Rogéria, que brilha na pele de D.Odete; e a atriz Suzana Faini, que faz seu primeiro trabalho com a dupla e tem a ingrata – porém honrosa – missão de substituir Ida Gomes no papel da Sra.A. Ida faleceu em fevereiro de 2009, alguns dias após o término da temporada carioca de “7”.


Cenas modificadas

A montagem de “7” em São Paulo traz também outras novidades: a jovem Malu Rodrigues, que havia feito Louise Von Trapp na temporada carioca de “A Noviça Rebelde”, assume o papel de Clara, no lugar de Marina Ruy Barbosa.

Do ponto de vista dramatúrgico também houve mudanças. Uma das cenas do espetáculo, a do espelho (o “Coração no Bosque”) foi retirada e o solo de Eliana Pittman, logo no início do segundo ato, foi modificado.

“A cena anterior era muito bonita, mas nós já tínhamos vontade há algum tempo de facilitar a vida da plateia e tirar algumas das pistas falsas que poderiam criar confusão para a compreensão do espetáculo. Todo o início do segundo ato até o final da Cena do Bebê, embora tivessem seus méritos, não avançavam a ação em nada, eram apenas uma alegoria antes de entrarmos novamente na história. Então privilegiamos a história e o ato já começa”, explica o diretor Claudio Botelho.

“A canção interpretada pela Eliana Pittman ganhou nova letra e funciona agora quase como um entreato, uma pré-cena para o que virá. A música e o arranjo são exatamente os mesmos. O que mudou foi apenas uma parte da letra. Eu gostava da letra original, mas esta é mais direta e um pouco menos confusa para a história”, diz Botelho.

Já o diretor Charles Möeller lembra que “7” é um ‘work in progress’ (“é a única vantagem de ser autor e diretor”, brinca ele).

“Com o primeiro tratamento do texto dava para montar uma trilogia. Originalmente tinha todo o passado de Herculano, toda a infância de Amélia e a própria começando a envelhecer… Tinha Odete, Carmem e Rosa jovens. Era realmente um ‘E O Vento Levou”, ri o diretor.

Charles frisa que em teatro o processo é esse mesmo – as coisas vão sendo depuradas com o tempo e vai se percebendo o que funciona e o que soma, e vice-versa.

“O fato de fecharmos o primeiro ato com o uivo de Amélia tapando os ouvidos, pois não quer escutar os ecos do seu sortilégio em frente à Sra.A, desesperada por ter entendido seu trágico destino de ter que matar aquilo que ela ama, fazia com que o público fechasse uma parte do quebra-cabeça e saísse no intervalo intrigado com uma sensação de ‘o que é isso?’ Ao voltarmos do intervalo precisávamos esclarecer imediatamente essa questão levantada e não confundir mais. Precisávamos voltar do ponto em que paramos. Era essa a questão principal”, explica Möeller.



Desembaralhando o enredo

Charles concorda com Claudio que o número do espelho, embora adorável, confundia o público: “É das músicas que eu mais gosto, mas esse número servia pra embaralhar de vez a cabeça de quem espera algumas respostas pra se manter interessado na trama. Ele começava com um berro de Madalena dizendo que uma mulher congelou e desembocava na entrada da Sra.A brigando com Clara, que repetia o numero “Esfregando o chão” com outra letra. Muitas pessoas achavam ali que Clara era Amélia”,

Segundo Charles, o auge da confusão se dava quando a Madrinha Rosa entrava com outro figurino (anos mais jovem ou não), com um outro bebê e cantando uma música de ninar. “Já temos um bebê na peça que é a menina que havia acabado de ser abandonada em casa por Bianca. Então dava a impressão que a Rosa estava com a filha de Bianca que se chamava Amélia, afinal não havíamos falado que a filha de Herculano e Bianca era Clara! O que a Rosa estaria fazendo com o filho de Bianca e Herculano no colo? Parecia que o bebê havia sido sequestrado e entregue à Rosa pra ela criar, como mais um castigo de Carmem e Amélia contra Bianca”, desembaraça o diretor.

“A maioria das pessoas achava que tudo isso era muito claro, mas alguns me questionavam esses ruídos. Musical quando não é cartesiano é difícil, pois as pessoas querem respostas imediatamente para se sentirem inteligentes. Lendo um livro de dramaturgia, me veio uma luz. Ele dizia que no primeiro ato você levanta as perguntas e no segundo você as responde. Eu ainda estava levantando questões no segundo ato! Preferi não falar de Clara e da Sra.A, para focar em Amélia. Foi duro e triste, mas ficou melhor e o público paulista recebeu a peça bem melhor e com mais entendimento”, revela Charles.


CD à vista

Outra novidade da temporada paulista foi o anúncio (tão esperado pelos fãs do musical) do lançamento do CD de “7”.

“Finalmente o CD será gravado. Não sei muitos detalhes ainda, mas ao que parece a Trama vai realmente gravar o CD. Vamos usar atores dos dois elencos nas diversas faixas. Até eu e Ed vamos participar como cantores (a princípio). Nunca entendi porque consegui lançar ‘Company’, ‘Lado a Lado com Sondheim’ e ainda não tinha sequer conseguido entrar num estúdio pra gravar ‘7’. Era uma frustração absoluta. Mas parece que isso vai ser resolvido agora, antes do fim da temporada paulista”, diz Claudio Botelho.


Serviço

7 – O Musical
Temporada de 17 de abril a 6 de junho
Sextas, às 21h30. Sábados, às 21h. Domingos, às 18h.

Teatro Sergio Cardoso
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista
Tel: 3288-0136
Ingressos a R$ 40 (platéia) e R$ 20 (balcão)
Duração: 2h15
Lotação: 856 lugares
Classificação etária: 14 anos
Vendas Online:
www.ingressorapido.com.br

Fotos: Site Ego, Agência Estado, Denny Naka.

Por Dentro da Avenida Q

abril 17, 2009 by admin  
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“Por Dentro da Avenida Q” – Vídeo especial para o Site Möeller & Botelho

Confira uma reportagem com o elenco completo de “Avenida Q”, os diretores Charles Möeller & Claudio Botelho; e a regente Zaida Valentim.

Parte 01:

Parte 02:

Branca de Neve em versão dark

abril 16, 2009 by admin  
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O espetáculo 7 transforma a fábula infantil em musical, narrado por canções soturnas de Ed Motta

O Estado de São Paulo – Ubiratan Brasil – 16/04/09

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Sete são os pecados capitais e também as maravilhas do mundo. As pragas do Egito são sete assim como as cores do arco-íris. E sete são os anões da Branca de Neve, história infantil que inspirou o mais autoral trabalho da dupla Claudio Botelho e Charles Möeller, que estreia hoje para convidados, no Teatro Sérgio Cardoso, e que se chama justamente 7 – O Musical.

“O número é emblemático e nos surgiu durante o processo”, conta Möeller, autor do texto e responsável pela direção. “E a fábula da Branca de Neve é apenas o ponto de partida, pois a história é como um tratado sobre a inveja”, completa Botelho.

A trama desconstrói a história infantil ao centralizar a narração na madrasta má, Amélia (Alessandra Maestrini), que é trocada pelo namorado por Bianca (Alessandra Verney), jovem pura, simples e bonita. Aconselhada por sua madrinha (Eliana Pittman), Amélia consulta uma cartomante, Carmen dos Baralhos (Zezé Motta), que a submete a sete pedidos para recuperar o amor.

De todas, a sétima tarefa revela-se a mais complicada: conseguir o coração de alguém que nunca tenha se apaixonado. Com isso, Amélia vai parar no bordel de Dona Odete (Rogéria), onde se envolve com o jovem Álvaro (Pedro Sol) e sofre nas mãos de outras funcionárias do local, Madalena (Janaína Azevedo) e Elvira (Ivana Domenico). Ao mesmo tempo em que a trama segue, uma misteriosa velhinha, Senhora A. (Suzana Faini), conta para a afilhada a história de Branca de Neve, em uma das chaves do misterioso enredo.

Os fatos se desenrolam em uma Rio de Janeiro que bem poderia ter sido recriada por Tim Burton: escura, tenebrosa e onde até neva. O tom de ópera dark surgiu quando Botelho e Möeller foram surpreendidos pelo cantor e compositor Ed Motta. “Em 2001, depois de assistir à nossa montagem de Company, ele nos procurou para dizer que tinha algumas canções sem letra que se encaixariam em um musical”, lembra Botelho, que ficou com um CD demo. A audição foi surpreendente. “Não eram canções simples, pois sugeriam personagens, dramaturgia, com diálogos já desenhados entre contralto e soprano. Não tinha assunto, mas era absolutamente teatral.”

Admirador de autores clássicos dos musicais como Stephen Sondheim e Cy Coleman, Ed Motta já ensaiava há muito uma aproximação com o gênero. “Compus algumas canções cuja melodia acabei incorporando em meus álbuns”, conta ele, sensivelmente inspirado por artistas diversos, como Carla Bley e Paul Haines (Escalator Over the Hill ) e até Frank Zappa (Absolutely Free). “Para o musical, é preciso uma acuidade sonora muito grande, um controle com o desenho de cordas, com a letra.”

Claudio Botelho, então, realizou o sonho de criar letras para as canções – autor das elogiadas versões em português dos grandes musicais da Broadway recentemente montados no Brasil, ele domina a dicção do gênero, sabendo qual sílaba é a mais correta para determinada nota. Assim, o trabalho com Motta começou em 2004 e terminou três anos depois.

O tom soturno das composições (“Acho que ouvi muito Sweeney Todd, do Sondheim”, brinca Motta) logo inspirou Charles Möeller a criar sua melancólica história sobre a frieza que domina as almas humanas. Não foi difícil pois ele já pesquisava sobre os contos dos irmãos Grimm – não as versões edulcoradas de Walt Disney, mas os aspectos mais adultos, especialmente a crueldade. “Charles é um obcecado estudioso desses contos, colecionando versões e traduções ao longo do tempo”, conta Botelho.

Para dar vida a personagens tão marcantes e distintas, Möeller e Botelho decidiram escalar um elenco sui generis, com artistas de gerações e trajetórias bem distintas, além de uma cantora, Eliana Pittman, estreando como atriz. “São mulheres de forte personalidade, que exigiam papéis especialmente escritos para cada uma”, explica Möeller.

Do grupo que encenou o musical no Rio de Janeiro, apenas uma alteração sentida: Suzana Faini substitui Ida Gomes, que interpretou Senhora A. até janeiro deste ano, um mês antes de morrer. “Ida foi uma das primeiras atrizes escolhidas, pois queríamos alguém que tivesse uma voz marcante”, lembra Botelho. “Como fez muitas dublagens para filmes e desenhos, Ida tinha um tom muito conhecido, que contribuiu fundamentalmente para a criação de toda a atmosfera do espetáculo.”

Como não observou cuidadosamente o trabalho de Ida, Suzana Faini sentiu-se à vontade para criar seu próprio trabalho. “Não me lembro de detalhes da atuação dela, o que me ajudou”, conta a atriz que, curiosamente, utiliza o mesmo figurino da antecessora. “As roupas e os sapatos serviram bem. É como se ela estivesse ainda acompanhando o espetáculo.”


UM ELENCO INUSITADO

  • ELIANA PITTMAN: Com uma discografia que ultrapassa 20 álbuns, a cantora conta que precisou adaptar-se para o musical. “Nos shows, eu enlouqueço; no palco, porém, tenho de seguir o que manda o diretor”, conta ela, que tem dois solos em cena.
  • ZEZÉ MOTTA: Com vasta carreira, a atriz e cantora sentiu-se agradavelmente surpreendida com seu papel em 7: “Pela primeira vez, vou interpretar uma personagem má”, brinca ela, que vive a cartomante Carmen. “Por isso, tive dificuldade em descobrir a melhor forma de interpretá-la.”
  • ROGÉRIA: Sem esconder a idade (completa 66 anos em maio), a artista que já fez shows na Europa e na África conta que ficou apavorada quando foi convidada para o musical. “Saí da mesmice e ainda criei a maquiagem que uso em cena.”

Serviço

7 – O Musical. 135 min. 14 anos. Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153, 3288-0136. 6.ª, 21h30; sáb., 21h; dom., 18h. R$ 20 (balcão) e R$ 40 (plateia). Hoje, para convidados. Até 31/5.


Arquivo Möeller & Botelho: Estreia de “Ópera do Malandro”

abril 16, 2009 by admin  
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O Programa Multishow em Revista (Multishow) foi aos bastidores da estreia de “Ópera do Malandro” (agosto de 2003), no Teatro Carlos Gomes (RJ).

Veja as entrevistas de Charles Möeller, Claudio Botelho, Mauro Mendonça, Soraya Ravenle, Lucinha Lins, Maria Carolina Ribeiro,  Alessandra Maestrini, Beto Carramanhos, Paulo César Medeiros e Liliane Secco.

Veja também a visita especial de Cláudia Jimenez, que foi conferir os ensaios e se emocionou ao ouvir novamente as canções. Claudia chegou a desejar boa sorte à Ivana Domenico, que interpretou o mesmo papel que ela havia feito em 1978: Mimi Bibelô.

Confira ainda cenas de bastidores e a entrada dos convidados na estreia, incluindo nomes como Bibi Ferreira, Bárbara Heliodora e Lázaro Ramos.

Parte 01:

Parte 02:

A Noviça Rebelde: Assovios na Fila do Toilette

abril 14, 2009 by admin  
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O musical A NOVIÇA REBELDE, que ficou em cartaz no Rio de Janeiro durante quase 01 ano finalmente chega a São Paulo. O espetáculo é uma merecida unanimidade de público e crítica e um dos projetos mais apaixonados (isso resulta na qualidade indiscutível) da dupla Claudio Botelho e Charles Möeller, que nos últimos 10 anos tem trazido para o espectador brasileiro versões inspiradíssimas de sucessos da Broadway e do West End londrino.

As 2h45 do estonteante musical passam como se fossem 5 minutos. O elenco teve algumas modificações. Saulo Vasconcelos e Ricca Barros ficaram no lugar de Herson Capri no papel do Capitão Von Trapp. As crianças cariocas foram todas substituidas por paulistanas (Julia Gomes, Maria Netto e Guilherme Lobo são uns encantos). KIARA SASSO, depois de protagonizar “A Bela e a Fera” e “Fantasma da Ópera” prova mais uma vez que é uma estrela de voz incrivelmente cristalina e uma presença cênica marcante.

Durante os 15 minutos de intervalo é curioso verificar, na fila do toilette, o som da música dos assovios de nostálgicos espectadores de meia-idade revivendo em suas memórias canções da infância. “Do, Ré, Mi” sendo assoviado por senhores na fila do banheiro é realmente uma unanimidade. Na plateia um público de 3 a 90 anos totalmente petrificado com a qualidade do musical. Pais que levam suas crianças para ver o fosso da orquestra e seus músicos. Um domingo de páscoa realmente mágico e especial, com um elenco extremamente energético e carismático e um teatro lotado que levará esses momentos para o resto de suas vidas.

Claudio e Charles não páram. Devem dormir apenas 2h por noite. A energia palpitante da dupla faz com que além de “Noviça” estejam em cartaz em SP também com “Beatles Num Céu de Diamantes” (Shopping Eldorado), “7 – o Musical (no Teatro Sérgio Cardoso) e “Sassaricando” (no Procópio Ferreira). Há um mês estrearam no Rio (com elogios da crítica) a versão brasileira de “AVENUE Q” e fazem as audições para achar o elenco perfeito para “O Despertar da Primavera” (Spring Awakening).

“A NOVIÇA REBELDE” (The Sound of Music) é absolutamente imperdível, encantador e mágico! Levem suas esposas, maridos, crianças, avós, primos, funcionários, amantes, visitantes e papagaios. E terão momentos que ficarão para sempre!

Por: Paulo Neto – Site Drops Magazine.

Malu Rodrigues: De Louisa para Clara

abril 10, 2009 by admin  
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Em fevereiro desse ano ela se despediu de Louisa Von Trapp, personagem que viveu por 10 meses no musical “A Noviça Rebelde”, com direção de Charles Möeller & Claudio Botelho.

Agora, a jovem atriz e cantora Malu Rodrigues se prepara para um novo desafio: viver a menina Clara em “7 – O Musical”, também dirigido por Möeller & Botelho.

Na temporada paulista de “7”, que terá início no próximo dia 17, ela substitui Marina Ruy Barbosa.

Batemos um papo com Malu sobre essa nova personagem em sua carreira.

O que você está achando de viver a menina Clara em “7 – O Musical” nesta temporada paulista?

Eu estou achando incrível! A Clara é muito viva! Uma menina criada de uma forma bem diferente. Não vai à escola, não tem nenhum amigo, não conhece ninguém a não ser pela “Mãezinha” que foi quem a criou. E, além disso, vive numa casa sem espelhos, o que, vamos combinar, é um tormento para uma mulher (risos). Não poder se ver? Imagina! (risos). Vai ser algo totalmente novo pra mim. Estou muito ansiosa. E é em São Paulo… Mesmo já tendo feito teatro, cinema e TV, é minha primeira peça fora do Rio. E o musical vai ser um sucesso. Tenho certeza!


O papel é bem diferente da Louisa de “A Noviça Rebelde”. É outro tipo de musical…

Com certeza! (risos). A Noviça foi outra experiência incrível. Eu nunca em toda a minha vida tinha trabalhado com um elenco tão unido, e agora com o “Sete” parece ser maravilhoso, tanto como na Noviça. O clima é bom, as risadas, o grupo em si, parece que todos somos um! Pertencemos à mesma família.

Bom, a Clara é muitoooo diferente da Louisa e também da Liesl, que cheguei a fazer. A Clara é louca! A Louisa, mesmo sendo a mais levadinha da família Von Trapp, foi criada com muita disciplina, assim como a Liesl. A Clara conhece apenas a “Mãezinha” dela, já a Louisa e a Liesl foram criadas com seis irmãos, tiveram várias babás, elas são ‘normais’ digamos assim. Tiveram uma criação normal (um pouco exagerada até). A Liesl era como uma figura materna pros irmãos, já que eles não tinham mãe. Elas são completamente diferentes da Clara.


“7″ vai te exigir mais como atriz do que como cantora…

Estou achando isso muito legal, assim eu posso mostrar também um pouco mais do meu lado de atriz! É bom mostrar que eu não sei só cantar (risos).


E trabalhar ao lado de nomes como Alessandra Maestrini, Alessandra Verney, Rogéria, Zezé Motta… o que significa pra você?

Não tenho nem o que dizer! Todas são cantrizes incríveis! São de um carisma e um profissionalismo impressionantes. Eu estou muito feliz de trabalhar ao lado delas, aliás, dos meninos também. Todos são incríveis. São uns fofos. Queria agradecer ao Charles e ao Claudio, pela confiança e experiência incrível que estão me proporcionando. Trabalhar com um elenco desses, com esses diretores, e num papel desses… é simplesmente inexplicável a alegria que eu estou sentindo. Me faz ter mais certeza do que eu já tinha de que é isso que eu quero pro resto da minha vida.


Já fez teste de maquiagem, figurino e cabelo? Como se viu na pele da menina Clara?

Eu fiz na semana passada, quando fui tirar as fotos pro programa de São Paulo. O Beto Carramanhos é maravilhoso e o figurino é lindo. Além disso, me senti outra pessoa com o figurino, cabelo e maquiagem prontos. Me senti na pele de Clara. Foi muito bom.

SERVIÇO

7 – O Musical
Temporada de 17 de abril a 6 de junho
Sextas, às 21h30. Sábados, às 21h. Domingos, às 18h.

Teatro Sergio Cardoso
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista
Tel: 3288-0136
Ingressos a R$ 40 (platéia) e R$ 20 (balcão)
Duração: 2h15
Lotação: 856 lugares
Classificação etária: 14 anos
Vendas Online:
www.ingressorapido.com.br

Bate-Papo com Möeller & Botelho na Casa do Saber

abril 9, 2009 by admin  
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Um bate-papo informal sobre o teatro musical produzido no Brasil  e a trajetória dos diretores Charles Möeller e Claudio Botelho. Esse foi o mote principal do evento “A Dupla que reinventou a arte do musical ‘made in Brazil”, ocorrido na noite de segunda, 6/4, na Casa do Saber (RJ).

O encontro foi mediado pelo crítico do jornal O Globo Jefferson Lessa. Em duas horas de bate-papo com apreciadores do gênero, os diretores abordaram temas como preconceito contra musicais, crescimento do teatro musical no Brasil, dramaturgia de musical, entre outros.

Inicialmente, Claudio fez um panorama da cena musical no Brasil desde as revistas da Praça Tiradentes, passando por montagens importadas da Broadway nos anos 50 e 60, pelo musical de protesto dos anos 70 e o renascimento do musical no Brasil, com biografias de astros da MPB no Rio (anos 90), e a produção da CIE Brasil (atual Time for Fun) em São Paulo, já na década de 2000.

A entrevista foi ilustrada por trechos de musicais da dupla, como “A Noviça Rebelde”, “Beatles num Céu de Diamantes”, “7 – O Musical”, “Sweet Charity”, “Lado a Lado com Sondheim” e “Ópera do Malandro”.

Leia a seguir alguns dos principais momentos do evento:

Sobre o teatro musical nos anos 60/70

“Com o regime militar, houve um declínio do gênero teatro musical que era feito no Brasil. Havia uma identificação do repressor com o modelo americano de entretenimento. O teatro, que sempre foi um lugar de muita resistência, optou por outros temas, indo para um campo de resistência. O teatro musical passou a ser fortemente ligado à política. Surgem então os musicais de Chico Buarque, Edu Lobo, Guarnieri, do Arena etc. Tudo aquilo tinha um viés político que não existia até então”. (Claudio)

Preconceito contra musicais

“Existe um preconceito contra o gênero. O musical é meio híbrido. Ele não é erudito como a ópera. Ninguém é capaz de falar mal da ópera. E há o preconceito pelo musical estar muito ligado aos Estados Unidos. O brasileiro tinha uma relação maior com o teatro de revista, que era naif, trazia tipos populares, como o caipira, a nega fulô e outros tipos brasileiros. O musical, por ser associado aos Estados Unidos, sofre com um ranço de esquerda que permaneceu. É como se você estivesse impondo ao mundo uma coisa alienante. Existem 300 Broadways dentro da Broadway. As pessoas falam da Broadway como se fosse só Holiday on ice. Existem musicais seríssimos, difíceis, de proposta densa e existem musicais só para entreter”.  (Charles)

O novo boom do musical no Brasil

“No final dos anos 80 e início dos 90 houve uma retomada de espetáculos musicais no Rio de Janeiro.  Eram muito ligados à biografias. Foram feitas biografias de vários cantores, o que até gerou um desgaste.  Nós mesmos participamos de duas: ‘O Abre Alas’ e ‘Cole Porter – Ele Nunca Disse que me Amava’, que não era exatamente uma biografia e sim uma fantasia.  Ao mesmo tempo em São Paulo começou um novo boom de importações, com a entrada no mercado da CIE Brasil. O primeiro musical que eles trouxeram foi ‘Rent’, que não deu certo porque esse musical não viaja bem mesmo. Ele só deu certo em Nova York. Não funcionou nem em Londres.  Depois fizeram ‘Les Miserables’, ‘O Beijo da Mulher Aranha’, ‘O Fantasma da Ópera’, ‘A Bela e a Fera’. Esses espetáculos chegavam aqui com cenário pronto, figurino pronto. Os atores entravam e faziam a peça.  Eu participei de todos eles na tradução. Enquanto que no Rio havia algumas propostas que tentavam fomentar alguma coisa, em São Paulo, até pelo poder econômico, os espetáculos vinham prontos”. (Claudio)

“O musical virou de cabeça pra baixo o teatro brasileiro nos últimos 10 anos. Ele lida com uma coisa que o teatro havia esquecido: o público. O teatro era feito para os amigos, para os parentes, para os críticos. O musical trouxe de volta o público”.  (Claudio)

“Nós estamos em 2009. Em 98 ninguém jamais imaginaria que seria possível se montar uma ‘Noviça Rebelde’ da maneira como foi feito. Quando eu comecei a fazer musical, tinha um microfone desse tamanho pendurado na testa e tudo apitava. Era um desastre. Evoluiu muito rápido graças ao interesse da plateia”. (Claudio)

“A magia do musical se dá quando ele é linkado em uma única linguagem. Quando o texto conversa com o cenário, que conversa com o figurino, quando a equipe de criação tá toda conectada”. (Charles)

Teatro musical brasileiro

“Eu não agüento quando abro o jornal e vejo alguém montando um novo musical e dizendo: ‘agora vamos mostrar o verdadeiro teatro musical brasileiro’.  Parece que nós (Möeller & Botelho) estamos negando as nossas origens. Nós somos dois diretores brasileiros. Se a gente vai fazer um musical, a gente tá fazendo um musical brasileiro. Pra mim a Noviça é brasileiríssima. Se um diretor monta Pinter, ninguém reclama: ‘por que ele está montando Pinter, se ele não é brasileiro?’ Mas se você vai montar um musical americano, começam as críticas”. (Charles)

Teatro no Rio e em São Paulo

“O Rio tem uma cabeça mais cosmopolita. São Paulo ainda tem um ranço forte. Um ranço do teatro do sofrimento, da vertigem, que tem culpa de ser feliz, de ganhar dinheiro, de pagar elenco, dar salário”. (Charles)

O início

“Quando fizemos ‘Hello Gershwin’ com a Claudia Netto e direção do Marco Nanini todo mundo falou que a gente estava doido. Ninguém ia ver. Mas tivemos uma crítica muito boa do João Máximo, que falou bem das versões que o Claudio fez. Do ‘Hello Gershwin’ até ‘As Malvadas” foram muitos anos investindo naquele gênero, tentando entender qual era o mecanismo dele. Quando fizemos ‘As Malvadas’,  nós optamos, pela primeira vez no Rio, por um time de atores que poderiam ser cantores. Anteriormente a seleção não era feita para a pessoa cantar, mas se expressar. As pessoas diziam que eram ‘atrizes que cantavam’, como se cantar fosse menor, como se fosse uma vergonha. Quando a gente colocou esses cantores em cena, deu um clique. E a partir daí passamos a investir mais”. (Charles)

“As Malvadas trazia Kiara Sasso, Alessandra Maestrini, Gottsha, Ivana Domenico e Ada Chaseliov. As pessoas que iam ver ficavam surpresas pelo fato das atrizes cantarem muito bem. Não tinha muita concorrência naquela época. Era incrível ver aquelas mulheres cantando”. (Claudio)

Mercado de Trabalho

“Foi um investimento que começou a abrir um leque no mercado. As pessoas que sabiam que podiam cantar começaram a ver que existia um nicho ali para elas. E isso se deu através das audições e através dos atores. Esses profissionais começaram a encontrar um lugar no mercado. Isso fez com que o mercado ficasse mais preparado. Na nossa primeira audição as pessoas cantavam ‘Agonia’, do Oswaldo Montenegro, ‘O Barquinho’…”  (Charles)

“Essa mudança de perspectiva para os elencos é absolutamente fundamental. Abriu um campo de trabalho para pessoas que, sem ele, certamente não estariam na profissão. Há muita concorrência na MPB, mas no teatro há um lugar para eles e um lugar honesto. A pessoa tem que ser boa”. (Claudio)

“Não foi só o mercado de atores-cantores que cresceu. O de técnicos também. A quantidade de técnicos no backstage da Noviça é impressionante. São mais de 20 pessoas trabalhando lá atrás. Uma peça regular tem geralmente um diretor de cena, um contra-regra e uma camareira. Não é possível se fazer assim em musical. Em ‘Avenida Q’ há todos os dias, trabalhando no teatro, um elenco de oito nomes, uma orquestra de seis e os técnicos. Ao todo são 30 pessoas trabalhando. Aumentou a quantidade de mão de obra empregada. A especialização é muito grande. É uma realidade”. (Claudio)


Tradução

“Nos anos 50/60, as traduções eram feitas pelo produtor, como o Victor Berbara. Ele traduzia do Espanhol.  Quando você conhece as versões em Espanhol, você entende de onde ele tirava aquelas coisas. Não havia nenhuma preocupação com métrica musical. Ele traduzia, colocava a letra e ‘vamos cantar’. Não teve nenhum letrista com essa função na época”. (Claudio)

A MPB e o teatro musical

“A música popular brasileira dos anos 60 pra cá se interessou muito pouco pelo teatro. Tirando Chico Buarque e Edu Lobo, a gente não teve nenhum compositor se dedicando ao gênero. Por isso eu me sinto um herói em ter conseguido trazer o Ed Motta para o teatro. É disso que o teatro brasileiro precisa para que exista um musical brasileiro. Musical só existe por causa do compositor. Não adianta ficar só fazendo biografias, que são só colagens e não têm dramaturgia nenhuma.

Nós já estamos sendo procurados por outros compositores brasileiros, como Carlinhos Lyra, Milton Nascimento, Danilo Caymmi, Francis Hime e o Roberto Carlos, que desejam ter suas obras no teatro”.  (Claudio)

Cole Porter

“Foi nosso primeiro sucesso de público. Contamos a vida do Cole Porter através do ponto de vista das mulheres que o cercavam, como a esposa, a mãe,  a maior intérprete, as amigas. Ele mesmo não aparecia. Era a vida de Cole Porter sem ele. Só aparecia com uma voz gravada em alguns momentos. Era para ficar um mês, ficou três anos em cartaz, entre Rio, São Paulo e Portugal. Houve um encantamento com o espetáculo que funcionou”. (Claudio)

Company

“A gente conseguiu alguns feitos impressionantes. Tivemos críticas ótimas e conseguimos algo raríssimo em nossa carreira que foi trazer o Sondheim ao Brasil. Ele não sai da casa dele no Central Park para ir à Broadway, mas esteve no Brasil para ver a nossa montagem. E ele adorou a peça”. (Charles)

Dramaturgia de musical

“A dramaturgia de musical é uma coisa específica. Acho que tem que haver milhares de musicais mesmo, mas eu sou apenas diretor de musical. Eu não faço outra coisa a não ser dirigir teatro musical. Eu sei que a luz no musical é diferente, assim como o cenário e o figurino. Dramaturgicamente ele também não é como uma peça comum. Nem todo autor de teatro convencional funciona no teatro musical”.  (Charles)

“O público brasileiro tem uma dificuldade enorme de gostar de música que ele não conhece.  Todo mundo vai para uma ópera para ver aquela ária famosa. Mas o musical precisa do estranhamento. Existe um compositor que quer que o público goste da música, estranhe a música ou se incomode com a música. O musical é o único gênero do teatro que as pessoas vêem 40 vezes a mesma peça. Isso se dá porque elas têm uma ligação com a música. As pessoas querem escutar de novo aquela música. No teatro musical, a música é a catarse, é onde a ação caminha. Depois da música tudo muda. É onde o monólogo acontece. É o ‘ser ou não ser’ do Hamlet”.  (Charles)

“Não adianta só escrever uma peça e enfiar a música lá, como muitos fazem. O que aconteceu com essa febre de musicais biográficos foi justamente isso. A demanda cresceu, os produtores são espertos, os atores querem fazer sucesso. Aí decide-se: ‘vamos fazer um musical’. Escolhem um cantor, escreve-se a história dele e enfiam um monte de músicas conhecidas”. (Charles)


7 – O Musical

“O 7 talvez seja nosso espetáculo de menos público, mas eu me orgulho muito dele. Eu sei que ele é um divisor, assim como Cole Porter e Company foram. ‘7’ é o musical novo, o musical moderno. As pessoas não vão assisti-lo da primeira vez e achar aquela música dissonante legal. Elas vão ter que descobrir, se reeducar. A nossa tentativa é criar plateia. Eu não quero fazer teatro apenas para um público específico. Eu não quero ficar fácil. Senão eu faria o Sassaricando II. O que a gente fez no João Caetano foi uma coisa muito corajosa. A gente apanhou muito. A gente saiu do ‘Sassaricando’ e entrou na semana seguinte com o ‘7’. Mas a gente insistiu e o ‘7’ encontrou o seu público, que não é o mesmo público dos musicais saudosistas”. (Charles)

“O ‘7’ teve trabalhos de atores incríveis. É o último trabalho da Ida Gomes, que faleceu alguns dias depois de fazer a última sessão. Tem um trabalho extraordinário da Rogéria em uma performance incrível, tem a Zezé Motta, a Alessandra Maestrini…” (Claudio)


A Noviça Rebelde

“Eu adoro a peça, sou louco por esse musical. A minha família é de origem austríaca, eu sou o 8º filho, meu pai é militar. Sou totalmente identificado. O que eu mais queria na Noviça era não negar a Noviça. Sou muito resolvido comigo mesmo. Eu não preciso aparecer. Jamais faria uma Noviça com adultos fazendo as crianças, com cenário todo preto… Eu gosto da história. É uma história linda e real. Ele tá no inconsciente de todos porque toca em tópicos de todo mundo. Até os mais duros ou intelectuais se identificam com alguma das questões da peça, seja com um pai durão, a gata borralheira que se casa com o príncipe encantado, com os ideais… A Noviça é um dos maiores sucessos da nossa carreira porque ela é diferente do filme. A gente respeita a ordem da peça. Eu também acho que a nossa Noviça seja brasileira porque as nossas crianças são mais barulhentas, elas sentam no chão, elas abraçam o pai, choram. Isso criou um link com a plateia brasileira”. (Charles)

Fotos na Casa do Saber: Leo Ladeira
Foto 7 – O Musical: Paulo Ruy Barbosa

Site Möeller & Botelho faz homenagem a Francarlos Reis (1941 – 2009)

abril 8, 2009 by admin  
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Francarlos Reis e Estela Ribeiro em ”A Noviça Rebelde” (foto: Marcos Mesquita)

O ator Francarlos Reis, o Tio Max da montagem paulista de “A Noviça Rebelde“, morreu nesta quarta-feira, 8/4,  após sofrer um infarto fulminante durante a manhã em sua casa, em São Paulo.

O espetáculo não será suspenso. O ator Dudu Sandroni, que era sub de Francarlos, assumirá o papel de Max. A produção e o elenco de “A Noviça Rebelde” farão uma homenagem a ele na sessão de amanhã.

Carreira

Francarlos Reis nasceu em Piracicaba, em 27 de dezembro de 1941.

Iniciou sua carreira em 1970, com o musical  “Hair” (direção de Ademar Guerra).

Foi o fundador, ao lado de Jandira Martini, Ney Latorraca, Ileana Kwasinski, Eliana Rocha e Vicente Tuttoilmon do Royal Bexiga Company.

No Teatro, atuou em montagens como “Capital Federal”, “O Inspetor Geral”, “O Jardim das Cerejeiras”, “Com a pulga atrás da orelha”, “O Doente Imaginário”, “Pequenos Burgueses”, “Medéia”, “Abajur Lilás”, ” À Puttanesca”, “Operaçao Abafa” e “A Cabra ou Quem É Sylvia?

Em 2007, Francarlos alcançou grande sucesso no musical “My Fair Lady” e, em 2008, atuou em “West Side Story”.

Em março de 2009, ele estreou o musical “A Noviça Rebelde“, com direção de Charles Möeller & Claudio Botelho.

Em entrevista ao Site Möeller & Botelho, às vésperas da estreia da Noviça, Francarlos definiu seu personagem, Max Detweiler: “Ele é um bom vivant, que gosta de comer bem, beber bem. Ele se aproveita dos ricos. Mas a trajetória dele é muito bonita porque no final ele se redime dessa futilidade e acaba salvando a família”.

Confira fotos* de trabalhos de Francarlos:

Como Alfred Doolittle em “My Fair Lady”

Com Adalberto Halvez, Sara Sarres, Bianca Tadini, Fred Silveira e Luciano Andrey nos bastidores de ”West Side”

Francarlos Reis (dir) no ensaio de “A Noviça Rebelde” em São Paulo

Com Estela Ribeiro, nos ensaios de “A Noviça Rebelde” (2009)

Francarlos Reis em entrevista para o Site Möeller & Botelho sobre “A Noviça Rebelde”

Francarlos Reis na saída de “My Fair Lady”  (2007)

* Fotos: Denny Naka – © Site Möeller & Botelho

Charles Möeller e Fred Silveira falam sobre Francarlos Reis

abril 8, 2009 by admin  
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A morte repentina de Francarlos Reis, nesta quarta-feira, 8/4, pegou de surpresa a todos os fãs, amigos e colegas do ator, que nos últimos anos participou de três musicais de sucesso: “My Fair Lady”, “West Side Story” e “A Noviça Rebelde”.

O ator e cantor Fred Silveira, que trabalhou com Francarlos em “My Fair Lady” e “West Side Story”, e o diretor Charles Möeller, que conheceu Fran (como era conhecido), no início de sua carreira e o dirigiu em seu último trabalho, “A Noviça Rebelde“, lembram com carinho do ator:

“Dentro de mim existe um silêncio desde o momento que soube da morte do Francarlos ontem de manhã. Um silêncio natural de quem relembra cada palavra, cada olhar, cada gesto do incrível Fran durante os ensaios e espetáculos que compartilhamos, pra não esquecer nunca mais. Para mim o Fran foi um colega professor. Observar aquele Alfred Doolittle e aquele Doc em cena foi uma aula de amor ao teatro, de entrega, de generosidade.

Logo que conheci o Fran me assustei, mas ao mesmo tempo me divertia com sua sinceridade as vezes bem pontiaguda. Via nele um homem sem ‘mais ou menos’. Era um homem que amava lá no fundo ou odiava lá fundo (era engraçado ouvir o seu característico “Eu odeeeeeeio…” seguido do seu objeto de ódio eterno, mesmo que fosse uma formiguinha passando ou quando simplesmente começasse a chover, ou mesmo que esse ódio durasse apenas alguns minutos). E ao mesmo tempo era lindo ver a preocupação dele, nas coxias,  depois do meu Tony ter levado um tapa na cara do seu Doc, “Está tudo bem? acho que dei com muita força hoje”, dizia.

Lembrei-me das vezes que ficamos alguns momentos sós, como no dia em que ele veio no meu carro, de carona, para o West Side Story. Aproveitei aquele momento, de trânsito eterno de São Paulo, para conhecer melhor aquele senhor, e posso dizer com muita certeza que foi um dos dias mais importantes pra mim naquela temporada, pois ver o Fran me contando a sua trajetória desde o dia em que decidiu largar tudo, me mostrando fotos dele magrinho e cabeludo, que guardava na sua pasta, foi muito emocionante pra mim, pois o vi como uma criança quando fala do seu brinquedo preferido. Foda!

Lembro do último dia de West Side, pois ele foi a última pessoa quem abracei antes de descer aos camarins depois da última sessão. Nunca vou esquecer dos seus olhos marejados e das suas palavras de esperança de um dia trabalharmos juntos novamente. Me espere Doc!

Fran, onde quer que você esteja vai arrasar com a plateia e com certeza vai ser o mais aplaudido e vai receber as risadas mais altas.

Termino com o que ele deixou escrito no meu programa do My Fair Lady “… Em My Fair Lady quase sogro, em West Side Story quase pai”.

Muito obrigado, Fran, por ter tido a oportunidade de compartilhar sua sabedoria, seus humores, seu sorriso, sua alegria e suas tristezas. Merda!”

Fred Silveira

“Conheci o Fran há muitos anos, primeiro como ator. Eu era um daqueles adolescentes fanáticos que assistiam todas as peças. Cresci vendo ele brilhar em produções como O Jardim das Cerejeiras”, “Com a pulga atrás da orelha”, “O Doente imaginário”, “Pequenos Burgueses”, “O inspetor Geral”. Ficava bobo com seu carisma e com sua capacidade de fazer qualquer coisa brilhantemente. E com um carisma único de colocar o espetáculo que estava no bolso.

Sempre via o Fran jantando todas as noites na mesma mesa no restaurante Planetas, no Gigeto em São Paulo, sempre rodeado de velhos amigos. Era um figura paulista que a gente cresce ouvindo falar. Foi um dos fundadores da Royal Bexiga Company, uma geração de atores paulistas brilhantes, como Marcos Caruso, Jandira Martini, Eliane Rocha, Ileana Kowzinsck, Jussara Freire…

Assim que me mudei pra São Paulo fui trabalhar como assistente de cenografia de uma peça do Marcos Caruso que o Fran produzia e fiquei amigo e filho dessa turma toda, afinal eu tinha apenas 16 anos.

Tive o prazer de estar perto deles todos muito cedo na minha vida e sempre fui adotado, mimado e protegido por essa turma de feras. Jantar após os ensaios era a melhor parte da vida. Eu ficava ouvindo eles contarem historias  às gargalhadas. Ficava imaginando como eu queria ser como eles, e como gente de teatro era interessante. Queria ser igual àquela gente pra ter direito a estar  naquela mesa ao lado deles, ter histórias tão engraçadas e brilhantes pra contar e gargalhar dos erros e fracassos. Acima de tudo queria ser como o Fran, que  roubava a noite, pois onde ele estava era uma festa. Até seu mau humor era engraçado.

Vim pro Rio e perdemos o contato. Anos mais tarde fui fazer cenografia de Medeia com o Takla e ele era o Jasão. E parecia que a gente nunca tinha se afastado. Ficamos reconectados  imediatamente. Sempre com seus olhares de perfil e comentários brilhantes e ácidos nos momentos certos, com um tempo de comédia incomum tanto na vida como em cena. Estar ao seu lado era ingresso para a alegria.

A primeira pessoa que eu convidei para o Tio Max de “A Noviça Rebelde” foi o  Fran, mas ele havia acabado de aceitar o convite pra fazer o “West Side Story” do Takla. Mas assim que soube que o Fernando Eiras sairia na temporada do Rio eu o convidei de novo. Fran prontamente aceitou, sem nem ver a peça. Ele era assim. De decisões.

Ele tem uma historia de vida linda. Trabalhava como advogado em uma firma no Rio e estava super estabilizado. Uma noite foi assistir o ‘Hair’ – isso em 1970 – e disse: ‘é isso que eu quero fazer da  vida’. Largou tudo. Sem lenço e sem documento. Saiu do escritório e fim. Pra sobreviver passou a tocar piano em bares com música ao vivo e num desses bares, numa madrugada lá pelas tantas entra um jovem casal e pede para o Fran dar uma canja no piano. Eram ninguém mais, ninguém menos que as estrelas do ‘Hair’, Armando Bógus e Sonia Braga! Eles ficaram encantados vendo o Fran tocar piano e cantar e contar suas loucuras. Imediatamente o convidam pra audicionar para uma substituição que haveria no ‘Hair’ no dia seguinte. Parecia uma piada cósmica. Fran, que  havia largado tudo pelo ‘Hair’ estava sendo procurado pra audicionar para ‘Hair’ sem nunca ter ida bater a porta de ninguém. Ele fez audição em 1970, passou a integrar o elenco brasileiro de ‘Hair’ e nunca mais largou a carreira.

Nos últimos anos o Fran voltou a sua origem: o musical. Fez trabalhos inesquecíveis no ‘My Fair Lady’, no ‘West Side Story’ e, ultimamente estava colocando a Noviça Rebelde no bolso como sempre fez desde que eu o conheci lá em 86!  Seu delicioso Tio Max vai ficar pra sempre na minha memória. O Fran saiu da minha vida como entrou: de repente, sem pedir licença e sem muito chororô. Sem frescura. Saiu e bateu a porta! O mais bonito é pensar que ele no domingo estava sendo aplaudido por mil pessoas enlouquecidas com seu talento: Bravo Fran!!!

Charles Möeller

Marcela Altberg: “Ficamos muito satisfeitos com as audições”

abril 6, 2009 by admin  
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Marcela Altberg (ao centro) conversa com Charles Möeller e membros da equipe durante as audições de “O Despertar da Primavera”

No último sábado, 4, chegou ao fim o processo de testes de elenco para o musical “O Despertar da Primavera” (Spring Awakening), com direção de Charles Möeller & Claudio Botelho. As audições ocorreram durante toda a semana. Dos 700 jovens que enviaram currículo, foram ouvidos 180.

A seleção dos candidatos ficou a cargo de uma das mais conceituadas produtoras de elenco do país, Marcela Altberg, que atuou como uma verdadeira “caça-talentos”. Segundo ela, a audição teve resultado muito positivo, apesar de ter sido trabalhosa:

“Foi super positivo, mas difícil. Analisamos cerca de 700 currículos e agendamos 180 pessoas. Tivemos pessoas muito legais e algumas que não eram exatamente o que estávamos procurando, mas acho que no final ficamos felizes. Surgiram possibilidades muito legais. Agora vamos pensar e analisar onde as coisas vão se encaixar”, disse Marcela ao final da ‘maratona’ de testes.

A produtora de elenco destacou também a ferramenta de inscrição pelo site Myspace, uma novidade no país: “No início eu penei um pouquinho para entender a dinâmica, mas depois fluiu bem. Muitas pessoas também não sabiam a princípio como proceder, mas depois todo mundo entendeu. Só que algumas pessoas enganam um pouco pelo vídeo (risos). Mostram uma coisa e aqui eram totalmente diferentes”.

Outro ponto positivo foi o alto nível dos candidatos. “Veio muita gente de São Paulo, Brasília, Minas… Eram pessoas muito bem preparadas, tanto que foram selecionadas para a audição mesmo sendo de fora do Rio”, afirmou Marcela.

O anúncio dos selecionados será feito no final de abril.

Charles Möeller: “Quem fica com o papel é quem fez a melhor audição”

abril 6, 2009 by admin  
Filed under Entrevistas, O Despertar da Primavera

Charles Möeller, ao lado de Claudio Botelho, observa atentamente a teste de candidato

Foi uma semana muito cansativa, mas muito produtiva. À procura dos jovens atores que farão os papéis de Melchior, Wendla, Moritz, Ilse & Cia, o diretor Charles Möeller foi incansável. Conversou com os candidatos, fez marcas, dirigiu, deu dicas, acalmou, deu segundas chances aos mais nervosos e acima de tudo, esteve o tempo inteiro atento a cada um que passou pelo palco onde foram realizadas as audições de “O Despertar da Primavera” (Spring Awakening).

Do primeiro ao último candidato, de segunda-feira a sábado, Charles tratou todos com o mesmo respeito e carinho, sendo talentoso ou não, conhecido ou não.

Confira a entrevista que o diretor concedeu ao Site Möeller & Botelho, minutos após o término dos testes, no último sábado.

Qual o balanço que você faz dessa audição?

Fico muito feliz porque nós estamos nos profissionalizando muito nessa área de audição. Essa questão da pré-seleção foi muito importante porque evita que tenhamos que escutar milhares de pessoas que não têm a menor noção do que seja um musical, nem a menor ideia do que é a peça que eles vão fazer, que não têm currículo, enfim, são curiosos.

Ao mesmo tempo nós temos oportunidade de escutar pessoas que nós nunca ouvimos, que às vezes não vão ser usadas nessa peça, como já aconteceu várias vezes nos meus elencos. Se vejo uma pessoa ótima, que tem um fogo, uma luz, uma chama, acho que é boa para se guardar. Eu fiz isso com o elenco masculino de “7 – O Musical”. Vários foram reprovados no teste de “Cristal Bacharach”. Isso aconteceu muitas vezes na minha vida.

Charles faz as marcas para teste de candidato


Por que a audição é importante?

A audição é importante para tudo dentro do teatro musical. É para descobrir pessoas novas, para direcionar pessoas, para apontar caminhos. Você pode falar para um candidato se concentrar mais em uma parte, pode aconselhar que ele procure um professor de voz, que dê mais ênfase à interpretação, entre outros toques. Com isso, a gente acaba formando pessoas de audição. Não se pode pensar que é marmelada, que colocamos as pessoas x. Não existe isso. Existem pessoas que têm que estar prontas para a audição. Eu sempre digo que sou justo nas audições. Passo quem for melhor. Eu não passo uma pessoa que  penso que ficará incrível, que tem futuro… ou uma pessoa que foi mal em uma audição, mas com trabalho, pode-se dar um jeito. Isso não acontece. Quem fica com o papel é quem fez a melhor audição. Se é desconhecido, se tem carreira, se tem 10 anos de teatro, se fez 20 peças comigo, ou se não fez, isso não interessa. É por isso que a gente faz audição. É um jeito de você fazer um soduco (jogo de quebra-cabeça). Entram o talento, o tipo físico, a voz, a interpretação e se tem química com o resto do elenco, porque assim como em “A Noviça Rebelde”, “7” e todas as peças que eu fiz, você precisa ver as pessoas juntas. Você precisa acreditar que essas pessoas são amigas, estão na mesma classe, moram nesse mesmo lugar. Essa é a minha função aqui, separar o joio do trigo.

Como lidar com o “não” em um teste?

Em uma audição, o “não” não significa um fracasso. O “não” faz parte dessa profissão e ensina muita coisa. Não é que você tenha perdido. É que naquele dia, naquela audição, naquela peça talvez você não estivesse totalmente preparado. Essa é a cultura da audição. Não significa que você tenha que levar uma derrota para casa. Você tem que levar é que você já fez essa audição. Que você fará outra e fará outra. Há pessoas que me falam: ‘poxa, já fiz cinco audições para você e nunca fui aprovado’. Eu falo: ‘Você está cada vez melhor e quem sabe na 6ª vez eu passe…’ Há pessoas que fizeram audições para mim muitas vezes e eu disse ‘OK, agora chegou sua vez’. Não pode ter esse complexo. Essa escola a gente precisa ter no Brasil. As pessoas são muito mal-tratadas pela televisão, que trata todo mundo como gado. Aqui não é gado e não tem comparação de talento. Todo mundo pode ser talentoso ou todo mundo pode não ser talentoso. A gente precisa arrumar um time e um time precisa de uma determinada voz, que às vezes não é tão brilhante como aquela outra, precisa daquele tipo, daquele ator que dá aquela vida pro personagem. Enfim, é muita coisa em questão. Teatro musical não é só um item.

Muitas pessoas falaram ao Site Möeller & Botelho da maneira carinhosa e respeitosa com que foram recebidas por vocês durante as audições…

Eu fui ator durante muitos anos. E sempre fiquei impressionado quando via que algumas pessoas quando se tornavam diretores, se tornavam também detestáveis. Eu não entendo isso. Se a pessoa está ali, ela merece respeito. No momento do teste, os candidatos estão se debatendo com muitos problemas. É claro que há pessoas equivocadas demais, mas se elas estão na seleção, elas acham que são capazes de alguma coisa. Eu nunca seria capaz de dizer para alguém ‘você é um lixo’ ou interromper a pessoa na primeira nota que ela cantar. A pessoa pode estar nervosa, estar com dificuldade, a pessoa pode estar precisando muito de trabalho, de dinheiro, então pra que humilhar? Eu não entendo a política do humilhar. Eu fico impressionado quando me contam que alguns diretores fazem esse exercício babaca de poder, e falam coisas do tipo ‘você é uma merda’, ‘o que você está fazendo aqui’. Ou então fazer piada na cara do candidato. Já soube que houve casos da banca ficar às gargalhadas enquanto um candidato estava se matando de cantar. É por isso também que a gente faz pré-seleção. Se o candidato é pré-selecionado, ele deve ter alguma coisa que a produtora de elenco viu nele. Todo candidato que está no palco está frágil. E é horrível aproveitar um momento frágil do candidato para rir dele. Eu fiz muita audição na minha vida e por sorte fui bem tratado em quase todas as vezes. Quando fui bem tratado, eu fui melhor ator, eu me senti melhor como pessoa e me encorajou para uma próxima audição. Se eu for mal-tratado e humilhado por uma banca, eu não volto para a próxima banca. Então eu como um diretor que precisa de gente nova e que vem renovando os elencos e trabalhando para que eles melhorem, preciso investir em pessoas que estejam prontas.  Eu gosto muito de audição. É onde o sonho começa. E é fundamental ter um elenco que parta de mim. Se eu olhar a pessoa e ver “essa é o meu Melchior”, “essa é a minha Wendla”, “esse é o meu Moritz”, eu sei que vou poder mexer com eles. Por isso eu não gosto de trabalho por encomenda, com elenco pronto.

Algumas pessoas não gostam quando atores de TV fazem teatro musical…

Eu não tenho preconceito contra nada. Não tenho preconceito contra ator que vem de televisão, contra ator que nunca fez nada… eu quero que a pessoa seja boa. Algumas pessoas me escrevem questionando o fato de eu chamar alguém de televisão. E daí se ela for boa? E daí se eu acreditar nela? Mas as pessoas precisam saber que isso não é uma regra na minha peça. Ao mesmo tempo eu posso colocar uma pessoa que eu nunca vi na vida. Eu tive uma proposta de um grande ator global pra fazer essa peça como Melchior e uma grande atriz global pra fazer a Wendla. Eles são famosíssimos, lindos, cantores e a gente optou por não chama-los. Enfim, o que conta pra mim é talento.

Claudio Botelho: “Foi um dos testes mais difíceis que já participei”

abril 6, 2009 by admin  
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Claudio Botelho conversa com sua equipe durante os testes de “O Despertar da Primavera”

Após uma semana inteira ouvindo dezenas de jovens que tentavam uma vaga para o elenco de “O Despertar da Primavera” (Spring Awakening), o diretor Claudio Botelho conversou com o Site, e falou sobre a dificuldade das audições e o papel da produção de elenco.

Qual é o seu balanço após uma semana de audições?

Foi um teste muito difícil, talvez um dos mais difíceis que eu já participei. “O Despertar da Primavera” é um musical atípico. É um musical muito dramático, que precisa de atores muito jovens, capazes de cantar bem e representar papéis complicados. São papéis de um viés psicológico que não são vistos em quase nenhum musical. E é uma peça clássica, onde os personagens estão inteiros. Não é uma adaptação superficial.

E quanto ao nível dos candidatos?

“O nível dos atores brasileiros tá muito bom. Achei que chegaríamos no final sem os protagonistas, mas isso não aconteceu”.

Vocês trabalharam com uma produtora de elenco, a Marcela Altberg. Qual a contribuição que o trabalho dela traz?

É fundamental essa função que tá começando a nascer com os musicais que é a de diretor de casting. É um profissional que trabalha para trazer pessoas para a gente. No nosso caso trabalhamos com a Marcela Altberg, com a colaboração da Tina Salles. É uma função importante, pois o profissional precisa imaginar quem pode caber naquele papel. Qualquer musical da Broadway, qualquer musical americano precisa de um diretor de casting para fomentar os diretores. Já tem algum tempo que estamos trabalhando com a Marcela, que é uma especialista nessa área, principalmente em cinema e televisão. Ter isso no teatro é um luxo. Impede que a gente fique atirando pra tudo que é lugar. É um trabalho sério. É preciso conhecer a peça, conhecer os personagens. Imaginar quem vai caber naquele perfil. Algumas vezes vêm pessoas que ela não tem certeza se cantam muito bem, mas podem representar bem. Nesse caso a gente decide o restante: se canta ou não.

Um teste mostra o real potencial de um artista?

Teste é um grande mistério. Tem gente que é ótima e não rende em teste. Eu mesmo quando trabalhava como ator nunca passava nos testes. Por isso eu sempre insisto que as pessoas dêem o melhor delas, porque sei o quanto é complicado.

O Elenco de “Avenida Q” no programa Mais Você

abril 5, 2009 by admin  
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André Dias, Sabrina Korgut, Fred Silveira e Renata Ricci, do elenco de “Avenida Q“, estiveram na última quinta-feira, 02/04, no programa Mais Você (TV Globo), onde falaram sobre a química dos atores com os bonecos, entre outros temas. Foi exibida também uma matéria registrando uma visita de Ana Maria Braga e do Louro José aos bastidores de “Avenida Q“.

Parte 01:


Parte 02:



Claudia Netto fala sobre “Avenida Q” no Sem Censura

abril 5, 2009 by admin  
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A atriz e cantora Claudia Netto esteve na última sexta-feira, 03/04, no programa Sem Censura (TV Brasil), onde falou sobre a Japa Neuza, a personagem que interpreta no musical “Avenida Q“:

Uma Audição Inesquecível

abril 4, 2009 by admin  
Filed under Fique Ligado, O Despertar da Primavera

Jovens elogiam metodologia e tranquilidade das audições de “O Despertar da Primavera”

A audição de “O Despertar da Primavera” (Spring Awakening) está chegando à sua etapa final.

Nesta sexta-feira, 03/04, mais um grupo de candidatos aprovados na primeira fase voltou ao Tereza Rachel para novas apresentações.

Alguns que não puderam se apresentar na primeira fase, tiveram sua oportunidade ontem, como Léo Rommano e Gabriel Ebling, que vieram de São Paulo especialmente para o teste e estavam acompanhados do amigo carioca Davi Guilhermme.

“Eu mando material para Möeller & Botelho desde ‘7 – O Musical’. Esta é a primeira vez que eles me chamam. Acompanho o trabalho deles há muito tempo. Gosto do trabalho deles independente do tamanho da produção. Eles já fizeram musicais de produção pequena, mas que eram belíssimos, como ‘Lado a Lado com Sondheim”, frisou Léo, que cantou “Why God Why?”, de “Miss Saigon”.

Já Gabriel, que cantou “Endless Night” de “O Rei Leão”, ressaltou a proposta desafiadora de “Spring Awakening”: “Colocar um elenco que a média de idade seja de 20 anos em um trabalho sério, com uma grande produção é algo inovador. Eu quero participar primeiro porque o texto é um clássico incrível. A gente alimenta o ego de ator com espetáculos como esse. O Spring aborda questões polêmicas que a sociedade tem até hoje pudores de falar”.

Muitos dos candidatos elogiaram o modus-operandi das audições de “O Despertar da Primavera”, seja pela oportunidade de se passar o texto com colegas antes da apresentação ou pela inscrição por meio de vídeos no site Myspace.

“É gostoso poder fazer esse ensaio antes. Quase não existe essa oportunidade de se entrosar com o parceiro de cena. No geral é ‘vambora’. Aí fica um teste meio superficial”, afirmou o mineiro João Maia.

“Foi uma audição bem diferente de outras. Achei mais humana. Não é uma coisa ‘American Idol’, disse Gabriel Ebling.

“Foi um dos melhores testes que eu já fiz. A equipe é super tranquila. Eles conversam, perguntam coisas. Tem essa preocupação de passar a música antes, de poder ensaiar uma cena com o parceiro”, complementou a paulista Kotoe Karasawa.

Parceiro de cena dela, o mineiro Douglas Di, compartilha da mesma opinião: “Eu estava tenso antes, mas quando entrei e vi a equipe, fiquei muito tranquilo. Eles tratam a gente de uma forma super bacana”.

A ferramenta de inscrição pelo Myspace também foi elogiada pelos candidatos.

“A chance de você se mostrar pelo vídeo é bem diferente de você se mostrar por um currículo. Apesar d´eu cantar, não tenho grandes experiências com musical e o vídeo foi uma oportunidade de mostrar que sei cantar, tanto que eles viram e me chamaram para o teste. Fora isso talvez eu não viesse. É um recurso muito bom”, disse o carioca Diego de Oliveira Fonseca, que no teste cantou ‘All That’s Known’.

Bruno Sigrist, que cursa Artes Cênicas na Unicamp e fez cena de Moritz, elogiou a escolha de produzir ‘Spring Awakening’ no Brasil. “Quando soube que ia acontecer o musical aqui, meu olho ficou gigantesco. Comentei com meus amigos que eu ia à luta. É um tipo de musical muito diferente e que me interessa muito fazer”.

Kotoe, que fez “Miss Saigon” em São Paulo, também se diz fã do musical: “Tenho uma paixão por ‘Spring Awakening’. Eu gosto muito da peça alemã, que é bem dramática. Achei que o musical deu um toque suave que ela tinha que ter para que as mensagens chegassem melhor às pessoas. Eu gosto muito dos conflitos que a peça mostra do mundo dos adolescentes”.

“To achando o máximo porque é uma oportunidade que surge para atores e cantores de musical novos, que estão na faixa de 18 a 20 anos. Existe uma demanda para essa categoria de atores, mas um musical feito só com jovens é difícil, ainda mais sendo uma produção de Charles e Claudio”, complementa João Maia.

Hoje acontecem os últimos testes. A sorte está lançada!

Confira mais imagens das audições de “O Despertar da Primavera” desta sexta-feira:

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