Bonecos sim, mas para adultos

fevereiro 27, 2009 by admin  
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Fenômeno da Broadway, Avenida Q chega ao Brasil com a assinatura de Charles Möeller e Claudio Botelho

fevereiro 27, 2009 by admin  
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Imagine um lugar onde convivem em harmonia moças e “monstras” de família, artistas frustrados, ex-celebridades, trabalhadores, desempregados, devassas, solteironas amarguradas, orientais ranzinzas, gays com um pé fora do armário, tarados virtuais, ursinhos de pelúcia maléficos, humanos e bonecos igualmente desbocados e irreverentes. Esta é a ‘Avenida Q’, musical que surgiu de mansinho em 2003 no circuito Off-Broadway e, apenas quatro meses depois, estreou no Golden Theater, de onde nunca mais saiu de cartaz, sagrando-se vencedor de três Tony´s (Melhor musical, melhor música original e melhor libreto). A ‘Avenida Q’ e seus personagens politicamente incorretos se mudam para o Brasil a partir de 06 de março, no Teatro Clara Nunes, sob a batuta de Charles Möeller e Claudio Botelho. A produção nacional é da Bottega D´Arte – Dalva Abrantes, Marcos Amazonas e Marcos Mendonça, que fazem sua estréia na área teatral.

‘Avenida Q’ chamou a atenção desde o início por seu formato inusitado, ao mesclar personagens humanos com bonecos, manipulados pelos atores que permanecem em cena durante todo o espetáculo. À primeira vista, esses bonecos podem remeter ao universo infantil e lúdico de programas célebres como ‘Vila Sésamo’ e ‘Muppet Show’ – fontes de inspiração declarada dos criadores Robert Lopez e Jeff Marx, que assinam letra e música, ao lado de Jeff Whitty, autor do libreto. Entretanto, canções como ‘Se você for gay’ e ‘Todo mundo é meio racista’ não deixam dúvidas de que o alvo deste espetáculo são os maiores de idade. O diretor Charles Möeller é enfático: “Avenida Q é um musical de bonecos para adultos”. Claudio Botelho, autor da versão brasileira, complementa: “É o mais irreverente dos musicais atuais”.

Charles e Claudio assistiram o musical na Broadway e foi paixão à primeira vista. “Saí de lá completamente alucinado, com a certeza de que montaria no Brasil, mesmo sendo um musical tão diferente, com o uso de bonecos, que é um elemento com o qual jamais imaginei trabalhar”, revela Möeller. “Depois assisti à versão londrina e percebi que o humor é universal e o espetáculo atrai a juventude de forma impressionante. Os adolescentes iam com camiseta, botton, gorro. Os bonecos viraram uma celebridade”, complementa.

A ousadia do musical conquistou Charles Möeller. “Acho corajoso montar, em tempos tão politicamente corretos, um espetáculo que não tem medo de ser politicamente incorreto e de mexer com tabus como racismo, homossexualidade, sempre com muito humor e ironia. A peça discute temas profundos de uma maneira muito leve”, afirma. “O espetáculo fala desses assuntos sem meias palavras”, acrescenta Botelho.

O musical conta a história de Princeton, um jovem recém formado que parte em busca de uma nova vida na capital, carregando grandes sonhos e pouco dinheiro no banco. Ele aluga uma moradia na Avenida Q (ele começa tentando na Avenida A, onde vivem os ricos). Lá conhece Brian, o comediante desempregado, e sua noiva, a terapeuta sem clientes JapaNeuza; Nicky e seu companheiro de quarto Rod — um bancário conservador que esconde um segredo. Há ainda Trekkie Monster, um viciado da Internet, Kate, a graciosa professora-assistente do jardim de infância, a fogosa Lucy de Vassa, os ursinhos do mal e a Dona Coisa Ruim, além do superintendente do edifício, que é um antigo astro mirim da televisão (Gary Coleman, astro polêmico e decadente da televisão americana). Juntos, Princeton e seus novos amigos se esforçam para encontrar trabalho, amor e um rumo para suas vidas. Brian, JapaNeuza e Gary Coleman são os três personagens humanos que convivem com todos os bonecos em perfeita harmonia.

Na criação da variada galeria de personagens reside uma das maiores riquezas de ‘Avenida Q’. “O mundo só quer saber dos vencedores, mas, na verdade, os especiais e os eleitos são muito poucos. A vida é feita pelo segundo time, pessoas que também tem ótimas histórias para contar”, afirma Charles. “Esse espetáculo fala especialmente de aceitação. Humanos e bonecos convivem harmonicamente e rindo de tudo, inclusive uns dos outros. O humor é a melhor maneira de chegar perto de si mesmo”, finaliza.

O sucesso de ‘Avenida Q’ na Broadway foi tamanho que logo o musical ganhou uma versão em Londres, agraciada com o Variety Club Award de melhor musical. Em 2003, quando ainda estava no circuito Off-Broadway, no Vineyard Theater, o espetáculo venceu o prêmio Lucille Lortel Outstanding New Musical, bem como uma nomeação para o prêmio Outer Critics Circle Outstanding Off-Broadway Musical. Apenas quatro meses depois, em 11 de julho de 2003, iniciou sua vitoriosa carreira na Broadway, sempre no Golden Teather.


A Avenida Q brasileira

Oito atores dividem o palco com 16 bonecos, vindos diretamente dos Estados Unidos para a versão brasileira, com concepção e desenho de Rick Lyon. O elenco nacional é formado por Sabrina Korgut (Kate Monstra, Lucy de Vassa), André Dias (Princeton, Rod), Claudia Netto (JapaNeuza), Fred Silveira (Nicky, Trekkie Monstro), Renato Rabelo (Brian), Mauricio Xavier (Gary Coleman), Renata Ricci (Dona Coisa Ruim, Ursinha do Mal, Ricky) e Gustavo Klein (Ursinho do Mal, Recém-chegado). “Queríamos reunir um primeiro time dos musicais e costumo dizer que selecionei um elenco kamikaze, de pessoas com uma dedicação integral ao projeto, que envolve canto, dança e ainda a manipulação de bonecos, o que exige um esforço quase sobre-humano”, explica Charles.

Para Claudio Botelho, embora a essência do texto permaneça absolutamente fiel ao original, foi necessário realizar transposições para o universo brasileiro. “Mantivemos a ação na Nova York original, mas foram feitas diversas adaptações e aproximações com o universo brasileiro, incluídas aí “liberdades poéticas” com a nossa política, geografia, termos nacionais e etc. Nossa história se passa então lá mesmo, num canto menos valorizado do Village, mas poderia perfeitamente rolar em qualquer recanto do Rio ou São Paulo”, explica. “A Avenida Q não existe, é um lugar onde todo mundo pode vir e se reconhecer. Por isso, não precisamos transportar a ação para o Brasil, pois apenas minimizaria tudo, particularizando uma realidade que é universal”, complementa Charles.

Os atores ensaiam diariamente com os bonecos, sob a supervisão de Zé Clayton. “À medida que os ensaios foram avançando, os atores começaram a desenvolver uma cumplicidade que é um misto de alter-ego com uma relação filial com os bonecos, que ganharam vida própria. Eles têm a mesma respiração!”, entusiasma-se Charles.

Claudio Botelho conta que teve liberdade total para fazer a sua versão do texto e das canções. “Já fiz vários trabalhos com a Music Theatre International, agência que licencia o espetáculo pelo mundo. Eles sempre me dão carta branca para adaptar. A preocupação é não deixar o musical com cara de “traduzido”, mas fazer tudo soar novo e original para nosso público”. Os cenários de Rogério Falcão e os figurinos de Mareu Nitschke também estão sendo criados para a montagem nacional. Paulo César Medeiros assina a luz.

Charles e Claudio se declaram fãs das canções. “Adoro as músicas e as letras, que são modernas, mas também flertam com a Broadway mais clássica”, confessa Botelho. “O book é tão perfeito que não precisei mexer em absolutamente nada, mantive o clima pop/rock do original”, revela Möeller. A direção musical ficou a cargo de Marcelo Castro, que comanda uma banda formada por Zaida Valentim (teclado 1/regência, Heberth Souza (teclado 2), Thiago Trajano (guitarra/banjo/violão), Márcio Romano (bateria), Omar Cavalheiro (baixo elétrico e acústico) e Alex Freitas (sax/flauta/clarinete).


Serviço:

Teatro Clara Nunes
Rua Marques de São Vicente, 52 – Gávea/RJ – (21) 2294-1096

Horário:
Quin e sex às 21h30 | Sáb às 17h e 21h30 | Dom às 20h

Preços: Quin – R$ 80 | Sex – R$ 90 | Sáb e dom – R$ 100

Formas de pagamento de ingresso na bilheteria: dinheiro | Venda pela internet: www.ingresso.com (aceita todos os cartões)

3° Piso – Tel.:2274-9696

Bilheteria:
Ter e Quar.: 14h ás 21h
Quin a Dom.: 14h ás 21h30m

Censura: 14 anos

Site Möeller & Botelho faz homenagem a Ida Gomes

fevereiro 23, 2009 by admin  
Filed under 7 - O Musical

Aos 85 anos de idade e 65 de carreira, a atriz Ida Gomes, a inesquecível Srª A de “7 – O Musical“ faleceu neste domingo, 22/02, às 19h, em consequência de uma pneumonia, no Hospital Samaritano.

Ida já tinha sido escolhida para ser a grande homenageada da 21ª edição do Prêmio Shell de Teatro do Rio, pela contribuição ao teatro brasileiro. De acordo com parentes, ela estava preparando o discurso de agradecimento com muita alegria.

Seu último trabalho foi justamente “7 – O Musical”, de Charles Möeller & Claudio Botelho,  pelo qual foi indicada ao Prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio).

Ida Gomes foi, antes de tudo, uma grande companheira.

Escrevemos  “7 – O Musical”  pensando sempre nela para o papel da Senhora A. Ela foi a inspiração para o personagem, sua voz e sua personalidade contribuiram fundamentalmente para a criação de toda a atmosfera de “7”.

Ida aceitou o convite para participar do elenco sem ler o texto. Um telefonema nosso e ela respondeu com uma vibração quase infantil que adoraria fazer um musical e que topava o que tivéssemos para oferecer.  A partir da estréia, foi uma das mais entusiasmadas defensoras do espetáculo, lutou conosco em todos os momentos para que tivéssemos uma vida mais longa nos palcos. Ida foi inclusive a reuniões com patrocinadores para seduzir novos investimentos e manter a dispendiosa produção em cartaz.

É uma tristeza enorme imaginar o “7” sem Ida. A temporada em São Paulo, marcada para finalmente estrear no dia 16 de abril próximo, foi um dos sonhos dela e, de certo modo, um incentivo para que  continuasse firme na luta contra os problemas de saúde que ela vinha enfrentando há algum tempo. Ainda assim, comemorou conosco seus 85 anos de vida e 65 de carreira no palco do Teatro Carlos Gomes, numa festa emocionante e muito feliz.

Recentemente, o juri do prêmio APTR de teatro  perdeu a chance de ter premiado uma das nossas atrizes mais interessantes, singulares, significativas e caras à memória dos brasileiros: numa reversão  de expectativas, Ida perdeu sua indicação para  melhor atriz-coadjuvante na última edição do prêmio. Já o Prêmio Shell de certa forma pretendia reparar esta injustiça dedicando a ela a sua próxima edição, tornando-a a homenageada da noite.

Ida deixa muita saudade em todos nós.”

Charles Möeller & Claudio Botelho


Tudo que eu falar sobre Ida Gomes será pouco. Uma mistura de saudade, amor e admiração invade meu coração nesse momento! Só devo agradecer de ter tido a oportunidade de conviver com uma pessoa tão especial e querida. Em qualquer lugar, a qualquer hora sempre em nossa memória e acima de tudo em meu coração. ‘ Somente o tempo ameniza a dor, e aos que amam eterniza o amor ‘. Saudades da minha ‘mãezinha’.

Marina Ruy Barbosa

(Ida ao lado de Marina Ruy Barbosa em seu último trabalho: a Srª A de “7 – O Musical”  – foto: Paulo Ruy Barbosa).

Confira algumas imagens de Ida nos bastidores de ”7 – O Musical”:


Em seu 85º aniversário, nos bastidores de “7″, em 2008

Ida e sua colega de elenco de “7″, Eliana Pittman

Nos camarins do Teatro Carlos Gomes, se transformando na Senhora A

Ida e Miryam Theresa, que a substituiu em “7″ em 2008

Recebendo o carinho de Marina Ruy Barbosa na coxia de “7″

Com Ed Motta, na reestreia de “7″, em 2008

Sendo homenageada por seus 85 anos (2008)

Fotos dos bastidores de “7″ :  Leo Ladeira  (Acervo Site Möeller & Botelho)

Marina Ruy Barbosa prestigia Marília Pêra em “Gloriosa”

fevereiro 18, 2009 by admin  
Filed under Gloriosa

Marina Ruy Barbosa, que no momento prepara-se para estrear “7 – O Musical” em São Paulo, prestigiou outro trabalho de Charles Möeller & Claudio Botelho: a comédia musical “Gloriosa“, estrelada por Marília Pêra. Ao final da apresentação, Marina e Marília posaram para os fotógrafos.  Elas já trabalharam juntas em TV e Marina leu o livro “Cartas a uma Jovem Atriz”, escrito por Marília.


Ensaio de Orquestra

fevereiro 17, 2009 by admin  
Filed under Avenida Q

Os ensaios de ‘Avenida Q’ estão a pleno vapor e não serão interrompidos nem no Carnaval. O elenco terá folga apenas nos dois dias antes da folia.

Nesta semana (ainda no Teatro Tereza Rachel)  estão acontecendo ensaios corridos do elenco juntamente com os músicos.


A orquestra que integrará o espetáculo é formada por seis músicos (veja relação abaixo). A regência é da pianista Zaida Valentim. Marcelo Castro assina a direção musical e Marcelo Claret é o Design de som.

O baterista e percussionista Márcio Romano, um dos músicos da orquestra de ‘Avenida’, trabalha com Charles Möeller & Claudio Botelho desde ‘As Malvadas’. Recém saído de ‘A Noviça Rebelde’, ele tocará, além da bateria, instrumentos como o bongô, o carrilhão, além de uma cornetinha e uma flautinha (os percussionistas também são responsáveis por tocar apitos, buzinas etc).  “Na Noviça era mais orquestral mesmo. A bateria era mais contida. Aqui é bem mais pop. Eu adoro essas variações de estilo. Uma coisa só limita um pouco. O ‘Avenida Q’, por exemplo, é muito bem escrito musicalmente falando. Tudo acontece na hora certa, no lugar certo. É perfeito”, afirma ele.

Outro instrumento que se destaca na orquestra de ‘Avenida’ é o banjo, da família do alaúde, e bastante usado na música folk norte-americana. O violonista e guitarrista Thiago Trajano teve que adquirir um banjo para participar do musical. “A estrutura é muito parecida com a do violão e a da guitarra (instrumentos que Thiago tocará também). A afinação é parecida com o cavaquinho, que eu já toco. E o musical não pede uma coisa muito específica, como o banjo de bluegrass, que é super difícil. É mais para dar o timbre do banjo. Então é tranqüilo”, explica Thiago, que também participou da orquestra de ‘A Noviça Rebelde’ tocando violão. “To adorando participar do ‘Avenida’ porque eu trabalho bastante com pop. Pra gente além do trabalho é uma diversão”.


Os músicos integrantes da orquestra de Avenida Q são:

Teclado 1/ Regência: Zaida Valentim
Teclado 2:  Heberth Souza
Guitarra/ Banjo/ Violão: Thiago Trajano
Bateria: Márcio Romano
Baixo Elétrico e Acústico: Omar Cavalheiro
Sax/ Flauta/ Clarinete: Alex Freitas

Veja mais fotos do ensaio:


Heberth Souza

Alex Freitas e, ao fundo, Claudia Netto

Thiago Trajano e Omar Cavalheiro (no contrabaixo)

Ensaio de Orquestra

Fotos: Leo Ladeira

Eu sou a sua Liza! Claudio Botelho entrevista Liza Minnelli

fevereiro 16, 2009 by admin  
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Aprendi a gostar de Liza Minnelli ouvindo um LP do histórico show “Liza with a Z”, isso antes ainda de ter assistido ao filme “Cabaret”. Eu começava a me interessar por musicais, tinha uns 17 anos e, numa palavra: surtei. A voz cheia de sopros diversos, as sílabas com aquele excesso de consoantes, as palavras pronunciadas com uma propriedade e uma teatralidade que pareciam conversar com a gente mesmo — toda aquela torrente de sentimentos vindos de uma só intérprete me converteu e me tornou um fã apaixonado.

Tudo em Liza é pessoal, ela transforma cada canção em declaração de afeto, desafeto muitas vezes, e há sempre rondando uma espécie de renúncia ao mundo real com um eterno convite para que a gente largue tudo e vá para o cabaré.

É isso, Liza convida… Eu aceito, claro! Quando O GLOBO me convidou para bater esse papo com Liza pelo telefone, a propósito do show que ela vai apresentar por aqui — dia 24 de março, Liza fecha no Vivo Rio uma turnê que passará também por Porto Alegre, São Paulo e Brasília —, fiquei tenso e excitado.

O que perguntar? Falar de Kander & Ebb, os compositores que praticamente a batizaram no teatro e em toda lar da mãe, Judy Garland, que é a maior performer do século passado? Falar de drogas, álcool, recuperação? Mas pode se falar disso, deve-se falar disso? Fiz uma lista de perguntas sobre o que achei ser interessante conversar. Gentil e extremamente doce ao telefone, Liza escapou de algumas, devolvendo-me a bola. Seu entusiasmo ao falar de alguns temas é substituído por monossílabos quando parece não gostar do assunto.

Mas quem conversou comigo foi uma Liza Minnelli de voz inteira, alegre, superenvolvente e, mais que isso, sedutora.

O convite para que eu largasse tudo e fosse para o cabaré estava no ar o tempo todo. Mas foi isso mesmo ou foi minha cabeça de fã de carteirinha que, no íntimo, queria ser convidado?

Claudio Botelho especial para O Globo

  • O show que você está trazendo ao Brasil é o mesmo que você apresentou recentemente no Palace, em Nova York, ou há mudanças?

Liza Minnelli: Fizemos mudanças. O show que fiz em 2007 no Brasil era exatamente o que apresentei no Palace. Este é diferente.


  • Você está vindo com dançarinos e vocalistas?

Sou apenas eu, querido. Com meu grupo de 12 músicos.


  • Sua volta ao Palace foi um grande sucesso, com ótimas críticas na imprensa. Qual a diferença entre a Liza de hoje e a de dez anos atrás, quando, também no Palace, você apresentou um tributo à carreira de seu pai, Vincent Minnelli? Há alguma mudança substancial entre essas duas Lizas?

Sim, eu estou melhor! E também, quando fiz o show sobre meu pai, eu estava me recuperando. Tive que reaprender a andar e a falar.


  • Fui àquele show, “Minnelli on Minnelli”, há dez anos, e realmente gostei muito dele.

O que posso falar sobre o atual show, e você vai entender, por ser quem é, é que ele trata de tudo sobre o entretenimento. Hoje em dia, as pessoas sobem no palco rodeadas de todos aqueles efeitos: fumaça, luzes, fogo… Enquanto tudo o que tenho é o microfone, a banda e os refletores.


  • E, claro, seu grande talento…

Bem, isso é o que terei que provar.


  • Este show também é um tributo à sua madrinha, Kay Thompson, personagem muito importante nos bastidores dos musicais de Hollywood, ela também atuou e, em “Funny face”, faz um número sensacional com Fred Astaire na canção “Clap your hands”. Kay também teve uma influência forte no seu estilo de cantar e atuar. Você pode falar mais um pouco sobre o que ela lhe ensinou? Eram questões técnicas, sobre o fraseado, a musicalidade, ou era uma abordagem mais emocional, dramática para uma canção?

Em primeiro lugar, ela era a minha madrinha, a pessoa que minha mãe e meu pai escolheram para cuidar de mim se alguma coisa acontecesse a eles. Através dos anos, o que ela me ensinou foi ter confiança em mim. Mas, Deus, ela fez isso da forma mais inusitada. Não saberia como explicar. Mais perguntas, por favor!


  • Mas ela te ensinou como cantar? Digo, como respirar, esse tipo de coisa, técnicas para a voz, exercícios ou foi algo mais amigável?

Em primeiro lugar, eu nunca me senti realmente apta para cantar. Ainda hoje, eu não me sinto uma boa cantora.


  • Eu discordo.

Mas o que ela me ensinou, sendo também minha madrinha, foi: “Por que eu irei cantar essas palavras? Por quê? Por quê?”. Isso faz sentido para você? A pergunta é sempre uma: “Por quê?”. E não “Como irei cantar?”.


  • Nos últimos anos, a história de sua família tem sido explorada em shows, peças e livros. Assisti a um show off Broadway chamado “A property known as Garland” sobre a carreira de sua mãe. Você viu esse espetáculo?

Imagine, é a sua mãe. E de repente alguém diz: “Há um show com o nome ‘Uma propriedade conhecida como Garland’”. Como você se sentiria? Mas, na verdade, eu nem soube desse show.


  • Houve também uma minissérie baseada no livro “Me and my shadows”, de sua irmã, Lorna; o musical “The boy from Oz”, no qual você e sua mãe são personagens importantes. Você assistiu e gostou desses espetáculos?

E como você se sentiria? Mas tudo bem. As pessoas fazem o que têm que fazer. Se acham que podem ganhar dinheiro com isso…


  • A morte do letrista Fred Ebb, que foi seu diretor, seu amigo, seu mentor, deve ter sido muito triste, transformando você numa espécie de criança órfã artisticamente. Que tipo de arte morre com a morte de Fred Ebb?

Penso que o ponto é: poder transmitir tudo. Se você conhece algo e morre com isso, quem se importa? Mas, se você consegue transmitir seu conhecimento para outros, então vai contribuir para alguma coisa. Isso é importante.


  • Quem dirige o show atual?

Ron Lewis, que conheceu Fred Ebb, com quem trabalhou desde 1970. Por quatro anos quis trabalhar com Ron.


  • Os filmes musicais parecem estar vivendo um renascimento, desde “Chicago”, de Rob Marshall. Você gosta da ideia de voltar a atuar num musical do cinema ou não se vê mais nessa indústria?

O que você pensa?


  • Eu adoraria ver você novamente nas telas.

Aí está a resposta.


  • E em relação à Broadway? A sua carreira começou num palco, você viveu grandes papéis em montagens como “The ring”, “The act”, “Chicago” e, mais recentemente, em “Victor/Victoria”. Você ainda se sente atraída em viver um personagem num espetáculo teatral ou prefere o formato de concerto?

Num concerto, você pode fazer tudo isso. Se você é uma boa atriz, pode fazer trechos de shows da Broadway. Mas não quero fazer o mesmo papel toda a noite. Prefiro poder fazer diferentes personagens numa mesma noite.


  • Em 2007, você se apresentou no Rio, comentou sobre sua forte conexão com a cidade e até cantou uma música brasileira em português. Podemos aguardar algo similar desta vez?

Eu não sei, querido, não sei o que posso esperar de mim! Tudo o que sei é que amo a música brasileira mais do que qualquer coisa. Ela me faz pensar e também é sexy. Eu já fui casada, mas nunca mais pretendo me casar, mas a música é sexy.


  • Obrigado, Miss Minnelli.

Não, não me chame Miss Minnelli.


  • Posso chamá-la de Liza?

Eu sou Liza! Eu sou a sua Liza. E, baby, tudo que você me perguntou é muito pessoal. Então, posso estar errada, mas acho que posso confiar em você. Isso iremos descobrir.

Fonte: O Globo – 16/02/09

Beatles num Céu de Diamantes encerra temporada carioca

fevereiro 16, 2009 by admin  
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O sonho acabou. Pelo menos no Rio. Neste domingo, 15/02, foi encerrada a bem-sucedida temporada carioca do musical “Beatles num Céu de Diamantes”.

Em mais de um ano em cartaz, “Beatles” passou por dois teatros da cidade e ainda foi apresentado em eventos especiais. Agora a produção de Charles Möeller & Claudio Botelho segue para São Paulo, onde estréia em 12 de março.

“A vida é feita de ciclos que se fecham para outros se abrirem. Estamos super felizes de termos fechado esse segundo ciclo”, disse Gottsha pouco antes de subir ao palco, referindo-se à temporada no Teatro Leblon.

“Não é todo dia que a gente participa de uma temporada tão bem-sucedida. O legal nesse grupo é que a gente sempre se falou muito, nos melhores e nos piores momentos. Isso é algo que tem que ser valorizado. Os mais experientes do grupo sabem que não é em todo espetáculo que acontece isso”, afirmou Cristiano Gualda.

Marya Bravo revelou estar emocionada por estar vivendo esse momento tão especial em sua vida e carreira: “Eu participei de Hair nos Estados Unidos no início de minha carreira e agora nós entramos na Era de Aquário (fato ocorrido no último dia 14 de fevereiro). E estamos aqui cantando coisas como ‘All you need is Love’. Está tudo muito ligado”.

A apresentação foi marcada por muita emoção dos artistas e calor da platéia. Ao final do espetáculo, o grupo cantou “Hello, Goodbye”, não inserida no roteiro. Segundo Gualda, um presente que o elenco ofereceu ao público carioca.

O sonho continua agora em São Paulo.

Confira mais fotos:


Fred Silveira: “É muito bom participar de algo tão diferente de tudo que já fiz”

fevereiro 13, 2009 by admin  
Filed under Avenida Q, Entrevistas

Natural de Brasília, o ator, cantor, compositor e instrumentista Frederico Silveira começou seus estudos musicais aos 18 anos, no Projeto Novos Talentos do Teatro Nacional, na Capital Federal. Antes mesmo de ingressar no universo dos musicais, Fred participou de montagens de óperas como ‘Aída’ (1995) e ‘O Guarani’ (1996).

Em pouco tempo se tornou um dos mais requisitados e atuantes atores-cantores de musicais no país, participando de produções como “Jesus Cristo Superstar”, “Fever”, “Ah! Se eu Fosse Bob Fosse”, “Comunitá”, “Godspell”, “O Fantasma da Ópera”, “My Fair Lady” e “West Side Story”.

Em 2009, Fred faz sua estréia em uma produção dos diretores Charles Möeller & Claudio Botelho, algo que desejava há bastante tempo. E encara o desafio em papel duplo: fará as vozes e manipulará dois bonecos em “Avenida Q”, espetáculo que entra em cartaz em março, no Rio.

Nesta entrevista exclusiva para o Site Möeller & Botelho, Fred Silveira fala de seu trabalho com os diretores, conta como é atuar, cantar e manipular bonecos ao mesmo tempo; e revela seu desejo de fazer trilhas para peças e filmes.

Este é seu primeiro trabalho com Möeller & Botelho. Como é ser dirigido por eles?

Sempre pensei que um próximo passo na minha carreira seria trabalhar com os dois. Seria e está sendo um importante up grade. Minha admiração por eles, pelo que já construíram e o que ainda vão realizar no teatro musical é incrível. Quando assisti ao musical “7” vi que gostaria de estar naquele elenco e ser dirigido por eles. E não deu outra, desde o primeiro dia de ensaio do AVQ, estar sob a direção dos dois é uma aula pra mim em todos os sentidos. Confio neles cem por cento e a cada dia fico mais feliz por esse desejo ter se concretizado.

Foto :  João Caldas

Você fez musicais ‘clássicos’ como “My Fair Lady”, “West Side Story” e “Godspell”, entre outros. Como é participar de um musical tão ousado e moderno como “Avenida Q”?

É verdade. Participei de musicais que já têm gerações de fãs. O ‘Avenida Q’ é delicioso, pois é um musical contemporâneo. Ainda não tem ainda um público como os musicais mais clássicos, mas acredito que a platéia brasileira vai se identificar muito, já que é bem próximo da nossa realidade. É um espetáculo que tem músicas que ficam marcadas, é politicamente incorreto e ao mesmo tempo dá alguns tapas na cara (no bom sentido) da platéia. É muito bom participar de algo tão diferente de tudo que já fiz.

Você vive dois personagens em AVQ: Nicky e Trekkie Monstro. Fale sobre as diferenças de interpretação.

O Nicky é aquele amigo que todos têm, que todo mundo adora, mas é muito chato e não percebe que é, aliás, acha que está fazendo um favor a você por estar ao seu lado. Aproveitando da sua latinha de cerveja, da sua comida e do seu quarto de hóspedes, ele ainda dá dicas para sua vida pessoal. A dupla Nicky e Rod é como a dupla Ernie e Bert do antigo programa ‘Vila Sésamo’.

Já o Trekkie Monstro é aquele louco por pornografia, e se for virtual, melhor ainda. Suas olheiras denunciam que ele passa a madrugada adentro procurando por novos sites pornô. Acho que a principal diferença na interpretação está nas vozes. São duas vozes completamente distintas. Sempre fiz personagens cujas vozes eram as mais limpas, mais melodiosas, fiz as árias românticas dos principais musicais que participei, de ‘Fantasma da Ópera’ ao ‘West Side Story’. No AVQ tanto a voz falada quanto a cantada são totalmente desafiadoras para mim, pois fogem completamente de tudo que já fiz em termos vocais.

Qual a dificuldade de atuar, cantar e manipular bonecos aos mesmo tempo?

Todas possíveis, he he. Na verdade, o cérebro tem que se dividir em três partes: uma para a manipulação, uma para a interpretação, outra para o canto e nenhuma deve atrapalhar a outra. Definitivamente é o espetáculo mais difícil que já fiz nesse sentido. Hoje admiro muito os manipuladores que vivem dessa arte maravilhosa. Dar vida a um boneco é incrível. No caso dos dois personagens que faço, na maioria das cenas ainda tem outra pessoa fazendo o braço direito. Terei que colocar minha dança a dois em dia.

E que tal trabalhar com esse elenco de feras?

O elenco não podia ser melhor. Impossível não ficar admirado com as pessoas que vão estar no palco do ‘Avenida Q’. Aprendo muito com todos.

O que está achando de estrear um musical no Rio e passar uma temporada na cidade?

Apesar de ter alguns parentes aqui no Rio, nunca passei mais de um mês, por isso não conheci o Rio como estou conhecendo agora. Quando estava com ‘Godspell’ fizemos uma temporada aqui, mas só vinha de quinta a domingo. Não deu pra sentir o que é viver como um carioca. Estou achando maravilhoso respirar um outro ar, o mar, as montanhas, o Cristo Redentor, ver o horizonte. Enfim, ainda me sinto como um turista e de férias no Rio. Fico deslumbrado com a beleza da cidade que mistura céu, mar, montanhas e prédios num só lugar.

Como vê o panorama dos musicais no Brasil hoje? Dá para viver apenas de fazer musicais?

Acho que há uns nove ou dez anos o Brasil vive um grande momento de musicais. Sei que o Brasil sempre fez musicais antes disso, mas acredito que em 2001 o ‘Les Misérables’ no Teatro Abril foi um marco, pois foi uma mostra de que o artista brasileiro poderia fazer um espetáculo do estilo Broadway com tudo o que tinha direito. A partir daí começou a se formar um público fiel aos musicais. Vivo há dez anos dos musicais, e cada vez mais temos artistas que entrariam em qualquer elenco de musical, não só no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo.

Quais são seus projetos profissionais a médio e longo prazo?

Tenho um sonho guardado comigo e no ano passado tive uma experiência maravilhosa. Como antes de ser ator-cantor de musical estudei composição, fiz uma trilha sonora de um documentário chamado ‘Pacarrete’. Então paralelamente a minha carreira de ator de musicais tenho minhas composições, e quero algum dia ter uma trilha minha em alguns filmes ou peças. Gosto muito dessa idéia: Fred Silveira compositor de trilhas sonoras. Convivo com ela há muitos anos e nas férias do ano passado rendeu um fruto do qual me orgulho muito. Costumo olhar muito o hoje, que é fazer do AVQ um espetáculo que fará rir e ou quem sabe chorar (de rir) muita gente na platéia. Depois, o amanhã guardará surpresas. Ele sempre guarda e se eu estiver de braços abertos como estive ao receber o telefonema do Claudio Botelho e do Charles Möeller para entrar no ‘Avenida Q’ sei que vai ser bom como está sendo agora.

Fotos: Leo Ladeira

Bonecos de Avenida Q entram em cena

fevereiro 9, 2009 by admin  
Filed under Avenida Q

O ensaio de “Avenida Q” na última sexta-feira teve um sabor a mais para o elenco, diretores e produção. Pela primeira vez entraram em cena os bonecos que serão usados no espetáculo e que foram trazidos dos Estados Unidos especialmente para o musical dirigido por Charles Möeller & Claudio Botelho.

Princeton, Kate Monstra, Trekkie Monstro, Rod, os Ursinhos do Mal e outros bonecos ganharam vida por meio das mãos e vozes de André Dias, Sabrina Korgut, Fred Silveira, Renata Ricci e Gustavo Klein. E finalmente puderam contracenar com os atores que não manipulam bonecos: Claudia Netto, Renato Rabelo e Maurício Xavier.

Os ensaios continuam ao longo das próximas semanas e a estréia de “Avenida Q” está programada para 6 de março, no Teatro Clara Nunes.

Confira algumas imagens do ensaio da última sexta-feira:


Sabrina Korgut e Kate Monstra

André Dias e Princeton

Fred Silveira e Trekkie Monstro

Renata Ricci e Ursinha do Mal

Gustavo Klein e Dona Coisa Ruim

Claudia Netto, Sabrina e Kate

Nicky, Fred Silveira e Renato Rabelo

Maurício Xavier, Sabrina, André, Kate e Princeton

Fotos: Leo Ladeira


Tá na hora de ir embora…

fevereiro 2, 2009 by admin  
Filed under A Noviça Rebelde

Chegou a hora de dizer adeus. Depois de nove meses de temporada no Rio de Janeiro, “A Noviça Rebelde”  despede-se do público carioca e segue rumo a São Paulo, onde estreia em 20 de março.

A última apresentação no Rio, ocorrida neste domingo, 01/02, não poderia deixar de ser emocionante. Na música ”Coisas que eu Amo”, Kiara Sasso e Mirna Rubim improvisaram e inseriram um “último dia” na letra, como uma homenagem à temporada carioca.

Os agradecimentos finais também reservaram muitas surpresas:  o coro das freiras tirou, na frente do público, os véus das personagens. As crianças que não estavam se apresentando ontem também foram ao palco, caracterizadas com os figurinos de seus personagens, arrancando aplausos da platéia. E após o agradecimento de Kiara Sasso, uma chuva de papel picado caiu sobre o palco, marcando o clima de festa.

Após o espetáculo, todo o elenco, técnicos, músicos e produtores se reuniram em uma comemoração especial da despedida do Rio.

Até São Paulo!

Veja algumas fotos da apresentação de ontem:


Clima de festa na última apresentação no Rio

Crianças de todas as famílias subiram ao palco

As freiras tiraram os véus

Subindo a montanha

Bastidores

Bastidores

Confira fotos da comemoração do elenco no Blog Noviça Rebelde Kids:

http://novicakids.blogspot.com/2009/02/ultimo-dia-na-comemoracao.html


Quero ser um Von Trapp

fevereiro 2, 2009 by admin  
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