“Artista tem vergonha de ganhar dinheiro; eu não”, diz Claudio Botelho

julho 20, 2008 by Leo  
Filed under Clipping, Möeller & Botelho

Publicado na Folha online em 21/03 /2008:

artista-tem-vergonha-de-ganhar-dinheiro

Suburbano Coração: Olhar divertido sobre os anos 70

julho 9, 2008 by Leo  
Filed under Acervo, Críticas

Texto de Naum Alves de Souza dá origem a musical despretensioso

Por Barbara Heliodora (O Globo)

* Crítica publicada originalmente em 22/10/2002.


suburbano-critica-barbara-heliodora

Da Broadway ao Subúrbio

julho 8, 2008 by Leo  
Filed under Acervo

Estréia nova montagem de Suburbano Coração

Marco Antonio Barbosa

* Publicada originalmente na Veja Rio em 9 de outubro de 2002

Ricardo Fasanello/Strana
Inez, Cláudio, Stella, Charles e Solange: inéditas de Chico Buarque

Eles deram um toque de Midas a adaptações de musicais americanos para carioca ver. Acumularam elogios de crítica e público e viraram sinônimo de teatro musical na cidade. O desafio da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho agora é maior. Depois de encarar com louvor Company, Cole Porter e Um Dia em Shangri-La, os parceiros dão uma guinada e se arriscam em um musical brasileiro: a versão revista e ampliada de Suburbano Coração, peça que só teve uma montagem, em 1989, com canções de Chico Buarque e texto de Naum Alves de Souza. Os anos trouxeram uma aura quase lendária ao espetáculo. Desta vez, Cláudio estará no palco e Charles assina direção, cenário e figurinos. A estréia será nesta quinta-feira (10), no Teatro Café Pequeno, no Leblon. Caberá a Inez Viana o papel da protagonista, Lovemar.

“É nossa grande incursão no musical genuinamente brasileiro”, declara Cláudio Botelho sobre a nova versão, bem diferente da primeira montagem, que tinha como protagonistas Fernanda Montenegro e Otávio Augusto. A dupla trata logo de avisar, antes que algum fã da peça se descabele: todas as mudanças passaram pelo crivo de Naum. Das dezoito músicas que Chico compôs para a peça, apenas dez estavam na montagem original. “Nós colocamos agora todas as dezoito músicas, além de outras de Chico”, explica Charles Möeller. Parte delas é desconhecida, algumas até inéditas em disco. Entre as novidades estão pérolas recuperadas, como Amor Natural, um dueto em cena de Inez Viana e Botelho, e a peculiar Canto Fundo de Frederico. “É um achado, uma canção gay do Chico Buarque”, afirma Cláudio (“Corto o pulso, corto as veias da garganta, se ele quer / me jogo no chão, me rasgo o coração, me visto de mulher”, dizem os versos). As coadjuvantes Trudes (Stella Maria Rodrigues) e Julinda (Solange Badim) ganharam os próprios números. “Antes, Suburbano Coração era uma pequena comédia burlesca com canções. Agora é um musical propriamente dito”, conclui Möeller.

A linha mestra da peça é a mesma. Lovemar, moça do subúrbio, cresce em meio a sonhos românticos nutridos por fantasias cinematográficas. As amigas Julinda e Trudes acompanham suas desilusões: um professor de religião, um pastor evangélico, um cantor cafajeste e um caminhoneiro (todos vividos por Botelho) atravessam sua vida. “É uma vida sem glamour. Mas há uma poesia e um entendimento do universo feminino no texto e nas canções que são muito tocantes”, analisa Inez Viana. A atriz não tem medo de reprisar um papel até hoje só interpretado por Fernanda Montenegro. “Estou me especializando em desafios”, diz a atriz-cantora, que viveu o papel-título do musical Elis: Estrela do Brasil no primeiro semestre. “Infelizmente, apesar de ter feito sucesso, Suburbano Coração só ficou nove meses em cartaz”, conta Cláudio Botelho. “Além de termos deixado o enfoque da peça mais leve que na versão anterior, nossa montagem vai marcar época por, afinal, creditar a peça a Chico Buarque e a suas canções. É a redenção do musical”, acredita.

Uma música inédita

Um amor natural
Que sonho viver
Um amor natural
Quase igual
A um amor de cinema
Igual aos amantes
Que sem treinar antes
Já cantam juntinhos
O tema que diz:
Te dei minha boca
Meus lábios são teus
Meu Deus
Contigo eu fui feliz
Contigo eu fui feliz

Company: Sucesso da Broadway põe em xeque o casamento

julho 8, 2008 by Leo  
Filed under Acervo

* Matéria publicada originalmente na Revista Istoé Gente em 07/05/2001


materia-istoe-gente

Romantismo bem Embalado

julho 8, 2008 by Leo  
Filed under Acervo

Suburbano Coração ganha montagem com todas as canções compostas por Chico Buarque para o musical

* Matéria originalmente publicada no Jornal O Dia em 10 de outubro de 2002.


suburbano-coracao-o-dia

Coração Suburbano: da Peça ao Musical

julho 8, 2008 by Leo  
Filed under Acervo

Charles Möeller e Claudio Botelho montam texto de Naum Alves de Souza privilegiando as canções

* Matéria publicada originalmente no Jornal O Globo em 07/10/2002

suburbano-coracao-o-globo

Os Reis do Dó-Ré-Mi

julho 7, 2008 by Leo  
Filed under Acervo, Möeller & Botelho

Midas dos musicais, Cláudio Botelho e Charles Möeller estreiam a superprodução A Noviça Rebelde

Debora Ghivelder

* Matéria publicada na Veja Rio em 21 de Maio de 2008

Fotos Fernando Lemos
Botelho (à frente) e Möeller durante ensaio de A Noviça Rebelde no renascido teatro Oi Casa Grande: métodos de trabalho diferentes, mas em sintonia fina


Os acordes dão um ar familiar ao ambiente: “Dó-ré-mi. Dó-ré-mi”. No palco do Teatro Tereza Raquel, em Copacabana, usado enquanto aquele em que farão sua estréia não ficava pronto, o ensaio de A Noviça Rebelde segue agitado. Sentados na platéia, distantes um do outro o suficiente para inviabilizar cochichos, mas não para impedir a troca de olhares cúmplices, os diretores Cláudio Botelho e Charles Möeller observam atentamente a afinação do elenco, que canta sem o apoio de recursos eletrônicos. Os parceiros têm métodos diferentes de trabalho, mas funcionam de um jeito tão sintonizado que parecem xifópagos artísticos. Möeller, responsável pela parte cênica e pela pantomima, anota tudo em um bloco. Cabe a ele, ao fim do dia, destacar os avanços da preparação. Nunca critica de forma rude e saca sempre uma palavra de incentivo. Por sua vez, Botelho, que divide a direção musical com o maestro Marcelo Castro, pouco fala. Quando abre a boca, é seco e direto. Com estilo e personalidade tão diferentes, eles formam um afinadíssimo duo que virou sinônimo de excelência no mundo dos musicais.

Em casa, o metódico Botelho com o buldogue francês Nina: rotina cronometrada

Natural, então, a enorme expectativa criada em torno de A Noviça Rebelde, que inaugura na quinta (22) o renascido e rebatizado Teatro Oi Casa Grande, no Shopping Leblon (veja quadro). O 19º espetáculo da dupla é uma superprodução que consumiu 9,8 milhões de reais e envolveu diretamente cerca de 100 profissionais, entre artistas e técnicos. Só o elenco reúne 44 atores. A orquestra, catorze integrantes. Os onze cenários, criados por Rogério Falcão, pesam mais de 6 toneladas. A luz, concebida por Paulo César Medeiros, reúne uma parafernália de 300 refletores. “Resolvemos tudo antes de seguir para o ensaio”, explica Möeller para quem se surpreende com tanto rigor. “Lá, só nos preocupamos com a adaptação dos atores à parte técnica.”

Depois de montar musicais de Cole Porter, Stephen Sondheim, Bob Fosse, Chico Buarque, Burt Bacharach e Beatles (veja quadro), os parceiros tinham a ambição de levar ao palco a história da família austríaca Von Trapp, que estreou na Broadway nova-iorquina em novembro de 1959, quando o mineiro Botelho, 43 anos, e o santista Möeller, 41, nem sequer eram nascidos. Eles esperam repetir o sucesso da criação dos americanos Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, vencedora de oito prêmios Tony no teatro e cinco Oscar na popular versão cinematográfica de 1965, estrelada por Julie Andrews. A escolha do projeto foi de Möeller. Três anos atrás, ele dirigia em sua cidade natal uma encenação sobre a chegada do colonizador português Martim Afonso ao Brasil quando perguntou à platéia o que ela gostaria de assistir. “A maioria citou A Noviça Rebelde, lembra. O primeiro passo foi adquirir os direitos da obra. “Eles queriam saber tudo sobre a gente. No nosso caso, tínhamos referências”, diz Botelho. É verdade. Podem dizer que seu trabalho foi reconhecido por eminências como o produtor inglês sir Cameron Mackintosh. “Tive o prazer de ver Cláudio Botelho estrelando sua bem-sucedida produção de Company no Rio. Fui com Stephen Sondheim e gostamos imensamente”, elogia, por e-mail, o britânico, responsável por blockbusters como Os Miseráveis, O Fantasma da Ópera e Miss Saigon.

Por escrito: elogio do compositor Sondheim

A primeira montagem de A Noviça Rebelde no Brasil data de 1965, com letras adaptadas por Billy Blanco. O famoso refrão “Dó é pena de alguém / Ré, que anda para trás / Mi, pronome que não tem / Fá, a falta que nos faz / Sol, o nosso astro rei / Lá, distante que nem sei / Si, de sino e de sinal / E afinal voltei ao Dó” ganhou agora nova versão, assinada por Botelho: “Dó é pena de alguém / Ré, eu ando para trás / Mi, assim eu chamo a mim / Fá, de fato eu sou capaz / Sol, que brilha no verão / Lá é lá no cafundó / Si indica condição / E de novo vem o dó”.

Foi no Rio, em 1989, que a dupla se conheceu. Botelho morava com a família na cidade desde os 13 anos. Möeller, que originalmente é ator, tinha acabado de chegar de São Paulo para gravar a novela Mico Preto. Quem os apresentou foi Miguel Falabella, que atuava no folhetim e dirigia Um e Outro, espetáculo com Ítalo Rossi declamando versos de Fernando Pessoa ao som do violão de Botelho. Logo descobriram a paixão em comum por musicais. Instrumentista autodidata, Botelho dominava o assunto. Möeller gostava do gênero por causa dos filmes que vira na infância. Uma paixão velada, diga-se. Como escancarar a predileção por um estilo considerado menor e extremamente americanizado? “Eu tinha vergonha. Fiquei encantado com o modo como Cláudio assumia aquele gosto”, confessa ele, que passara quatro anos nas companhias teatrais de Antunes Filho e Antônio Abujamra. O parceiro, mais desinibido, havia sido aluno do Colégio São Vicente de Paulo, no Cosme Velho, escola conhecida por sua liberalidade. Foi nas suas aulas de teatro que tomou contato com os musicais. “O professor Almir Telles me emprestou um LP do filme Oliver“, lembra Botelho. Foi o início de um hábito de garimpar discos em sebos e de uma paixão desmedida pelo gênero.

Möeller com os cães Joaquim e Sebastião: fã de seriados na TV e viciado em cinema

Não demorou para que o gosto comum dos dois rendesse frutos. O primeiro, em 1990, foi Hello Gershwin, montagem em que Botelho dividia o palco ao lado de Claudia Neto, com direção de Marco Nanini e cenários e figurinos assinados por Möeller. Só em 1997 veio à cena o que eles consideram seu primeiro trabalho autoral. Baseado em filmes B, As Malvadas ocupou o extinto Teatro Delfin e faturou o Prêmio Sharp na categoria. Depois de um tour pela Broadway, surgiu a idéia de desenvolver algo sobre Cole Porter. Nascia, assim, Cole Porter – Ele Nunca Disse que Me Amava, um divisor na carreira do duo. A peça, que estreou no decadente Teatro de Arena, caiu no gosto do público, virou cult e ficou dois anos em cartaz entre Rio, São Paulo e Portugal. A essa altura, os dois já eram chamados nos bastidores de Lippy e Hardy, numa alusão ao leão sonhador e à hiena pessimista (“Ó, céus! Ó, vida! Ó, azar”) do desenho animado. Mais introvertido, impaciente e crítico, Botelho, claro, se assemelha à hiena. “Cláudio é mais estressado, se descabela”, diz a atriz Kiara Sasso, que faz a noviça na nova montagem. “Quando as pessoas têm alguma dúvida, preferem falar com Charles.” Há certo exagero nessa divisão entre bom e mau. “Cláudio é, sim, exigente. Mas é um amor de pessoa”, derrama-se em elogios o jornalista e pesquisador Sérgio Cabral, pai, co-autor com Rosa Maria de Araújo de Sassaricando (2007), outro sucesso que contou com a expertise de Botelho na direção e Möeller na cenografia.

Robert Schwenck
Kiara Sasso ao violão, no papel-título da nova montagem com os meninos cantores do elenco: amiga da dupla desde os tempos mais difíceis

A sintonia entre eles se limita ao trabalho. Botelho é básico. Sua casa tem poucos móveis, no estilo menos é mais. Já Möelller mistura a modernidade de linhas retas e aço cromado com certo ar barroco que permite lustres de cristal, almofadas bordadas e quadros com imagens de santos. O primeiro é metódico. Acorda às 7 horas, trabalha na tradução ou versão de canções até as 10 horas no computador, vai para a academia meia hora depois, corre na praia e almoça pontualmente às 12h30. À tarde, responde a e-mails e dorme duas horas e meia antes de seguir para o ensaio, por volta das 17 horas. Möeller também acorda cedo, em torno de 7 horas. Trabalha em cima de storyboards e às 10 horas sai para as aulas de conversação em inglês. Na seqüência, dedica-se às aulas de boxe com seu professor, na academia ou no próprio apartamento, no Leblon. Depois do almoço, lê ou estuda assuntos invariavelmente ligados ao trabalho. “Meu dia-a-dia é mais flexível”, diz. Ambos adoram séries de TV. As preferidas de Botelho são House, Law & Order, 24 Horas. O colega é fã de Lost, Grey’s Anatomy, Brothers & Sisters. Botelho é internauta, vive no teclado. O outro adora jogar PlayStation 3. Cinema é um ponto de conversão. Möeller não perde nada. Vê até filme do Azerbaijão com legendas em polonês. Botelho gosta de tramas de ação e mistério. “Meu negócio é descobrir o assassino”, comenta. Ambos têm cães da raça buldogue francês. Botelho cria as fêmeas Nina e Sofia e Möeller diverte-se com Sebastião e Joaquim.

Não afeitos a noitadas, são de poucos amigos e não gostam de falar da vida pessoal. Chegaram a dividir um apartamento em Botafogo, nos tempos bicudos. Hoje, moram na mesma rua no Leblon, em prédios contíguos, pagando aluguel. Dizem que ganham, cada um, 20 000 reais em média por mês. Os picadinhos saborosos e simples do início de carreira cederam espaço a pratos e restaurantes mais requintados. “Antigamente íamos jantar em lugar barato. Na semana passada fomos ao Gero”, compara Kiara Sasso, amiga dos dois há doze anos. Para manter a excelente marca de mais de um lançamento por ano, em setembro planejam estrear Avenida Q, em parceria com produtores paulistas. De olho no futuro, já adquiriram os direitos de Gipsy, Sweeney Todd, Kiss Me Kate e Como Vencer na Vida sem Fazer Força. Com tanto esforço e dedicação, Botelho e Möeller, sem dúvida, podem sair por aí cantando dó, ré, mi…

A trajetória da dupla, peça a peça

Desde que foram apresentados por Miguel Falabella, há quase vinte anos, Cláudio Botelho e Charles Möeller iniciaram uma parceria que já rendeu a realização de dezoito musicais – A Noviça Rebelde é o 19º da lista. Veja abaixo o que a dupla já produziu.

Daniela Toviansky
Claudia Raia: estrela de Sweet Charity , superprodução de Bob Fosse, em 2006

As Malvadas (1997): o primeiro musical autoral do duo foi inspirado em filmes B. Ganhou o Prêmio Sharp na categoria

Ô Abre-Alas (1998): abordava a vida da compositora Chiquinha Gonzaga, com produção de Rosamaria Murtinho

Cole Porter – Ele Nunca Disse que Me Amava (2000): um marco na carreira de ambos. Virou cult e ficou dois anos em cartaz no Brasil e em Portugal

Company (2001): versão brasileira do musical de Stephen Sondheim, que arrancou elogios do próprio autor

Um Dia de Sol em Shangrilá (2001): embalada por versões de músicas como California Dreaming, conta a história de três atrizes de musicais às voltas com ensaios, testes, filhos…

O Fantasma do Teatro (2002): espetáculo infantil produzido pelo Teatro Municipal

Suburbano Coração (2002): embalado pelas canções de Chico Buarque

Ópera do Malandro (2003): a remontagem do espetáculo de Chico Buarque foi outro estrondoso sucesso da grife

Magdalena (2003): de Heitor Villa-Lobos, exibido no Festival de Ópera de Manaus

Cristal Bacharach (2004): inspirado no pianista e compositor americano, autor de clássicos como I Say a Little Prayer

Tudo É Jazz – The World Goes Round (2004): versão para o tributo off-Broadway à dupla Fred Ebb/John Kander

Ópera do Malandro em Concerto (2006): versão sem as falas, mas com novos arranjos para as 25 músicas tiradas da peça

Lado a Lado com Sondheim (2005): outro sucesso da parceria, inspirado em canções de Sondheim, como Send in the Clowns

Lupicínio e Outros Amores (2004): pocket-show no qual Botelho cantava ao lado de Soraya Ravenle, com direção de Möeller

Sweet Charity (2006): superprodução de Bob Fosse estrelada por Claudia Raia

Sassaricando (2007): musical calcado em marchinhas carnavalescas

7 – O Musical (2007): com trilha de Botelho e Ed Motta e texto de Möeller, venceu três categorias do Prêmio Shell: direção, figurino e iluminação

Beatles num Céu de Diamantes (2008): feito a toque de caixa sob encomenda, o espetáculo com músicas do quarteto de Liverpool tornou-se a sensação do verão e prossegue em cartaz com sessões lotadas

Teatro rebatizado e modernizado

Aberto em 1966 pelos amigos Max Haus, Moysés Ajhaenblat, Moysés Fuks e Sérgio Cabral, o Café Teatro Casa Grande, no Leblon, virou abrigo da boa produção cultural da cidade. Exemplos não faltam, como a comédia O Mistério de Irma Vap, que estreou em 1986 e ficou onze anos em cartaz, circulando por cidades brasileiras e em turnês internacionais. Nas décadas de 70 e 80, foi cenário de ciclos de debates político-culturais, onde se reuniam Tancredo Neves, Fernando Henrique Cardoso, o sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, Rubens Gerchman e Antônio Houaiss, entre dezenas de personalidades. Em 1997, um incêndio encerrou as atividades do teatro, que só agora, onze anos depois, será novamente aberto, rebatizado de Oi Casa Grande.

Construído para sediar superproduções, o empreendimento tem nova composição de sócios: juntaram-se a Moysés Ajhaenblat e Max Haus os filhos deste, Silvia e Leonardo, além dos empresários David Zylberztajn, Luiz Calainho e Aniela Jordan – dona da produtora que atua com Cláudio Botelho e Charles Möeller. Requinte e investimento tecnológico são marcas do espaço que literalmente ressurgiu das cinzas. A platéia, de 950 lugares, tem poltronas italianas. A ribalta dispõe de dois elevadores de palco, um robô para levantar cargas e 33 varas de sustentação, que permitem içar até 1 tonelada cada uma. Nos foyers há espaço para exposições, palestras e performances. “Ele está entre os mais modernos do país”, orgulha-se o engenheiro Roberto Kreimer, responsável pelo projeto e pela execução da obra.

Os Magos dos Musicais

julho 6, 2008 by Leo  
Filed under Acervo, Möeller & Botelho

Charles Möeller e Cláudio Botelho, diretores da Ópera do Malandro, são hoje os grandes nomes do gênero no Brasil

* Publicado originalmente na Revista Época em 09/01/2004


Divulgação
SUCESSO A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, lota o teatro

Tudo o que eles tocam vira ouro. Com mais de 62 mil espectadores e ingressos esgotados até o fim de janeiro, a Ópera do Malandro é um dos musicais mais vistos na história do teatro brasileiro. E a dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, com mais este espetáculo dirigido em parceria (é o décimo que fazem juntos), vira referência do gênero no país. A peça de Chico Buarque, uma superprodução com equipe de 104 pessoas, entre atores, músicos e técnicos, está em cartaz desde agosto de 2003 no Rio de Janeiro. Vai para São Paulo no segundo semestre deste ano. Os diretores acumulam sucessos desde as montagens de Cole Porter – Ele Nunca Disse Que Me Amava (2000), Company e Um Dia de Sol em Shangrilá (ambas de 2001). Cole Porter teve casa lotada durante nove meses e recebeu elogios unânimes da crítica.

Botelho realizou mais de 20 espetáculos. Recebeu dois prêmios Mambembe, um Sharp e uma indicação ao Shell. O parceiro Möeller foi diversas vezes vencedor dos prêmios Shell, Mambembe e Apetesp (Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais de São Paulo) e APCA(Associação Paulista dos Críticos de Arte). Juntos, tornaram-se especialistas num gênero de pouca tradição no Brasil. Agora, levam novamente seu toque de Midas a mais uma adaptação de um musical americano. …E Tudo É Jazz estreou na semana passada no Teatro Café Pequeno, no Rio. Trata-se de uma versão para um pocket-musical montado na década de 90 em Nova York, chamado The World Goes Round (de John Kander e Fred Ebb).

Outra produção que estava guardada na gaveta tomará forma em maio nos palcos do teatro da Maison de France, também no Rio. Cristal Bacarat é uma homenagem ao compositor Burt Bachrach e conta a história de cinco irmãos que herdam uma luminária do cristal mais caro do mundo. “Foi um pretexto para encaixar as canções de Bachrach num cenário que remete aos anos 70, com acrílico e glamour“, conta Möeller.

Incansáveis, também produzirão até o fim de 2004 a Ópera do Futebol, de Francis Hime, que conta a história de dois irmãos moradores da favela que tomam rumos diferentes na vida. Um é traficante, o outro jogador de futebol. “É uma ópera triste, um épico bem brasileiro“, conta Möeller. Para ele, o teatro nacional passa por uma excelente fase. “Havia um preconceito contra o musical, visto como fútil e americanóide, mas isso acabou.”

Na vida de Möeller e Botelho não há limite entre o profissional e o pessoal. “Somos todos muito próximos“, garante o primeiro. Ele elogia sua equipe. A cantora Gottsha e o coreógrafo Renato Vieira trabalham com eles desde a primeira montagem. “Charles é mais explosivo, e Cláudio passa o recado apenas com o olhar“, descreve Gottsha, estrela de …E Tudo É Jazz. “São rigorosos. Quando faço minhas firulas, eles dizem que não sou Sandy, nem Mariah Carrey.” Já Vieira elogia a habilidade da dupla para trabalhar com um gênero que passou muito tempo sendo ignorado por aqui. “Raramente os atores estão preparados para esse tipo de espetáculo. Com eles, tudo acaba dando certo“, afirma.

Darian Dornelles
Roseane Marinho
E Tudo É Jazz!, que acaba de estrear no Rio, é a nova produção dirigida por Charles e Cláudio
Company foi um dos primeiros musicais da dupla, sucesso no ano 2000

Nem tudo foram flores até o sucesso alcançado hoje. O início da carreira da dupla foi penoso. Os dois foram até roubados por produtores com quem trabalharam. Hoje, formam uma empresa e funcionam com uma infra-estrutura profissional que envolve 15 funcionários. Não assinam um cheque sem consultar a equipe.

Como se não bastasse estar à frente da retomada dos musicais no país, o núcleo Möeller-Botelho ainda revela talentos: a dupla descobriu cantores como Alexandre Schumacher, que interpreta o Malandro na ópera de Chico Buarque, e Kiara Sasso, que ganhou fama ao interpretar a Bela na versão brasileira do musical A Bela e a Fera. Conhecedor do assunto, Botelho ensina: “É mais fácil trabalhar com profissionais que estão começando no musical e ensinar a eles as técnicas do gênero. Não existe ator que canta.”

Cole Porter: O Musical que o Público Ama

julho 5, 2008 by Leo  
Filed under Acervo

Sucesso de crítica e público dentro e fora do Brasil, ‘Cole Porter’ reestréia no Rio

Divulgação
Cole Porter – Ele nunca disse que me amava

‘Cole Porter – Ele nunca disse que me amava’, da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho: visto por mais de 200 mil pessoas

A trajetória impressiona. Em dois anos de apresentações, entre Rio, São Paulo e Portugal, o musical Cole Porter – Ele nunca disse que me amava, parceria dos diretores Charles Möeller e Cláudio Botelho com o produtor Cláudio Magnavita, foi visto por mais de 200 mil pessoas. Elogiado pela crítica dentro e fora do Brasil e colecionando fãs incondicionais por todos os lugares onde passa, o espetáculo retorna ao Rio, pela terceira vez, agora no palco do Teatro Ipanema.

A novidade desta montagem é a entrada de três novas atrizes no elenco: Adriana Garambone, Kacau Gomes e Reginah Restellieux, que se unem a Gottsha, Alessandra Verney e Ada Chaseliov para contar e cantar a história de um dos mais famosos compositores americanos.

O segredo do sucesso?

- É difícil destacar um motivo só. Sem dúvida, as músicas são lindas, Cole Porter criou um repertório eterno. Mas não é só isso, acho que hoje podemos nos orgulhar de ter no Brasil artistas que cantam, dançam e representam com talento. Com elencos assim, nossos musicais não ficam nada a dever aos americanos – diz Charles Möeller, responsável pelo texto e direção de alguns espetáculos que marcaram época no Rio, como As malvadas, Ô abre-alas e Company.

Em cena, as atrizes desfilam pérolas do repertório do músico, como Too darn hot (do espetáculo Kiss me Kate, 1948), e Night and day (de Gay divorce, 1932). No total, são 31 números musicais embalados ao vivo por um trio de músicos.

Mesmo quando se envolveram em outros projetos no ano passado – Cláudio Botelho e Charles Möeller dirigiram o teatro Café Pequeno, no Leblon -, a dupla era constantemente bombardeada pelas pessoas que pediam a volta do musical.

- Foi tanta a insistência que resolvemos retornar. Cole Porter é um espetáculo que tem vida própria – diz Charles Möeller.

E tem mesmo. Nasceu quase por acaso, em 1999, quando os diretores ensaiavam um grupo de atrizes-cantoras para um musical. O projeto foi por água abaixo. Para não deixar as artistas na mão, Cláudio Botelho propôs que criassem um pocket-show de fim de ano só com músicas de Cole Porter.

- Tranquei-me em casa para escrever um pequeno texto de introdução para o espetáculo e, em menos de uma semana, acabou surgindo o musical inteiro – lembra o diretor.

De lá para cá, a história é um sucesso só: dez meses de casa cheia no Café Teatro Arena de Copacabana, um mês de teatro lotado em São Paulo e também em Portugal, no Cassino Estoril. E mais outra temporada, em 2001, no Teatro Leblon.

Nesse tempo todo, Cole Porter colecionou fãs fervorosos. Famosos e anônimos, como o cartunista Chico Caruso, que assistiu ao espetáculo 14 vezes, e Luiz Filipe Mendes, cônsul de Portugal no Rio, que fez do musical parada obrigatória para todos os visitantes que vinham da terrinha – ele aproveitava para ir ao teatro junto com os amigos portugueses, é claro.

- O cônsul aparecia em média quatro vezes por mês para nos assistir. Mas o recordista mesmo foi um senhor anônimo que nos prestigiou 21 vezes – recorda a atriz Ada Chaseliov.

Segundo ela, o que não faltam são histórias para contar nesses três anos de apresentações. Ela mesma é protagonista de uma delas. Ada ganhou uma fã de carteirinha que a segue em todos os espetáculos que faz em qualquer lugar do planeta e lhe manda cartas semanais apaixonadas.

- Pena que minha praia seja outra – brinca a atriz.

Mas a fã que mais impressionou os artistas foi uma senhora que resolveu presentear o marido, já bastante idoso, comprando todos os ingressos de uma sessão para comemorar o aniversário dele. Um dia antes do espetáculo, faleceu. Mesmo assim, a esposa levou os amigos para assistir ao espetáculo. Lotou o teatro.

- Ela disse que resolveu manter a reserva para prestar uma homenagem ao marido, já que foi o espetáculo que ele mais gostou em sua vida – conta Ada.

Este clima envolve quem faz parte do espetáculo desde o início e quem chega agora.

- Acho uma responsabilidade estar fazendo parte do espetáculo – afirma a atriz Adriana Garambone, a Madame M., que interpreta a Morte na montagem. Aos 32 anos, Adriana vem sendo muito elogiada por trabalhos como o Theatro musical brasileiro. O mesmo acontece com a caçula do elenco: Kacau Gomes, de 26 anos, que já trabalhou em vários musicais desde 1993, quando fez formação no Conservatório Brasileiro de Música e não pára de colher frutos. Desde então esteve em montagens como Goodspel e South American way – também de volta ao palco – além de ter sido backing vocal de Marisa Monte e Carlinhos Brown. Já Reginah Restelieux é uma das ”novatas” mais experientes do grupo. Ela, que foi bailarina do Teatro Municipal, esteve em Chorus line, de 1984, no premiado As noviças rebeldes e em Company, de Stephen Sondheim.

- Acho que é um encontro e tanto este nosso. Eu mesma assisti pelo menos cinco vezes a Cole Porter. Agora vou olhar por dentro – brinca.


Cole Porter: ele nunca disse que me amava. Texto e direção: Charles Möeller. Direção musical: Cláudio Botelho. Com Adriana Garambone e outros. Teatro Ipanema (Rua Prudente de Moraes, 824, Ipanema). Tel.: 2523-9794. Quinta a sábado, 21h30. Domigo, 20h30. R$ 35. 90 minutos.

* Publicado originalmente no Jornal do Brasil em 18/01/2003.