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	<title>MöellerBotelho &#187; Artigos</title>
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	<description>Site oficial dos diretores Charles Möeller &#38; Claudio Botelho</description>
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		<title>Parabéns Maurão!</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Apr 2011 13:47:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Möeller & Botelho]]></category>
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		<category><![CDATA[Mauro Mendonça]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Mauro Mendonça em matéria da Veja Rio em setembro de 2003 sobre a &#8216;Ópera do Malandro&#8217; &#160; Homenagem aos 80 anos de Mauro Mendonça &#160; MAURO MENDONÇA é nosso MARLON BRANDO, nosso Don Corleone da Lapa. &#160; Era assim que Charles Moeller sempre o chamava nos ensaios de ÓPERA DO MALANDRO. Em 2003, a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/04/Mauro2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16894" title="Mauro2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/04/Mauro2.jpg" alt="" width="560" height="631" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><em>Mauro Mendonça em matéria da Veja Rio em setembro de 2003 sobre a &#8216;Ópera do Malandro&#8217; </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3>Homenagem aos 80 anos de Mauro Mendonça</h3>
<p>&nbsp;</p>
<p>MAURO MENDONÇA  é nosso MARLON BRANDO, nosso Don Corleone da Lapa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Era assim que Charles Moeller sempre o chamava nos ensaios de ÓPERA DO MALANDRO. Em 2003, a dupla <span style="color: #000000;"><strong>Moeller &amp; Botelho</strong></span> ainda era mais uma promessa de boas realizações do que exatamente uma posição sólida no mercado. Mas, convidado por nós e com um empurrãozinho de seu empresário Marcus Montenegro, Mauro entrou com tudo no espetáculo, dando ao nosso musical a cara de teatro adulto e sério que desejávamos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Um comediante brilhante, com todos os tempos certos e todas as gags no limite exato de surpreender a plateia sem se tornar exibicionista, Maurão (como é conhecido pelos amigos), além de tudo, canta! E canta muito bem!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Tinha feito um magistral Peron na já clássica montagem do musical EVITA dirigida por Maurício Sherman nos anos 80, e arrebatou a simpatia do público como o contraventor Fernandes de Duran em nossa ÓPERA DO LAMANDRO. Fazendo par com a esplêndida Lucinha Lins, o casal levava o público ao delírio com suas falcatruas, chantagens, maldades subreptícias, mas sempre com ótimo humor.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Em quatro anos de temporada, entre Rio, São Paulo, Lisboa, Porto e pequenas cidades de Portugal, Mauro esteve em cena por praticamente 80% das apresentações.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Por compromissos com uma novela, foi substituído no final pelo grande Nuno Leal Maia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Ópera do Malandro, de Chico Buarque, foi pedra definitiva na nossa carreira como diretores e produtores de musicais. A presença de Mauro Mendonça no elenco dava ao espetáculo aquela cara de grande produção, com o brilho interpretativo que só os mestres têm, e sua presença nos bastidores e entre os colegas só nos enchia de felicidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/04/vvb3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16895" title="vvb3" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/04/vvb3.jpg" alt="" width="578" height="408" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Rosa Maria Murtinho, Claudio Botelho e Mauro Mendonça à época de &#8216;Versão Brasileira&#8217;</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Parabéns, Maurão! Parabéns também à Rosinha, sua companheira de vida e de arte de tantos anos, também nossa amiga querida e parte da nossa história , além de grande fã e participante dos musicais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Mauro Mendonça, fique por perto e venha fazer mais um musical urgente, você é indispensável nos nossos palcos!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/04/DSC01081.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16900" title="DSC01081" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/04/DSC01081.jpg" alt="" width="576" height="432" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça parabenizam Charles Möeller no seu aniversário, em 2010</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>Claudio Botelho &amp; Charles Moeller</strong></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Claudio Botelho: Os Guarda-Chuvas do Horror</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 23:28:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Möeller & Botelho]]></category>
		<category><![CDATA[Site]]></category>
		<category><![CDATA[Claudio Botelho]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; &#160; Adoro Michel Legrand. Já gostava de muitas canções avulsas, mas nunca me detive muito em nenhum disco só dele propriamente, porque como não gosto de jazz instrumental, acho chato quando a gente quer ouvir uma música e os instrumentistas vêm um de cada vez mostrar o quanto são maravilhosos por longos minutos de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/large.jpg"><img class="size-full wp-image-16750 aligncenter" title="large" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/large.jpg" alt="" width="500" height="340" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Adoro Michel Legrand. Já gostava de muitas canções avulsas, mas nunca me detive muito em nenhum disco só dele propriamente, porque como não gosto de jazz instrumental, acho chato quando a gente quer ouvir uma música e os instrumentistas vêm um de cada vez mostrar o quanto são maravilhosos por longos minutos de improvisação, até que o pobre cantor venha cantar de novo.  Discos de cantor acompanhado de “feras do jazz” são geralmente insuportáveis (pra quem não é adepto, fique claro). E infelizmente os discos onde Michel Legrand interpreta suas próprias canções são bem nesse estilo jazzístico, então sempre dei preferência a ouvi-lo interpretado por grandes cantores não jazzistas, como Nana Mouskouri, Barbra Streisand, Blossom Dearie, Bobby Darin, Liza, entre outros.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O filme <strong>OS GUARDA-CHUVAS DO AMOR</strong> (Les Parapluies de Cherbourg), dirigido por Jacques Demy, é um clássico. Tem adoradores pelo mundo todo, e é uma espécie de obra prima de Michel Legrand, que escreveu música ininterrupta para a ação completa do filme. Não há diálogos, tudo é cantado. Mesmo banalidades como uma cena de jantar, ou uma venda de anéis numa casa de penhores, tudo é cantado de uma maneira, a meu ver, até excessiva, porque o abuso de música dialogada faz com que as canções sólidas do filme percam a força. Mas quem gosta do filme, adora tudo isso, e adora principalmente as cores, a fotografia impressionantemente não-realista e romantizada, além do fato de a obra ter uma das mulheres mais interessantes e bonitas da história do cinema, Catherine Deneuve.  Portanto, quando li que haveria uma montagem teatral de <strong>UMBRELLAS OF CHERBOURG </strong>(titulo em inglês) no <em>West End</em> de Londres, foi a gota de estímulo que eu precisava pra fazer as malas e fugir do filme de terror em que se transforma o Rio de Janeiro no carnaval dos blocos.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Meu amigo Paulo Afonso de Lima, que é também minha Barsa particular (alguém ainda lembra da Barsa?), uma enciclopédia viva sobre musicais, me contou que nos anos 70 houve uma montagem deslumbrante no Public Theatre de Nova York, dirigida pelo grande vanguardista Andrei Serban, e isso me deixou mais animado ainda a acreditar que era possível fazer esta transposição de filme para o palco com talento e imaginação. Mas foi ilusão&#8230; O que vi em Londres não valeria uma viagem nem ao Catumbi, que dirá atravessar o Atlântico.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">A diretora é uma mulher, Emma Rice, que há uns dois anos emplacou uma versão de palco de “Brief Encounter”, o clássico filme do David Lean, escrito por Noel Coward, que tinha o grande Trevor Howard e Celia Johnson no elenco.  Este “Brief Encounter” começou numa cidade menor da Inglaterra, e chegou ao <em>West End</em> (a ‘Broadway’ de Londres), indo depois pra própria Broadway em Nova York. Dizem que fez sucesso. Não vi e não faço ideia.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/curve_cherbourg_06.jpg"><img class="size-full wp-image-16751 aligncenter" title="curve_cherbourg_06" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/curve_cherbourg_06.jpg" alt="" width="400" height="237" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O que tenho certeza é que Emma Rice não gosta do que faz. Pelo menos não gosta de OS <strong>GUARDA-CHUVAS DO AMOR</strong>. Porque pra início de conversa, ela enfiou um prólogo de uns 15 minutos, onde uma suposta comediante faz uma introdução à história que veremos. Pois bem, esta personagem, Lola, foi emprestada de um filme anterior de Jacques Demy, ela não existe no musical, mas ganha função de narradora neste prólogo porque Emma Rice achou que nós, os idiotas que pagaram 60 libras pelo ingresso, precisamos que uma mulher com um sotaque francês de anúncio de sabonete nos diga como era a vida em Cherbourg, como os franceses se sentiam, como eles amavam, etc. Pior que isso, ela aparece ali no proscênio acompanhada de três marinheiros que ficam fazendo umas dancinhas em volta dela, ou encarando a platéia como se fossem nos chamar pra comer uma sardinha a qualquer momento&#8230;  Mas vejam, não são exatamente marinheiros: são três sujeitos vestidos de marinheiro, mas maquiados como prostitutas de peça alternativa. Devem ser os primeiros marinheiros com rímel e blush que a Marinha francesa aceitou em anos.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/meow3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16769" title="meow" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/meow3.jpg" alt="" width="229" height="271" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">A tal Lola é feita por uma atriz&#8230; Bem, também não é bem uma atriz, é chamada no programa de “performer”. O nome dela é Meow Meow <em>(acima)</em> – o que já diz muito sobre ela, não acham? Ainda segundo uma entrevista de Emma Rice, Meow Meow é “a maior performer das boates de Nova York e Londres”. Mas eu garanto a vocês que a Lorna Washington e a Rose Bombom, dois transformistas talentosíssimos que animam boates no Rio de Janeiro, são umas trezentas vezes mais engraçados e mais interessantes que a “performer” em questão. Mas tá tudo bem, enquanto a Lola explicava a peça, fiquei ali sentado esperando que o pano se abrisse, e tentando não olhar pra cara do marinheiro mais alto, que eu juro que parecia um cara que me assaltou há alguns anos perto da Rua da Passagem em Botafogo. Acho que era ele sim.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Abre o pano e você começa a murchar na cadeira, vai murchando, vai ficando constrangido, vai ficando com raiva, vai desenvolvendo uma vontade irresistível de procurar essa Emma Rice na porta do teatro e bater nela com um frango vivo, até que o bico da ave lhe cause perfurações que nenhum Pitangui consiga reverter.  Porque tem espetáculos que são ruins porque um ator é ruim; porque a história é ruim; porque o cenário é uma merda; ou porque você não está num bom dia, e na verdade é tudo ótimo e o problema é você mesmo. Mas aqui, tudo o que acontece é porque essa mulher, essa Emma, simplesmente odeia o material sobre o qual trabalha. E ela se vinga na gente, no público. Nós, que só fomos lá porque amamos a música do Michel Legrand e aquele filme lindo, somos as vítimas.  É como, por exemplo, você passar a infância inteira lendo “Reinações de Narizinho”, e um dia você descobre que vão fazer um filme, mas o diretor escolhido é o M. Night Shyamalan. Ah, vai à merda, né?</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/curve_cherbourg_021.jpg"><img class="size-full wp-image-16754 aligncenter" title="curve_cherbourg_02" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/curve_cherbourg_021.jpg" alt="" width="400" height="267" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas vamos ser específicos sobre este <strong>GUARDA-CHUVAS DO AMOR</strong> e o talento da diretora. O casal de protagonistas, que no filme eram a Catherine Deneuve e Nino Castelnuovo (atores por quem metade da população mundial cortaria os pulsos), na peça da Emma são feitos por uma moça que se parece com uma ascensorista cansada do elevador do Edifício Avenida-Central, e um rapaz que tem uma arcada dentária simplesmente idêntica à de uma truta. Sabe aquela gente que sorri e os dentes de cima fazem uma elipse que os de baixo não conseguem alcançar nem se forem arrancados? Pois é isso, são dentes predadores subaquáticos, feitos pra comer escargots dentro de suas conchas, sem quebrá-las.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que todo mundo é filho de Deus, e claro que as pessoas com este problema odontológico também têm direito a seu lugar ao sol, mas como galãs de musical? Por que? Pra ter essa cara, o sujeito tinha que cantar no mínimo como um Pavaroti esquecido numa ilha pelos pais envergonhados da sua dentição, mas o fato é que o rapaz canta só igual a qualquer outro com dentes melhores que existem às dúzias nos teatros da redondeza.  A mocinha canta bem, tem algum alcance pra notas altas, mas e daí? Não tinha uma menos parecida com empada no dia do teste? Claro que tinha, mas é aí que entra a arte da Emma (vou chamá-la só de Emma agora, sem sobrenome, porque ela merece): Emma escolheu essas pessoas, porque Emma odeia essa peça! Eu tenho certeza disso como o detetive que, num episódio qualquer de CSI Miami, acha o DNA do assassino sob as unhas da amante estrangulada.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Mais uma prova? Bom, no filme, o personagem da truta, ou melhor, do galã, tem uma tia inválida, que é uma velhinha que fica numa cadeira de rodas e morre lá pelo final da trama. Pois bem, Emma colocou um homem no papel. Sim, ela achou que a tia deveria ser feita por um ator de peruca branca. Não se deu nem ao trabalho de mandar o cara fazer a barba, ele faz de vestido, peruca, e os pelos do bigode de uns três dias aparecendo. E a voz é grossa. E alguém aí acha que existe alguma explicação pra este ‘casting’? Imagina! Ninguém toca no assunto, o sobrinho chama o cara de tia o tempo todo, no programa não há uma única menção a essa troca de gêneros, é simplesmente um travesti e pronto.  E não pensem que se trata de uma genal Rogéria, que é um ator que normalmente se apresenta como mulher, e que tem uma carreira ligada a isso. É só um cara que foi lá, botou uma saia e entrou em cena. Coisas de Emma!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/umbrellas_1855018b1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16755" title="umbrellas_1855018b1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/umbrellas_1855018b1.jpg" alt="" width="446" height="279" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não acabou ainda. Lembram dos três marinheiros da The Week que estavam lá no início? Nunca fui à The Week (a boate) porque meu tempo de sair à noite acabou quando pararam de tocar Donna Summer, mas tenho certeza que se na The Week aparece algum marinheiro de vez em quando, eles são iguais aos da Emma. Esses caras ficam em cena a peça toda, carregando coisas, andando como contra-regras de luxo, “observando a ação” (odeio gente que observa a ação), e de repente eles tiram uns cartazes do bolso onde se lê: “LA NUIT”. E viram o cartaz de costas e tá escrito: “THE NIGHT”. Isso acontece umas 58 vezes na peça inteira. Basta alguém ir pra um hotel e lá vem eles com “L´HOTEL” – “THE HOTEL”. E toda vez que eles fazem essa “tradução”, a tal da Lola performer morre de rir. Eu juro, não estou inventando, é assim mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Mas Emma não parou por aí. O cenário são umas plataformas até bonitas, uns luminosos interessantes, não é ruim. Mas como Emma odeia a peça, de vez em quando há cenas de interior, e entra um sofá. Mas não é um sofá normal, é uma miniatura de sofá dessas que vendem em casas de brinquedos. E os atores têm que sentar ali, nos micro-sofás. Só que eles nem sentam no sofá em si, sentam no braço dele. Isso, o troço tem assento e encosto, mas ninguém senta no lugar pra sentar, todos sentam no braço da coisa, com os pés sobre as almofadas. E, pasmem, ninguém vai lá e simplesmente se senta. Um dos marinheiros da The Week carrega o ator no colo e o coloca no braço do sofá.  Se você entrar na peça naquele exato momento, vai achar que está numa sessão de teatro da ABBR e que os atores são paraplégicos, porque ninguém chega no sofá ou na mesa caminhando, todos são carregados pelos marinheiros.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Há inclusive uma cena da Madame Emery, mãe da mocinha (que é feita por Joanna Riding, a única atriz de primeira linha do elenco, uma santa por agüentar aquilo), com o personagem Roland Cassard, em que os dois conversam uns 10 minutos sentados cada qual num braço do  sofá-miniatura. Por que não sentar igual a qualquer ser humano? Emma não me respondeu. Assim como não me respondeu por que decidiu enfiar uma cena de sexo em que o casal principal transa pela primeira vez (a mocinha é virgem) no meio da rua, numa espécie de viaduto da cidade, algo que simplesmente não existe no filme. E se no filme esta única cena de amor é tratada com delicadeza e apenas insinuada com extremo bom gosto, no espetáculo somos obrigados a ver o homem-truta abrindo a braguilha, fazer um movimento constrangedor de tirar a “truta” pra fora, e mostrar a todos nós que está entrando centímetro por centímetro na pobre infeliz arreganhada à sua frente, e ainda com o requinte de fazer movimentos de sobe-e-desce com os quadris por cima da moça. Eu continuo jurando, eu vi com meus olhos, eu não estava sonhando.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">E pra quem acha que a criatividade da Emma acabou, aqui vai o arremate. No final da história, o casal de amantes teve cada qual um filho, e uma passagem de tempo pega as crianças com idades de mais ou menos sete anos, falando papai, mamãe, etc&#8230;  Mas o problema é que, na versão da Emma, os filhos são: bonecos. Isso aí. Tamanho natural, aquela boca de ventríloquo do tipo A Praça É Nossa, e são manipulados por atores vestidos de preto que empurram seus bracinhos de plástico. Quer dizer, passamos duas horas vendo uma peça com gente, gente de carne e osso, e essas pessoas deram à luz a bonecos iguais ao Chuck, o brinquedo assassino. Os bonecos até cantam, se movimentam e dão tchauzinho. Mas são bonecos. E eu pergunto: por que?</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/curve_cherbourg_03.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16772" title="curve_cherbourg_03" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/curve_cherbourg_03.jpg" alt="" width="400" height="232" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Nada responde aos mistérios de Emma. Pra encerrar com chave de ouro, no final da peça há uma nevasca. E claro que Emma não poderia simplesmente se conformar com uma coisa tão boba quanto neve, ou qualquer fenômeno metereológico comum, afinal alguém tão criativo quando ela não vai se deixar levar assim por uma besteira dessas. No teatro que se preocupa com o público, cenas de neve geralmente são encenadas com efeitos de luz, ou flocos de isopor que caem do urdimento no palco, e isso desde que Puccinni botou a Boheme em cena pela primeira vez. Pois Emma faz nevar na&#8230; platéia. Sim, na cabeça da gente. Você sente que alto tá errado quando percebe caindo sobre seu cabelo aquela gosma que todo mundo tá cansado de ver no carnaval do Rio. Igualzinha. Você sai do teatro encharcado daquilo porque não há como escapar.  Ou seja, nevou em cima da gente.  Se alguém tinha feito escova-progressiva naquela noite, perdeu o dinheiro.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Em resumo, eu fugi do carnaval do Rio e de seus blocos abomináveis, pra cair no Bloco da Emma e ainda levar spray de espuma na cabeça.  Emma e suas gracinhas me fez lembrar muito um certo tipo de teatro que há  entre nós, ou seja, o teatro do “eu te odeio e quero  te sacanear porque você comprou ingresso pra ver as minhas merdas”.  Não é á toa que, no programa da peça, a super Emma dá uma declaração que define a si mesma e toda a falange que ela representa: “não há nada mais vazio do que o aplauso de uma plateia feliz, isso atrapalha a compreensão do nosso trabalho.” (sic)</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">As críticas saíram ontem – e eu já tinha escrito este texto – e, ao que parece, <strong>OS GUARDA-CHUVAS DO AMOR</strong> não vai passar nem do primeiro mês em cartaz, porque nossa diretora favorita  está sendo simplesmente escorraçada nos jornais.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Não sou crítico de teatro. O que escrevo aqui são impressões pessoais, faço-o com a liberdade de quem está escrevendo dentro de um blog/site próprio, e supondo sempre que quem lê isso está a fim de se divertir e falar de musical. Portanto, toda e qualquer opinião aqui expressada não é assinatura em cartório, não é condenação ao índex do Vaticano, muito menos é a voz da verdade dizendo o que é bom ou o que é um saco. Falo do que me toca, pro bem e pro mal, e infelizmente, minha semana de carnaval em Londres não foi parecida com aquela  em que assisti ao Billy Elliot, ou Oliver, ou até o despretensioso Pryscilla, que não se leva a sério e cumpre o que promete.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Agora que já falei tanto de minha amiga Emma, sinto um pouco de pena dela. Pobre Emma Rice&#8230; Vou sugerir pra ela mandar algum projeto pro CCBB, de repente uma versão musical de Édipo Rei com elenco todo de surdos-mudos e as músicas feitas por sinais. E a platéia assiste a tudo no escuro, o cenário é em braile. Gente, é uma super idéia pra Emma. Ela vai ganhar um monte de prêmios no final do ano, e mesmo que ninguém vá assistir, não importa – o público sempre estraga tudo mesmo!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<h3><strong>Claudio Botelho</strong></h3>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Claudio Botelho: &#8220;Uma Tarde em Oz&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Mar 2011 11:33:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[O Mágico de Oz]]></category>
		<category><![CDATA[Claudio Botelho]]></category>

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		<description><![CDATA[Artigo Claudio Botelho: &#160; &#160; Não sou exatamente um fã de matinês no teatro. Todas as vezes que viajo (e a vida tem sido generosa nos últimos tempos e me proporcionado viagens muito freqüentes para países onde o teatro musical é a linha de frente do entretenimento), tento evitar espetáculos nas tardes de quarta-feira ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color: #000000;"><strong>Artigo Claudio Botelho</strong></span>:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/wallpaper_artwork_1024x7681.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16602" title="wallpaper_artwork_1024x7681" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/wallpaper_artwork_1024x7681.jpg" alt="" width="597" height="448" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Não sou exatamente um fã de matinês no teatro. Todas as vezes que viajo (e a vida tem sido generosa nos últimos tempos e me proporcionado viagens muito freqüentes para países onde o teatro musical é a linha de frente do entretenimento), tento evitar espetáculos nas tardes de quarta-feira ou de sábado. Primeiro porque eu morro de sono neste horário. Depois porque são as sessões naturalmente mais frequentadas por crianças, adolescentes, e por crianças da terceira idade, que são foférrimas todas, mas ou fazem um barulho incrível para demonstrar sua euforia (os jovens), ou roncam muito alto, mesmo em cenas onde a orquestra está tocando à toda (os da “melhor idade”). Concordo com eles, esses horários vespertinos são mesmo perfeitos para bulitizar algum coleguinha mais desafortunado, ou para tirar uma gostosa soneca. Mas, se eu puder escolher, prefiro não estar com nenhum desses grupos dentro da mesma sala de espetáculo.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Fui ver <span style="color: #000000;"><strong>O MÁGICO DE OZ</strong></span> na matinê. Dá pra imaginar pretexto mais formidável para qualquer das opções acima? Pois, pasmem: ninguém dormiu (não sonoramente). E as centenas de crianças inglesas com seus perfurantes olhos azuis estavam absolutamente fixadas no palco mesmo, acompanhando cada emoção daquela montanha russa espetacular que se desenrolava na nossa frente.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é a nova produção de <span style="color: #000000;"><strong>Andrew Lloyd Webber</strong></span>, que – salve! – atualmente honra a estirpe de grandes compositores como Rodgers &amp; Hammerstein e dedica-se a usar seus recursos para produzir espetáculos não necessariamente próprios. Sir Andrew, como é conhecido, nunca conseguiu emplacar um grande sucesso desde o SUNSET BOULEVARD, mas tem prestado serviços incríveis como produtor de musicais definitivos como A NOVIÇA REBELDE, OLIVER (em parceira com Cameron Mackintosh) e o hilário PRISCILLA, que ele co-produziu em Londres, sendo a produção original da Austrália.  E agora, empolgadíssimo, lança esta adaptação de OZ para o palco, um de seus sonhos mais acalentados.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo começa de maneira indescritivelmente bela: os primeiros 15 minutos do espetáculo, mostrando a vida de Dorothy no estado americano do Kansas, situação rural com os personagens que em seguida povoarão seu “sonho”, são irretocáveis. O cenário e as roupas são em tons de sépia, numa recriação primorosa da primeira parte do filme, com requintes de perspectiva cenográfica impressionantes pela simplicidade, e o uso de palco giratório nunca gratuito, sempre revelando novidades para a visão do público.  Dispensável neste início é a longa canção composta por Sir Andrew como substituição às falas originais do filme.  Mas não chega a doer.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Pra quem está muito familiarizado com o filme original (alguém não está?), havia uma enorme expectativa para a cena do tornado. Como eles vão fazer aquilo no palco? E então rola a primeira decepção, porque a solução foi usar a praga que atualmente domina quase 80% dos grandes espetáculos do eixo Nova York-Londres: projeção! Me diga um espetáculo de grandes dimensões que não tenha projeções (em filme, 3D, vídeo, video-wall, o que seja) e eu te dou um ingresso pra Hair na primeira fila, pra você ver a cena de nudez bem de pertinho e escolher seus “talentos” favoritos. Mas, em resumo, projeção é uma praga! Mesmo que sejamos obrigados a usá-la algumas vezes, já que é muito mais barata do que se supõe, torço pela época em que o teatro (e incluo as minhas peças nisso) entenda que projetar coisas no cenário, em telões, em cortinas, é mais batido que jogar confete pra cima em cena gritar que é chuva. Maneiro, né?</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado da projeção em O MÁGICO DE OZ nem é ruim. Só é decepcionante porque você imagina que, com aqueles recursos de produção todos, alguém ia inventar um “vento cênico”, algo físico e teatral mesmo, e não um recurso de outra arte que é o cinema. Simplesmente um tornado é projetado numa tela transparente e escura em primeiríssimo plano, enquanto lá atrás os atores se balançam e fingem que estão sendo sacudidos pelos ventos.  Convence, claro. Mas não é teatro, é projeção.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/ybr-.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16603" title="ybr-" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/ybr-.jpg" alt="" width="576" height="383" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Assim que termina o vendaval, o cenário está totalmente renovado, e vemos as cores do mundo dos sonhos de Dorothy. Nova decepção. Dentro do mais absoluto bom acabamento de produção, o pensamento criativo é: papel-crepom. Juro! Não que sejam recursos baratos, deve ser um papel-crepom de milhões de dólares.  Mas o que você vê não é muito diferente do que você veria na mesma peça produzida pelo seu filho e os coleguinhas numa festa de fim de ano do colégio.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Estou exagerando, claro. Não há nada ali que não seja pensado e extremamente bem executado pela cenografia. Só acho (e é opinião absolutamente pessoal) que o espetáculo sai do Kansas super adulto e rico de idéias, e cai na “estrada de tijolos amarelos” com aquela cara de teatro infantil “lúdico”, que talvez não irrite os meus bons colegas da matinê, mas a mim tira do sério.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Imagens1-.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16604" title="Imagens1-" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/Imagens1-.jpg" alt="" width="576" height="383" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bom, a partir daí começa uma fileira de decepções até o fim do primeiro ato. Os três amigos de Dorothy , os ícones Espantalho, Homem de Lata e Leão Covarde, são feitos por atores que parecem vindos de algum parque temático.  São irritantemente infantilóides. O Espantalho consegue ser o pior, com maneirismos de corpo que lembram um mamulengo com esquizofrenia (sem a graça dos mamulengos). O Homem de Lata não fede nem cheira, a gente nem nota ele, tamanha falta de carisma. E o Leão Covarde, que é a primeira “bicha para crianças” da história do cinema, não tem a menor graça. Mesmo as falas adicionadas pra ele, e que poderiam render piadas incríveis como “eu sou amigo de Dorothy” (que significa ser gay na gíria americana), ou ainda ele olhando para a platéia e dizendo “I am What I Am”, não resultam no mais discreto sorriso do público.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Fica difícil engolir estes três coadjuvantes medíocres, porque estes personagens no filme são defendidos por comediantes de primeiríssima linha. O Leão Covarde de Bert Lahr é inesquecível, representação adulta para crianças e adultos, não tem nenhuma facilitação para compreensão infantil. E isso vale para os outros dois. O que acontece no espetáculo é mais ou menos o mesmo que você refazer o Sítio do Pica-Pau Amarelo sem a grande Zilka Salaberry, e decidir que quem fará Dona Benta é uma atriz de uns 25 anos com enchimento na barriga e talco no cabelo.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Bem pior que isso são os Munchkins. Aí é de lascar. Por que será que os Munckins de Sir Andrew são mais altos que Dorothy? Não há anões em Londres? Não há crianças pequenas, todas são vara-paus?</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">E por que os trios de ‘The Lollipop Guild’ e ‘The Lullaby League’ são feitos por crianças “fofas” e com voz de criança, e não por anões ou no mínimo por crianças com vozes características? Os Munchkins, até onde eu sei, são seres esquisitos, de um mundo estranho, não são do jardim da infância. Enfim&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/hannah-.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16605" title="hannah-" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/hannah-.jpg" alt="" width="376" height="520" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O que salva o primeiro ato é a aparição da Bruxa Má do Oeste, extremamente bem caracterizada, e voando sobre a plateia de maneira divertida. Pelo menos ela não atua para o playground aqui do meu prédio, mas consegue dar alguma verossimilhança a uma Bruxa que pode amedrontar alguém.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">No segundo ato, dominado pela Bruxa, tudo melhora e muito. Os cenários são adultos e assustadores. O ninho da Bruxa e seus assistentes ganha contornos realistas e o papel crepom, graças a Deus, não volta mais. Há um pouco de figurantes demais em cena, e alguns você percebe que estão ali porque devem trepar com alguém que tenha poder lá dentro, porque estão vestidos como bichas de boate, mas quem se importa? Afinal, Oz também deve ter academia e as bichas malham, né?</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Eu, que geralmente não sou sensível à música de Andrew Loyd Weber, adorei a valsa escrita para a Bruxa no segundo ato. Não chega a ser &#8220;The Jitterbug&#8221;, este sim um número sensacional, que foi cortado do filme e que Sir Andrew não quis fazer aqui, preferindo compor ele mesmo alguma coisa. Mas é uma ótima canção, tem força e a letra de Tim Rice é fantástica!</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Inaceitável é o fato de terem cortado um dos melhores números do cinema musical de todos os tempos, ‘If I Were King’, onde o Leão Covarde praticamente assume que é gay com metáforas e piadas de duplo sentido revolucionárias para a época do filme (1938). Por que cortaram, meu Deus? Pra nenhuma criança imitar, será? Mas as crianças de hoje tiram isso de letra, tem criança em site gay marcando encontro com o coleguinha na hora do recreio, levando Barbie pra sala de aula e ensaiando como fazer um penteado nela sem arrancar os fios da cabecinha de borracha&#8230; Não precisava tirar o número, os meninos gays estão mais interessados em imitar alguém do Glee do que no Leão Covarde.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/miochael-.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16606" title="miochael-" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/miochael-.jpg" alt="" width="329" height="455" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Não sei o nome dos atores do espetáculo, e estou com preguiça de procurar no programa. Vocês podem perfeitamente procurar isso no site da peça, né? Mas não há como não citar o grande Michael Crawford no papel do Mágico, participação que se resume a alguns minutos encantadores no primeiro ato, e uns 10 minutos finais no segundo. É um plus no elenco.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">A Dorothy, escolhida num desses insuportáveis reality shows (não aguentaria ver nem a própria Judy Garland num reality, mas sei que tem gente que ama), é ótima. Canta muito bem, tem carisma, e faz um ‘Over The Rainbow’ lindo, apesar das guitarras folk da nova orquestração. E o cachorro Totó, daquela raça do Ig (lembram?) é um espetáculo à parte. Eu fiquei muito ligado no Totó, ele é talentosíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/toto-.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16607" title="toto-" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/toto-.jpg" alt="" width="370" height="538" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Isto que escrevo aqui pode (e sei que vai) se voltar contra mim daqui algum tempo, pois iremos produzir O MÁGICO DE OZ no Brasil. Será a primeira vez que o musical será montado aqui, excluindo-se as produções piratas que já aconteceram. Todas, sem exceção, eram piratas, nunca ninguém se deu ao trabalho de consultar os autores, os compositores etc.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Nossa versão é a da Royal Shakespeare Company, montada em 1988 com Mickey Rooney fazendo o mágico e Eartha Kitt como a Bruxa do Oeste. Extremamente fiel ao filme, esta é uma adaptação que reproduz também a deslumbrante orquestração original de 1938, com muitos coros internos e sets de percussão que são exemplares de um espetáculo onde a música incidental é quase tão importante quanto as canções.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Eu disse que isso que escrevo pode se voltar contra mim em algum momento porque sei  o quanto é difícil montar este musical, como é complicado chegar a soluções interessantes que não se rebaixem à tentativa de deixar tudo muito explicado para crianças, tratando-as como se fossem Munchkins modernos, ou seja, bobos alegres. Quando for a nossa vez, Deus nos ajude a não cair em tentação.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Vou terminar isso aqui dizendo que ver O MÁGICO DE OZ, no Teatro Paladim em Londres, caso você passe por lá, é um must. Se você gosta de musicais (e deve gostar, senão nem estava aqui lendo até agora), certamente você ama esta história, este filme, estas canções, e vai passar quase três horas dentro de uma produção de lamber os beiços, apesar dos defeitos que talvez só um chato ranzinza como eu tenha notado.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p>É imperdível!</p>
<p>&nbsp;</p>
<h1><strong>Claudio Botelho</strong></h1>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Claudio Botelho: &#8220;Judy e o Fim do Arco-Íris&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Mar 2011 11:15:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Fim do Arco-Íris]]></category>
		<category><![CDATA[Möeller & Botelho]]></category>
		<category><![CDATA[Site]]></category>
		<category><![CDATA[Claudio Botelho]]></category>
		<category><![CDATA[Judy Garland]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto: Claudio Botelho Não faz muito tempo, numa conversa com um jovem que faz teatro musical, fiquei absolutamente perplexo quando ele me disse que nunca tinha ouvido falar em Judy Garland. Mais perplexo ainda quando não consegui desvendar o mistério pra ele dizendo a prosaica frase: “ela era a mãe da Liza Minnelli”, pois percebi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><strong><br />
</strong></em></p>
<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="191618_189972414373663_100000827178218_392774_2855701_o--" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/191618_189972414373663_100000827178218_392774_2855701_o-.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16379" title="191618_189972414373663_100000827178218_392774_2855701_o--" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/191618_189972414373663_100000827178218_392774_2855701_o-.jpg" alt="" width="583" height="401" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<h1><span style="color: #000000;"><strong>Texto: Claudio Botelho</strong></span></h1>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Não faz muito tempo, numa conversa com um jovem que faz teatro musical, fiquei absolutamente perplexo quando ele me disse que nunca tinha ouvido falar em Judy Garland. Mais perplexo ainda quando não consegui desvendar o mistério pra ele dizendo a prosaica frase: “ela era a mãe da Liza Minnelli”, pois percebi que ele achava já que tinha ouvido aquele nome (Liza) em algum lugar, mas a familiaridade era semelhante à minha com o nome de algum DJ mais famoso do mundo e que eu não faço a menor ideia de quem seja. (Já repararam que todo DJ que se apresenta no Rio é “o mais famoso do mundo”?)</p>
<p style="text-align: justify;">Eu já estou velho, isso é fato. Mas nem se preocupem porque este não é um texto de alguém se lamuriando pelo fato de pertencer àquela fauna que, imersa já no lodo dos quarenta e tantos anos, agarra-se desesperadamente à ilusão de que vai demorar muito a ser olhado como cinquentão. Meus problemas pessoais eu manterei longe dos leitores do Site Möeller Botelho, eu prometo. Mas é que fazer teatro musical e nunca ter ouvido falar em Judy Garland é o mesmo que fazer história natural e não reconhecer um dinossauro. Judy Garland é um dinossauro! Você a conhece? Ou você acha que tudo começou com aquelas mulheres verdes do Wicked?</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/uKoTvr203lw" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/uKoTvr203lw"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Sou um fã um de Judy Garland. Talvez um fã um pouco mais exaltado e mais radical que o normal. Pra mim ela foi a maior artista de performance vocal  feminina  do século XX, assim como Frank Sinatra foi o maior entre os homens. Ainda acho que ninguém superou e ninguém vai superar Judy Garland como intérprete de canções de teatro e/ou cinema, ou mesmo de <em>standards</em>. Não acho que aquela maneira de cantar, tratando a letra sempre como uma confissão do mais fundo da alma, seja fora de moda ou velha. Acho que é atualíssima. Acho isso com meus ouvidos e meu coração, afinal “achar” é algo particular, ninguém acha nada com a sensibilidade do outro. Para mim, aquilo que Judy fazia é ainda o que eu quero ver e ouvir no palco. Não preciso de mais. E nem preciso de menos.  Menos então, é um saco! Mulheres  que cantam  como se estivessem sentadas no Cafeína do Leblon esperando as amigas semi-gatas chegarem do pilates pra dividir um  chá de alguma planta do Tibete, essas mulheres me transmitem apenas aquilo que a vida já me oferece sem que eu pague ingresso: tédio.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/HzLUqIc2Iik" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/HzLUqIc2Iik"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Assisti  a algumas peças (ou tentativas de peças) sobre Judy. Vi uma em Nova York há alguns anos chamada A PROPERTY KNOWN AS GARLAND, ou algo assim, que era um monólogo chato, embora preciso sobre a temporada que ela fez na Dinamarca,  pouco antes de morrer. Não me convenceu, e acho que não convenceu nem ao mais lunático “amigo de Dorothy”, já que saiu de cartaz duas semanas após a estreia.  Vi ainda algumas performances de atrizes ou de travestis fazendo Judy em grandes e pequenos musicais, e geralmente foram ótimas. Mais que isso, assisti à impressionante minissérie ME AND MY SHADOWS, baseada no livro de Lorna Luft (a irmã de Liza, pro pessoal do Cafeína), onde Judy Davis simplesmente arrebenta fazendo uma Judy incrível, mas infelizmente dublada  nos números musicais (o que é mais do que aceitável para um filme de TV).</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/nH_iNTyp2jw" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/nH_iNTyp2jw"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Há mais ou menos um ano e meio, Peter Quilter, autor de GLORIOSA,  peça que montamos aqui com a grande Marília Pêra (uma de nossas Judys nacionais, com certeza), me mandou um email dizendo que tinha uma peça sobre Judy Garland  e se eu não estaria  interessado em ler. Que pergunta!  Ele enviou o texto no email seguinte&#8230; Duas horas depois, eu estava acertando o contrato de compra dos direitos para o Brasil.</p>
<p style="text-align: justify;">O nome da peça é <strong>END OF THE RAINBOW</strong> (<strong>O Fim do Arco Íris</strong>). Trata de um momento em particular da vida de Judy passado aqui em Londres (de onde escrevo este texto), mais precisamente da temporada dela na boite Talk of The Town, onde  se apresentou em 1968. Era uma tentativa de voltar a cantar após vários revezes por causa de uso de remédios, álcool, coisas da vida de divas que talvez interessem mais a quem quiser ler as biografias disponíveis, não é o caso de me estender por aqui. O que importa é que é a melhor peça que eu já li sobre ela. A mais bem escrita, a menos esquemática, a mais emocionante, e a que consegue incluir as canções de maneira menos óbvia.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando fechei o contrato de direitos com o autor, eu sabia que uma montagem vinha sendo gestada para chegar a Londres um pouco depois. Mas eu não tinha ideia do que seria. Comprei a peça pela peça, pelo que estava no papel. O que já era muito.</p>
<p style="text-align: justify;">Em novembro passado, eu e Charles viemos a Londres para a estreia do espetáculo. Não me lembro se já escrevi no site a respeito disso, mas se já, me perdoem o excesso: foi uma das noites mais impressionantes que já vivemos num teatro até hoje. A interpretação de Tracie Bennet  como Judy Garland  é tão assustadoramente perfeita, uma encarnação tão impressionante, que eu perdi muito a noção de quem eu estava aplaudindo. Era Tracie, ou era a própria Judy? A reação do público era tão maior que o comum por aqui, entre lágrimas e aplausos, que dava pra saber que esta não era só uma peça pra “amigos de Dorothy”, mas uma peça pra quem gosta de teatro.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que é espetáculo recebeu críticas unanimemente positivas, cinco estrelas de todos os jornais que importam, e agora estão indicados ao Olivier Awards (o prêmio Tony de Londres): Peter Quilter, pelo texto; Tracie Bennet (melhor atriz) como Judy;  e Hilton McRae (melhor ator coadjuvante)  como o pianista amigo que a acompanha na jornada para dentro do inferno que se torna a passagem dela por Londres.</p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/5pgYHDxZZnE" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/5pgYHDxZZnE"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Fomos rever o espetáculo esta semana. Uma das coisas que mais impressiona quando você vê teatro fora do Brasil é a fidelidade dos atores aos espetáculos em que trabalham. Você vê uma peça (ou musical) uma vez, e quando revê anos depois, é exatamente o mesmo espetáculo. Com frescor, com naturalidade, com força – mas o mesmo espetáculo. Atores ingleses e/ou americanos não são autorizados a mudar marcas, intenções, inventar falas. Mesmo estrelas  não alteram o que foi escrito e dirigido. Quem viu uma peça na estreia (após a temporada de ensaios abertos, onde aí sim se experimenta tudo), viu algo igual ao que alguém que vê dois anos depois. O desafio dos intérpretes é manter viva a repetição.  Improviso e novas idéias são arte ligada ao stand-up comedy, ou a shows de boites, não são bem-vindos no teatro por aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Digo isso para resumir que: a emoção de ver END OF THE RAINBOW novamente igual à da estreia.  Estava tudo lá, exatamente como em novembro passado, e tudo chegou a nós com o mesmo impacto. Sou suspeito para assistir qualquer coisa sobre Judy. Um  aficionado contumaz (e chato) como eu,  presta atenção  nos menores gestos, na maneira como ela mexe no cabelo, na finalização dos vibratos, enfim, não há como ver alguém “fazendo” Judy sem ficar pensando nesta ou naquela cena de filme, neste ou naquele momento de algum show de TV, de alguma performance ao vivo dela. Mas isso importa pouco. O que vale mesmo é perceber a força da peça e a maneira como o público continua recebendo o espetáculo. Novamente a platéia inteira de pé por no mínimo 10 minutos no aplauso final. E Londres não é o auditório da Hebe, onde todo mundo se levanta  pra qualquer ser humano que segure um microfone e emita sons semelhantes aos de uma gralha com amigdalite. Ninguém aplaude nada de pé por aqui, só mesmo em ocasiões muito arrebatadoras e especiais. Como é o caso de END OF THE RAINBOW.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos fazer JUDY – O FIM DO ARCO IRÍS no Brasil ainda este ano. Estrearemos em outubro num teatro ainda a ser anunciado. Não podemos revelar o elenco ainda, mas a atriz escolhida já está mergulhada em Judy Garland, em todos os seus filmes, discos, programas de TV, biografias. O trabalho de imersão já começou.  É comum nos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, artistas que “já fazem” Judy. É um personagem muito popular por aqui. Tem gente que se especializa em imitá-la, faz shows em boite, a maioria mulheres, mas muitos transformistas e atores/travestis também. Já vi muitos fazerem, e são sensacionais. Faz parte da cultura destes países, como faz da nossa imitar o Cauby Peixoto, ou a Elis, Bethânia, Dalva de Oliveira. (Aliás, as três últimas foram muito influenciadas por Judy Garland, e acho que é por isso que amo tanto as três também, deve ser coisa de “amigo de Dorothy”.) Mas representar Judy no Brasil requer um pouco mais de estudo, e nossa Mrs. Garland sabe disso (viu a peça aqui e entende o que significa esta performance), portanto já começou sua preparação para chegar aos ensaios já familiarizada com os cacoetes vocais, gestos, detalhes do personagem e da pessoa real.</p>
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<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/lJy42lRNAkU" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/lJy42lRNAkU"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: justify;">Vou ser um produtor/diretor muito feliz e realizado se conseguir contar um pouco da história de Judy Garland em palcos brasileiros. Haverá gente interessada em ver isso? Gente suficiente para manter a peça em cartaz por alguns meses? Isso é um mistério, a gente nunca sabe nada neste nosso negócio. Não estaremos montando um espetáculo para fãs de Judy, ou pelo menos não só para eles. A idéia é contar uma história comovente, sobre o maior nome da era de ouro do cinema musical, uma estrela que arrastou multidões por onde passou, e que também desceu todos os degraus em direção ao inferno da amargura pessoal e profissional.  Falar mais é estragar a surpresa da peça.</p>
<p style="text-align: justify;">Amigos de Judy, e também aqueles a quem temos de dizer que “é a mãe da Liza” – a gente se encontra em outubro!</p>
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<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/fRN3d5q_jbw" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/fRN3d5q_jbw"></embed></object></p>
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<h1><span style="color: #000000;"><strong>Claudio Botelho</strong></span></h1>
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<p style="text-align: right;"><em>Foto do cartaz: Miguel Pinto Guimarães</em></p>
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<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><strong>No Facebook: </strong></span></h3>
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<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="face1" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/face1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16390" title="face1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/face1.jpg" alt="" width="535" height="119" /></a><a class="lightbox" title="face2" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/face2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16395" title="face2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/face2.jpg" alt="" width="533" height="204" /></a><a class="lightbox" title="face3" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/face3.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16397" title="face3" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/face3.jpg" alt="" width="532" height="385" /></a><a class="lightbox" title="face4" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/face4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16399" title="face4" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/face4.jpg" alt="" width="529" height="70" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><strong>No Twitter: </strong></span></h3>
<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="tw1" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/tw1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16402" title="tw1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/03/tw1.jpg" alt="" width="592" height="222" /></a></p>
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		<title>De Claudio Botelho para Nildo Parente</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Feb 2011 13:03:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cenas do musical &#8216;Os Fantástikos&#8217; (1996). Da esquerda paar a direita: Claudio Botelho e Kiara Sasso, Guilherme Correia e Nildo Parente NILDO PARENTE foi um amigo querido, e mais que isso, um colaborador inestimável no início da nossa jornada, minha e de Charles Möeller. No nosso primeiro musical mais significante, HELLO GERSHWIN, em 1990, Nildo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="nildo2___" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/02/nildo2___.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16069" title="nildo2___" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/02/nildo2___.jpg" alt="" width="567" height="491" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><em>Cenas do musical &#8216;Os Fantástikos&#8217; (1996). Da esquerda paar a direita: Claudio Botelho e Kiara Sasso, Guilherme Correia e Nildo Parente</em></p>
<p style="text-align: center;">
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<p style="text-align: justify;"><strong>NILDO PARENTE</strong> foi um amigo querido, e mais que isso, um colaborador inestimável no início da nossa jornada, minha e de Charles Möeller.</p>
<p style="text-align: justify;">No nosso primeiro musical mais significante, HELLO GERSHWIN, em 1990, Nildo foi assistente de direção de Marco Nanini. Eu o conheci ali e foi amor à primeira vista. Havia pouca gente no Rio com quem se pudesse falar sobre musicais, cinema, música de teatro e da telona. Pelo menos pra mim naquele momento, Nildo era um dos pouquíssimos caras de teatro que não torcia o nariz quando ouvia o palavrão “musical”. Mais que isso, ele se tornou um amigo paciente de cara, pois teve de me aturar na minha sede de conhecimento, pedindo-lhe emprestados muitos dos vídeos que ele – e só ele – tinha na época.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, Nildo Parente, além de ator de importantíssima carreira no teatro e no cinema brasileiros, era um dos nossos mais vorazes colecionadores de filmes em VHS (lembram disso, VHS?). Ele tinha tudo. Acho que a coleção dele só rivalizava com a do Sérgio Britto, este que é outro amigo muito querido e tão importante pra mim.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o Nildo consegui pela primeira vez assistir a clássicos da fase RKO do Fred Astaire, diversos filmes de Judy Garland e Mickey Rooney, praticamente todos os musicais geniais dirigidos por Busby Berkeley, muitos filmes menores, mas deliciosos, e muitas e muitas outras pérolas. Estamos falando de 20 anos atrás, não existia Internet (não que eu tivesse acesso).  O Brasil parece que não existia no mapa do mundo civilizado, tudo que desejávamos tinha de ser importado, desde discos até fitas de vídeo. Aqui só se lançavam porcarias, filmes populares, comédias com gente chata, enfim&#8230; Musical, só mesmo A Noviça Rebelde, O Mágico de Oz, e olhe lá. Mas o Nildo? O Nildo tinha tudo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Por causa desse amigo, vi diversos números do prêmio Tony, pois ele tinha todos gravados. Entendi muito do que era o teatro musical antes mesmo de fazer minha primeira viagem pra fora, pois na coleção mágica de Nildo Parente havia também muitos espetáculos televisionados para os canais americanos de TV, e foi assim que tive a noção do que era um musical no palco, com plateia, mesmo que fosse tendo a emoção por tabela, num videocassete. E isso não tem preço, não esqueço nunca.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando montamos OS FANTASTIKOS (musical ícone do off &#8211; Broadway) em 1996, Nildo fazia meu pai. Ficamos quatro meses penando com a falta de público no antigo Teatro de Arena. Não deu certo. Não havia nenhum interesse por musicais na época. Ninguém nem falava nisso na cidade. Quem falava e se interessava, foi logo nas primeiras semanas&#8230; e depois foi ficando vazio. Mas nós estávamos lá toda noite brincando de Broadway ou off- Broadway, mas com um amor entre nós do elenco e à peça que – acho que vale a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca conheci alguém mais entusiasmado com cinema. Nunca conheci alguém com mais cultura sobre o assunto. E ele sempre foi muito, mas muito generoso comigo. Foi meu amigo mesmo, muito antes de alguém saber que eu “existia” e que talvez eu tivesse algo a dizer além das bobagens de gostar de musical e achar que era possível fazer mais do que falar no assunto.</p>
<p style="text-align: justify;">Não fui ao velório e nem à missa de Nildo. Tenho tentado não estar em ambientes ligados à Igreja Católica por questão de princípios, mas isso não vem ao caso. O caso aqui é lembrar o Nildo e compartilhar com vocês que gostam de musical que este artista que partiu agora em janeiro era um dos maiores entusiastas do gênero. Acho que Nildo fez menos musicais do que gostaria. A geração dele não teve muito essa chance e nem esta opção. Ele cantava muito bem, adorava cantar, sabia números inteiros de cor, e certamente teria brilhado em muitos papéis se o nosso teatro não tivesse demorado tanto para acordar para o gênero. Mas ele ajudou me abrindo muitas portas com seus filmes incríveis e sua conversa inteligente. Se eu aprendi alguma coisa sobre musicais e tenho feito disso a minha vida, devo muito a ele.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p>Minha amizade e minha eterna gratidão a Nildo Parente.</p>
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<p><strong>Claudio Botelho</strong></p>
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<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;"><strong>No Facebook:</strong></span></h3>
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<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="face2" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/02/face21.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-16077" title="face1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/02/face12.jpg" alt="" width="488" height="294" /><img class="aligncenter size-full wp-image-16078" title="face2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/02/face21.jpg" alt="" width="483" height="54" /></a></p>
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		<title>Charles Möeller: Como é bom estar de volta!</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Jan 2011 13:30:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Um violinista no telhado]]></category>
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		<description><![CDATA[Leia o artigo escrito pelo diretor Charles Möeller após o primeiro dia de audições de &#8216;Um Violinista no Telhado&#8217;. Muito impressionante voltar ao Teresa Raquel ontem! Estive lá pela ultima vez na Italiana do Hair. Quando atravessei a porta com o aviso “acesso restrito”, meu coração já acelerou, e ao entrar e sentir o cheiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Leia o artigo escrito pelo diretor Charles Möeller após o primeiro dia de audições de &#8216;Um Violinista no Telhado&#8217;. </strong></em></p>
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<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="DSC07320-" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/01/DSC07320-.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-15834" title="DSC07320-" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2011/01/DSC07320-.jpg" alt="" width="576" height="417" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Muito impressionante voltar ao Teresa Raquel ontem! Estive lá pela ultima vez na Italiana do Hair. Quando atravessei a porta com o aviso “acesso restrito”, meu coração já acelerou, e ao entrar e sentir o cheiro de café feito pela Elma, veio um filme na minha cabeça dos últimos cinco anos escalados e ensaiados ali! Quantas e quantas vezes passei por aquele corredor, com aquele cheiro nos últimos anos? Tuto, meu escudeiro amado,  me esperando com uma água com gás na mão me abraça, como tem feito nos últimos felizes anos e me dirijo para o meu camarim, com uma placa com meu nome embaixo: Não entre! O camarim ainda está vazio. Ao longo do processo ele se transforma e fica parecido com a peça que eu faço. Imagino que ele estará praticamente uma sinagoga até a estreia, pois isso me ajuda a embarcar, me transformar, me reinventar, jogar fora esse e criar outro pra poder SER e ESTAR!</p>
<p style="text-align: justify;">Me sentei ali em frente à bancada e como num filme me passaram todas as pessoas importantes da Noviça, 7, Avenida Q, Gloriosa, Despertar da Primavera, Gypsy, Hair&#8230; Em segundos aquele camarim vazio estava povoado de tanta gente talentosa, engraçada, tantas descobertas, tantos encontros! Tenho memória afetiva com esse Teatro, pois ele me traz de volta a coisa que mais amo na vida: o Elenco antes da estreia! Continua amando elenco depois da estreia, mas é diferente, muda tudo! Depois que abre o pano, não são mais meus, são da vida, não precisam de mim pra nada! Precisam do publico e deles mesmos até pra se autodestruírem. A ingenuidade acaba. O cotidiano é cruel e transforma qualquer sonho em bobagem. Tudo é banalizado!  Mas ali na manjedoura não. Sou eu e eles. É uma questão de vida ou morte! Ontem essa certeza era tão forte, a vibração era tanta que parecia que se eu chamasse qualquer um eu teria resposta. Dava pra esbarrar, ouvir canções, risadas, choros, barulhos da chapinha do sapateado, crianças correndo, gente se aquecendo!</p>
<p style="text-align: justify;">O Barulho! O barulho de elenco de musical no intervalo é inexplicável, eles falam aos berros todos juntos ao mesmo tempo enquanto comem e gargalham e cantam musicas de seus musicais favoritos aos urros &#8211; geralmente são os que eu mais odeio &#8211; e não se engasgam!  Cada canto que eu olhava via os olhos deles todos me pedindo, implorando, querendo respostas e quando dadas fazendo mais e mais perguntas.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu sou diretor porque amo o processo! Quando era ator gostava mais de ensaiar do que apresentar! A possibilidade de estar em acamamento pode ser infinita! O pintor só acaba de pintar um quadro quando ele dá sua ultima pincelada. Da Vinci pintava dezenas de quadros uns por cima dos outros antes de se dar por satisfeito, mas no teatro não! Musical muito menos! Tem prazo de validade, Tempo é dinheiro!</p>
<p style="text-align: justify;">Ontem eu estava ali novamente numa audição pra encontrar um novo elenco, o novo grupo, pra ensinar, amar, cuidar e criar pelos próximos três meses e depois deixar partir num eterno déja vu! Tininha (braço direito, esquerdo cabeça tronco e membros) bateu na porta e com aquela voz mais calma e infalível com uma adaga no coração disse: ‘Fófis estamos prontos pra começar’ Por alguns segundos me deu um pânico, um calafrio de imaginar que estava ali de novo naquela bancada prestes a recomeçar , me deu vontade de parar com tudo e chamar todos os meus elencos passados me trancar ali no Teresão, jogar a chave fora e só ensaiar, ensaiar para sempre! Sem mais audições e sem mais estreias, pois quando estreia pra mim acaba! Ou começa e acaba de novo! Nesse momento ouvia as vozes de centenas de personagens criados e feitos com amor e dor falando com os novos recém chegados e ajudando a escolher os próximos!</p>
<p style="text-align: justify;">Sei que esse meu oficio, sei que nada é pra mim ou meu. Morrer pra germinar! É sempre melancólico ver o navio que você construiu zarpar e você ficar sozinho na cais. Mas é necessário pra que outro navio aporte &#8211; Meu Dharma!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas mesmo sabendo, era quase incontrolável o pânico! Sai do camarim, ainda com essa angústia, me dirigi à bancada, sentei, abri meu caderno e olhei pra eterna Paulinha e disse: Pode mandar entrar o primeiro! Olhei pra candidata e vi nos olhos dela que ele precisava tanto de mim e eu representava tudo pra ela: o sonho, sua bois, o seu guia&#8230; Essa confiança de entregar sua alma pra mim não tem preço e quando ela deu sua primeira nota eu já era a pessoa mais feliz sob o sol: como é bom estar de volta!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Charles Möeller. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Estadão: Gypsy, Musical de Charles Möeller e Claudio Botelho, ultrapassa o entretenimento</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Oct 2010 10:18:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Gypsy]]></category>
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		<category><![CDATA[Gypsy em SP]]></category>

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		<description><![CDATA[O jornal O Estado de São Paulo publicou hoje, 12/10, em sua versão online um artigo sobre &#8216;Gypsy&#8216; abordando a vertente mais cerebral do musical de Möeller &#38; Botelho. Leia abaixo o artigo na íntegra: Cerebral, Gypsy une diferentes tendências Musical de Charles Möeller e Claudio Botelho ultrapassa o entretenimento Podem-se tolerar as faltas no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O jornal O Estado de São Paulo publicou hoje, 12/10, em sua versão online um artigo sobre &#8216;<span style="color: #800000;"><strong>Gypsy</strong></span>&#8216; abordando a vertente mais cerebral do musical de <span style="color: #800000;"><strong>Möeller &amp; Botelho</strong></span>.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p><em><strong>Leia abaixo o artigo na íntegra:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="gy" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/10/gy.jpg"><img class="size-full wp-image-13442  aligncenter" title="gy" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/10/gy.jpg" alt="" width="376" height="365" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<h1><strong>Cerebral, Gypsy une diferentes tendências</strong></h1>
<p style="text-align: justify;">
<p><em><strong>Musical de Charles Möeller e Claudio Botelho ultrapassa o entretenimento</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Podem-se tolerar as faltas no teatro de prosa quando há bons sentimentos ou algumas ideias, mas a alta exigência que o teatro musical faz aos intérpretes, aos músicos e à equipe de operação é um dos atributos distintivos do gênero.</p>
<p style="text-align: justify;">Parte do prazer antecipado pela plateia consiste, aliás, na expectativa de proezas vocais, coreografias elaboradas, execução musical impecável e, se possível, mutações cenográficas quase tão prodigiosas quanto mágicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Em parte porque a tradição vincula-o ao entretenimento e em parte porque a linguagem musical se dirige em primeiro lugar às emoções, a elaboração artesanal e a habilidade do teatro musical impressionam essencialmente os sentidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de Bertolt Brecht e Kurt Weil isso bastava para satisfazer todas as ambições da plateia. Em resumo, se um musical não tiver uma só ideia interessante, mas um desempenho perito e acrobático, a noite está salva.</p>
<p style="text-align: justify;">E não é pouca coisa aspirar a uma execução competente. Harold Clurman, um dos mais sérios críticos do teatro norte-americano dos anos 40 e 50 do século passado, ousou afirmar que Debora Kerr e Audrey Hepburn eram boas atrizes, mas, quanto à competência no ofício, não chegavam aos pés de uma caloura do teatro musical.</p>
<p style="text-align: justify;">Esse respeito e consequente admiração pelo trabalho implícito na aprendizagem e no aperfeiçoamento de uma linguagem, muito semelhante ao apreço que dedicamos aos objetos produzidos artesanalmente é, talvez, um dos motivos do interesse renovado do público brasileiro pelo teatro musical.</p>
<p style="text-align: justify;">Tem sido tão inventivo e deslumbrante o entretenimento produzido com o auxílio da tecnologia que a maestria laboriosamente conquistada dos artistas desse gênero reafirma, pelo que tem de sal do suor humano, a vontade de fazer coisas perfeitas tendo o corpo como instrumento. No entanto Gypsy, peça com libreto de Arthur Laurents, música de Jule Styne e letras de Stephen Sondheim, corresponde a uma vertente mais cerebral desse tipo de entretenimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Sucesso no final dos anos 50, o musical tornou-se um clássico revivido nos palcos e eternizado pelo cinema também em função da pluralidade temática da narrativa e dos estilos que mobiliza ao revestir os diferentes significados da trama.</p>
<p style="text-align: justify;">Na transposição de Charles Möeller e Claudio Botelho para o palco brasileiro, a excelência técnica da produção se equipara à de outras realizações dessa dupla de artistas-produtores, que há mais de uma década estimula a formação de intérpretes dotados de todas aptidões que o musical exige. Esse é, portanto, um desafio superado. Enfim, a gratificação proporcionada pela boa música, pela coreografia (neste caso mais graciosa do que energética) e pelas mutações cenográficas engenhosas está garantida por um investimento contínuo nas equipes de criação. Em Gypsy, são as diferentes tendências e formalizações da linguagem teatral que se impõem como desafio intelectual e estético para a realização do espetáculo.</p>
<p style="text-align: justify;">O nó edipiano, eixo temático da moderna dramaturgia norte-americana, é simbolizado com vigor e matizes patéticos por uma mãe que se realiza através da prole. Totia Meireles representa a mãe Rose com energia suficiente para mover a narrativa e aliciar a plateia. Há uma camada verista nos diálogos que mantém com a filha Louise e com o fidelíssimo companheiro, e esses interlúdios são muito bem desenhados pelos principais interlocutores de Rose, personificados pelos atores Adriana Garambone e Eduardo Galvão.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso esse alicerce cotidiano e familiar, quase banal, para contrastar a obsessão que atropela os vínculos amorosos de Rose com a família. Na evolução dramática da peça há outro tema, o da arte, com um desenho paralelo e invertido: o vaudeville, gênero familiar e comportado, perdendo terreno, prestes a ser derrotado pelo espetáculo burlesco, mais grosseiro e erotizado.</p>
<p style="text-align: justify;">Na concepção dos criadores deste espetáculo, tudo vale a pena. As paupérrimas companhias mambembes lideradas por Rose e as empresas teatrais colecionando fracassos nunca perdem inteiramente a aparência brilhante e o dom de agradar.</p>
<p style="text-align: justify;">A ótica moralista rege outro universo e, por essa razão, Gypsy Rose Lee não tirava a roupa em público: despia-se como uma artista.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p><em><strong>Fonte: Estadão.com.br / Cultura &#8211; 12/10/10</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Charles Möeller: “Hair: Uma Celebração!”</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 19:15:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[* Publicado originalmente em 5 de maio de 2009. Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento Amigo do site M&#38;B: 1 &#8211; Se você é um daqueles amantes dos musicais que, por um ou outro motivo ainda não teve a oportunidade de viajar e presenciar na Broadway [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>* <strong>Publicado originalmente em 5 de maio de 2009.</strong> </em></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><img style="width: 600px; height: 264px;" src="http://www.moellerbotelho.com.br/Images/blog_up/Hair%204.jpg" alt="" width="600" height="264" /></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><br />
</span></strong><span style="font-family: Georgia;"><span style="font-size: small;"><br />
</span></span><span style="font-family: Georgia;"><span style="font-size: small;"><strong>Amigo do site M&amp;B:</strong></span></span></span></p>
<p style="text-align: justify;">1 &#8211; Se você é um daqueles amantes dos musicais que, por um ou outro motivo ainda não teve a oportunidade de viajar e presenciar na Broadway um espetáculo ao vivo;<br />
2- Se por algum motivo você costuma assistir aos musicais em DVD, YouTube, fitas pirata  ou outras mídias menos convencionais;<br />
3 &#8211; Mesmo se você é daqueles que como eu tem tido a chance de viajar bastante e tem acompanhado com alguma frequência o que de mais novo acontece nos palcos musicais de Nova York e Londres;<br />
4 &#8211; E ainda, para você que não é tão aficionado assim por musicais, mas gosta de um ou outro;</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, para todos que estejam lendo neste momento:</p>
<p style="text-align: justify;">Guardem uma grana, economizem o que puderem, arranjem algum amigo em Nova York que os hospede, ou seja &#8211; encontrem um jeito! <strong>Mas decidam agora que vocês</strong> <strong>PRECISAM</strong> <strong>assistir a esta montagem de</strong> <strong>HAIR</strong>. Será o presente mais importante que vocês se darão nos últimos tempos e num futuro próximo. Eu garanto!</p>
<p style="text-align: justify;">Não há como explicar a sensação, mas é uma emoção que não tive em mais de 15 anos assistindo espetáculos na Broadway, e geralmente costumo ser bastante passional com o que gosto. Nunca assisti a um espetáculo chorando desde o primeiro minuto até o último acorde da orquestra. Pois isso aconteceu com <em>Hair</em>. Na primeira nota de “Aquarius” as lágrimas começaram a rolar, naturalmente atiçadas pelo encantamento de estar ouvindo aquela canção pela primeira vez num palco da Broadway. O fato é que o espetáculo foi avançando e o choro, que traduzo aqui em uma emoção desmedida e impossível de segurar, não parou mais.</p>
<p style="text-align: justify;">O Charles escreveu sobre o musical em si. Eu queria apenas dar este aviso: faça tudo que puder pra assistir a este <em>HAIR</em>. É a maior emoção possível em teatro que você jamais imaginou.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Exagero? Eu mudo de profissão se alguém vier aqui e disser que tô mentindo.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Claudio Botelho</strong></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><br />
<strong>. . .</strong></span></span></p>
<p><strong> </strong></p>
<h1><strong><span style="color: #800000;"><strong>Capítulo 4: &#8220;Hair: Uma Celebração!&#8221;<span style="font-size: small;"><span class="style24"> </span></span></strong></span></strong></h1>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><img style="width: 380px; height: 423px;" src="http://www.moellerbotelho.com.br/Images/blog_up/Hair%203.jpg" alt="" hspace="10" vspace="10" width="380" height="423" align="left" />“Sempre achei que <em>Hair </em>era<em> </em>um filme genial de Milos Formam, baseado em uma peça ruim, mas com músicas inacreditavelmente boas. Quando me deparei com seu texto original, escrito para teatro, percebi que a peça não era como o filme. Aí me decepcionei. A peça não tinha história. Eram esquetes soltos. A partir daí rejeitei <em>Hair</em>, embora tenha visto diversas montagens, incluindo duas brasileiras. Sempre detestei!</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Não vi a de Ademar Guerra - que dizem ser a definitiva -, pois não tenho idade para tal. Mas as outras duas que vi no Brasil achei um desastre total e absoluto. Cheguei a ver uma montagem em Londres, em 1997, e pensei: <em>O filme é muito melhor! isso nem é teatro</em>!</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Briguei durante anos com Altair Lima, o produtor de <em>Hair</em>, que esteve no elenco original brasileiro como Berger, e meu amigo querido.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Falava pra ele que <em>Hair</em> era ruim, pois não tinha dramaturgia. E ele dizia: &#8211; Não encare <em>Hair</em> como uma peça normal e sim como uma celebração! Eu pensava:  ‘coisa de <em>hippie</em> velho’.<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><br />
</span></p>
<h1><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><em><span style="color: #800000;"><strong>Um Choque Atrás do Outro</strong></span></em></span></h1>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><br />
<span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Estava muito curioso para ver essa atual montagem da Broadway, que veio de um concerto encenado no Central Park ano passado e dirigido pela desconhecida (por mim) Diane Paulus. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Ao chegarmos ao teatro, percebi que seria uma noite diferente. A fila dobrava o quarteirão e eu me deparei com várias pessoas velhíssimas de cabelos longos. Pareciam remanescentes de Woodstock com cartazes na mão que diziam: ‘<em>por favor, eu não tenho tickets. Alguém tem um pra me vender?</em>”</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Sim, o teatro estava absolutamente abarrotado, e como as cadeiras na Broadway são mais apertadas do que as dos teatros de shopping do Rio, eu estava praticamente espremido entre uma senhora gorda americana atracada a um saco de m&amp;m e o Claudio, já de mau humor.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><em>Hair</em> estreou há menos de um mês e já está tendo tanto sucesso que abriu mais sessões. O espetáculo está fazendo matinês também às quartas, aos sábados e aos domingos, e isso desafiando a crise americana! Depois meu elenco reclama que trabalha muito! </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">A primeira imagem que vemos é a de uma lua projetada em uma enorme seda javanesa branca. No ato pensei: &#8211; ih que óbvio, daqui a pouco vão surgir aqueles bailarinos que eu to cansado de conhecer. Todos com mega hair, vestidinhos de hippies, dando 150 piruetas e três saltos mortais antes de cantarem &#8220;Aquarius&#8221;!</span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">No entanto, quando a tal seda javanesa foi levantada eu calei minha boca&#8230; graças a Deus!</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">O palco revela um teatro totalmente nu. A orquestra está em cima de um caminhão velho. Há um sol pintado na grande parede, tapetes persas cobrindo todo o chão do palco e uma massa de atores em volta de Dionne (Sasha Allen). Na introdução do tema &#8221;Aquarius&#8221;, eu já estava totalmente em choque!</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Primeiro por descobrir que eu nunca tinha entendido a força da peça! Depois por ver que o filme que eu amava era quase uma traição daquele espírito, pois Formam tornou tudo muito explicativo ao montar uma historinha (perfeita para a linguagem cinematográfica) e transformar o ritual em um enredo cartesiano.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">A partir daí foi um choque atrás do outro. Por isso abro espaço no meu site não para uma analise rápida como foram as dos outros espetáculos, mas para uma crônica. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><img style="width: 377px; height: 420px;" src="http://www.moellerbotelho.com.br/Images/blog_up/Hair%202.jpg" alt="" hspace="10" vspace="10" width="377" height="420" align="right" /><br />
</strong></span></p>
<h1><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em><span style="color: #800000;">“Detestava exercícios de amebas”</span></em></strong></span></h1>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><br />
<span style="font-family: Georgia; font-size: small;">O elenco não estava fazendo uma tribo hippie &#8211; era uma tribo hippie. Seus cabelos inclusive eram de verdade, não eram perucas. Não tinham nem um pingo de maquiagem e a luz era tão genialmente marcada nas profundidades do teatro que a minha sensação foi estar realmente testemunhando um rito tribalista, observando uma real comunidade hippie pelo buraco negro do tempo.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Como mesmo fala o subtítulo da peça: ‘<em>The american tribal love-rock musical’</em>, eu fui jogado sem rede de proteção aos anos 60. E a partir deste minuto todos os meus preceitos sobre o que é bom e o que não é foram sendo derrubados.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Vou explicar o porque para quem não me conhece. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Odeio espetáculo que interage: odeio! Sempre achei que quem interage é cachorro. Odeio que cantem olhando no olho da plateia, pois acho que quem paga ingresso não tá a fim de ser afrontado nem encarado, e, principalmente, detesto que me encarem. Tenho problemas com cena de plateia e odeio que me encostem. Não frequento peças de Zé Celso por isso e acho teatro de protesto um porre. Cena de plateia pra mim só se for comedida, com a permissão do público e olhe lá&#8230;</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Em minha vida de ator, passei por vários momentos que me deixaram traumas, como na época dos primeiros cursos de teatro e na Faculdade de Artes Cênicas, pois tínhamos que fazer o hediondo exercício da semente virar árvore, em uma matéria que sempre desprezei chamada expressão corporal! Fazíamos coisas como se arrastar no chão de olhos fechados até encontrar o coleguinha na sala e tocá-lo sem pudores para aflorar os cinco sentidos. Lógico que sempre deixei meu olho um pouco aberto e geralmente ia para debaixo de alguma mesa onde me escondia. Sempre era achado por alguma criatura tarada e  horrenda que ficava invariavelmente lambendo a palma da minha mão e tentando alguma bolinação. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Inventei um truque: eu fingia estar descobrindo o meu próprio joelho e ficava mais fechado que tatu-bola. O máximo que a pessoa fazia era um cafuné no que restava da minha nuca! Detestava exercícios de amebas, ou seja, pessoas se arrastando pelas salas deixando as roupas imundas e passando  umas por cima das outras, como se estivessem no vale dos mortos na Divina Comedia. O pior era que, depois de horas no chão, ao final tínhamos que fazer um relaxamento deitados de barriga para cima, enquanto uma voz monótona e fofa conduzia a gente a pensar do dedão até o último fio de cabelo. Só me lembro dessas duas partes do corpo, pois quase enfartava de ansiedade para que aquele suplício acabasse. Depois fazíamos um grande circulo de mãos dadas e, nos olhando nos olhos, dizíamos palavras de afeto. Lógico que em algum momento tinha o dia de tirar a roupa, mas essa aula eu sempre faltava. Durante muitos anos isso era chamado de laboratório ou psicodrama. Ambas mais temidas por mim do que a gripe suína!</span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">
<p style="text-align: justify;">Enfim, me tornei um diretor milimétrico e jamais permiti qualquer desses abusos do tipo “laboratório teatral”. E mato qualquer possibilidade de “eu acredito em duendes” dos meus elencos.</p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Finalizando esse preâmbulo: assisti a um espetáculo que tem todas essas coisas, inclusive nudez e achei maravilhoso!<br />
</span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><br />
</span></p>
<h1><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><img style="width: 386px; height: 430px;" src="http://www.moellerbotelho.com.br/Images/blog_up/Hair%2001.jpg" alt="" hspace="10" vspace="10" width="386" height="430" align="left" /><em><span style="color: #800000;">Finalmente entendi o que dizia Altair Lima: Hair é uma celebração!</span></em></strong></span></span></h1>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><br />
<span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Mas por que odiava nas outras montagens que vi e amei nessa? Por nada ser forçado ou fake. Esse espetáculo chegou à Broadway depois de uma apresentação no Central Park, no verão passado.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">O elenco é totalmente desconhecido, tanto que seus currículos no <em>playbill</em>, revelam seus signos e suas mensagens de paz e amor. São jovens, muito jovens. E muito sinceros. Talvez por isso mesmo eu acreditei de cara neles. Eram frescos, e com uma entrega e uma verdade tão completa que era difícil não acreditar que eles não estivessem drogados numa <em>good-trip</em> durante o espetáculo. Mas não estavam, muito pelo contrário, estavam ali seguindo milimetricamente a falta de marcação e o improviso totalmente desenhado. Estavam a 10 mil por hora, correndo pelos corredores, subindo em poltronas, abraçando as pessoas da plateia, provocando e desafiando os meus pudores e preconceitos. Um risco mais do que calculado.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">A noite de domingo no Teatro Al Hirschfeld ficará para sempre marcada na minha vida, pois sou superlativo e quando eu amo, eu amo! E amei <em>Hair</em>! </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><em>Hair</em> antes de qualquer coisa é uma experiência emocionalmente sensorial. Duvido que ao rever essas cenas pelo YouTube ou em gravações piratas eu ache alguma graça. Finalmente entendi o que dizia Altair: <em>Hair</em> é uma celebração!</span></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<h1><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><img style="width: 386px; height: 430px;" src="http://www.moellerbotelho.com.br/Images/blog_up/Hair%205.jpg" alt="" hspace="15" vspace="10" width="386" height="430" align="right" /><em><span style="color: #800000;">“Eu vou ao teatro por isso – para que me enganem e me façam desaparecer no escuro”.</span></em></strong></span></h1>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><br />
<span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><em>Hair </em>tem minha idade &#8211; nasceu em 1967, e ainda assim continua muito moderno! E mais do que isso: intenso! Essa versão não é <em>naif</em>, pois não retrata hippies de boutique ou tolos gargalhantes com margaridas na cabeça e discursos simplistas de &#8220;paz e amor&#8221; ou &#8220;faça amor, não faça guerra&#8221;.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">A direção conduz o elenco com uma mistura de alegria e angústia incríveis. É essa bipolaridade no olhar de quem não sabe nada a respeito do temido futuro que me ganhou. E esse ao meu ver é a melhor definição para juventude: uma eterna arrogância de quem não sabe nada e finge que sabe tudo!</span></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mas o que distingue esse <em>Hair</em> de outras montagens que vi ou do texto que jamais consegui ler com admiração?</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">É que a diretora não quis criar um new <em>Hair</em>, mostrar uma vaidosa opinião. Não quis falar sobre a Guerra do Golfo ou sobre o Iraque. Ela se preocupou em fazer este <em>Hair</em> renascer sem mofos, sem concessões, com a maior crítica e distância! Não suavizou o ideal hippie que retrata a peça. Não tratou o jovem como um estado de espírito e sim como uma pessoa qualquer de pouco mais de 17 anos&#8230; Adolescentes perdidos e contestando algo que  não sabem direito o que é, que precisam estar em bandos pra se proteger até deles mesmos.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Vendo a peça, a gente percebe como a juventude é parecida, independente da época. O tempo é muito curto e transitório.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Não fiquei me sentindo um velho nostálgico, com inveja e saudade de tudo e todos. Também não achei que o tempo é uma  ilusão. Só Apenas concluí que ser jovem é de uma crueldade e de uma crueza tão grandes que você quer se agarrar naquela trupe irresponsavelmente contestadora para que o tempo pare no agora! Tudo que eu vi parecia uma antropofagia, um improviso, uma bagunça de movimentos incessantes.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Claro que sei que estou na Meca do teatro. São negócios que precisam de dinheiro para funcionar e, afinal, estamos em 2009. Não vi um <em>happening</em>. Vi uma peça que está em cartaz com um elenco de primeira cantando com vozes perfeitamente afinadas e respeitando arranjos de primeira. Mesmo com toda a correria, ninguém se mostra cansado ou sem fôlego, muito menos apitam ou explodem os microfones com suores excessivos.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Não estamos diante de um grupo de alucinados fazendo acontecer. Estamos à frente de atletas de elite, com os quais Paulus e sua equipe criativa fizeram o inacreditável: me enganar!</span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">E eu vou ao teatro por isso – para que me enganem e me façam desaparecer no escuro.</span></span></p>
<h1><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><img style="width: 386px; height: 430px;" src="http://www.moellerbotelho.com.br/Images/blog_up/Hair%206.jpg" alt="" hspace="10" vspace="10" width="386" height="430" align="left" /><span style="color: #800000;"><strong><em>“Essa montagem de Hair não inventou uma nova forma e sim redescobriu a forma original”</em></strong></span></strong></span></h1>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><br />
<span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Acreditei que o que vi por 2h:20m estava sendo o espontâneo sem costura. Mas sei que esse projeto teve três anos de elaboração, foi ensaiado à exaustão, e freneticamente costurado e marcado com a ajuda da coreógrafa Karole Armitage com seu grupo de 32 atores-cantores não bailarinos. Eles tiveram capacidade de movimentar uma massa humana correndo, saltando,  rolando, se arrastando e tudo mais que você possa imaginar. Inclusive a cena de nudez no final do primeiro ato parece um rompante. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">O importante desse <em>Hair</em> é que ele não inventou uma nova forma e sim redescobriu a forma original. Isso é que eu chamo inteligência, pois é fácil negar um clássico só por negá-lo.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">O definitivo é você não negar o material e sim acreditar nele. E por isso mesmo toda a produção recria essa verdade para os dias de hoje. Os figurinos parecem ter vivência e não lembram fantasias de festas vintage. Vejo um profundo estudo de cor e texturas, e não um simples &#8216;parecer natural&#8217;. É um gol e de uma complexidade incrível contar com um elenco que realmente tenha cabelos longos, reais, maltratados.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><em>Hair </em>não é só uma celebração da contracultura. É uma celebração total. A tribo que eu vi no domingo está longe do ideal <em>hippie</em> dos fofos doces macrobióticos chatos que a gente se depara ali no Jardim Botânico cantando Hare Krishna e vendendo incenso ou henna. Eles são zangados, hostis, confusos, com medo dos pais, do país, de Deus, com medo de ir pro inferno.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Sempre achei que a peça era sobre a guerra do Vietnã! Engano total. A peça aborda coisas que jamais tinha entendido, inclusive a questão que a guerra ameaça acabar com as espécies ‘macho’ na tribo dominada pela sexualidade livre de trocas de parceiros e casais! Ingênuo? Jovem? verdadeiro!</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Dianne conduz o grupo de atores diferentemente de Milos Forman, que os vê como santos em sacrifício. Ela os faz infantis, débeis, assustados com o futuro e sem estrutura de encarar o que vem a seguir sem o auxilio da droga. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Os atores cantam te encarando, apelando por ajuda, abrigo e atenção. Quem não quer atenção nessa idade? </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">O elenco é liderado por duas forças da natureza: Claude (Gavin Creel) é o suburbano que quer se tornar invisível e se contradiz o tempo inteiro divido entre o amor de Sheila e Berger. É uma personalidade conflitante que vai sendo desvendada no decorrer da peça e tem um desfecho impactante. Creel dá um show em  &#8220;I Got Life&#8221; e já acho seu “Where Do I Go” definitivo. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Já Berger, interpretado por Will Swenson, é de uma eletricidade sexual que compõe um <em>hippie</em> sem paz e sem amor, cheio de crueldade e desespero&#8230; um <em>junkie</em>, ciumento e arrogante.</span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Sem dúvida, Claude é a alma da peça. E o corpo é Berger. Um achado. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Mas o espetáculo não é só deles, é do elenco. Estamos diante de crianças drogadas brincando num playground. E nada passa desapercebido. Eles mexem com a plateia sem parar e em todos os sentidos. Não se espante se um deles descer e te der um abraço, despentear seu cabelo ou te oferecer uma margarida ou um panfleto mimeografado, ou até subir nos braços de sua cadeira. </span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Até eu que estava no meio fui descoberto por um deles que garantiu que me conhecia! Todos mexem em você, e com os hormônios da platéia, com sua exuberância e liberdade. Vi senhorinhas de 80 anos loucas para serem agarradas por Berger ou pelo Hud (Darius Nichols), um negão de dois metros de altura que passa o tempo inteiro balançando a língua para você.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Em 20 minutos de peça você já está intimo deles e não se importa com a interatividade. Até gosta! E na catarse final do “Let the Sunshine in”, quando o elenco convida você para subir, não tem como resistir. Garanto que você vai se ver dançando, abraçando e trocando margaridas. Por alguns minutos você realmente vai acreditar que a o amor e a paz não são discursos tolinhos e sim uma atitude transformadora.</span></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Abracei várias pessoas do elenco, abracei estranhos. O elenco colocava margaridas na cabeça do público e estava aos prantos bradando “Let the Sunshine in”. Vi uma brasileira com a mãe atracada no pescoço do protagonista no meio do palco e pedindo uma foto, enquanto uma senhora de 60 anos com uma câmera digital na mão aos berros gritava num bom português: &#8211; olha pra cá Berger! Tira uma foto com ela. A gente é do Brasiiiiiil! </span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;">Nesse momento a paz e o amor acabaram e eu queria matá-las. Mas fora isso saí em êxtase”. </span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"> </span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong>Charles Möeller</strong></span></span></p>
<p><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><br />
</strong></span></span></p>
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		<title>American Idiot: Ópera Punk Rock Anárquica e Contestadora. Por Charles Möeller</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 13:24:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os diretores Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento &#8216;American Idiot&#8217; é um espetáculo baseado num disco conceitual da banda de punk rock americana Green Day, lançado em 2004, de enorme sucesso e prestígio, considerado como um dos melhores discos de punk rock de todos os tempos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong><em>Os diretores Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais  espetáculos em cartaz na Broadway no momento</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="AMERICAN IDIOT" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/AMERICAN-IDIOT.jpg"><img class="size-full wp-image-11542  aligncenter" title="AMERICAN IDIOT" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/AMERICAN-IDIOT.jpg" alt="" width="441" height="581" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>&#8216;American Idiot&#8217;</strong></span> é um espetáculo baseado num disco conceitual da banda de punk rock americana Green Day, lançado em 2004, de enorme sucesso e prestígio, considerado como um dos melhores discos de punk rock de todos os tempos.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele é muito similar em termos de estrutura com outros álbuns como The Wall, do Pink Floyd, e Tommy do The Who, ou seja, uma ópera rock. E como aconteceu com Tommy era quase inevitável sua adaptação para musical e para o cinema &#8211; Já dizem que Tom Hanks adquiriu os direitos e estaria interessado em levá-lo pro cinema.</p>
<p style="text-align: justify;">Além de músicas do álbum “American Idiot”, o musical acrescentou algumas canções do disco “21st Century Breakdown” (2009) e uma inédita. O espetáculo é basicamente o disco em cena. Obviamente se expande o conceito do álbum por meio de cenas curtas e poucos diálogos costurados durante uma hora e meia sem intervalo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="green 1" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green-1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11543" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="green 1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green-1-300x220.jpg" alt="" width="300" height="220" /></a>Com base no universo niilista do punk, o musical propõe um painel de um tipo de juventude atual através de seus protagonistas e não tem como falar da montagem sem entrar na sua rebuscada história. Então pra quem não viu e quer surpresa pule esse parágrafo (spoilers): Johnny, Will e Tunny, três jovens de classe média americana de vinte e poucos anos, inconformados com a vida medíocre do subúrbio planejam fugir pra cidade grande acreditando que suas frustrações e anseios sejam aplacados. Na véspera da viagem, Will descobre que sua namorada está grávida e resolve ficar. Johnny e Tunny vão para a cidade. Enquanto Johnny ama tudo que vê e se deslumbra com a possibilidade de um novo mundo, Tunny não se enquadra na vida da grande metrópole e se alista no exército. Johnny, frustrado com o abandono de seus amigos e com sua incapacidade pessoal de se conectar com o mundo, cai nas drogas e acaba criando um alterego: poderoso, descolado, urbano, um ícone punk. No subúrbio, a vida de Will caminha a passos lentos, se tornando apática e sem sentido. Ele fica inerte com sua total incapacidade em assumir a paternidade e passa os dias no sofá alcoolizado! Tunny é enviado para guerra, é ferido a tiros e acaba perdendo uma perna. Johnny vai ao fundo do poço com a heroína e, sem amigos e sem ninguém, é obrigado a reconhecer que sua vida tem sido um nada. Volta pro subúrbio e reencontra Will já separado e Tunny recém chegado do Iraque. Os três unidos novamente com destinos opostos, mas com muito em comum: suas escolhas erradas, suas frustrações e suas perdas! Anti-heróis americanos.</p>
<p>O show tem uma equipe de criação parecidíssima com o ‘Spring Awekening’: produção de Tom Hulce, direção de Michael Mayer, luz de Kevin Adams e cenário de Christine Jones. Eles se juntaram novamente para abordar o mesmo tema recorrente da peça anterior: O rock como uma manifesto anárquico e contestador. E com o mesmo protagonista: John Gallagher Jr.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="green2" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11544" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="green2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green2-300x223.jpg" alt="" width="300" height="223" /></a>Me parece até coerente a escolha dele, pro papel de Johnny, pois Moritz (de Wedekind) é considerado por muitos um personagem ícone e precursor do movimento punk. E nada mais natural que o espetáculo seguinte desse time fosse uma ópera punk rock. E assim como Dunkan Sheik emprestava uma sonoridade indie aos musicais da Broadway, o Green Day faz o mesmo com o punk rock. Não sei se intencionalmente ou por falta de repertório, mas <span style="color: #000000;"><strong>John Gallagher Jr</strong></span>. <em>(à direita)</em> parece representar o Moritz novamente! Não consegui olhar pra ele sem achar que era um continuação de com tudo que eu já havia visto dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Com a banda em cena e com todos os atores tocando instrumentos, o elenco se mostra totalmente entregue. Com garra e juventude, defendem ‘American Idiot’ com o mesmo entusiasmo que vi o elenco de estreia do ‘Spring’ e isso é muito cativante.</p>
<p style="text-align: justify;">O cenário único com andaimes e paredes forradas de manchetes de jornal e com dezenas de televisões espalhadas das mais diversas formas lembra muito o clima do ‘Laranja Mecânica’ de Kubrick. A integração do vídeo em cena é excelente. Eu geralmente não gosto desse artifício, mas não é gratuito em nenhum momento e até se torna um ruído interessante, pois segundo Michael Mayer, o vídeo é um personagem que funciona como uma voz interna, como um coro grego, que as vezes comenta, outras critica, outras apenas observa e contracena com os personagens. Mas principalmente nos mostra como somos uma sociedade teleguiada lobotomicamente pela televisão e ficamos cada dia mais anestesiados pela notícia e pelas televendas que nos empurram um mundo idealizado e nos fazem esquecer a miséria, a fome, o desemprego, a guerra, a violência banalizada que não nos tocam mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="green5" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green5.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-11545" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="green5" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green5-300x216.jpg" alt="" width="300" height="216" /></a>Com apuro técnico impecável, Michael Mayer consegue fazer um espetáculo conciso, direto e muitas vezes perturbador. A música, muito boa no disco, acaba perdendo um pouco na sua transposição para o palco. Mesmo tendo momentos muito emocionais e teatrais como o dueto aéreo em ‘Extraordinary Girl’, a impressão que eu fiquei foi que todas as baladas são parecidas e todas as canções de punk rock resultam iguais na encenação como na coreografia! E sobre interpretação dos atores realmente me incomoda um novo jeito cool de interpretar e cantar onde as palavras perdem a importância e temos a impressão de não ver um personagem e sim o aproveitamento de uma personalidade. Musicalmente é mais uma experiência sensitiva como num show, com tudo e todos equalizados na mesma forma e com a mesma importância. Falta um pouco de dinâmica para meus ouvidos mais conservadores: ou gritam ou fazem pianíssimo.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho que o texto de Billie Joe Armstrong &amp; Michael Mayer é um pouco precipitado demais e superficial. Às vezes me parece forçada a entrada da canção e a opção por diálogos ligeiros. Cenas curtas acabam resultando em personagens monocromáticos e caricaturas. E não é como no quadrinho que a imagem conta mais que a s palavras. Me parece uma opção mesmo que seja dessa forma: quase em concerto encenado.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="green3" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green3.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-11546" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="green3" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/green3-300x208.jpg" alt="" width="300" height="208" /></a>O melhor de ‘American Idiot’ é ser mais do que um musical: é ser um evento! É reflexivo, atual, arrojado, lindamente produzido e defendido com toda a garra juvenil que representa uma facção grande de uma juventude niilista esquecida. É fundamental que existam shows assim pra tratar o jovem com a maior idade que ele merece!</p>
<p style="text-align: justify;">Minhas ressalvas são totalmente pessoais, pois tenho uma certa resistência com essa linguagem híbrida entre o show de rock e o teatro. Era isso o que mais me incomodava no ‘Spring Awekening’ &#8211; só me interessei em montar quando pude ter liberdade de criação. Mas é inegável que ‘American Idiot’ é muito bom.</p>
<p style="text-align: justify;">
<h1 style="text-align: justify;"><span style="color: #000000;"><strong>Charles Möeller</strong></span></h1>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p>* Crédito das Fotos:</p>
<p>Paul Kolnik (www.americanidiotonbroadway.com)</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Charles Möeller: Mais um Musical da Broadway!</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 16:07:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem nos acompanha já sabe que sempre viajamos pra Nova York e Londres todos os anos pra assistir o que esta acontecendo no mundo dos musicais! E nos últimos anos temos publicado nossas impressões no Site M&#38;B! Resolvi abrir meu diário de bordo desse ano de uma maneira diferente. Antes de falar de um espetáculo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="musicals" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/musicals.jpg"><img class="size-full wp-image-11487  aligncenter" title="musicals" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/musicals.jpg" alt="" width="523" height="720" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quem nos acompanha já sabe que sempre viajamos pra Nova York e Londres todos os anos pra assistir o que esta acontecendo no mundo dos musicais! E nos últimos anos temos publicado nossas impressões no <strong>Site M&amp;B</strong>! Resolvi abrir meu diário de bordo desse ano de uma maneira diferente. Antes de falar de um espetáculo em si, queria abordar uma questão com a qual sempre me esbarro nos últimos anos:  A generalização da expressão “musical da Broadway!”</p>
<p style="text-align: justify;">Em todos as maiores cidades do mundo se montam musicais: Do Japão aos antigos países da cortina de ferro. De Berlim a Buenos Aires, o gênero é cultuado e incorporado independentemente da cultura local, ou, às vezes, com adaptações à cultura local! Em quase toda grande metrópole há musicais autorais, réplicas, musicais originários da Broadway, de West End ou criações locais! O gênero atrai  milhões de pessoas, movimenta o turismo mundial e uma quantidade de dinheiro e empregos incalculáveis, e é  um fenômeno  que existe enquanto forma teatral há quase um século e meio.</p>
<p style="text-align: justify;"><a class="lightbox" title="Black_Crook" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Black_Crook1.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-11496" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Black_Crook" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/06/Black_Crook1.jpg" alt="" width="262" height="580" /></a>Considera-se que  a primeira peça teatral adaptada ao moderno conceito de musical foi “<span style="color: #800000;"><strong>The Black Crook</strong></span>” &#8211; de Charles M. Barras e Giuseppe Operti, de 1866. A partir de 1890  batizou-se de “comédia musical” o que acontecia dentro dos teatros da “Broadway“. Portanto, não estamos diante de um minuano, mas falando de um ancião com muito fôlego! Sua longevidade e sua força vêm especialmente de  sua capacidade de transformação, renovação, reinvenção e até auto-negação! Como, aliás, o teatro em si em todos os seus diversos gêneros e vertentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrevo esse preâmbulo para esclarecer o quanto ainda me incomoda  a classificação genérica que trata um musical da Broadway como um gênero, e não como um espetáculo que teve origem naquele centro de entretenimento.</p>
<p style="text-align: justify;">A Broadway não é um estilo de teatro musical e muito menos  um conceito estético; menos ainda uma classificação como estrelas em hotéis e restaurantes. Um musical não é um genérico que brota de outro, e de mais outro, e de mais outro. O Musical Americano, como, aliás, o teatro mundial em si, vertente e  sub-vertentes,  idiomas distintos e identidades diversas.</p>
<p style="text-align: justify;">Não devemos olhar para uma forma de arte que já passa dos cem anos de vida e de descobertas e tentar reduzi-la  a  um homem de brilhantina e máscara correndo atrás da mocinha com um barquinho e velas. Estou há bastante tempo próximo desse negócio por paixão e por vocação, mas  ainda continuo descobrindo  o novo a cada nova temporada, e ainda  me encanto com a diversidade e a complexidade do que se habituou chamar de “musical da Broadway”.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma mãe  bipolar que toma eletro-choques  não se  parece em nada com a bruxa verde tentando ser popular, ambas estão a anos-luz de distância de  um multi-instrumentista nigeriano pioneiro da música afrobeat, ativista político e dos direitos humanos! O que todos eles têm em comum? Apenas são fenômenos de bilheteria num certo lugar em Nova York que prima, quase sempre, pela excelência de produção e cuidado no que é apresentado ao público. De resto, são tão diferentes quanto os peixes e os elefantes que vivem no mesmo zoológico.</p>
<p style="text-align: justify;">Os musicais da Broadway estão cheios de polaridades, identidades, auto-referencias e auto-negações. É a maior diversidade de criação teatral que tive e tenho tido a oportunidade de conhecer. Mais até do que os chamados espetáculos “sérios” que os países europeus se orgulham de ter e que, de certa forma, acabam todos reunidos no famoso saco da “vanguarda”. Mas isso é outra história.</p>
<p style="text-align: justify;">Passado e presente coexistem na Broadway com uma infinidade de  linguagens e tendências, talvez tendo em comum, ao fim de tudo, apenas o alvo de suas criações e suas constantes descobertas: o público. Encantar o público. Puro encantamento. O resto&#8230; Não sei do resto!</p>
<p style="text-align: justify;">
<h1><strong><span style="color: #000000;">Charles Möeller</span></strong></h1>
<p style="text-align: justify;">
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<p style="text-align: justify;">
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		<title>Charles Möeller sobre &#8216;Glee&#8217;: Série tem graça adulta e ótimo repertório</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 15:31:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No ano retrasado, quando Hugh Jackman abriu a cerimônia de entrega do Oscar dizendo &#8220;os musicais estão de volta&#8221;, ele estava mais do que certo. Nada mais natural que surgisse uma série de televisão voltada para o gênero. Eu, que sou diretor de teatro musical e sempre me sentia meio órfão de um programa de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="Folha - 09-05-10" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Folha-09-05-10.jpg"><img class="size-full wp-image-11051  aligncenter" title="Folha - 09-05-10" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Folha-09-05-10.jpg" alt="" width="545" height="274" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">No ano retrasado, quando Hugh Jackman abriu a cerimônia de entrega do Oscar dizendo &#8220;os musicais estão de volta&#8221;, ele estava mais do que certo. Nada mais natural que surgisse uma série de televisão voltada para o gênero. Eu, que sou diretor de teatro musical e sempre me sentia meio órfão de um programa de qualidade, adoro &#8220;Glee&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">A sacada é dar voz a um time de &#8220;losers&#8221;. É o anti-&#8221;High School Musical&#8221;. Os heróis dessa trama são os famosos perdedores, os ditos feios, os fora do padrão, liderados por um professor de espanhol que tem a árdua tarefa de recuperar os já distantes anos de ouro do tal clube Glee.</p>
<p style="text-align: justify;">Há a judia Rachel, criada por pais homossexuais; o cadeirante Artie; o gay fashionista Kurt; a &#8220;black diva&#8221; bem acima do peso Mercedes; a oriental tímida e &#8220;underground&#8221; Tina; e o atleta popular, mas totalmente &#8220;do bem&#8221; e naïf, Finn. Em oposição às cruéis e atléticas líderes de torcida e à treinadora, surge uma vilã típica de musical, Sue Sylvester.</p>
<p style="text-align: justify;">Em &#8220;Glee&#8221;, tudo é feito com uma graça mais adulta, ácida, até amarga. Desde os litros de refrigerante que eles levam na cara até as incontáveis vezes em que os machões jogam Kurt na lixeira, tudo é feito com um humor negro oposto ao tom meloso das comédias musicais convencionais.</p>
<p style="text-align: justify;">A psicóloga que tem TOC é um achado, assim como o professor de educação física gordo e bobalhão. Ao mesmo tempo, a relação de Kurt com o pai machão é divertida e triste.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Broadway</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Mas nada disso explica o sucesso do programa. A chave está na escalação do elenco: atores que de fato cantam e são nomes assíduos em musicais da Broadway, como Lea Michele, Matthew Morrisonn, Kristin Chenoweth e Debra Monk.</p>
<p style="text-align: justify;">Some-se a isso o repertório musical, que mescla clássicos pop-rock (cantados por Madonna, Van Halen ou Rolling Stones) com sucessos recentes (leia-se Lily Allen, Duffy, Beyoncé e Amy Winehouse), sem abrir mão do cânone da Broadway (tais quais &#8220;Cabaret&#8221;, &#8220;West Side Story&#8221;, &#8220;Funny Girl&#8221;, &#8220;Hair&#8221; e &#8220;Gypsy&#8221;) e de acenos a espetáculos marcantes da cena atual (&#8220;Wicked&#8221;). Em alguns momentos, há fusões de todos eles em deliciosos &#8220;mash-ups&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Com direção e diálogos inteligentes, &#8220;Glee&#8221; emociona e tem números musicais bem dirigidos que podem ser apresentações do próprio grupo do coral ou números que adiantam ações ou se passam no pensamento dos personagens.</p>
<p style="text-align: justify;">O único senão fica para problemas eventuais nas cenas em que os atores cantam &#8220;solo&#8221; -ou seja, fora do coral que é a base da série. A dublagem por vezes resulta artificial.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="char" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/05/char.jpg"><img class="size-full wp-image-11052  aligncenter" title="char" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/05/char.jpg" alt="" width="490" height="67" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Muito Além da Muralha &#8211; Charles Möeller para Rubens Ewald Filho</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Mar 2010 17:52:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Charles Möeller]]></category>
		<category><![CDATA[Claudio Botelho]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Conheço o Rubens Ewald Filho inicialmente como fã, pois sou cinéfilo desde criança! Meu primeiro trabalho foi com entregador de filipeta nos festivais de  cinema, no Indaiá Arte, onde vi meus primeiros filmes. Foi lá que conheci  Fassbinder, Irmãos Taviani, Antonioni, Pasolini, Fellini, a seleção de ouro de Hitchcock&#8230; Entregava as filipetas e assistia os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="ru" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/03/ru.jpg"><img class="size-full wp-image-9968  aligncenter" title="ru" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/03/ru.jpg" alt="" width="400" height="654" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">&#8220;Conheço o <span style="color: #000000;"><strong>Rubens Ewald Filho</strong></span> inicialmente como fã, pois sou cinéfilo desde criança! Meu primeiro trabalho foi com entregador de filipeta nos festivais de  cinema, no Indaiá Arte, onde vi meus primeiros filmes. Foi lá que conheci  Fassbinder, Irmãos Taviani, Antonioni, Pasolini, Fellini, a seleção de ouro de Hitchcock&#8230; Entregava as filipetas e assistia os filmes de graça!</p>
<p style="text-align: justify;">Cresci escutando sua voz com velocidade ímpar naquelas noites de Oscar, quando ele dava  TODOS os nomes de atores e filmes que passavam  em clipes de segundos! E Isso muito antes dos VHS e DVDs! Em Santos vivia esbarrando com ele ali pelo Gonzaga e eu, como jovem tiete, o via sentado com amigos no calçadão em frente ao Cine Itajubá. Ficava louco para perguntar qual era seu filme preferido!</p>
<p style="text-align: justify;">Mais tarde o conheci realmente, pois ele era o melhor amigo de minha professora, mestra e primeira diretora profissional, Neyde Veneziano, que me dirigia no Noviço de Martins Pena, onde eu fazia Carlos, o próprio Noviço. Na época da estreia, ele m viu em um ensaio geral e me encorajou, dando toques precisos. Eu tinha 13 anos e tentei absorver tudo que aquele homem de cinema que já havia entrevistado e conversado com astros e estrelas de Hollywood tinha a me dizer!  Já tinha um grande diretor de teatro dentro dele, como depois se revelou, isso além, claro, de ser escritor/dramaturgo e autor de novelas (fez um telefilme de vampiros com  Cleyde Yáconis e Bruna Lombardi que eu amava), além de ser o nosso maior e mais pop critico de cinema!</p>
<p style="text-align: justify;">Como  cinéfilo colecionei todos os seus manuais e livros, pois ainda adoro suas resenhas! Algumas sei de cor até hoje, como a de Cantando na Chuva: “O melhor e mais perfeito musical de todos os tempos!” Pra mim Oscar sem ele era até entediante. O que eu quero é ouvir tudo o que ele e tem a dizer! Com ele não tem meias palavras: se não gosta do vencedor a gente sabe, e se ganha o favorito dele vibramos juntos pois ele torce! Fala horrores dos vestidos das <em>oscarizáveis</em>. Quem não se lembra da  Cher vestida de teia de aranha ou  o ganso morto que enrolava a Bjork?</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje pela manhã, ao ler o que ele escreveu sobre nós, e principalmente sobre o Claudio, o texto teve um sabor muito especial para um santista que quando criança e adolescente sempre se projetava nos que saíram, nos que conseguiram, nos que venceram, os que tiveram coragem de subir a serra e ou atravessar A Muralha, como os primeiros  portugueses  a chamavam quando chegaram em São Vicente e deram de cara com a Serra do Mar  ameaçadora e gigante prendendo e dividindo o litoral do mundo!  Queria ser como eles que subiram a serra! Olhava o Rubinho (como é conhecido pelos amigos), o Ney Latorraca, o Nuno Leal Maia, a Jandira Martini, a Bete Mendes, o Claudio e o Sergio Mamberti, a Lolita Rodrigues, o Plínio Marcos e me espelhava neles!</p>
<p style="text-align: justify;">Anos se passaram e eu realmente atravessei a muralha. Fui pra São Paulo, pro Rio, fiz novela, teatro, virei diretor e nunca deixei de ter contato com ele, mesmo que ele não  tivesse comigo. Lia seus livros e via seus ótimos programas sobre cinema e as noites do Oscar, até a sua estreia como diretor no adorável “Meu Querido Mundo”. Nos encontramos mesmo quando ele fez esse convite pra lá de emocionante da gente fazer um livro sobre os nossos 20 anos,  e de presente nos trouxe nossa biógrafa, que se transformou imediatamente numa amiga confidente! O livro foi só prazer! Os sábados com a Tânia foram de muitos cafés e risadas. O livro ficou DESLUMBRANTE e originou o Versão Brasileira que é um encontro de amigos amados: eu, Claudio, Edgar, Thiago e Marcelo! Acho que o Versão Brasileira é graças ao livro que é graças ao Rubinho! Obrigado Rubinho! Que bom poder agradecer por esses encontros, poder estar perto de quem eu acredito e ter ainda tanta historia pra contar e ouvir de vocês todos ! Muito obrigado&#8221;.</p>
<p style="text-align: right;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: right;"><strong>Charles Möeller </strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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]]></content:encoded>
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		<title>Artigo: &#8220;Retrato de uma Geração&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Mar 2010 17:53:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[O Despertar da Primavera]]></category>
		<category><![CDATA[Site]]></category>
		<category><![CDATA[O Despertar da Primavera em SP]]></category>

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		<description><![CDATA[Foto: Marco Mesquita Recebemos de Isser Korik esse belo texto sobre &#8220;O Despertar da Primavera&#8221; e a direção de Möeller &#38; Botelho. Isser é ator, diretor, dramaturgo, produtor teatral, e diretor artísitico da Conteúdo Teatral, empresa que opera o Teatro Folha, o Teatro Parque D. Pedro Shopping e o Teatro Colinas. Sobre o artigo, disseram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Foto: Marco Mesquita</em></p>
<p style="text-align: center;"><a class="lightbox" title="FOTO MARCOS MESQUITA_009" href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/03/FOTO-MARCOS-MESQUITA_009.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-9804" title="FOTO MARCOS MESQUITA_009" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2010/03/FOTO-MARCOS-MESQUITA_009.jpg" alt="" width="600" height="348" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p>Recebemos de <strong><span style="color: #000000;">Isser Korik</span></strong> esse belo texto sobre &#8220;O Despertar da Primavera&#8221; e a direção de Möeller &amp; Botelho.</p>
<p style="text-align: justify;">Isser é ator, diretor, dramaturgo, produtor teatral, e diretor artísitico da Conteúdo Teatral, empresa que opera o Teatro Folha, o Teatro Parque D. Pedro Shopping e o Teatro Colinas.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre o artigo, disseram <span style="color: #000000;"><strong>Charles Möeller &amp; Claudio Botelho</strong></span>: &#8220;<em>Seu texto é emocionante e nos deixa muito orgulhosos de nosso trabalho</em>&#8220;.</p>
<p><em><strong>Confira na íntegra o artigo de Isser Korik:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">&#8220;Há meses atrás, assisti na Broadway “O Despertar da Primavera”. Achei o espetáculo bonito, caprichado, e que valia muito pela originalidade da partitura musical. Mas o conteúdo do enredo me pareceu datado, ultrapassado. Quem em pleno século XXI estaria interessado em temas como virgindade e repressão sexual? Não dei muita importância.</p>
<p style="text-align: justify;">Felizmente, o Sérgio Ajzenberg, da Divina Comédia, teve outra impressão e adquiriu os direitos da peça para o Brasil. E convidou a dupla Charles Moeller e Cláudio Botelho para dirigir a montagem, e a produtora Aventura para co-produzir, dando início a um dos mais importantes eventos teatrais dos últimos anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na quinta-feira passada fui à estreia da temporada paulistana e vi outro espetáculo. Eu poderia encher laudas falando da excepcional qualidade técnica, de detalhes da beleza da montagem e do brilho do elenco. Tudo isso merece muito ser falado. Mas o que mais me impressionou foi a capacidade dessa dupla de Artistas de elevar toda a obra a outra dimensão. Interessados em falar com o jovem de hoje, Moeller e Botelho focaram no texto aquilo que ele tem de mais universal e atemporal. A preocupação não está nos valores de virgindade e repressão do século XIX e sim na descoberta da sexualidade, da identidade sexual, do afeto, dos medos e violências que vêem junto com essa descoberta&#8230; assunto de todos os tempos.</p>
<p style="text-align: justify;">E com esse vetor, foi criada uma montagem moderna, visceral, extremamente corajosa, com visual que fala com os jovens de hoje, remetendo à estética de filmes como “Crepúsculo”. O resultado é tão impressionante que atinge diretamente a atual geração de adolescentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Três vezes, na minha vida, eu conheci obras que foram o retrato de uma geração. A primeira vez foi com o livro “Feliz Ano Velho”, de Marcelo Rubens Paiva, que transformou, por identidade, a vida de milhares de leitores da minha geração, os nascidos nos anos 60. A segunda vez foi em “Confissões de Adolescente”, de Maria Mariana, que expôs no teatro o que seria a geração dos que nasceram de 75 a 85. A terceira vez é agora. A montagem de Moeller e Botelho faz de um texto do século XIX o retrato da geração que nasceu na virada do milênio. O jovem de hoje se identifica, se vê retratado, se apaixona por esses personagens que vivem as mesmas dúvidas, angústias e sede de descobrir que ele. E sai do espetáculo com a sensação de ter descoberto a si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo isso pela genialidade da montagem, pelo apuro visual e sonoro, e pelo talento dos jovens atores que unem a famosa “garra” do ator brasileiro à técnica atualmente exigida em nível mundial.</p>
<p style="text-align: justify;">Como homem de teatro, fico feliz de me render a esse talento Maior de Moeller e Botelho. Eles elevam o padrão do Teatro Brasileiro no cenário mundial. E me fizeram ver, em cada detalhe, cada filigrana, cada movimento de cabeça dos atores, cada respirada, sua paixão pelo Teatro&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p>Isser Korik</p>
<p>Diretor Artístico<br />
Conteúdo Teatral<br />
www.conteudoteatral.com.br</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Quebra-cabeça de horror sob chuva incessante</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 11:32:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Möeller & Botelho]]></category>
		<category><![CDATA[Direto da Broadway]]></category>

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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento Daniel Craig e Hugh Jackman em encontro histórico na Broadway “A Steady Rain”  é um caso raro, talvez único na história da Broadway, de dois dos astros de maior poder e ascensão do cinema, ambos na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Direto de Nova York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain2.jpg"><img class="size-full wp-image-8260  aligncenter" title="A Steady Rain2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain2.jpg" alt="A Steady Rain2" width="485" height="347" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Daniel Craig e Hugh Jackman em encontro histórico na Broadway</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“A Steady Rain”  é um caso raro, talvez único na história da Broadway, de dois dos astros de maior poder e ascensão do cinema, ambos na lista dos 10 mais poderosos da indústria cinematográfica e na Forbes, dos que mais rendem bilheteria da história e ambos na lista dos 10 mais sexys do mundo, sendo Hugh o primeiro colocado, se juntarem numa produção tão pequena e obscura na Broadway!</p>
<p style="text-align: justify;">É claro que isso causou um enorme furor e os ingressos se esgotaram em segundos! Está <em>sold out</em> a temporada toda e ingressos prêmios estavam sendo vendidos na bagatela de 600 dólares no balcão e já se esgotaram!</p>
<p style="text-align: justify;">“A Steady Rain” é realmente uma chuva constante de fofocas, comentários,  gritinhos histéricos e não é pra menos! As criticas principais são todas positivas ao espetáculo e reverentes ao encontro.</p>
<p style="text-align: justify;">Me parece ser o que está salvando a Broadway da crise: As estrelas nessa temporada estão por lá e algumas até no off, como Cate Blanchet.</p>
<p style="text-align: justify;">A peça conta a história de dois policiais  de Chicago amigos de infância que se vêem envolvidos numa rocambolesca história de prostituição, assassinatos, seqüestro, vinganças, traições e ate canibalismo! Acho que a peça se passa em uma ou duas noites, mas são anos de amizade que vêm à tona!</p>
<p style="text-align: justify;">Sem dúvida é uma experiência única ver Daniel Craig e Hugh Jackman juntos. Sou fã de ambos muito antes do Wolverine e do 007 os tornarem ícones de ação. Comprei meus ingressos assim que a bilheteria abriu, pois imaginava que seria uma loucura. Só não imaginava que eles escolheriam ou se motivariam por algo tão sem proteção, pois a simplicidade da produção e direção chega a ser assustadora em se tratando de um espetáculo da Broadway e não um off ou off off!</p>
<p style="text-align: justify;">Gostaria de ler a peça e falar com calma disso, mas sem dúvida a presença deles eleva o material deste drama de policial, fugindo do maniqueísmo do bom e o mau. Eles realmente são atores espetaculares e vê-los em cena é uma chuva constante de sensações!</p>
<p style="text-align: justify;">A peça é um veículo ideal para estrelas do calibre deles brilharem e darem seus shows particulares! A grande sacada do texto apesar de extremamente elaborado e cheio de viravoltas, é que eles quase nunca contracenam. Eles na verdade parecem que estão prestando depoimentos pra nós, numa delegacia escura e cinza com aquela famosa lâmpada de panela de interrogatório. Percebemos que estão na mesma sala, no mesmo interrogatório, ambos ouvindo o que o outro tem a relatar e muito embora não concordem, também não discordam a ponto de dialogar. Complementam-se! Isso permite que ambos tenham momentos impecáveis.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8261" title="A Steady Rain" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain.jpg" alt="A Steady Rain" width="585" height="350" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">A peça é narrada na primeira pessoa como uma confissão, num jogo constante de ‘eu fiz isto, ele fez aquilo’. Ambos compactuam conosco o tempo todo, nos tornando um terceiro personagem, talvez o terceiro policial encarregado de escutar seus depoimentos,  ou um companheiro de cela, ou um padre, ou Deus, enfim&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Os personagens se apresentam pra nós separadamente, tecendo linhas que só ocasionalmente se sobrepõe, e quando isso acontece,  muitas vezes nos vêm aquele gostinho de ‘quero mais’ -  a sensação de ter aquela grande cena um pro outro acontecerá!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas a direção é má com o público e bem esperta, nos obrigando a continuar com ambos separadamente em seus depoimentos. Aos poucos vamos juntando um enorme quebra-cabeça de uma noite de horror na vida de dois amigos de infância, parceiros erradamente complementares.</p>
<p style="text-align: justify;">O público é convidado a escolher a versão da mesma história contada por dois policiais com comportamento ético bem distinto . Vemos de cara que Jackman é o policial corrupto e violento e Daniel o policial do bem e solitário. Mas isso é só o começo. Você acredita, é obrigado de cara a escolher  uma versão dos fatos, mas depois você muda de idéia e depois muda de novo!  Esse é o elemento interessante desse jogo, pois a ação já aconteceu, o crime já foi feito&#8230; tudo é no passado. O destino é imutável e trágico e com um golpe final de tirar o fôlego!</p>
<p style="text-align: justify;">Eles não mudam ou passam a ser maus ou bons. Nós é que mudamos de ótica na medida em que a historia é contada! O ponto de partida é que esses  homens viveram suas vidas entrelaçadas até o momento que a peça começa. Saberemos que algo aconteceu que mudou o mudará aquela situação pra sempre! A forma usada pelo autor é fascinante, pois quando um acaba de falar, o outro continua enchendo de detalhes e opiniões, completando um enorme quebra-cabeça sobre uma noite de erros e  incidentes envolvendo uma  prostituta, gangue de latinos, seqüestro de um adolescente vietnamita canibalizado , drogas, traições e família mostrando como a amizade deles é desafiada o tempo inteiro e ao mesmo tempo em que é destruída, é imediatamente restaurada por um laço indissolúvel de tempo!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain3.jpg"><img class="size-full wp-image-8262  aligncenter" title="US Craig 1" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain3.jpg" alt="US Craig 1" width="482" height="402" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Jackman e Craig deitam e rolam nesta folha em branco</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">A solidez da amizade deles é surpreendente, pois apesar de ambos errarem o tempo todo um com outro, não pinta o memento “DR” &#8211; eles simplesmente vão adiante. O que é quebrado se conserta. Afinal é uma peça de <em>tough guys</em> e sujeitos durões não sabem e nem são hábeis para revelar os sentimentos mais profundos de um para com o outro!</p>
<p style="text-align: justify;">Joey e Denny nos falam tudo o que fazem, mas nunca param pra explicar por que exatamente. Só justificam suas ações.</p>
<p style="text-align: justify;">É um show de interpretações! Personagens dialéticas! E Jackman e Craig  deitam e rolam nesta folha em branco, rabiscando seus personagens com exatidão e tanta inteligência que não escolhemos lados, nem mocinhos nem bandidos, muito menos entramos em julgamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo que construímos no principio pra um desfazemos depois e assim continua até o final surpreendente! Fica difícil ser mais explicito ao falar da peça e estragar a surpresa desse jogo.</p>
<p style="text-align: justify;">Hugh Jackman traz a Denny uma exasperação indignada. Apesar de ser um policial corrupto e racista, fica incrédulo por estar sendo castigado pela falta de  lógica no sistema policial. Ele tem o personagem mais trágico na mão, o que traz mau agouro e desencadeia todos os conflitos e é castigado por isso. Colocando tudo que o rodeia em risco e em questão, sua família, filhos, amizades e até o código de honra entre os policias.</p>
<p style="text-align: justify;">Craig dá um show como o correto Joey  uma espécie de sombra de Denny: menos impulsivo, mais racional e lógico, mas que precisa do todo o desafino de Denny  pra viver!  Como a mariposa e a lâmpada. Denny é o que leva a ação e Joey fica atrás limpando tudo, e tentando consertar as coisas. Apesar de criticar o comportamento vulcânico do parceiro, ao mesmo tempo existe uma admiração e quase uma idolatria pelo amigo irmão destemido e de caráter duvidoso.</p>
<p style="text-align: justify;">Joey vive a vida de Denny, pois não tem brilho próprio, mas à medida que a peça avança, ele vai se apropriando da vida de Danny,  e se fundindo com a dele, se tornando um homem mais confiante e destemido. Denny, ao contrário, vai se fragilizando e é aí que vemos os dois lados da mesma moeda. Eles desenham seus personagens com um transbordamento de humanidade e uma ausência de truques impressionantes. Adoro atores assim, sem maneirismos e isso impede que nós, plateia, tenhamos um julgamento  do comportamento dele no final da peça, pois friamente suas atitudes são altamente dúbias e questionáveis, mas a humanidade deles, faz com que sejamos apenas testemunhas e não juízes!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8263" title="A Steady Rain4" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/A-Steady-Rain4.jpg" alt="A Steady Rain4" width="535" height="424" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O destaque é a inteligência dos intérpretes</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Jackman e Craig sabem tudo e sua simbiose é de tirar o fôlego. Criam uma  enorme tensão e não escutamos nem uma mosca no teatro! Às vezes ficamos suspensos numa atmosfera de suspense e quase terror e começamos a nos sentir cúmplices daquela noite de horrores.</p>
<p style="text-align: justify;">A química entre eles é absoluta e realmente acreditamos que Denny e Joey são amigos de infância e têm uma vida de lembranças em comum. Eles criam personagens como recipientes vazios que só eles mesmos e suas lembranças podem encher com uma historia cheia de erros, cheia de mentiras e de julgamento amorais, e que só pertence a eles mesmos, pois  sãos os triunfos e tragédias de uma enorme convivência numa chuva incessante  (a metáfora da peça)  sobre dois destinos trágicos e errantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu destaque vai total para a inteligência dos intérpretes, pois assim como  Craig constrói o bom Joey com uma pitada de inveja e um q de <em>loser</em> de personalidade dúbia, Jackman satura o mau Denny com um humor agradável e charme incrível. Nos vemos torcendo por eles mesmo errando e  quando o caráter desaparece por completo e  eles agem com desconcertante violência e amoralidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Estas escolhas são de grandes intérpretes, escolhas profundas de olhar para os personagens com sutileza e indo contra expectativas a uma plateia ávida pra ver invencíveis feitos heróicos de Wolverine e Double Zero! Encontramos dois homens comuns propositadamente desglamurizados numa caixa teatral cinza com uma luz precisa discreta e uma cenografia sutil revelada só em cenas de alta tensão &#8211; atores simples  a serviço de uma peça.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao acabar a peça pudemos ver os personagens indo embora e aparecerem os astros que sabem o poder que têm e usam isso a seu favor: leiloam suas camisetas suadas de baixo pra arrecadar fundos pra AIDS! Eles arremataram em minutos 13 mil dólares na sessão que eu fui. Um amigo tinha ido na matinê e eles arrecadaram 14 mil dólares pelas duas peças suadas&#8230; enquanto os outros teatros faturam cento e poucos dólares com os famosos baldinhos na com elenco esmolando na saída.</p>
<p style="text-align: justify;">Já anunciaram o fim da temporada e a renda daquela noite será paras vitimas da AIDS, famílias que perderam tudo nos Katrinas e nas enchentes, mulheres espancadas e crianças violentadas, enfim os astros são quase uma Madonna com Eike!</p>
<p style="text-align: justify;">As malíssimas línguas da malíssima classe andam dizendo que eles têm um tórrido romance, e escolheram uma peça pequena na Broadway pra ficarem mais perto e pararem suas agendas atribuladas por completo pra estarem juntos. Isso realmente não interessa em nada e se é verdade ou mentira o que importa é que estão em cartaz  pois são tão bons atores que merecem sempre estarem no palco ao nosso alcance&#8230; o resto é fofoca e se for verdade:  let the sunshine in!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Charles Möeller. Novembro 2009. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Charles Möeller: Memphis vale a pena, apesar do score óbvio</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Nov 2009 10:51:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Möeller & Botelho]]></category>
		<category><![CDATA[Direto da Broadway]]></category>

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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento Um elenco enorme e talentoso, vocalmente impecável, com  números de dança arrasadoramente vigorosos e beirando muitas vezes a acrobacia dão o maior gás no novo musical  &#8220;Memphis”. Evidentemente acerta em ter como plote segregação racial em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Direto de Nova York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Montego-Glover-2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8166" title="Montego Glover 2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Montego-Glover-2.jpg" alt="Montego Glover 2" width="573" height="369" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Um elenco enorme e talentoso, vocalmente impecável, com  números de dança arrasadoramente vigorosos e beirando muitas vezes a acrobacia dão o maior gás no novo musical  &#8220;<span style="color: #800000;"><strong>Memphis</strong></span>”. Evidentemente acerta em ter como plote segregação racial em tempos miscigenados de Obama.</p>
<p style="text-align: justify;">Memphis é uma cidade, onde, nos anos 50, os negros eram proibidos de  aparecer em programas de TV, de tocar em rádios pra brancos, e de saírem dos seus guetos. As vezes Memphis me parece ser uma versão séria de “Hairspray”: a cidade o tema do racismo se assemelham com o Baltimore de John Waters.</p>
<p style="text-align: justify;">A história é parecida, até existe um programa de TV, um programa que ganha audiência com entrada de um apresentador visionário que insiste em ter em seus shows a música negra, e negros como as grandes atrações e  destaques.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/James-Monroe-Iglehart.jpg"><img class="size-full wp-image-8167  aligncenter" title="James Monroe Iglehart" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/James-Monroe-Iglehart.jpg" alt="James Monroe Iglehart" width="534" height="368" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>O que mais incomoda é o score e a previsibilidade da história</strong></p>
<p>Adorei o show, é ótimo de ver e ouvir! Os cenários são lindos e ágeis, o figurino de época impecável! A luz super acertada.</p>
<p style="text-align: justify;">O que mais me incomoda é o score e a previsibilidade da história! O maniqueísmo. Em resumo: todos os brancos são maus, exceto o mocinho, e ele paga um preço alto por isso. Todos os negros são bons e vítimas de crueldades atrozes. E no final, existe a redenção total: os canalhas branquelos se rendem à força da Black Music e o rock &amp; roll nasce. Felicia se torna um estrela e o branquelo e cafona Huey continua em Memphis descobrindo e garimpando talentos negros na sua incansável luta contra o racismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse ponto acho que “Ragtime” fala de coisas parecidas e mais profundamente sem cair em tantos clichês. Vejam, adoro clichês e chorei horrores como nas várias vezes que Felicia era espancada, quando o irmão mostra as cicatrizes da violência no corpo ou quando um negro que nunca mais falou, vitima de estrangulamento, de repente começa a cantar pra ajudar o branco bonzinho. Aí eu desidratei de chorar, mas sei que são clichês, e é bacana ficar esperto pra eles e saber que isso é estratégia dramatúrgica pobre e fácil, pois chorar eu choro em comercial de liquidação das Casas Bahia!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas todos os atores estão ótimos e fazem com muita alma e sinceridade, o que faz que a alguns chavões passem despercebidos! Isso faz com que você desejasse realmente que o score tivesse sido menos superficial, já que o elenco dá conta total do recado e te convence o tempo todo.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Chad-Kimball-as-Huey-Calhoun-and-Montego-Glover.jpg"><img class="size-full wp-image-8168  aligncenter" title="Chad Kimball as Huey Calhoun and Montego Glover" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Chad-Kimball-as-Huey-Calhoun-and-Montego-Glover.jpg" alt="Chad Kimball as Huey Calhoun and Montego Glover" width="318" height="433" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Segundo ato resolve os conflitos rapidamente</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O  segundo ato é mais fraco, pois tenta justificar e finalizar as histórias e os conflitos acabam sendo resolvidos levianamente e rapidamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Tirando o score óbvio, acho que o grande erro de Memphis foi ter usado música composta.  Seria o maior achado usar pérolas eternas da música negra. Poderíamos ter o prazer de ver standards da genial Black music, souls e gospels originais em vozes negras do elenco tão magníficas. Eles perderam essa oportunidades!</p>
<p style="text-align: justify;">O elenco, a coreografia e a altíssima energia proporcionam um grande prazer mesmo quando o score escorrega. Meu destaque vai pra ótima Montego Glover <em>(foto acima, com Chad Kimball) </em>que faz Felicia com muita garra e garganta de diva! James Monroe Iglehart, que faz Bobby, é pra mim o melhor numero do show. Um negão de uns 200 quilos e dois metros de altura que dança com leveza e carisma impressionantes! Foi quem ouviu o meu uhuhuhuhuh! Não sei se gosto de Chad Kimball <em>(foto acima, com Montego Glover)</em>, o branco bonzinho da trama, às vezes me parece ótimo, outras composto e vaidoso demais! Sabe ator que entra e já acha que arrasa e faz cara de ”olha como sou cool e faço pequeno e tenho olhinho de sol (defino assim ator que sempre faz cara de muita claridade, eles acham que ficam sexy) Detesto esse tipo de ator. O cinema brasileiro tá cheio deles&#8230; ator que chega dizendo: ‘não faço nada, falo baixo, monocordicamente, não abro a boca pra falar e sou Brando!!!’ Gosto dos que suam, dos que desequilibram, dos que arriscam! Quero ver um outro trabalho com ched. de repente to enganado e isso foi uma opção pro papel!</p>
<p style="text-align: justify;">Memphis vale a pena!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Charles Möeller.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Novembro 2009.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Claudio Botelho: Bye Bye Birdie: Um excelente exemplo de segundo time de comédias musicais</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 10:38:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento BYE BYE BIRDIE, que vem a ser a primeira remontagem deste sucesso do início dos anos 60, me pegou num momento em que ando meio sem saco pra essas comédias musicais que tanto estiveram em voga [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Direto de Nova York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Bye-Bye-Birdie-01.jpg"><img class="size-full wp-image-8141        aligncenter" title="Bye Bye Birdie 01" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Bye-Bye-Birdie-01.jpg" alt="Bye Bye Birdie 01" width="235" height="351" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>BYE BYE BIRDIE</strong>, que vem a ser a primeira remontagem deste sucesso do início dos anos 60, me pegou num momento em que ando meio sem saco pra essas comédias musicais que tanto estiveram em voga naqueles tempos, onde música de qualidade, letras quase sempre muito boas e história engraçadinha, tudo baseado  – mesmo que cinicamente – no único interesse que uma mulher parece (parecia) ter na vida: arranjar  marido.  Portanto o que direi aqui deve ser lido com o distanciamento de quem já sabe que o autor (eu) não estava exatamente predisposto a cair de amores por mais esta sessão da tarde que a Broadway vem oferecendo nos últimos anos e que parece agradar tanto aos jovens quanto às vovós da plateia.</p>
<p style="text-align: justify;">A música de Charles Strouse é ótima, são canções bastante atraentes e muito comunicativas, algumas com letras até ousadas pra época (“Spanish Rose”; “What did I see in Him?”), sendo que o destaque absoluto é mesmo para “PUT ON A HAPPY FACE”, logo nos primeiros vinte minutos do primeiro ato. O número é mesmo sensacional e você nem presta atenção na coreografia meio  indigente desta montagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Charles-Co1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-8140" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Charles &amp; Co" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Charles-Co1-225x300.jpg" alt="Charles &amp; Co" width="225" height="300" /></a>O cenário é lindo, figurinos lindos, tudo no lugar e muito bem resolvido. Pra mim o grande problema é a falta de carisma de <strong>John Stamos</strong> <em>(foto, à esq.) </em>no papel originado por Dick Van Dyke em 1960 (ele também fez o mesmo papel no cinema). Stamos canta apenas regularmente, tem poucos atrativos como ator, e parece estar tentando “parecer” Van Dyke o tempo todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Já Gina Gershon, no papel da secretária latina que apenas pensa em se  casar com o chefe, só faz a gente ficar imaginando como este papel deve ter sido um sonho com Chita Rivera quando o musical estreou cinco décadas atrás.  Gershon, que tem currículo de peso na Broadway, não tira o sono de ninguém, faz tudo direitinho, mas você não fica louco por ela. E, portanto, não ficar louco por aquele furacão latino que deveria ser o personagem, é um fator importante pra gente não ficar louco pelo espetáculo.</p>
<p style="text-align: justify;">
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<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/bill-irwin_jpg_606x10000_q85.jpg"><img class="size-full wp-image-8139  aligncenter" title="bill-irwin_jpg_606x10000_q85" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/bill-irwin_jpg_606x10000_q85.jpg" alt="bill-irwin_jpg_606x10000_q85" width="545" height="228" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p><strong>Bill Irwin vale o ingresso</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Quem rouba a peça é Bill Irwin. Aliás, todas as vezes que vi este ator e mímico sensacional mesmo em espetáculos falados aqui na Broadway, ele roubou o espetáculo. O papel do  chefe de família do interior dos Estados Unidos, que nem canta muito e tem poucas cenas, passaria despercebido se defendido por um ator apenas correto. Mas Irwin dá um show em cada centímetro de sua atuação, um trabalho corporal incrível, caretas e mais caretas com estilo e verdade em todos os momentos. Enfim, Bill Irwin vale o ingresso.</p>
<p style="text-align: justify;">O restante do elenco, incluindo crianças e adolescentes, é bastante bom. Infelizmente o cantor de rock do título (Conrad Birdie) estava sendo feito pelo substituto na nossa sessão, de modo que nem vale a pena comentar sua interpretação insegura e apenas correta.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o fato é que não tenho mais paciência pra esse tipo de musical. O auge disso foi HOW TO SUCCEED IN BUSINESS WITHOUT REALLY TRYING, este sim um musical impecável do começo ao fim, já que além de contar com música do genial Frank Loesser, tem um texto absolutamente cínico e inteligente, mesmo flertando com este lado “mulherzinha” do musical o tempo todo. Mas, como em toda época, há os grandes e os médios. BYE BYE BIRDIE é, na minha opinião, um excelente exemplo de segundo time nesta seara.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas certamente haverá algum produtor brasileiro que virá aqui e vai achar isso a coisa mais “legal” pra montar no Brasil daqui um ano ou dois, já que hoje em dia até as amigas  da minha tia no interior de Minas se lançam como produtoras de musicais. E podem crer, vai ser sucesso!</p>
<p><strong>Claudio Botelho.<br />
Novembro 2009.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Charles Möeller: “Billy Elliot é um bunker infinito de conflitos”</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Nov 2009 14:22:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento Gregory Jbara e David Alvarez em &#8220;Billy Elliot&#8221;, na Broadway Quando estreou em março 2005 no Victoria Palace Theatre em Londres, eu e Claudio estávamos lá e tive a sensação que o teatro musical estava diante [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Direto de Nova York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Billy-02.jpg"><img class="size-full wp-image-8120  aligncenter" title="Billy 02" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Billy-02.jpg" alt="Billy 02" width="425" height="477" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Gregory Jbara e David Alvarez em &#8220;Billy Elliot&#8221;, na Broadway</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quando estreou em março 2005 no Victoria Palace Theatre em Londres, eu e Claudio estávamos lá e tive a sensação que o teatro musical estava diante de um “Antes e Depois de<span style="color: #800000;"><strong> Billy Elliot</strong></span>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Tive esse prazer algumas vezes na vida e é o que busco a cada estreia: Um tsunami de emoções! Tive isso com espetáculos como Crazy for You, Chicago, Kiss me Kate, Kiss of Spider Woman,  Spring Awakening, Hair e alguns outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Ser testemunha de um fenômeno logo que ele estreia é um acontecimento único, algo arrebatador, como muitas vezes já escrevi: ter a sensação de desaparecer no terceiro sinal e só retornar nos aplausos. Por isso me obrigo há muitos anos estar em estreias e previews, tanto em Londres como em Nova York, sigo atrás desse momento.</p>
<p style="text-align: justify;">A peça em Nova York é a mesma e sua transposição para os palcos americanos é perfeita! Até o dialeto me parece mais suave aqui, ou me acostumei de tanto ouvir.</p>
<p style="text-align: justify;">O elenco é extraordinário e imagino que esse deva ser o elenco mais difícil de ser formado em toda a história dos musicais, pois além de garimpar crianças ciborgues &#8211; sem palavras pra defini-las -, o elenco em volta é dos mais complexos, pois os atores têm que parecer mineiros caucasianos, pobres rústicos no meio de um piquete de trabalhadores e policiais viris e assustadores. E ainda têm que dançar, cantar e interpretar um dramalhão dos mais emocionais que já vi.</p>
<p style="text-align: justify;">Em qualquer primeira aula de dramaturgia, a gente aprende que pra se ter ação dramática é preciso se ter  conflitos. Billy Elliot é um bunker infinito de conflitos estratégicos feitos sadicamente pra te matar na cadeira!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Billy-03.jpg"><img class="size-full wp-image-8121  aligncenter" title="Billy 03" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Billy-03.jpg" alt="Billy 03" width="429" height="477" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>No final do primeiro ato você já era!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Criança pobre órfã de mãe criada pela avó senil, com pai brutal e irmão violento no meio de um strike de mineiros em 1984, tem como melhor amigo um crossdresser, e uma professora de dança nada convencional. Nesse cenário, se descobre um excepcional e particular BAILARINO! A partir daí o conflito se desenrola e no final do primeiro ato, você já era!</p>
<p style="text-align: justify;">A direção de Stephen Daldry, o mesmo do filme, é a melhor que já vi na vida! Os atores interpretam uns pros outros,  evitando os clichês de estarem sempre de frente. É muito realista e profundo. Estão todos inseridos naquele submundo da sobrevivência, onde ter um dom artístico é uma piada, afinal não há dinheiro pra comida. Como olhar com carinho para uma audição no The Royal Ballet School?</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os números coreográficos são espetaculares. Teria que escrever um livro pra descrever todos. Não sei apontar qual eu amo mais! Lógico que tem os óbvios ‘arrasa quarteirão’, como o do final do primeiro ato, com Billy se atirando nos policiais no meio do piquete em ‘Angry Dance’. Tem a audição frustrada na Royal que resulta na exibição do preciosismo  ‘Electricity’; o adorável e corajoso ‘Expressing Yourself’, com Michael (genialmente feito aqui por Keean Johnson) e Billy (vi pela desta vez com o cubano David Alvarez, que é fantástico. Mesmo assim não entendo esse politicamente correto e essa cota racial. Fica pouco crível num espetáculo tão realista ver um cubano, com pai, avó e irmão tão nórdicos e caucasianos! Às vezes te dá a sensação que Billy é adotado, mas isso é outro capitulo, afinal David é genial e merece cada segundo de aplauso que teve).</p>
<p style="text-align: justify;">Vou me arriscar a escolher um número que sempre choro e vejo a genialidade do coreógrafo Peter Darling: “We’d go Dancing”, com a avó de Billy dançando com todo elenco masculino que atravessa a cena como fantasmas rústicos do passado com cigarros na boca, cadeiras de bar e garrafas de whisky e desaparecem pela janela como um carrossel de lembranças&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/greg_jpg_606x10000_q85.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8122" title="greg_jpg_606x10000_q85" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/greg_jpg_606x10000_q85.jpg" alt="greg_jpg_606x10000_q85" width="545" height="268" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>O destaque é Gregory Jbara</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Meu destaque total nessa versão americana vai pra  Gregory Jbara, que faz o pai de Billy. Ele é o grande catalisador de todas as minhas lágrimas&#8230; da truculência inicial, até sua despedida de Billy na cena final, foi ele que me assaltou! Foi merecidamente vencedor do Tony de melhor ator coadjuvante! Já o tinha visto num chiquérrimo  Billy Flynn em ‘Chicago’. Aqui, ele está irreconhecível como mineiro inglês emocional e sem traquejos com os filhos! Li que ele engordou 20 quilos para parecer mais brutal e rústico, o que realmente fez o maior diferença nas cenas que ele está de camiseta, com uma barriga pesada e truculenta! No final, quando aparece de tutu dançando  com toda técnica e preparo de tantos anos de musicais, fica até chocante.</p>
<p style="text-align: justify;">Billy Elliot após tantos anos de sua criação ainda mantém o frescor de estreia e é dos meus shows preferidos. Fico muito feliz quando amo um show, pois antes de ser diretor sou fã de musical e rever é sempre um enorme prazer. É sempre entrar em contato com o que me motiva a continuar nessa profissão&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Charles Möeller</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Novembro, 2009. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Charles-Co.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-8123" title="Charles &amp; Co" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Charles-Co.jpg" alt="Charles &amp; Co" width="384" height="512" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Charles Möeller, Tina Salles, Antonia Prado, Ana Paula e Ada Chaseliov na plateia de &#8220;Billy Elliot&#8221; &#8211; novembro 2009</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Claudio Botelho: Um arco íris para quem ama a velha Broadway</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 18:01:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Möeller & Botelho]]></category>
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		<description><![CDATA[Direto de Nova York, Charles Möeller &#38; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento Finian´s Rainbow: Um Arco-Íris para quem ama a velha Broadway FINIAN´S RAINBOW foi sempre um dos meus musicais favoritos no campo das idéias, ou seja, eu amava o espetáculo sem nunca te-lo visto realmente em cena. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Direto de Nova York, Charles Möeller &amp; Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-01.jpg"><img class="size-full wp-image-8099 aligncenter" title="FInians Rainbow 01" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-01.jpg" alt="FInians Rainbow 01" width="550" height="350" /></a><br />
</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Georgia; font-size: small;"><strong><em>Finian´s Rainbow: Um Arco-Íris para quem ama a velha Broadway<br />
</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><strong>FINIAN´S RAINBOW</strong></span> foi sempre um dos meus musicais favoritos no campo das idéias, ou seja, eu amava o espetáculo sem nunca te-lo visto realmente em cena. Mas o contato com as canções nas diversas gravações  de original cast  que existem por aí sempre tornaram este musical de 1947 um daqueles tesouros que eu me orgulho de saber “de cor” do início ao fim.</p>
<p style="text-align: justify;">A versão filmada dos anos 70, que vem a ser o primeiro filme dirigido por Francis Ford Coppola e o último musical estrelado por Fred Astaire, é considerada um péssimo filme. O que pra mim tanto faz, já que quando assisti estava mais interessado em ouvir a música e conhecer a história, portanto foi um deleite. Tem no elenco ainda Petula Clark, que tem uma voz nada convencional e eu adoro. Portanto, sempre assisti ao filme com prazer, embora hoje já dê pra perceber que não é realmente um grande filme, ainda mais sabendo que o chatérrimo Coppola demitiu o grande Michael Kidd durante as filmagens porque achava que ele mesmo (Coppola!!!) sabia mais sobre coreografias de musical que um dos maiores gênios e criadores da história do teatro e do cinema do gênero de todos os tempos&#8230; Ou será que ele demitiu o Hermes Pan? Não me lembro agora. Mas são coisas de bastidores que não interessam aqui, claro.</p>
<p style="text-align: justify;">O que importa é que ontem pela primeira vez pude assistir FINIAN´S RAINBOW no palco. Grande emoção. A música é tratada como o grande atrativo da montagem. São cantores de primeira linha, vozes lindas e você percebe que é uma versão quase em concerto, pobrinha, daquelas que vêm da série “Encores” do City Center, ou seja, algo que foi produzido para ficar em cartaz por cinco dias, mas que ganhou uma temporada maior,  geralmente por mérito ou mesmo pela relevância da obra.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-09.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-8100" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="FInians Rainbow 09" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-09.jpg" alt="FInians Rainbow 09" width="423" height="299" /></a>Aqui o elenco é o que sustenta a montagem, com uma <strong><span style="color: #800000;">Kate Baldwin</span></strong> <em>(foto ao lado)</em> cantando lindamente no papel de Sharon, a protagonista feminina que canta talvez uma das mais belas canções românticas já escritas para um musical da Broadway, “OLD DEVIL MOON”. Ela nem é exatamente expressiva ou interessante como atriz, mas tem uma linda voz treinadíssima e fez bonito também em “HOW ARE THINGS IN GLOCKA MORRA?”, outra pérola.</p>
<p style="text-align: justify;">O par romântico dela é Cheyenne Jackson, que eu acabei de conhecer há poucas semanas através de um CD que um amigo me indicou. É um CD chamado THE POWER OF TWO, onde Cheyenne canta ao lado de Michael Fienstein, que sempre foi meu ídolo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-04.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-8101" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="FInians Rainbow 04" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-04.jpg" alt="FInians Rainbow 04" width="470" height="336" /></a>O chato do CD é você descobrir no meio que eles estão casados e fizeram um cd dedicando músicas românticas um pro outro. Vendo a cara hiper-plastificada de Feinstein na capa, ao lado do gostosão cafona de cabelo pintado Jackson sorrindo do lado, faz com que aquele caso de amor adquira um sabor meio “Jesus é meu pai e nada, nem mesmo um comprimido de Cialis, me faltará”, portanto apesar de gostar do disco, fico enjoado quando penso nas letras.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas voltando ao musical, <span style="color: #800000;"><strong>Cheyenne Jackson</strong></span> (<em>foto ao lado</em>) realmente canta muitoooo e arrasa. Como ator ele é canastrão, mas isso pouco importa. O que importa é que a voz é linda e super no lugar, sem excessos e sem afetação, por incrível que pareça.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Christopher Fitzgerald e Jim Norton</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-08.jpg"><img class="size-full wp-image-8102 aligncenter" title="FInians Rainbow 08" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/11/FInians-Rainbow-08.jpg" alt="FInians Rainbow 08" width="587" height="393" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Quem rouba o espetáculo é <span style="color: #800000;"><strong>Christopher Fitzgerald</strong></span> (<em>foto acima, à dir.</em>) no papel do duende Og. Já o tinha visto em “YOUNG FRANKENSTEIN” também roubando a peça dos protagonistas, e aqui ele dá um banho de humor e competência física, e sua interpretação de “WHEN I´M NOT NEAR THE GIRL I LOVE” é antológica.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, o grande protagonista e papel título é<span style="color: #800000;"><strong> Jim Norton</strong></span> (<em>foto acima, à esq</em>.), ator septuagenário no papel que Fred Astaire fez no cinema. Norton é um gênio, tem incrível agilidade e presença cênica absolutamente irresistível. O papel não canta muito, mas é o líder em quase todas as cenas e você se apaixona pelo velhinho logo de cara.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho bobagem comentar direção, coreografia e etc., já que isso na verdade é um concerto estendido, não é exatamente um espetáculo com o “padrão Broadway” mais óbvio. Um turista desavisado vai achar pobre e talvez perdido no tempo, mas a platéia de ontem era basicamente de americanos e a maioria da terceira idade. Todos (como eu) amando e envolvidos com aquelas melodias  lindas, irretocáveis, do gênio Burton Lane com letras de Yip Harburg. A falta de criatividade na direção, o cenário único e pobre, o fato de só usarem metade do palco, não estraga em nada o prazer de ouvir um dos mais lindos scores já escritos para o teatro até hoje.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você curte um espetáculo simples e onde a música é o principal atrativo, não perca.</p>
<p><strong>Claudio Botelho</strong></p>
<p><strong>Novembro 2009.<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Artigo Charles Möeller: &#8220;Temos Teatro com Homens&#8221; &#8211; Rodrigo Pandolfo</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 23:19:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[O Despertar da Primavera]]></category>
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		<description><![CDATA[Rodrigo Pandolfo no dia de sua audição e em cena, como Moritz, em &#8216;O Despertar da Primavera&#8217; Eu e Claudio tínhamos um combinado interno: Se não conseguíssemos nenhum Moritz, nenhum Melchior ou nenhuma Wendla, não faríamos o Despertar! Precisávamos que essa tríade fosse perfeita, pois era muito arriscado começar um projeto tão especial sem a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Panda-1-e-2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6898" title="Panda 1 e 2" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Panda-1-e-2.jpg" alt="Panda 1 e 2" width="506" height="262" /></a></p>
<h5 style="text-align: center;">Rodrigo Pandolfo no dia de sua audição e em cena, como Moritz, em &#8216;O Despertar da Primavera&#8217;</h5>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Eu e Claudio tínhamos um combinado interno: Se não conseguíssemos nenhum Moritz, nenhum Melchior ou nenhuma Wendla, não faríamos o Despertar! Precisávamos que essa tríade fosse perfeita, pois era muito arriscado começar um projeto tão especial sem a soma dos catetos. Ao mesmo tempo sabíamos que era uma missão quase suicida encontrar três jovens ainda desconhecidos que pudessem dar vida a três figuras trágicas wedekindianas e ainda cantar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Começamos a caça! E junto com o Myspace e Marcela Altberg,  começamos a garimpar essa tríade. Dentro dessa tríade há um personagem muito específico e especial, um garoto que, de tão sensível e tão especial, é visto por todos como aquele que deve ser eliminando para que darwinistamente a evolução das espécies continue: O que é forte sobrevive, o que é fraco desaparece: Moritz Stiefel</p>
<p style="text-align: justify;">Claudio, na caça de jovens talentos, foi ver  “Cine teatro limite”  e adorou o Rodrigo Pandolfo! Eu imediatamente liguei pro meu melhor amigo e diretor de teatro João Fonseca que teceu as melhores referencias possíveis a ele, mas me disse:  Só não sei se ele canta&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Tentei vê-lo três vezes e sempre dava uma coisa errada e quando consegui a peça não estava mais em cartaz. Parecia uma maldição!</p>
<h5><em>Rodrigo e Leticia Colin, nos bastidores do ensaio, no Tereza Rachel</em></h5>
<p><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/workshop_despertar57.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6900" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="workshop_despertar57" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/workshop_despertar57.jpg" alt="workshop_despertar57" width="462" height="326" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Chamamos ele pra audição, afinal já tinha o aval do João e do Claudio. Por alguma razão desconhecida , por um desentendimento raro de informações, alguém de nossa equipe entrou em contato com o Rodrigo e falou pra ele que estaríamos  o audicionando  pra Melchior! Passadas duas semanas, no primeiro dia de testes, Rodrigo chegou com uma barba por fazer de alguns dias e me pareceu velho pro papel! E quando abriu a boca cantou  Melchior e se saiu muito bem! Mas minha alma ansiava pra ouvi- lo no cantando Moritz. Entendemos ali que ele cantava e podia cantar, mas queríamos tê-lo ouvido em outro registro!</p>
<p>Não consegui esconder minha decepção e disse:</p>
<p>- Eu pensei que você ia cantar Moritz.</p>
<p>Ele imediatamente não escondeu a dele:</p>
<p>- Eu também! Achei que alguma coisa tava errada, mas&#8230;</p>
<p>Percebemos que tinha sido uma mancada nossa, mas aquilo nos deu uma ansiedade dobrada, tanto em nós como nele.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele realmente cantou muito bem e passou para a outra fase, mas nada indicava que ele faria o sonhado Moritz, até então&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Fomos pra segunda faze de testes! Já estávamos com uma pré-seleção de 500 candidatos. Víamos outras possibilidades de  Moritz e colocávamos na manga, e víamos alguns muito bons e tínhamos até boas esperanças como outros candidatos, como o brilhante Bruno Sigrist.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas era a hora e a vez de Rodrigo!  Ele apareceu na segunda fase com um carinha de garoto com a barba feita e com a música pronta e um olhar de Moritz. Foi assustador e um gol incrível: arrasou!</p>
<p style="text-align: justify;">E as cenas era uma mais maravilhosa que a outra&#8230; a cena eliminatória era Ilse emendando com a do suicídio! Ele fez na contramão de todos os outros candidatos: fez pequeno, minimalista e com uma divisão de tempo única, o que arrancou lágrimas da banca: finalmente tínhamos o nosso Moritz, o primeiro a fechar!</p>
<h5 style="text-align: right;"><em>Rodrigo e Pierre Baitelli nos bastidores do ensaio fotográfico</em></h5>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/workshop_despertar137.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6901" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="workshop_despertar137" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/workshop_despertar137.jpg" alt="workshop_despertar137" width="462" height="326" /></a>O <span style="color: #800000;"><strong>Pierre </strong></span>foi o último candidato do teste total. Já estávamos fechando e ele apareceu, trazido pela Marcela Altberg. Foi o nº 501. E realmente o Melchior era pra ser dele!</p>
<p style="text-align: justify;">A <span style="color: #800000;"><strong>Malu</strong></span> disputou até a última fase!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas o Pandolfo colocou no bolso de cara! E o elenco foi fechado em cima dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Falar do Pandolfo é falar do Brasil! Falava isso pra ele e pra Letícia: tudo que se planta dá! Esse tipo de ator é um perigo, pois tem tantas possibilidades e tudo que te apresenta é tão bom que ele é capaz de te convencer de uma idéia péssima e um pensamento errado, se ele assim o quiser&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Várias vezes ele me propunha coisas loucas e invariavelmente eu adorava, mas tinha que trazê-lo pros trilhos e ele vinha sem resistência, mas não sem antes entender nos mínimos detalhes o que eu queria! Ainda bem que eu estava bem seguro do que eu queria senão ele tinha me jantado com uma maçã na boca!</p>
<p style="text-align: justify;">Nosso processo sem pausas sem conversas e de corridos diários enlouqueciam ele!  Eu sabia disso. Quando dava uma brecha, ele vinha com um milhão de questionamentos e ansiedades e eu escutava, por cinco minutos, e voltávamos pro ensaio! Sabia que às vezes ele queria me matar, mas minha auto estima agüenta bem isso. E sou muito seguro no método desenvolvido e estava claro que ele estava tão inserido nisso, que seu corpo estava entendendo até mais rápido do que a mente!</p>
<p style="text-align: justify;">Não era um tortura involuntária. Queria que ele entendesse fazendo, não conjecturando, ainda mais num personagem nada cerebral como o Moritz, que é só emoção e sempre esta imerso nos seus próprios fantasmas e negações. Um menino que passa a vida dando satisfações a todos e até na morte se sente obrigado a dar satisfação aos anjos &#8211; como se ao morrer enfrentasse uma prova oral pra poder ter paz no limbo!</p>
<p>Concluindo em uma frase: <span style="color: #000000;"><strong>Rodrigo é um gênio</strong></span>!</p>
<p>Só os gênios têm o tamanho de interpretação que ele tem com a profundidade que ele tem! Vê-lo em cena é algo que me avassala sempre&#8230;</p>
<p>Lembro-me de que falei pra ele, quando marquei ‘Touch Me’:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC04573.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6903" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="DSC04573" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/DSC04573.jpg" alt="DSC04573" width="448" height="336" /></a>- Quando você  cantar LÁ VOU EU COMO UM BARCO, olha pra frente, pois você está na proa do barco à procura. SEM ESTRELAS, você olha lá pra direita e pra cima à procura da estrela guia e não acha&#8230; SEM FAROL: olha pra esquerda lentamente procurando o farol pra te dar um norte, mas ele não esta lá!</p>
<p style="text-align: justify;">Só disse isso pra ele uma vez e sempre que eu assinto eu vejo o olho dele à deriva, à procura da estrela guia e atravessando a nossa alma atrás do farol!</p>
<p style="text-align: justify;">Como ator é quase redundante dizer que adoro tudo nele! Mas como pessoa até seu mau humor eu amo, pois é muito engraçado.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando acabava um corrido ia falar com ele que eu tava adorando e ele  invariavelmente tinha odiado e sempre colocava as duas sobrancelhas pra baixo como um acento circunflexo e falava:  será? Eu não fui muito bem hoje, tô de mau humor, tô muito cansado e me desconcentrei&#8230; daí por diante.</p>
<p style="text-align: justify;">O nível de cobrança dele é insano! Só é equiparado ao do Pierre e ao da Malu  (só tem maluco nesse elenco) e olhe lá!</p>
<p style="text-align: justify;">E quando ele erra ele fica tão furioso consigo que a fúria vai inevitavelmente  vai pro Moritz. Outro dia ele quase bateu na Ilse , pois se atrapalhou na entrada do “Don´t Do Sadness”. Só ele percebeu, mas isso deu à cena seguinte uma ira incrível, no momento que ele diz:</p>
<p style="text-align: justify;">- Ilse você me assustou que merda!</p>
<p style="text-align: justify;">Ele quase deu um safanão na coitada&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E eu às gargalhadas com esse doido e encantador ator!</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Panda-031.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6904" style="margin-left: 10px; margin-right: 10px;" title="Panda 03" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/Panda-031.jpg" alt="Panda 03" width="448" height="353" /></a>O Rodrigo não é desses talentosos auto centrados que puxa pra ele o tempo inteiro. Qualquer ator com menos caráter pegaria um personagem como o Moritz e puxaria  o tapete de todos! O Rodrigo, muito pelo contrário, está atento a todos o tempo inteiro, jogando a peteca com suas duplas Pierre e Letícia, Carlinhos e Debora. Nos ensaios ele tinha um liderança natural e puxava o tempo inteiro pelos demais.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao contrário do que eu esperava, ele não tava muito preocupado com o canto não: nunca cantou, mas tirou de letra, não transformou isso em tabu: abriu a boca e mandou ver!</p>
<p style="text-align: justify;">Ele tava preocupado era com as cenas, com o todo, como resolver cada filigrana interna. Tinha uma ansiedade maluca pra ter todas as respostas na manga. E teve!</p>
<p style="text-align: justify;">Vi essa peça muitas vezes  pelo mundo. Vi no preview, com o elenco original, vi com o segundo elenco, com o terceiro, em Londres, Canadá, vi em vídeo a montagem japonesa.</p>
<p style="text-align: justify;">E sei que esse é um dos melhores elencos que já fez essa peça. Assino em baixo e já conheço muita gente que assina comigo!</p>
<p style="text-align: justify;">O rapaz que fez o Moritz original e que ficou anos em cima do personagem até sua estreia no off- Broadway, <span style="color: #800000;"><strong>John </strong></span><strong><span style="color: #800000;">Gallagher Jr</span></strong>, ganhou todos os prêmios,  inclusive o Tony. Era extraordinário, mas hoje revendo os vídeos e vendo o Rodrigo, sem nenhuma falsa modéstia e sem sombra de dúvida, o Panda dá de dez nele!</p>
<p>Rodrigo nasceu no mesmo dia de Frank Wedekind. Acho que isso já tem significados suficientemente mágicos! Mesmo Wedekind fazendo aniversário junto com ele, quem  ganhou o presente fui eu! Nem nos meus sonhos mais otimistas eu acharia que ia ter um Moritz como o Rodrigo.</p>
<p>Meu querido Moritz  Pandolfo Stiefel, muito obrigado por tudo que você fez por mim, por essa peça e por seus colegas!</p>
<p style="text-align: justify;">Você já é um dos maiores atores de musical que já trabalhei na vida e esse é apenas seu primeiro trabalho, enquanto que é o meu vigésimo segundo! O que me pergunto é: onde você vai parar? O que você vai fazer no dia que ficar bêbado, cair na neve, tomar absinto, brincar de índio e finalmente  estar  pronto?</p>
<p>Bravo, Pandolfo! Eu, o público e os anjos te aplaudimos&#8230;</p>
<h1>Charles Möeller</h1>
<h5 style="text-align: right;">Fotos: Leo Ladeira</h5>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
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		<title>Artigo Claudio Botelho: &#8220;Temos Teatro com Homens&#8221; &#8211; Pierre Baitelli</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Sep 2009 17:51:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Site Möeller &#38; Botelho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[O Despertar da Primavera]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;TEMOS TEATRO COM HOMENS&#8221; Assistindo ao Despertar no último domingo, em que nosso protagonista Pierre Baitelli subiu à cena com uma mão enfaixada e teve de fazer o espetáculo assim, tolhido de alguns movimentos, fui assaltado por alguns pensamentos que agora tento colocar aqui: O grande problema de você trabalhar com alguém como Pierre Baitelli [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/prim391.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-6791" title="prim391" src="http://www.moellerbotelho.com.br/wp-content/uploads/2009/09/prim391.jpg" alt="prim391" width="578" height="408" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong> &#8220;TEMOS TEATRO COM HOMENS&#8221;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">Assistindo ao Despertar no último domingo, em que nosso protagonista <span style="color: #800000;"><strong>Pierre Baitelli</strong></span> subiu à cena com uma mão enfaixada e teve de fazer o espetáculo assim, tolhido de alguns movimentos, fui assaltado por alguns pensamentos que agora tento colocar aqui:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O grande problema de você trabalhar com alguém como Pierre Baitelli num papel central é que você começa a achar que não vai conseguir fazer mais nada sem ele.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu tenho a idade de Maomé nesse negócio de musical e já vi de tudo. Mas nenhuma vez vi um ator (homem) tão maduro e capaz de enfrentar personagens complexos até conhecer Pierre. E isso se estende também para o nosso co-protagonista &#8211; <span style="color: #800000;"><strong>Rodrigo Pandolfo</strong></span> &#8211; mas vou ficar só no Pierre agora, pois Charles vai falar sobre o Rodrigo em outra oportunidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Os atores que se dedicam aos musicais, especialmente os homens, o fazem geralmente por terem uma especial habilidade no canto e gostarem do gênero. Muitos levam anos pra se tornar atores de verdade,  amadurecer e serem capazes de interpretar papéis que vão além de uma partitura de notas difíceis.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembro do meu queridíssimo <span style="color: #800000;"><strong>Fred Silveira</strong></span>, que é meu ídolo, começando no Les Miserables lá em 2001 e fazendo lindamente o Marius, num espetáculo sem uma única fala, tudo cantado. Fred levou um tempo até poder se exercitar e convencer como ator mesmo, sem que o &#8220;cantor&#8221; estivesse na frente. Hoje ele é tudo isso junto&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo posso dizer do <span style="color: #800000;"><strong>Saulo Vasconcelos</strong></span>, que entrou na carreira pelo mesmo viés da grande voz e atualmente a gente já o encara como um  ator/cantor, não apenas como um Caruso dos musicais. O que não dizer então do <span style="color: #800000;"><strong>André </strong></span><strong><span style="color: #800000;">Dias</span></strong>, que é um comediante de primeira linha, este sim já incrivelmente preparado pra aturar e cantar desde o Rent (que não assisti, mas soube de sua atuação fantástica), um espetáculo mal montado no Brasil. Acho que André teve a sua grande chance mesmo, sem dúvida, no AVENIDA Q, onde ele pode se colocar em cena como protagonista num espetáculo à altura do seu talento que é incomensurável.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas voltando ao Pierre: o que me deixa boquiaberto todos os dias é que, até onde eu sei, esse menino tem 25 anos. Não tem carreira ligada aos musicais, não é daqueles como nós que vive em função de se preparar para um grande papel na próxima produção da CIE (é uma metáfora, tá?). E o cara chega e transforma o Melchior no que ele realmente é: um Hamlet adolescente. E mais que isso: canta!!! Não há nada que eu tenha pedido a Pierre nos ensaios que ele não tenha conseguido fazer. Imagino que ele tenha se achado menos lapidado para o canto no início do processo, mas isso foi sendo embrulhado pelo todo e agora a voz está toda lá, cheia de nuances e com uma força incrível.</p>
<p style="text-align: justify;">Difícil distinguir onde está a frente artística: no canto ou na interpretação? Toda vez que assisto ao espetáculo fico me perguntando: como é que eu vou fazer alguma coisa sem ele daqui por diante? Ele pode ser o (&#8230;, mistério) no nosso musical do ano que vem. Ele pode ser o (&#8230;, mais mistério) no musical que compramos há pouco. Ele é o que eu precisava para o (&#8230;, mais mistério ainda) pra ser o principal do musical que estamos escrevendo e será o número dois na trilogia do iniciada com &#8220;7&#8243;.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu entusiasmo com ele é pelo fato de achar que, com o DESPERTAR DA PRIMAVERA, alcançamos uma maturidade no teatro musical brasileiro que ainda não tinha sido vista com atores/cantores homens. Inclusive porque não tivemos no Brasil espetáculos onde os papéis masculinos pudessem ser testados desta forma, ou os que tivemos – na minha modesta opinião – deixaram a desejar nessa parte.</p>
<p style="text-align: justify;">Não quero (e não posso) ser injusto com <span style="color: #800000;"><strong>Daniel Boaventura</strong></span>, <span style="color: #800000;"><strong>Sandro Christopher</strong></span>, <span style="color: #800000;"><strong>Claudio Lins</strong></span>, <span style="color: #800000;"><strong>Alexandre </strong></span><span style="color: #800000;"><strong>Schumacher</strong></span>, <span style="color: #800000;"><strong>Marcos Tumura</strong></span>, e muitos outros, que são grandes atores/cantores, mas que são todos “de musical”, fazem isso há anos, praticamente começaram na carreira fazendo musicais.</p>
<p style="text-align: justify;">Alguns desses lideraram montagens recentes de musicais, algumas relativamente corretas, outras equivocadas do ponto de vista artístico, mas sem dúvida eles se destacaram e cresceram em suas carreiras. Mas nem todos tiveram pela frente um material dramático/musical tão denso quanto a dupla Melchior/Moritz propõe. A maturidade a que chegamos com este espetáculo, com este elenco, e em especial com a chave de ouro que são os dois protagonistas masculinos – é definitiva.</p>
<p style="text-align: justify;">O teatro musical no Brasil sempre foi lugar de mulheres. Desde <span style="color: #800000;"><strong>Bibi Ferreira</strong></span>, passando por <strong><span style="color: #800000;">Claudia Raia</span></strong>, <strong><span style="color: #800000;">Claudia </span><span style="color: #800000;">Netto</span></strong>, <span style="color: #800000;"><strong>Soraya Ravenle</strong></span>, <span style="color: #800000;"><strong>Marya Bravo</strong></span>, entre tantas outras, sempre foi facílimo escalar protagonistas femininas para os espetáculos.</p>
<p style="text-align: justify;">O problema sempre foram os homens. Muitas vezes, recorre-se a um ator que pode fazer a parte dramática, mas não pode cantar. Ou vice versa. Muitas vezes você baseia uma produção inteira num ator que não tem a idade do papel, e aí&#8230; você afunda. E a verdade é que os grandes clássicos onde há grandes papéis masculinos não têm sido escolhidos pelos produtores brasileiros para chegar à cena.</p>
<p style="text-align: justify;">Um exemplo típico do que era musical por aqui há 40 anos é a escalação de <span style="color: #800000;"><strong>Paulo Autran</strong></span> na montagem de MAN OF LA MANCHA. O papel foi feito pela metade no Brasil, pois toda a parte cantada ficou pra escanteio. Papel criado pelo grande Richard Kiley na Broadway, um ator/cantor de primeiríssima linha, foi aqui apenas recitado (pelo também genial Paulo Autran, um ator tão bom que fez todos acreditarem que o personagem era assim, recitado mesmo). Isso para não citar alguns descalabros recentes, coisas que estiveram recentemente em, de papéis importantes masculinos feitos com deboche e absoluta falta de senso por gente que, definitivamente, não é de musical, é de outro ramo diferente do nosso.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu trabalho de modo bissexto como ator, atualmente muito mais coisa do passado do que bissexto realmente. Fiz um Company no teatro Vila Lobos numa época em que os musicais engatinhavam e só tínhamos tido mesmo Les Miserables como um musical da Broadway montado com alguma dignidade por aqui. Eu fazia o papel central, Bobby, que falava quase nada, cantava muito e ficava em cena vendo os “coadjuvantes” se engalfinharem até um break-down final. Eu estava ali porque era o dono do projeto e tinha o sonho e a vontade olímpica de encenar Sondheim no meu país. Mas tenho certeza de que, houvesse na época uma espécie de Pierre Baitelli com a idade certa (35 anos) para o papel, aquele Bobby teria sido defendido com muito mais verdade e profundidade do que o foi por mim. Isso nem é um surto de falsa modéstia, é uma constatação. Eu só estive naquele papel naquele momento porque eu era o cara de musical que tava ali pra fazer aquilo, era uma aposta minha, e o espetáculo em si era muito mais importante do que eu. Mas daqui a 10 anos podemos pensar em ter Pierre à frente de um novo COMPANY, ele é o Bobby que pode dar nova vida à peça quando for o tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">Por enquanto, é tempo de reverenciar esse salto no nosso teatro: Pierre , à frente deste elenco inusitadamente jovem, é motivo de comemoração. Chegamos num lugar diferente. Cada novo espetáculo é um novo salto, um novo desafio, uma nova chance pra nós mesmos – especialmente nós, Moeller &amp; Botelho, que nunca vamos atrás da corrente, que não baseamos nossos sonhos nas vitórias dos outros, que não fazemos repertório tentando tirar uma casquinha do que já foi feito e provado por aí a fora. Pelo contrário, tudo o que fizemos até hoje em teatro musical foi – bom ou ruim – novidade pra nós mesmos, pura novidade. E o patamar de O DESPERTAR é esse: musical também é um artigo masculino, tempo de astros, além das estrelas.</p>
<h4><strong> Claudio Botelho</strong></h4>
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