Claudio Botelho mostra em primeira mão, no Blog do Xexéo, a versão brasileira da música “Aquarius”, de Hair.
julho 28, 2010 by Site Möeller & Botelho
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O diretor Claudio Botelho divulgou, em primeira mão, no Blog do jornalista Artur Xexéo, de O Globo, a versão brasileira da música “Aquarius”, do musical ‘Hair’, que estreia em outubro, no Teatro Oi Casagrande (RJ).
Confira como ficou a versão:
O Despertar da Primavera – Encerramento da Apresentação de 12/07
julho 16, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Veja um vídeo com os aplausos do espetáculo de ‘O Despertar da Primavera‘ de 12/07/10 (Teatro Shopping Frei Caneca / SP), que marcou a estreia de Felipe Tavolaro como Melchior:
Fonte: Canal Ikeda TV (YouTube).
A Rainha-Mãe
julho 14, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Totia Meireles brilha como a matriarca de Gypsy, na versão nacional do musical que chega a SP dia 23
O Estado de São Paulo – Ubiratan Brasil – 14/07/10
O produtor teatral David Merrick folheava a revista Harper”s quando ficou boquiaberto com um artigo: era um capítulo do livro de memórias da lendária stripper Gypsy Rose Lee, publicado naquele mesmo ano de 1957. Trata-se de uma história extraordinária, sobre a menina que, ao lado da irmã, era empurrada pela mãe obsessiva para uma improvável carreira de sucesso no teatro de vaudeville, mas, por conta das circunstâncias, tornou-se famosa em “shows para adultos”. De posse do material, Merrick convocou uma trinca de ouro (o escritor Arthur Laurents, o diretor e coreógrafo Jerome Robbins e o compositor Stephen Sondheim), que já grafara seu nome na história da Broadway dois anos antes com o clássico West Side Story, para criar um grande musical. Assim nasceu Gypsy, que se tornou eterno já em sua estreia em 1959 e cuja versão nacional chega ao Teatro Alfa a partir do dia 23, em uma realização da Aventura Entretenimento.
“Era um clássico que há anos pretendíamos montar no Brasil”, conta o diretor Charles Möeller, responsável pela montagem ao lado de Claudio Botelho. “E, por se tratar de um dos maiores espetáculos da história da Broadway, encaramos como o maior desafio da nossa carreira.” Não é exagero – durante cerca de três horas, a trajetória da mãe e suas duas filhas em busca do glamour é pano de fundo para apresentar a profunda mudança de perfil do show biz americano durante a Grande Depressão, iniciada nos anos 1930, quando o vaudeville e seus espetáculos mais ingênuos perderam espaço para o burlesco, com seu traço mais erótico.
Curiosamente, essa modificação não é revelada com a ascensão de Gypsy, a menina sem graça que se transforma na mulher que passa a ter os homens a seus pés, mas a partir da trajetória da inescrupulosa matriarca, Mamma Rose, cujo sonho de glamour para as filhas se transforma em frustração. É justamente esse detalhe que foi decisivo na carreira do musical – para o temido crítico de teatro do New York Times, Frank Rich, Gypsy seria “a resposta do teatro americano a Rei Lear, de Shakespeare”. Para ele, se Lear vive uma relação conturbada com suas três filhas, Mamma Rose (aqui interpretada por Totia Meireles) não se cansa até transformar uma de suas filhas – inicialmente June (Renata Ricci) e, depois, Louise/Gypsy (Adriana Garambone) – em uma grande estrela do teatro de variedades. E, no final, tal qual Lear, a mãe sente-se abandonada.
Para representar um furacão como Mamma Rose, portanto, era preciso uma atriz de qualidades elásticas. Na estreia americana, em 1959, a dinastia foi iniciada pela voz potente de Ethel Merman, seguida de Angela Lansbury, Rosalind Russell, Betty Midler, Tyne Daly, Bernadette Peters até chegar a Totia Meireles, surpreendente a cada segundo que está em cena – com um senso de humor que une simpatia e aspereza, uma forte entonação que magnetiza a atenção do espectador e, principalmente, uma voz potente e cristalina capaz de reproduzir todos os meandros das letras de Sondheim e a melodia de Jule Styne, Totia assume características das grandes personagens femininas da escrita mundial (o tormento de Blanche Dubois, o sonho frustrado de Bernarda Alba, a ambição de Lady Macbeth) para transformar Mamma Rose em um personagem sagrado.
“É uma mulher tragicômica, que permite ousadias na interpretação”, conta ela, que precisou fazer corrida e a musculação para garantir o fôlego necessário para as canções e o turbilhão de frases disparadas por Mamma Rose. “Mais que o físico, minha preocupação era com o cansaço vocal, pois temia chegar sem voz na apresentação de domingo à noite.” Assim, começou a exercitar as cordas vocais a fim de mantê-las intactas até a última sessão da semana – e, durante a temporada de sucesso no Rio, Totia não decepcionou nenhuma vez, a ponto de ser indicada para o prêmio de Shell de teatro na categoria de atriz, junto de Marcelo Pies (figurino) e a dupla Flávio Salles e Janice Botelho (remontagem, adaptação e criação das coreografias).
Humor. Tamanha dedicação é necessária. Afinal, segundo Claudio Botelho, Gypsy é uma das obras mais sólidas da dramaturgia musical jamais escritas. “E, mesmo que apenas como letrista, Sondheim deixa ali sua assinatura”, comenta. “São letras cínicas, ferinas, de um humor cortante e, sobretudo, de uma paixão avassaladora pelos personagens a que servem. Em Gypsy, Sondheim esbanja sua juventude como letrista genial e subverte toda e qualquer expectativa do ouvinte com rimas jamais tentadas na língua inglesa e soluções poéticas que o tornaram definitivamente o maior letrista do teatro musical americano dos últimos 50 anos.”
Charles Möeller lembra também que o musical brinca com símbolos sagrados americanos como a águia e Tio Sam. “E ainda apresenta a mãe como uma mulher amorosa mas sem escrúpulos. Um verdadeiro escândalo na década de 1950.”
QUEM É STEPHEN SONDHEIM
LETRISTA
Nascido em 1930, começou jovem como autor das letras de musicais clássicos como West Side Story (1957) e Gypsy (1959). Logo, se tornou um dos mais completos e conhecidos autores do musical americano, criando outras obras renomadas como Company (1970) e Into The Wood (1987), que também será montado no Brasil.
‘Gypsy’ concorre a três Prêmios Shell de Teatro do Rio de Janeiro
julho 12, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Foto: Robert Schwenck
Foi divulgada nesta segunda, 12/07, a lista dos indicados à 23ª edição do Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro. A lista abrange peças que estrearam no primeiro semestre do ano.
‘Gypsy – O Musical’ recebeu três indicações: Pela atuação feminina está na disputa Totia Meireles e por melhor Figurino concorre Marcelo Pies. O espetáculo ainda foi indicado na Categoria Especial (Flavio Salles e Janice Botelho) pela remontagem, adaptação e criação das coreografias.
Os espetáculos selecionados nesta primeira fase estrearam no Rio de Janeiro entre janeiro e junho de 2010.
Parabéns a Gypsy!
Público comemora volta do Despertar a São Paulo
julho 8, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Atendendo a inúmeros pedidos do público, que chegou a fazer campanhas na Internet, em blogs e redes sociais, o musical ‘O Despertar da Primavera’ reestreia em São Paulo, a partir deste sábado, 10/07, no Teatro Shopping Frei Caneca.
A volta do espetáculo dirigido por Charles Möeller & Claudio Botelho, e com produção da Aventura Entretenimento e da Divina Comédia vem agitando as redes sociais.
Os fãs do musical têm se mobilizado para rever o Despertar (há quem tenha visto 24 vezes) e para conferir as novidades dessa temporada – Bruno Sigrist assumirá o papel de Moritz, no lugar de Rodrigo Pandolfo, e Felipe Tavolaro fará sua estreia como Melchior, interpretando o personagem em algumas sessões.
“Adorei a notícia. A peça merecia essa volta. O jeito repentino e às pressas que acabou não tinha sido justo com ninguém. Merecia ficar ainda mais tempo em cartaz! Quero ver pelo menos mais uma vez antes de acabar, pois a viagem e distância complicam um pouco”, diz Alene Botareli, 22 anos, que mora em Santo Antônio da Platina, no Paraná. Ao todo, ela viu o Despertar 11 vezes: sete em São Paulo e quatro no Rio.
“Achei espetacular… nunca fiquei tão empolgado assim com uma peça de teatro. É lógico que vou assistir de novo, afinal musical é minha paixão”, revela Eric Côco, 18 anos, morador de São Paulo e sete vezes no Despertar.
O também paulistano Caio Lopes, 16 anos, viu o Despertar uma vez no Rio e quatro no Sérgio Cardoso. “O que realmente acho pouco. Quero ir mais”, diz. Segundo Caio, uma das coisas que o motiva a ver o musical de novo é o fato de Bruno Sigrist fazer Moritz: “Eu não cheguei a ver o Bruno fazer o Moritz, e como falaram muito bem, quero assistir. Ainda bem que conseguiram acertar com o patrocínio novo, porque é um espetáculo e tanto! Com certeza pretendo ir mais vezes! É tudo muito maravilhoso, em todos os sentidos: o elenco, as músicas, a história, os personagens, a luz, o cenário...”
Bruno Z. Lanfranchi, que não é de São Paulo, mas reside na cidade para fazer faculdade, assistiu sete vezes e ficou feliz com a reestreia: “Achei a volta do despertar uma oportunidade incrível de indicar para mais pessoas verem! Sempre que eu indicava, a pessoa voltava e me agradecia! E pretendo sim ver mais umas quatro ou cinco vezes para levar quem não viu. Tudo desculpa pra eu ver de novo!”, brinca Bruno.
“A volta do Despertar foi um presente maravilhoso e uma grande surpresa”
Outro que está feliz com a efetivação de Bruno como Moritz é o radialista Guilherme Udo, 22 anos, que viu o espetáculo 19 vezes no Sérgio Cardoso.
“Pretendo ver de novo sim, na verdade, já tenho garantidas a reestreia e mais três sessões por aqui. Vale a pena conferir o Bruno como Moritz (vi na temporada anterior e ele arrasa!) e estou ansioso para conferir o Tavolaro de Melchior na segunda, dia 12”, diz Udo, assíduo espectador de musicais. “Adorei a volta do Despertar porque ela prova que o público valorizou a peça aqui em São Paulo e tudo que é bom deve ter vida longa. Melhor ainda é voltar com o patrocínio de uma empresa e em um teatro tão bom quanto o Frei Caneca. Essa volta representa a saciedade ao gostinho de quero mais que o público e o elenco ficaram da temporada anterior”, afirma.
Amiga de Udo, Wilma, 23 anos, o superou na primeira temporada – assistiu 23 vezes. E já garantiu seu ingresso para a reestreia: “Acho que a volta do Despertar é muito boa, porque no último dia do Sérgio ficou a vontade de ter mais tanto do público quanto do elenco. Acho que no Frei Caneca vai ficar ainda melhor por conta da qualidade do teatro”.
“A volta do Despertar foi um presente maravilhoso e uma grande surpresa, pois fui à última apresentação, em cinco de maio, e quando fui parabenizar os atores, a protagonista Malu Rodrigues me garantiu que a peça não voltaria porque não haviam conseguido patrocinador. De certa forma foi melhor assim, a surpresa da notícia tornou a volta do Despertar ainda mais esperada. E sim, com certeza pretendo ver de novo. Lamento o fato de Rodrigo Pandolfo ter saído do elenco, mas verei pelo menos mais três vezes: na estreia (que inclusive já comprei ingresso), na última apresentação de agosto e quando mais eu puder”, garante a paulistana Gabriela Gaby, 17 anos, que viu a peça sais vezes na outra temporada.
Mas houve quem ficasse frustrado com a saída de Rodrigo Pandolfo do elenco, como no caso de Debora Helen, 32 anos. “Adorei a volta do Despertar e vou ver de novo mas confesso que cheguei pensar não ir ver porque o Rodrigo Pandolfo não esta mais no elenco…Mas vou ver sim para conferir como o substituto dele se sai”, revela.
Quem só viu uma ou duas vezes também quer voltar…
Nem todo mundo conseguiu assistir o Despertar muitas vezes. Jader Francis, 27 anos e morador de Indaiatuba, interior de SP, viu o musical apenas uma vez no Sérgio Cardoso, e na última semana da temporada. Por isso mesmo deseja retornar: “Tinha ficado triste pelo fim e o fato de eu não poder ir de novo. Me apaixonei pelo espetáculo, e achei incrível a volta, essa oportunidade de poder ver pelo menos mais uma vez. Pretendo sim ir mais vezes e também levar uma galera aqui da cidade que ta louca pra ver”, assegura.
Já o jovem Edmar, 16 anos, que de tão fã de Letícia Colin adotou seu sobrenome, mora em Francisco Morato (próximo a Jundiaí) e por esse motivo só viu o espetáculo duas vezes. “Para chegar ao Sérgio Cardoso eram duas horas de viagem e a CPTM parava os trens à meia noite e assim não tinha como eu voltar pra casa”. Edmar foi um dos que vibraram com a possibilidade de rever o Despertar e, em especial, sua musa Letícia Colin: “Acompanho o trabalho dela desde Floribella e fiquei muito feliz com isso! Pretendo ir mais vezes, pois os horários batem com os meus. Desta vez, o musical não termina tão tarde como no Sérgio Cardoso. O Despertar me fez conhecer muitas pessoas legais e não vou deixar de prestigiar esse maravilhoso musical”.
Não foi só público jovem que comemorou a volta do Despertar
Cultuado por um público em sua predominância formado por adolescentes e jovens, O Despertar da Primavera atraiu também outras faixas etárias, que também comemoraram o retorno do musical a São Paulo.
O paulistano Dennys Távora, por exemplo, tem 47 anos e é um dos maiores fãs do espetáculo – viu 17 vezes no Sérgio Cardoso.
“Fiquei muito feliz com a volta do Despertar, pois aguardei durante muito tempo o início da temporada paulistana e estava um tanto frustrado por ela ter durado apenas oito semanas. Apesar de aproveitá-lo ao máximo, já que assisti o Despertar 17 vezes, achava que um espetáculo de tamanha qualidade merecia ficar mais tempo em cartaz na cidade. Por isso, é imensa a minha satisfação com a nova temporada. Sem dúvida verei de novo o Despertar, e por várias vezes. Já tenho ingressos para as seis primeiras apresentações, que são as disponibilizadas para venda até agora. É possível que eu perca apenas o espetáculo do dia 23 de julho, quando assistirei a estréia de Gypsy. Sou apaixonado pelo Despertar. Quanto mais vezes o assisto, mais cresce essa paixão”, afirma Dennys, lembrando que será bom reencontrar os amigos que fez durante a primeira temporada. “São amizades construídas a partir do Despertar e por causa dele, tornando este musical ainda mais especial para mim”.
Já o carioca Wilson Coelho, 48 anos, não chegou a ver a peça no Sérgio Cardoso, apenas no Villa-Lobos, mas elogiou sua volta: “Acredito que voltou porque o público quis, e isso é algo que vários empresários não enxergam. A direção e a produção souberam ouvir e atender aos pedidos. No Brasil não há espaço para se manter uma peça por anos em cartaz, não existe essa cultura, mas acho que vocês estão percebendo que podem mudar o rumo. Temos dois grandes eventos nos próximos seis anos no país e seria uma grande oportunidade para que o mundo visse a cultura que temos”.
Fãs cariocas vão a São Paulo rever o Despertar
Não foram só os paulistas e paulistanos que celebraram a volta do Despertar. Alguns fãs do Rio também já começam a se organizar para rever as peripécias de Melchior, Wendla, Moritz, Ilse & Cia.
Bel Bonotto, 22 anos, é uma delas. Residente no Rio, ela viu a peça quatro vezes no Sérgio Cardoso. “Achei ótimo para o musical, pois essa produção merece uma nova chance. Pretendo voltar sim”, diz.
Sua amiga, Beatriz Mello, 16 anos, viu o Despertar quatro vezes em São Paulo e mais 12 vezes no Villa-Lobos. Bia revela que irá de novo a Sampa ver a peça: “A volta do Despertar foi uma coisa maravilhosa! Mesmo se eu não pudesse ir para São Paulo de novo, teria adorado… afinal, o que nós amamos, queremos que dure para sempre! Irei de novo para SP no meu aniversário, para ver a peça mais duas vezes”.
Recordista pretende voltar
Um dos recordistas no Despertar – 24 vezes no Sérgio Cardoso – Louis Vidovix, 19 anos, também ficou feliz com a reestreia do musical e pretende aumentar seu número de apresentações.
“Fiquei muito feliz porque foi algo pelo que nós, fãs, torcemos muito e incentivamos. A volta no mês de férias é uma maravilha, porque amigos de outras partes do Brasil pra quem eu tinha recomendado poderão vir a SP assistir. Vou ver novamente, é claro, acompanhando esses amigos e apresentando mais e mais gente ao Despertar. Tb verei porque um grupo que vai sempre ao Despertar, assim como eu, formou uma amizade muito bacana e é sempre gostoso quando todo mundo se encontra. Mas principalmente verei mais vezes porque, não importa o quanto veja, é um musical que nunca vai falhar em me emocionar”, finaliza.
“Aquela Canção do Roberto será Mamma Mia brasileiro”
julho 6, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Deu na Coluna Gente Boa (O Globo) de hoje sobre o musical da dupla Möeller & Botelho em homenagem a Roberto Carlos:
Claudio Botelho antecipa planos de musical sobre Roberto Carlos
julho 1, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Mal terminam as comemorações dos 50 anos de carreira de Roberto Carlos, lá vêm os eventos dos seus 70 anos de vida
As comemorações de 50 anos de carreira de Roberto Carlos parecem não ter fim. Desde abril de 2009, quando o compositor iniciou a turnê em seu pequeno Cachoeiro do Itapemirim, foram 52 shows – no ano passado, a média bateu quase uma apresentação por semana, de norte a sul, leste a oeste do Brasil. Este ano, Roberto já embarcou em seu tradicional cruzeiro marítimo lotado de fãs, viajou aos Estados Unidos, ao México, ao Canadá. Inaugurou uma exposição sobre si mesmo no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e tem shows agendados na Costa Rica, em El Salvador, na Guatemala e na Colômbia.
Ainda não acabou. No ano que vem, o pai da Jovem Guarda completa 70 anos. E começa tudo de novo. Além de ser tema do samba-enredo da Beija Flor de Nilópolis, Roberto inspirou o projeto de uma superprodução teatral da dupla Claudio Botelho e Charles Möeller, responsáveis por grandes sucessos como A Noviça Rebelde e Beatles num Céu de Diamantes. A ideia deles não é encenar uma biografia, mas construir um espetáculo a partir de suas canções. Nesta entrevista, Botelho antecipa alguns planos.
Qual será o formato do espetáculo sobre Roberto Carlos?
“Há diversas opções. Desde uma revista musical, nos moldes de Beatles, em que as canções são ligadas por um tênue fio condutor, até uma trama, sem ligação com a biografia de Roberto, na qual as músicas ajudam a contar a história. Uma referência é Mamma Mia (com músicas do grupo Abba). Realmente ainda não decidimos. Estamos curtindo todas as possibilidades.
Como diretor, que canção acha que não pode faltar no musical?
De Tanto Amor, em parceria com Erasmo Carlos. Uma gravação clássica de Claudette Soares fez com que eu me apaixonasse por essa música há anos. Minha preferência pessoal não é o principal critério, mas como sou o diretor e este é um clássico, acho bastante provável que esteja no repertório.
Quantas músicas devem entrar?
Depende do formato. Um musical como Beatles num Céu de Diamantes comporta 50 canções. Um musical com diálogo e trama pode ter entre 25 e 30.
Qual será a proporção de músicas mais e menos conhecidas?
Não há como fugir dos clássicos. Eles são uma alegria para o público, que espera ouvi-los. Mas acho que o grande barato de uma produção como a nossa será misturar músicas bastante famosas com outras, menos difundidas, que o público descobrirá no decorrer do espetáculo.
A fase da Jovem Guarda terá tanto peso quanto as canções românticas?
A Jovem Guarda é ótima, pois tem muito humor a ser explorado. Certas canções do Roberto são divertidas, têm muita graça mesmo. Isso é fundamental em teatro. O romantismo, marca registrada dele, certamente estará em cena. Penso que o que dificilmente estará em cena são as canções de natureza religiosa. Mas há algumas geniais, de puro rock’n’roll, como Jesus Cristo, que prometo tentar colocar de alguma forma no projeto. Essa canção, mesmo para mim, que sou agnóstico, é sensacional.
Enquete
Que música não pode faltar em um musical sobre Roberto Carlos?
Ivete Sangalo, Luciano Huck e Fernanda Montenegro, entre outros, opinam sobre repertório.
André Gomes
Roberto Carlos vai ser tema de um musical dirigido pela dupla Claudio Botelho e Charles Möeller. O repertório ainda não está fechado, mas os diretores apostam que farão uma mistura de clássicos do “Rei” com músicas menos badaladas. Quais delas não podem faltar? VEJA.com perguntou a sete famosos.
Ivete Sangalo
A cantora baiana lembra que sua mãe cantava o repertório inteiro de Roberto. “Ele é, e sempre foi, uma forte referência dentro da minha casa. Botões da Blusa foi meu hit.”
Luciano Huck
O apresentador recorre aos anos 1970, época de composição de sua canção predileta no repertório do ‘Rei’: Música Suave.
Wanderléa
A amiga de Roberto Carlos nem pestaneja ao escolher Quero que Vá Tudo pro Inferno. “Foi um hino da juventude na nossa época, era uma brincadeira, nunca fez mal a ninguém.”
Domingos de Oliveira
O diretor de teatro escolhe um verso, mais do que uma canção: “Seu Corpo tem pelo menos um ótimo verso: ‘e continua a viagem, no meio dessa paisagem onde tudo me fascina’”.
Adriana Calcanhotto
A cantora gaúcha não consegue escolher uma única canção. Mas diz que entre suas preferidas estão Eu te Amo Tanto e A Mulher que eu Amo. “Acho bacana que ele continue compondo de um jeito lindo, simples, direto”, diz a cantora.
Fernanda Montenegro
A atriz é simples e direta: “Emoções”.
Fonte: Veja online.
E para você? Que música não pode faltar no espetáculo em homenagem a Roberto Carlos?
O Despertar da Primavera reestreia em São Paulo
julho 1, 2010 by Site Möeller & Botelho
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O Despertar da Primavera volta a São Paulo em curta temporada!
Um dos espetáculos mais bombados do ano em São Paulo volta a ficar em cartaz a pedidos do público, que fez uma intensa campanha por sua prorrogação (Fica Despertar) em blogs e mídias sociais. O musical O Despertar da Primavera, dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho, reestreia neste sábado (10) no Teatro Shopping Frei Caneca, no Shopping Frei Caneca. A produção é da Aventura Entretenimento e da Divina Comédia
É a segunda vez que a montagem brasileira da peça – escrita pelo dramaturgo alemão Frank Wedekind em 1891 e musicada há quatro anos por Duncan Sheik e Steven Sater nos Estados Unidos, onde venceu oito prêmios Tony – é apresentada em São Paulo. Na anterior, ficou em cartaz de março a maio deste ano; antes, foi exibida no Rio de Janeiro, com grande sucesso de público e crítica, por seis meses.
Serviço:
TEATRO SHOPPING FREI CANECA
Rua Frei Caneca, 569 – 6º andar – Consolação
Informações: (11)3472.2226/ 2229/2230
Estação do Metrô: Consolação
Estreia dia 10 de Julho
Temporada:
De 10 a 19 de julho (10, 11, 12 / 17, 18, 19): Sábado 18h, domingo 20h, segunda 20h30
De 23 de julho a 15 de agosto (23, 24, 25 / 30, 31, 1 / 6, 7, 8 / 13, 14, 15): Sexta 21h, sábado 21h, domingo 18h
Sábado: 18h00
Domingo: 20h00
Segunda-feira: 20h30
Ingressos:
Sábados e domingos R$ 70,00 (inteira) e R$ 35,00 (meia)
e Segundas R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia);
Classificação etária: 14 anos
Lotação: 600 lugares
Horário da Bilheteria:
Terça a domingo, das 13 às 19h ou até o inicio do espetáculo, quando houver.
Vendas pela internet: www.ingressorapido.com.br
Vendas pelo telefone: 4003-1212
Cartões: Todos (menos Hipercard)
As compras de ingressos também poderão ser feitas através do site
www.ingressorapido.com.br ou pelo telefone (11) 4003.1212 com taxa de
conveniência sobre o valor de face de cada ingresso.
O DESPERTAR DA PRIMAVERA
Música de Ducan Sheik
Texto e Letras de Steven Sater
Baseado na obra de Frank Wedekind
DIREÇÃO: Charles Möeller
VERSÃO BRASILEIRA / SUPERVISÃO MUSICAL: Claudio Botelho
DIREÇÃO MUSICAL: Marcelo Castro
COREOGRAFIA: Alonso Barros
CENÁRIO: Rogério Falcão
FIGURINOS: Marcelo Pies
VISAGISMO: Beto Carramanhos
DESIGN DE LUZ: Paulo César Medeiros
DESIGN DE SOM: Marcelo Claret
COORDENAÇÃO ARTÍSTICA: Tina Salles
ELENCO
Malu Rodrigues
Letícia Colin
Pierre Baitelli
Bruno Sigrist
Thiago Amaral
Débora Olivieri
Eduardo Semerjian
Com:
André Loddi
Clara Verdier
Danilo Timm
Eline Porto
Estrela Blanco
Felipe de Carolis
Felipe Tavolaro
Gabriel Falcão
Laura Lobo
Lua Blanco
Mariah Viamonte
Thiago Marinho
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Aniela Jordan e Luiz Calainho
PRODUTOR ASSOCIADO: Sergio Ajzenberg
UM ESPETÁCULO DE Charles Möeller & Claudio Botelho
Participe do Grupo oficial do Despertar da Primavera no Facebook: http://www.facebook.com/group.php?gid=111446464802&ref=ts
‘Gypsy’ encerra temporada no Rio com chave de ouro
junho 28, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Madame Rose diria: “Foi um estouro!”
Sim, a temporada carioca de ‘Gypsy‘, dirigido por Charles Möeller & Claudio Botelho, foi um estouro! Um sucesso de público (casa lotada do primeiro ao último dia), de crítica e de produção – toda a equipe de Möeller & Botelho e da Aventura é só elogios ao elenco do espetáculo.
Neste domingo, 27/06, as cortinas de ‘Gypsy’ se fecharam no Rio (abrirão em São Paulo em julho) com direito a discursos, agradecimentos e lágrimas nos bastidores.
A tradicional rodinha do elenco e da produção estava imensa – reuniu atores, músicos, técnicos, equipe e os diretores Charles e Claudio.
O elenco infantil, se despedindo do espetáculo neste domingo, preparou uma cartinha lida por Pedro Aguiar. Na carta, eles agradeceram a todos e pediram desculpas pelos ‘transtornos’ que causaram (levando às gargalhadas o elenco e direção). Também prestaram uma homenagem especial à Gabi Calainho, e desejaram sucesso à temporada paulista.
Matheus Costa também falou, ressaltando que não estava dizendo adeus, mas um até logo: “Não queria falar em adeus, nem tchau, mas sim até o próximo trabalho”, disse ele, sendo muito aplaudido.
Thayani Campos e Hannah Zeitoune também fizeram seus agradecimentos, principalmente a Charles e Claudio por terem apostado nelas.
O diretor Charles Möeller encerrou os discursos citando o “até logo” de Matheus Costa e elogiando o elenco de ‘Gypsy’, segundo ele um dos mais profissionais com quem a dupla já trabalhou. Charles lembrou ainda que muitos desacreditavam no sucesso de ‘Gypsy’ e que sentia orgulho desse ser um de seus trabalhos de maior êxito.
Crianças entram juntas ao final do espetáculo
Ao final do espetáculo, o público teve uma surpresa especial: todas as 14 crianças de ‘Gypsy’ entraram no palco para agradecer. Elas fizeram uma coreografia ensaiada por Tina Salles e Ana Paula Abreu na tarde de ontem. Assim, não só a Baby June e a Baby Louise do dia puderam ser aplaudidas, mas todas as meninas e os meninos.
Na saída, as mães esperavam com lágrimas nos olhos e flores. Foi um momento de bastante emoção, carinho e abraços. Ah, claro, com direito a muitas fotos!
‘Gypsy’ encerrou sua temporada no Rio com muito profissionalismo, sucesso e emoção. Até São Paulo!
Veja mais fotos do encerramento de ‘Gypsy’ no Rio:
Fotos: Leo Ladeira. © Copy Right: Site Möeller Botelho.
Colaboração: Claudia Zeitoune
Vídeo: Homenagem à Temporada Carioca de ‘Gypsy’
junho 27, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Vídeo do Site Möeller & Botelho e do Blog de Gypsy – O Musical em homenagem ao encerramento da bem-sucedida temporada de ‘Gypsy‘ no Rio de Janeiro.
Parabéns à direção, produção, equipe técnica, elenco e todos que participaram direta ou indiretamente desse grande sucesso!
Junho – 2010.
Entrevista de Charles Möeller para o Site Palma Louca
junho 18, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Confira essa entrevista do diretor Charles Möeller para o Site Palma Louca.
Entrevistado pelo jornalista Cesario Mello Franco, Charles fala sobre sua experiência como diretor de musicais, da evolução do gênero no país e da nova geração de artistas que vêm se formando no Brasil.
Veja a entrevista em:
Fonte: Site Palma Louca – http://www.palmalouca.com.br
Vídeo: Os ‘Tulsa’ de Gypsy
junho 17, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Confira este vídeo especial sobre os atores-cantores-bailarinos que vivem o personagem Tulsa no musical ‘Gypsy‘: André Torquato e Elton Towersey (sub).
Veja imagens dos atores em cena e assista um depoimento exclusivo do diretor Charles Möeller:
La Cage Aux Folles e a Música de um Gênio. Por Claudio Botelho.
junho 16, 2010 by Site Möeller & Botelho
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Os diretores Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento
Minha história com LA CAGE AUX FOLLES – o musical – começa há muito anos. Muitos mesmo. Eu tinha uns 17 quando comprei um LP que foi lançado aqui com o elenco da montagem original da Broadway. Estava começando a me interessar por musicais, tinha muito pouco acesso aos discos, pois tudo era importado, caro, e não existia Internet (eu sou antigo!), de modo que conseguir comprar um LP de um musical da Broadway naquele tempo era uma façanha pra mim.
Bom, o que importa é que o destino pôs na minha mão aquele disco e – tenham certeza – talvez tenha sido um dos musicais que eu mais escutei até hoje na vida. Eu ouvia aquilo compulsivamente, praticamente todos os dias, e quanto mais ouvia mais me encantava com aquela música. Sei de cor cada palavra das letras, sei cada nota da partitura, sei até as falas que estavam gravadas no álbum. Os intérpretes principais eram Gene Barry (o ator que fazia Bud Masterson numa série de TV) como George, e George Hearn que fazia Zazá. George Hearn é ainda para mim uma das vozes mais lindas da Broadway, além de um ator impecável, com uma classe incrível. Pude vê-lo em cena algumas vezes nesses anos todos e cada vez mais o tenho como ídolo.
Hoje há registros em vídeo muito ruins da montagem original. Tudo que existe são gravações de programas de TV ou a apresentação no Tony Award do ano de 1984, onde vemos alguns números das ‘Cagelles’ ou Hern cantando “I Am What I Am” sem caracterização, sempre vestindo um smoking. Portanto, minha ligação com o espetáculo foi, durante muito tempo, com a música mesmo, o que estava no LP.
Aprendi naquele LP quem era Jerry Herman (foto à direita), o compositor, e fui atrás de outras coisas dele. Percebi, com o tempo, que talvez eu goste tanto de Herman quanto de Sondheim e da dupla Kander & Ebb, que são meus compositores contemporâneos favoritos. Hoje tenho tudo de Jerry Herman, todos os seus shows (os fracassos e os sucessos) e posso dizer que ele nunca escreve uma canção que seja descartável. Todas são lindas. Discípulo de Irving Berlin (música e letras), Jerry Herman foi muito influenciado e muito ajudado pelo mestre que lhe deu o caminho para criar canções que sejam facilmente absorvidas por quem as ouve sem serem vulgares ou pobres. A música de Herman vai direto ao coração, assim como as geniais criações de Irving Berlin. Nenhum dos dois fez canções por fazer, canções de passagem, técnicas – todas vêm molhadas de humor ou de emoção.
Por exemplo, um show de Herman que fracassou, “Mack And Mabel”, não tem uma única canção ruim, é tudo contagiante. Os números que ele escreveu para “A Day In Hollywood” são no mínimo geniais; o score inteiro de “Mame” é de pérolas; o mesmo dá pra dizer de “Milk and Honey”, “Parade”, entre outros. E “Hello, Dolly” dispensa qualquer apresentação, mesmo que a canção título tenha sido considerada um plágio de uma antiga gravação de Frank Sinatra, plágio esse que Herman acabou tendo que negociar e pagou um milhão de dólares para que o caso fosse “arquivado”, ou algo assim. Não sei os detalhes disso e nem interessa no momento.
Além dos discos com os elencos originais, comecei a curtir Jerry Herman mais ainda quando comprei o CD de Jerry´s Girls, uma revista com as canções dele de diversas fontes. E também o CD em que Michael Feinstein canta acompanhado pelo próprio JH ao piano, este sim um disco pra estar na primeira prateleira da estante pra sempre. Há vários tributos e noites de Gala com a música de Jerry Herman, uma delas lançada em DVD (gravado no Hollywood Bowl) que rendem momentos incríveis de muita emoção e prazer.
Bom, mas estou aqui pra falar de LA CAGE AUX FOLLES. O fato é que só consegui unir aquele som que ficou anos na minha mente a um espetáculo real, em carne e osso, quando assisti à montagem de 2003 na Broadway. E entrei em êxtase. Tinha o sensacional Gary Beach (sentado, à esquerda) no papel de Zazá, um comediante maravilhoso que quase roubava a cena como o diretor gay em “The Producers” (no filme e no teatro) e era uma superprodução, com quase 20 ‘Cagelles’ em cena, cenários enormes, uma coreografia genial de Jerry Mitchel, enfim uma montagem digna de Broadway mesmo. Foi minha primeira vez assistindo a La Cage e não ficou nada a dever ao que minha fantasia baseada nas músicas me fazia imaginar.
Já no ano passado fomos, eu e Charles, assistir à montagem que estava em cartaz em Londres, num teatro pequeno, quase fora do West End (na verdade, era uma montagem que havia se mudado de um teatro menor ainda e mais afastado). O que vimos foi uma produção muito pobre, atores dobrando papéis em cena, cenários muito caídos, figurinos próximos de um show de boate, orquestra de meia dúzia de músicos. Era uma decepção como espetáculo, mas tinha dois bons protagonistas. John Barrownman estava estreando no papel de Zazá, e ele canta muito bem. Infelizmente ele é bonito demais pro papel, é um galã no lugar errado, já que Zazá deve ser uma bicha matrona, nunca alguém que tira a camisa em cena e mostra alguns gomos no abdome. Mas enfim, a música é tão bonita que a noite foi divertida.
Quando soubemos que aquela mesma montagem iria para Broadway em seguida, imaginamos que iriam dar um banho de loja naquilo, afinal estava muito longe do padrão Broadway de musicais.
Bem, o que vimos agora na Broadway é exatamente a mesma produção. Tudo igual, mas tudo restaurado, melhorado, mais limpo e bem acabado. Continuo achando uma produção acanhada para um ingresso de 120 dólares, já que a orquestra não tem cordas, há apenas seis bailarinos no coro e os cenários são os mesmos de Londres, ou seja, pobres. Mas o que faz você esquecer tudo isso é que, liderando o elenco, estão dois atores dos mais talentosos que já vi num palco de teatro musical até hoje.
Começando pelo George de Kelsey Grammer (dir.) famoso pela série “Frasier” na televisão: o cara é o melhor George que eu já vi. Um papel ingrato, que sempre acaba ofuscado pelo travesti que o acompanha, costuma fazer com que os atores que o representam se sintam na obrigação de exagerar em tudo para arrancar gargalhadas da plateia. Grammer não faz nada disso. Ele está sempre cedendo lugar ao brilho do companheiro e isso lhe confere uma classe que a gente se encanta com ele de imediato. Canta lindamente as canções do personagem que são suaves e escritas para voz de barítono que saiba se expressar sem gritos ou trejeitos. Um tiro mesmo a escolha deste ator.
Agora, não há como ficar imune a Douglas Hodge como Zazá (Albin, quando vestido de ‘homem’). Ele tira a gente do sério. Não provoca riso, provoca uma convulsão na plateia.
Geralmente sou impaciente com atores que gesticulam muito e que fazem muitos movimentos em cena, me dá a impressão de que querem chamar mais atenção que o que estão dizendo. Hodge (esq.) faz tudo isso, ele não pára um único segundo, parece que está com alguma espécie de sarna porque se coça e se contorce o tempo todo, mas faz tão bem e com tanta convicção que o resultado é difícil de descrever: é preciso assistir mesmo! Não é uma grande voz no sentido dado por George Hearn ao papel inicialmente, mas quem precisa de mais voz quando aquela que está ali é absolutamente crível, afinada, concentrada, e dá tanta humanidade ao papel? Acrescento ainda o despudor com que Hodge se despe em cena, mostrando que é um travesti de meia idade (embora o ator aparente menos de 40 anos), decadente sim, maluco sim, mas generoso e doce. Zazá não tem maldade, o musical é sobre isso: um travesti aparentemente desmiolado e que vive num mundo de fantasia, que se transforma num herói numa noite que tinha tudo para ser um desastre. Douglas Hodge faz de Zazá o momento mais brilhante desta temporada na Broadway, e não é nenhuma surpresa que ele tenha acabado de ganhar o Tony de Melhor ator pelo papel. Sean Hayes, outro ponto alto da temporada com sua atuação em “Promises, Promises”, acabou perdendo o prêmio para outro comediante gay com atuação exemplar. Os espetáculos em geral não estão muito brilhantes neste ano, mas essas atuações masculinas valem a viagem.
“La Cage Aux Folles é – e sempre foi – uma peça séria. A comédia de Jean Poiret sempre foi encenada no mundo todo como um libelo contra a hipocrisia e um tapa na cara dos ‘bons costumes’ burgueses”
Acho que vale ainda dizer que LA CAGE AUX FOLLES é – e sempre foi – uma peça séria. A comédia de Jean Poiret sempre foi encenada no mundo todo como um libelo contra a hipocrisia e um tapa na cara dos “bons costumes” burgueses, especialmente nos anos 70/80, quando a peça foi levada à cena inicialmente, um momento em que pouco se falava sobre liberação homossexual e o assunto era tratado de maneira muito envergonhada no teatro. Colocar um casal gay em cena, sendo um dos cônjuges um travesti, era uma atitude de vanguarda e, embora cheia de piadas e muito engraçada, a peça não deixava nunca de dar seu recado contundente e debochar com muita ironia dos preconceitos de então. O filme com Ugo Tognazi e Michel Serrault é obra prima, comédia sim, mas totalmente política e explicitamente liberal, tendo sido proibido em muitos países (em quase toda a América Latina inclusive) quando foi lançado.
Infelizmente, a peça foi montada no Brasil com um cunho machista inaceitável. Ficou anos em cartaz com o grande Jorge Dória (um dos melhores comediantes que já vi em cena até hoje) no papel de George e Carvalhinho (outro gênio da comédia) como Zazá. Eram dois atores incríveis, mas uma montagem que ridicularizava o relacionamento do casal, colocava tudo na base do deboche e com aquele viés para a chanchada que infelizmente tanto fez e ainda faz a felicidade de um certo tipo de plateia.
LA CAGE AUX FOLLES, o musical, é uma comédia tão séria quanto a peça. As canções são super engraçadas quando têm de ser, mas muito emocionantes quando tratam do que é o tema central da peça, ou seja, o respeito à liberdade do próximo. Não é um show de escracho, é uma comédia de situação milietricamente construída para que os personagens se apresentem, se engalfinhem e acabem se entrelaçando num final patético, mas feliz. Todas as montagens a que assisti fora do Brasil, desde a de 2004 até a atual, todas sem exceção não fazem concessão à piada fácil ou ao deboche com os gays. Você sai do teatro amando a Zazá, nunca rindo dela. Isso é fundamental.
Se você tiver a oportunidade de estar em Nova York nos próximos meses (não há data para o final da temporada), não pense duas vezes: vá assistir a LA CAGE AUX FOLLES. É imperdível!
Claudio Botelho
Créditos das Fotos:
* Broadway.com
* Playbill.com
* The New York Times
* Theatermania.com
* Lacage.com
A Encantadora Renata!
junho 12, 2010 by Site Möeller & Botelho
Filed under Gypsy, Site
Renata Ricci fala sobre seu trabalho como a June de ‘Gypsy’, que mistura superação, entrega e alegria
Mal conquistou o papel de June no musical ‘Gypsy’, de Möeller & Botelho, no final de 2009, a atriz, cantora e bailarina Renata Ricci passou por uma verdadeira prova de resistência e superação: quebrou o pé, o que prejudicaria muito sua performance, afinal precisava sapatear e dançar em cena. Quando começaram os ensaios, ela teve uma traqueíte que a obrigou a ficar quatro semanas sem cantar. Mesmo com tantos obstáculos, Renata hoje pode dizer que superou os problemas e está muito feliz e realizada com sua atuação no espetáculo.
Taurina e auto definindo-se como uma pessoa de emoções (ela até chorou durante a entrevista ao lembrar do irmão que faleceu em um acidente há cinco anos), Renata Ricci prepara-se agora para levar ‘Gypsy’ para sua cidade natal, São Paulo, mantendo, porém, o desejo de morar no Rio de Janeiro.
Conversamos com Renata em seu camarim, enquanto ela orientava Thayani Campos e Raquel Bonfante a pintar quadrinhos coloridos (todas as meninas do elenco querem pintar com ela).
No nosso bate-papo, ela fala não só sobre June, mas também sobre o processo de direção de Charles Möeller & Claudio Botelho, da experiência de ter feito ‘Avenida Q’ e ‘Sweet Charity’, de como se prepara vocalmente para ‘Gypsy’ e da relação com os fãs de musical, entre outros temas.
Com vocês… a encantadooooooooooora Renata Ricci!!!!
Como está sendo para você a experiência de participar de ‘Gypsy’?
Independente de ser uma peça de Charles & Claudio, de todas as peças que já fiz em minha carreira esta é a que estou tendo mais chance de mostrar meu trabalho. As outras eram participações muito bacanas, não tenho o que reclamar, mas agora estou fazendo um papel que dá um foco maior no meu trabalho. Então existe não só a maravilha disso, mas também a dificuldade. A entrega tem que ser muito maior. Eu brinco que fui abduzida. É quase esta a sensação. Eu fui puxada para o mundo ‘Gypsy’. Há atores que não são assim. Eu preciso desse tipo de dedicação. Preciso estar 100% para não ficar doente, pra estar com a cabeça boa, afinal nós também somos seres humanos. O meu maior desafio tem sido estar sempre 100% no palco, independentemente do que esteja acontecendo na minha vida pessoal. Eu chego no teatro e tenho que me zerar, para me entregar completamente. Mas estou adorando essa experiência de participar de ‘Gypsy’. Estou muito feliz!
Em ‘Gypsy’ você atua, dança e canta. Como você se preparou para esse espetáculo? Assim como o André Torquato, você também não sabia sapatear antes do musical, não é?
Foi muito engraçado na hora do teste. Eles pediram: ‘quem sabe sapatear vem pra esse lado e quem não sabe vai para aquele’. Eu, que só tinha feito umas cinco aulinhas de sapateado, fui para o lado das que não sabiam. Ficaram umas 10 meninas do lado que não sabiam e umas 40 do outro lado. Quando o Flávio Salles começou a passar a sequência, as pessoas iam tentando sapatear e não conseguiam, e acabaram mudando de lado (risos). Eu realmente nunca havia sapateado, só tinha feito essas cinco aulinhas. O sonho da minha avó era que eu sapateasse. Mas a minha maior dificuldade foi que eu quebrei o pé. Tive uma fratura no metatarso por stress e decorrente de todo o trabalho de ‘Avenida Q’, onde eu passava o tempo todo de tênis All Star. Então enquanto o André Torquato, a Adriana Garambone e os outros já estavam tendo workshop de sapateado, eu não podia fazer. A minha entrega ao musical começou aí. Eu quebrei o pé um dia antes da primeira reunião do elenco e fui assim mesmo. Achei que era só uma torção. Mas quando fiz o exame e soube que tinha fraturado, chorei muito. Ali começou um tratamento muito sério. Eu não podia encostar o pé no chão. O médico disse que se eu não fizesse o tratamento direitinho, teria que operar. No dia que o médico disse que estava ok, mas que eu não poderia usar salto eu fiquei tranqüila, porque em ‘Gypsy’ eu não preciso usar salto para dançar. Cheguei até a ir em Aparecida do Norte para agradecer! Então aprendi a sapatear já nos ensaios e fazendo a peça, não fiz workshop.
Então esse trabalho foi uma superação para você…
Esse musical tá sendo uma superação a cada dia. Não foi só a questão do meu pé. Quando começou o ensaio, houve uma mudança total na minha vida. Eu estava vindo pro Rio, mudando tudo e acabei tendo uma traqueíte (inflamação da traquéia) alérgica e tive que ficar sem cantar. São oito semanas de ensaio. Eu fiquei no mínimo quatro semanas sem poder cantar. Foi um pânico, mas foi uma coisa de trabalhar muito a cabeça para não perder o controle. Nessa hora foi muito bom não estar sozinha, estar com a Vivi (Viviane Rojas) e o André (Torquato) em casa (eles dividem o apartamento no Rio). Meus pais me deram a maior força lá de São Paulo também. Eu sentia muito sono nos ensaios, pois o remédio me deixava quase que dopada. Tinha que pedir desculpas pro Flávio (Salles). Foi sofrido, mas acredito que desta forma, quando a gente consegue vencer, a realização, o prazer e a felicidade são bem maiores. A cada dia estou descobrindo novas maneiras de cantar, até porque perdi o tempinho de descobrir isso, que todo mundo teve. Então tive que usar um pouco na própria temporada para ‘ganhar’ mais e felizmente continuo ‘ganhando’ todos os dias. Claro, são coisas muito singelas. Não podemos passar por cima do que o diretor queria. Mas a temporada faz a gente ganhar muito sim.
“O Charles trabalha com elogio, ao contrário de vários diretores que trabalham detonando as pessoas. Ele não tira o seu chão, ele te dá apoio para você ir melhorando”.
Por falar no ‘diretor’ (Charles Möeller), como foi o trabalho com ele?
Não dá pra falar só em ‘Gypsy’ porque é o estilo Charles Möeller e Claudio Botelho. O que funciona muito é que eles são de uma educação ímpar! Eu confio muito neles. O Charles trabalha muito com elogio, ao contrário de vários diretores que trabalham detonando as pessoas. Ele não tira o seu chão, ele te dá apoio para você ir melhorando. Ele não tira a sua confiança. Então eu me jogo de cabeça em tudo o que ele fala, sem desconfiança ou dúvida alguma. E o Claudio é uma das pessoas mais engraçadas que conheço. Ele tem um humor inteligente… o trabalho fica leve. Nunca presenciei um ensaio deles pesado. Mesmo que haja muitos problemas, é sempre muito leve e positivo. A gente se sente muito acolhido. Um exemplo foi quando fiquei doente. Eles diziam: “A gente precisa de você. Vamos ficar bem”. Não era uma reprovação, era me dar força, me ajudar. Foi maravilhoso da parte deles.
Vamos falar um pouco sobre sua personagem, a Encantadora June. Como você a trabalhou e como você pensa ela?
A June é a mais esperta das duas irmãs. Ela é vista um pouco como a vilã da história, que humilha a irmã, que está sempre bem… mas na verdade ela não é a vilã. É a mais esperta e não queria aquilo. Ela teve a coragem que a Louise demorou a ter. Ela era realista. Sabia que se não saísse dali não iria conseguir nada. E o engraçado é que a verdadeira June viveu até os 97 anos. Ela era uma velhinha muito feliz, muito alegre e viveu feliz até os 97 anos, enquanto que a mãe e a irmã morreram bem antes, de câncer. Ela conseguiu se livrar e fez a escolha dela, que era viver. As duas estavam infelizes e as duas queriam ser amadas pela mãe. A June se sentia usada e a Louise se sentia rejeitada. Mas no fundo, as duas só queriam ser amadas. Eu acho linda a cena das duas irmãs, só de pensar nessa relação… (Nesse ponto da entrevista Renata se emociona e chora, sendo confortada por sua colega de camarim, Patricia Bueno). Eu perdi meu irmão, então essa relação de irmãos é uma das coisas mais lindas da vida. A minha maior preocupação com a June é mostrar que ela é humana. Ela tem os seus defeitos, mas ela ama aquela irmã. Ela gosta de estar no palco, mas para ela o principal é a necessidade de amor, como todos os seres humanos.
E o relacionamento da June com o Tulsa, que pega muita gente de surpresa quando é anunciada a fuga deles?
Quem assiste várias vezes percebe que há momentos de pequenos carinhos entre os dois. No Hotel, por exemplo, eu dou comida pra ele. São pequenas coisas, pois não podemos chamar muito a atenção. É um carinho um no outro… É muito sutil, mas tem.
Você está tendo aulas com o cantor e ator Danilo Timm (do elenco de ‘O Despertar da Primavera’). Como está sendo esse trabalho com ele?
Na época dos ensaios eu não estava conseguindo fazer aulas por causa da traqueíte. Agora estou fazendo aula uma vez por semana com o Dan. Já fiz aula com professores maravilhosos, mas o Dan, mesmo sendo muito novo, é um dos professores mais experientes que já tive. Ele trabalha bem a voz para musical. Pra cada trabalho você tem que adequar de um jeito. O Dan tinha me passado umas coisas em aula e mudou depois que ele viu ‘Gypsy’. Ele disse: ‘Esquece. Não é aquilo que você tem que fazer. Você tá dançando muito e se fizer daquele jeito, vai faltar ar’. Ele dialoga junto com o seu trabalho. A aula de canto é viva, não pode ser hipotética. Então eu to fazendo nesse momento uma aula de canto mais voltada pra ‘Gypsy’.
Você canta na verdade três músicas (a ‘Vaquinha’, ‘Broadway’ e o dueto) e trabalha com vozes diferentes. Como é isso?
Sim, essa é a maior dificuldade, pois o Claudio pediu para eu cantar bem infantilizada, fingindo ter nove anos. É uma voz caricata. Depois ela volta em ‘Broadway’ um pouco mais glamourizada e depois tem a própria June cantando, no dueto. São três músicas diferentes na maneira de cantar. Pra cada uma tem que adequar a voz de um jeito. Assim como a Louise tem a passagem de menina para a stripper, pra mim tem a passagem da pessoa no palco que canta de forma caricata para a pessoa de verdade cantando. Adoro a virada da June, quando ela pega aquele cigarro…
Gypsy é o seu terceiro trabalho com Möeller & Botelho. Vamos lembrar um pouco de ‘Avenida Q’ e ‘Sweet Charity’…
Para o ‘Avenida Q’ eu fui convidada em uma situação muito especial. Eu estava namorando o Fred Silveira, que já havia sido convidado para o musical. Uma noite, eu ia numa festa, mas recebi uma notícia muito ruim. Desisti de ir na festa e eu e Fred resolvemos jantar fora. Ele errou o caminho do restaurante e fomos parar em outro, que não conhecíamos. Quando entramos no restaurante demos de cara com Charles e Tininha (Tina Salles). O Claudio não estava. Eu falei com eles, nos abraçamos e fui sentar na minha mesa. Aí a Tininha foi até lá e me disse “Fofis, a gente não encontrou a Ursinha do Mal para o Avenida Q. Acho que estávamos esperando você!” Eu comecei a chorar no meio do restaurante (risos).
No ‘Avenida Q’ eu fazia a Ursinha do Mal, a Dona Coisa Ruim, pegava em todos os personagens e cantava em todos os coros. Foi a peça mais ‘física’ que fiz. Eu saía pingando do espetáculo. Enquanto que no ‘Gypsy’ é um trabalho mais de atriz e emocional, em ‘Avenida Q’ era físico. Doía muito, tivemos que ensaiar com bonecos que tinham outro peso, pois os verdadeiros ficaram presos na alfândega. Teve um processo complicado. Aí de novo a importância do clima que eles deixavam, do elenco estar unido. Foi um trabalho muito especial.
Já no Sweet Charity eu enviei meu material e eles não receberam. Eu não ia conseguir fazer a audição. Comecei a ligar para Deus e o mundo. Dizia: “Eu só quero fazer a audição”. Consegui fazer depois de muita luta. Fui a última. Acabei pasando. Acho essa história muito interessante.
O que você acha de fazer parte desse meio tão pequeno e até fechado do teatro musical no Brasil?
Eu gosto, mas já fiz três novelas e adoro fazer televisão também. Eu cresci vendo os musicais na TV, os clássicos, então nunca tive o preconceito que muita gente da classe tem com o musical. Eu sempre fui bailarina e muita gente via com preconceito eu querer fazer teatro e TV. E tanto a TV como o musical são meios que dão mais garantias ao ator. Dão um salário direito, horas de trabalho. É aonde você consegue se estabilizar melhor. As pessoas se sentem respeitadas fazendo. O teatro musical é arte, não é só entretenimento e marketing como muitos dizem. Eu pude criar a minha June, dialogando com o Charles. Não foi cópia de ninguém. Shakespeare só é montado até hoje porque as pessoas não copiam. Às vezes se acerta e às vezes se erra, mas se cria. É arte. E o teatro musical do jeito que a gente tá fazendo é arte. O musical está muito forte e tem público. ‘Gypsy’ está com casa lotada todos os dias. Não é maneira de falar. É casa cheia mesmo e isso é muito gostoso, muito gratificante.
“Somos seres-humanos, que podem errar de vez em quando. Eu tento não me cobrar como se fosse uma máquina, exatamente por admitir que sou humana, que eu faço arte. Porque senão eu não seria uma artista e sim um computador”.
Você é bem antenada nas novas tecnologias. Está no Twitter, Facebook… Tem um diálogo direto com os fãs. Como você lida com os fãs de musical?
Eu tenho muito carinho pelos meus fãs e pelos fãs de musical. Eu estou disposta a dar carinho pra todo mundo. Se a pessoa me dá carinho, vai receber também. Eu gosto de olhar no olho dos fãs, eu sei o nome das pessoas… E a gente aprende a lidar até com o lado negativo. A gente sabe o que é falado por fora. Eles acham que nunca chega na gente, mas chega. Até os fãs radicais têm um lado bom ao sabermos que eles amam aquilo que a gente tá fazendo. Eu admiro porque eles amam a mesma coisa que eu amo. Claro, tem muita paixão envolvida e eles não podem esquecer que nós não somos máquinas. Somos seres-humanos, que podem errar de vez em quando. Pra mim o grande barato da atuação é a celebração da vida. Por mais que eu entregue 100%, eu tento não me cobrar de maneira como se eu fosse uma máquina, exatamente por admitir que sou humana, que eu faço arte. Porque senão eu não seria uma artista e sim um computador que reproduz todo dia a mesma coisa. Pra fazer arte temos que partir do princípio de que estamos falando com iguais.
Veja mais fotos de Renata Ricci em ‘Gypsy’:
Fotos: Leo Ladeira. © Copy Right: Blog Gypsy – O Musical / Site Möeller Botelho.
American Idiot: Ópera Punk Rock Anárquica e Contestadora. Por Charles Möeller
junho 11, 2010 by Site Möeller & Botelho
Filed under Artigos, Möeller & Botelho, Site
Os diretores Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento
‘American Idiot’ é um espetáculo baseado num disco conceitual da banda de punk rock americana Green Day, lançado em 2004, de enorme sucesso e prestígio, considerado como um dos melhores discos de punk rock de todos os tempos.
Ele é muito similar em termos de estrutura com outros álbuns como The Wall, do Pink Floyd, e Tommy do The Who, ou seja, uma ópera rock. E como aconteceu com Tommy era quase inevitável sua adaptação para musical e para o cinema – Já dizem que Tom Hanks adquiriu os direitos e estaria interessado em levá-lo pro cinema.
Além de músicas do álbum “American Idiot”, o musical acrescentou algumas canções do disco “21st Century Breakdown” (2009) e uma inédita. O espetáculo é basicamente o disco em cena. Obviamente se expande o conceito do álbum por meio de cenas curtas e poucos diálogos costurados durante uma hora e meia sem intervalo.
Com base no universo niilista do punk, o musical propõe um painel de um tipo de juventude atual através de seus protagonistas e não tem como falar da montagem sem entrar na sua rebuscada história. Então pra quem não viu e quer surpresa pule esse parágrafo (spoilers): Johnny, Will e Tunny, três jovens de classe média americana de vinte e poucos anos, inconformados com a vida medíocre do subúrbio planejam fugir pra cidade grande acreditando que suas frustrações e anseios sejam aplacados. Na véspera da viagem, Will descobre que sua namorada está grávida e resolve ficar. Johnny e Tunny vão para a cidade. Enquanto Johnny ama tudo que vê e se deslumbra com a possibilidade de um novo mundo, Tunny não se enquadra na vida da grande metrópole e se alista no exército. Johnny, frustrado com o abandono de seus amigos e com sua incapacidade pessoal de se conectar com o mundo, cai nas drogas e acaba criando um alterego: poderoso, descolado, urbano, um ícone punk. No subúrbio, a vida de Will caminha a passos lentos, se tornando apática e sem sentido. Ele fica inerte com sua total incapacidade em assumir a paternidade e passa os dias no sofá alcoolizado! Tunny é enviado para guerra, é ferido a tiros e acaba perdendo uma perna. Johnny vai ao fundo do poço com a heroína e, sem amigos e sem ninguém, é obrigado a reconhecer que sua vida tem sido um nada. Volta pro subúrbio e reencontra Will já separado e Tunny recém chegado do Iraque. Os três unidos novamente com destinos opostos, mas com muito em comum: suas escolhas erradas, suas frustrações e suas perdas! Anti-heróis americanos.
O show tem uma equipe de criação parecidíssima com o ‘Spring Awekening’: produção de Tom Hulce, direção de Michael Mayer, luz de Kevin Adams e cenário de Christine Jones. Eles se juntaram novamente para abordar o mesmo tema recorrente da peça anterior: O rock como uma manifesto anárquico e contestador. E com o mesmo protagonista: John Gallagher Jr.
Me parece até coerente a escolha dele, pro papel de Johnny, pois Moritz (de Wedekind) é considerado por muitos um personagem ícone e precursor do movimento punk. E nada mais natural que o espetáculo seguinte desse time fosse uma ópera punk rock. E assim como Dunkan Sheik emprestava uma sonoridade indie aos musicais da Broadway, o Green Day faz o mesmo com o punk rock. Não sei se intencionalmente ou por falta de repertório, mas John Gallagher Jr. (à direita) parece representar o Moritz novamente! Não consegui olhar pra ele sem achar que era um continuação de com tudo que eu já havia visto dele.
Com a banda em cena e com todos os atores tocando instrumentos, o elenco se mostra totalmente entregue. Com garra e juventude, defendem ‘American Idiot’ com o mesmo entusiasmo que vi o elenco de estreia do ‘Spring’ e isso é muito cativante.
O cenário único com andaimes e paredes forradas de manchetes de jornal e com dezenas de televisões espalhadas das mais diversas formas lembra muito o clima do ‘Laranja Mecânica’ de Kubrick. A integração do vídeo em cena é excelente. Eu geralmente não gosto desse artifício, mas não é gratuito em nenhum momento e até se torna um ruído interessante, pois segundo Michael Mayer, o vídeo é um personagem que funciona como uma voz interna, como um coro grego, que as vezes comenta, outras critica, outras apenas observa e contracena com os personagens. Mas principalmente nos mostra como somos uma sociedade teleguiada lobotomicamente pela televisão e ficamos cada dia mais anestesiados pela notícia e pelas televendas que nos empurram um mundo idealizado e nos fazem esquecer a miséria, a fome, o desemprego, a guerra, a violência banalizada que não nos tocam mais.
Com apuro técnico impecável, Michael Mayer consegue fazer um espetáculo conciso, direto e muitas vezes perturbador. A música, muito boa no disco, acaba perdendo um pouco na sua transposição para o palco. Mesmo tendo momentos muito emocionais e teatrais como o dueto aéreo em ‘Extraordinary Girl’, a impressão que eu fiquei foi que todas as baladas são parecidas e todas as canções de punk rock resultam iguais na encenação como na coreografia! E sobre interpretação dos atores realmente me incomoda um novo jeito cool de interpretar e cantar onde as palavras perdem a importância e temos a impressão de não ver um personagem e sim o aproveitamento de uma personalidade. Musicalmente é mais uma experiência sensitiva como num show, com tudo e todos equalizados na mesma forma e com a mesma importância. Falta um pouco de dinâmica para meus ouvidos mais conservadores: ou gritam ou fazem pianíssimo.
Acho que o texto de Billie Joe Armstrong & Michael Mayer é um pouco precipitado demais e superficial. Às vezes me parece forçada a entrada da canção e a opção por diálogos ligeiros. Cenas curtas acabam resultando em personagens monocromáticos e caricaturas. E não é como no quadrinho que a imagem conta mais que a s palavras. Me parece uma opção mesmo que seja dessa forma: quase em concerto encenado.
O melhor de ‘American Idiot’ é ser mais do que um musical: é ser um evento! É reflexivo, atual, arrojado, lindamente produzido e defendido com toda a garra juvenil que representa uma facção grande de uma juventude niilista esquecida. É fundamental que existam shows assim pra tratar o jovem com a maior idade que ele merece!
Minhas ressalvas são totalmente pessoais, pois tenho uma certa resistência com essa linguagem híbrida entre o show de rock e o teatro. Era isso o que mais me incomodava no ‘Spring Awekening’ – só me interessei em montar quando pude ter liberdade de criação. Mas é inegável que ‘American Idiot’ é muito bom.
Charles Möeller
* Crédito das Fotos:
Paul Kolnik (www.americanidiotonbroadway.com)
Vídeo: Gypsy – Cenário e Palco
junho 10, 2010 by Site Möeller & Botelho
Filed under Gypsy, Vídeos
Veja neste vídeo o trabalho do cenógrafo Rogerio Falcão e do diretor de palco Tuto Gonçalves no musical ‘Gypsy‘, de Möeller & Botelho.
Vídeo: Evoé Produções.
‘Promises, Promises’: Deliciosa Comédia de Situações com Clima Vintage. Por Charles Möeller.
junho 8, 2010 by Site Möeller & Botelho
Filed under Críticas, Site
Os diretores Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento
Estava muito ansioso pra ver a primeira remontagem de “Promises, Promises” (o original é dos anos 60), pois tem um time de criadores de peso! O texto é de um dos maiores comediógrafos de todos os tempos, Neil Simon, baseado no Filme “O Apartamento”, de Billy Wider, com músicas de Burt Bacharach e Hal David. Direção e coreografia do tarimbado Rob Ashford e, ainda pra reforçar, Sean Hayes e Kristin Chenoweth como protagonistas! Claro que foi essa peça que eu escolhi pra ser a primeira da maratona!
Já entramos no clima no overture, com bailarinos dançando todos os temas! A peça se passa em 1962 e tem aquele clima vintage que sempre acaba rondando as remontagens de musicais dessa época. O cenário: o bom e velho ambiente de escritório. Os americanos adoram enredos que envolvem personagens de grandes escritórios, há dezenas de musicais, filmes, séries de TV, todos ambientados e à volta de situações de secretárias, chefes, datilógrafas, telefonistas, até mesmo ascensoristas de grandes corporações.
‘Promises, Promises’ é prima-irmã de “How to Succeed in Business Without Really Trying”, outra obra prima de musical da época! Nada mais machista e sexista que o ambiente de um escritório americano em plenos anos 60, com suas secretárias carreiristas e seus patrões chauvinistas! Ainda não se vivia sob a sombra do politicamente correto e os processos por assédio sexual não eram sequer imaginados!
O tal ‘apartamento’ do titulo original do filme pertence a um novo funcionário da Consolidated Life, Chuck Baster, vivido por Sean Hayes. Por ele morar só, acaba emprestando o imóvel para um colega de trabalho ter um encontro às escondidas com uma colega. A partir daí a notícia da ‘locação’ se espalha e o apartamento se torna um cafofo para encontros amorosos de seus colegas de repartição: todos querem ter um lugar para levarem suas amantes de fino trato, em geral secretárias da empresa. O tal apartamento vira um point e acaba interessando ao próprio chefe do departamento, o mega poderoso JD Sheidrake, vivido pelo altíssimo Tony Goldwyn (que fez dezenas de vilões na TV e no cinema). O chefe deseja ter um lugar privado para levar sua amante Fran Kulelik (Kristin Chenoweth), ironicamente a moça por quem Chuck nutre um amor platônico. Começa aí uma deliciosa comédia de situações, onde Neil Simon é mestre. Sempre impagável!
Produção caprichada, com reconstituição de época detalhada, luz linda, cenários deslumbrantes e figurino impecável. Ótimas coreografias com destaque absoluto para o trio em ‘Turkey Lukey Time’. E o elenco afiadíssimo faz de ‘Promises. Promises’ um programa imperdível!
Mas tudo isso não seria completo sem a cereja do bolo: o talentoso Sean Hayes (dir.). Pra quem não liga o nome à pessoa era o amigo gay afetado de Will na serie “Will & Grace”. Hayes está, inacreditavelmente, estreando na Broadway. A peça é dele! Tem um tempo de comédia ímpar e preciso, e não faz conceção à piada, consegue fazer todas as gags com uma incrível naturalidade. Lembra muito o jovem Jerry Lewis (que ele já retratou em um filme feito para a TV).
A cena em que ele tenta entender e depois se sentar numa ‘la chaise’, (aquela cadeira esquisita de acrílico branco que tem um furo no meio, criada por Charles & Ray Eames e que foi febre de design nos anos 50), já vale o ingresso!
Sou fã de Kristin Chenoweth há muitos anos! A primeira vez que a vi foi fazendo Sally em ‘You´re a Good Man, Charlie Brown’, musical que lhe rendeu o Tony e todos os prêmios daquele ano. Mas virei fã incondicional mesmo quando a vi fazendo ‘Candide’: sua Cunegonde era hilária e hipnotizante. Ela dividia as atenções em cena com ninguém menos que Patti LuPone, no papel da Velha Senhora. A partir daí venho acompanhando de perto seus sucessos, sendo o mais cultuado de todos o personagem Glinda no musical mega ‘popular’ (desculpem o trocadilho) ‘Wicked’.
Na TV tem feito muitas coisas e chegou a ter um show com seu nome: “Kristin”. Ganhou um Emmy por “Pushing Daises”, mas ambos os projetos não foram muito longe. Participou do elenco de Vila Sésamo e atualmente está no elenco do fenômeno ‘Glee’. É uma comediante de mão cheia e uma atriz de voz característica. Adoro esse tipo de voz, muitas vezes rejeitado no Brasil, pois nós brasileiros amamos mesmo as mezzo-sopranos de voz ‘gorda’ ou sopranos dramáticas. Acredito que seja algo cultural, já que nossa MPB recente é, em sua quase totalidade, um enxame de vozes graves. Voz característica, tão normal e apreciada no musical americano, ganha entre nós o apelido de “voz de pato”! Há dezenas de papeis em musicais para essa cor vocal e muitos são de protagonistas. Exemplos de grandes nomes que levaram multidões aos teatros não faltam, sendo talvez a mais cultuada de todas a grande Shirley Booth, que nos anos 50/60 foi uma estrela na Broadway e arrebatava multidões aos musicais que estrelava. Bernadette Peters e Faith Prince são outras estrelas atuais com registros vocais similares. Particularmente, adoro. Não sou exatamente um fã incondicional das atrizes que gritam seus pulmões como leitoas sendo assassinadas no Natal, mas sei que o público jovem em geral as ama.
Mas digo tudo isso para arrematar dizendo que fiquei decepcionado com Kristin em ‘Promises, Promises’. Esse show realmente não é para ela. Está apagada no papel da mocinha, e a apesar de haverem incluído no score duas canções famosíssimas de Burt Bacharach que não faziam parte do espetáculo original (“ I Say a little Prayer “ e “ A House is not a Home”) que são solos para ela, Kristin tem pouco a fazer no papel da amante do Patrão.
Mesmo assim ela ainda é uma delícia em cena, especialmente cantando (em duo com Hayes) o mega hit “ I’ll Never Fall in Love Again” (este sim, escrito originalmente para o musical) no sofá com um violão, num momento totalmente bossa nova.
Acho que o grande problema de Kristin ultimamente é sua aparência: ela tem apenas 42 anos e parece ser tão dependente do botox que está quase se transformando numa boneca de borracha. Muito magra, parece anoréxica, e se não fosse a peruca, a gente mal sabe se ela está de frente e ou de lado. E seu bronzeamento artificial lhe dá um tom Malibu meio alaranjado, quase cor de tijolo, tá estranho! Realmente é complicado envelhecer dentro desta indústria. Espero que ela não se afunde nessa loucura de retocamentos infindáveis, pois é genial e quero poder vê-la muitas vezes ainda sem ter a impressão de que estou vendo um duende. Por uma louca coincidência, no dia em que assistimos ao espetáculo estava sentada perto de nós a própria Bernadette Peters, que citei há pouco. Tão baixinha quanto Kristin e bem mais velha, mas ao que parece levando a idade com mais dignidade e sabedoria.
Pra concluir, quem rouba a peça de Kristin é Katie Finneran, num papel episódico no segundo ato, mas transforma sua entrada em momentos hilariantes e espetaculares. Com uma voz poderosa, faz uma bêbada com seu casaco de pena de coruja antológica. Realmente a mulher é um monstro de talento, e os melhores momentos da peça são dela e de Sean Hayes. Ambos estão indicados ao Tony em suas categorias, além de vários outros prêmios da temporada.
‘Promises, Promises’ cumpre o que promete: é um musical super divertido, adorável de ver, e traz de volta aos palcos um score sensacional de Burt Bacharach, o único que ele escreveu para um musical da Broadway.
Charles Möeller
Créditos das Fotos:
* http://promisespromisesbroadway.com
* Sara Krulwich/The New York Times
* Playbill.com
Charles Möeller: Mais um Musical da Broadway!
junho 5, 2010 by Site Möeller & Botelho
Filed under Artigos, Möeller & Botelho, Site
Quem nos acompanha já sabe que sempre viajamos pra Nova York e Londres todos os anos pra assistir o que esta acontecendo no mundo dos musicais! E nos últimos anos temos publicado nossas impressões no Site M&B! Resolvi abrir meu diário de bordo desse ano de uma maneira diferente. Antes de falar de um espetáculo em si, queria abordar uma questão com a qual sempre me esbarro nos últimos anos: A generalização da expressão “musical da Broadway!”
Em todos as maiores cidades do mundo se montam musicais: Do Japão aos antigos países da cortina de ferro. De Berlim a Buenos Aires, o gênero é cultuado e incorporado independentemente da cultura local, ou, às vezes, com adaptações à cultura local! Em quase toda grande metrópole há musicais autorais, réplicas, musicais originários da Broadway, de West End ou criações locais! O gênero atrai milhões de pessoas, movimenta o turismo mundial e uma quantidade de dinheiro e empregos incalculáveis, e é um fenômeno que existe enquanto forma teatral há quase um século e meio.
Considera-se que a primeira peça teatral adaptada ao moderno conceito de musical foi “The Black Crook” – de Charles M. Barras e Giuseppe Operti, de 1866. A partir de 1890 batizou-se de “comédia musical” o que acontecia dentro dos teatros da “Broadway“. Portanto, não estamos diante de um minuano, mas falando de um ancião com muito fôlego! Sua longevidade e sua força vêm especialmente de sua capacidade de transformação, renovação, reinvenção e até auto-negação! Como, aliás, o teatro em si em todos os seus diversos gêneros e vertentes.
Escrevo esse preâmbulo para esclarecer o quanto ainda me incomoda a classificação genérica que trata um musical da Broadway como um gênero, e não como um espetáculo que teve origem naquele centro de entretenimento.
A Broadway não é um estilo de teatro musical e muito menos um conceito estético; menos ainda uma classificação como estrelas em hotéis e restaurantes. Um musical não é um genérico que brota de outro, e de mais outro, e de mais outro. O Musical Americano, como, aliás, o teatro mundial em si, vertente e sub-vertentes, idiomas distintos e identidades diversas.
Não devemos olhar para uma forma de arte que já passa dos cem anos de vida e de descobertas e tentar reduzi-la a um homem de brilhantina e máscara correndo atrás da mocinha com um barquinho e velas. Estou há bastante tempo próximo desse negócio por paixão e por vocação, mas ainda continuo descobrindo o novo a cada nova temporada, e ainda me encanto com a diversidade e a complexidade do que se habituou chamar de “musical da Broadway”.
Uma mãe bipolar que toma eletro-choques não se parece em nada com a bruxa verde tentando ser popular, ambas estão a anos-luz de distância de um multi-instrumentista nigeriano pioneiro da música afrobeat, ativista político e dos direitos humanos! O que todos eles têm em comum? Apenas são fenômenos de bilheteria num certo lugar em Nova York que prima, quase sempre, pela excelência de produção e cuidado no que é apresentado ao público. De resto, são tão diferentes quanto os peixes e os elefantes que vivem no mesmo zoológico.
Os musicais da Broadway estão cheios de polaridades, identidades, auto-referencias e auto-negações. É a maior diversidade de criação teatral que tive e tenho tido a oportunidade de conhecer. Mais até do que os chamados espetáculos “sérios” que os países europeus se orgulham de ter e que, de certa forma, acabam todos reunidos no famoso saco da “vanguarda”. Mas isso é outra história.
Passado e presente coexistem na Broadway com uma infinidade de linguagens e tendências, talvez tendo em comum, ao fim de tudo, apenas o alvo de suas criações e suas constantes descobertas: o público. Encantar o público. Puro encantamento. O resto… Não sei do resto!
Charles Möeller
Claudio Botelho: “Delícia de Família Addams”
junho 1, 2010 by Site Möeller & Botelho
Filed under Críticas, Möeller & Botelho, Site
Direto de Nova York, Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento
Vou começar este texto lembrando a todos que não sou crítico de teatro. Vou ao teatro para ver o que pode me divertir, emocionar ou, no mínimo, me tirar de mim mesmo por umas boas duas horas… O fato de estar na profissão não me dá nenhum crédito para falar dos espetáculos alheios algo mais do que “gosto” ou “não gosto”. Isso é para os críticos.
Dito isto, vamos lá: A-DO-REI a FAMÍLIA ADDAMS, o musical!!!
Pra começar, não sou íntimo daqueles personagens, conheço o pouco que vi na televisão e nem é o tipo de seriado que eu goste, já que minha fixação são definitivamente os seriados policiais, de júri, sequestros, gente sendo assassinada, e o que mais Se puder imaginar nesta área… Portanto, ”The Addams Family” na TV nunca foi meu prato favorito.
Mas um musical é um musical. E o que mais me faz gastar 130 dólares em espetáculos da Broadway é acreditar que posso ouvir um tipo de música que me agrade, ou seja, música de teatro. E confesso que fui ver a FAMÍLIA ADDAMS cheio de medo de que eu fosse ouvir aquele tipo de canção que anda na moda na Broadway ultimamente, o tal do “indie-rock” (ou lá como se escreva isso), ou ainda o abominável “rap”, ou música que você pode perfeitamente ouvir no rádio, ou pior de todos: os imitadores de Stephen Sondheim que escrevem “música difícil” pra mostrar pra você que são ótimos alunos de harmonia de Berkeley e que assobiar uma canção no final do show é coisa pra gente decadente e pouco antenada .
Bom, mas neste caso aqui, de cara já fui surpreendido por uma música deliciosa de Andrew Lippa, autor da música e das letras, que tem pouca estrada na Broadway (fez apenas “The Wild Party” que é ótimo, e algumas canções extras em “You´re a Good Man, Charlie Brown”). As canções de “The Addams Family” são o ponto alto do espetáculo, com letras engraçadíssimas, cheias de humor negro e muito cinismo, como é de se esperar de um espetáculo baseados nestes personagens. Há muito ritmo latino nas canções, um tango sensacional no segundo ato (“Tango de Amor”), que é um número onde Morticia e Gomez dançam depois de cantarem, e que proporciona em seguida uma das melhores coreografias do espetáculo para Morticia e o coro de bailarinos. Outro número excelente é o quarteto “Let´s not Talk About Anything Else But Love”, com Gomez, Mal, Uncle Fester e a Vovó Addams, um delírio no estilo de Cole Porter (a canção é quase uma paródia de uma das “list-songs” de Porter, “Let´s Not Talk About Love”), que traz um gosto de ‘velha Broadway’ ao centro da cena, o que aliás aparece em diversos outros momentos. Virei fã de Andrew Lippa assim que baixou o pano, quero ver e ouvir tudo o que ele fizer a partir de agora, já que dificilmente consigo me interessar por compositores de teatro nos últimos tempos, pois fico sempre esperando escutar algo que só ouço mesmo nos revivals.
O espetáculo foi muito mexido desde a estreia há alguns meses fora de Nova York. Trocaram de diretor, mexeram diversas vezes no texto, mudaram músicas, foi um tipo de produção bastante traumática e cheia de problemas até chegar ao Lunt Fontanne Theatre, que é um dos maiores teatros de Nova York, e um dos mais cheios de recursos cênicos para espetáculos de grande porte. Não faço ideia do pesadelo que viveram antes da estreia, nem mesmo do que rolou por trás do pano até chegarem aqui… Mas isso também não interessa, pois estou assistindo ao que está na minha frente, e não o que não chegou a nós na plateia. Deste modo, o cenário é bastante complexo, grandioso, talvez um pouco monumental demais, mas não deixa de ser bonito e gótico na medida certa. Os figurinos são lindos e as caracterizações são coisa de cinema: você está vendo o que viu na TV em preto e branco, sem tirar nem pôr. A luz é o padrão Broadway, ou seja, dificilmente você vai ver uma iluminação ruim ou mal feita num espetáculo que chegou a estrear ali. O mínimo de garantia é sempre ver um espetáculo bem iluminado, mesmo quando a proposta é trabalhar com muita escuridão e sombras, como é o caso de “Addams Family”.
O elenco é um caso à parte. Kevin Chamberlin como Uncle Fester é um ladrão de cenas, no melhor sentido da palavra. Super protegido pela adaptação, o personagem ganha número fantástico no segundo ato, algo entre entre o lírico e o grotesco, onde Fester dança com a Lua, sua namorada. Jackie Hoffman, que faz a Vovó Adams, é outro acerto: fala pouco, tem apenas alguns trechos em canções, mas é hilariante e tem as tiradas mais ferinas da peça. Uma delícia de composição!
Mas o casal de protagonistas é mesmo o destaque absoluto. Primeiro, Bebe Newirth, uma estrela da Broadway, como Morticia. Ela é o personagem, com sua voz rouca e sensual, sempre parecendo de mau humor, com um charme incrível, e num papel que inclusive nem é à altura da sua carreira e do seu talento.
Contudo, a noite e o espetáculo são de Nathan Lane. Sou suspeito pra falar dele, pois sou mais que fã: sou obcecado por Nathan Lane. Desde que o vi num palco pela primeira vez fazendo “Guys & Dolls” em 1996”, tornei-me um seguidor de Lane, não deixei de ve-lo em nenhum espetáculo em todos estes anos. De lá pra cá ele se tornou top billing absoluto, ou seja, um nome que sempre vem antes do título. Isto é para poucos no teatro, e Lane nem fez a habitual passagem para Hollywood (fez poucos filmes e não é um astro internacional, digamos assim); continua um ator da Broadway e dos musicais, como sempre. Já vi Nathan Lane em espetáculos inesquecíveis como “The Producers”, onde ele era o show em pessoa, e também em espetáculos menos vitoriosos como o tedioso “The Frogs” de Stephen Sondheim, que Lane ajudou a re-escrever e levar à cena. O show era um pouco chato, mas Nathan Lane fazia a gente aguentar até o fim.
Aqui na FAMÍLIA ADDAMS, no papel do patriarca Gomez, ele tem um personagem que lhe exige pouco, pois Nathan é muito parecido com seu Gomez. É o dono da cena em quase todos os quadros, mas nem precisa se esforçar muito: sua cara de enfado, de preguiça e de desinteresse apenas ajudam o personagem que é cheio de tiques, detalhes de expressão facial impagáveis, sobrancelhas que se mexem para cada palavra do texto, e uma piada certeira atrás da outra. Tudo o que Nathan Lane sabe fazer, e faz quase como se estivesse em casa, entre uma refeição e um banho de banheira, completamente à vontade e quase entediado. Eu adoro isso! E o público o ama!
Sei que a crítica do Times falou mal do espetáculo. Sei que realmente não é uma unanimidade. Mas está lotado até o final do ano, você realmente precisa batalhar por ingressos na fila de desistências, e lhes garanto que o público sai muito feliz e cantarolante do teatro. É uma festa.
Comentei com um amigo brasileiro que não gostou muito do espetáculo que eu estou no meu momento “Márcia de Windsor”, ou seja, estou curtindo as coisas sem muito compromisso, achando tudo ótimo, divertido, dando nota dez sem nem pensar nas consequências… Bom mesmo é ser feliz, e to torcendo pra este sentimento durar bastante.
Então indico A FAMÍLIA ADDAMS pra todas as pessoas normais que forem à Nova York e quiserem assistir a um musical que não é uma revolução em nenhum aspecto da dramaturgia mundial, nem mesmo uma facada no peito de quem está a fim de descer às profundezas da alma humana, e menos ainda é algo pra você passar o resto da semana pensando a respeito. Mas é diversão garantida por duas horas e meia, com música de grande qualidade, muitas risadas, uma festança para os olhos e ouvidos. Eu A-DO-REI!
Claudio Botelho
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Créditos das Fotos:
The Addams Family – A New Musical Home Page
Broadway.com
Playbill.com
Adriana Garambone: Deixa Que Eu Te Encanto!
maio 28, 2010 by Site Möeller & Botelho
Filed under Gypsy, Site
Foto: Robert Schwenck
“Eu tive um sonho”. Quem repete esse bordão várias vezes em ‘Gypsy’ não é Louise, e sim sua mãe, Rose. Mas na realidade, quem teve um sonho foi Adriana Garambone.
Ao assistir a montagem de ‘Gypsy’ na Broadway, a atriz se encantou com o musical e com a personagem Louise. Resolveu ligar para o diretor Claudio Botelho, que imediatamente comprou o projeto, literalmente falando.
Após três anos de espera, ‘Gypsy’ estreou em abril de 2010 com Adriana no papel de Louise e Totia Meireles no de Rose. É mais que a realização de um sonho. É um up grade na carreira de ambas as atrizes e da própria produção de musical no Brasil. Para Adriana Garambone é um momento de plena maturidade artística.
Conversamos com Adriana na plateia do Teatro Villa-Lobos, momentos antes do início do espetáculo.
Neste bate-papo informal e bem-humorado, ela fala de como construiu sua perosnagem, Louise, como se preparou para Gypsy, sobre seu reencontro com a dupla Möeller & Botelho, e sobre sua maturidade como atriz e cantora, entre outros assuntos.
Confira e se encante. Com vocês, Adriana Garambone:
Foto: Robert Schwenck
Você é a idealizadora da versão brasileira de ‘Gypsy’. Como surgiu a ideia de fazer esse espetáculo?
‘Gypsy’ foi uma das primeiras peças que eu assisti na Broadway e que me encantei, não só com a peça, mas com a personagem da Gypsy, a Louise. Ela ficou no meu arquivo de sonhos. Só que era um sonho muito impossível. Na época que eu assisti, montava-se pouca coisa original aqui. Quando eu terminei de fazer ‘Chicago’, que também era um sonho da minha vida, eu fiquei pensando o que seria legal de fazer. E em uma conversa com a Alessandra Verney, ela me perguntou: ‘por que você não faz Gypsy? Você sempre quis fazer!’ Pelo tamanho dessa peça, sempre achei que era uma coisa assustadora pra mim. Só que como os meninos (Charles Möeller & Claudio Botelho) estavam no tamanho que eles estão, comecei a achar que não era algo tão impossível assim. Eu liguei pro Claudio e dei essa ideia de montar ‘Gypsy’. Ele estava indo para Nova York e a partir daí a gente ficou com essa conexão. Ele conseguiu fechar os direitos e no momento da compra, nós já tínhamos a Totia na cabeça. Eu e a Totia compramos juntas com eles, mas a negociação foi toda do Claudio.
Aí demorou um pouquinho pra sair…
Nossa! Três anos! Acabou que eu fiquei cinco anos longe dos palcos. ‘Chicago’ encerrou a temporada no final de 2004. Então desde esse ano eu fiz TV. A gente tem que tomar cuidado com aquilo que a gente deseja, pois acontece! Quando acabou ‘Chicago’ eu disse que queria fazer televisão. Até ali eu tinha feito teatro absolutamente todos os anos da minha carreira. Quando acabou ‘Chicago’, eu estava com uma sensação de ter realizado um sonho tão bom, tão grande, que eu queria começar a investir em outra coisa e aconteceu. Eu recebi uma proposta da TV Record e fiz cinco novelas. Acabou que ‘Gypsy’ veio na hora certa, pois eles mesmos na Record decidiram que eu precisava de umas férias. Aí foi maravilhoso. Eu só tive uma semana gravando novela e ensaiando ‘Gypsy’ ao mesmo tempo. Depois fiquei só no ensaio. Eu acho terrível fazer dois trabalhos simultaneamente! Acho incrível quem consegue porque eu sou uma atriz que mergulha demais no que faz, então me sinto pela metade num personagem se eu não estiver absolutamente voltada para ele.
Como você se preparou para ‘Gypsy’?
Durante todo esse tempo que eu fiquei sem fazer teatro, não fiquei parada. Fiz aula de canto, mesmo que em alguns momentos ficasse mais difícil de conciliar com as gravações na TV. Se eu não conseguia fazer ballet, fazia luta ou musculação para manter o físico. Eu nunca parei, mas quando chegou o fim do ano passado, quando houve a definição que ‘Gypsy’ estrearia em abril, comecei a fazer ballet clássico e aula de canto com a Ester Elias toda semana. Durante os ensaios fazia três aulas de canto por semana e ballet todo dia. Tenho muito a agradecer a Ester Elias nesse processo. Ela foi maravilhosa! Colocou a minha voz de um jeito… eu sabia que já tinha tido um crescimento vocal muito grande nesses anos todos de canto, mas não sabia que eu ia ficar tão satisfeita com o resultado.
Você teve um grande momento na sua carreira que foi viver a Roxie Hart de ‘Chicago’ e agora tem esse novo upgrade…
Sim, artisticamente foi sim. A maneira como eu estou artisticamente hoje é um upgrade. Eu estou mais madura como atriz, mais segura como artista, cantando muito melhor… De uma maneira geral estou em um momento melhor hoje. E não só artisticamente, mas pessoalmente também. De todos os frutos que colhi de ‘Chicago’ pra cá, sinto que to num momento muito bom da minha carreira. Então ‘Gypsy’ foi um presente para esse momento. Os meus amigos de São Paulo acompanham tudo pelo Site Möeller & Botelho e me dizem: ‘nossa, fico impressionado com a sua cara de felicidade’ (risos). E é verdade. A peça é muito cansativa, difícil, você tem que se dedicar muito, mas dá um prazer… E esse sucesso de crítica e público é fantástico. O verdadeiro prêmio do teatro é isso: você ver esse mar de gente na plateia, ver que a casa está lotada. É uma delícia.
Foto: Robert Schwenck
Como foi a sua construção da Louise, aquele patinho feio que vira uma linda e sensual mulher?
A maior construção foi, na verdade, a parte dela menina. Foi a parte mais difícil mesmo de fazer, de criar todo um maneirismo, toda uma partitura de movimentação que não é a minha. Foi uma composição. Então a composição maior está na menina e não na estrela. Porque a estrela eu já havia feito personagens em outros trabalhos, como em ‘Cabaret Brasil’, em que eu vivia situações parecidas. Mas a menina não. Então a construção dela foi muito interessante. Essa virada dela, essa transformação é o grande lance. Se eu fosse fazer só essa menina, não sei se curtiria tanto. O grande lance são esses pólos opostos. Ela se transforma naquela mulher, mas ela é a mesma pessoa. Sempre perguntam o que o personagem tem da gente. É claro que a gente sempre tem alguma coisa do personagem. Se não está totalmente aflorado, buscamos dentro da gente o que podemos emprestar para esse personagem. Mas no caso da Louise, ela tem uma coisa meio paradoxal que é muito parecida comigo: eu tenho esses dois lados. Sou uma pessoa que gosta de uma vida simples, de botar um chinelo e ir à farmácia, sem glamour nenhum, sem precisar me maquiar e me arrumar… ficar um mês no sítio assim, de uma maneira absolutamente despojada. Eu curto isso. E isso é o desejo da Louise. Ela é uma criatura que só quer ter uma vida simples. Mas ao mesmo tempo, quando acende o refletor, eu também não acho nada ruim (risos). Também tenho esse bicho do teatro, esse bicho da TV. Eu também sinto esse prazer de estar no palco, de estar sob o holofote. Então são duas coisas na minha vida que são opostas mas que são importantes. Não conseguiria só viver uma vida simples ou só viver uma vida de atriz no palco. O mais legal é balancear essas duas coisas. E essa personagem me traz na mesma peça a oportunidade de viver esses dois lados numa mesma noite. É muito interessante. Acho que desde o início, quando vi ‘Gypsy’ pela primeira vez, isso foi o que eu achei mais interessante na Louise. Não adianta você ser uma vedete se você não sabe construir um personagem como a Louise. E também não adianta você saber construir um personagem como a Louise se você não consegue virar uma vedete no final. Então desde o início eu achei isso um desafio instigante. Dá uma vontade de experimentar isso. A coisa das trocas de roupas…
A cena do strip-tease deve ser um exercício e tanto…
É uma loucura, porque você depende de muita gente. Se com a Louise por acaso não der tempo de colocar uma boina, não tem problema nenhum. Ela tá lá, tá construída no meu sentimento. Já com a Gypsy, tem a cortina que tem que pegar na hora certa, a troca de roupa que tem que dar certo… Eu tive que ter um controle mental para não pirar. Eu fiquei muito nervosa. Um dia me toquei de uma coisa: ‘aconteça o que acontecer, eu tenho que ficar muito calma’. Porque se não eu deixo as camareiras nervosas, deixo o cara da cortina nervoso, deixo todo mundo nervoso e isso não pode acontecer. Até agora essa calma tem dado certo. Agora tá até sobrando tempo.
Foto: Robert Schwenck
Como você analisa o processo de direção do Charles Möeller em ‘Gypsy’?
Eu quero fazer uma declaração de amor explícita! (Risos). Eu tive uma confiança absoluta nele e num grau que se ele falasse ‘planta bananeira’ eu iria achar que a melhor coisa a fazer mesmo era plantar bananeira. Isso é delicioso: você entregar suas ferramentas, seu trabalho inteiramente nas mãos de um diretor. Primeiramente por causa de tudo que assisto deles há tanto tempo… é um bom gosto! Não tem uma peça deles que eu saia falando ‘ah, aquilo foi ruim’. Então eu já entrei em ‘Gypsy’ com essa confiança. Foi incrível ver a inteligência dele dirigindo, a visão dele… em momento nenhum eu divergi de qualquer coisa que ele tenha dito. E eu me divirto com ele! Eu rio dos pensamentos dele. O que pode ser melhor para um processo do que você ser apaixonada pelo diretor? (Risos). Ele é de uma delicadeza em todo o processo… A estrutura também é fantástica. Eles estão em um momento artístico muito bacana. Trabalhando com eles a gente cresce, aprende, ganha muito. Do que adianta você fazer aula de canto, ballet, se o diretor não te dá a base para você cantar com calma, ter tempo de fazer a coisa amadurecer? O Charles tem paciência de deixar as coisas amadurecerem. O diretor também fica ansioso para ver o resultado, mas ele sabe que aquilo que a gente começou dois meses antes vai amadurecer. Fico muito grata ao Charles e ao Claudio por essa tranqüilidade de deixar o artista amadurecer no processo. Eu me senti muito confortável. Tinha ansiedade de trabalhar com eles, mas medo, não tinha nenhum. Eu sabia que se eu não tivesse bem em algum departamento, seria muito bem defendida por eles, o que é confortante para o ator. Você acaba ficando tão relaxado que consegue criar, cantar, dançar relaxadamente, sem pressão ou ameaça. Você amadurece com tranqüilidade e fica feliz porque resulta. Uma das coisas que mais me chocaram no Despertar da Primavera, por exemplo, eram aqueles meninos, aquelas crianças tão monstros em cena… Como se consegue colocar atores tão jovens tão bem em cena? Não é só a escolha, é pegar 19 atores jovens que eram inexperientes por mais talentosos que fossem e colocar todos muito bem. É fruto dessa tranqüilidade, desse colo. É um processo genial. Eles estão próximos dos americanos mesmo. No ‘Chicago’ a equipe era americana e foi uma maravilha conhecer o método americano de trabalho. E era exatamente baseado em escalonamento. Meia hora de canto, depois uma hora de coreografia, depois estudar as cenas com o diretor. É por isso que se consegue montar um espetáculo do tamanho de ‘Gypsy’ em apenas dois meses. Você otimiza seu tempo e tá todo mundo ensaiando as suas partes e ao mesmo tempo ensaiando junto. Nós já estreamos maduros. O Charles um dia na rodinha falou: ‘demorou tanto porque tinha que ser com essas pessoas’. Eu acredito nisso totalmente. Demorou tanto porque tinha que demorar, para resultar no que resultou.
Você já tinha participado de ‘Cole Porter – Ele Nunca Disse que me Amava’, de Möeller & Botelho…
Sim, eu já tinha gostado muito de trabalhar com eles naquela época. Mas eu entrei em uma outra formação do elenco, não era a original. Mas mesmo assim foi um processo muito bacana, mesmo que diferente. ‘Cole Porter’ (na foto ao lado, Adriana ao lado de Alessandra Verney) era uma peça que já estava pronta, não era uma criação. Eu já tinha curtido muito, mas agora nem se compara pegar um projeto como esse desde o início…
E como o canto entrou na sua vida?
Quando eu comecei a estudar teatro, o meu corpo era muito mais elaborado que a minha voz. A minha figura era muito mais forte de se ver do que de se ouvir. Antes de fazer aula de canto, comecei a fazer aula de voz mesmo, a voz falada. Eu queria aproximar a minha voz do meu corpo. Quando fazia CAL (Centro de Arte de Laranjeiras), a aula de corpo era inacreditável. Eu estava anos-luz à frente daquilo. Mas vocalmente eu era tímida. Aí comecei a estudar canto porque me disseram também que se estudasse canto, a gente crescia, a voz aumentava. Mas fiz canto com muita gente que não era focada em musical. Não adianta você estudar Bossa Nova se você quer fazer musical. Tem gente que estuda lírico, que é maravilhoso e ajuda muito, mas mesmo assim, eu continuo achando que não é o lírico que forma a cantora de musical. É o belt, é a voz voltada pra musical. Quando comecei a ter aulas com as pessoas de musical, aí que minha voz mudou. Durante muitos anos fiz aulas com pessoas que não eram de musical, o que não adiantou muita coisa pra mim. Hoje essa diferença é grande por causa desse direcionamento. Eu fiquei muito feliz com os elogios que eu recebi das cantrizes por meu canto em ‘Gypsy’. Isso pra mim foi muito legal. Quando você recebe um elogio sincero de uma pessoa que entende daquilo que você tá fazendo, é um prêmio. Kiara Sasso, Alessandra Verney, Sabrina Korgut e Gottsha foram algumas que me elogiaram vocalmente. Fiquei muito feliz com isso. Pra mim foi o Tony! (Risos). E claro, o Claudio, que era uma pessoa que eu morria de medo. Tinha medo de cantar para ele. Quando ele também me elogiou sinceramente, quando ele disse que estava gostando muito, eu até brinquei com ele: ‘Bom, então era só isso que eu queria, não vou nem estrear a peça’ (risos).
O ‘Carneirinho’ deve ser a música mais difícil que você canta…
Sim, ela é muito delicadinha. Ela é um cristalzinho que temos que tomar muito cuidado… se eu faço um movimento brusco, a voz sai do lugar. É aquela música de princesinha da Disney que não é a minha característica. A minha é mais o belt, que é a música da vedete no final. Foi um desafio brilhante. É mais uma coisa que essa peça me proporciona. Eu tenho quatro músicas e cada uma canto de um jeito. Eu fui obrigada a estudar várias maneiras de cantar. Também foi uma oportunidade de crescimento.
Foto: Robert Schwenck
Outro momento bonito seu em cena é o número do Tulsa (André Torquato)…
Eu adoro fazer o número do Tulsa. Ali eu deixo vir um sentimento puro, aquele que a gente sente só quando é adolescente mesmo… quando você olha para um menino e imagina que tudo é maravilhoso e lindo, que ele é o amor da sua vida… isso é uma das coisas mais legais de ser atriz… a gente deixar viver aquele sentimento puro que não existe mais. Eu adoro esse número e o André faz muito bem, então fico admirando ele de verdade.
E daqui pra frente, Adriana? Já tem outros sonhos? Presumo que você queira trabalhar com musicais pra sempre…
(Risos). Eu já fechei contrato! Só trabalho com Charles e com a Record! (Risos). A gente não consegue parar de fazer musical. Eu entrei nessa categoria porque dancei a minha vida inteira. Antes de ser atriz queria ser bailarina. Era meu sonho de criança. Eu cheguei muito perto de me profissionalizar como bailarina. Comecei a fazer teatro e vi que podia utilizar a dança no teatro. Aí mudei de sonho: ‘vou ser atriz’. E foi a melhor coisa que eu fiz. Eu to indo para Nova York agora nesse intervalo das temporadas de Gypsy no Rio e São Paulo. Vou lá, vou assistir musicais, e daqui pra frente será a mesma coisa: fazer aulas de canto, assistir algumas coisas, esperando para ver o que me encanta…
Veja mais alguns momentos de Adriana Garambone em ‘Gypsy’:
(são duas galerias: 1 e 2)
Fotos das galerias: Leo Ladeira. © Copy Right: Blog Gypsy – O Musical / Site Möeller Botelho.






























