Muito Além da Muralha – Charles Möeller para Rubens Ewald Filho

março 23rd, 2010 7 Comentários

“Conheço o Rubens Ewald Filho inicialmente como fã, pois sou cinéfilo desde criança! Meu primeiro trabalho foi com entregador de filipeta nos festivais de  cinema, no Indaiá Arte, onde vi meus primeiros filmes. Foi lá que conheci  Fassbinder, Irmãos Taviani, Antonioni, Pasolini, Fellini, a seleção de ouro de Hitchcock… Entregava as filipetas e assistia os filmes de graça!

Cresci escutando sua voz com velocidade ímpar naquelas noites de Oscar, quando ele dava  TODOS os nomes de atores e filmes que passavam  em clipes de segundos! E Isso muito antes dos VHS e DVDs! Em Santos vivia esbarrando com ele ali pelo Gonzaga e eu, como jovem tiete, o via sentado com amigos no calçadão em frente ao Cine Itajubá. Ficava louco para perguntar qual era seu filme preferido!

Mais tarde o conheci realmente, pois ele era o melhor amigo de minha professora, mestra e primeira diretora profissional, Neyde Veneziano, que me dirigia no Noviço de Martins Pena, onde eu fazia Carlos, o próprio Noviço. Na época da estreia, ele m viu em um ensaio geral e me encorajou, dando toques precisos. Eu tinha 13 anos e tentei absorver tudo que aquele homem de cinema que já havia entrevistado e conversado com astros e estrelas de Hollywood tinha a me dizer!  Já tinha um grande diretor de teatro dentro dele, como depois se revelou, isso além, claro, de ser escritor/dramaturgo e autor de novelas (fez um telefilme de vampiros com  Cleyde Yáconis e Bruna Lombardi que eu amava), além de ser o nosso maior e mais pop critico de cinema!

Como  cinéfilo colecionei todos os seus manuais e livros, pois ainda adoro suas resenhas! Algumas sei de cor até hoje, como a de Cantando na Chuva: “O melhor e mais perfeito musical de todos os tempos!” Pra mim Oscar sem ele era até entediante. O que eu quero é ouvir tudo o que ele e tem a dizer! Com ele não tem meias palavras: se não gosta do vencedor a gente sabe, e se ganha o favorito dele vibramos juntos pois ele torce! Fala horrores dos vestidos das oscarizáveis. Quem não se lembra da  Cher vestida de teia de aranha ou  o ganso morto que enrolava a Bjork?

Hoje pela manhã, ao ler o que ele escreveu sobre nós, e principalmente sobre o Claudio, o texto teve um sabor muito especial para um santista que quando criança e adolescente sempre se projetava nos que saíram, nos que conseguiram, nos que venceram, os que tiveram coragem de subir a serra e ou atravessar A Muralha, como os primeiros  portugueses  a chamavam quando chegaram em São Vicente e deram de cara com a Serra do Mar  ameaçadora e gigante prendendo e dividindo o litoral do mundo!  Queria ser como eles que subiram a serra! Olhava o Rubinho (como é conhecido pelos amigos), o Ney Latorraca, o Nuno Leal Maia, a Jandira Martini, a Bete Mendes, o Claudio e o Sergio Mamberti, a Lolita Rodrigues, o Plínio Marcos e me espelhava neles!

Anos se passaram e eu realmente atravessei a muralha. Fui pra São Paulo, pro Rio, fiz novela, teatro, virei diretor e nunca deixei de ter contato com ele, mesmo que ele não  tivesse comigo. Lia seus livros e via seus ótimos programas sobre cinema e as noites do Oscar, até a sua estreia como diretor no adorável “Meu Querido Mundo”. Nos encontramos mesmo quando ele fez esse convite pra lá de emocionante da gente fazer um livro sobre os nossos 20 anos,  e de presente nos trouxe nossa biógrafa, que se transformou imediatamente numa amiga confidente! O livro foi só prazer! Os sábados com a Tânia foram de muitos cafés e risadas. O livro ficou DESLUMBRANTE e originou o Versão Brasileira que é um encontro de amigos amados: eu, Claudio, Edgar, Thiago e Marcelo! Acho que o Versão Brasileira é graças ao livro que é graças ao Rubinho! Obrigado Rubinho! Que bom poder agradecer por esses encontros, poder estar perto de quem eu acredito e ter ainda tanta historia pra contar e ouvir de vocês todos ! Muito obrigado”.

Charles Möeller

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7 Comentários

  1. Bruno Didone disse:

    Charles e Cláudio sempre admirarei vocês! Sou fã dos dois!!!

    Abração

  2. Regina Fernandes disse:

    Muito poético! Essa metáfora da Serra, da muralha, é muito bonita. Parabéns!

  3. Claudio Erlichman disse:

    Eu nem preciso dizer que foi ler e começar a lacrimejar. Charles vc é a generosidade em pessoa, e que bom que, graças ao Rubens, nossos caminhos se cruzaram e poderei conviver com vc e o Claudio ainda mais em 2011. Que o Fiddler seja só o começo!
    Bjs.

  4. Mariana Carrozzino disse:

    Os textos do Möeller são sempre um deleite! Quanta experiência e histórias legais esse cara tem pra contar…

  5. Marisa Sá. disse:

    Como é bom ver pessoas que apesar de tanto sucesso na carreira, continuam humildes. As lembranças dos que os inspiraram e/ou ajudaram a chegar onde estão, estão vivas em vcs. Isso é reconhecimento. Era só o que podíamos esperar de pessoas tão especiais.
    Parabéns, SEMPRE!!!!!

  6. André disse:

    Onde podemos comprar o livro?

  7. maria de fátima da silva disse:

    Lindo, mais que lindo e merecido!! Parabéns aos dois

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