Os Sons do Despertar – Entrevista Márcio Castro
janeiro 26, 2010
Categorias: O Despertar da Primavera, Site
Um dos (muitos) belos momentos de O Despertar da Primavera ocorre no final do espetáculo, quando, ao som da “Canção de um Verão”, a cortina se ergue revelando a presença da orquestra ao fundo do palco.
Esse momento causa inclusive surpresa em quem passa a peça inteira achando que o som vem de playback.
A orquestra do Despertar é formada por tarimbados músicos que são regidos pelo pianista Márcio Castro. Oriundo de uma família de maestros, Márcio, que tem experiência em corais e trabalhos para televisão, encarou sua primeira regência em musicais com muita garra e talento.
Conheça nessa entrevista mais um pouco sobre nosso maestro e também da orquestra do Despertar.
Márcio, você é carioca? Como e quando começou a tocar instrumentos e a se interessar pela música?
Da gema! Nascido em Cascadura, criado e morando no Méier. Dois bairros do subúrbio. Meu início na música? Primeiro eu era um espermatozóide guardado por papai, que mais tarde foi parar em mamãe… Bem, o desenrolar dessa história todo mundo sabe (menos a Wendla), mas isso é só pra ilustrar que penso que a música já tem interesse por mim antes mesmo que eu tivesse interesse por ela. Senão, vejamos: Só de maestros, minha família tem quatro: meu bisavô, minha avó, meu pai e meu irmão (o diretor musical e regente Marcelo Castro). Isso pra não falar dos primos em segundo grau. Eu era muito pequeno, logo, não lembro, mas meu pai diz que algumas de suas composições foram escritas comigo trepado sobre suas costas “tocando” uma velha escaleta. Mais tarde, aos seis anos, fui estudar piano de verdade. Desconfio que, mais para deixar de incomodar ouvidos alheios do que por alguma vocação aparente.
Qual é a sua formação? Fale um pouco de suas experiências profissionais anteriores.
Sou publicitário, com MBA em Marketing e Gestão de Clientes. Verdaaaade! – como diz a Ilse. Só que é verdade mesmo. Mas creio que a pergunta se referia à música, então vamos lá: Tenho formação em piano, harmonia e canto coral pelo Conservatório Brasileiro de Música. Já toquei, compus e arranjei para alguns corais e conjuntos evangélicos, assim como para um coral universitário. Participei de alguns festivais de música também. Meus trabalhos mais recentes foram a gravação do cd e dvd acústico do cantor Jerry Adriani e, antes do convite para o Despertar, vinha realizando alguns trabalhos para a Rede Record de Televisão.
Essa foi sua primeira experiência como regente de um musical? E que tal a experiência de reger um musical como O Despertar?
Sim, e que experiência! Meus trabalhos anteriores, apesar de fundamentais para o aprendizado e maturidade, ainda não tinham o peso profissional que este tem. Até porque não estamos falando de algo pontual onde você chega, faz o seu, pronto e um beijo. Nosso trabalho é por toda uma temporada, por isso é preciso muita disciplina e regularidade. Soma-se a isso o fato de cada apresentação ser uma história diferente. Não há rotina, pois se uma “deixa”, marca ou tempo de cena mudarem, isso vai se refletir imediatamente na regência. Dos cinco sentidos, nós músicos temos de estar com três muito aguçados. Re-la-cha-men-to? Desculpe, não sei pronunciar essa palavra (risos). E assim não foram poucas as vezes em que me perguntei o que deu na cabeça dessa gente pra me chamar para um trabalho desses. Tenho uma “listinha” de agradecimentos, posso falar?
Com a temporada do “Despertar” chegando ao fim no Rio, como você analisa sua participação nesse trabalho?
São vinte e uma “feras” – duas adultas e dezenove filhotes – que precisam ser contidas por muros de tijolos e ferros. Minha função é tão somente alimentá-las de quinta a domingo com generosas porções de semibreves, semínimas e colcheias. Aos sábados, é preciso dobrar a alimentação. Brincadeiras à parte – a exceção das “feras”, pois de fato o são – me vejo como parte de uma engrenagem. Compete a mim um trabalho de grande responsabilidade, eu sei, mas que nem de longe é mais importante do que os demais. Afinal, o que seria do Carlos Gregório se a Martinha não estivesse com a roupa dele já na mão numa rápida troca de cena? Ou como ficaria a abertura do 2º ato se o “João Grandão” e o pessoal da varanda esquecessem de descer a iluminação? Exemplifiquei apenas dois casos, senão a temporada acaba e a entrevista não. E é essa a magia que tem me encantado. A dependência mútua que existe entre todos que trabalham num projeto como esse.
Como foi convivência com os músicos, elenco e produção?
A melhor possível. Onde há profissionalismo, há respeito. Num local onde cada um sabe exatamente o que tem de fazer (e faz), não há como deixar de haver bom relacionamento. E foi isso que vivenciei durante todo esse tempo. Mas faço questão de separar as respostas, tal como solicitado:
Os músicos – Meu Deus, como esse pessoal toca! Não é brincadeira ter de erguer os braços para gente tão competente, escondida ali atrás daquele “pano preto”. Marcinho, Professor Omar, Thiagão, Dantas, Poyart, Jocce, Saulinho e Anderson. Meu agradecimento público a vocês e vossos subs.
O elenco – alguns acham que não, mas já estou meio velhinho, por isso me vejo meio como “tiozão”, quer dizer, “irmão mais velho” dessa garotada. Às vezes perturbo, querendo saber como estão suas vozes, se estão se cuidando, pedindo para que se poupem. Mas é tudo carinho, pois são todos lindos, obedientes e maravilhosamente profissionais.
O teatro, o cinema, a TV e sei lá qual arte a mais podem ficar tranqüilos pelos próximos anos, pois se essa gente tão nova já faz isso tudo agora…
A Produção – são nosso alicerce. Eficazes, eficientes e efetivos, propiciam tudo para que não nos preocupemos com nada.
Um dos momentos mais bonitos do espetáculo é quando a “cortina” é erguida, revelando a orquestra no fundo do palco. O que as pessoas comentam sobre esse momento, que é sempre aplaudido?
É emoção purinha, sem gelo. O curioso é que a cortina sobe simultaneamente com o arrepio que começa no pé e vai até a cabeça. É a hora de sorrir com o público, com o elenco, com o backstage e por que não sorrir para nós mesmos, pela certeza de mais uma noite de dever cumprido. É, sem dúvida, um momento único, no qual os aplausos são os maiores comentários que ouvimos. Mas já houve gente inconformada, questionando sobre o porquê de “taparem” a gente no início e só nos mostrarem no final. Diziam que devíamos aparecer o tempo todo. É uma divertida demonstração de carinho.
Como é a sensação de sentir a energia da plateia estando fora do palco? Ou vocês ficam tão concentrados que não dá nem para perceber?
Por mais concentrados que estejamos, não há como deixar de sentir o que vem lá da frente. Lembra o que falei sobre os sentidos? Nessa hora, as mãos estão tocando. A visão está voltada para a partitura (até porque o “pano preto” não nos deixa ver nada), mas os ouvidos se dividem entre as melodias que produzimos e os sorrisos, aplausos e silêncios que a platéia nos oferece. Sinestesia total.
Gostaria de continuar trabalhando nesta área (Teatro), mais especificamente em musicais? Tem preferência por algum tipo de musical (clássico ou moderno, por exemplo)?
Escrevi a uns amigos recentemente, dizendo que estava realizando um trabalho sem precedentes em minha vida profissional. Por este trabalho, tenho dado o meu melhor. Não fui eu que escolhi “O Despertar da Primavera”. Fui escolhido para ele, por ele. Melhor: escolhido e contaminado. Logo, não cabe a mim preferir esse ou aquele tipo de musical. O que devo fazer é agradecer a Deus e continuar trabalhando sério para que em outras primaveras possa colher as flores de carinho, respeito e comprometimento que estou plantando hoje.
Conheça a Orquestra do Despertar:
Márcio Castro Regência
Márcio Castro - Teclado
Marcio Romano – Percussão
Thiago Trajano – Guitarra / violão
André Dantas – Violão/ guitarra
Anderson Pequeno – Violino
Jocelynne Cardenas – Viola
Saulo Vignoli – Cello
Omar Cavalheiro – Baixo elétrico e acústico
Confira fotos da orquestra nesse ensaio fotográfico:
Fotos:
Marian Starosta
Leo Ladeira






















Andre Loddi em ter, 26 jan 2010 8:36 pm
Marciããoo!! Voce é incrivel! Adoro vc!
Estou super feliz que vc vai continuar em Sp com agente!!
Abracao
Andre Loddi
Jocelynne em ter, 26 jan 2010 8:42 pm
Meus Deus que emoçao!!
Vou sentir tantas saudades de cada um de voces! Foi um prazer, um orgulho e uma alegria inmensa compartir esta Primavera Maravilhosa que ficara pra sempre no meu coraçao….
Obrigada, Obrigada!!!!!!!!
JO
Jocelynne – Viola
Marisa Sá em ter, 26 jan 2010 8:54 pm
Mais que merecida essa página dedicada a esses músicos fantásticos que são parte fundamental desse estrondoso sucesso.
PARABÉNS, MARCIO E TODA A GALERA!!!!!
Não tenho dúvida que em São Paulo terão ainda mais alegrias!
Marisa Sá.
Tereza Cristina Fagundes em ter, 26 jan 2010 9:51 pm
Marcio..
DEUS TE ABENÇOE…. vc merece muito mais que isso….
Seu caminho ta só começando.
Tereza Cristina
CRIS em ter, 26 jan 2010 10:06 pm
Sem dúvida, uma das melhores entrevistas que li neste site.
Parabéns, vcs são fundamentais neste trabalho primoroso!!!
Debora Castro em ter, 26 jan 2010 10:23 pm
Que ORGULHO de você!
Por você todas as minhas fichas!
Te amo.
Guilherme Ferreira em ter, 26 jan 2010 11:24 pm
Ótima entrevista. Adoro essas que falam sobre os bastidores dos musicais. Parabens, Leo.
Tininha em qua, 27 jan 2010 12:44 am
Marcito,
Vc é um dos alicerces do DESPERTAR.
Além de um profissional incrivel, uma pessoa MARAVILHOSA.
Entrou em nossas vidas pra SEMPRE!!!
Bj,
sua fã Tininha
Malu em qua, 27 jan 2010 3:17 am
Quando vocês virão a Brasília??? Estamos aguardando!!!
Teresa em qua, 27 jan 2010 11:57 am
Numa tarde de sábado, entro pela portinha de trás do teatro e logo me invade o cheiro dos bastidores do ‘velho’ Villa Lobos (onde já trabalhei …)
E ali, entre coxias, num cantinho, estava a Banda de Despertar.
Uma hora antes do espetáculo, eles estão ali, passando cada canção …
- que linda é a trilha, que encanto é ouvir o cello de perto e o violino e a viola ….
Nossa, acho que ficaria ali atrás uma sessão inteira !
Márcio, um pianista apaixonado pelo que faz, que nessa bela entrevista se revela com toda a sua emoção mais um que foi contaminado pelo vício dos musicais, onde, espero, nunca mais deixe de tocar em mil primaveras.
Thiago, que se dividiu até o último momento entre os ensaios de Versão Brasileira e Despertar e agora está brilhando na Arena do SESC ao lado do Claudio.
Marcinho, Omar, Dantas, Poyart, Joce, Anderson e Saulinho que já é um viciado, pois saiu de AVQ para Despertar, todos a postos, acertando seus instrumentos, disciplinados e atentos às partituras.
Como a Tribo de cena aberta, o Time dos músicos de “O Despertar da Primavera”, todos estão ligados, no clima bakstage de harmonia e amor, que a dupla M&B espalha por todos que trabalham com eles.
- Viva a Musica ao Vivo !
Viva esses músicos maravilhosos e seus instrumentos voadores,
que nos fazem sonhar e entrar no céu com Moritz em todas as sessões e em cada cena de mais esse fabuloso musical da dupla M&B20 .
Eliane Chaves de Castro em qua, 27 jan 2010 12:23 pm
Caramba, o “Marcito” da Tinhinha me pertence…mas tudo bem, eu sei dividir rsrsrs….A todos vcs músicos maravilhosos parabéns pelo excelente trabalho, mas por favor queiram me deculpar,mas o Marcito é mt bom.Sua entrevista cheia de energia que nos contagia a cada frase lida, faz com que nos emocionemos o tempo todo. Que pena que vai acabar, mas estarei indo atras de vcs em Sampa.Beijos a todos; mas um especial em vc filho MARAVILHOSO. Que Deus te abençoe e te guarde hoje e sempre.
Vinicius Teixeira em qua, 27 jan 2010 7:03 pm
Adorei a entrevista, legal demais
Natalia em qua, 27 jan 2010 9:02 pm
Adoro! Muito orgulhosa de você. Que você continue usando seu dom brilhantemente e que seu sucesso seja muito, muito maior.
=)
João Victor em qua, 27 jan 2010 9:25 pm
Ótima entrevista! O Marcio merece todos esses elogios!
Mariana Carrozzino em qui, 28 jan 2010 5:17 pm
Muitos parabéns a ele e a toda a orquestra!!!
Merecem muito!!! São fantásticos!!!
Abraço em todos!!!
Márcio Castro em sex, 29 jan 2010 10:45 am
Gostaria de agradecer imensamente a todos que deixaram suas demonstrações de carinho aqui. São vocês o alvo do nosso empenho.
Em meu nome e de toda orquestra, MUITO OBRIGADO!
Helena Valentini em sáb, 30 jan 2010 11:09 pm
Márcio,
Espero poder cumprimentá-lo pessoalmente, amanhã, pelo belo trabalho que vc realizou na temporada de “O Despertar”. Estórias como a sua nos inspiram a continuar no caminho da música. Parabéns.