Imprensa destaca estreia de “Versão Brasileira” e lançamento de “Os Reis dos Musicais”

janeiro 12th, 2010 5 Comentários

A imprensa destacou nesta terça-feira, 12/01, a estreia de “Versão Brasileira”, no Espaço SESC Copacabana, e o lançamento do livro da Coleção Aplauso “Os Reis dos Musicais”, que aborda a trajetória da parceria Möeller Botelho em 20 anos de carreira.

O Jornal O Globo destacou o show solo de Claudio e o livro em sua edição de ontem, 11/01 (veja aqui).

Hoje  foi a vez do Jornal do Brasil e do Estado de São Paulo trazerem matérias sobre os lançamentos.

Confira:

Jornal do Brasil


Parceria Musical

Por Daniel Schenker , Jornal do Brasil – 12/01/10

Todo mundo está cansado de ouvir que Charles Möeller e Claudio Botelho formam uma das mais bem-sucedidas duplas do teatro brasileiro. A afirmação, de fato, é inquestionável. Mas os dois não se mostram tão parecidos quanto pode soar a princípio. Ao contrário. São justamente as diferenças – e a habilidade em administrálas – que garantem a longevidade de uma parceria de 20 anos. Möeller passou pelo Centro de Pesquisa Teatral (CPT), de Antunes Filho, trabalhou como ator em encenações elogiadas, como Master Harold e os meninos (1990), de Athol Fugard, e acumulou experiência (e prêmios) como cenógrafo e figurinista. Botelho estudou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e enveredou pelo ramo musical, encontrando em Claudia Netto uma partner à altura.

Um dia, eles se encontraram.

Aos poucos, tornaram-se referência no gênero musical. Nada mais justo que comemorar o feito.

Versão brasileira, 24º espetáculo que realizam juntos, estreia hoje no Espaço Sesc, reunindo números que atravessaram seus trabalhos em comum (leia o roteiro no quadro ao lado). Trata-se de um convite do Sesc, igual ao que deu origem a Beatles num céu de diamantes (2008). Completando a celebração, o lançamento do livro Os reis do musical, escrito por Tania Carvalho.

Charles Möeller e Claudio Botelho comprovam que, muitas vezes, as diferenças podem se converter em ganhos.

– Estou com 45 anos, mas gosto da velha Broadway. Parei em Stephen Sondheim. Não era apaixonado por O despertar da primavera (2009) como Charles.

Mas embarquei no projeto e hoje adoro. Já Gypsy é uma obsessão minha. Charles, porém, está bem empolgado. Hair é outra história: vimos a remontagem em Nova York e nos emocionamos.

Foi uma escolha conjunta – assume Botelho, mencionando o espetáculo atualmente em cartaz realizado a partir de texto de Frank Wedekind e enumerando dois dos novos musicais que desenvolverá ao lado de Möeller.

Além de Gypsy, centrado na relação passional entre a stripper Gypsy e sua mãe, Mama Rose, eHair, hino de amor ao universo hippie, a dupla planeja montar Annie, sobre a menina órfã que conquista o coração de um milionário (adaptado para o cinema por John Huston, em 1982), Aquela canção do Roberto, a partir das músicas de Roberto Carlos, Kiss me Kate, com canções de Cole Porter, e Um violinista no telhado, baseado em histórias de Sholem Aleichem (também transportado para a tela por Norman Jewison, em 1971).

Tudo isto, no entanto, é futuro.

Em Versão brasileira, Charles Möeller dirige Claudio Botelho, que não só volta aos palcos – a última vez que esteve em cena foi em Lado a lado com Sondheim (2005) – como assume a responsabilidade de segurar, sozinho, a atenção do espectador, contando “apenas” com as presenças de Marcelo Castro (também diretor musical) ao piano e de Edgar Duvivier nos sopros. Os dois conceberam um roteiro com músicas de vários dos espetáculos que realizaram ao longo desses 20 anos, contados a partir de Hello Gershwin, de 1990, ainda que o marco zero da dupla costume ser considerado o divertidíssimo As malvadas, de 1997.

– Fizemos dois shows com Marco Nanini, Hello Gershwin e De rosto colado (1993) – lembra Möeller. – Tínhamos o sonho de um terceiro projeto, mas na época Nanini estava empolgado com a direção e nós sentíamos necessidade de dar um passo além, mesmo sem pai e sem mãe.

Hello Gershwin marca, portanto, o primeiro encontro. Já As malvadas foi a primeira montagem que assinaram em conjunto.

O fato é que começaram a percorrer um caminho valorizado pelo vínculo com composições de Cole Porter (Cole Porter – Ele nunca disse que me amava, de 2000), Chico Buarque (Na bagunça do teu coração, de 1997; Suburbano coração, de 2002, e Ópera do malandro, de 2003) e Stephen Sondheim (Company, de 2001, e Lado a lado com Sondheim) – além de muitos projetos ousados, como 7 – O musical (2007), no qual estreitaram contato com Ed Motta.

Um dos blocos de Versão brasileira, porém, diz respeito unicamente à carreira de Claudio Botelho: aquele que agrupa os trabalhos que fez ao ser convidado para assinar versões para o português das canções dos grandiosos musicais americanos que vêm desembarcando em São Paulo nos últimos anos.

– Em Les miserables (2001) foi possível ser autoral. Em Miss Saigon (2007), também. Em Chicago (2004) fiquei mais preso.

A equipe que veio para cá não estava interessada em pensar a montagem para o público brasileiro – revela Botelho.

Ciente de que não teria como falar sobre a dupla no singular, Tania Carvalho assumiu as especificidades dos dois no livro.– As entrevistas definiram a estrutura do livro. Conversei com Charles e depois, com Claudio.

Aí me detive na dupla – explica Tania, que confirma as peculiaridades de cada um. – De igual, eles “só” tem a paixão pelo gênero.

Charles gosta das possibilidades do espetáculo e Claudio, das músicas. O primeiro é mais expansivo, engraçado; o segundo, mais sério, contido.

Apesar de Os reis do musical ser seu 13º livro para a Coleção Aplauso, Tania se viu diante de uma nova empreitada.

– A partir de dado momento, não esclareço qual deles está com a palavra, mas fica óbvio para o leitor – garante a autora.

Para Tania, a maior dificuldade não foi a de costurar os depoimentos dos biografados, mas conseguir manter atualizado um livro sobre uma dupla repleta de projetos. Além de todos os musicais, eles foram convidados pela Globo para trabalhar nos bastidores da recémexibida minissérie Dalva e Herivelto.

– Tivemos liberdade total. Fomos para a TV fazer exatamente o que realizamos no teatro. Pude até pedir para fazerem mudanças de luz – destaca Möeller.


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O Estado de São Paulo

Os Reis dos Musicais

A parceria entre Charles Möeller e Claudio Botelho inspira livro que recupera os esforços e o talento da dupla em renovar um gênero sempre presente no Brasil

Por Ubiratan Brasil

No primeiro espetáculo, As Malvadas, de 1997, o dinheiro era curto e a plateia era formada em sua maioria por amigos e convidados. Hoje, a assinatura da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho tornou-se valiosa – em pouco mais de dez anos, eles aproveitaram o ressurgimento do musical no Brasil (agora sob a forte influência do estilo Broadway) e se firmaram como Os Reis dos Musicais (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), título do apurado livro de Tânia Carvalho sobre sua trajetória que será lançado hoje, no Rio.

Trata-se de um balanço feito pela dupla a respeito basicamente dos 23 espetáculos que criaram juntos. Uma lista tão diversificada e atraente que rendeu até um pocket, Versão Brasileira, um pequeno musical em que Botelho, dirigido por Möeller, faz um apanhado de canções que fizeram parte dessas montagens. A estreia ocorre hoje, no Espaço Sesc, no Rio, seguido do lançamento do livro de Tânia.

Botelho e Möeller sabem que não descobriram a pólvora – o musical é um estilo praticado no Brasil desde o início do século 19 (veja no texto abaixo). Mas conseguiram a alquimia certa, ou seja, unir o apuro técnico e o senso profissional da Broadway com a familiaridade musical típica do brasileiro. Com isso, aproveitaram o grande impulso promovido pelos investimentos da CIE Brasil (hoje Time For Fun) que, a partir de Les Misérables, em 2001, colocou o País na rota dos musicais.

Na época, porém, o terreno ainda era árido. “O som era uma tragédia, as pessoas usavam microfones amarrados, tudo chiava e apitava”, relembra Möeller, em depoimento para o livro. “A luz não era de musical, era uma luz de peça normal, sem o menor cuidado e incapaz de preparar o clima para a música; os cenários rangiam, demoravam minutos para serem trocados, ou seja, nada funcionava.”

O desastre continuava em cena, quando era raro encontrar um profissional que soubesse cantar, dançar e interpretar. O aprendizado, portanto, foi mútuo: ao mesmo tempo em que se alimentavam anualmente na Broadway e em Londres, onde assistiam às novidades, Möeller e Botelho participaram da formação e aprimoramento de profissionais como Claudia Netto e Kiara Sasso, entre outros.

Conquistaram ainda o reconhecimento externo, a ponto de receberem na plateia de sua montagem de Company, em 2001, a presença do próprio autor, o lendário americano Stephen Sondheim. “Ele foi aos bastidores falar com o elenco”, conta Möeller. “Suas palavras eram um misto de elogios e de surpresa por encontrar um elenco tão preparado no Brasil, país que ainda não tem (ou não tinha) nenhuma inscrição no mapa de produção de musicais pelo mundo.”

Company, aliás, foi um dos primeiros projetos mais ousados assumidos pela dupla que, além das apostas em espetáculos já consagrados lá fora (como Sweet Charity e A Noviça Rebelde), investiu tanto no cancioneiro nacional (como uma nova versão de Ópera do Malandro, de Chico Buarque) como em montagens mais radicais, cujo exemplo é o recente e desbocado Avenida Q.

Com tamanha bagagem, Möeller e Botelho resolveram se aventurar em uma criação própria e, a partir de canções originais de Ed Motta e de uma ideia de Möeller vagamente inspirada na história de Branca de Neve, surgiu 7 – O Musical, em 2007, espetáculo dark cujo cenário à la Tim Burton traz o Rio como uma cidade escura, tenebrosa e onde até neve cai. “Como dramaturgia, o musical é sofisticado e surpreendente”, escreveu Mariângela Alves de Lima no Estado. “A música é inquietante, repleta de fusões deliberadas entre gêneros e estilos.”

Möeller e Botelho contam que a perenidade da parceria está justamente no convívio das diferenças. “Deve-se a Charles o apuro estético, visual, o desempenho dos atores e até mesmo os fundamentos teóricos de cada espetáculo”, conta Botelho. “A mim cabe cuidar da música, o que em musical geralmente não é tão pouco.” É desse atrito que a dupla tanto envereda para novos meios (eles foram responsável pelos números musicais da microssérie Dalva e Herivelto) como aposta em trabalhos ambiciosos, como O Despertar da Primavera, que chega em março a São Paulo trazendo um novo talento, Rodrigo Pandolfo.

Trechos

COMPANY (2000): Até a Sondheim Review, publicação norte-americana especializada na obra do próprio, estranhou uma montagem brasileira do compositor e veio conferir, fazendo matéria de quatro páginas e dando uma crítica absolutamente favorável ao espetáculo. E, em Company, dissemos adeus às imposições. Fizemos exatamente o que queríamos.

ÓPERA DO MALANDRO (2003): Quando começamos a produção, todo mundo falava: essa peça não vai dar certo, é uma loucura vocês mexerem nisso, isso é um patrimônio dos anos 1970. E seguimos adiante. A peça tem um viés político muito forte, que não sabia se ia interessar tanto nos dias de hoje, e é extremamente verborrágica. Isso me preocupava.

SWEETY CHARITY (2006): Era um espetáculo muito caro, com vários bailarinos, uma orquestra de 12 músicos, figurino chiquérrimos, tudo o que o público esperaria de um espetáculo nosso com a grande estrela Cláudia Raia e uma superprodução da CIE. Tudo era muito difícil de fazer. Foi nosso primeiro trabalho no qual a dança era fundamental.

O Estado de São Paulo – 12/01/10

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O show solo de Claudio e o livro “Os Reis dos Musicais” foram destaque ainda:

No Site Aplauso Brasil:

A biografia dos Reis dos Musicais – por Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil

Nos últimos anos eles foram os responsáveis pela revitalização do gênero Musical no teatro brasileiro. Espetáculos como A Noviça Rebelde, Avenida Q e 7 – O Musical entre outros, apresentaram o talento da dupla de ouro dos musicais brasileiros Charles Moeller e Claudio Botelho. Vários também foram os prêmios conquistados por essa dupla. O mais recente deles foi o Troféu Especial de Teatro dado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Teatro), em 2009.

Em homenagem ao trabalho realizado pelos dois ao longo dos últimos 20 anos e de sua importância para a história do teatro brasileiro, a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo decidiu publicar o livro Os Reis dos Musicais – Charles Möeller e Claudio Botelho, escrito por Tania Carvalho a partir do depoimento deles. A obra faz parte da Coleção Aplauso – Série Especial e o lançamento acontece no dia 12 de janeiro, às 21h30, no Espaço SESC – RJ (Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana), depois da estreia do novo espetáculo Versão Brasileira, em cartaz no Rio de Janeiro até o dia 7 de fevereiro.

Na apresentação do livro, Tania Carvalho ressalta que a dupla revigorou um gênero quase esquecido. “Um gênero que talvez nunca tivesse sido levado tão a sério – nem pelo meio teatral nem pelo público. Hoje são responsáveis por grandes montagens reconhecidas internacionalmente. Tudo feito com muita petulância, arrogância, como gostam de dizer, e, especialmente, talento e competência. Eles são, definitivamente, os reis dos musicais”, destaca a autora.

Charles Möeller e Claudio Botelho iniciaram timidamente a parceria em 1997, mas com uma montagem que acabou virando cult no Rio de Janeiro – As Malvadas – feita com amigos no elenco, amigos na produção, gente que colocava fé nos projetos idealizados pelos dois. De lá pra cá, produziram vários espetáculos de sucesso, entre eles O Abre Alas (1998), Cole Porter – Ele Nunca Disse que me Amava (2000), Company (2000), de Stephen Sondheim, Ópera do Malandro (2003), Tudo é Jazz (2004), Sweet Charity (2006), Sassaricando (2007), A Noviça Rebelde (2008), Gloriosa (2008), com Marília Pêra, e Avenida Q (2009). Nos últimos meses do ano passado, a dupla trabalhou na produção da minissérie Dalva e Herivelto – Uma canção de amor, de Maria Adelaide Amaral, com direção de Dennis Carvalho, exibida pela TV Globo entre os dias 4 e 8 de Janeiro de 2010.

Os dois formam uma dupla afinada, cujo diapasão é a diferença. Charles é de Santos e, segundo Tania Carvalho, é “mais solar, menino de praia, apaixonado pelo que faz, passional, engraçado, sofredor quando algo não dá certo, que conta sua vida com detalhes histriônicos e dramáticos deliciosos. Como ele mesmo diz, tem certa vocação para ser a alegria da festa”.

Charles Möeller estreou no teatro muito jovem, na peça O Noviço, com o grupo de Neyde Veneziano, em Santos; rompeu as fronteiras da cidade; protagonizou novela, fez muitos clássicos, como A Gaivota, até encontrar seu norte: os musicais. Entrou no CPT (Centro de Pesquisa Teatral) para ser ator e trabalhar com Antunes Filho, mas saiu de lá cenógrafo e figurinista depois que conheceu o mestre J. C. Serroni.

“Entrei no CPT acreditando. E, curioso, enquanto acreditei só apanhei. Eu havia me aproximado do J.C. Serroni que era cenógrafo do grupo e precisava de assistente. Como tinha dois anos de arquitetura, comecei a trabalhar com ele, meu tempo lá dentro dobrou, mas eu achava que valia a pena, pois começava a me aproximar da companhia principal. Além do trabalho no CPT, Serroni passou a me chamar também para outras produções. E aí o teatro se tornou finalmente profissional para mim”, conta Charles.

Mineiro de Uberlândia, Cláudio é mais contido. Sua paixão é e sempre será a música – quer seja de Roberto Carlos, o único artista que conhecia quando morava em Uberlândia; Chico Buarque, que mudou sua vida; ou dos grandes compositores de musicais: Cole Porter, Gershwin, Sondheim, Rodgers e Hammerstein, Kander e Ebb, entre tantos outros que despertaram uma paixão quase obsessiva.

“Cláudio começou como músico e logo o teatro levou-o a ser ator. Hoje une as duas coisas: é compositor premiado, versionista aclamado e ator consagrado, embora bissexto”, ironiza Tania.

De fato, a música sempre esteve presente na vida de Claudio Botelho. “Uma das primeiras palavras que falei foi ‘rádio’. Eu adorava ouvir rádio e ficava louco quando via a banda passar na minha rua. Minha infância foi muito ligada à música. Minha avó Raúla, mãe de minha mãe, era violinista e chegou a tocar em cinemas na época em que as sessões tinham música ao vivo. Meu avô Nenê, pai de meu pai, tocava acordeom. Com certeza, os genes me ajudaram. Teatro? Eu nem sabia que existia”, revela Botelho.

Os dois têm muitos pontos em comum, mas o que mais aproxima a dupla é a paixão por musicais – embora um confesse que o que mais o interessa é a possibilidade do enredo; o outro, garante, ser a paixão pelo compositor e pela música.

É nesse jogo de semelhanças e diferenças que os dois crescem e produzem cada vez com mais competência. E prazer, fundamental para ambos. Suas opiniões são complementares, quase nunca díspares. Por isso mesmo há a proposta de um jogo neste livro. Nos primeiros depoimentos estão identificadas as opiniões de um e de outro. A partir do momento em que falam da dupla, esta identificação quase desaparece, ficando apenas com um sutil detalhe – um negrito para as declarações de um dos dois.

“Garanto, porém, que é possível saber exatamente quem é quem nesta dupla de talento, o que cada um faz, mas também o quanto eles se misturam em busca do que já uma grife de qualidade: um espetáculo Charles Möeller & Claudio Botelho, como assinam todas as suas montagens”, diz Tania Carvalho. Além de histórias e imagens de todos os espetáculos produzidos por eles, o livro traz fotos de família, da infância e da juventude dos dois.

Ver postagem original aqui.

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No Blog de Rubens Ewald Filho:

Os Reis dos Musicais

Nesta terça-feira dia 12, no Rio de Janeiro, a coleção Aplauso da Imprensa Oficial, vai lançar um novo livro de formato grande, Os Reis dos Musicais, escrito por Tania Carvalho que narra – com muitas fotos e preço baixo (R$ 30,00) – a biografia da dupla Claudio Botelho (tradutor, ator, produtor) e Charles Moeller (habitualmente diretor,  produtor) de alguns dos melhores musicais famosos no Brasil.

Avenida Q, O Despertar da Primavera (ainda no Rio, breve em São Paulo,  A Noviça Rebelde, Gypsy, que está sendo ensaiado no momento, Sweet Charity. Sem esquecer que ganharam todos os prêmios como a melhor montagem do ano em São Paulo, com o musical original deles, 7- o Musical).

A dupla  é extremamente competente e um exemplo de caráter! – para todos os outros possíveis concorrentes, além de muito trabalhadores, tanto que eles foram responsáveis pelos números musicais do Cassino da Urca mostrados na minissérie da Globo sobre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.

Não é à toa que o livro leva esse merecido título. Além disso, Cláudio aproveita o lançamento e trabalha um pouco estreando num novo show, desta vez solo.

Ele nos deu uma entrevista por escrito e quando fizerem o lançamento em São Paulo, será a vez de Charles.

1 – O que vai ser o show que você vai apresentar? Fica em cartaz? Onde e como? É dificil voltar a se apresentar, ainda mais sozinho? Ou prazeroso?

Cláudio – Muito prazeroso. O fato de não ter nenhum “partner” além dos músicos me deixa bem ansioso, realmente será uma experiência nova. Ainda mais numa arena como a do Sesc Copacabana onde a plateia fica tão perto da gente.

É uma espécie de “monólogo musical” (se bem que eu odeio a expressão) onde conto uma passagem ou outra do que foi a trajetória artística minha com o Charles, mas fundamentalmente canto canções de diversos musicais que fizemos ou participamos.

São mais de 40 canções no roteiro, mas há muitos medleys e o espetáculo terá apenas uma hora e quinze minutos de duração. Fica em cartaz a partir de 13 de janeiro (estreia para público)  no Espaço Sesc Copacabana, de quarta a domingo, até o fim de semana anterior ao carnaval.

2 – E o livro, foi bom recordar? Como foi trabalhar com a Tânia? Alguma vez vocês se contradisseram?

Cláudio- O livro foi uma experiência incrível. Eu, que me considero uma pessoa mais fria que o comum, fui surpreendido por me emocionar ao falar de diversos assuntos.  A Tânia foi um presente… Não sei como são os demais autores da coleção, mas acho que tiramos a sorte grande, pois a Tânia é muito a nossa cara, temos muita afinidade e certamente ela se tornou uma ótima amiga.

Acho que a gente se contradisse mais de uma dezena de vezes. Na verdade, o tema da nossa dupla é mesmo a contradição. Isso ficará claro no livro e o show fala disso também.

3 -Vocês estão começando agora Gypsy, fala um pouco do projeto.

Cláudio – Conheci o musical Gypsy através de um LP antigo bem no começo do meu interesse por musicais, isso ainda na década de 1980. Sempre fui fascinado por aquela música, mesmo sem ter ideia do que aquilo queria dizer ou qual era exatamente a história.

Depois conheci o todo através do filme com a Bette Middler, que é bastante fiel à peça, praticamente filmado em cenários de teatro o tempo todo. Lembro de ver este filme em VHS na época que ainda morava com meus pais. Naturalmente vi depois o filme anterior com a Rosalind Russell e Natalie Wood (adoro o filme) e duas versões na Broadway, uma com a Bernadette Peters ( direção esquisita do Sam Mendes),  e a que considero definitiva, com a Patti Lupone (direção apenas burocrática do autor, Autur Laurents, mas interpretações magistrais do trio principal).

Continuo achando que é o “musical dos musicais”, uma peça perfeita de integração entre música e dramaturgia, e é um desafio tentar fazer isso direito aqui no Brasil, especialmente pelas adaptações que deverão ser feitas nas letras e na história para que o espetáculo seja próximo da nossa platéia e não seja “americano” demais.

4 – Quando você começou alguma vez, achou que o sonho de ter um mercado e um elenco possíveis para os musicais darem certo no Brasil? Por que acha que isso aconteceu?

Cláudio- Sempre sonhei com esta realidade que vivemos hoje. Talvez por ingenuidade, acreditei que era possível correr atrás disso… Mas corremos atrás, do nosso jeito, e em mais ou menos uns 10 anos a realidade mudou de zero pra 100.  Esse nosso papo aqui não estaria acontecendo há mais de uma década, ou talvez estivéssemos conversando apenas sobre sonhos ou possibilidades…

Hoje falamos de coisa reais, palpáveis, os espetáculos acontecem, muitos com qualidade de primeiro mundo, e muita gente se tornou profissional de primeira linha nesse meio tempo.

5 – Quais são seus musicais  preferidos. Falta realizar algum sonho?

Cláudio – Meus musicais favoritos são: Follies, Merrily We Roll Along e She Loves Me (para citar só três). Falta realizar sonhos demais, muitos mesmo. Mas confesso que não me entusiasmo mais tanto com isso de passar o resto da vida montando musicais da Broadway.

Todos os meus sonhos são mais no sentido de continuar a fazer o que tentamos fazer no 7 – O Musical. Isso é o que mais me interessa, e talvez o que me pague menos.

6 – O que mais te irrita quando vê um musical mal feito?

Cláudio- Puxa, me irrito muito com letras mal traduzidas. Com atores representando como se fossem dubladores. Com iluminadores que nunca viram um musical na vida e acham que devem fazer uma luz “discreta”. Com diretores que não dirigem, e com coreógrafos de final de ano de academia de jazz.

Irrito-me com pseudoestrelas de televisão fingindo que têm condição de se apresentar num palco cantando e dançando, quando na verdade não teriam condição nem de se apresentar no próprio banheiro. Bom, é muito irritante ver qualquer coisa mal feita, né? Tanto faz se é musical, drama, comédia  Se for ruim é ruim e pronto!

7 – Há alguma diferença entre algo musical feito no Rio ou São Paulo?

Cláudio -Acho que, puxando a sardinha pro nosso lado, no Rio os atores são mais naturais que em São Paulo. Talvez pelo fato de a maior parte dos musicais montados em São Paulo ter sido dirigida por estrangeiros, que não conhecem nosso idioma e baseiam suas direções em formatos que vêm prontos dos originais da Broadway.

Formou-se de certo modo uma geração de atores que são ultra competentes na execução de partituras difíceis, mas deficientes ao viver personagens de verdade, críveis, verossímeis. No Rio, apesar de termos chegado um pouco atrasados em termos de produção e técnica, o improviso nos obrigou a criar mais e tentar atrair o público com fatores mais humanos e menos formais.

8 – Vejinha escolheu seu musical Sete como o melhor espetáculo do ano!  Virão outros desse jeito?

Cláudio- Como respondi lá em cima, é isso que me move e também ao Charles. Continuar isso… Nosso próximo musical “autoral” é uma adaptação de Mirna, histórias de Nelson Rodrigues, e dessa vez pretendo fazer música e letras. Acabo de saber (hoje, dia 31 de janeiro) que Sete também foi escolhido como destaque do ano pelo Estado de São Paulo. Dá pra ficar mais feliz?

Ver postagem original aqui.

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5 Comentários

  1. Vinicius Teixeira disse:

    Certeza que verei o espetáculo e comprarei o livro

  2. Teresa disse:

    Good Morning Starsss Shine !
    The sun will come out … Today to The Kings ! MMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM :)

  3. Teresa disse:

    6 – O que mais te irrita quando vê um musical mal feito?

    Cláudio- “Puxa, me irrito muito com letras mal traduzidas. Com atores representando como se fossem dubladores. Com iluminadores que nunca viram um musical na vida e acham que devem fazer uma luz “discreta”. Com diretores que não dirigem, e com coreógrafos de final de ano de academia de jazz.
    Irrito-me com pseudoestrelas de televisão fingindo que têm condição de se apresentar num palco cantando e dançando, quando na verdade não teriam condição nem de se apresentar no próprio banheiro. Bom, é muito irritante ver qualquer coisa mal feita, né? Tanto faz se é musical, drama, comédia Se for ruim é ruim e pronto!” [2]

    - Isso é o que mais irrita a todos nós, tb !

    Se levou 10 anos para que os Musicais chegassem a ter essa qualidade técnica é natural que tenhamos que esperar mais um pouco, para que o público aprenda a exigir um trabalho sério nesse gênero, que ainda está no despertar da primavera !

    Não podemos esquecer da massificação estética da TV e suas “pseudoestrelas” contratadas para atrair o público …
    - Mas, isso vai mudar ! já está mudando !
    Temos como exemplo o fenômeno que vem sendo Despertar da Primavera, com seu elenco quase desconhecido e o público, que assiste, sai deslumbrado e volta e volta e volta ! Essa plateia está se tornando bastante exigente !

    Não dou mais 5 anos para que os oportunistas, não consigam enganar mais o público, escalando atores que não tenham competência para fazer um Musical !

    Charles e Claudio são responsáveis também pela formação de plateias mais inteligentes !

    - “Estamos sempre puxando o tapete da nossa plateia para que as pessoas pensem” – Charles Möeller

  4. Fabiana Tolentino disse:

    Myrna!!!
    As maravilhosas estórias de Nelson Rodrigues com músicas ajudando a contar… isso vai ser perfeito!
    Já contando os dias!

  5. Cristina disse:

    CHARLES E CLAUDIO
    AMEI O SHOW!!!
    AMEI O LIVRO!!!
    PARABÉNS PELA COMEMORAÇÃO DOS 20 AN0S.
    CLAUDIO VOCÊ ESTAVA UM SHOW!!!
    A ESCOLHA DAS MUSICAS A INTERPRETAÇÃO OS ARANJOS,MUSICOS,MUITO EMOCIONANTE…
    ESTOU MUITO FELIZ DE ESTÁ PARTILHANDO DESSE MOMENTO COM VOCÊS.
    A DUPLA FEZ ANIVERSÁRIO MAIS QUEM RECEBEU O PRESENTE FOMOS NOS DA FAMÍLIA,PUBLICO E FÃS…
    OBRIGADO!!!
    AMO VOCÊS MENINOS.
    MANA
    CRISTINA*

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