Estreia amanhã ‘Versão brasileira’, de Charles Möeller e Claudio Botelho
Charles Möeller e Claudio Botelho brigam há 20 anos. Möeller é capaz de frequentar festival de cinema iraniano, mas não convidem Botelho. Que, quando viaja, faz como se estivesse em casa e não muda sua rotina, enquanto o outro não sai da rua.
Botelho critica um pouco a cada dia, mas sempre critica, enquanto Möeller leva sempre na tranquilidade, mas quando estoura…
Apesar das brigas, ou por causa do complemento entre as diferenças, Möeller e Botelho trabalham juntos há 20 anos.
Naquilo que é a coisa em que melhor combinam: o gosto pelos musicais e o talento para criá-los. Amanhã, no Espaço Sesc, estreia o 24o deles, “Versão brasileira”, uma homenagem às duas décadas de trabalho em conjunto, que já renderam sucessos como “A ópera do malandro” e “Company”.
Renascimento dos musicais começou no Rio O próximo, “Gipsy”, vem em abril; “Hair”, até agosto. “7” vai para o cinema, no embalo da chegada da dupla à TV, onde o público viu o nome dos dois nos créditos da minissérie “Dalva e Herivelto”. Outra comemoração pelos 20 anos vem também amanhã, com o lançamento de “Os reis dos musicais”, biografia dos dois escrita por Tania Carvalho para a Coleção Aplauso.
“Versão brasileira” traz trechos de boa parte das traduções que Claudio Botelho fez para 25 musicais, entre espetáculos assinados pela dupla e obras montadas por outros.
Nele, Botelho está sozinho no palco. A direção é de Möeller.
— É um inferno. Claro que ele não se deixa dirigir — atesta o diretor.
O ano de 2009 também marcou a chegada a São Paulo do reconhecimento a que a dupla já se acostumou no Rio. Seis musicais deles foram para lá ano passado: “A noviça rebelde”, “Beatles num céu de diamantes”, “Sassaricando”, “7”, “Gloriosa” e “Avenida Q”. Todos foram bem.
— Foram uns seis anos para furar o bloqueio — diz Möeller, sobre o fato de eles terem demorado a entrar em São Paulo.
— Sou bairrista do Rio, apesar de ser mineiro. Mas aqui, realmente, há um movimento musical maior. Uma aceitação maior, até pelo fato de gêneros como o teatro de revista terem começado aqui — diz Botelho.
— Esse renascimento dos musicais começou no Rio. Em São Paulo, não havia nada disso até os anos 00, quando a CIE começou a fazer os seus. O Rio é mais generoso, abraçou o besteirol, que nunca deu muito certo em São Paulo.
Letrista e versionista, Botelho, de 45 anos, é mineiro de Araguari, foi criado em Uberlândia, veio para o Rio criança e se reconheceu na cultura carioca pelo elo com a música. Möeller, de 42, diretor, é paulista de Santos, foi para São Paulo e, se não o ouvem falar com carinho do teatro paulista, é porque suas primeiras experiências por lá o desequilibraram. Ele foi do Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho, onde praticava “uma técnica chamada desequilíbrio, que consistia em ficar em pé, jogar o corpo levemente para a frente e… aprender a andar”, conta o diretor no livro de Tania Carvalho (ricamente ilustrado por fotos de musicais e de álbuns de família dos dois).
— Quem era do Zé Celso era o porra-louca, livre e sensual; os do Antunes eram adoentados, silenciosos, macilentos; os da EAD (Escola de Arte Dramática), estudiosos, sabiam todas as teorias.
Até hoje, o teatro em São Paulo é coletivo. Você só existe se for de um grupo. Eu só passei a me sentir um indivíduo na minha profissão quando vim para o Rio — analisa Möeller.
Os dois se encontraram em 1990, na peça “Um e outro”, na qual Botelho tocava violão. Miguel Falabella, na direção, levou aos ensaios Möeller, que contracenava com ele numa novela.
Vinte anos depois, após quase findarem a parceria em “Cristal Bacharach” (Botelho queria mais música, e Möeller, mais texto, na briga mais séria até hoje), dominaram tanto os musicais no palco que querem passar a dirigi-los no cinema, a começar por “7”, em 2011.
Em 2010, estreiam “Gipsy” — “É o musical que os especialistas consideram o mais perfeito, e é um clássico, então faremos com cara de clássico”, adianta Botelho — e “Hair” — “É hippie, tem que ser despojado”, acrescenta Möeller. Também começam um musical sobre Myrna (pseudônimo feminino de Nelson Rodrigues), e pela primeira vez Botelho se arriscará a fazer a música, não só a letra.
— No começo, eu ajudava na bilheteria de “Cole Porter” e ouvia gente perguntar se aquele americano, Charles Möeller, era bom — conta Möeller, ao comentar a evolução do musical ao lado da carreira dos dois. — Hoje, para os testes de “Gipsy”, aparecem três mil pessoas.
— Em “O despertar da primavera”, tem noite que é show de rock — conclui Botelho. — O pessoal descobriu que musical pode ser Sondheim e hip hop, noviça e um monte de boneco falando sacanagem
O Globo – 11/01/10







É muito bonito ver uma historia como a do Möeller e do Botelho. Mostra como existe gente talentosa no Brasil.
Estou muito feliz ver a parceria de vocês indo para o cinema com “7″ em 2011. Que seja o primeiro filme-musical de muitos feitos pela dupla.
Parabéns pelo sucesso adquirido. Espero um dia poder ser dirigido por vocês.
Abraço, e um ótimo ano. Cheio de realizações, e musicais, é claro.
Rodrigo Bruno
Parabéns!!!
O segredo do sucesso está na relação que temos com as pessoas.
Sem a música, a vida seria um erro.
Friedrich Nietzsche
PARA TUDO.7 VAI VIRAR FILME.JA SABEM QUEM VAI ESTAR NO ELENCO?
Estarei na estreia de 7, clarooooo! Nossa, parabéns a dupla! Eles não tem limites mesmo! Sorte a nossa!
7 VAI PARA O CINEMA?????????????????????
Ai, vou ali morrer e já volto u.u
7 VAI PARA O CINEMA?????????????????????
Ai, vou ali morrer e já volto u.u [2]
MELHOR NOTÍCIA DO DIA!
Se morrerem mesmo me avisem que vou sapatear cantando em torno dos defuntos!!! huahauahuahauhauahuah 7 – O Musical – O Filme ! Adoro!
Vida longa à dupla Möeller & Botelho. Que venham musicais de teatro, filmes, CDs e DVDs, pois precisamos também de arte primorosamente bem feita, o que pude atestar nos vários musicais da dupla que já assisti. “O Rio amanheceu cantando…” (só pra ligar o clima de musical com o Carnaval que se aproxima…). Parabéns e Sucesso sempre!!!
[...] O Jornal O Globo destacou o show solo de Claudio e o livro em sua edição de ontem, 11/01 (veja aqui). [...]
Adorei conhecer a história de vcs, como começaram suas carreiras.
Já sabia sobre o talento, a disciplina, competência, dedicação e ousadia.
Mto bonito constatar a persistencia de vcs q não se deixaram abater pelas diferenças, os desentendimentos, mto pelo contrário – fizeram dessas diferenças UM ALIADO, uma complementação ao talento de cada um ; isso só é possível, claro, qdo existe respeito, admiração, compreensão e humildade de ambas as partes.
Parabéns pelas excelentes realizações e pela sabedoria q adquiriram ao longo da vida.
Obrigada por tudo q fazem pela cultura de nosso país.
Que o sucesso continue lhes acompanhando seja no teatro, TV, cinema, enfim, o segmento q escolherem.
Beijo grande c/ mto carinho e admiração,
Alcione Mazzeo