Claudio Botelho: Bye Bye Birdie: Um excelente exemplo de segundo time de comédias musicais

novembro 23rd, 2009 7 Comentários

Direto de Nova York, Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento

Bye Bye Birdie 01

BYE BYE BIRDIE, que vem a ser a primeira remontagem deste sucesso do início dos anos 60, me pegou num momento em que ando meio sem saco pra essas comédias musicais que tanto estiveram em voga naqueles tempos, onde música de qualidade, letras quase sempre muito boas e história engraçadinha, tudo baseado  – mesmo que cinicamente – no único interesse que uma mulher parece (parecia) ter na vida: arranjar  marido.  Portanto o que direi aqui deve ser lido com o distanciamento de quem já sabe que o autor (eu) não estava exatamente predisposto a cair de amores por mais esta sessão da tarde que a Broadway vem oferecendo nos últimos anos e que parece agradar tanto aos jovens quanto às vovós da plateia.

A música de Charles Strouse é ótima, são canções bastante atraentes e muito comunicativas, algumas com letras até ousadas pra época (“Spanish Rose”; “What did I see in Him?”), sendo que o destaque absoluto é mesmo para “PUT ON A HAPPY FACE”, logo nos primeiros vinte minutos do primeiro ato. O número é mesmo sensacional e você nem presta atenção na coreografia meio  indigente desta montagem.

Charles & CoO cenário é lindo, figurinos lindos, tudo no lugar e muito bem resolvido. Pra mim o grande problema é a falta de carisma de John Stamos (foto, à esq.) no papel originado por Dick Van Dyke em 1960 (ele também fez o mesmo papel no cinema). Stamos canta apenas regularmente, tem poucos atrativos como ator, e parece estar tentando “parecer” Van Dyke o tempo todo.

Já Gina Gershon, no papel da secretária latina que apenas pensa em se  casar com o chefe, só faz a gente ficar imaginando como este papel deve ter sido um sonho com Chita Rivera quando o musical estreou cinco décadas atrás.  Gershon, que tem currículo de peso na Broadway, não tira o sono de ninguém, faz tudo direitinho, mas você não fica louco por ela. E, portanto, não ficar louco por aquele furacão latino que deveria ser o personagem, é um fator importante pra gente não ficar louco pelo espetáculo.

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Bill Irwin vale o ingresso

Quem rouba a peça é Bill Irwin. Aliás, todas as vezes que vi este ator e mímico sensacional mesmo em espetáculos falados aqui na Broadway, ele roubou o espetáculo. O papel do  chefe de família do interior dos Estados Unidos, que nem canta muito e tem poucas cenas, passaria despercebido se defendido por um ator apenas correto. Mas Irwin dá um show em cada centímetro de sua atuação, um trabalho corporal incrível, caretas e mais caretas com estilo e verdade em todos os momentos. Enfim, Bill Irwin vale o ingresso.

O restante do elenco, incluindo crianças e adolescentes, é bastante bom. Infelizmente o cantor de rock do título (Conrad Birdie) estava sendo feito pelo substituto na nossa sessão, de modo que nem vale a pena comentar sua interpretação insegura e apenas correta.

Mas o fato é que não tenho mais paciência pra esse tipo de musical. O auge disso foi HOW TO SUCCEED IN BUSINESS WITHOUT REALLY TRYING, este sim um musical impecável do começo ao fim, já que além de contar com música do genial Frank Loesser, tem um texto absolutamente cínico e inteligente, mesmo flertando com este lado “mulherzinha” do musical o tempo todo. Mas, como em toda época, há os grandes e os médios. BYE BYE BIRDIE é, na minha opinião, um excelente exemplo de segundo time nesta seara.

Mas certamente haverá algum produtor brasileiro que virá aqui e vai achar isso a coisa mais “legal” pra montar no Brasil daqui um ano ou dois, já que hoje em dia até as amigas  da minha tia no interior de Minas se lançam como produtoras de musicais. E podem crer, vai ser sucesso!

Claudio Botelho.
Novembro 2009.

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7 Comentários

  1. Sayuri disse:

    Essa é uma cena que eu pagaria pra ver: Stamos tentando parecer Dick Van Dyke!

  2. Vinicius Teixeira disse:

    fiquei curioso para assistir

  3. Marisa Sá disse:

    Quem sou eu para fazer algum comentário. Além de não conhecer o espetáculo, se o “MESTRE DOS MAGOS” falou, tá falado. Mas fiquei curiosa. Nãããããooooo sou uma vovozinha querendo reviver meus tempos, que conste em ata!
    rsrsrsrsrsrs…
    Marisa Sá.

  4. Luiz Mathias disse:

    Prezado Claudio Botelho,

    Como é gostoso ler o que v. escreve! É sincero e improperiamente despido de qualquer falsa levesa levando-nos a compartilhar dos seus sentimentos como se estivessemos sentados ao seu lado em uma deslumbrante sala de espetaculos de algum imponente teatro da Broadway… Parabéns!

  5. Mariana Carrozzino disse:

    Adorei, Botelho! Muito bom!

  6. Wilson Granja disse:

    Uau! A espinafrada foi dura, hein!? kkkk
    Pior que você tem toda razão, meu caro. Ou não é pior talvez… Talvez tenhamos direito de ter os de primeira e os de segunda linha (e terceira e etc) por aqui também.

  7. Ademir Mario Novi disse:

    Galera: Ontem vi aqui em Sampa o “Avenida Q” – Sem comentários. Prá lá de ESPETACULAR! Mais uma vez, parabéns ao Botelho e ao “homem que trouxe o futebol para o Brasil”! -
    Sobre musicais não tão comentados…Assisti em Londres o sensacional: ZORRO! Baseado no livro de Isabel Allende e com produção da própria. M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!!!, CLAUDIO: Se vocês trouxerem prá cá será outra BARBADA!!!!! Se eu pudesse FINANCIAVA! – Sei que é um grande desafio, mas COMERCIALMENTE FALANDO É…. SUCESSO NA CERTA…Flamenco, Gipsy Kings e até… uma do NELSON NED! É mole? (É só treinar esse time do Avenida Q…). Grato e …. PARABÉNS!

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