Claudio Botelho: Um arco íris para quem ama a velha Broadway
novembro 19, 2009
Categorias: Artigos, Möeller & Botelho
Direto de Nova York, Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais musicais em cartaz na Broadway no momento
Finian´s Rainbow: Um Arco-Íris para quem ama a velha Broadway
FINIAN´S RAINBOW foi sempre um dos meus musicais favoritos no campo das idéias, ou seja, eu amava o espetáculo sem nunca te-lo visto realmente em cena. Mas o contato com as canções nas diversas gravações de original cast que existem por aí sempre tornaram este musical de 1947 um daqueles tesouros que eu me orgulho de saber “de cor” do início ao fim.
A versão filmada dos anos 70, que vem a ser o primeiro filme dirigido por Francis Ford Coppola e o último musical estrelado por Fred Astaire, é considerada um péssimo filme. O que pra mim tanto faz, já que quando assisti estava mais interessado em ouvir a música e conhecer a história, portanto foi um deleite. Tem no elenco ainda Petula Clark, que tem uma voz nada convencional e eu adoro. Portanto, sempre assisti ao filme com prazer, embora hoje já dê pra perceber que não é realmente um grande filme, ainda mais sabendo que o chatérrimo Coppola demitiu o grande Michael Kidd durante as filmagens porque achava que ele mesmo (Coppola!!!) sabia mais sobre coreografias de musical que um dos maiores gênios e criadores da história do teatro e do cinema do gênero de todos os tempos… Ou será que ele demitiu o Hermes Pan? Não me lembro agora. Mas são coisas de bastidores que não interessam aqui, claro.
O que importa é que ontem pela primeira vez pude assistir FINIAN´S RAINBOW no palco. Grande emoção. A música é tratada como o grande atrativo da montagem. São cantores de primeira linha, vozes lindas e você percebe que é uma versão quase em concerto, pobrinha, daquelas que vêm da série “Encores” do City Center, ou seja, algo que foi produzido para ficar em cartaz por cinco dias, mas que ganhou uma temporada maior, geralmente por mérito ou mesmo pela relevância da obra.
Aqui o elenco é o que sustenta a montagem, com uma Kate Baldwin (foto ao lado) cantando lindamente no papel de Sharon, a protagonista feminina que canta talvez uma das mais belas canções românticas já escritas para um musical da Broadway, “OLD DEVIL MOON”. Ela nem é exatamente expressiva ou interessante como atriz, mas tem uma linda voz treinadíssima e fez bonito também em “HOW ARE THINGS IN GLOCKA MORRA?”, outra pérola.
O par romântico dela é Cheyenne Jackson, que eu acabei de conhecer há poucas semanas através de um CD que um amigo me indicou. É um CD chamado THE POWER OF TWO, onde Cheyenne canta ao lado de Michael Fienstein, que sempre foi meu ídolo.
O chato do CD é você descobrir no meio que eles estão casados e fizeram um cd dedicando músicas românticas um pro outro. Vendo a cara hiper-plastificada de Feinstein na capa, ao lado do gostosão cafona de cabelo pintado Jackson sorrindo do lado, faz com que aquele caso de amor adquira um sabor meio “Jesus é meu pai e nada, nem mesmo um comprimido de Cialis, me faltará”, portanto apesar de gostar do disco, fico enjoado quando penso nas letras.
Mas voltando ao musical, Cheyenne Jackson (foto ao lado) realmente canta muitoooo e arrasa. Como ator ele é canastrão, mas isso pouco importa. O que importa é que a voz é linda e super no lugar, sem excessos e sem afetação, por incrível que pareça.
Christopher Fitzgerald e Jim Norton
Quem rouba o espetáculo é Christopher Fitzgerald (foto acima, à dir.) no papel do duende Og. Já o tinha visto em “YOUNG FRANKENSTEIN” também roubando a peça dos protagonistas, e aqui ele dá um banho de humor e competência física, e sua interpretação de “WHEN I´M NOT NEAR THE GIRL I LOVE” é antológica.
Na verdade, o grande protagonista e papel título é Jim Norton (foto acima, à esq.), ator septuagenário no papel que Fred Astaire fez no cinema. Norton é um gênio, tem incrível agilidade e presença cênica absolutamente irresistível. O papel não canta muito, mas é o líder em quase todas as cenas e você se apaixona pelo velhinho logo de cara.
Acho bobagem comentar direção, coreografia e etc., já que isso na verdade é um concerto estendido, não é exatamente um espetáculo com o “padrão Broadway” mais óbvio. Um turista desavisado vai achar pobre e talvez perdido no tempo, mas a platéia de ontem era basicamente de americanos e a maioria da terceira idade. Todos (como eu) amando e envolvidos com aquelas melodias lindas, irretocáveis, do gênio Burton Lane com letras de Yip Harburg. A falta de criatividade na direção, o cenário único e pobre, o fato de só usarem metade do palco, não estraga em nada o prazer de ouvir um dos mais lindos scores já escritos para o teatro até hoje.
Se você curte um espetáculo simples e onde a música é o principal atrativo, não perca.
Claudio Botelho
Novembro 2009.




Leticia Mesquita em qui, 19 nov 2009 3:34 pm
Muito maneiro conhecer coisas novas, ainda mais faladas por quem realmente conhece !
Claudio em qui, 19 nov 2009 3:35 pm
Adoro Finian’s. Nunca vi uma montagem. Espero ver esta logo, logo.
Vinicius Teixeira em qui, 19 nov 2009 3:40 pm
deve ser maravilhoso, vozes perfeitas, enfim, bem legal
Thirso Naval em qui, 19 nov 2009 5:24 pm
Sempre achei que o filme poupava o Fred Astaire no canto. Interessante descobrir que isso é original do personagem mesmo. Também gosto das musicas, embora só conheça a versão do filme.
Mariana Carrozzino em qui, 19 nov 2009 6:30 pm
Que legal!
Estou ansiosa para saber das outras…
Paulo Neto em qui, 19 nov 2009 7:33 pm
Nossa, quero ver!! Adoro os seus textos apaixonados, Claudio! Eu escrevo assim também, com esse deslumbramento contagiante, quando realmente gosto de algo!
Fabinho Flapp em qui, 19 nov 2009 7:57 pm
Quem dera, quem dera…
Fause em sex, 20 nov 2009 2:36 am
que bom saber…eu vou ver amanhã e estava super em dúvida se dvia ir…vcs viram Next to Normal?
Claudio Botelho em sex, 20 nov 2009 9:51 am
Olá, Fause…
Vi NEXT TO NORMAL quano estreou no inicio deste ano. É uma produção bonita, moderna, mas confesso que não é exatamente o tipo de espetáculo que me “pega”. Achei a música pouco atraente e não me interessei muito pela história…
Mas acho que vale assistir sim, especialmente se você for de teatro. Muita gente gosta.
Abraços,
CB