Bastidores da Noviça: O Aquecimento Vocal
Minutos antes do início das apresentações de A Noviça Rebelde, todo o elenco se reúne no espaço comum conhecido como lounge. Ali é o local para trocar idéias, acessar a Internet, fazer um lanchinho e, principalmente, realizar o aquecimento vocal de todo dia.
Para quem não faz parte do elenco é uma experiência fascinante: todos presentes na sala começam a cantar ao mesmo tempo: noviças, crianças, atores, atrizes… Um amálgama de vozes afinadas ecoa naquele pequeno espaço.
A soprano e professora de canto Maíra Lautert, que vive uma das freiras do espetáculo, explica como se dá o aquecimento:
“O aquecimento é importantíssimo, principalmente em um musical como a Noviça, onde as músicas possuem melodias extremamente conhecidas e definidas vocalmente. Isto é, precisam ser muito bem cantadas e não só interpretadas. Sendo assim, a importância do aquecimento, tecnicamente falando, é fazer com que a voz vá para os espaços internos corporais de ressonância necessários ao canto. Muito complicado?… vamos pensar melhor… o aquecimento vocal prepara a voz para cantar, ou seja, tira-a da condição somente de fala e a transforma em instrumento musical.
No nosso aquecimento, especificamente, o maestro Marcelo Castro inicia com vocalises que igualem todas as vozes, buscando um arredondamento vocal, isto é, um som cheio e lírico, necessário, principalmente ao coro das freiras. Neste momento, ele explora notas agudas, médias e graves, e cada ator ali, já sabendo sua classificação vocal (soprano, tenor, contralto…), sabe até que notas pode ir vocalmente. No segundo momento do aquecimento, o maestro dispensa as freiras e fica com o restante dos atores trabalhando vocalises voltados ao belting, expressão dada à exercícios que se propõem especificamente ao canto de Teatro-Musical, onde a voz não deve soar lírica, mas, também, bem cantada. Vocalise é o nome dado ao exercício de aquecimento ou treino vocal”.
Curiosidade: o coro das freiras é composto por 12 atrizes-cantoras (às vezes varia conforme a sessão) e um ator-cantor (Guilherme Héus) e é dividido em quatro naipes de vozes diferentes: soprano, sopranos 2, mezzo-sopranos e contraltos. Cada naipe canta uma melodia diferente na mesma música, o que faz com que o coro vocal aconteça. As freiras abrem o espetáculo com o coro cantando à capella, ou seja, sem acompanhamento instrumental algum. Sendo assim, as vozes necessitam ainda mais estar muito bem aquecidas para que cada naipe cante com segurança sua melodia, fazendo com que o grupo se mantenha coerente dentro da música. Os naipes se completam e se dão suporte musical. Cada freira faz a sua parte e o coro brilha na mão do maestro.
Confira imagens do elenco de A Noviça Rebelde no aquecimento pré-espetáculo:








Tags: A Noviça Rebelde, Marcelo Castro, Vera do Canto e Mello







Enviado por Denise Guerchon em 1/11/2008:
AMEI ESTE ASSUNTO!!! É UM ASSUNTO MUITO IMPORTANTE PARA ESSE UNIVERSO MUSICAL!! Parabéns pela matéria, Leo! Maravilhoso, adorei a entrevista e as explicações de Maíra! Depois que entrei pra este mundo da voz, fiquei cada vez mais apaixonada!! A gente que brinca com a arte se apaixona por cada coisa que descobre dessa brincadeira.. É muito bom saber sempre um pouco mais sobre o que a gente curte. Além de olhar o teatro e a dança com outros olhos, fico feliz em poder, agora, assistir qualquer musical analisando também a voz e o aparelho fonador de quem está em cena. Vale lembrar que a respiração é uma coisa muito importante para que você coloque a sua voz no lugar certo de seu corpo, como disse a entrevistada. E a articulação dos músculos da face também ajudam e muito, além da movimentação corporal, que também ajuda a dar a intenção correta para o personagem que quer cantar em você. É sempre um bom trabalho de equipe consultar fonoaudiologia, otorrino e ortodontia, enquanto a pessoa é novata em canto. Digo isso apenas porque (por enquanto) eu sou uma dessas pessoas.