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“Gloriosa, A Vida de Florence Foster”, espetáculo dirigido por Charles Möeller & Claudio Botelho, e protagonizado por Marília Pêra, estreou ontem, 13/11, no Teatro Abel, em Niterói, onde fica em cartaz até o dia 16. A peça, baseada na história de Florence Foster Jenkins, milionária excêntrica que não conseguia acertar uma única nota musical, foi escrita por Peter Quilter e se tornou um grande sucesso. Tendo gravado apenas dois discos, Florence fez uma apresentação histórica em 1944, no Carnegie Hall, em Nova York, atraindo mais de duas mil pessoas.
Além da atuação sensível e divertida de Marília, a peça se destaca pelos belos figurinos e cenários art déco, próprios da Nova York dos anos 30 e 40. A trilha, escolhida a dedo, também revive o espírito da época, com canções de Cole Porter, entre outros. A estréia em Niterói foi prestigiada por vários amigos e fãs de Marília, entre eles as atrizes Mariana Ximenes e Vanessa Gerbelli, a bailarina e professora Dalal Achcar, a figurinista Kalma Murtinho, a atriz e figurinista Patrícia Bueno, as jovens atrizes Sofia e Catarina Viamonte, do elenco de “A Noviça Rebelde”, entre outros. No Rio, a estréia de “Gloriosa” está prevista para janeiro de 2009.
Serviço: Local: Teatro Abel Florence Foster Jenkins era a piada mais popular de Nova York nos anos 40 do século passado. Os ingressos para os recitais anuais que protagonizava no Hotel Ritz eram disputados a tapa. No meio de seu público, podiam ser reconhecidos Cole Porter e Noel Coward. A eles, ela oferecia um repertório caprichado — Mozart, Verdi, Strauss — com uma peculiaridade: conseguia as piores interpretações que estes compositores já tiveram em toda a História. Florence cantava mal. Muito mal. Tão mal que ganhou o apelido de “a diva do grito”. Nascida em 1868, Florence, desde criança, manifestou o desejo de seguir a carreira de cantora lírica. O pai, um banqueiro bem-sucedido, ao notar o resultado das primeiras aulas de canto da filha, recusou-se a continuar pagando seus estudos. Florence não desistiu. Aos 17 anos, fugiu de casa para continuar dedicando-se à arte de cantar. Casou-se, descasou-se e ficou na pior até o pai aceitá-la de volta, com a condição de que desistisse de cantar. Ela topou e foi assim até completar 41 anos, quando o pai morreu e Florence herdou grande parte de sua fortuna. Não havia mais empecilho algum para mostrar ao mundo sua indomável voz de soprano coloratura. Três anos depois, ela já estava dando seu primeiro recital anual. Tinha inquebrantável segurança de seu talento e dispunha-se a cantar as árias mais difíceis do repertório clássico. Em 1934, conheceu o pianista Cosme McMoon com quem formou uma dupla até o fim da vida. Neste período, manteve o recital no Ritz, agora com McMoon — ela vendia os ingressos pessoalmente para evitar a presença de jornalistas — e gravou dois discos. A renda ia sempre para instituições de caridade. Aos 75 anos, viajando num táxi, sofreu um acidente no trânsito. Os amigos tentaram convencê-la a processar o motorista. Ela preferiu enviar-lhe uma caixa de charutos. Adquiriu a crença de que, depois do desastre, conseguia emitir um fá maior melhor do que nunca. Os amigos temeram também a gravação dos discos. Acreditavam que, se ela se ouvisse, perceberia o quanto cantava mal. Mas Florence não se deu conta. Achava que os discos revelariam seu talento para gerações futuras, seriam como um souvenir de sua arte. Tinha 76 anos quando aceitou se apresentar a um público maior que o dos recitais no Ritz e estrelou um concerto no prestigioso Carnegie Hall. Feito o anúncio, os ingressos se esgotaram em poucas horas. Mais de duas mil pessoas voltaram da porta do teatro, na noite de 25 de outubro de 1944. Quem viu garante que foi uma apresentação inesquecível. E interminável. Entre uma música e outra havia intervalos enormes para Florence mudar de figurino. Sua roupa com asas — ela chamava de “Angel of inspiration” — tornou-se um clássico. Conta-se que a atriz Tallulah Bankhead riu tanto durante a apresentação que teve que ser retirada do teatro. Um mês depois do concerto, Florence morreu. Há quem atribua a morte à depressão por, enfim, dar-se conta da reação do público e da crítica. Veja mais fotos da estréia:
Aplausos no final do espetaculo
Zaida Valentim e Eduardo Galvão: mestra e pupilo
Mariana Ximenes e Sofia Viamonte
As irmãs Catarina e Sofia Viamonte, do elenco de “A Noviça Rebelde” |


Na montagem brasileira, além de Marília, estão também no elenco Eduardo Galvão (interpretando Cosme McMoon, o pianista que acompanhou a carreira da diva) e Guida Viana, que se reveza em três papéis: a empregada mexicana, a melhor amiga e uma professora de canto inconformada com a voz de Florence. Eduardo Galvão teve aulas com a pianista Zaida Valentim para acertar a posição dos dedos (no palco, ele faz os movimentos, enquanto um pianista profissional toca nos bastidores).








Enviado por Sérgio Rodrigues em 18/11/2008:
Que história! Que espetáculo! O cenário e figurino nos colocam no túnel do tempo. Eduardo Galvão está perfeito como o cínico pianista que ao final se encanta pela grande dama e artista que Florence de fato era. Certamente não a que ela pensava que fosse. Mas quem sabe ela tenha descoberto isso quando deu seu último sorriso. Tive a oportunidade de ouvir a voz de Florence no YouTube (procure “assassinando mozart”) e a mesma música foi cantada por Marília. Que perfeição ou melhor seria dizer que imperfeição Marília. E Guida Viana está maravilhosa como representante da incrível legião de fãs e amigos que conseguiram, quase até o final, manter a verdade longe do mundo de sonhos de Florence. Graças a eles esta história, hoje, nos encanta e nos faz pensar. Parabéns Charles e Cláudio, e continuem sempre a escolher as boas histórias pois saber contá-las é um dom dado a vocês.
Enviado por George Luis em 16/11/2008:
Vou assistir hoje!!! Gostaria de cumprimentar Zaida Valentim que, sem querer, foi minha inspiração para eu seguir meus estudos de piano. Assisti “Lado a lado com Sondheim” (o meu primeiro musical, e o meu primeiro Moeller & Botelho) em saí de lá bobo. E sabia o que eu queria fazer (e apreciar) pro resto da vida!
Enviado por Charles Fouquet em 14/11/2008:
Estou ansiosíssimo pela estréia agora aqui no Rio, a história é muito boa e deve ser uma belíssima peça, sem contar o elenco. E devo parabenizar o Leo Ladeira pela matéria e pela cobertura, afinal, sabemos que ele mora aqui no Rio e teve que se deslocar até Niterói para isso. Parabéns Leo! Você é demais.
Enviado por Luiz Bernardo em 14/11/2008:
Tive o imenso prazer de assistir ontem a estréia de Gloriosa. A atuação de Marília Pera é magistral, Eduardo Galvão esta excelente e Guida Viana com uma atuação engraçadíssima ( a empregada mexicana é ótima!). Mais um sucesso do Claudio e Charles para encantar a todos(amigos e inimigos!)
Enviado por Noêmia Maestrini em 14/11/2008:
Eis aí uma história como poucas para ser contada e interpretada por muito poucas atrizes. Parabéns aos meninos de ouro dos musicais e toda a sorte a Marília e suas interpretações very unique! Parabéns aos espectadores por poderem ter este privilégio! Noêmia Maestrini