Leia aqui as principais críticas publicadas sobre ‘O Despertar da Primavera’
Qualidade e emoção no trato de tema forte
O despertar da primavera: Botelho e Möeller integram texto, ação e canções em musical que mostra evolução do gênero no país
Por Barbara Heliodora (O Globo)
Recusando o caminho do clone e confiando em tudo o que aprenderam no caminho já percorrido, Charles Möeller e Cláudio Botelho apresentam um belíssimo espetáculo de “O despertar da primavera”, enquanto que, ao transformar a obra de Wedekind em musical, Duncan Sheik e Steven Sater mostram que a única forma dramática criada nos Estados Unidos atingiu sua maioridade. Para os brasileiros, que só viram uma meia dúzia de exemplos da forma, o uso do musical para tema tão sério e forte quanto o de Wedekind pode ser uma surpresa, porém a forma já tem muitas décadas de vida, e desde o “Carousel”, de Rodgers e Hammerstein, em 1945, por exemplo, vem se aventurando como linguagem apta a enfrentar temas sérios. Nesse “Despertar”, a integração de ação, texto e música é total, com as canções substituindo parte do diálogo para fazer, efetivamente, caminhar a ação.
Para os que pensam no século XX como todo ele uma época de liberação sexual, é bom lembrar que Frank Wedekind escreveu sua peça em 1906, e que esta só foi apresentada pela primeira vez sem censura, na Inglaterra, em 1974. E, para os que julgarem talvez exagerado o número de problemas e conflitos apresentados, é bom lembrar que essa era a intenção de Wedekind.
Como se torna óbvio se pensarmos em termos de toda uma comunidade de alunos. A força do texto de Wedekind, a riqueza imaginativa dos jovens contrastada com a limitada e falsa rigidez de seus pais e professores foram muito bem exploradas por Sheik e Sater, assim como pela encenação carioca.
A encenação é primorosa: o espaço concebido por Rogério Falcão, que permite localização e movimentação do grande elenco com eventuais riquezas visuais, está belamente iluminado por Paulo César Medeiros. Com a única exceção do último figurino de Ilse, os figurinos de Marcelo Pies são também de primeira categoria, enquanto Marcelo Claret alcança grande equilíbrio em seu desenho do som. A coreografia de Alonso Barros encontra o tom do despertar de que fala a peça, misturando alegria e indisciplina na medida certa. A direção musical de Marcelo Castro é impecável, e toda a parte musical do espetáculo é da melhor qualidade, com a preparação vocal de Ester Elias tendo alcançado resultado surpreendente.
Conjunto fantástico enche o palco de força vital
A direção de Charles Möeller e a tradução e a supervisão de Cláudio Botelho estão no mesmo alto nível de seus melhores trabalhos, e merecem os dois maiores aplausos por não aceitarem a ideia de apenas clonar o espetáculo americano.
A atuação do elenco de jovens é surpreendente, e, como é justo que seja no “Despertar da primavera”, sua força conjunta derrota a força totalitária dos adultos competentemente interpretados por Carlos Gregório e Débora Olivieri.
Letícia Colin, Thiago Amaral, Laura Lobo, Felipe de Carolis, Julia Bernat, Estrela Blanco, André Loddi, Bruno Sigrist, Pedro Sol, Danilo Timm, Thiago Marinho, Davi Guilherme, Lua Blanco, Eline Porto, Alice Motta, Mariah Viamonte, em conjunto e individualmente, enchem o palco de força vital e formam um conjunto fantástico de interpretação, dança e canto. Nos papéis principais, Rodrigo Pandolfo apresenta um trabalho comovente como o infeliz Moritz, Malu Rodrigues transmite bem a angústia de sua descoberta, e Pierre Baitelli transmite bem a posição do líder rebelde que paga um alto preço por suas convicções.
Se o “Despertar da primavera” é a maioridade do musical americano, a montagem carioca é a prova da maturidade de nosso teatro, pois o espetáculo é tão bom quanto emocionante.
* Publicada originalmente no Jornal O Globo em 27/08/09.
…………………………………………………………………………………………………………………………….
Charles Möeller encena com harmonia de maestro a partitura coreográfica
Por Macksen Luiz (Jornal do Brasil)
A peça do alemão Frank Wedekind, escrita em 1890, expõe a ação dos mecanismos sociais (família, educação, religião e poder) sobre adolescentes em conflito com seu crescimento. As vivências dos jovens – interferidas por sociedade burguesa, repressiva e que se autosustenta na hipocrisia – não encontram meios de expressão na sua descoberta da sexualidade. Muito menos nas referências, senão naquelas que determinam o descompasso com a vida adulta e impõe-lhes valores que, muitas vezes, os aniquila. Construído como um drama, capaz de tocar, na sua época e até na atualidade, em questões que transcendem ao tempo e ao espírito com que foi escrito, se mantém como libelo moral contra os condicionantes da formação e afirmação da individualidade.
O caráter poético reveste a crueldade com que Wedekind capta o momento das revelações e da percepção do mundo pela juventude submetida à violência do crescimento, para além das transformações de seu corpo. O autor confronta o desabrochar com o enquadramento, traçando retrato impiedoso das dores de amadurecer. A versão musical de O despertar da primavera, em cartaz no Teatro Villa-Lobos, com texto e letras de Steven Sater e música de Duncan Sheik, não sofre perdas na transposição dos gêneros, mantendo a força e a contundência da “denúncia”, e a atualidade da atmosfera dramática. E é justamente o drama que estabelece e apoia a musicalidade das 19 canções, nem sempre bem servidas de boa poesia e marcante sonoridade. A trilha não tem a mesma dramaticidade do entrecho e, com exceção de uma outra música (as que se aproximam, rítmica e liricamente, da linguagem sonora contemporânea), as canções não fornecem significativa reavaliação do texto. Ainda que não ressalte, a música permite que se tenha perspectiva, tímida, menos rica, mas envolvente, deste drama juvenil. Charles Möeller encena com harmonia de um maestro seguro a partitura coreográfica desta celebração, algo dolorosa, à liberdade de ser e ao direito de se descobrir.
O diretor cria montagem com movimentos amplos da uniformidade em oposição a gestos vigorosos do encontro afetivo, numa superposição de estados emocionais e contrastes sociais. A música é interveniente, sem ser impositiva ou inadequada, comentando a trama, sem o mesmo brilho e impacto da narrativa, mas não obscurecendo a comunicabilidade com a plateia. Charles Möeller acentua a ligação com a emotividade, com efeitos cênicos infalíveis, como o recorte da lua, ou o encontro do trio de protagonistas no cemitério. Ou nos diversos contatos amorosos entre os jovens. A competente direção musical de Marcelo Castro, a coreografia, um tanto esquemática, de Alonso Barros, os cuidadosos figurinos de Marcelo Pies, a bem desenhada iluminação de Paulo César Medeiros e o cenário funcional de Rogério Falcão, completam a caprichada ficha técnica.
A dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, que também assina, uma vez mais, a versão brasileira dos musicais da grife, confirma a capacidade profissional para selecionar os elencos de suas produções. Escolheram com precisão os jovens atores, que conjugam tipo físico e capacidade interpretativa. O elenco de 21 atores demonstra qualidades apreciáveis como cantores, emprestando à montagem bem mais do que a sua juventude. Mariah Viamonte, Alice Motta, Eline Porto, Lua Blanco, Davi Guilherme, Thiago Marinho, Danilo Timm, Pedro Sol, Bruno Sigrist, André Loddi, Estrela Blanco e Julia Bernat formam o encorpado coro de estudantes. Laura Lobo projeta a fragilidade da jovem oprimida pela violência paterna. Thiago Amaral e Felipe de Carolis vivem sugestiva e delicada cena amorosa. Letícia Colin transmite o desamparo da esperança violada. Carlos Gregório e Débora Olivieri se distribuem pelos diversos papéis de adultos. Rodrigo Pandolfo recorre aos traços de comicidade poética para construir a sua comunicativa interpretação do suicida. Malu Rodrigues e Pierre Baitelli formam o promissor casal de atores que conduz tão bem a trama deste musical que conquista a plateia pela emoção.
* Publicada originalmente no Jornal do Brasil em 27/08/09.
…………………………………………………………………………………………………………………………….
O Despertar da Primavera: um musical classe A
Por André Gomes
Não é todo dia que se vê nos palcos um musical dramático, com temas como suicídio, incesto e sexo entre menores de idade. ‘O Despertar da Primavera’ é tudo isso e mais. Ao apoderar-se do polêmico texto teatral do alemão Frank Wedekind de 1891, a dupla Duncan Sheik e Steven Sater fez nos Estados Unidos o que parecia inconcebível: transformou-o em musical. Sagaz, embalou-o com rock e coreografou, com desenvoltura, aquele hiato que separa a infância da vida adulta. Charles Möeller e Claudio Botelho viram a montagem na Broadway, compraram seus direitos e ganharam outro: o de fazer a seu modo. No Teatro Villa-Lobos, desde sábado, está o resultado. A montagem nacional seduz pela plasticidade e pela contenção – é um musical maduro, apesar da temática adolescente.
Ousada, a cena de sexo entre o casal protagonista está ali para explicitar que é ele o eixo da produção: é do despertar para os prazeres do corpo que trata a montagem, e de toda a censura que vem a partir da liberdade de se tomar partido, ir em busca do que se realmente quer. O cenário de tijolos, de grandes proporções verticais, emoldura com perfeição o afinado elenco, com um Pierre Baitelli apaixonado na pele de Melchior, por quem Wendla (Malu Rodrigues) se apaixona e a quem se entrega. A atriz, afinada, tem tom suave, sedutor, mas o acerto que obtém na parte musical não é o mesmo da interpretativa: falta-lhe força dramática, aquele brilho que uma protagonista como a que defende deve ter. Coisa que Rodrigo Pandolfo, intérprete do espevitado Moritz, tem de sobra. Ator superlativo, domina as cenas em que está, imprime força às canções que cabem a ele, mas merece a ressalva: menos seria mais para seu Moritz, para que o público acompanhe com o devido drama o conflito do personagem. Letícia Colin, conhecida da TV, é grata surpresa: canta bem e tem forte presença cênica.
Também a favor da encenação estão as versões que Botelho fez para as canções: elas se comunicam com o público jovem, com despudor e irreverência. Há vários momentos memoráveis – ‘The bitch of Living’ é um deles – e, em todos eles, a sensação de que ali está um trabalho feito com respeito pelo espectador, repleto de pequenas surpresas, rigor em detalhes e o bom gosto que vem conduzindo a bem-sucedida carreira de Möeller e Botelho. Nada, contudo, tem o impacto de olhar nos olhos da garotada que está em cena (são mesmo jovens atores, de 14 a 25 anos, boa parte virgem de musicais) ao fim do espetáculo, diante dos aplausos do público. O despertar deles acontece em comunhão com a plateia. Que venha a primavera. E depois, que venha ‘Gipsy’.
* Publicada originalmente no Blog Teatropontocom
…………………………………………………………………………………………………………………………….
Obra-prima em versão imperdível
Por Lionel Fischer
Certamente todos os profissionais dar artes cênicas e estudantes de teatro conhecem o texto “O despertar da primavera”, de Wedekind. Mas é possível que muitos espectadores ainda não tenham tido o privilégio de entrar em contato com esta obra-prima e sobretudo pouco saibam a respeito do dramaturgo. Então, vamos rapidamente situá-lo.
Autor dramático alemão, Frank Wedekind (1864-1918) foi colaborador da revista satírica Simplizissimus, membro do famoso Kabarett, de Munique e ator de grande destaque. Começou sua carreira com dramas sobre os problemas da juventude e seu choque com a moral burguesa. Deste período constam O mundo jovem e O despertar da primavera, esta última uma de suas obras mais importantes, na qual a temática antiburguesa e o simbolismo expressionista se acentuaram em suas obras seguintes (O espírito da terra e a segunda parte de A caixa de Pandora), em que criou o protótipo da mulher fatal. Sua postura cínica de boêmio e moralista antiburguês, sua exaltação do erotismo e sua predileção por personagens marginais (aventureiros, criminosos, prostitutas etc.) impuseram ao dramaturgo constantes problemas com a censura.
Isto posto, voltemos ao essencial: passados 30 anos da estréia no Rio da peça, levada à cena por um jovem e talentoso grupo que ficou conhecido como O Pessoal do Despertar, dirigido por Paulo Reis, a maravilhosa obra de Wedekind volta ao cartaz. Só que, desta vez, na forma de um musical, estreado em 2006 nos Estados Unidos, no circuito OFF-Broadway e que, ainda no mesmo ano, chegou à Broadway e foi consagrado pelo público e pela crítica, recebendo oito prêmios Tony.
Contando com música de Ducan Sheik, texto e letras de Steven Sater, “O despertar da primavera – o musical” chega ao palco do Teatro Villa-Lobos com direção de Charles Möeller, versão das letras e supervisão musical de Claudio Botelho e elenco protagonizado por Malu Rodrigues (Wendla), Pierre Baitelli (Melchior), Rodrigo Pandolfo (Moritz) e Letícia Colin (Ilse), que dividem a cena com Débora Olivieri e Carlos Gregório – que interpretam todos os personagens adultos – e mais Alice Motta, André Loddi, Bruno Sigrist, Danilo Timm, Davi Guilherme, Eline Porto, Estrela Blanco, Felipe de Carolis, Julia Bernat, Laura Lobo, Lua Blanco, Mariah Viamonte, Pedro Sol e Thiago Marinho – estes últimos fazem os companheiros de colégio dos protagonistas.
Contendo personagens otimamente estruturados, diálogos impregnados de dramaticidade e lirismo, e uma narrativa que prende a atenção do espectador desde o início, “O despertar da primavera” é um texto que permanece atualíssmo, já que aborda temas que, infelizmente, nossa sociedade não foi capaz de banir, como alguns citados no impecável e abrangente release que nos foi enviado: o florescer da sexualidade, o incesto, o suicídio e a opressão, tanto no âmbito familar como no escolar e religioso.
E o texto é tão poderoso que, mesmo convertido em musical, conserva intacto seu fascínio e pertinência, cabendo registrar um dado curioso: se por um lado os autores mantiveram a atmosfera da época, por outro criaram músicas contemporâneas, com o objetivo, quem sabe, de através deste contraste reafirmar a atualidade das questões essencais trabalhadas por Wedekind. No entanto, aqui fazemos uma pequena ressalva: se por um lado a maioria das 19 canções estão em sintonia com o contexto, por outro algumas carecem de maior vigor dramático, contribuindo para minimizar um pouco o dilacerante e claustrofóbico universo em que se debatem os personagens. Mas este senão acaba sendo, em grande parte, compensado pela ótima direção musical de Marcelo Castro e pela paixão com que os atores interpretam as músicas, cujas letras, como de hábito, receberam impecáveis versões de Claudio Botelho.
Quanto ao espetáculo, este marca a 22ª incursão de Charles Möeller e Claudio Botelho no gênero musical. E o que ainda pode ser dito a respeito desta extraordinária parceria, que a cada nova empreitada se supera? Aqui, estamos novamente diante de uma montagem absolutamente irrepreensível, que consegue materializar na cena, de forma sensível e criativa, todos os conteúdos propostos pelo autor. E também fazemos absoluta questão de ressaltar o fato de que Möeller e Botelho tiveram a salutar ousadia – exceção feita a Débora Olivieri e Carlos Gregório, profissionais com vasta experiência – de trabalhar com jovens com idades entre 18 e 25 anos, portanto praticamente em início de carreira, deles extraindo atuações irretocáveis, tanto no que se refere aos protagonistas como a todos os demais. Só nos resta, então, desejar que os sempre caprichosos deuses do teatro abençoem esta mais do que oportuna empreitada e a façam permanecer em cartaz por muito tempo.
No complemento da ficha técnica, destacamos com o mesmo entusiasmo o maravilhoso trabalho de todos os profissionais envolvidos nesta imperdível montagem – Alonso Barros (coreografia), Annmarie Milazzo (arranjos vocais), Rogério Falcão (cenário), Marcelo Pies (figurinos) e Paulo César Medeiros (iluminação).
* Publicada originalmente no Blog do Crítico e Professor de Teatro Lionel Fischer
…………………………………………………………………………………………………………………………….
HIGH SCHOOL MUSICAL DARK
Por Tom Leão (jornalista e crítico de música do Jornal O Globo)
“Há 30 anos eu assisti a uma versao de “O despertar da primavera” feita por uma galera new wave do teatro brasileiro, o Pessoal do Despertar, que incluia Falabella, Maria Padilha, Rosane Goffman, Zezé Polessa e outros. Foi a primeira peça que vi além daquelas mambembes da escola e infantis. Vi na época certa, adolescência. Aquela parada bateu forte em mim. Tava tudo lá – das angústias adolescentes (rebeldia, sexo, depressão, drogas), resumidas num texto escrito em 1891!!! Caray, que parada vanguarda! E ainda hoje bate forte. Isso é ser moderno. Fui ver a versão musical da dupla Moeller & Botelho, que estreou no finde, e o que dizer? Espetacular! Não sei onde eles acham atores/cantores tão bons, gente com 15, 16 anos arrebentando geral. É como uma antítese do imbecil High School Musical da Disney. Nem preciso dizer que recomendo sem restrições. Junte uma grana, deixe de ver uns dois ou três filmes, e vá ao teatro Villa-Lobos (Copa) ver. Desperte da letargia…”
* Publicado originalmente no Blog Na Cova do Leão.
…………………………………………………………………………………………………………………………….
“O DESPERTAR DA PRIMAVERA” inunda o palco do Villa-Lobos com hormônios, repressão e poesia
Por Paulo Netto (Drops Magazine)
“CHARLES MOELLER & CLAUDIO BOTELHO são incansáveis e suas cabeças criativas não páram nunca. Nos últimos meses encantaram multidões cariocas e paulistanas com espetáculos como: “Beatles Num Céu de Diamantes”, “A Noviça Rebelde”, “7 – O Musical”, “Gloriosa”, “Avenida Q”.
O mais novo é uma versão non-replica do musical americano vencedor do Tony Award em 2007. Não seria surpreendente que o novo filhote fosse, mais uma vez, extraordinário. A união do texto do alemão Frank Wedekind, polemicamente escrito em 1891 (e ainda atualíssimo) com canções pop-rock colocaram Nova York em polvorosa há três anos.
Com liberdade criativa para deixar vir à tona sua própria concepção, a dupla conseguiu uma realização ainda mais bonita e impactante que a da Broadway. Na versão brasileira há uma densidade dramática mais consistente e um lirismo mais marcado. O cenário tem mais dinamismo, os tijolos repressores têm um pé-direito gigantesco, enormes e verticais vigas, um sol que se traveste de inúmeras cores e uma lua que mingua e cresce. O desenho de luz é fantástico. Novas e esclarecedoras cenas foram acrescidas. Fotos do elenco descem do teto como se fossem passaportes (e posteriormente, obituário), num momento cenográfico de abundante beleza. Os microfones às mãos dos atores foram espertamente abstraidos, fazendo com que o drama prevaleça ao show de rock.
Desta vez, Botelho demonstra uma maturidade emocionante no trabalho de versão das canções para o português. Esta é possivelmente sua melhor e mais poética transposição de um musical para a nossa língua. A sonoridade das letras, as rimas, a suavidade de algumas canções, tudo relacionado a este trabalho é digno de aplausos. O “purple summer” de Steven Sater e Duncan Sheik torna-se um “verão vermelho”. “Eu serei teu sangue, tu minha cicatriz”, “seu corpo quer falar, é só ouvir”, em “The Word of Your Body” são mais exemplos.
O que mais me impressionou quando vi em 2007 “Spring Awakening” em Nova York foi a garra e a energia quase palpáveis do elenco que vibrava e suava a cada canção. O elenco brasileiro também tem essa paixão, essa força. A testosterona e o estrógeno borbulham no palco, até porque a faixa etária do cast vai dos 14 ao 25 anos.
PIERRE BAITELLI, MALU RODRIGUES e RODRIGO PANDOLFO estão apaixonantes como os protagonistas. Densos dramaticamente, vozes afinadas e a tal da tão comentada “star quality”. Pierre esteve na minissérie da Globo “Capitu”, Malu em “7″ e Pandolfo foi indicado este ano ao Shell pelo trabalho na peça “Cine-Teatro Limite”.
Entre os coadjuvantes do ensemble chamam atenção diferenciada as desenvolturas e vozes da carioca LAURA LOBO, do gaúcho THIAGO AMARAL e do paulistano BRUNO SIGRIST. Seria muito bom ver este último na pele de Moritz numa eventual substituição. FELIPE DE CAROLIS tem desempenho dedicado num dos papéis mais difíceis, o de Ernst, jovem que descobre a homossexualidade e a paixão por um colega de classe. O intuitivo ator executou um interessante trabalho de voz, deixando-a mais aguda nos diálogos.
Mas talvez dentre todo o elenco a mais impressionante tenha sido a fulgurante e belissima LETÍCIA COLIN, no papel de Ilse, uma jovem avant-garde e libertária em pleno final do século 19. A cena em que ela canta “Blue Wind” (Primavera) é das mais emocionantes do espetáculo.
Vale muito a pena ver o antigo e nostálgico Teatro Villa-Lobos inundado pela garra e hormônios deste fotogênico e talentoso elenco. A poesia e o lirismo da versão brasileira saltam aos olhos e palpita o coração da plateia carioca, que aplaude e grita bravo! a cada canção.
Este imperdível musical da dupla mágica Moeller & Botelho é melhor que o original americano. Aqui, os beijos são mais ardentes, os cenários mais vistosos e a dramaturgia mais elaborada. A ousadia é maior nas cenas de sexo e nudez e sim, há um belo e atordoante beijo molhado entre Thiago Amaral e Felipe de Carolis.
A temporada no Rio deve durar até novembro. No início de 2010 será a vez de São Paulo.
Os tabus do sexo, a repressão dos pais, o rigor dos professores e o desabrochar para o erotismo, a gravidez adolescente, o aborto, o incesto, o suicídio, mesmo escritos há quase 120 anos por Wedekind, são temas ainda muito atuais e urgentes para plateias de 8 a 80.
“O DESPERTAR DA PRIMAVERA” é mais um musical arrebatador da dupla, que prepara para os próximos meses as versões brasileiras de “Gipsy” e “Hair”.
* Publicada originalmente no Site Drops Magazine.
…………………………………………………………………………………………………………………………….
Claudio Botelho e Charles Möeller gostam de desafios. Já se aventuraram a levar ao palco a sua visão de um ícone da dramaturgia musical nacional, como Ópera do Malandro, de Chico Buarque; um outro que traz à cena o cancioneiro dos rapazes de Liverpool (matéria que desperta paixões que nem o futebol) em Beatles Num Céu de Diamantes e, last but not least, criaram um conto de fadas moderno embalado pela sofisticada música de Ed Motta. Desta vez, escolheram o clássico de Frank Wedekind, O Despertar da Primavera. Não se tratava simplesmente de verter para o português a montagem musical norte-americana de Duncan Sheik e Steven Sater , criada em 2006. Mas dar a sua visão para a produção que conquistou oito prêmios Tony. Depois, vencer a expectativa da horda de fãs que tiveram a adolescência marcada pela produção de 1979 do Pessoal do Despertar. Com Miguel Falabella, Maria Padilha, Daniel Dantas, Zezé Polessa, entre outros no elenco, e dirigida por Paulo Reis, a encenação entrou para a história e para a memória de toda uma geração de cariocas.Mais uma vez, a dupla Botelho & Möeller se superou. Este O Despertar da Primavera consegue unir a força do texto do autor alemão com o impacto de uma trilha sonora que só fez conferir ainda mais alma aos adolescentes do drama. É curioso que, mesmo escrita no século XIX, a trama permaneça atual. Mesmo em plena era da informação, questões como aborto, homossexualismo e abuso sexual continuam em pauta e próximos da realidade dos jovens. O cenário, de Rogério Falcão com estruturas metálicas e concreto aparente, aliado à meia-luz de Paulo Cesar Medeiros, cria atmosfera soturna, opressora, que remete, na asfixia, à seqüência em que se entoa o hino rebelde Another Brick in The Wall, em Pink Floyd The Wall, o filme dirigido por Alan Parker em 1982. À frente do elenco, destaca-se Malu Rodrigues como a romântica Wendla. Além do ar angelical que a torna perfeita para o papel, Malu ainda canta lindamente. Pierre Baitelli (Melchior faz com ela bom par romântico e Rodrigo Pandolfo mais uma vez se mostra talentoso, agora na pele do angustiado Moritz. Carlos Gregório e Debora Olivieri cumprem com louvor a tarefa de encarnarem, em diversos papéis, o mundo adulto. Em resumo: um espetáculo impactante, com letras impecáveis de Botelho e ótima direção musical, encenado com garra por um elenco jovem e que também vai fazer história.
* Publicada originalmente no Blog da jornalista, crítica e professora de história do teatro Debora Ghivelder.
…………………………………………………………………………………………………………………………….
Todo o brilho da juventude
Novo espetáculo de Charles Möeller e Claudio Botelho é um conjunto de acertos
Por: Daniel Schenker Wajnberg
O GRITO SUFOCADO DE LIBERDADE da juventude ecoa forte em O Despertar da Primavera, musical que insere sonoridade contemporânea ao texto de Frank Wedekind, que flagra o processo de desestabilização de adolescentes no fim do século 19.
A mistura contrastante entre antigo e contemporâneo soa atraente aos olhos e ouvidos, com Cláudio Botelho respondendo pela fluente versão das músicas (de Duncan Sheik e Steven Sater) para o português, que exprimem desejos reprimidos pela rígida moralidade das instituições e das famílias. Vale destacar a expressiva utilização da cor tanto na iluminação de Paulo César Medeiros quanto nas estampas dos figurinos femininos de Marcelo Pies, que formam belo conjunto com os padronizados uniformes masculinos.
Na direção, Charles Möeller orquestra o espetáculo com a habitual competência. Os atores evidenciam disciplina. Entretanto, por se tratar de um elenco muito jovem, como pede a própria dramaturgia de Wedekind, não é possível detectar trabalhos de interpretação mais personalizados.
* Publicada originalmente na Revista Istoé Gente – Edição 521 – 07/SET/2009
Tags: Charles Möeller, Claudio Botelho, Críticas, O Despertar da Primavera, Spring Awakening, Spring Awakening-Brasil














Ah, foi tudo indescritível. É realmente imperdível, e eu tenho certeza que voltarei lá mais vezes.
“imperdível, irrepreensível, impecável”
“E o que ainda pode ser dito a respeito desta extraordinária parceria, que a cada nova empreitada se supera?” [2]
Como diria o Brian:
- Obrigado é bom !
O B R I G A D A ! Claudio e Charles !!!
Uau! Só elogios na crítica, hein! Vcs merecem msm.
Não tem o que falar de ruim – mesmo.
Realmente não tem como falar de ruim sobre o espetáculo….. todos estão ótimos com os seus papéis!!!! Cenários, roupas, versões, tudo está impecável! Gostei principalmente da Malu, que é totalmente Wendla em cena e não ela mesma! Felipe de Carolis e Pierre Baitelli!!! Muito bons mesmo!!!! Destaque para as cenas de Mama me explica, Left Behind, And then there were none, e os duetos da Wendla com o Melchior!!!! Muito bom mesmo! Charles e Claudio mais uma vez estão de parabéns! Voltarei sempre! Recomendo a todos!!!! E obrigado por trazerem espetáculos musicais encantadores para o país!
Crítica mais do que justa do Leonel Fisher! Aliás meus queridos Charles e Claudio,quem deveria dar uma espiadinha no arrebatador trabalho de voces era o Michael Mayer.Não que o espetaculo dele não seja excelente (senão não teria apaixonado tanto voces).Mas é que subitamente dois brasileiros conseguiram enxergar nuances que ,mesmo da transferencia da Off-Broadway para uma edição com toques mais sofisticados na Broadway,ele não conseguiu captar.Aqui me refiro à obra original (do Wedekind).E olha que o Sr.Michael Mayer é fera.Dirigiu muito teatro não-musical (“Night Mother” -irrepreensível- “After the Fall”, entre muitas outras) e no teatro musical uma sensivel montagem de “Triumph of Love” (com a Beth Buckley),asfixiante de tanta beleza.
Lembro que alguns anos atrás (quando ela era praticamente uma criança)encontrei por puro acaso a Kiara (Sasso) em Nova York e ela me contou que tinha acabado de participar do primeiro workshop no LaJolla Playhouse (California) de um musical chamado SPRING AWAKENING,conduzido pelo Michael Mayer – que na época estava estreando o revival de outro musical que logo logo chegaria À Broadway:”You’re a Good Man Charles Brown”. Acho que a Kiara que viu a “criança nascer” lá no Oceano Pacífico deve ter se emocionado muito com o nosso “Despertar”.Permitam que eu o chame “nosso”, pois agora ele deixou de ser (lamento) de voces para se tornar uma referencia de todos que amam assistem,fazem e torcem pelo Teatro Musical no Brasil.Bravo !
Crítica perfeita.
critica merecida, e mais que justa….Parabéns
pAULO aFONSO É UM AMIGO MUITO QUERIDO E UM DOS PROFISSIONAIS DE TEATRO QUE MAIS IMPORTÂNCIA TEVE NA MINHA CARREIRA. FIZEMOS MUITOS ESPETÁCULOS JUNTOS, NUMA ÉPOCA EM QUE FAZER MUSICAL NÃO ERA MODA E QUE SÓ MESMO NÓS – OS APAIXONADOS – NOS METÍAMOS COM ISSO. HOJE MUSICAL VIROU UMA ESPÉCIE DE VÁLVULA DE ESCAPE PRA CARREIRAS QUE NÃO VÃO LÁ MUITO BEM NO TEATRO CONVENCIONAL, MAS ISSO É ASSUNTO PRA OUTRO PAPO.
O IMPORTANTE É AGRADECER AQUI DE PÚBLICO AS PALAVRAS DE UM DOS DIRETORES E ARTISTAS QUE MAIS CONHECE MUSICAIS NO BRASIL, PRATICAMENTE UMA ENCICLOPÉDIA VIVA DA BROADWAY, PAULO AFONSO DE LIMA.
SABER QUE ELE CURTIU NOSSA “PRIMAVERA” É UMA HONRA E UM DELEITE.
CLAUDIO BOTELHO
Eu não preciso dizer q amei?? Ja vi 3 vezes,e vcs me conhecem!!
Chego a me sentir meio Tio dessa turma incrivelmente talentosa q vc`s selecionaram!! mta merda e sucesso, ai!!
é com muito orgulho q me declaro o Fã número 0, e q fico cada vez mais fã!
Amo VC`s!!
Críticas ótimas ! Os atores estavam afinadíssimos , os protagonistas são excelentes e a montagem foi muito bem feita!
Parabéns!
Que maravilha a crítica de Barbara Heliodora! Este é o grande atestado da qualidade do musical. Parabéns aos maestros Moeller e Botelho.
Célia Mota
Ufa!!!…..
Entraram no Paraíso!
Rs, rs, rs….
Hahahahaha depois do comentario do Ivanei nao tem nem o q dizer, ja disse td ahahahaha
sobre a peça so vou escrever o q sempre digo, so 1 coisa define a peça: CLAP CLAP CLAP (palmas pros que nao entenderam hehe)
No Céu – Ivanei – como o Moritz Stiefel !!!
André Gomes virou um Herói pra mim!Muito inteligente e suscinto(o que eu considero muito importante).Foi a fundo em algumas questões dramáticas que nenhum dos outros citou,e que fazem todo sentido,em minha opinião.O espetáculo é primoroso,eu saí maravilhado pois não conhecia o trabalho do Cláudio e do Charles,não perderei nenhum espetáculo a partir de agora,e nenhum teste também..iuahaiuhuaia!
PARABÉNS!!!!!!
“EU” … desculpa mas dizer que Rodrigo Pandolfo “exagera”?????????Como assim???Mas cada um tem o seu lado pessoal e crítico de ver as coisas!!!
Pandolfo e Pierre são incríveis!!!!!!!!O elenco todoooo!!!!Amo vocês!!!
Pandolfo é denso como um bom Moritz pede. Emocionalmente inconstante. Aliás a trama de Wedekind já é assim, com esses personagens em seus multiplos estados emocionais, perdidos entre a razão imposta por uma dura sociedade e os sentimentos de uma juventude que aflora.
“EU”
Não achei que faltou força na Wendla da Malu. Não mesmo. Pelo contrário. Pra uma menina inocente e reprimida do século XIX, ela demonstrou muita fibra e atitude. A Wendla nas mãos erradas poderia ser uma personagem bem aguada e “perdida”, mas a Malu conseguiu fazer uma Wendla MARAVILHOSA!!
E concordo que muitas vezes menos seja mais, mas por favor, né, gente… estamos falando de Moritz Stiefel!!! O Pandolfo acertou super em cheio!
Sem comentários, é simplesmente uma peça maravilhoooooooooooosa, parabéns…tive o grande prazer de trabalhar com vocês
Nossa!!! Opiniao eh opiniao, mas conseguir falar uma virgula do Pandolfo?? Ele arrebenta!! O Moritz dele eh maravilhoso, sem tirar nem por!!! Enfim… Opiniao eh opiniao, neh??
ÓÓÓTIMO! FINALMENTEEE! Estava morrendo de ansiedade para ver isso… Adorei. Mto boas as críticas! Todas elas fizeram apontamentos mto pertinentes.
E ok ok, eu até entendo a opinião do crítico, mas a Malu me comoveu muito, pra mim ela tem bastante força dramática, e o Rodrigo Pandolfo mesmo sendo teoricamente um pouco “over” (bem mais “over” q o de John Gallagher Jr.) ele me convenceu demais (bem mais que o dito cujo, q ganhou o Tony, inclusive!)… Mas essas coisas são realmente mto relativas e subjetivas. Respeito a opinião dele! Não concordo. Mas respeito. xD
Eu visitava sempre o blog do André Gomes, depois que eu vi uma crítica elogiando horrores Hairspray (incluindo as péssimas versões), total parei… e agora vir falar mal de Malu e Pandolfo?! Opinião é opinião, mas querer falar da atuação deles é heresia! Malu é doce, ingênua, e cresce no personagem de uma forma absurda! No Whispering quando ela toca na barriga eu me arrepio sempre! É super verdadeiro… e Pandolfo, afff né, tem gente que merecia nascer em 1891 na Alemanha e estar na situação dele que dai eu só ia querer ver alguém falando o que é exagero.
Agora, Spring Awakening escrito em 1906? Wikipedia para Bárbara! Ou ela ao menos poderia ter aberto o programa que lá tem todo o cronograma e mostrando que ela foi escrita em 1891… e se não me falha a memória o vestido final de Ilse é o verde, não? Se for, é idêntico ao de lá de fora… é muito querer dizer que tem um detalhe ruim, mas tudo bem, hahahaha…
Po, mas eu concordo q esse vestido é feio mesmo. HAUSHAUSHUAHSUAHSA. Eu AMEEEEEEEEEEEEI os figurinos de Despertar, exceto por ESSE vestido! ahsuahsa
Mas eu pensei a mesma coisa… acordo de manhã, vejo o Globo no sofá, logo procura o Segundo Caderno em busca de alguma coisa sobre O Despertar, encontro a crítica dela, fico feliz, começo ler e… WTF? hasuhas. Na boa, um pouquinho de pesquisa antes de publicar uma notícia (ainda mais num jornal como O Globo) nunca fez mal pra ninguém, ou fez?
Nossa… assinei embaixo de todos os comentários xD
Parabéns pela estréia,fiquei muito feliz com a crítica de Barbara Heliodora,é muito importante ser elogiado por uma expert,em breve estarei assistindo!bjs Cris.
Um musical maravilhoso como esse só poderia mesmo ter tantas críticas boas! Parabéns Möeller & Botelho por mais esse sucesso em sua carreira!!
Ola, sou morador do Rio de Janeiro, e mais especificamente da fregueia
(jacarepagua). Queria dizer que ao saber da peça ”Despertar da Primavera”pelo
Jornal do Brasil, meus olhos encheram-se de alegria, fui correndo para as
paginas do jornal me informar onde, quando e quanto. Infelizmente, tive a
decepção que sempre costumo ter com peças de teatro no Rio de Janeiro, como
de esperado, a peça iria ocorrer na Zona Sul, em horários extremamente
noturnos e intimidadores, por um preço salgado nos horários mais cedos
Sei que vocês diretores não tem culpa nenhuma disso, mas as pessoas que
organizam esse tipo de coisa simplesmente acabam com o teatro da cidade,
deixando apenas para a parte elitista da Zona Sul.Tenho muitos conhecidos que
adorariam ir assistir essa peça, porem, como pessoas de bairros mais distantes,
vão ao teatro as 9 da noite, numa cidade onde o medo da violência predomina?
Os agentes acham que o publico da Zona Norte e Zona Oeste é burro, e empurram
para nós aquelas mesmas peças de comedias bobas e batidas,só que existe um
publico imenso amante do Teatro por outras partes da cidade, que é massacrado
com esses horários e locais intimidadores. Aqui em Jacarepaguá abriu um novo
Teatro, o teatro SESI, com quase 400 lugares e uma estrutura magnífica.
Gostaria de saber, porque não tentam trazer espetáculos de alto nível para
cá?
Yuri, acho que todo mundo gostaria de ver as peças pertinho de casa, mas não é bem assim.
Eu moro em Duque de Caxias (é, a distaaante Duque de Caxias) e já assisti o Despertar duas vezes, sem contar com as dezenas de vezes que me desloquei até a Gávea ou Leblon chegando em casa de madrugada (e não, eu não tenho carro) e COM PRAZER de fazer isso, porque nós temos MUITA sorte de ter espetáculos desse nível tão perto de nós.
Até pouco tempo grandes musicais só iam pra São Paulo, e os maiores mesmo, aqueles que bombavam no mundo inteiro, muitas vezes nem no Brasil chegavam.
Quando escolhem um teatro, leva-se em consideração muitas fatores.
Você pode achar que muitos dos seus amigos da ZO assistiriam à peça se fosse aí, mas será que vc tem 200 mil amigos pra lotar teatros por uma temporada inteira, como a Noviça fez no Leblon?
Também tenho muitos amigos em Caxias que gostariam de ver, mas sei que é inviável uma temporada aqui!!
Quem quer ver de verdade sempre dá um jeito.
Considere-se uma pessoa de sorte por ter um espetáculo desse nível em seu país, em seu estado, e em sua cidade!
Infelizmente essa é a realidade do Rio de Janeiro e, talvez, das grandes metrópoles.
Eu tb moro longe de Copacabana. No meu bairro não tem nenhum teatro. A única coisa que funciona (ou funcionava) são as lonas culturais da Prefeitura.
A Zona Norte tem pouquíssimos teatros, e os que existem estão em condições precárias, como o Armando Gonzaga, em Marechal Hermes, e o Artur Azevedo, em Campo Grande.
É uma pena!
Realmente excepcional a Peça Despertar da Primavera, fiquei encantada com tudo, elenco de primeira, cenário maravilhoso,o texto é primoroso, a interpretação F A N T À S T I C A!!!!! As músicas são brilhantemente interpretadas. Nooooossa eu fiquei sonhando com a peça por vários dias.Quero assistir novamente!!! Valeu o esforço pessoal! Diretores, brilhante trabalho!!Parabéns!