“7” em Progresso

abril 21, 2009
Categorias: 7 - O Musical, Destaques

7 – O Musical” estreia em São Paulo com novos nomes no elenco e cenas modificadas


Considerado o mais autoral (e mais ousado) dos espetáculos de Charles Möeller & Claudio Botelho, “7 – O Musical” estreou em São Paulo no último final de semana com o desafio de seduzir o público paulista com uma sombria história de amor e ódio passada em um Rio de Janeiro atemporal e soturno.

Contrariando os que dizem que Möeller & Botelho só trabalham com velhos amigos, “7” traz um elenco improvável e jamais reunido: além de atores-cantores consagrados como Alessandra Maestrini, Alessandra Verney, Jarbas Homem de Mello, Ivana Domenico e Betto Serrador, o espetáculo reúne ainda nomes como Zezé Motta, uma de nossas cantrizes precursoras; a cantora Eliana Pittman, que faz sua estreia em teatro; a transformista Rogéria, que brilha na pele de D.Odete; e a atriz Suzana Faini, que faz seu primeiro trabalho com a dupla e tem a ingrata – porém honrosa – missão de substituir Ida Gomes no papel da Sra.A. Ida faleceu em fevereiro de 2009, alguns dias após o término da temporada carioca de “7”.


Cenas modificadas

A montagem de “7” em São Paulo traz também outras novidades: a jovem Malu Rodrigues, que havia feito Louise Von Trapp na temporada carioca de “A Noviça Rebelde”, assume o papel de Clara, no lugar de Marina Ruy Barbosa.

Do ponto de vista dramatúrgico também houve mudanças. Uma das cenas do espetáculo, a do espelho (o “Coração no Bosque”) foi retirada e o solo de Eliana Pittman, logo no início do segundo ato, foi modificado.

“A cena anterior era muito bonita, mas nós já tínhamos vontade há algum tempo de facilitar a vida da plateia e tirar algumas das pistas falsas que poderiam criar confusão para a compreensão do espetáculo. Todo o início do segundo ato até o final da Cena do Bebê, embora tivessem seus méritos, não avançavam a ação em nada, eram apenas uma alegoria antes de entrarmos novamente na história. Então privilegiamos a história e o ato já começa”, explica o diretor Claudio Botelho.

“A canção interpretada pela Eliana Pittman ganhou nova letra e funciona agora quase como um entreato, uma pré-cena para o que virá. A música e o arranjo são exatamente os mesmos. O que mudou foi apenas uma parte da letra. Eu gostava da letra original, mas esta é mais direta e um pouco menos confusa para a história”, diz Botelho.

Já o diretor Charles Möeller lembra que “7” é um ‘work in progress’ (“é a única vantagem de ser autor e diretor”, brinca ele).

“Com o primeiro tratamento do texto dava para montar uma trilogia. Originalmente tinha todo o passado de Herculano, toda a infância de Amélia e a própria começando a envelhecer… Tinha Odete, Carmem e Rosa jovens. Era realmente um ‘E O Vento Levou”, ri o diretor.

Charles frisa que em teatro o processo é esse mesmo – as coisas vão sendo depuradas com o tempo e vai se percebendo o que funciona e o que soma, e vice-versa.

“O fato de fecharmos o primeiro ato com o uivo de Amélia tapando os ouvidos, pois não quer escutar os ecos do seu sortilégio em frente à Sra.A, desesperada por ter entendido seu trágico destino de ter que matar aquilo que ela ama, fazia com que o público fechasse uma parte do quebra-cabeça e saísse no intervalo intrigado com uma sensação de ‘o que é isso?’ Ao voltarmos do intervalo precisávamos esclarecer imediatamente essa questão levantada e não confundir mais. Precisávamos voltar do ponto em que paramos. Era essa a questão principal”, explica Möeller.



Desembaralhando o enredo

Charles concorda com Claudio que o número do espelho, embora adorável, confundia o público: “É das músicas que eu mais gosto, mas esse número servia pra embaralhar de vez a cabeça de quem espera algumas respostas pra se manter interessado na trama. Ele começava com um berro de Madalena dizendo que uma mulher congelou e desembocava na entrada da Sra.A brigando com Clara, que repetia o numero “Esfregando o chão” com outra letra. Muitas pessoas achavam ali que Clara era Amélia”,

Segundo Charles, o auge da confusão se dava quando a Madrinha Rosa entrava com outro figurino (anos mais jovem ou não), com um outro bebê e cantando uma música de ninar. “Já temos um bebê na peça que é a menina que havia acabado de ser abandonada em casa por Bianca. Então dava a impressão que a Rosa estava com a filha de Bianca que se chamava Amélia, afinal não havíamos falado que a filha de Herculano e Bianca era Clara! O que a Rosa estaria fazendo com o filho de Bianca e Herculano no colo? Parecia que o bebê havia sido sequestrado e entregue à Rosa pra ela criar, como mais um castigo de Carmem e Amélia contra Bianca”, desembaraça o diretor.

“A maioria das pessoas achava que tudo isso era muito claro, mas alguns me questionavam esses ruídos. Musical quando não é cartesiano é difícil, pois as pessoas querem respostas imediatamente para se sentirem inteligentes. Lendo um livro de dramaturgia, me veio uma luz. Ele dizia que no primeiro ato você levanta as perguntas e no segundo você as responde. Eu ainda estava levantando questões no segundo ato! Preferi não falar de Clara e da Sra.A, para focar em Amélia. Foi duro e triste, mas ficou melhor e o público paulista recebeu a peça bem melhor e com mais entendimento”, revela Charles.


CD à vista

Outra novidade da temporada paulista foi o anúncio (tão esperado pelos fãs do musical) do lançamento do CD de “7”.

“Finalmente o CD será gravado. Não sei muitos detalhes ainda, mas ao que parece a Trama vai realmente gravar o CD. Vamos usar atores dos dois elencos nas diversas faixas. Até eu e Ed vamos participar como cantores (a princípio). Nunca entendi porque consegui lançar ‘Company’, ‘Lado a Lado com Sondheim’ e ainda não tinha sequer conseguido entrar num estúdio pra gravar ‘7’. Era uma frustração absoluta. Mas parece que isso vai ser resolvido agora, antes do fim da temporada paulista”, diz Claudio Botelho.


Serviço

7 – O Musical
Temporada de 17 de abril a 6 de junho
Sextas, às 21h30. Sábados, às 21h. Domingos, às 18h.

Teatro Sergio Cardoso
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista
Tel: 3288-0136
Ingressos a R$ 40 (platéia) e R$ 20 (balcão)
Duração: 2h15
Lotação: 856 lugares
Classificação etária: 14 anos
Vendas Online:
www.ingressorapido.com.br

Fotos: Site Ego, Agência Estado, Denny Naka.

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Comentários

1 comentário de "“7” em Progresso"

  1. admin em ter, 19 mai 2009 8:55 pm 

    Enviado por José Carlos Amorim em 22/4/2009:
    Eu confesso que “7″ me impressionou, com 63 anos e tendo assistido a grandes espetáculos com grandes nomes como Bibi Ferreira, Fernanda Montenegro, Sérgio Brito entre outros, esse foi um dos espetáculos que mais me impressionou nos últimos tempos. Não só pelos atores mas pela qualidade da produção. Parabéns aos diretores e produtores dessa obra-prima do Teatro Brasileiro!

    Enviado por charles moeller em 22/4/2009:
    isso ai fouquet!!!tem uma curisiodade, THE MAN I LOVE, de George Gershwin. a musica mais gravada e versionada do mundo ; foi cortada do musical que ela foi escrita orinalmente Strike Up the Band, e de todos os osutros musicais que ela foi encaixada. Night and Day do cole porter foi usada outras vzs em outros musicais dele, o genero te obriga estar atento a cena. Como eu disse na entrevista: a canção no bosque é das musicas que eu mais gosto! e sei que a cena era linda, tanto que mantivemos ela na segunda temporada só com os rapazes!dunkan sheik, compositor de Spring , muda elencos completos quando não gosta de alguma coisa, como ele acabou de fazer com a tour no canada ! nosso país não tem o off, pra a gente experimentar pois o nosso país ja é off-off; e muito menos o pré tour , onde os criadares enticam e puxam de todas as manaeiras e quando estreiam ja existe uma forma… Outra curiosidade; a gente foi na primeira pré estreia do gypsy, da bernadette petters em NY, com direção do Sam Mendes, o sondheim estava lá , e varios medalhões… A recepção foi um gelo; a gente mesmo detestou! o espetaculo estava pronto e todos sairam de lá destruindo tudo! O sam mensdes reensaio o espetaculo todo, cortou, mudou cenarios inteiros, marcas… e estreou e foi sucesso!Musical é assim; faz parte do genero! No entretenimento a pessoa mais importante , é a platéia… foi a platéia que fez fenomenos como avQ ;Hair ( no auge do Vietna); que se chamava no off-off ! Hair- The American Tribal Love-Rock Musical; Rent ( no auge da aids); in the heights; spring awekening e tantos outros estrearam off; e todos fizeram pre tour; e Workshop antes de começar os ensaios…O elenco de londres de spring fez 4 meses de workshop antes de começarem as 8 semanas de ensaio. isso depois da peça ja sere um fenomeno!Se faço isso no Brasil a produção afunda.Ou senão faço amadoramente sem ninguem ganhar coisa nenhuma e a gente sai depois do ensaio e divide um pastel de vento pra comer ou se muda pra ilha em LOST; ninguem paga conta naquela ilha, e os mantimentos da estação darma jamais acabam. E o submarinos refaz o estoque de 15 em 15 dias! bjs

    Enviado por Charles Fouquet em 22/4/2009:
    Como o próprio nome da matéria diz, é um “work in progress”, logo, toda e qualquer mudança é bem-vinda. Eu, obviamente, sou mais um dos que amava Coração no Bosque por vários motivos, mas entendo a retirada tendo em vista o melhor entendimento do espetáculo… e lá fora isso é mais do que normal. Tanto que existem os tryouts pré-broadway, off-broadway, etc, onde se testa se algo está funcionado analisando as reações da platéia, e quando chega definitivamente na Broadway, já é algo completamente diferente do que começou (tem casos do espetáculo mudar até de nome!). E isso é legal, mostra antes de tudo respeito com o público. Assisti o espetáculo 6 vezes aqui, espero conseguir ir assistir esse “novo” 7 em SP! (e assim, fechar o meu ciclo hahahaha)

    Enviado por charles moeller em 22/4/2009:
    Carla, que pena que foi cortada a musica que vc gostava! Mas musical, é assim! Musical que não vende ingresso para! Isso não é comercial , por que isso não é nem peça; é monografia ou espetáculo de final de ano em academia , escolas etc… Musical tem que ter platéia, não é algo ideologicamente utópico , ou didático, não é centro de convivência, nem espiritismo. é profissão!Todas as profissões não sobrevivem; por que o teatro tem que ser indigente pra ser bom? Por que todas as profissões são aceitas como comercio e teatro têm que ter a ideologia do zero ingresso e muita fome e idéia pra discutir, enquanto a gente finge que é culto e aprende? E coloca a culpa no governo e nos país pelo nosso fracasso pessoal? Temos folhas de pagamento mensais muito caras e se posso fazer algo que reverta a meu favor , corrigindo algum erro meu do passado, por ingenuidade; juventude , ou por teimosia , por que não fazer? Salários que eu pago pro 7 , vem de bilheteria e não com palestras comunistas em salas de aula! A musica não foi cortada pra se tornar comercial simplesmente por que a peça 7 ja não é de origem comercial em TODOS OS SEUS ASPECTOS! Ela foi cortada por que eu quis. Pra se tornar mais legível, do meu ponto de vista! Uma peça escrita por mim , com musicas do Ed Motta e letras do Claudio Botelho’ , com Eliana pitmann , Rogéria ,Zezé Motta e etc.,seria comercial em que, aonde e porque? Cortes existem em todas as peças ou vc acha que montam Hamlet ( que tem mais de 6 hs) na integra? O que me choca, não é a sua colocação, é saber que alguém te ensina isso! Tenho muito medo do seu professor de artes cênicas, acho que vc deveria reavaliar seu curso pois certamente estuda com ALGUEM QUE ODEIA O GENERO ! E ainda estimula o preconceito! vc poderia colocar inclusive o nome dele e a escola em que vc estuda pra gente entender como o teatro musical é sempre vitima dos meios de ensino. Tenho certeza que uma pessoa que acha isso não deve saber quem é: Cole Porter; Jule Styne;Stephen Sondheim;Jay Livingston ;Irving Berlin ;George Gershwin, Vincent Youmans, Richard Rodgers ; Lorenz Hart;Jerome Kern,Arthur Schwartz e Howard Dietz, Kurt weill;Leonard Bernstein ;Jerry Herman;John Kander ; Fred Ebb ;Jonathan Larson… Esses foram algum dos criadores que estiveram bem mais a frente do que apenas algo comercial: GOSTANDO OU NÃO,vendendo ingresso ou não acho que o essa é minha praia e fico furioso quando um professor de artes cênicas desrespeita algo que SE DEVE RESPEITO! bjão

    Enviado por Carla em 21/4/2009:
    Lendo isso, “Musical quando não é cartesiano é difícil, pois as pessoas querem respostas imediatamente para se sentirem inteligentes”, meu professor de artes cenicas certamente diria: não falo para vc que teatro musical e apenas algo comercial. Eu adorava Coração no Bosque e era a musica que mais batucava na minha cabeça.

    Enviado por Marly Tocantins em 21/4/2009:
    Nós, fãs aqui do Rio vamos querer o CD. Estão nos devendo!

    Enviado por Larissa em 21/4/2009:
    Débora é verdade que você estará no elenco do spring awakening??Sabe quem são os protagonistas?!beijos

    Enviado por Mel em 21/4/2009:
    Ahhh, eu não via confusão nenhuma na cena “Coração no Bosque” , só não concordava com a ideia da frase “Um moça congelou na poça” mas de fato sinto falta da pedra de gelo, acho que o espelho deu uma quebra na cena!!!Quando vi 7 pela primeira deduzir a estória na hora em que senhora A diz: ” Vc n sabe quem , eu sou, vc não sabe quem vc é!” Nessa hora eu pensei, ” Gente é ela!”. Mas é muito bom ver o espetáculo crescendo e se modificando, daí a gente tem sempre mais um motivo para vê-lo novamente!!! Estarei em São Paulo e não disperdiçarei a oportunidade de assisti com todas as modificações…

    Enviado por DEBORA OLIVIERI em 21/4/2009:
    ESTOU MUITO FELIZ COM A ESTREIA DE TODOS VOCES DESEJO UM SUCESSO ENORME, ASSIM Q FOR A SÃO PAULO IREI VE-LOS E SEI, DO FUNDO DO CORAÇÃO COMO MINHA TIA ESTARIA FELIZ COM O SUCESSO DE TODOS VCS ESTARIA NÃO ESTÁ! SUCESSO E MERD! A TODOS DB

    Enviado por Malbuq em 21/4/2009:
    É ótimo esse “Work In Progress de 7″. Fico triste por “Coração no Bosque” que era uma canção fantástica e que pra mim falava muito sobre as referências usadas pra construir essa fábula. Mas entendo a dificuldade da compreensao deste “quebra-cabeça.” Mas espero que no CD ela venhaaa!

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