Como se dá o processo de versão das músicas?

agosto 10th, 2009 21 Comentários

botelho

Minha pergunta é para o Claudio Botelho. Sou estudante de tradução e professor de inglês e acho geniais suas versões. Lembro quando ouvi a de Chicago pela primeira vez, e mantinha a mesma métrica e mesmo sentido e rimas. Gostaria de saber como se dá esse processo de versão das músicas. Você se baseia em versões para espanhol (que é um pouquinho próximo da nossa língua) ou você parte simplesmente  do inglês? Qual a influência que o autor original tem sobre suas versões? Se há alguma técnica para versionar e quanto tempo em média leva para terminar?

Agradeço desde já a resposta. Muito sucesso para vocês dois”.

Guilherme de Oliveira Ferreira, 21 anos. Professor de Inglês.

Guilherme, vamos por partes.

Nunca me baseio em versões em espanhol porque, por incrível que pareça, não consigo compreender espanhol. Digo incrível que pareça, pois supostamente é uma língua muito próxima da nossa, mas acho que tenho dificuldade com ela, pois geralmente não gosto nem de filmes falados em espanhol, tenho aflição. E na verdade, as traduções de musicais na Argentina e na Espanha geralmente são bastante literais e no mais das vezes não respeitam a métrica original das canções, então nem considero válidas.

Trabalho sempre a partir do inglês mesmo, do original.

O autor original, quando é possível, interfere em um trecho ou outro, opina. Isso só acontece naturalmente com autores vivos s ativos, como é o caso de Steven Sater, autor e letrista de O DESPERTAR DA PRIMAVERA. Foi assim também com Alain Boublil em LES MISERABLES, com quem me reuni e discuti vários pontos da versão em português da peça. Infelizmente a maior parte dos musicais que fiz é de autores já falecidos ou fora de circuito, portanto não foi possível qualquer discussão sobre as letras.

Depois de muitos anos fazendo isso, já há uma técnica que eu mesmo desenvolvi, empírica totalmente, e que gostaria de poder passar a outros. Um dia quem sabe, num seminário ou numa oficina, mas não creio que isso vá gerar muito interesse. Há uma série de regras a serem seguidas para, com algum talento e muita insistência, você conseguir chegar a um resultado razoável com uma versão.

Com relação ao tempo, tudo depende do original. Estou trabalhando atualmente na tradução do musical JECKYL & HYDE e, embora não seja íntimo desta partitura, as letras em português estão fluindo com muita rapidez e naturalidade. Talvez pelo fato de a música não ser exatamente sofisticada – é mais um grande pastiche de óperas e operetas do século XIX, tudo bastante cartesiano e sem surpresas rítmicas, e de certa forma as letras obedecem a um esquema bastante comum de rimas e métrica. Mas ainda estou no início.

Geralmente peço dois meses para traduzir um musical inteiro.

Espero ter respondido à sua pergunta.

Grande abraço.

Claudio Botelho

* Participe também. Envie sua pergunta + profissão para moellerbotelho@gmail.com

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21 Comentários

  1. “This is the moment… this is the day…”

    hummmm…. gosto muito…

  2. Guilherme Ferreira disse:

    Yey, minha pergunta! Mt bem respondido, Claudio. Mt obrigado. Quanto ao espanhol, tenho o msm problema q vc. Odeio espanhol na verdade e nao consigo entender o q eles falam. Entendo mt mais ingles do q espanhol. HEhehehe… Acho que bloqueio. E quanto ao seminário, eu estarei lá com toda certeza.
    E pelo jeito, vai ter montagem do Jekyll, que demais!

  3. Teresa disse:

    Seminário, hummmm, vai ter fila de espera !

  4. Claudio disse:

    Então sou o 2º na lista de espera do seminário rsrsrsrsrsr

  5. Mariana Carrozzino disse:

    Jekyll & Hydeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!! *-*
    Ah eu tb detesto espanhol! Sei lá, me soa vulgar.. E realmente as versões Argentinas de Musicais deixam bastante a desejar.
    Gostaria de saber mais sobre esse método! Com certeza iria num seminário só pra matar minha curiosidade!

  6. Denise Guerchon disse:

    Eu também tenho um super interesse em assistir ao seminário. Estarei lá com certeza também!
    Essa pergunta foi super interessante!

  7. Marcia Parenti disse:

    Mais uma candidata ao seminário!!!

  8. Mirina disse:

    Realmente as versoes feitas por Claudio Botelho sao maravilhosas, tao maravilhosas que sempre penso o quanto seria especial uma versao de Rent, uma de minhas favoritas, feita por Möeller & Botelho.

  9. Wilson Granja disse:

    Avise com antecedência porque eu tenho que formar o grupo aqui de Brasília pra ir pra esse seminário ;)

  10. Leticia M. disse:

    Já estou na fila do seminário, hahah. Gostaria muito de aprender mais sobre esse método que você usa para as versões das músicas que são feitas em português. Afinal, todas elas são maravilhosas!
    Mirina, eu também penso como você. Eu adoraria que uma versão de RENT fosse feita por Möeller & Botelho. Afinal, é um dos meus musicais favoritos.
    Ah, e também não entendo bulhufas de espanhol. Acho mil vezes mais difícil do que inglês.

  11. Alene disse:

    Ah, que legal, adorei! Tenho uma história parecida, sou tradutora e conheci o trabalho do Claudio quando ainda estava na faculdade de tradução, mas com as versões de My Fair Lady e claro, fiquei fascinada com o trabalho. Meus dilemas tradutórios nunca mais pareceram tão difíceis de resolver…

    Ah sim, mais uma querendo participar do seminário! =)

  12. Allan Deberton disse:

    Adorei essa matéria. Adoro as versões do Claudio e sempre quis saber como que ele desenvolve.
    Muito boa!

  13. Julia Nunes disse:

    Eu sem dúvida seria a primeira a me inscrever… e tenho certeza que posso citar mais uns 30 nomes que também gostariam de participar de uma oficina sua! Sou formada em inglês e estudei tradução na faculdade. Meu trabalho final foi sobre tradução de letra de música e dediquei uma parte do trabalho as suas versões de musicais. Os que não conheciam, ficaram impressionados. Pense com carinho na idéia, por mim e pelos outros 30!

    Julia Nunes – Professora de Linguística

  14. CLAUDIO BOTELHO disse:

    Obrigado, Julia.
    Tenho vontade de fazer este workshop em breve sim, o que me impediu até agora foi a completa falta de tempo.
    Mas estou pensando em como encaixar as coisas para tonrar isso viável.
    Um abraço,
    Claudio

  15. Julia disse:

    Obaaaaa!!!
    Põe meu nome na lista…kkkk!

  16. Maria Cristina Falnão disse:

    Charles,Rogerio e Claudio…
    Meninos parabéns pela parceria ,pelo espetáculo grandioso.
    Bom ver voces na estrevista na MTV e No Jornal Hoje.
    Muito sucesso para voces e que venham mais prêmios.
    Amo voces …
    Estou muito orgulha.
    Maria Cristina Falcão
    Gestora Escolar

  17. Vinícius Santos disse:

    Caros Charles e Cláudio,
    Em primeiro lugar parabéns pelo trabalho maravilhoso que vocês realizam pelo
    teatro musical brasileiro. Sou muito fã de todos os espetáculos que vocês
    realizam.
    Poderia ficar aqui desfiando elogios por um bom tempo, mas não vou tomar muito
    o corpo do e-mail, rs!
    Gostaria de saber se há previsão de lançamento do CD com a trilha de 7 – O
    musical, pois amei muito o espetáculo, e considero um dos melhores trabalhos de
    vocês.
    Muito obrigado pela atenção,

    Vinícius Santos

  18. Paulo Henrique Costa disse:

    ola, iniciei meus estudos de canto lirico esse ano e, embora me prepare para
    opera, adoraria ter uma passagem bem sucedida pelos musicais.Ano que vem começo
    a fazer teatro, há mais alguma forma de me preparar? obrigado, grande abraço
    obs:minha atual extensao lá3 ao fá4; facilidade para interpretaçao

  19. Jessica disse:

    Cláudio, por favor faça esse seminário/workshop! Seria muito interessante, eu com certeza estaria na sua turma!!!

    Tenho uma pergunta, vi os ensaios e audições do Despertar da Primavera e os atores cantavam em inglês. Isso tem a ver com o processo de seleção?

  20. miguel disse:

    E CABARET? Vem quando?

  21. Alex Arantes disse:

    Alguém sabe de notícias sobre este possível seminário/workshop? heh

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