Renata Celidonio: “Alguma coisa acontece no meu coração…”

junho 18, 2009
Categorias: 7 - O Musical, Artigos

Renata Celidonio fala sobre sua participação em “7 – O Musical”

renatacelidonio

Em “Sampa”, um dos maiores sucessos de Caetano Veloso, o cantor e compositor baiano relatava de maneira poética o impacto que a cidade de São Paulo causou nele. Convidamos  outra baianinha, a atriz e cantora Renata Celidonio, para nos contar como foi participar da temporada paulista de “7 – O Musical”, no qual ela viveu Elvira. Com toda certeza algo também aconteceu no coração de Renata…


“Há algumas semanas recebi um pedido muito carinhoso: escrever um depoimento, um mini-artigo, sobre a minha participação no “7”. Fiquei um tempo pensando “por onde começar?”… bom… vamos começar do começo!

Ao ver um espetáculo, eu sei que ele é sensacional quando tenho vontade de fazer parte dele. E foi exatamente o que aconteceu em 2007, quando fui ao Teatro João Caetano. E o melhor: senti isso antes mesmo do espetáculo começar. Quando olhei o cenário e vi a “Clara” (Tatiana Kohler) deitada por meia-hora ali, no meio daquela floresta sombria… e veio o terceiro sinal, a orquestra a tocar aquela melodia “meio torta”… e veio aquele relógio imenso iluminado e a entrada da “Senhora A.” (a saudosa Ida Gomes)… 1… 2… 3… e pronto! O “7” mal havia chegado e eu já estava encantada. Completamente hipnotizada! Que equipe espetacular!

Eu já havia trabalhado com o Charles e o Claudio na “Ópera do Malandro” e na “Ópera do Malandro em Concerto”; já havia visto outros trabalhos deles após isso. Com resultados impecáveis, a super Tininha ao lado, o suporte da Paulinha Sandroni e equipes sempre muito competentes – então não é difícil imaginar o quão imediata e feliz foi a minha resposta ao convite dos meninos para ser a terceira “Elvira” do “7”.

Cheguei a São Paulo dia 11 de abril e comecei a acompanhar os ensaios, estudar o texto e as marcações. O que me deixava mais tranquila era o fato de poder seguir todos os passos da Janaína Azevedo (a “segunda Elvira”), que se mostrou uma companheira de trabalho espetacular, tornando-se também uma amiga muito querida! Ela estreou dia 16 e fez as seis primeiras apresentações. E dia 26 de abril de 2009 encarei a platéia do Teatro Sérgio Cardoso de frente, pela primeira vez.

Durante os primeiros ensaios, eu ainda estava entretida com as músicas, o espaço, ter as letras de cor e aprender nota por nota daquela melodia lindamente empenada das canções desse espetáculo. Mas eu também tinha outra preocupação: criar a “minha Elvira”.

Num processo de substituição dentro de um elenco já formado – e com tanta sintonia – eu sentia que esse passo seria o mais delicado de todos: fazer nascer um novo personagem, com novas reações, respeitando, porém a direção, as marcações e as relações estabelecidas anteriormente pelas outras atrizes com o todo.

E foi assim que a “ela” chegou… aos poucos… a Elvira invejosa, “irmã má da Cinderela”… a voz, o humor, os olhares, a maquiagem trágica… o corpete ajustado, a saia longa, as anáguas sob ela, a forma de andar, a respiração… a cada dia uma nova descoberta – sempre contando com o apoio de quem estava por perto.

renata-celidonio-sete-02A atenção e a disponibilidade de todos do elenco foram fundamentais para que eu me sentisse completamente livre para criar. Após cada ensaio de cena, cada passagem de som, havia sempre alguém com uma crítica construtiva, um elogio, uma palavra ou um gesto carinhoso. Jamais esquecerei as palavras do Charles pra mim, numa carta destinada ao elenco, logo após a estréia: “Renata – pode entrar que a casa é sua. Entre, bata a porta e arrebente, afinal você sabe o que é que a baiana tem.” – aaaahhhh… tem coisa melhor que isso pra começar a trabalhar?

Todas as noites bradávamos em coro as seguintes palavras: “Junto minha mão à sua, junto meu coração ao seu, para que juntos possamos fazer aquilo que eu não posso fazer sozinha”. E foi exatamente assim que eu me senti durante toda a temporada paulista do espetáculo: completamente aconchegada dentro de uma parceria maravilhosa.

Não dá pra esquecer de falar aqui da recepção calorosa que tivemos do público da “paulicéia desvairada”. Como era prazeroso, ao fim de cada espetáculo, ouvir os aplausos constantes preenchendo aquela sala com tanta alegria! Como era delicioso ir ao foyer e sentir de perto o resultado de um trabalho bem realizado. Todos encantados com o espetáculo, gente que voltava e dizia pra mim: “Eu to vendo pela segunda vez, hoje eu trouxe 10 pessoas, semana que vem trago 60”! Sessenta! Mas o mais engraçado é que eu saía e poucas pessoas me reconheciam! Teve um comentário sensacional, feito por uma das amigas da Rogéria: “Ei, eu quase não te reconheci! Você fora do palco é uma menina de família!” – eu, prontamente, respondi: “O que? Eu sou pra casar!” (e rimos muito).

Dia 31 de maio de 2009, domingo: toda a equipe com os olhos cheios d´água. Platéia LOTADA. Não conseguíamos acreditar que estava chegando ao fim… é um tipo de ficha demora mesmo pra cair. “Todo artista tem de ir aonde o povo está”… mas pra isso ele precisa de dinheiro, minha gente! E essa temporada só foi possível graças ao investimento dos próprios produtores: a Aventura Produções. Investiram por acreditar na qualidade desse espetáculo GENUINAMENTE BRASILEIRO, criação desses “monstros sagrados do teatro musical” em parceria com o talento indiscutível do Ed Motta. Pensar que não estamos em cartaz hoje, simplesmente por falta de patrocínio, é uma pena! Espero, sinceramente, que os empresários desse país comecem a ouvir melhor o que uma platéia como a do “7” diz… e fiquem mais sensíveis ao produto nacional de boa qualidade.

Bom… é isso. Demorou, mas saiu. Para um “mini-artigo”, até que escrevi bastante, né?

Termino por aqui, com a esperança que mantém a arte em minhas veias: VIDA LONGA AO “7”!!!”

Renata Celidonio.

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Comentários

12 comentários de "Renata Celidonio: “Alguma coisa acontece no meu coração…”"

  1. Leandro Giglio em qui, 18 jun 2009 3:49 pm 

    Renata,

    Adorei o seu relato.

    Beijos com saudades do 7…

  2. Raquel Motta em qui, 18 jun 2009 9:14 pm 

    Parabéns Renata..
    Pena que não foi no Rio.
    Bjs

  3. Adriana Pinto em qui, 18 jun 2009 11:01 pm 

    Re, vc está linda!!! Em pensar que desde novinha era sua vontade e vc chegou lá. Fico imensamente feliz com seu sucesso. E te desejo cada vez mais sucesso.
    Bjssss

  4. Alexandre Siqueira em qui, 18 jun 2009 11:14 pm 

    Renata,
    Não te vi, mas te amei! Como deve ter sido formidável a sua atuação em “7″! Oxalá uma nova temporada aconteça, e se não for no Rio, que seja pelos “rincões” afora, onde o teatro brasileiro possa continuar a ser feito e apreciado por muito mais gente…
    Beijão de um carioca fã seu!

  5. Wilma em qui, 18 jun 2009 11:30 pm 

    Renata de Elvira ficou ótima! O “mini-artigo” tb ficou muito bom. E vida longa ao 7!

  6. Kelzy Ecard em qui, 18 jun 2009 11:32 pm 

    minha querida amiga talentosa, maravilhosa!!! que orgulho e que emoção ao ler seu relato. sua fã e chefe de torcida…
    beijo grande. Kelzy.

  7. Renata Celidonio em sex, 19 jun 2009 1:18 am 

    Queridos… o Leo definiu em sua introdução exatamente o que senti ao escrever tudo isso: eu trouxe o coração às mãos.

    Muito obrigada!!! E que os deuses te ouçam, Alexandre!

    Bjossssssssss!!!

  8. Kátia Rebello em sex, 19 jun 2009 11:49 am 

    Re,que bom que a vida nos trouxe vc. Parabéns querida, vc merece todo esse sucesso e que venham muitos outros, pois nos merecemos ser testemunha do seu talento, e dessa linda voz.
    Bjs meu e da Mari.

  9. Fernanda Celidonio em sex, 19 jun 2009 7:55 pm 

    Irma, voce conseguiu transparecer todo o sentimento, emocao e paixao por esse espetaculo e pela sua profissao atraves desse “mini artigo” (que de “mini” nao tem muita coisa..rsrs).
    Eh sempre muito bom ler as coisas que voce escreve sempre com muita inspiracao e realmente uma pena que o 7 nao tenha continuado porque Eu nao assisti!!!
    Pessoas como voce, que nunca desistem de um sonho, fazem desse mundo muito melhor e muito mais pra frente.
    Parabens irma, equipe do 7 e a quem teve a brilhante ideia de fazer esse artigo :)

  10. Guilherme Udo em sáb, 20 jun 2009 12:39 am 

    Renata de Elvira era o máximo! Como me diverti assistindo essa mulher…

    Esse artigo serviu pra matar minha curiosidade de como foi o processo de ensaio dela… ficava imaginando, pois tinha visto com a Janaína aqui em Sampa tbm!

    Que o 7 volte logo em cartaz! =)

  11. Noêmia Maestrini em sáb, 20 jun 2009 9:07 am 

    Parabéns à baianinha porreta das várias encenações por mim assistidas. E que continue sempre junto à boa e simpática equipe da AVENTURA, este cia. que ainda vai dar muito o que falar em matéria de sucesso! um beijo. da Noêmia

  12. Charles Fouquet em dom, 21 jun 2009 1:54 am 

    Renata, lindo seu depoimento! Mas não era de se esperar menos… conferi o 7 no último dia em São Paulo, e das mudanças de elenco, sua Elvira foi o maior triunfo! Dava pra ver o carinho que você teve pra construir a personagem da sua maneira… até deu um apelido pra Madalena, achei o máximo, hahahaha. Sucesso pra você e vida longa ao 7 porque ele vaaaaaaaai voltaaaaaar, vai voltar, vaaaaaaaaaai!

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