Fred Silveira: “É muito bom participar de algo tão diferente de tudo que já fiz”

fevereiro 13th, 2009 1 Comentário

Natural de Brasília, o ator, cantor, compositor e instrumentista Frederico Silveira começou seus estudos musicais aos 18 anos, no Projeto Novos Talentos do Teatro Nacional, na Capital Federal. Antes mesmo de ingressar no universo dos musicais, Fred participou de montagens de óperas como ‘Aída’ (1995) e ‘O Guarani’ (1996).

Em pouco tempo se tornou um dos mais requisitados e atuantes atores-cantores de musicais no país, participando de produções como “Jesus Cristo Superstar”, “Fever”, “Ah! Se eu Fosse Bob Fosse”, “Comunitá”, “Godspell”, “O Fantasma da Ópera”, “My Fair Lady” e “West Side Story”.

Em 2009, Fred faz sua estréia em uma produção dos diretores Charles Möeller & Claudio Botelho, algo que desejava há bastante tempo. E encara o desafio em papel duplo: fará as vozes e manipulará dois bonecos em “Avenida Q”, espetáculo que entra em cartaz em março, no Rio.

Nesta entrevista exclusiva para o Site Möeller & Botelho, Fred Silveira fala de seu trabalho com os diretores, conta como é atuar, cantar e manipular bonecos ao mesmo tempo; e revela seu desejo de fazer trilhas para peças e filmes.

Este é seu primeiro trabalho com Möeller & Botelho. Como é ser dirigido por eles?

Sempre pensei que um próximo passo na minha carreira seria trabalhar com os dois. Seria e está sendo um importante up grade. Minha admiração por eles, pelo que já construíram e o que ainda vão realizar no teatro musical é incrível. Quando assisti ao musical “7” vi que gostaria de estar naquele elenco e ser dirigido por eles. E não deu outra, desde o primeiro dia de ensaio do AVQ, estar sob a direção dos dois é uma aula pra mim em todos os sentidos. Confio neles cem por cento e a cada dia fico mais feliz por esse desejo ter se concretizado.

Foto :  João Caldas

Você fez musicais ‘clássicos’ como “My Fair Lady”, “West Side Story” e “Godspell”, entre outros. Como é participar de um musical tão ousado e moderno como “Avenida Q”?

É verdade. Participei de musicais que já têm gerações de fãs. O ‘Avenida Q’ é delicioso, pois é um musical contemporâneo. Ainda não tem ainda um público como os musicais mais clássicos, mas acredito que a platéia brasileira vai se identificar muito, já que é bem próximo da nossa realidade. É um espetáculo que tem músicas que ficam marcadas, é politicamente incorreto e ao mesmo tempo dá alguns tapas na cara (no bom sentido) da platéia. É muito bom participar de algo tão diferente de tudo que já fiz.

Você vive dois personagens em AVQ: Nicky e Trekkie Monstro. Fale sobre as diferenças de interpretação.

O Nicky é aquele amigo que todos têm, que todo mundo adora, mas é muito chato e não percebe que é, aliás, acha que está fazendo um favor a você por estar ao seu lado. Aproveitando da sua latinha de cerveja, da sua comida e do seu quarto de hóspedes, ele ainda dá dicas para sua vida pessoal. A dupla Nicky e Rod é como a dupla Ernie e Bert do antigo programa ‘Vila Sésamo’.

Já o Trekkie Monstro é aquele louco por pornografia, e se for virtual, melhor ainda. Suas olheiras denunciam que ele passa a madrugada adentro procurando por novos sites pornô. Acho que a principal diferença na interpretação está nas vozes. São duas vozes completamente distintas. Sempre fiz personagens cujas vozes eram as mais limpas, mais melodiosas, fiz as árias românticas dos principais musicais que participei, de ‘Fantasma da Ópera’ ao ‘West Side Story’. No AVQ tanto a voz falada quanto a cantada são totalmente desafiadoras para mim, pois fogem completamente de tudo que já fiz em termos vocais.

Qual a dificuldade de atuar, cantar e manipular bonecos aos mesmo tempo?

Todas possíveis, he he. Na verdade, o cérebro tem que se dividir em três partes: uma para a manipulação, uma para a interpretação, outra para o canto e nenhuma deve atrapalhar a outra. Definitivamente é o espetáculo mais difícil que já fiz nesse sentido. Hoje admiro muito os manipuladores que vivem dessa arte maravilhosa. Dar vida a um boneco é incrível. No caso dos dois personagens que faço, na maioria das cenas ainda tem outra pessoa fazendo o braço direito. Terei que colocar minha dança a dois em dia.

E que tal trabalhar com esse elenco de feras?

O elenco não podia ser melhor. Impossível não ficar admirado com as pessoas que vão estar no palco do ‘Avenida Q’. Aprendo muito com todos.

O que está achando de estrear um musical no Rio e passar uma temporada na cidade?

Apesar de ter alguns parentes aqui no Rio, nunca passei mais de um mês, por isso não conheci o Rio como estou conhecendo agora. Quando estava com ‘Godspell’ fizemos uma temporada aqui, mas só vinha de quinta a domingo. Não deu pra sentir o que é viver como um carioca. Estou achando maravilhoso respirar um outro ar, o mar, as montanhas, o Cristo Redentor, ver o horizonte. Enfim, ainda me sinto como um turista e de férias no Rio. Fico deslumbrado com a beleza da cidade que mistura céu, mar, montanhas e prédios num só lugar.

Como vê o panorama dos musicais no Brasil hoje? Dá para viver apenas de fazer musicais?

Acho que há uns nove ou dez anos o Brasil vive um grande momento de musicais. Sei que o Brasil sempre fez musicais antes disso, mas acredito que em 2001 o ‘Les Misérables’ no Teatro Abril foi um marco, pois foi uma mostra de que o artista brasileiro poderia fazer um espetáculo do estilo Broadway com tudo o que tinha direito. A partir daí começou a se formar um público fiel aos musicais. Vivo há dez anos dos musicais, e cada vez mais temos artistas que entrariam em qualquer elenco de musical, não só no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo.

Quais são seus projetos profissionais a médio e longo prazo?

Tenho um sonho guardado comigo e no ano passado tive uma experiência maravilhosa. Como antes de ser ator-cantor de musical estudei composição, fiz uma trilha sonora de um documentário chamado ‘Pacarrete’. Então paralelamente a minha carreira de ator de musicais tenho minhas composições, e quero algum dia ter uma trilha minha em alguns filmes ou peças. Gosto muito dessa idéia: Fred Silveira compositor de trilhas sonoras. Convivo com ela há muitos anos e nas férias do ano passado rendeu um fruto do qual me orgulho muito. Costumo olhar muito o hoje, que é fazer do AVQ um espetáculo que fará rir e ou quem sabe chorar (de rir) muita gente na platéia. Depois, o amanhã guardará surpresas. Ele sempre guarda e se eu estiver de braços abertos como estive ao receber o telefonema do Claudio Botelho e do Charles Möeller para entrar no ‘Avenida Q’ sei que vai ser bom como está sendo agora.

Fotos: Leo Ladeira

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Um comentário

  1. admin disse:

    Enviado por José Carlos Torquato em 23/2/2009:
    Grande Fred!!! Fico feliz pelo seu sucesso e pela sua brilhante carreira. Será sem dúvida mais um grande espetáculo!

    Enviado por Moderador em 17/2/2009:
    As críticas são permitidas, o que não permitimos é mensagens de anônimos, que não se identificam.

    Enviado por Lucas em 13/2/2009:
    O melhor é que o mercado está se abrindo cada vz mais, dando oportunidade a todos brilharem. O Teatro Musical no Brasil amadureceu muito.

    Enviado por Denise Guerchon em 13/2/2009:
    É simplesmente maravilhoso estar ciente de que o Brasil possui muitos artistas completos e (literalmente) cheios de habilidades variadas!

    Enviado por Juliana Teixeira em 13/2/2009:
    Fred é um dos maiores artistas de musicais do Brasil e vai arrasar nesta peça. Estamos todos torcendo por seu sucesso!

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