Os Magos dos Musicais

julho 6, 2008
Categorias: Acervo, Möeller & Botelho

Charles Möeller e Cláudio Botelho, diretores da Ópera do Malandro, são hoje os grandes nomes do gênero no Brasil

* Publicado originalmente na Revista Época em 09/01/2004


Divulgação
SUCESSO A Ópera do Malandro, de Chico Buarque, lota o teatro

Tudo o que eles tocam vira ouro. Com mais de 62 mil espectadores e ingressos esgotados até o fim de janeiro, a Ópera do Malandro é um dos musicais mais vistos na história do teatro brasileiro. E a dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho, com mais este espetáculo dirigido em parceria (é o décimo que fazem juntos), vira referência do gênero no país. A peça de Chico Buarque, uma superprodução com equipe de 104 pessoas, entre atores, músicos e técnicos, está em cartaz desde agosto de 2003 no Rio de Janeiro. Vai para São Paulo no segundo semestre deste ano. Os diretores acumulam sucessos desde as montagens de Cole Porter – Ele Nunca Disse Que Me Amava (2000), Company e Um Dia de Sol em Shangrilá (ambas de 2001). Cole Porter teve casa lotada durante nove meses e recebeu elogios unânimes da crítica.

Botelho realizou mais de 20 espetáculos. Recebeu dois prêmios Mambembe, um Sharp e uma indicação ao Shell. O parceiro Möeller foi diversas vezes vencedor dos prêmios Shell, Mambembe e Apetesp (Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais de São Paulo) e APCA(Associação Paulista dos Críticos de Arte). Juntos, tornaram-se especialistas num gênero de pouca tradição no Brasil. Agora, levam novamente seu toque de Midas a mais uma adaptação de um musical americano. …E Tudo É Jazz estreou na semana passada no Teatro Café Pequeno, no Rio. Trata-se de uma versão para um pocket-musical montado na década de 90 em Nova York, chamado The World Goes Round (de John Kander e Fred Ebb).

Outra produção que estava guardada na gaveta tomará forma em maio nos palcos do teatro da Maison de France, também no Rio. Cristal Bacarat é uma homenagem ao compositor Burt Bachrach e conta a história de cinco irmãos que herdam uma luminária do cristal mais caro do mundo. “Foi um pretexto para encaixar as canções de Bachrach num cenário que remete aos anos 70, com acrílico e glamour“, conta Möeller.

Incansáveis, também produzirão até o fim de 2004 a Ópera do Futebol, de Francis Hime, que conta a história de dois irmãos moradores da favela que tomam rumos diferentes na vida. Um é traficante, o outro jogador de futebol. “É uma ópera triste, um épico bem brasileiro“, conta Möeller. Para ele, o teatro nacional passa por uma excelente fase. “Havia um preconceito contra o musical, visto como fútil e americanóide, mas isso acabou.”

Na vida de Möeller e Botelho não há limite entre o profissional e o pessoal. “Somos todos muito próximos“, garante o primeiro. Ele elogia sua equipe. A cantora Gottsha e o coreógrafo Renato Vieira trabalham com eles desde a primeira montagem. “Charles é mais explosivo, e Cláudio passa o recado apenas com o olhar“, descreve Gottsha, estrela de …E Tudo É Jazz. “São rigorosos. Quando faço minhas firulas, eles dizem que não sou Sandy, nem Mariah Carrey.” Já Vieira elogia a habilidade da dupla para trabalhar com um gênero que passou muito tempo sendo ignorado por aqui. “Raramente os atores estão preparados para esse tipo de espetáculo. Com eles, tudo acaba dando certo“, afirma.

Darian Dornelles
Roseane Marinho
E Tudo É Jazz!, que acaba de estrear no Rio, é a nova produção dirigida por Charles e Cláudio
Company foi um dos primeiros musicais da dupla, sucesso no ano 2000

Nem tudo foram flores até o sucesso alcançado hoje. O início da carreira da dupla foi penoso. Os dois foram até roubados por produtores com quem trabalharam. Hoje, formam uma empresa e funcionam com uma infra-estrutura profissional que envolve 15 funcionários. Não assinam um cheque sem consultar a equipe.

Como se não bastasse estar à frente da retomada dos musicais no país, o núcleo Möeller-Botelho ainda revela talentos: a dupla descobriu cantores como Alexandre Schumacher, que interpreta o Malandro na ópera de Chico Buarque, e Kiara Sasso, que ganhou fama ao interpretar a Bela na versão brasileira do musical A Bela e a Fera. Conhecedor do assunto, Botelho ensina: “É mais fácil trabalhar com profissionais que estão começando no musical e ensinar a eles as técnicas do gênero. Não existe ator que canta.”

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