Cole Porter: O Musical que o Público Ama

julho 5, 2008
Categorias: Acervo

Sucesso de crítica e público dentro e fora do Brasil, ‘Cole Porter’ reestréia no Rio

Divulgação
Cole Porter – Ele nunca disse que me amava

‘Cole Porter – Ele nunca disse que me amava’, da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho: visto por mais de 200 mil pessoas

A trajetória impressiona. Em dois anos de apresentações, entre Rio, São Paulo e Portugal, o musical Cole Porter – Ele nunca disse que me amava, parceria dos diretores Charles Möeller e Cláudio Botelho com o produtor Cláudio Magnavita, foi visto por mais de 200 mil pessoas. Elogiado pela crítica dentro e fora do Brasil e colecionando fãs incondicionais por todos os lugares onde passa, o espetáculo retorna ao Rio, pela terceira vez, agora no palco do Teatro Ipanema.

A novidade desta montagem é a entrada de três novas atrizes no elenco: Adriana Garambone, Kacau Gomes e Reginah Restellieux, que se unem a Gottsha, Alessandra Verney e Ada Chaseliov para contar e cantar a história de um dos mais famosos compositores americanos.

O segredo do sucesso?

- É difícil destacar um motivo só. Sem dúvida, as músicas são lindas, Cole Porter criou um repertório eterno. Mas não é só isso, acho que hoje podemos nos orgulhar de ter no Brasil artistas que cantam, dançam e representam com talento. Com elencos assim, nossos musicais não ficam nada a dever aos americanos – diz Charles Möeller, responsável pelo texto e direção de alguns espetáculos que marcaram época no Rio, como As malvadas, Ô abre-alas e Company.

Em cena, as atrizes desfilam pérolas do repertório do músico, como Too darn hot (do espetáculo Kiss me Kate, 1948), e Night and day (de Gay divorce, 1932). No total, são 31 números musicais embalados ao vivo por um trio de músicos.

Mesmo quando se envolveram em outros projetos no ano passado – Cláudio Botelho e Charles Möeller dirigiram o teatro Café Pequeno, no Leblon -, a dupla era constantemente bombardeada pelas pessoas que pediam a volta do musical.

- Foi tanta a insistência que resolvemos retornar. Cole Porter é um espetáculo que tem vida própria – diz Charles Möeller.

E tem mesmo. Nasceu quase por acaso, em 1999, quando os diretores ensaiavam um grupo de atrizes-cantoras para um musical. O projeto foi por água abaixo. Para não deixar as artistas na mão, Cláudio Botelho propôs que criassem um pocket-show de fim de ano só com músicas de Cole Porter.

- Tranquei-me em casa para escrever um pequeno texto de introdução para o espetáculo e, em menos de uma semana, acabou surgindo o musical inteiro – lembra o diretor.

De lá para cá, a história é um sucesso só: dez meses de casa cheia no Café Teatro Arena de Copacabana, um mês de teatro lotado em São Paulo e também em Portugal, no Cassino Estoril. E mais outra temporada, em 2001, no Teatro Leblon.

Nesse tempo todo, Cole Porter colecionou fãs fervorosos. Famosos e anônimos, como o cartunista Chico Caruso, que assistiu ao espetáculo 14 vezes, e Luiz Filipe Mendes, cônsul de Portugal no Rio, que fez do musical parada obrigatória para todos os visitantes que vinham da terrinha – ele aproveitava para ir ao teatro junto com os amigos portugueses, é claro.

- O cônsul aparecia em média quatro vezes por mês para nos assistir. Mas o recordista mesmo foi um senhor anônimo que nos prestigiou 21 vezes – recorda a atriz Ada Chaseliov.

Segundo ela, o que não faltam são histórias para contar nesses três anos de apresentações. Ela mesma é protagonista de uma delas. Ada ganhou uma fã de carteirinha que a segue em todos os espetáculos que faz em qualquer lugar do planeta e lhe manda cartas semanais apaixonadas.

- Pena que minha praia seja outra – brinca a atriz.

Mas a fã que mais impressionou os artistas foi uma senhora que resolveu presentear o marido, já bastante idoso, comprando todos os ingressos de uma sessão para comemorar o aniversário dele. Um dia antes do espetáculo, faleceu. Mesmo assim, a esposa levou os amigos para assistir ao espetáculo. Lotou o teatro.

- Ela disse que resolveu manter a reserva para prestar uma homenagem ao marido, já que foi o espetáculo que ele mais gostou em sua vida – conta Ada.

Este clima envolve quem faz parte do espetáculo desde o início e quem chega agora.

- Acho uma responsabilidade estar fazendo parte do espetáculo – afirma a atriz Adriana Garambone, a Madame M., que interpreta a Morte na montagem. Aos 32 anos, Adriana vem sendo muito elogiada por trabalhos como o Theatro musical brasileiro. O mesmo acontece com a caçula do elenco: Kacau Gomes, de 26 anos, que já trabalhou em vários musicais desde 1993, quando fez formação no Conservatório Brasileiro de Música e não pára de colher frutos. Desde então esteve em montagens como Goodspel e South American way – também de volta ao palco – além de ter sido backing vocal de Marisa Monte e Carlinhos Brown. Já Reginah Restelieux é uma das ”novatas” mais experientes do grupo. Ela, que foi bailarina do Teatro Municipal, esteve em Chorus line, de 1984, no premiado As noviças rebeldes e em Company, de Stephen Sondheim.

- Acho que é um encontro e tanto este nosso. Eu mesma assisti pelo menos cinco vezes a Cole Porter. Agora vou olhar por dentro – brinca.


Cole Porter: ele nunca disse que me amava. Texto e direção: Charles Möeller. Direção musical: Cláudio Botelho. Com Adriana Garambone e outros. Teatro Ipanema (Rua Prudente de Moraes, 824, Ipanema). Tel.: 2523-9794. Quinta a sábado, 21h30. Domigo, 20h30. R$ 35. 90 minutos.

* Publicado originalmente no Jornal do Brasil em 18/01/2003.

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