Crítica “7 – O Musical”

abril 28th, 2009 1 Comentário



À leitura do currículo das montagens da dupla Charles Möeller & Claudio Botelho no programa de 7 – O Musical da 1ª, em 1996, até aos seus atuais sucessos, emociona a persistência intrépida, determinada dos jovens criadores empresários no gênero musical, com textos brasileiros, muitos, ou estrangeiros alternativos da off Broadway.

De fato, assim procederam e continuam procedendo na crença,  certamente, de que juntando a música, o canto, a dança e a palavra econômica à exuberância dos cenários e dos figurinos e ainda, hoje em dia, a uma iluminação inquieta e nervosa na busca de inimagináveis, até há pouco, efeitos plásticos, temos como conseqüência natural o cume da inteligência cênica.

Realmente, é no mínimo fascinante  tal  ruidosa manifestação, capaz, sempre, de arrastar aos teatros do mundo milhões de pessoas que buscam diversão na arte ou vice-versa.

Por sua vez,  Möeller  e Botelho re-instalaram na atividade empresarial artística o charme dos números superlativos pelo envolvimento de muitos na produção e execução de projetos cujas altas cifras o público vê inteiras no palco.

Uma preocupação: dizem que o brasileiro tem inveja do sucesso alheio. Com meia dúzia de mega sucessos em cartaz no Rio e em São Paulo, rezemos para que a ala dos eternos descontentes com a distribuição de verbas estatais – polêmicas,  às vezes-, não se voltem contra esses destemidos empreendedores, não fossem eles igualmente talentosos e eficientes nas funções de autores, diretores, letristas e outras tantas que assumem paralelamente em suas montagens teatrais.

E NÃO É QUE NELSON RODRIGUES ASSINARIA EMBAIXO?

Você pode questionar – como vem acontecendo – o uso da música de Ed Mota, pouco melodiosa para alguns, não alçando ao pódio das “assobiáveis”, como manda o bom figurino da Broadway. Mas, a nosso ver, a música aqui utilizada serve como uma luva ao tom predominantemente sombrio da descabelada narrativa.

O uso do conto gótico dos Irmãos Grimm – Branca de Neve – em paralelo ou como base para a trama urdida pelo autor Charles Möeller , resulta num inusitado flagrante do universo de Nelson Rodrigues, nosso mais transgressor dramaturgo, com tudo a que nos acostumamos em sua obra, da fase mítica ou suburbana: mulher traída e inconformada; marido fujão e mulherengo (nada menos que um certo Herculano!); cafetinas, prostitutas, cartomantes vigaristas; e um caldeirão de ingredientes melodramáticos: ódio, inveja, vingança, punhais estraçalhando literalmente corações incautos…

O tom é de tragicomédia, de uma solenidade grandiloquente, com pitadas aliviadoras, de um humor tipicamente carioca, como por exemplo na cena do morto sapateador (que arranca aplausos divertidos da platéia). É claro que o autor sabia em que fonte bebia e tal recurso, consciente ou não, alavanca o  texto para além do mero folclore da lenda “dark” da secular heroína. Nelson Rodrigues assinaria em baixo, acreditamos.

Outro aspecto positivo que salta aos olhos: o domínio técnico dos elencos brasileiros (cariocas, principalmente) nos musicais, quer cantando, dançando ou contracenando longe do psicologismo televisivo. Nesta bela montagem estamos diante de  magníficas intérpretes musicais como Zezé Mota, Eliana Pittman, Alessandra Maestrini e Alessandra Verney.

Rogéria se encarrega do humor carioquês, como a cafetina Odete, bem seguida por Ivana Domenico e Janaina Azevedo (ou Renata Celidônio). E Suzana Faini está brilhante na misteriosa Sra. A, estreando no papel aqui em São Paulo, secundada com graça por Malú Rodrigues.

Não menos importante, o naipe masculino, encabeçado por Jarbas Homem de Mello (Herculano), não só canta, como executa com  sensibilidade movimentos coreográficos de hipnótica força imagética.

A direção musical e a pequena orquestra valorizam a música original de Ed Mota, assim como as letras de Cláudio Botelho, insuperável neste item desde sempre.

Toda a produção é do mais irretocável profissionalismo, passando pelos figurinos de Rita Murtinho, pela cenografia de Rogério Falcão e pela iluminação de Paulo César Medeiros, todos “cobras”!

Como bem observou minha companheira de tantos anos, Elvira, assídua dos musicais da Broadway: parece que agora é a  Broadway que precisa prestar atenção – e aprender – com os musicais do “Aventura” (nome oficial da empresa de Möeller e Botelho.


Por: AFONSO GENTIL – Crítico Teatral filiado a APCA desde 1992.


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Um comentário

  1. admin disse:

    Enviado por Jack em 4/5/2009:
    A Malu arraza!Eu a vi no 7 domingo!Parabéns pela escolha, mesmo não sabendo como ela canta!risos………….

    Enviado por Poliana em 4/5/2009:
    Não acho que tenha idade determinada para a Wendla, se a pessoa foi bem na audição(se bem que pra ser Wendla ela teria que ter arrasado!)Então se eles a escolheram algum motivo deve haver!Mas eu só fiquei chateada da minha irmã não ter passado pra Wendla!(risos),mas tenho certeza que a Malu irá arrasar como está fazendo no SETE e como porvavelmente fez na Noviça(que infelizmente não pude ver!!!) Beijinhos

    Enviado por Gabí em 4/5/2009:
    Genteeeeeeeeeeeeee, cadê esse resultado do Despertar que não sai meu pai do céu (hahahahahaha)!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Realmente vai ser a Malu Rodrigues??Charles você não acha que ela é muito nova pro papel não?!Como assim?Ela tem 10 anos a menos que eu!!!E acho que meninas mais velhas seriam uma melhor opção!(hahahahaha) Beijos Gabí Carramanhos

    Enviado por Daniel em 29/4/2009:
    Parabéns para todos!!!!!O 7 está realmente fantástico!!!!! Mas agora a pergunta que não quer calar, quem será o elenco do Spring?!?!?!?! Não ía sair até ontem no máximo?!?!?! Abraços.

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