Em férias na “Grande Maçã”, Charles Möeller & Claudio Botelho analisam para seu Site particular os principais musicais em cartaz na Broadway no momento
Capítulo 5: “West Side Story: Chatice empoeirada sem qualquer apelo”
WEST SIDE STORY é considerado por muitos como “O Musical!” É uma fama justa, lógico, para um espetáculo que marcou definitivamente o final dos anos 50 pela maneira nova de colocar a dança em cena e pela brilhante parceria de Leonard Bernstein (música) e Stephen Sondheim (letras). Além de ter se tornado um sucesso internacional graças ao filme, feito alguns anos depois da estreia da Broadway.
Mas WSS não foi exatamente um sucesso de público nem de crítica na estreia de 1957 no teatro. O público reagiu com relativa estranheza ao despojamento da cena, à crueza da história, ao final pra baixo e a todo o clima dark que dominava a montagem. Mas a beleza da partitura foi popularizada com o lançamento do filme e muitas das canções se tornaram hits, o que foi aos poucos transformando aquela experiência em um ícone.
Sou fã de West Side Story desde que conheci o LP da montagem original. Participei da produção brasileira há dois anos como tradutor e versionista, sob direção de Jorge Takla, em São Paulo. Conheço bastante a peça, tanto pelo apreço que tenho por ela, como pela obrigação profissional de ter trabalho intensamente com este material durante quase seis meses.
Tudo isso pra dizer: gente, que chatice!
Sei que muitos aí vão querer me bater, mas como este é um site particular e este blog é apenas um fórum de debate entre (quase) amigos e fãs de musicais, e não exatamente uma tentativa de fazer críticas sérias e profundas, me sinto à vontade para contar pra vocês que o que vi ontem no Palace Theatre é uma chatice empoeirada e sem qualquer apelo.
Quando é que eu ia imaginar que meu coração não bateria forte ao ouvir a abertura absolutamente genial de Bernstein para a obra? Pois é… Mesmo com a orquestra gigante que está empregada nesta montagem, com percussionistas extras fora do fosso, abrigados nos boxes à esquerda e à direita do palco, o coração não bateu.
E continuou assim, feito o bonequinho do jornal O Globo sentado diante daqueles filmes que não fedem nem cheiram, até mesmo em números como “Maria”, “Tonight” e “Cool” (neste então, o bonequinho dormiu).
Elenco: carisma zero
Para começar, o elenco. Não dá pra acreditar que aqueles garotos com cara de bichinhas do Chelsea pertencem a alguma gangue de maus elementos. Eles são bonitos demais pra isso (os americanos), e milimetricamente maquiados para parecerem despenteados e sujos. Todos com feridas fake na cara. Juro que fiquei com a sensação de que eles deveriam estar loucos pra acabar a peça e irem comemorar no Splash (Splash é uma boate gay no estilo “bicha de família procura namorado”, na rua 17).
Os portorriquenhos são, ao contrário, tão feios e mal vestidos, que você de cara torce pra eles perderem a guerra mesmo. O sujeito que faz Bernardo (George Akran, venezuelano) não oferece perigo algum. Ele parece um dos Menudos demitido por falta de carisma sexual que acabou procurando emprego no teatro.
Tony é feito por Matt Cavanaugh, que eu tinha adorado num musical maravilhoso que vi há dois anos, GREY GARDENS. Lá ele fazia um John Kennedy jovem com muito carisma e simpatia. Aqui, seu Tony não arranca suspiro algum. Canta bonito, mas com voz mínima. Não chega a lugar nenhum, carisma zero. Acho também que ele devia estar decepcionado ontem por não ter sido indicado ao Tony (o prêmio), o que, aliás, não surpreende em nada. Compará-lo aos dois protagonistas masculinos de Hair é como comparar um aspargo com uma feijoada.
Maria (Josefina Scaglione) é argentina. Isso basta? De qualquer modo, alguém que tenha participado desse HAIRSPRAY da Argentina não podia mesmo resultar em grande coisa. Ela é, numa palavra, nada!
Anita (Karen Olivo) é a coisa mais viva em cena. Ela vem do sucesso IN THE HEIGHTS e imagino que esteja arrependida até agora de ter largado uma peça viva pra entrar nesse sarcófago que é a montagem de WEST SIDE STORY.
Sim, sarcófago é uma palavra forte. Mas não tem nada ali que seja vivo. O que se assiste é uma exumação da montagem original, com exatamente a mesma coreografia, luz chapada e sem movimentos, os bailarinos encarando a platéia como se estivessem a fim de bater em alguém, as marcações todas frontais. Artur Laurents, o diretor, tem 90 anos. A direção dele tem 150. Ele é o pai de West Side Story, libretista e um dos criadores originais, portanto deve saber o que faz…
Eu sou apenas um espectador, mas permito-me ainda o direito de querer ser afrontado artisticamente, mexido, desafiado, que tirem meu tapete. Então, neste sentido, WSS não serviu pra nada.
West Side Story na Broadway precisa de uma espanada geral
Comentar o cenário velho e sem graça, as roupas horrorosas, as perucas no estilo Lady… pra que? Esta é uma superprodução da Broadway, gente! Está em cartaz no Palace, a Meca do entretenimento adulto do mundo musical. Então eu devo estar errado e com má vontade… Afinal, o teatro estava lotadíssimo. Venham aqui e confiram.
O único número capaz de acelerar um pouco o pulso da gente é o quinteto no final do primeiro ato. O cenário finalmente dá uma virada interessante, com uma gigantesca ponte descendo do urdimento e ocupando todo o teto da cena… Mas, claro: a mesma marcação da estreia em 1957. As duas turmas paradas olhando pra frente, fazendo cara de maus, Maria na escada lá em cima e Tony e Riff no bar ao centro. Anita sozinha ao fundo era a única com um mínimo de verdade… Mas musicalmente resultou bonito, apesar da letra em espanhol escrita por Manuel Miranda (In the Heights) não acrescentar nada à compreensão da história.
Aliás, essa idéia de colocar alguns números cantados em espanhol parece ter sido a única de toda a montagem. Mas eu pergunto: pra que? Não muda nada pra ninguém. É um hiato bilingue que não acrescenta nada à história, e na verdade, distancia mais ainda o que já era frio.
Enfim… West Side Story na Broadway precisa de uma espanada geral, como HAIR recebeu finalmente neste ano, SOUTH PACIFIC teve no ano passado, SWEENEY TODD teve há uns 4 anos (embora eu não goste da montagem de John Doyle, acho que é um vento novo na peça), e por aí vai.
Ainda estão devendo isso ao WSS, que tem cenas intermináveis de texto que fazem a gente ficar olhando o playbill o tempo todo pra se distrair. Tomara que venha um diretor cheio de energia e corte o excesso de texto, mande o fantasma de Jerome Robbins à merda e finalmente faça de WEST SIDE STORY algo vivo e instigante. A obra merece.
Claudio Botelho






Enviado por Leonardo em 9/5/2009:
Adorei éssa ideia de dar uma espanada geral em WSS hehehe! E Claudio essa…”Artur Laurents, o diretor, tem 90 anos. A direção dele tem 150″ HEHEHE foi muito Boa!!!
Enviado por Claudio Erlichman em 9/5/2009:
Que pena saber disso. Desde q vi uns trechos da peça no Manhattan Connection botava a maior expectativa no revival.
Enviado por Luisa Almeida em 7/5/2009:
Eu já previa uma review assim, não assistí WSS aqui e nem pretendo! Independente de estar sempre cheio, não conheço um ser humano que tenha gostado! hahaha Assim que o bafafá da fama do musical passar, ele vai pro beleléu! Ah sim, claro, pra constar, vejam Next to Normal! Vai lavar a alma depois desse!
Enviado por Alessandra Vidal em 6/5/2009:
Estou louca pra assistir ” next to normal “, eu vou pra lá esse ano assim que tirar férias do trabalho, acho que mês que vem!!!E parabéns para todos do blog!Ao Leo e ao Charles e Claudio por estarem sendo super atenciosos e respondendo a todas as perguntas!!!!Falando em musical, alguém sabe se o “spring awakening” continua lindo e fantástico com o elenco novo??E o resultado aqui do Brasil, quando sai??Beijos Alê
Enviado por Claudio Botelho em 6/5/2009:
Rock of Ages é um pouco demais pra um senhor da inha idade!!!! hehehe Vou ficar com a brodway normal mesmo, sem música de grupo de rock. Abração e divirta-se!!!!
Enviado por Thom em 6/5/2009:
Me desculpe, Claudio, mas o WSS do Takla não foi muito diferente. A falta de masculinidade no palco era gritante também e o ar fake de maus e sujos também era presente. Nunca vi uma briga de gangues ser tão aviadada. E isso você não pode negar. Aliás, nunca gostei muito de WSS mesmo… as músicas até são interessantes mas cenicamente é contrastante demais com o que propõe.
Enviado por Leandro Giglio em 6/5/2009:
Nada surpreende no WSS novo mesmo! Quando vem a de Next to Normal????? Sei que vocês não são muito fãs de ópera rock, mas não me digam que vocês não vão assistir!
Enviado por Luciano Fernandes em 6/5/2009:
Eu AMO todas as críticas que está fazendo sobre os musicais. Vendo pelo seu trabalho, os espetáculos que escolhe para montar aqui no Brasil, parece que temos um gosto bastante parecido. E essas críticas estão sendo ótimas, já que eu vou à NY em Julho passar 18 dias assistindo muito musical…e tô indo pelas suas dicas hehehe Só estou desapontado que “Guys and Dolls” seja tão ruim assim…eu gosto tanto da atriz Lauren Graham…vou assistir de qualquer maneira, somente por ela mesmo, mas enfim…quero assistir SOUTH PACIFIC…você já fez alguma crítica sobre o espetáculo?
Enviado por duddu em 6/5/2009:
“Ela é, numa palavra, nada!” Eu rolei de rir com a sinceridade.
Enviado por PA em 6/5/2009:
arrasou.chorei de rir.esse seu humor é de uma sinceridade absurda.amei!!!mas amei mesmo foi a boate na rua 17.essa foto do elenco descreve direitinho o que voce nos diz.o que é aquela camiseta azul recortada (quer dizer rasgada)milimétricamente?????Charles o que é aquilo?he he h e arrasou.sou fanzoca de auditório.De carteirinha e não é de hoje não he he he e Li para Babs, que adorou… Beijos Pa
Enviado por Eduardo em 6/5/2009:
Sensacionais esse posts sobre os shows da Broadway. Pena que eu já tenho ingresso para ver “West Side Story” (no fim do front mezzanine – não vou enxergar nada mesmo) e não tenho horário para encaixar “Shrek”… Ansioso pela análise de “Next to Normal”! Vocês vão assistir “Rock of Ages”?
Enviado por charles moeller em 6/5/2009:
oi leandro; vamos hoje no” next to normal ” , yessssssssss!!!! to bobo; “next to normal é a peça mais aguardada do blog… e eu crente que era hair… to muito velho mesmo , to me sentindo o Artur Laurents!!!
Enviado por Alessandra Vidal em 6/5/2009:
Aaaaaaa, e obrigada pelas dicas, vou passar longe de “WSS”(risos)!!!!!
Enviado por Marcos em 6/5/2009:
Na boa, esse wss não é um ruim não…é PÉSSIMO! Um erro do início ao fim. Mesmo que excelente no papel, a Karen Olivo não consegue segurar tudo sozinha, principalmente, cobrir as falhas dois protagonistas horrorosos. Dá até vontade de chorar; não pela emoção da história de amor, e sim por ver diante de seus olhos a ruína de um clássico. Só não saí no intervalo, porque tenho a política de sempre ficar até o final. Ê, tortura.
Enviado por Leo Ladeira em 6/5/2009:
Alessandra, obrigado pelos elogios. E quanto ao elenco de “Spring”, tá saindo… tá saindo… hehehe. Falta apenas fechar 1 nome. Daremos a relação completa assim que esse nome fechar. Obrigado pela participação e continue ligada no site!
Enviado por Mariana Carrozzino em 6/5/2009:
Chocante pensar que um teatro tão renomado e importante na história dos musicais como a Broadway tenha cometido tantos erros com um clássicos desse calibre. Realmente lamentável.
Enviado por Leo Lodi em 6/5/2009:
É isso aí, Claudio. O que eu mais gosto na crítica de uma forma geral é a autencicidade. Gostou, fale. Não gostou, fale! Não é prá detonar, é prá simplesmente informar e, principalmente, discutir pontos de vista. Só assim prá gente evoluir nessa vida, senão fica tudo na mesma, sem novidades. Particularmente, adoro WWS por ser uma belíssima conexão entre os estilos de canto e música de concerto e popular. … quer dizer que Matt Cavanaugh não foi indicado e ficou triste… tadinho devia estar louco prá pegar esse tal de Tony… rs
Concordo plenamente, senão, para que serviria a palavra revival??