Em férias na “Grande Maçã”, Charles Möeller & Claudio Botelho analisam para seu Site particular os principais musicais em cartaz na Broadway no momento

Direto da Big Apple: Capítulo 6: “Come to the Cabaret”
Amigos do Site Möeller & Botelho,
fomos a uma celebração fechada de Kander & Ebb na segunda-feira, com ingressos disputados a tapa e por exorbitantes U$ 250. O evento, chamado “Come to the Cabaret”, era uma produção e realização da “The Acting Company”.
Adoro isso nos americanos. Eles trabalham muito! Fazem teatro de terça a domingo e na segunda, no dia de folga, resolvem fazer uma celebração deles mesmos. Até Deus descansou no sétimo dia, eles não! Celebram sempre alguém. E cobram caro por isso, claro!
Na entrada do teatro, Claudio tropeçou no próprio John Kander (na foto ao lado, com Chita Rivera). Deu um tremendo pisão no velhinho naquele já famoso empurra-empurra dos indicadores de cadeiras que metem mais medo do que os funcionários da alfândega fazendo o personagem “somos maus”.
Claudio ganhou a noite, afinal ele pode colocar em suas memórias que já pisou forte em Kander. Garanto que o pé dele (e de Kander, coitado) jamais será o mesmo depois disso…
Enfim, foi uma noite simples e linda. Não me estenderei, pois, afinal, não chegou a ser um espetáculo.
O mestre de cerimônias foi o cubano Raul Esparza. Cabia a ele introduzir um a um os convidados, pra de lá de especiais.
O próprio Esparza abriu a noite, fazendo (mal) o M.C. de Cabaret, acompanhado por algumas girls (péssimas). Repetiram a coreografia da montagem de Sam Mendes dando um clima kit kat club. Raul Esparza pra mim é um mistério. Ainda não cheguei a uma conclusão se gosto dele ou não! Mas seu talento é inegável.
Esparza (ao lado, de camisa azul, com David Hyde Pierce) costurou o show com muito charme. Sua primeira convidada foi Karen Ziemba, que cantou lindamente “Sing Happy” e contou uma passagem bonitinha com os compositores. Esse era o plot da noite. Os convidados entravam, cantavam, davam seus depoimentos e a platéia ria, chorava e aplaudia. Esse culto é fascinante – eles ainda riem das letras de Cabaret e Chicago, e ainda se surpreendem em encerrar o show com “New York, New York”. É fascinante! Nós brasileiros não temos o costume de cultuar muita coisa. Falamos muito de Bossa Nova, mas achamos um saco quando alguém vem cantando o ‘Barquinho’ (bom eu acho pelo menos).
Debra Monk, sempre impecável, fez uma Mama Morton de dar inveja a Queen Latifah.
Depois, um chiquérrimo Tom Wopat fez Billy Flynn. Adoro esse ator! Nos anos 90, fiquei horas numa nevasca para falar com ele depois de um impecável “Guys and Dolls”. Fazia isso sempre quando amava, até o dia que fui falar com Bernadette Peters e ela quase cuspiu em mim. Mas isso é outro assunto.
Terrence McNally, o super autor e colaborador da dupla leu uma carta linda contando a diferença entre Kander & Ebb. Nesse momento fiquei pensando: já pensou se um dia quando formos velhinhos alguém resolve fazer isso pra mim e pro Claudio? Lógico que será no Teatro Café Pequeno e talvez, se não estiver chovendo, alguém de algum elenco nosso vá nos ver obrigado pela produção. E quando chegasse esse momento de lerem as nossas diferenças, a noite teria que terminar num after! Afinal não seria um carta e sim um memorial! Bom, isso é outro assunto também.
David Hyde Pierce, que sou fã de bater tambor vestido de branco em terreiro de macumba toda sexta-feira pra que ele continue existindo, fez dois números adoráveis: o hilário Sara Lee e um surpreendente e emocionante número gay – uma canção de ninar que Kander compôs pro seu companheiro (americano fala companheiro. Não é que eles sejam comunistas e muito menos que o Lula seja gay).

Chita Rivera é Chita Rivera e dispensa qualquer apresentação. (Na foto ao lado, Chita está entre Karen Ziemba e Debra Monk). É um mito. Está com o mesmo corpinho e com a mesma cara, mas a peruca mudou. Ainda assim está ótima. Fez um discurso hilário dizendo que Catherine Zeta-Jones poderia até ter ganhado o Oscar de atriz coadjuvante por Chicago, mas que Kander & Ebb escreveram Velma Kelly para ela. E a danada cantou e dançou a coreografia original. Ali eu virei chita (a do Tarzan), pois fiquei em pé e gritei uhuhuh (queria saber quem inventou esse uhuh), mas não fiz sozinho: o teatro veio abaixo.
O ápice da noite seria Liza Minnelli, que cantaria e encerraria o show, mas claro que Liza mais uma vez não foi. Estava com um problema na vista. Quando Liza esteve há pouco no Brasil, fomos convidados para ir ao Londra, aquele bar in no Fasano, depois do seu show para um jantar em sua homenagem. Deviam ser umas 50 pessoas. Tudo muito organizado por Ana Maria Tornaghi, com lista na porta conferida – pediam quase sua identidade para ver se a foto batia com a pessoa. Lá estavam o que eles acham que é de mais vip (não entendo essa coisa de ‘vip’ que dominou o Rio!) E Liza tardou e falhou… não foi, mas ligou para o celular de Ana Maria, que colocou o bocal num microfone. Ela disse coisas lindas que ninguém entendeu, afinal Liza fala sorrindo e a gente perde a metade das coisas… mas deu pra pegar que ela estava com um probleminha de vista… o que foi muito divertido ali, pois imagine essa flopada! Mas aqui fiquei com raiva dela, afinal Kander & Ebb fizeram Liza. Ela só deixou de ser filha de Judy por causa deles.
Mas depois pensei: será realmente que Liza além de tudo que já passou na vida está desenvolvendo uma catarata? Que karma pesadíssimo de Liza! Bom, vamos rezar por ela, pois depois do Hair estou muito assim… Peace and love!!!!
Charles Möeller






Enviado por Gabi em 10/5/2009:
Eu também iria abaixo com a Chita!!
Enviado por Claudio Erlichman em 9/5/2009:
Será que sai o DVD?
Enviado por Mariana Carrozzino em 8/5/2009:
“O próprio Esparza abriu a noite, fazendo (mal) o M.C. de Cabaret, acompanhado por algumas girls (péssimas).” Huahushaushuahs. Que peeeena que Liza Minnelli estava com esse problema na vista, tomara que ela melhore logo e que não seja nada grave. Mas teve Chita Rivera, não é mesmo? Meu Deus… Chita Rivera…
Enviado por Claudio Botelho em 8/5/2009:
É uma questão e gosto mesmo, né? Aliás, como tudo na vida e nesta profissão em especial… Achei esse COMPANY com Raul Esparza apenas mais um esptáculodo John Doyle que é igual ao anterior, SWEENEY TODD. No Sweeney Todd era novidade a gente ver os atores tocando os instrumentos, vá lá. Mas de novo repetir tudo igual ao COMPANY? E o pior é qe ele em seguida fez exatamente a mesma coisa com MERRILY WE ROLL ALONG em Londres, num teatro bem pequeno, todo o elenco tocando os instrumenos novamente. Daí entenderam que este é o únco truque dele e ninguém mais engole John Doyle. Não se iludam: aqui é igual ao Brasil, gente. O que tem de diretor enganador, do tipo que só tem um estilo e repete sempre as mesmas coisas, nem dá pra imaginar. Mas fiquem tranquilos que o RAUL ESPARZA tá muito bem na fita e todos adoram ele, eu é que sou chato mesmo e prefiro outro tipo de ator e de cantor.
Enviado por Thiago Marinho em 7/5/2009:
Hahahahahah!!! Eu tava achando o Raul Esparza estranho no DVD que eu tenho de Company! Mas ele me ganhou no Being Alive!!! Tem um video dele no YouTube cantando Defying Gravity que é genial também!!! Agora… Já o vi num video de Cabaré e achei estranho, exagerado… Mas ele mesmo diz que foi nessa montagem de Company que a direção o ensinou a atuar…
Enviado por Leandro Giglio em 7/5/2009:
Aaaa… Cláudio, deixa de tanta reclamação! Você sai no meio do espetáculo e nem dá a chance do pobre do Raúl Esparza mostrar a que veio no segundo ato. Cauby treme a voz e é um dos mais falados cantores brasileiros. hauhauahau Quando vi 7 pela primeira vez também pensei em sair no fim de primeiro ato, pois achava totalmente sem pé nem cabeça, mas fiquei até o final e mudei meus conceitos! Meninos, continuem postando pois essa semana não tenho perdido um POST sequer!
Enviado por Anna Toledo em 7/5/2009:
Debra Monk é tudo in the world, mesmo. Aliás, a trinca de Curtains – Karen Ziemba, Hyde-Pierce e Debra Monk – fazia aquele espetáculo ser memorável. Ninguém cantou nada deste show? E eu vou defender o Raul Esparza. Amei-o no Company de 2007, chorei até não poder mais naquele final, achei Being Alive lindo. Adorei o Charles virando Chita. Maravilha, ahahaha. Isto é uma pérola.
Enviado por Claudio Botelho em 7/5/2009:
Acho o Raul Eparza um chatooooooo de galochas, que faz muita careta, canta com uma boca que nunca fecha e treme a voz igual ao Cayby Peixoto. Jesus é pai!!! Também vi Chitty Chitty esaí no intervalo. Depois que o carro levantou vôo, achei que tinha coisa melhor pra fazer. hehehh
Enviado por Jorge Nascimento em 7/5/2009:
Quando vocês estiverem bem velhinhos, os meninos da Noviça terão a sua idade de hoje, ou pouco mais, e com certeza irão no Café Pequeno agracer pela oportunidade que tiveram em Noviça.
Enviado por Leandro Giglio em 7/5/2009:
Quem inventou o u-huull não sei, mas aqui no Rio, os u-hhulllsss tem dado o que falar… Gosto do Raul, não o vi em Company ainda (comprei o DVD que só chegou ontem e ainda não assisti), mas o vi em Chitty Chitty Bang Bang em 2005. Vocês realmente estão muito chiques nessa viagem hein!
Enviado por Thiago Mesquita em 7/5/2009:
Hahaha. Liza com karma pesado!!! Coitada, já pagou tudo nessa vida mesmo! Espero que ela não esteja com nenhum problema sério de vista.