Encanto que sobrevive ao tempo
Por: Daniel Schenker Wajnberg (Istoé Gente)
Os atores/cantores de É Com Esse Que Eu Vou, espetáculo que perpetua a parceria entre os diretores Charles Möeller e Claudio Botelho e os pesquisadores Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo depois da bem-sucedida experiência de Sassaricando, dão vida a tipos genuinamente brasileiros enquanto entoam mais de 80 sambas. Num determinado momento, porém, anunciam as entradas em cena uns dos outros pelos próprios nomes. Talvez porque se trate de um formato de musical (que, em relação à trajetória da dupla Möeller/Botelho, remete, evidentemente, à Sassaricando e um pouco a Tudo é Jazz) no qual os artistas oscilem entre a interpretação e a presença em primeira pessoa, destituída de personagem. Neste trânsito, Lilian Valeska, Beatriz Faria, Alfredo Del-Penho, Marcos Sacramento, Makley Matos e Pedro Paulo Malta despontam como donos de belas vozes, além de executar com competência todas as suas funções, mas não revelam personalidade cênica tão intensa quanto à de Soraya Ravenle.
O olhar encantado lançado por É Com Esse Que Eu Vou em relação ao Rio de Janeiro, apesar de todas as mazelas, é realçado pelo glamour dos cassinos, atmosfera destacada na cenografia de Rogério Falcão, que privilegia a combinação de preto e dourado. As cores são mescladas às tonalidades intensas que preenchem a tela ao fundo do palco (iluminação de Paulo Cesar Medeiros). Os figurinos (a cargo de Ney Madeira, Dani Vidal e Pati Faedo) revelam-se expressivos nas misturas de retalhos, listras e estampas que compõem blazers, calças, coletes e saias. Realizado com a esperada competência, o espetáculo tem seus melhores momentos nas marcações discretas e intimistas do elenco, durante parte do segundo ato.
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Foi com esse olhar “encantado”, que esse belíssimo Musical me fez ter esperanças de um Rio mais alegre, com a volta do glamour que a nossa Cidade Maravilhosa merece !
Sentar na plateia de “É Com Esse Que Eu Vou” é um oásis nesses dias de tanta falta de elegância … O Show é uma viagem de prazer pelos lindos Sambas, dos nossos melhores compositores, embalados num universo de classe e criatividade, como está raro de se ver nos nossos palcos. Não é à toa que seja a Melhor, na cotação da Vejinha – Sim, o Show do Casa Grande é a “MELHOR peça em cartaz”, no Rio de Janeiro !
Quem quiser se divertir, aprender sobre a nossa história, é só ir conferir mais essa linda criação da dupla M&B, uma grife que sempre prima pela qualidade e respeito ao público.