Crítica de ‘É com esse que eu vou’ por Barbara Heliodora

setembro 1st, 2010 13 Comentários

Crítica de ‘É com esse que eu vou’ por Barbara Heliodora

Um espetáculo criado em torno do samba já é de si, hoje em dia, um evento de mérito. “É com esse que eu vou”, concebido por Rosa Maria Araújo e Sergio Cabral sob a inspiração do imbatível “Sassaricando”, no entanto, apesar de alguns méritos, não alcança nem o mesmo altíssimo nível musical nem a delirante comunicação deste último. O teatro é um mistério, e é difícil compreender por que razões a homenagem ao samba não tem a vibração que teve a celebração da marchinha, já que os dois espetáculos foram criados pelos mesmos e incontestáveis talentos.

Faltam ginga e manemolência

Sem um roteiro que emprestasse maior sentido à seleção dos sambas apresentados, fica a impressão de que a relutância em cortar esta ou aquela canção deixou o primeiro ato (com 35 sambas) muito longo, e que, sem os necessários cortes, a direção musical de Luís Filipe de Lima, que já se tem provado mais do que competente, acabou optando por apressar e uniformizar o andamento de todos os números, tirando o tempo do gingar e a notória manemolência que faziam a glória do samba. O segundo ato é mais curto e busca o clima do carnaval, levantando o tom e a qualidade do espetáculo.

A encenação é feita com o cuidado característico da dupla Botelho-Möeller, com a boa cenografia de Rogério Falcão deixando bem claro, desde o início, que o clima de show é o buscado, canções que se seguem sem que se pense em formar alguma ideia de significado conjunto.

Os figurinos de Ney Madeira, Dani Vidal e Pati Faedo começam razoavelmente bem para o elenco feminino, com altos e baixos consideráveis nos que vêm a seguir. Os do elenco masculino são sempre insatisfatórios.

A luz de Paulo César Medeiros é sempre boa. A coreografia de Renato Vieira é pouco inspirada, com limitações semelhantes às que afetam o repertório musical. A direção de Claudio Botelho procura criar uma “hora da saudade” que, como as marchinhas, revivesse um Rio bem diferente do de hoje, e como sempre tem a companhia de Charles Möeller para a criação.

O elenco — Soraya Ravenle, Marcos Sacramento, Lilian Valeska, Alfredo Del-Penho, Pedro Paulo Malta, Beatriz Faria e Makley Matos — executa o repertório com belas vozes, mas volta e meia sai prejudicado pelo andamento apressado e pela falta de variedade que impede o clima certo para determinadas letras. O espetáculo tem momentos de brilho, e a oportunidade de se ouvir samba é um privilégio.

* Publicado originalmente no Jornal O Globo em 01/09/10.

Tags:

13 Comentários

  1. Concordo que falta malemolência e ginga na peça, mas nem por isso a peça é ruim. Pelo contrário, gosto mais de É Com Esse Que Eu Vou do que Sassaricando. Sim, a peça busca por um clima de show, pois não tem uma história conduzida ao longo do espetáculo, trata-se de uma revista, uma coletânea de canções, muito bem selecionadas e que bom que elas não foram cortadas, pois assim temos mais tempo para o resgate cultural destes tesouros. Sobre os figurinos, eu gostei de todos, sem distinção. Acho um ótimo espetáculo e quero ver de novo!!!

  2. Mariana Ribeiro disse:

    Concordo com o Leandro Giglio. Amei o espetáculo e com certeza assim que tiver outra oportunidade assistirei novamente.

  3. Nara disse:

    Eu concordo com algumas coisas! Amei o espetáculo. Acho os figurinos femininos lindos de morrer. Gosto mais do primeiro ato que do segundo e concordo que a coreografia é inespressiva (Aliás, o que o espetáculo tem de coreografia?). Acho um pouco desnecessário o vídeo, esfria a peça!
    PS: Soraya Ravenle ARASSA! PODEROSA E DIVINA! Não tem para ninguém!

  4. Tt disse:

    BH escolheu falar pouco sobre esse espetáculo, preferiu compará-lo ao outro de 3 anos atrás, dos mesmos autores, que são responsáveis pela “Concepção Pesquisa e Roteiro” – Rosa Maria Araujo e Sergio Cabral.

    Então, se é para comparar, eu prefiro “É Com Esse Que Eu Vou” !
    Espetáculo que me cativou justamente pelo Encantamento,
    que eu não senti no Sassaricando e nem “delirava assistindo”, como disse a BH .
    E, só um detalhe, o que ela quis dizer com “a luz de Paulo César Medeiros é sempre boa”, não entendi … Quer dizer que agora, para ele receber elogios vai ter que se pendurar num canhão e projetar sua sombra no palco ?!
    O desenho de luz do Paulinho é deslumbrante, um destaque nessa montagem ! Assim como, dois números de maior graça, pela teatralidade, “Seu Libório” e as hilárias intervenções, no bloco Orgia x Trabalho, de Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, que sempre ganham justos aplausos em cena aberta.
    É sublime ouvir “Amor de Carnaval” do Zé Kettinho, na voz de Soraya!
    Enfim, amo justamente a delicadeza e leveza, o lado romântico e até triste do espetáculo, a “hora da saudade”,
    toma mesmo conta do público e, no final, a tristeza vai embora, com o público de pé, cantando e dançando.
    Realmente, “ouvir samba é um privilégio” ainda mais quando temos essa oportunidade numa encenação feita “com o cuidado característico da dupla Botelho-Möeller”, como ressalta a crítica.

  5. TT,

    Concordo com voce. Se e pra comparar, eu fico com E Com Esse Que Eu Vou.

    Bjos,

  6. Antonio Carlos disse:

    Ninguém concordou com a BH por aqui???
    Que maravilha!!! rsrsrsrs

  7. Tt disse:

    Concondar ? Mas ela fez a crítica de Sassaricando, rsrssss

  8. Victor Hugo disse:

    Havia lido a crítica da Barbara assim q postaram aqui, ainda não havia comentários… eu escrevi o meu… pensei q seria bobagem minha… mas graças a Deus então, não fui o único a discordar dela… hehe, e o melhor de td são os outros post’s da Veja Rio e da Isto é q chegam pra “derrubar” essa “crítica”!!!!
    SUCESSO SEMPREE!!!

  9. Tt disse:

    É … Victor …
    com já dizia Caymmi …

    “Quem não gosta de samba
    Bom sujeito não é
    É ruim da cabeça
    Ou é doente do pé”

  10. Tt disse:

    e … os pés dela estão bem, obrigado …

  11. Edgard Figueira disse:

    A crítica de Barbara Heliodora, só posso defini-la como mal humorada, aliás como todas que ela vem fazendo no Globo, nos últimos tempos.
    Confesso que deixei de lê-las há tempos, por este motivo.

    Mas esta semana me detive, por ter ido ao espetáculo no último domingo,29/08 e ao chegar em casa, abri o pc, exclusivamente para colocar meu elogio na comunidade do orkut.

    Vale lembrar a ilustre jornalista de nossa cidade, que o espetáculo Sassaricando tinha o ritmo da marchinha de Carnaval, se ela não se lembra mais, é acelerado, com sabor de crítica social.

    É com esse… trata dos sambas, lindos todos, clássicos de nosso ritmo mater, muitos deles de lembrança aos meus 56 anos.

    O cuidado da griffe Moeller & Botelho está presente nos bonitos figurinos – especial atenção aos sapatos – os adereços, e até mesmos os reservados as cenas finais, explorando preto e dourado, como se vê em muitos musicais da Broadway, para o gran finale.

    Os cenários elogiados e a iluminação merecem aplausos. Também novos aplausos para a competente banda.

    Do elenco, o que dizer, além de ressaltar a competência habitual de todos. Mais aplausos, estes algumas vezes em cena aberta.

    O espetáculo é muito mais do que a oportunidade de se ouvir bons sambas, mas de se assistir um ótimo espetáculo. Imperdível. Para repetir 3 ou 4 vezes!

    Encerrando: Vale observar as fisionomias de satisfação, as almas lavadas, os sorrisos fartos, a alegria tomava conta da calçada em frente ao teatro, no inicio de uma noite de domingo!

    Que venha logo, em seguida, um outro, esperando que Sergio e Rosa Maria se dediquem aos Sambas Enredo!

    É com esse que eu vou….

  12. ivanildo disse:

    não vamos misturar as coisas, cada um na sua, sassaricando já está consagrado e partirá para seu quinto ano de sucesso, é com esse que eu vou está começando o seu sucesso, mais sou mais sassaricando que é a diversão o humor o deboche alegria viva no palco e com o dussek fazendo o riso do povo.

  13. Luiz disse:

    Assisti ao espetáculo ontem, no Festival de Curitiba (01/04), e fiquei encantado com a beleza dos sambas! e com a iluminação…e com a energia…
    Não concordo com a Bárbara Eliodora quando diz que “é difícil compreender por que razões a homenagem ao samba não tem a vibração que teve a celebração da marchinha”. Assisti tb ao Sassaricando, no mesmo teatro (Guaíra), e achei ambos os espetáculos “vibrantes”. Todos sabem que isso varia de dia para dia, de teatro para teatro, de público para público… E eu que não consigo compreender como a Bárbara, crítica tão conceituada, tem dificuldade para perceber isso…
    Mas, no geral, acho que a crítica da Bárbara é bastante coerente (principalmente qt ao fato de ser longo demais o primeiro ato) e não é negativa, como evidencia a frase com que ela encerra o texto (e com a qual ninguém pode discordar): “O espetáculo tem momentos de brilho, e a oportunidade de se ouvir samba é um privilégio!.

Deixe um comentário



Cadastre-se

Receba as novidades cadastrando seu e-mail.