Crítica de ‘É com esse que eu vou’ por Barbara Heliodora
Um espetáculo criado em torno do samba já é de si, hoje em dia, um evento de mérito. “É com esse que eu vou”, concebido por Rosa Maria Araújo e Sergio Cabral sob a inspiração do imbatível “Sassaricando”, no entanto, apesar de alguns méritos, não alcança nem o mesmo altíssimo nível musical nem a delirante comunicação deste último. O teatro é um mistério, e é difícil compreender por que razões a homenagem ao samba não tem a vibração que teve a celebração da marchinha, já que os dois espetáculos foram criados pelos mesmos e incontestáveis talentos.
Faltam ginga e manemolência
Sem um roteiro que emprestasse maior sentido à seleção dos sambas apresentados, fica a impressão de que a relutância em cortar esta ou aquela canção deixou o primeiro ato (com 35 sambas) muito longo, e que, sem os necessários cortes, a direção musical de Luís Filipe de Lima, que já se tem provado mais do que competente, acabou optando por apressar e uniformizar o andamento de todos os números, tirando o tempo do gingar e a notória manemolência que faziam a glória do samba. O segundo ato é mais curto e busca o clima do carnaval, levantando o tom e a qualidade do espetáculo.
A encenação é feita com o cuidado característico da dupla Botelho-Möeller, com a boa cenografia de Rogério Falcão deixando bem claro, desde o início, que o clima de show é o buscado, canções que se seguem sem que se pense em formar alguma ideia de significado conjunto.
Os figurinos de Ney Madeira, Dani Vidal e Pati Faedo começam razoavelmente bem para o elenco feminino, com altos e baixos consideráveis nos que vêm a seguir. Os do elenco masculino são sempre insatisfatórios.
A luz de Paulo César Medeiros é sempre boa. A coreografia de Renato Vieira é pouco inspirada, com limitações semelhantes às que afetam o repertório musical. A direção de Claudio Botelho procura criar uma “hora da saudade” que, como as marchinhas, revivesse um Rio bem diferente do de hoje, e como sempre tem a companhia de Charles Möeller para a criação.
O elenco — Soraya Ravenle, Marcos Sacramento, Lilian Valeska, Alfredo Del-Penho, Pedro Paulo Malta, Beatriz Faria e Makley Matos — executa o repertório com belas vozes, mas volta e meia sai prejudicado pelo andamento apressado e pela falta de variedade que impede o clima certo para determinadas letras. O espetáculo tem momentos de brilho, e a oportunidade de se ouvir samba é um privilégio.
* Publicado originalmente no Jornal O Globo em 01/09/10.
Tags: É com esse que eu vou







Concordo que falta malemolência e ginga na peça, mas nem por isso a peça é ruim. Pelo contrário, gosto mais de É Com Esse Que Eu Vou do que Sassaricando. Sim, a peça busca por um clima de show, pois não tem uma história conduzida ao longo do espetáculo, trata-se de uma revista, uma coletânea de canções, muito bem selecionadas e que bom que elas não foram cortadas, pois assim temos mais tempo para o resgate cultural destes tesouros. Sobre os figurinos, eu gostei de todos, sem distinção. Acho um ótimo espetáculo e quero ver de novo!!!
Concordo com o Leandro Giglio. Amei o espetáculo e com certeza assim que tiver outra oportunidade assistirei novamente.
Eu concordo com algumas coisas! Amei o espetáculo. Acho os figurinos femininos lindos de morrer. Gosto mais do primeiro ato que do segundo e concordo que a coreografia é inespressiva (Aliás, o que o espetáculo tem de coreografia?). Acho um pouco desnecessário o vídeo, esfria a peça!
PS: Soraya Ravenle ARASSA! PODEROSA E DIVINA! Não tem para ninguém!
BH escolheu falar pouco sobre esse espetáculo, preferiu compará-lo ao outro de 3 anos atrás, dos mesmos autores, que são responsáveis pela “Concepção Pesquisa e Roteiro” – Rosa Maria Araujo e Sergio Cabral.
Então, se é para comparar, eu prefiro “É Com Esse Que Eu Vou” !
Espetáculo que me cativou justamente pelo Encantamento,
que eu não senti no Sassaricando e nem “delirava assistindo”, como disse a BH .
E, só um detalhe, o que ela quis dizer com “a luz de Paulo César Medeiros é sempre boa”, não entendi … Quer dizer que agora, para ele receber elogios vai ter que se pendurar num canhão e projetar sua sombra no palco ?!
O desenho de luz do Paulinho é deslumbrante, um destaque nessa montagem ! Assim como, dois números de maior graça, pela teatralidade, “Seu Libório” e as hilárias intervenções, no bloco Orgia x Trabalho, de Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta, que sempre ganham justos aplausos em cena aberta.
É sublime ouvir “Amor de Carnaval” do Zé Kettinho, na voz de Soraya!
Enfim, amo justamente a delicadeza e leveza, o lado romântico e até triste do espetáculo, a “hora da saudade”,
toma mesmo conta do público e, no final, a tristeza vai embora, com o público de pé, cantando e dançando.
Realmente, “ouvir samba é um privilégio” ainda mais quando temos essa oportunidade numa encenação feita “com o cuidado característico da dupla Botelho-Möeller”, como ressalta a crítica.
TT,
Concordo com voce. Se e pra comparar, eu fico com E Com Esse Que Eu Vou.
Bjos,
Ninguém concordou com a BH por aqui???
Que maravilha!!! rsrsrsrs
Concondar ? Mas ela fez a crítica de Sassaricando, rsrssss
Havia lido a crítica da Barbara assim q postaram aqui, ainda não havia comentários… eu escrevi o meu… pensei q seria bobagem minha… mas graças a Deus então, não fui o único a discordar dela… hehe, e o melhor de td são os outros post’s da Veja Rio e da Isto é q chegam pra “derrubar” essa “crítica”!!!!
SUCESSO SEMPREE!!!
É … Victor …
com já dizia Caymmi …
“Quem não gosta de samba
Bom sujeito não é
É ruim da cabeça
Ou é doente do pé”
e … os pés dela estão bem, obrigado …
A crítica de Barbara Heliodora, só posso defini-la como mal humorada, aliás como todas que ela vem fazendo no Globo, nos últimos tempos.
Confesso que deixei de lê-las há tempos, por este motivo.
Mas esta semana me detive, por ter ido ao espetáculo no último domingo,29/08 e ao chegar em casa, abri o pc, exclusivamente para colocar meu elogio na comunidade do orkut.
Vale lembrar a ilustre jornalista de nossa cidade, que o espetáculo Sassaricando tinha o ritmo da marchinha de Carnaval, se ela não se lembra mais, é acelerado, com sabor de crítica social.
É com esse… trata dos sambas, lindos todos, clássicos de nosso ritmo mater, muitos deles de lembrança aos meus 56 anos.
O cuidado da griffe Moeller & Botelho está presente nos bonitos figurinos – especial atenção aos sapatos – os adereços, e até mesmos os reservados as cenas finais, explorando preto e dourado, como se vê em muitos musicais da Broadway, para o gran finale.
Os cenários elogiados e a iluminação merecem aplausos. Também novos aplausos para a competente banda.
Do elenco, o que dizer, além de ressaltar a competência habitual de todos. Mais aplausos, estes algumas vezes em cena aberta.
O espetáculo é muito mais do que a oportunidade de se ouvir bons sambas, mas de se assistir um ótimo espetáculo. Imperdível. Para repetir 3 ou 4 vezes!
Encerrando: Vale observar as fisionomias de satisfação, as almas lavadas, os sorrisos fartos, a alegria tomava conta da calçada em frente ao teatro, no inicio de uma noite de domingo!
Que venha logo, em seguida, um outro, esperando que Sergio e Rosa Maria se dediquem aos Sambas Enredo!
É com esse que eu vou….
não vamos misturar as coisas, cada um na sua, sassaricando já está consagrado e partirá para seu quinto ano de sucesso, é com esse que eu vou está começando o seu sucesso, mais sou mais sassaricando que é a diversão o humor o deboche alegria viva no palco e com o dussek fazendo o riso do povo.
Assisti ao espetáculo ontem, no Festival de Curitiba (01/04), e fiquei encantado com a beleza dos sambas! e com a iluminação…e com a energia…
Não concordo com a Bárbara Eliodora quando diz que “é difícil compreender por que razões a homenagem ao samba não tem a vibração que teve a celebração da marchinha”. Assisti tb ao Sassaricando, no mesmo teatro (Guaíra), e achei ambos os espetáculos “vibrantes”. Todos sabem que isso varia de dia para dia, de teatro para teatro, de público para público… E eu que não consigo compreender como a Bárbara, crítica tão conceituada, tem dificuldade para perceber isso…
Mas, no geral, acho que a crítica da Bárbara é bastante coerente (principalmente qt ao fato de ser longo demais o primeiro ato) e não é negativa, como evidencia a frase com que ela encerra o texto (e com a qual ninguém pode discordar): “O espetáculo tem momentos de brilho, e a oportunidade de se ouvir samba é um privilégio!.