Coluna Gente Boa – O Globo: 25/08/10
De volta aos salões de Momo
Depois das marchinhas de ‘Sassaricando’, um musical para o samba de carnaval
Paulinho da Viola se surpreendeu com a performance da filha Beatriz Faria na estreia do musical “É com esse que eu vou”, de Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo, anteontem, no Oi Casa Grande. “Uma pessoa tão tímida”, observava o sambista, após a apresentação. Em seguida, destacou a “voz ótima e presença boa” dela.
Antes do espetáculo, que tem direção de Charles Moëller e Claudio Botelho, e trata dos sambas do carnaval carioca, Paulinho estava nervoso (“um certo friozinho na barriga”) e contava que Beatriz também. “Ela faz parte daquele grupo de artistas que fica tenso na estreia, mas na hora agá dá tudo certo.”
“Meus artistas, vocês me enchem de orgulho!”, dizia Sérgio Cabral ao elenco de oito cantores, que se aquecia no palco.
Ao avistar Paulinho na plateia durante o intervalo, o autor brincou: “Ô Paulinho, você acha que aquela cantora Beatriz Faria é boa mesmo?”. O sambista aproveitou para assuntar sobre outra estrela do espetáculo, o cantor Makley Matos. “Ele é do Espírito Santo”, contava Cabral.
No hall do teatro, o prefeito Eduardo Paes estava animado com o espetáculo que assistiu. “O que você quiser eu canto, diz aí”, oferecia Paes. “Acho uma sacanagem o Cabral não ter me convidado para participar”, continuava o prefeito. “Não seja por isso, você vai entrar em cena”, emendou Rosa Maria.
Rogéria, que trabalhou com Charles e Botelho no musical “7”, contava que a dupla quer transformar sua vida em espetáculo. “Disseram que vão fazer ‘Rogéria, o musical’. Mas não quero veado do meu lado, só eu, atrizes e atores”, dizia. “Sou loura, mas bem brasileira, do balacobaco”, ria, requebrando com a mão na cintura. Ela vestia óculos escuros “Prada veste Rogéria”, como batizou.
Outra que causou no visual foi Sonia Braga. De vestido roxo e escarpim verde limão (“não tinha sapato colorido, então peguei esse mesmo”, zoava), ela brincava de jogar para cima o lenço que completava o visual. Sonia estava toda feliz com cabelão armado, penteado feito por ela. “Cansei do liso”, falava, “enrolei no dedinho e voltou a ser mais Gabriela”.
O espetáculo teve aplauso em cena aberta várias vezes. “Praça Onze”, com Soraya Ravenle, foi um deles. O momento em que Alfredo Del Penho encarna um apresentador de Cassino rendeu risadas.
Carlos Lyra ressaltava a junção do “melhor da música com o melhor da criação”, referindo-se à dupla de autores.
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O Dia – Coluna Bruno Astuto: 25/08/10
A estreia para convidados do musical ‘É Com Esse Que Eu Vou’ tornou a entrada do Oi Casa Grande numa calçada da fama. Impressionante o prestígio do quarteto fantástico formado por Claudio Botelho, Charles Möeller, Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo desde o sucesso ‘Sassaricando’. Do prefeito Eduardo Paes à diva Sônia Braga, estava to-do mundo lá.
Na fila do gargarejo, Sérgio Cabral recebia os cumprimentos da atriz Kátia D’Ângelo. “Você veio falar com o Sérgio Cabral ou com o pai do governador?”, perguntou o jornalista à atriz, numa clara referência à guerra que Kátia travou com Estado e prefeitura depois que sua casa foi derrubada pelo Choque de Ordem.
Mas ela queria falar com o autor do espetáculo mesmo e mandou: “Quem é o pai do governador? Não conheço”. Kátia apresentou a Sérgio um jovem pesquisador, que tem gravadas horas e horas de programas de TV dos anos 60 sob o comando de Carlos Manga. É que o jornalista está escrevendo a biografia do diretor que fez história na TV Globo e nas chanchadas. O rapaz saiu de lá com e-mails de Sérgio e tudo.
“Assisti ao ‘Sassaricando’ mais de 50 vezes, no Brasil todo. Com esse não vai ser diferente. Eu gosto de vir naqueles dias em que estou de moral baixo. Na saída, todo mundo me para e diz: ‘Sergio, que maravilha!’. Vou para casa todo contente”, contou ele a PG3.
Depois da apresentação, Gilberto Braga – irmão de Rosa Maria – estava eufórico. Parou o cantor Pedro Paulo Malta, do elenco, e começou uma minientrevista: “Mas vocês não ficaram com medo de se arriscar, depois do impacto do outro espetáculo?”. E o rapaz respondeu: “Ficamos, os espectadores chegam com uma expectativa alta. Mas veem que este é mais pretensioso que o outro; no bom sentido, claro”. E Gilberto rebateu: “Esse é mais audacioso, e isso é que é bom”. Quem sabe, sabe.
Paulinho da Viola, pai da cantora Beatriz Faria, que também está na peça, recebia os cumprimentos pela filha, corujíssimo. “Tenho que estar prosa. Bia canta desde criança, e está dançando muito bem. Tenho vídeos dela sambando à beça com sete anos”, babava.
E o disco novo? “Estou preparando um show bem intimista, em São Paulo, para outubro. E música é assim, a gente vai fazendo devagar. Agora estou de férias”.
A noite também serviu de début para o paranaense Igor Rickli — a cara do ator americano Matthew McConaughey —, protagonista da versão de ‘Hair’ que Möeller e Botelho estreiam no fim de outubro. Mas ele só precisou ser apresentado aos adultos. As adolescentes que faziam fila para tirar fotos com ele já o conhecem da Internet…. É dura a vida da bailarina. Beijo, me liga, até amanhã.
Fonte: O Dia.
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Blog Ronald Villardo:
INSUPORTAVELMENTE PERFEITO. É esta a impressão que tive ao sair do Teatro Casagrande nesta segunda-feira, quando rolou a estreia para a “crasse” do musical “É com esse que eu vou”. O novo de Moeller e Botelho é tão perfeito, mas tão perfeito, que dá raiva. Não tem uma lâmpada que não funcione, um ator errando a marcação, uma derrapada da orquestra, um caco, NADA. É tudo… PERFEITO. É por isso que eu não me canso de aplaudir de pé esses rapazes que fazem história no teatro brasileiro e quando estivermos todos velhinhos e eles começarem a receber aqueles prêmios pelo “conjunto da obra” eu bem vou falar pra todo mundo: “I WAS THERE!”.
COMO SABEM alguns, eu não consigo ouvir samba por muito tempo, acho chato e sem graça, apesar de compreender a importância dele na nossa cultura e de entender o valor artístico de cada uma daquelas músicas, afinal de contas, não sou burro*. Apenas não acho graça em ouvir samba. E por isso mesmo prefiro não comentar os detalhes do espetáculo, temeroso de cometer algum crime contra nossa música. Mas admito que fiquei me perguntando várias vezes no caminho do Leblon se ia assistir mesmo ao “É com esse que eu vou”. A dúvida se foi quando cheguei até a porta do teatro e vi Charles Möeller fumando na calçada do teatro. Fiquei encafifado (já falei que adoro colunistas que escrevem “encafifado”?), tentando entender aquela calma toda que Charles exibia, em dia de estreia. Aliás, eu nem sabia que Charles fumava, o que também foi uma novidade para mim.
RUMEI PARA a bilheteria para colher meu ingresso de imprensa, mas me avisaram que eu estava na outra lista, de convidados especiais. Oba, de repente eu me sento perto da Eliana Pittman e finalmente consigo conversar duas palavras com ela. Afinal de contas, ela já me atropelou numa estreia, quase pisou no meu pé na ouitra e atrapalhou muito uma aula de Kabbalah que fiz em Ipanema. Antes que Eliana Pittman se torne a nova Ana Maria Tornaghi na arte de me perseguir, achei que aproveitar o meu ingresso com assento chique para tentar puxar um papo seria uma boa alternativa.
ISSO TUDO teria dado certo se Pittman estivesse por lá. Senti sua falta. No entanto, Tadeu Aguiar parece tê-la substituído na tarefa de me perseguir. Ele estava na minha fila, depois entrou junto comigo no teatro e, por pouco, não se sentou ao meu lado. Em vez disso, acabei ficando perto do Eduardo Dussek. Isso é que dá eu querer frequentar.
AINDA NA porta do teatro, passei por Maria Pompeu. Adoro Maria Pompeu. Ela tem aquela cara de “dama do teatro” que ninguém conhece direito mas já viu fazendo a mãe de alguém em alguma novela. Lá na frente, Gilberto Braga posava para fotos com uma atriz que me lembrava a Sonia Braga. Eduardo Dussek comentou ao meu lado que “ela tem um rosto absurdo”. Deve ser conhecida. Não sei se vi direito, mas acho que todo mundo ao lado de Braga se sentou, a atriz achou seu rumo, o fotógrafo mirou outro alvo e o autor continuou lá, de pé. Congelado na pose e no sorriso. Nessa hora sempre aparece um amigo, e alguém o tirou daquela condição de estatuísmo, quando ele deve ter finalmente percebido que não havia mais audiência para sua performance. E quem se importa? Gilberto criou Odeth Roitman, ele pode tudo.
CHEGA O PREFEITO. E aí é aquele problema, porque você quer olhar para ele, mas se os olhos dele encontram os seus, dá-se um momento lindo em que ele, sem pestanejar, manda um “Como vai? Tudo bem?” E você se sente o maior idiota do mundo ao responder, tão simpático quanto ele, caindo totalmente no truque mais velho que até o político mais novo usa: o da simpatia de giz. Rende muito voto essa técnica, como sabemos todos.
NA FILA atrás da minha chega Edwin Luisi. E começa a conversar com algumas pessoas ao seu lado – em estreia pra “crasse” todo mundo se conhece – e uma mulher de voz grave é muito simpática com ele.
- Eu vou ver a sua peça!
- Vai sim.
- Mas a Clarinha tá fazendo?
- Ela só volta na semana que vem.
- Quem está a substituindo?
- A fulana (eu não faço ideia de quem seja)
- Ah, então eu vou deixar pra ir quando a Clarinha voltar…
QUE PESSOA ÓTIMA, não? Fiquei quase comovido com o carinho dela pelo Edwin (à esta altura, eu já estava me sentindo parte daquilo tudo, o que justifica tratar as celebridades apenas pelo primeiro nome,. como “o Edwin”.) Mas a moça carinhosa não parou por aí. Virou-se para o outro lado e viu o Menna Barreto, PR do Canecão. Como sempre, muito discreta, ela lhe perguntou, em (muito) alto e bom som:
- E o Canecão? Tá pagando?
NÃO OUVI a resposta do Menna. Antes que a peça começasse, achei que deveria ir ao banheiro. Saí da fila, descobri que aquela dama-do-teatro-que-ninguém-sabe-direito-quem-é-mas-já-viu-fazendo-a-mãe-de-alguém-na-novela estava na minha fila, e corri para o lounge. Tropecei no Charles Moeller! Mas o que este rapaz ainda está fazendo aqui, meu Deus? Não deveria estar lá dentro, cuidando de tudo? E nem falou comigo, cruz credo. Essa gente de teatro é muito estranha.
VOLTEI PARA a minha poltrona, quando o espetáculo começou. Luxo e riqueza, tudo perfeito, como sempre. O único problema (pra mim) era aquele samba todo, mas me concentrei na produção esmerada para chegar até o fim. Foi assim que descobri que tudo dá certo nas produções Moeller e Botelho. Como eu não estava nem aí para as músicas, fiquei ligado em todo o resto. No intervalo, uma pessoa na poltrona da frente se vira e grita “Ronald!”. Era Cabbet Araujo, dono do Fosfobox. Foi ótimo encontrar um amigo por ali. Falamos muito, principalmente sobre o Vovôbox que foi parar no Jô Soares depois da minha matéria na Revista O GLOBO. Fino.
FALEI PRO Cabbet que depois de assistir à entrevista do Sergio Britto que está rolando na Globonews descobri que o ator é o Vovôbox do Teatro. Com um pouco menos de humor, já que fala mal de todo mundo, de Beatriz Segall a Carlos Imperial. Não sabe quem é Carlos Imperial? É do tempo da Maria Pompeu.
NO INTERVALO, uma amiga do jornal decide mudar de lugar e senta-se à poltrona ao meu lado, que estava vazia.
- É que eu passei o primeiro ato todo atrás do Leo Jaime, e além da cabeça grande, ele todo está bem robusto, não consegui ver nada até agora.
ACHEI JUSTA a explicação. Eu sempre ficava preocupado com quem se sentava atrás da Erika Baduh na entrega do Grammy, por exemplo. Com aquele turbante de Margie Simpson não devia restar muita chance para o artista atrás dela conseguir enxergar algo no palco. Cada país tem a Erika Baduh que merece. A nossa é o Leo Jaime.
AO FINAL do musical, aquele problema clássico do Casagrande: muita gente tentando sair pelo funil que a porta do teatro se torna. No empurra-empurra, encontro mais uma vez Charles Moeller, saindo da.. plateia? Como assim? Ele não deveria estar nos bastidores? Foi quando um rapaz moreno que passava ao lado o chamou: “Por aqui, Bruno!”. Oops.Era o Cheataubriand.
* Há controvérsias.
Tags: É com esse que eu vou










Concordando com Ronald Villardo, quando eu ficar velhinho eu também vou dizer “I was there!” com orgulho! Que delícia de musical! E quando a gente ama samba então, fica mais “insuportavelmente” maravilhoso ainda… Quero ver quando chegar o verão e o espetáculo for, se Deus quiser, pra Praça Tiradentes, com “Sassaricando” no outro teatro. Vai parar tudo!
Vida longuíssima à produção, aos autores, ao elenco e a nós fãs, claro, pra podermos ver isso tudo e aplaudir de pé sempre!
Adoro e recomendo!
Ronald vc é INSUPORTAVELMENTE … HILÁRIO !
Não consigo parar de rir … Gente, muito bom o lance da Pompeu, a comparação do Leo Jaime com a Erika Baduh, do diálogo da mulher com o Edwinho e do Sergio Britto como Vovôbox do Teatro, hahhaa
O seu encontro com a Tornaghi e com o Cauby …, em Gypsy, já tinha sido um ‘case’, rsrsrs
Vc é TUDO, com sua irreverência e Humor ferino.
- Que texto delicioso !
Como tb não gosto muito de samba, entendo perfeitamente, como vc chegou ao Teatro, mas tb imagino como vc saiu, porque é IMPOSSÍVEL sair desse Show da dupla M&B, sem ficar absolutamente encantado com a elegância, classe e modernidade da Direção do Claudio e a perfeição desse Show. Então, para os que gostam, ou não de Samba, mas são pessoas inteligentes, é imperdível o Musical “É COM ESSE QUE EU VOU” !
PS. Vc não é burro, o cara fumando na porta do Teatro não era o Charles e quero sentar ao seu lado em HAIR
Só tenho algo a dizer…
I WASN´T THERE…
But I Will!
SOOOONNNNNNNNN
Ei! Queremos os DVDs de tudo o que Moeller e Botelho produziram!