Os diretores Charles Möeller & Claudio Botelho analisam os principais espetáculos em cartaz na Broadway no momento
Estava muito ansioso pra ver a primeira remontagem de “Promises, Promises” (o original é dos anos 60), pois tem um time de criadores de peso! O texto é de um dos maiores comediógrafos de todos os tempos, Neil Simon, baseado no Filme “O Apartamento”, de Billy Wider, com músicas de Burt Bacharach e Hal David. Direção e coreografia do tarimbado Rob Ashford e, ainda pra reforçar, Sean Hayes e Kristin Chenoweth como protagonistas! Claro que foi essa peça que eu escolhi pra ser a primeira da maratona!
Já entramos no clima no overture, com bailarinos dançando todos os temas! A peça se passa em 1962 e tem aquele clima vintage que sempre acaba rondando as remontagens de musicais dessa época. O cenário: o bom e velho ambiente de escritório. Os americanos adoram enredos que envolvem personagens de grandes escritórios, há dezenas de musicais, filmes, séries de TV, todos ambientados e à volta de situações de secretárias, chefes, datilógrafas, telefonistas, até mesmo ascensoristas de grandes corporações.
‘Promises, Promises’ é prima-irmã de “How to Succeed in Business Without Really Trying”, outra obra prima de musical da época! Nada mais machista e sexista que o ambiente de um escritório americano em plenos anos 60, com suas secretárias carreiristas e seus patrões chauvinistas! Ainda não se vivia sob a sombra do politicamente correto e os processos por assédio sexual não eram sequer imaginados!
O tal ‘apartamento’ do titulo original do filme pertence a um novo funcionário da Consolidated Life, Chuck Baster, vivido por Sean Hayes. Por ele morar só, acaba emprestando o imóvel para um colega de trabalho ter um encontro às escondidas com uma colega. A partir daí a notícia da ‘locação’ se espalha e o apartamento se torna um cafofo para encontros amorosos de seus colegas de repartição: todos querem ter um lugar para levarem suas amantes de fino trato, em geral secretárias da empresa. O tal apartamento vira um point e acaba interessando ao próprio chefe do departamento, o mega poderoso JD Sheidrake, vivido pelo altíssimo Tony Goldwyn (que fez dezenas de vilões na TV e no cinema). O chefe deseja ter um lugar privado para levar sua amante Fran Kulelik (Kristin Chenoweth), ironicamente a moça por quem Chuck nutre um amor platônico. Começa aí uma deliciosa comédia de situações, onde Neil Simon é mestre. Sempre impagável!
Produção caprichada, com reconstituição de época detalhada, luz linda, cenários deslumbrantes e figurino impecável. Ótimas coreografias com destaque absoluto para o trio em ‘Turkey Lukey Time’. E o elenco afiadíssimo faz de ‘Promises. Promises’ um programa imperdível!
Mas tudo isso não seria completo sem a cereja do bolo: o talentoso Sean Hayes (dir.). Pra quem não liga o nome à pessoa era o amigo gay afetado de Will na serie “Will & Grace”. Hayes está, inacreditavelmente, estreando na Broadway. A peça é dele! Tem um tempo de comédia ímpar e preciso, e não faz conceção à piada, consegue fazer todas as gags com uma incrível naturalidade. Lembra muito o jovem Jerry Lewis (que ele já retratou em um filme feito para a TV).
A cena em que ele tenta entender e depois se sentar numa ‘la chaise’, (aquela cadeira esquisita de acrílico branco que tem um furo no meio, criada por Charles & Ray Eames e que foi febre de design nos anos 50), já vale o ingresso!
Sou fã de Kristin Chenoweth há muitos anos! A primeira vez que a vi foi fazendo Sally em ‘You´re a Good Man, Charlie Brown’, musical que lhe rendeu o Tony e todos os prêmios daquele ano. Mas virei fã incondicional mesmo quando a vi fazendo ‘Candide’: sua Cunegonde era hilária e hipnotizante. Ela dividia as atenções em cena com ninguém menos que Patti LuPone, no papel da Velha Senhora. A partir daí venho acompanhando de perto seus sucessos, sendo o mais cultuado de todos o personagem Glinda no musical mega ‘popular’ (desculpem o trocadilho) ‘Wicked’.
Na TV tem feito muitas coisas e chegou a ter um show com seu nome: “Kristin”. Ganhou um Emmy por “Pushing Daises”, mas ambos os projetos não foram muito longe. Participou do elenco de Vila Sésamo e atualmente está no elenco do fenômeno ‘Glee’. É uma comediante de mão cheia e uma atriz de voz característica. Adoro esse tipo de voz, muitas vezes rejeitado no Brasil, pois nós brasileiros amamos mesmo as mezzo-sopranos de voz ‘gorda’ ou sopranos dramáticas. Acredito que seja algo cultural, já que nossa MPB recente é, em sua quase totalidade, um enxame de vozes graves. Voz característica, tão normal e apreciada no musical americano, ganha entre nós o apelido de “voz de pato”! Há dezenas de papeis em musicais para essa cor vocal e muitos são de protagonistas. Exemplos de grandes nomes que levaram multidões aos teatros não faltam, sendo talvez a mais cultuada de todas a grande Shirley Booth, que nos anos 50/60 foi uma estrela na Broadway e arrebatava multidões aos musicais que estrelava. Bernadette Peters e Faith Prince são outras estrelas atuais com registros vocais similares. Particularmente, adoro. Não sou exatamente um fã incondicional das atrizes que gritam seus pulmões como leitoas sendo assassinadas no Natal, mas sei que o público jovem em geral as ama.
Mas digo tudo isso para arrematar dizendo que fiquei decepcionado com Kristin em ‘Promises, Promises’. Esse show realmente não é para ela. Está apagada no papel da mocinha, e a apesar de haverem incluído no score duas canções famosíssimas de Burt Bacharach que não faziam parte do espetáculo original (“ I Say a little Prayer “ e “ A House is not a Home”) que são solos para ela, Kristin tem pouco a fazer no papel da amante do Patrão.
Mesmo assim ela ainda é uma delícia em cena, especialmente cantando (em duo com Hayes) o mega hit “ I’ll Never Fall in Love Again” (este sim, escrito originalmente para o musical) no sofá com um violão, num momento totalmente bossa nova.
Acho que o grande problema de Kristin ultimamente é sua aparência: ela tem apenas 42 anos e parece ser tão dependente do botox que está quase se transformando numa boneca de borracha. Muito magra, parece anoréxica, e se não fosse a peruca, a gente mal sabe se ela está de frente e ou de lado. E seu bronzeamento artificial lhe dá um tom Malibu meio alaranjado, quase cor de tijolo, tá estranho! Realmente é complicado envelhecer dentro desta indústria. Espero que ela não se afunde nessa loucura de retocamentos infindáveis, pois é genial e quero poder vê-la muitas vezes ainda sem ter a impressão de que estou vendo um duende. Por uma louca coincidência, no dia em que assistimos ao espetáculo estava sentada perto de nós a própria Bernadette Peters, que citei há pouco. Tão baixinha quanto Kristin e bem mais velha, mas ao que parece levando a idade com mais dignidade e sabedoria.
Pra concluir, quem rouba a peça de Kristin é Katie Finneran, num papel episódico no segundo ato, mas transforma sua entrada em momentos hilariantes e espetaculares. Com uma voz poderosa, faz uma bêbada com seu casaco de pena de coruja antológica. Realmente a mulher é um monstro de talento, e os melhores momentos da peça são dela e de Sean Hayes. Ambos estão indicados ao Tony em suas categorias, além de vários outros prêmios da temporada.
‘Promises, Promises’ cumpre o que promete: é um musical super divertido, adorável de ver, e traz de volta aos palcos um score sensacional de Burt Bacharach, o único que ele escreveu para um musical da Broadway.
Charles Möeller
Créditos das Fotos:
* http://promisespromisesbroadway.com
* Sara Krulwich/The New York Times
* Playbill.com







Puxa, como eu gosto de ler os artigos aqui do site! Ao ler as opiniões dos profissionais mais respeitáveis do meio musical brasileiro me sinto até mais próximo dos grandes. Fico honrado quando coincidentemente minhas opiniões pessoais batem com as escritas por M & B.
E naturalmente, desligo o PC morrendo de vontade de pegar o próximo voô pra NY! hahaaha
Parece que Promisses, Promisses é um must desta temporada!
Obrigado!
Lendo sobre “Promises, Promises” dá uma vontade danada de assistir o musical…pena que NY está tão longe!! Tb sou fã do site e dos textos. Adoro!
Concordo plenamente com sua opinião sobre a Kristin… o papel não é para ela. A personagem é muito apagada para uma atriz de tanta personalidade. A Katie rouba muito a cena não só pelo seu grande talento, mas tbm pq o personagem permite ela mostrar o sabe fazer de melhor. Sean me surpreendeu no papel já que não esperava que fosse ir tão bem quanto foi. O musical é bem divertido mesmo. Não é nenhuma grande maravilha, mas cumpre bem o seu papel!
Charles, que bela crítica. Nela encontramos a mesma qualidade que vemos nos seus trabalhos.
Tomara que o Sean ganhe o Tony de Melhor Ator, para que a temporada se prolongue até o final do ano, quando poderei voltar lá.
Ansioso pelas próximas críticas da dupla.
Adoro esses artigos. Uma pena que Kristin não está se destacando no musical…
Taí, Charles e Cláudio, uma ótima dica de futura montagem/adaptação em palcos cariocas, dica dada por vocês mesmo. Espero que acontessa!
Adoro o Sean e Promises é a peça que não quero perder esse ano, mas em relação ao Tony não sei se ele consegue tirar o melhor ator do pessoal de La Cage.
Charles, você viu algum comentário em NYC em relação a polêmica envolvendo o Sean por conta da crítica que dizia que um ator abertamente gay não convencia como um personagem hetero? Até a própria Kristin escreveu um artigo defendendo o Sean.
Eduardo, o “talentoso” Sean Hayes não vai ganhar o Tony , NÃO !
O Tony of Best Performance by a Leading Actor in a Musical é do Doug Hodge (Albin) !!!!
Ele é simplesmente ARREBATADOR !!!!!
- Vou torcer muitooo por ele, no Domingo !
Adorei a resenha Charles, que venha La Cage, esse sim, o MUST da Temporada
“Promessas,promessas” é mais um dos musicais que ficaram na minha memória e que eu gostaria de rever no Brasil. Assisti a montagem brasileira aqui no Rio de Janeiro, mas precisamente no Teatro Ginástico e além da divertida e deliciosa história, a excelente trilha sonora de Burt Bacharach faz deste musical um espetáculo que consegue agradar a pessoas de todas as idades. Portanto, uma ótima pedida para a dupla Möller&Botelho encenarem no Brasil. Tenho a certeza de que isto já está na pauta dos dois… como “reis dos musicais” eles não perdem tempo!
E assistindo à gloriosa Totia Meirelles em “Gipsy”, estava pensando em que outro novo papel gostaria de vê-la no teatro, e a resposta veio de imediato: que outra grande atriz e cantora no Brasil poderia interpretar Fanny Brice no musical “Funny Girl”, ainda inédito no Brasil, a não ser Totia? Parodiando a música, será que um dia teremos essa chance, “ô meu amigo Charles”? Abraços!
” atrizes que gritam seus pulmões como leitoas sendo assassinadas no Natal, mas sei que o público jovem em geral as ama. ” = Cassie Levy hahahahah
e eu realmente a amo t.t
Maravilha de texto. Louco p ver o musical.
Concordo com VC Charles,“Promises Promises” é do Sean Hayes !
Ele lembra mesmo o Jerry Lewis, sim !
Musicas LINDAS e Cenários deslumbrantes !
Achei a Katie Finneran realmente, sensacional !
Mas, também me decepcionei com a Kristin Chenoweth.
Não tanto pela “cor vocal” (tb não gosto das atrizes que “gritam seus pulmões como leitoas sendo assassinadas no Natal”, rsss), mas pq achei ela muito velha para o personagem e tenho certeza, se fosse aqui, iriam dizer que faltou emoção entre a dupla de protagonistas.
Parecia que cada um fazia o seu Show particular …
É fofa a cena dela cantando com o violão sim , mas aquele botox e aquela magreza toda, tiraram o glamour da Kristin
e deixaram ela sem sal – uma barbie de borracha.
Agora, o que era aquele Maestro – my God !, rsrrs
Genteeee, Maestro não é pra ficar se exibindo mais que os atores em cena – Não !
Aquele do “Hairspray” aqui, no Casa Grande, tb fazia isso …
Será que o Diretor não vê que eles chegam a atrapalhar a peça !
Exemplo de Maestro é o Marcelo Castro, sério, competente, discreto no fosso do Villa Lobos, é absoluto na sua regência e arranjos de GYPSY !
- Viva o Marcelo !!!!!!
Amei “Promises Promises” , me diverti com o texto de Neil Simon, ouvir Burt Bacharach, vale o ingresso, os figurinos, cenários, luz – tudo perfeito.
E as coreografias ! Simplesmente deliciosas !!!!
É imperdível, sim, mas, pra mim, não é o MUST da temporada, não !
Must são “La Cage” e “Sondheim on Sondheim” !!!!!!
Mas isso é assunto para as próximas Resenhas M&B !
Aguardo ansiosa !
Finalmente alguém falou do botox da Kristin! Vergonhoso, vou te dizer…
NAO PAREI DE RIR ATE HOJE DA CENA DA CADEIRA! SENSACIONAL AHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHHAHAH
Acho que o problema com a Kristin Chenoweth não é a idade – é o apego por um tipo de papel…
Tótia é maravilhosa, sem dúvida nenhuma, mas Funny Girl precisa de uma atriz mais nova – É como se quisessemos que a Barbra refizesse o papel nos dias de hoje!
Aiii!! Amei o artigo!! Sou super fã da Kristin desde o citado “Wicked” !!! Amo demais a voz dela, na minha opinião uma das melhores(mas eu nao conheço tanto de musicais, então…)
Adorei o fato de vc ter falado q o palco pertencia ao Sean!!Torcerei mtoo por ele no Tony!! Q por sinal terá a Idina apresentando, né?? YESSS!!(Wicked fan once again)! xD
Preciso mtoo ver esse musical!!
Outro motivo para eu qrer q o Sean ganhe um Tony é pra calar a boca daquele cara q escreveu pra news week um artigo dizendo q gays naõ podem interpretar héteros e citou o Sean em ‘Promises, promises’ como exemplo(além do Jonathan Groff em Glee)!
Corrijam, se possível, a palavra CONCESSÃO (está escrita com Ç). Gosto muito da Kristin. Não sei sobre sua aparência atual. Apenas torço pra que ela não se torne uma versão EUA da Ana Maria Braga. É uma super atriz e cantora. Ouçam sua versão de Taylor, the latte boy. Fiquei super curioso sobre esse espetáculo! Mas já ouvi de outras pessoas a mesma opinião sobre a atuação dela no musical. Abraços a todos.
Dos novos musicais que lançaram esse ano, com certeza “Promisses” seria o que eu mais queria ver. Amo a Kristin desde que vi o video de “Meu Amigo, Charlie Brown” e “Pushing Daisies” (infelizmente cancelada) e adorei sua performance como Glinda. Pena que ela está apagada… Sinceramente, vejo mais problemas na pele laranja do que no botox.. Botox tá tão comum que virou vírgula, mas bronzeamento artificial… pena… espero que ela não se torne o cara do filme “O Lutador”… Amo a voz dela que todos acham horrível!
Parabéns pelos textos!!! É a única fonte para saber como é uma pessoa lá fora! Obrigado M&B!!!
Adoro ler as “críticas” do Charles e do Claudio, são ótimas e sempre aprendo um pouco. Adorei o parágrafo em que descreve a aparência da Kristen, chorei de tanto rir.
Tive a oportunidade de ver este musical e posso dizer que o musical pertence realmente a Katie Finnerman…ela fica menos de 20 minutos em cena e roubo o espetaculo. Suas cenas são impagaveis!
O Sean Hayes esta mt bem no papel mas não consigo deixar de lembrar do seu personagem em Will & Grace pois em algumas cenas ele tem os mesmos maneirismos.
A Kristin Chenoweth esta bem no papel, porem talvez uma outra atriz se encaixasse melhor no perfil. Ela foi a principal razão de euu querer ver este musical pois ela originou o papel da Glinda em Wicked!