O coreógrafo Flávio Salles e as meninas de ‘Gypsy’ durante os ensaios do espetáculo
Há vários motivos para assistir (e adorar) ‘Gypsy’.
Quem gosta de ouvir música de primeira qualidade tem um prato cheio com a orquestra que executa os temas ao vivo. Quem gosta de uma boa história, que reúna ingredientes como relação mãe/filhas, busca do estrelato, superação e romance também vai gostar. Quem curte ver performances que ‘param o show’ encontra diversas na montagem de Möeller & Botelho. Quem gosta de ver crianças dançando e cantando então nem se fale!
No entanto há um motivo a mais para apreciar ‘Gypsy’: a dança e, especialmente, o sapateado.
No espetáculo, são muitos os números dessa arte que consagrou Fred Astaire, Gene Kelly, Gregory Hines, Eleanor Powell e outros mitos da dança.
Por trás do trabalho em sapateado de ‘Gypsy’ está o coreógrafo, professor, coreógrafo, cantor e compositor Flávio Salles, 25 anos de trabalho na dança e proprietário da única escola de sapateado do Rio de Janeiro, a Academia do Tap.
Flávio não teve apenas a difícil incumbência de adaptar as coreografias originais de Jerome Robbins, mas também criou números especialmente para a versão brasileira de ‘Gypsy’.
Nesta entrevista ao Site Möeller & Botelho, Flávio conta como foi seu trabalho em ‘Gypsy, sobre sua paixão por sapateado, entre outros assuntos. Confira.
Flávio, qual foi o seu trabalho na área de sapateado em ‘Gypsy’? Como foi o trabalho de remontagem, adaptação e criação das coreografias de Jerome Robbins?
Lembro-me bem o primeiro encontro que tive com Charles Möeller em uma das muitas seleções para a escolha do elenco infantil e coro do musical Gypsy. Assim que nos cumprimentamos, ele falou: – Flávio, vamos fazer um espetáculo de sapateado? Na mesma hora topei, mesmo sabendo que na verdade, iríamos somente acrescentar um pouco mais de sapateado ao espetáculo. Comecei o meu trabalho estudando e decupando as coreografias originais de Jerome Robbins, através dos vídeos que me foram entregues pela produção. Quando comecei a “remontar”, senti a necessidade de adaptar e criar várias ”frases” em cima dos números originais”. Com a permissão do Charles, isso foi feito em todas as coreografias. Na coreografia dos “fazendeirinhos”, por exemplo, a vaca praticamente não sapateava. Abrir mais espaço para ela sapatear foi bem complicado, porque todas as ligações eram muito bem resolvidas. O resultado dessa coreografia é bastante singelo porém na época foi bem difícil decidir o que eu preservaria para continuar mantendo a estrutura coreográfica. Colocar as mãos, quer dizer, os pés, em números de Jerome Robbins, não foi uma tarefa fácil.
E os números solos (de transição entre cenas)? Como foi seu trabalho de criação deles?
Como se tratava de criação, recebia as músicas em um dia e no dia seguinte estavam coreografadas para serem ensaiadas. A primeira troca de cenário feita por Jorginho e Beatriz (à direita) em “feliz aniversário” fiz pensando nos números do Vaudeville, incluindo uma combinação muito famosa criada na época como é o caso do Buffalo.
Na segunda troca, a do homem “sanduíche”, executada pelo sapateador Otávio Zobaran (à esquerda), quis acompanhar a elegância da música juntamente com um sapateado mais sofisticado. Posteriormente o Charles teve a genial idéia de caracterizá-lo de Al Jolson, o que lhe deu mais elegância, fazendo com que o número ficasse ainda mais afinado.
Na terceira troca, o número precisava ficar completamente integrado a cena seguinte que é quando as louras chegam pela primeira vez em um teatro de verdade. Procurei buscar a teatralidade dentro do contexto, nos movimentos e a afetação das louras candidatas a coristas da época.
Houve também a inserção do sapateado na entrada do “carro” quando a sapateadora Beatriz Tachlitsky e o sapateador Kaio Borges (à direita) atravessam o palco sapateando com placas indicativas do próximo destino, além dos pequenos solos do sapateador Leonardo Valor que foram criados para ele, dentro da coreografia já existente.
Qual é a principal ou as principais características das coreografias originais?
Jerome Robbins é genial em toda a sua obra, que é uma grande referência para qualquer coreógrafo. Ele consegue integrar de forma brilhante todos os números de dança à dramaturgia. É simplesmente perfeito!
Você também participou do processo de seleção na área de dança. Qual era o nível dos candidatos?
Bastante razoável, se pensarmos que, aqui no Brasil, este mercado está apenas engatinhando. Vi muitas pessoas talentosas para o canto que não tinham nenhuma ou quase nenhuma formação em dança, principalmente em sapateado. Os artistas de musicais precisam ser completos, devem representar, cantar e dançar. Tenho certeza de que como o artista brasileiro tem um potencial acima da média, com a crescente oferta de trabalho, este perfil irá mudar.
“A disciplina e o talento de André Torquato foram determinantes para que ele se tornasse a grande revelação do espetáculo”
Em relação aos que foram selecionados, o que você mais destaca, o solo de André Torquato, por exemplo?
O André não foi bem no teste de sapateado. Quando ele foi chamado para mostrar o número que ele havia preparado, fiquei tão hipnotizado por sua voz e pelo seu carisma, que esqueci que ele não tinha nenhuma base prática para fazer o solo do Tulsa, mas tinha certeza de que teria que ser ele. No seu solo, todas as novas “frases de sapateado” foram criadas especialmente para ele. Sua disciplina e seu talento foram determinantes para que ele se tornasse a grande revelação do espetáculo e seu número um dos mais aplaudidos.
E o sapateado? Como entrou em sua vida e o que significa pra você?
Antes do sapateado eu já era músico. Cantei durante muitos anos e na época já fazia aulas de ballet e jazz. Na minha primeira aula de sapateado fiquei completamente fascinado pela possibilidade de juntar percussão com a dança. A partir daí nunca mais parei de sapatear. Sou um amante e luto pelo sapateado norte-americano há muitos anos. Entre outros feitos, sou professor, diretor e proprietário da única escola de sapateado do Rio de Janeiro, coreografei para diversos espetáculos e escrevi o único livro editado na língua portuguesa sobre esse estilo de dança.
Quais são seus musicais preferidos?
Como sou um apaixonado por musicais, fica muito difícil escolher, mas vamos lá! No cinema, An American in Paris, Singin’ in the Rain, West Side Story entre outros. No teatro A Chorus Line, Bring in ‘da Noise Bring in ‘da Funk e Gypsy, é claro.
Como foi participar de uma produção como essa, de Möeller & Botelho?
Para mim, foi uma grande honra e um prazer enorme fazer parte de uma produção deste porte, com essa dupla de craques. Meus sinceros agradecimentos ao Charles e ao Claudio que confiaram no meu trabalho, me deixando completamente a vontade para adaptar as coreografias originais e criar novos números. Desta forma foi possível ampliar o sapateado na versão brasileira de Gypsy e contribuir para o brilho desse lindo espetáculo, vendo o sapateado ser divulgado, pelo menos para quem vai ao teatro, de uma forma digna assim como deve ser. O resultado está ai, não é um musical de sapateado, mas o sapateado tem uma presença bastante forte, bem maior do que a do original. Quero agradecer a todos com quem tive o privilégio de trabalhar. Produção, equipe técnica, equipe de criação, direção, elenco enfim… a relação que foi estabelecida durante esses meses juntos, alguns mais de perto, outros nem tanto, mas todos muito queridos. Obrigado Janice Botelho, Ana Corina Amanajás e Orlando Leal pelo lindo trabalho, parceria e cumplicidade e por podermos ter vivenciado e trocado tantas emoções, choros, risos e muitas gargalhadas.
ACADEMIA DO TAP
Direção: Flávio Salles
Rua Visconde de Pirajá, 235, sala 101
Ipanema – Rio de Janeiro – RJ
CEP 22410-000
Tel.: (0xx21) 2287-4090
Site: http://www.academiadotap.com
Veja mais fotos do trabalho de Flávio Salles em ‘Gypsy’:
Flávio Salles ensaia coreografia dos rapazes de ‘Gypsy’
Flávio e a coreógrafa e professora de dança Janice Botelho
Ensaio das moças
Thayani Campos, a Baby June
Leonardo Valor (à dir.) tem um solo de sapateado
Renata Ricci (June) e Caroline, a vaquinha sapateadora
Carolina Ebecken e Viviane Rojas. Carol tem um pequeno solo na coreografia das Louras de Hollywood
Giselle Lima na coreografia das Louras de Hollywood
Beatriz Tachlitsky e Jorge Amorim
Julya Dalavia e Hannah Zeitoune ensaiam coreografia de Baby Louise e Baby June
Meninas no ensaio
Otavio Zobaran: o Homem-Sanduíche
Mais uma das ‘Louras de Hollywood’
Equipe de Dança de ‘Gypsy’: Flávio, Janice, Ana Corina e Orlando
Fotos: Leo Ladeira. © Copy Right: Site Möeller Botelho.
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Tags: Flávio Salles, Gypsy





















As coreografias são perfeitas !!! Parabens
Não sabia que a versão brasileira possuía coreografias inéditas, criadas pra cá. Parabéns ao Flávio e ao Charles por ter criado esse ‘espetáculo de sapateado’. Viva o sapateado!
Fica parecendo mais que repetitivo, mas fazer o quê? Só dizer PARABÉNS ao mestre do sapateado, Flavio Salles e a toda equipe responsável pelos lindos números de sapateado.
O Flávio, além de muito querido, é um mágico, daqueles que se apaixona pela complexidade da mágica, simplesmente pelo encantamento que ela proporcionará a ele e aos espectadores!
O talento e a disciplina do André fizeram a diferença sim, Flávio, mas só com um mestre como vc a superação foi realmente possível. Falo da história que conheço mais de perto, com a certeza que isso também se deu em relação aos outros desafios que vc aceitou e transformou em Gypsy!
Parabéns e obrigada por tudo isso!
Vivenciamos a força do mestre na vibração dos pés dos seus alunos. Parabéns Flávio por sua obra!
Parabéns Flávio, lindo trabalho! Beijos, Angely
Parabéns !!! Por mais esse lindo trabalho !!!
Saudades ! Bjs.
Patricia.
meu amado mestre,do sapateado e da vida!com seu karisma,sua competencia, sua elegancia,e seu amor pelo que faz,consegue “tirar leite de pedra!”vide o que vc. fez na tv globo,com aquele catador de lixo,que sapateou simplesmente”singing in the rain”,voce é magico,parabens por todo o seu trabalho,te amo, beijo grande,marta pe
Grande Flavio Salles !!!!
A dança talvez possa ser considerada uma das mais antigas formas de expressão corporal e artística de homem. Historicamente os movimentos corporais sempre estiveram presentes na evolução humana sendo uma necessidade cultural e social .
A dança , o ” SAPATEADO ” , representa uma forma instintiva de comunicar-se através do corpo por meio de padrões próprios de movimento.
Pode-se afirmar que em nosso caminhar pela vida, existe uma intencionalidade, um objetivo a ser alcançado : A totalidade do SER ( corpo , espírito , coração )
A dança pode proporcionar essa satisfação e esse viver tão almejado por todos nós .
Já dizia o filósofo alemão Friedrich Nietzsche :
“EU SÓ ACREDITARIA EM UM DEUS QUE SOUBESSE DANÇAR ”
PARABÉNS!!!!
A “ARTE de SAPATEAR ” é simplesmente um encontro com DEUS : NAMASTÊ !!!!!
Com carinho ,
Guerreira de Luz
Voltando aqui para acrescentar algo que não poderia deixar de ser LEMBRADO :
– PARABÉNS à toda “EQUIPE” que assessora o Flavio !!!!
A “UNIÃO” faz FORÇA !
SHOW !!!
Com carinho ,
Guerreira
Parabéns Parabéns Parabéns!!! Mais um trabalho incrivél. Flávio fez pessoas que nunca tinham sapateado antes se tornarem revelação do espetáculo. As coreografias são perfeitas! Grande Mestre, excelente coreografo e muito apaixonado pelo que faz! Tem o dom de ensinar como ninguém! Parabéns mais uma vez, por todos seus lindos trabalhos e por tudo que você ensina e transmite a todos que tiveram o prazer de conviver e aprender com você, seja trabalhando junto ou sendo seu aluno! Meus aplausos para você serão sempre de pé! Um beijo e todo meu amor ao grande Mestre do sapateado e parabéns pelo dia de hoje! Você merece todo reconhecimento do mundo! Beijos!
Krishna!
Cada detalhe da peça foi uma bênção ao teatro musical brasileiro. Podem vangloriar-se meninos. Valeu a pena cada empenho, cada trabalho individual, cada coreografia e dedicação coletiva. Parabébs! Muito bacana! Um abraço da Noêmia.
E ontem foi o Dia Mundial do Sapateado! Parabéns aos sapateadores! ;D
Acho sapateado uma coisa linda, sempre quis aprender… mas é difííícil…
Adoreeeeei o musical, do inicio ao fim! E é claro, adorei ainda mais as partes do sapateado né? Ainda mais tendo o selo de qualidade Flávio Salles! É muito bom ver essa arte que amo tanto num palco, realmente precisamos de mais musicais de sapateado!! Muito mais!
Um grande beijo e parabéns a todos!!!!
O espetáculo é lindo, com sapateado então!!Flávio é um ótimo professor!Como o espetáculo ficou bonito com o “tap”.Parece que ele faz mágica com os nossos pés, no começo você pensa que aquilo é impossível, mas com esse professor você vê que é mais fácil, por causa de sua disciplina.Ensina, explica, mostra.Faz tudo para que todos entendam e saibam fazer.Ótimo profissional, muuuito bom aprender sapateado com Flávio Salles!
Precisamos de mais espetáculos com sapateado!!
O Flávio é realmente um profissional incrível, ótimo professor e uma pessoa muito querida.
As aulas que tive antes do Gypsy foram essenciais para o meu desempenho no espetáculo…Em breve estarei de volta na academia! =)
Trabalhar com ele foi muito bom, espero ter esse privilégio ainda muitas e muitas vezes.
O Flávio é um ótimo profissional. Adoro ele. E acho que o sapateado tem que ser mais valorizado aqui no nosso país. Espero que surjam outros musicais tão belos como esse.
Parabéns ao mestre de sapateado Flávio Salles. Vi duas vezes Gypsy simplesmente porque adoro ver crianças no palco dançando,
cantando e atuando. E o elenco é excepcional, cheio de talento, aliás o Brasil está cheio de jovems crianças e adolescentes com muito talento e que merecem ter mais oportunidades para participarem em espetáculos principalmente de sapateado. Temos um grande mestre e coreógrafo – vamos lá gente!
Parabéns ao coreógrafo Flávio Salles pelo excelente trabalho.
Além do elenco, que diga-se de passagem, foi super bem escolhido, com desempenhos magistrais da Totia e da Adriana, a inserção dos números de sapateado, super bem executados, com coreografias desenhadas de acordo com a época em que se passa a história do espetáculo, deram uma dinâmica a montagem brasileira, fazendo com que o tempo das trocas de cenários fossem despercebidas do público.
Parabéns Flávio!Isso é muito pouco para uma pessoa tão especial como você. Realizar sonhos de pessoas apaixonadas pela arte do sapateado é para poucos, e isso você sabe fazer e muito bem. Acreditar no talento e apostar que aquele sapateador(a) vai longe não é difícil para alguém como você que é tão sensível e que ama o que faz.
Todos os musicais que se propuserem a enriquecer com o sapateado não podem deixar de conhecer o MESTRE FLÁVIO SALLES!
Parabéns!Parabéns!!Parabéns!!!
Beijinhos carinhosos!
“Ao meu mestre com carinho”
O que falar dessa pessoa ímpar?!
“Tio Flávio”, o mundo do sapateado só tem a te agradecer!
O que seríamos de nós, sem você?
Obrigada por toda dedicação, paciência e sabedoria de um mestre inegualável, dessa arte tão especial e que amo e admiro tanto.
Quanto ao Gipsy, o que era “pontuado e ligado”, ganhou muito mais cor e tempero com o excelente trabalho que fez.
Muitas e muitas vezes Parabéns!!!!!
E que este seja o primeiro de muitos que venham a acontecer.
Beijos em seu coração,
Pathy Carillo.
Gostei muito do musical Gipsy, principalmente do primeiro ato.
As coreografias do sapateado, na minha opinião, foram o ponto alto do espetáculo.
Graças ao Flávio Salles todas as coreografias do sapateado estavam simplesmente maravilhosas.
Quero exaltá-lo. Onde tem a mão do mestre Flávio Salles tudo cria luz, energia. Tanto as crianças como os adolescentes apresentaram uma performance impecável. E todos nós sabemos que uma boa performance depende principalmente do que foi passado pelo coreógrafo, exaustivamente quase sempre.
Flávio Salles você não nos surpreendeu porque você é sempre magnífico.
Há dois anos atrás você Flávio Salles transformou um catador de lixo de São Paulo em um Gene Kelly.
Foi emocionante ver o catador no programa Lata Velha do Luciano Hulk, sapateando. O que parecia impossível estava ali diante dos nossos olhos perplexos.
Como se diz no norte Flávio Salles tira leite de pedra, se necessário.
Pena que no final do segundo ato não houve um grande final com os sapateadores. Não sou a Bárbara Heliodora, mas que faltou, faltou sim!
Parabéns mais uma vez mestre dos mestres, como sempre – GENIAL,
MAGNÍFICO !
Master Flávio,
como dizia Mr Cole Porter,
YOU’RE THE TOP!!!!!!!!
da sua eterna aluna e fã,
Ana
[...] – Flávio Salles: O Mestre do Sapateado [...]
Tio Flávio, descanse se em paz. Que os anjos aí no céu aproveitem tudo o que você tem para ensinar, muitos shuffles, ballchanges, flaps e steps. TAP beijos.