Ada Chaseliov assume a existência de uma despretensiosa competição entre as atrizes que mais participaram dos espetáculos de Charles Möeller e Claudio Botelho. Na “disputa” estão Ivana Domenico, Gottsha e a própria Ada, que integra os elencos dos musicais da dupla desde o primeiro, o irreverente As malvadas. Mas, mesmo se não for a mais frequente, Ada conta com algumas especificidades em relação às suas “concorrentes”: é uma atriz que marca presença constante em musicais, mesmo sem ser propriamente cantora; e conheceu Charles e Claudio em fases diversas de suas carreiras, antes de passarem a capitanear os musicais que vêm agitando, ao longo dos anos, a temporada carioca. A partir de sexta-feira, Ada volta aos palcos em nova produção de Möeller/Botelho: Gypsy, em cartaz no Teatro Villa-Lobos, na qual interpreta a stripper Electra, formando com Sheila Matos e Liane Maya um trio que contrasta com uma até então pudica Louise (Adriana Garambone), atriz secundária em inocentes números do teatro de variedades conduzidos com mão de ferro pela mãe, Rose (Totia Meireles).
É a sétima vez que Ada aparece num musical de ambos. Anteriormente foi vista, além do já citado As malvadas, em O abre alas, Cole Porter – Ele nunca disse que me amava, Cristal Bacharach (substituindo Totia), Ópera do malandro e A noviça rebelde. O passado, porém, não garantiu a conquista de um lugar em Gypsy. Afinal, diferentemente da governanta de A noviça rebelde, a atriz teria que cantar.
– Fiz teste. Voltei a estudar canto com Mirna Rubim – conta Ada.
Aprovada, viu-se diante do desafio de interpretar uma stripper decadente do teatro burlesco.
– As pessoas acham que eu sou muito séria. Não é verdade. Gosto do escracho. As personagens certinhas não são o meu forte. Além do mais, ator não pode ter pudor – sublinha, evocando suas participações em As malvadas e Ópera do malandro.
Gypsy proporciona o contato com as letras de Stephen Sondheim, compositor visitado por Charles e Claudio em Company e Lado a lado com Sondheim.
– Sou alucinada por Sondheim. É meu compositor favorito – confessa Ada.
Apesar de não ser exatamente o que se convencionou apelidar de cantriz, e sim uma atriz que canta, Ada Chaseliov participa de musicais desde o início de sua carreira, valendo mencionar Missa leiga, texto de Chico de Assis musicado por Claudio Petraglia, e Mahagonny, a cidade dos prazeres, com canções de Kurt Weill, montagens dirigidas por Ademar Guerra.
– Ademar foi a paixão da minha vida. Aprendi tudo com ele – comenta Ada, a respeito do diretor que montou Hair, um dos próximos projetos de Möeller/Botelho.
A partir daí, enveredou pelo chamado teatro de texto.
– Sinto falta de interpretar textos importantes da dramaturgia universal, apesar de adorar os musicais – lamenta. – Mas hoje em dia não conseguimos mais fazer teatro com a renda da bilheteria.
Em décadas passadas, esteve em Murro em ponta de faca, montagem de Paulo José para a peça de Augusto Boal; El dia que me quieras, versão de Luiz Carlos Ripper para o texto de José Ignácio Cabrujas que lhe rendeu muitos elogios; O jardim das cerejeiras, elogiada montagem de Paulo Mamede para a peça de Tchecov; e A gaivota, novamente Tchecov, ocasião em que se aproximou de Charles Möeller, que participava como ator do espetáculo de Jorge Takla.
– Nós ficamos bem amigos e começamos a procurar um texto para montar. O objetivo inicial era que Charles fizesse como ator – recorda. – Até que ele disse que tinha uma ideia para escrever um texto. Assim surgiu As malvadas.
Charles Möeller evoca o início da amizade.
– Tínhamos nos visto rapidamente na época de Exorbitâncias, encenação do Antonio Abujamra, mas estreitamos contato em A gaivota. Foi um processo sofrido, e nos unimos. Na sequência pensamos em trabalhar com Abujamra e em fazer À margem da vida, mas não deu certo – diz Möeller, referindo-se à célebre peça de Tennessee Williams. – Gosto de ter Ada por perto. É uma presença sólida, inclusive para quem está começando a trabalhar comigo e com Claudio.
Ada Chaseliov também conhece Claudio Botelho de longa data, mais exatamente da ousada montagem de Sergio Britto para O casamento branco, de Tadeus Rosevits, na qual substituiu Tamara Taxman.
– Eu tocava piano e violão no espetáculo. Depois comecei a trabalhar com Charles, e Ada ficou do nosso lado em momentos difíceis. Às vezes, pensamos nela para tarefas inglórias, como a de substituir Totia em Cristal Bacharach, porque sabemos que tem plenas condições de resolver o papel – elogia Claudio.
De fato, Ada deu conta de algumas substituições no decorrer do tempo. Depois de O casamento branco, entrou no lugar de Guilherme Corrêa em Os fantástikos, musical em que Claudio trabalhava como ator e Charles assinava cenário e figurinos.
– Fiz um fim de semana em Fortaleza. Em vez de ter um pai, Chiara (Sasso) passou a ter uma mãe – conta Ada, que, mais recentemente, substituiu Debora Duarte em A ratoeira, de Agatha Christie.
Apesar de toda a sua dedicação aos musicais (além dos trabalhos com a dupla, fez outro espetáculo do gênero, De Getulio a Getulio, dirigido por Sergio Britto), Ada só conheceu a Broadway nova-iorquina ano passado – na companhia, justamente, de Charles Möeller e Claudio Botelho.
– Vimos 10 musicais. Adorei Billy Elliot, Wicked e Hair. Mas achei chatas as músicas de O fantasma da ópera – critica.
Daniel Schenker
Jornal do Brasil – 30/04/10
Tags: Ada Chaseliov, Gypsy







Adorei ver a Ada como Electra!!! Depois de uma (quase) sisuda governanta vemos uma escrachada stripper num dos melhores números musicais de Gypsy!!!
Parabéns para ela e muita merda!!!
Ada, Sheila e Liane, na minha opinião, são o MELHOR de Gypsy!!
Querida Ada vc merece, é um caminho percorrido com talento e presença constante .Fico feliz em estar pelo menos em 3 destes encontros, Fantastikos, Noviça e agora Gypsy..e tu sempre mandando ver.. espero por muito mais…adorei, sucesso sempre!!! bjzzzz zaida
Me divirto muito com ela em gypsy ! hahaha
Que legal essa entrevista!! Adorei saber mais sobre a Ada! Tah arrasando de Electra!!!
Adorei a entrevista!!! A Ada é um show!!!
Adaaaa!! Nossa…definitivamente D. Ada é um dos pontos altos da peça. Sou sua fã. É uma atriz maravilhosa, das melhores que conheço. Mesmo com a platéia mais gelada, não tem como não arrancar risos quando ela acende as lampadinhas hehehehe.
Ela é unânime.
Parabéns pelo belíssimo trabalho em Gypsy, querida!