Sassaricando
2007
“As marchinhas são muito mais uma presença marcante no inconsciente coletivo do nosso povo do que motivo de saudades”. Baseados nesta afirmação, a historiadora Rosa Maria Araújo e o jornalista e crítico Sérgio Cabral criaram o musical de maior sucesso de 2007, “Sassaricando – E o Rio Inventou a Marchinha”.
“Estávamos convictos”, afirma Sérgio Cabral, “de que poucas manifestações refletem com tanta exatidão a criatividade do compositor do Rio e o espírito carioca. Verdadeiras crônicas, elas contam a história da cidade e as qualidades e os defeitos do seu povo, quase sempre sem abrir mão do deboche e da malícia. Vão do lirismo ao esculacho, mas são permanentemente carioquíssimas. São, enfim, músicas que, ao mesmo tempo em que nos remetem a carnavais inesquecíveis, conservam a juventude que encanta as crianças de todas as idades. Em outras palavras, são eternas”.
A marchinha surgiu no Carnaval carioca de 1899 com o Ó Abre Alas, de Chiquinha Gonzaga, feito de encomenda e inspirado num cordão carnavalesco do bairro do Andaraí: o Rosa de Ouro. Foi aí que começou a pesquisa de Rosa. Tão deliciosas que “serviram de isca” para que Sérgio e Rosa Maria reunissem uma equipe que, segundo eles, é uma espécie de seleção brasileira dos espetáculos musicais. Os dois escolheram quase uma centena de canções compostas pelos craques Noel Rosa, Lamartine Babo, Haroldo Barbosa e João de Barro, o Braguinha, entre outros, para fazer uma crônica da vida e dos costumes do Rio de Janeiro.
Todo este material ganhou vida no palco através de um elenco afinado de veteranos como Eduardo Dussek, Soraya Ravenle e Sabrina Korgut, além dos novatos em musicais Pedro Paulo Malta, Alfredo Del-Penho e Juliana Diniz. São eles, nas palavras de Sérgio Cabral, os responsáveis por comunicar ao público que, felizmente, os grandes intérpretes das marchinhas – Francisco Alves, Blecaute, Emilinha Borba, Marlene, Araci de Almeida, Jorge Goulart, Mário Reis, Carmen Miranda, Sílvio Caldas, Anjos do Inferno e tantos outros, têm sucessores.
Com direção de Claudio Botelho, o musical apresenta um desfile de cem marchinhas carnavalescas dividido em dois atos, com uma banda tocando ao vivo, reunindo a nata dos instrumentistas cariocas: dos irmãos Henrique e Beto Cazes a Silvério Pontes, Oscar Bolão e Dirceu Leite. Renato Vieira fez a coreografia e Charles Möeller, os cenários, enquanto Marcelo Marques e Paulo César Medeiros se ocuparam, respectivamente, dos figurinos e da iluminação. A direção musical foi de Luís Filipe de Lima. Rosa Maria e Sérgio ouviram mais de mil marchinhas até fazer uma pré-seleção com 400. Finalmente chegaram às cerca de cem que, juntas, “formam um painel de como era a vida na cidade”, diz Rosa.
Equipe de Criação:
Concepção, Pesquisa e Roteiro:
Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral
Direção:
Claudio Botelho
Direção musical e Arranjos:
Luiz Filipe de Lima
Coreografia:
Renato Vieira
Cenário:
Charles Möeller
Figurino:
Marcelo Marques
Iluminação:
Paulo César Medeiros
Assistente de Direção:
Tina Salles
Elenco (1ª Temporada):
Eduardo Dussek
Soraya Ravenle
Sabrina Korgut / Maria Netto / Ivana Domenico
Alfredo Del-Penho
Juliana Diniz
Pedro Paulo Malta
Elenco 2009 e Temporada São Paulo:
Eduardo Dussek
Inez Viana
Alfredo Del-Penho
Juliana Diniz
Pedro Paulo Malta
Beatriz Faria
Músicos:
Luís Filipe de Lima – Violão 7 cordas
Henrique Cazes – Cavaquinho
Dirceu Leite – Sopros (Flautas, saxs e Clarinete)
Fabiano Segalote – Trombone
Gilson Santos – Trompete
Oscar Bolão – Bateria
Beto Cazes – Percussão
Veja fotos de “Sassaricando – E O Rio Inventou a Marchinha”:


