Gloriosa
2008/2009
A comédia musical “Gloriosa – A Vida de Florence Foster“, de Peter Quilter, é inspirada na vida da soprano norte-americana Florence Foster Jenkins (1868-1944), que apesar de não acertar uma única nota musical acreditou no sonho de ser cantora até o fim. Gravou discos, seus recitais viviam lotados e fez muito sucesso mesmo sendo totalmente desafinada. Mas ela jamais desconfiou de seu talento. O texto do espetáculo privilegia os dez anos finais da vida da soprano, a partir de sua parceria com o pianista Cosmé McMoon.
“A interpretação de Florence era terrível, mas parecia indiferente a isso, acompanhando seu suicídio vocal com poses artísticas e saltos ocasionais ao redor da sala”, comenta sobre a personagem o autor, Peter Quilter.
“Gloriosa” teve sua estreia mundial em agosto de 2005, no Birmingham Repertory Theatre, na Inglaterra, e tornou-se a peça mais vendida na história daquele teatro. Foi apresentada, com casa lotada, em várias cidades do país até estrear em Londres, onde teve ótimas críticas e permaneceu por seis meses no Duchess Theatre. Em 2006 e 2007, ”Gloriosa” foi encenada em mais de 20 países, em todas as partes do mundo – Alemanha, Holanda, África do Sul, Canadá, Austrália e Estados Unidos, entre outros. No Brasil a peça permanecia inédita.
Quem foi Florence Foster Jenkins
Florence Foster Jenkins era motivo de piadas na Nova York dos anos 40. Mesmo assim, os ingressos para os recitais que protagonizava no Ritz-Carlton Hotel eram disputados a tapa. No meio de seu público estavam nomes como Cole Porter e Noel Coward, a quem a soprano oferecia repertório requintado, com músicas de Mozart, Verdi e Strauss. E uma peculiaridade: conseguia as piores interpretações que estes compositores já tiveram em toda a História! Apesar de boa pianista, Florence era desafinadíssima como cantora, um terror. Tanto que ficou conhecida como “A diva do grito”.
Nascida em 1868, na pequena Wilkes-Barre (Pensilvânia), desde criança Florence sonhava ser cantora lírica. O pai, Charles Dorrance Foster, um banqueiro bem-sucedido, ao notar o resultado das primeiras aulas de canto da filha, logo recusou-se a pagar seus estudos. Mas a moça não desistiu e fogiu de casa para continuar dedicando-se ao canto. Casou-se, descasou-se e ficou na pior até o pai aceitá-la de volta, com a condição de que abandonasse a carreira. Ela concordou. Mas, após a morte do Sr. Foster, Florence retomou seu grande sonho, aos 41 anos de idade. Agora, milionária.
Ela alcançou o ápice da carreira aos 76 anos com um concerto, considerado o acontecimento “artístico” do ano em Nova York, no famoso Carnegie Hall. Os ingressos se esgotaram em poucas horas e cerca de duas mil pessoas ainda tentaram, sem sucesso, comprar bilhetes de algum desistente na porta do teatro. Entre uma música e outra havia intervalos enormes para que Florence mudasse o figurino. Sua roupa com asas — chamada “Angel of inspiration” — tornou-se um clássico.
A Versão Brasileira
Em 2004, quando fazia sucesso na peça Mademoiselle Chanel, Marília Pêra foi consultada pelo diretor daquele espetáculo, Jorge Takla, para participar da versão nacional de Souvenir, peça do americano Stephen Temperley que traz um resumo da vida de Florence. “Eu não a conhecia e, antes de iniciar minha pesquisa, Jorge me comunicou que convidaria Bibi Ferreira para o papel”, explica. “Assim, esqueci completamente dela.”
Na mesma época, os diretores e produtores Charles Möeller e Claudio Botelho também se interessaram por Souvenir. “Vimos na Broadway e imediatamente pensamos em montar com Marília”, conta Möeller, que desistiu ao descobrir o interesse de Takla. “Logo depois, e por uma incrível coincidência, outros produtores, Sandro Chaim e Claudio Tizo, nos apresentaram Glorious!, que conta a mesma história, desta vez na versão inglesa e com uma outra visão, a do autor Peter Quilter. E demos sorte, porque se trata de um texto mais teatral, mais engraçado, um antimusical.”
Imediatamente, a dupla apresentou o desafio para a atriz que, estimulada, iniciou o processo de preparação. Gloriosa mostra os últimos dez anos de vida de Florence Foster Jenkins quando, rica e excêntrica, junta-se ao pianista Cosmé McMoon para formar uma dupla inseparável. “Ele precisava de um emprego e ela, de um músico. Logo, surgiu uma parceria também carinhosa, pois Cosmé a acompanhou até os últimos anos de sua vida”, conta Marília.
A versão brasileira tem tradução de Marisa Murray e adaptação de Claudio Botelho.
Marília Pêra empresta toda a sua experiência como intérprete e cantora a uma personagem que poderia ficar reduzida apenas a um retrato cômico de uma mulher sem noção da realidade. A atriz, como Florence, aparece com toda sua grandeza – do patético ao sublime, do ingênuo ao arrogante – numa mistura de solidão e bravura a serviço de uma arte absolutamente singular.
A atriz acredita que Florence tinha uma vaga percepção de que não cantava bem. “Mas ela nem pensava nisso, creio eu, tamanho o amor que tinha pela música e a necessidade de estar cercada do aplauso. Na verdade, acho que ela não queria ter essa consciência”, conta.
O espetáculo exigiu uma grande preparação de Marília Pêra. “A composição desta personagem foi extremamente difícil para mim porque passei a minha vida inteira aprendendo a cantar e me aprimorando. De repente, tenho que fazer justamente o contrário, desafinar. Foi uma verdadeira desconstrução da minha voz”, diz a atriz.
A atriz Guida Vianna vive três papéis – Maria, a empregada; Dorothy, a amiga; e Verinda, a mulher que humilha Florence durante um recital. “Sou um coringa no espetáculo e os personagens são bem diferentes, o que tem me estimulado muito. Tem sido maravilhoso e um privilégio estar ao lado de uma atriz com o talento da Marília. E a história de Florence é fascinante. Chega a ser surreal, se não fosse uma história verdadeira”.
O ator Eduardo Galvão vive o pianista Cosmé McMoon. “Meu personagem é um homem que entrou na vida de Florence por causa do dinheiro, afinal ele precisava tocar para sobreviver e ganhava relativamente pouco nos restaurantes onde trabalhava. Mas, com o passar do tempo, Cosmé adquire um carinho enorme por ela e fica ao seu lado até o fim. Está sendo fascinante fazer”, conta.
Na direção do espetáculo estão a dupla Charles Möeller e Claudio Botelho, os mais importantes nomes dos musicais brasileiros da atualidade. Muito embora “Gloriosa” não se encaixe no gênero musical propriamente dito, trata-se de uma comédia onde a música é a chave das situações. Conhecidos pelo acabamento e qualidade de suas produções (“A Noviça Rebelde”, “Sweet Charity”, “Ópera do Malandro”, entre outras), Möeller e Botelho trazem uma visão aprofundada do ícone Florence Foster Jenkins.
A peça conta ainda com a colaboração de profissionais de primeira linha, como Kalma Murtinho nos figurinos, Paulo César Medeiros na iluminação, Rogério Falcão na cenografia, numa produção de Sandro Chaim e Claudio Tizo.
O espetáculo faz turnê por algumas cidades brasileiras (como Porto Alegre, Brasília e Niterói), antes de estrear no Rio (em janeiro de 2009), onde inaugurou o Teatro do Fashion Mall.
Em 5 de junho de 2009, “Gloriosa” estreia temporada em São Paulo, no Teatro Procópio Ferreira.
Equipe de Criação
Texto:
Peter Quilter
Tradução:
Marisa Murray (adaptação: Claudio Botelho)
Direção:
Charles Möeller
Direção musical:
Claudio Botelho
Figurinos:
Kalma Murtinho
Cenografia:
Rogério Falcão
Iluminação:
Paulo César Medeiros
Cordenação Artística:
Tina Salles
Designer de Som:
Marcelo Claret
Programador visual:
Darlan do Carmo
Diretor de produção:
Sandro Chaim
Produtores associados:
Sandro Chaim e Claudio Tizo
Realização:
Chaim Produções
Elenco:
Marília Pêra
Guida Vianna
Eduardo Galvão
Apresentações:
Temporada RJ:
Temporada SP: Teatro Procópio Ferreira – 05/06 a 02/08 de 2009
Veja fotos de “Gloriosa”:
Fotos: Robert Schwenck, Wilson Melo, Fabrício Barreto, Leo Ladeira, Teresa Mascarenhas.


