Avenida Q


2009

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Imagine um lugar onde convivem em harmonia moças e “monstras” de família, artistas frustrados, ex-celebridades, trabalhadores, desempregados, devassas, solteironas amarguradas, orientais ranzinzas, gays com um pé fora do armário, tarados virtuais, ursinhos de pelúcia maléficos, humanos e bonecos igualmente desbocados e irreverentes.

Esta é a ‘Avenida Q’, musical que surgiu de mansinho em 2003 no circuito Off-Broadway, no Vineyard Theater, quando o espetáculo venceu o prêmio Lucille Lortel Outstanding New Musical, bem como uma nomeação para o prêmio Outer Critics Circle Outstanding Off-Broadway Musical.

Apenas quatro meses depois, estreou no Golden Theater, de onde nunca mais saiu de cartaz, sagrando-se vencedor de três Tony´s (Melhor musical, melhor música original e melhor libreto).

O sucesso de ‘Avenida Q’ na Broadway foi tamanho que logo o musical ganhou uma versão em Londres, agraciada com o Variety Club Award de melhor musical.

‘Avenida Q’ chamou a atenção desde o início por seu formato inusitado, ao mesclar personagens humanos com bonecos, manipulados pelos atores que permanecem em cena durante todo o espetáculo. À primeira vista, esses bonecos podem remeter ao universo infantil e lúdico de programas célebres como ‘Vila Sésamo’ e ‘Muppet Show’ – fontes de inspiração declarada dos criadores Robert Lopez e Jeff Marx, que assinam letra e música, ao lado de Jeff Whitty, autor do libreto. Entretanto, canções como ‘Se você for gay’ e ‘Todo mundo é meio racista’ não deixam dúvidas de que o alvo do espetáculo são os maiores de idade. O diretor Charles Möeller é enfático: “Avenida Q é um musical de bonecos para adultos”. Claudio Botelho, autor da versão brasileira, complementa: “É o mais irreverente dos musicais atuais”.

Charles e Claudio assistiram o musical na Broadway e foi paixão à primeira vista. “Saí de lá completamente alucinado, com a certeza de que montaria no Brasil, mesmo sendo um musical tão diferente, com o uso de bonecos, que é um elemento com o qual jamais imaginei trabalhar”, revela Möeller. “Depois assisti à versão londrina e percebi que o humor é universal e o espetáculo atrai a juventude de forma impressionante. Os adolescentes iam com camiseta, botton, gorro. Os bonecos viraram uma celebridade”, complementa.

A ousadia do musical conquistou Charles Möeller. “Acho corajoso montar, em tempos tão politicamente corretos, um espetáculo que não tem medo de ser politicamente incorreto e de mexer com tabus como racismo, homossexualidade, sempre com muito humor e ironia. A peça discute temas profundos de uma maneira muito leve”, afirma. “O espetáculo fala desses assuntos sem meias palavras”, acrescenta Botelho.

O musical conta a história de Princeton, um jovem recém formado que parte em busca de uma nova vida na capital, carregando grandes sonhos e pouco dinheiro no banco. Ele aluga uma moradia na Avenida Q (ele começa tentando na Avenida A, onde vivem os ricos). Lá conhece Brian, o comediante desempregado, e sua noiva, a terapeuta sem clientes JapaNeuza; Nicky e seu companheiro de quarto Rod — um bancário conservador que esconde um segredo. Há ainda Trekkie Monster, um viciado da Internet, Kate, a graciosa professora-assistente do jardim de infância, a fogosa Lucy de Vassa, os ursinhos do mal e a Dona Coisa Ruim, além do superintendente do edifício, que é um antigo astro mirim da televisão (Gary Coleman, astro polêmico e decadente da televisão americana). Juntos, Princeton e seus novos amigos se esforçam para encontrar trabalho, amor e um rumo para suas vidas. Brian, JapaNeuza e Gary Coleman são os três personagens humanos que convivem com todos os bonecos em perfeita harmonia.

Na criação da variada galeria de personagens reside uma das maiores riquezas de ‘Avenida Q’. “O mundo só quer saber dos vencedores, mas, na verdade, os especiais e os eleitos são muito poucos. A vida é feita pelo segundo time, pessoas que também tem ótimas histórias para contar”, afirma Charles. “Esse espetáculo fala especialmente de aceitação. Humanos e bonecos convivem harmonicamente e rindo de tudo, inclusive uns dos outros. O humor é a melhor maneira de chegar perto de si mesmo”, finaliza.

A Avenida Q brasileira

Oito atores dividem o palco com 16 bonecos, vindos diretamente dos Estados Unidos para a versão brasileira, com concepção e desenho de Rick Lyon. O elenco nacional é formado por Sabrina Korgut (Kate Monstra, Lucy de Vassa), André Dias (Princeton, Rod), Claudia Netto (JapaNeuza), Fred Silveira (Nicky, Trekkie Monstro), Renato Rabelo (Brian), Mauricio Xavier (Gary Coleman), Renata Ricci (Dona Coisa Ruim, Ursinha do Mal, Ricky) e Gustavo Klein (Ursinho do Mal, Recém-chegado).

“Queríamos reunir um primeiro time dos musicais e costumo dizer que selecionei um elenco kamikaze, de pessoas com uma dedicação integral ao projeto, que envolve canto, dança e ainda a manipulação de bonecos, o que exige um esforço quase sobre-humano”, explica Charles.

Para Claudio Botelho, embora a essência do texto permaneça absolutamente fiel ao original, foi necessário realizar transposições para o universo brasileiro. “Mantivemos a ação na Nova York original, mas foram feitas diversas adaptações e aproximações com o universo brasileiro, incluídas aí “liberdades poéticas” com a nossa política, geografia, termos nacionais e etc. Nossa história se passa então lá mesmo, num canto menos valorizado do Village, mas poderia perfeitamente rolar em qualquer recanto do Rio ou São Paulo”, explica. “A Avenida Q não existe, é um lugar onde todo mundo pode vir e se reconhecer. Por isso, não precisamos transportar a ação para o Brasil, pois apenas minimizaria tudo, particularizando uma realidade que é universal”, complementa Charles.

Os atores ensaiaram diariamente com os bonecos, sob a supervisão de Zé Clayton. “À medida que os ensaios foram avançando, os atores começaram a desenvolver uma cumplicidade que é um misto de alter-ego com uma relação filial com os bonecos, que ganharam vida própria. Eles têm a mesma respiração!”, entusiasma-se Charles.

Claudio Botelho conta que teve liberdade total para fazer a sua versão do texto e das canções. “Já fiz vários trabalhos com a Music Theatre International, agência que licencia o espetáculo pelo mundo. Eles sempre me dão carta branca para adaptar. A preocupação é não deixar o musical com cara de “traduzido”, mas fazer tudo soar novo e original para nosso público”. Os cenários de Rogério Falcão e os figurinos de Mareu Nitschke também estão sendo criados para a montagem nacional. Paulo César Medeiros assina a luz.

Charles e Claudio se declaram fãs das canções. “Adoro as músicas e as letras, que são modernas, mas também flertam com a Broadway mais clássica”, confessa Botelho. “O book é tão perfeito que não precisei mexer em absolutamente nada, mantive o clima pop/rock do original”, revela Möeller. A direção musical ficou a cargo de Marcelo Castro, que comanda uma banda formada por Zaida Valentim (teclado 1/regência, Heberth Souza (teclado 2), Thiago Trajano (guitarra/banjo/violão), Márcio Romano (bateria), Omar Cavalheiro (baixo elétrico e acústico) e Alex Freitas (sax/flauta/clarinete).

A ‘Avenida Q’ e seus personagens politicamente incorretos se mudaram para o Brasil em 6 de março de 2009, no Teatro Clara Nunes, sob a batuta de Charles Möeller e Claudio Botelho. A produção nacional é da Bottega D´Arte – Dalva Abrantes, Marcos Amazonas e Marcos Mendonça, que fizeram sua estreia na área teatral.

Equipe de Criação:

Música e Letras:
Robert Lopez
Jeff Marx

Texto:
Jeff Whitty

Baseado em uma idéia original de:
Robert Lopez
Jeff Marx

Bonecos concebidos e desenhados por:
Rick Lyon

Versão brasileira:
Claudio Botelho

Direção:
Charles Möeller

Direção Musical:
Marcelo Castro

Cenário:
Rogério Falcão

Figurinos:
Mareu Nitschke
Iluminação:
Paulo César Medeiros

Designer de Som:
Marcelo Claret

Orquestrações:
Stephen Oremus

Supervisão musical:
Claudio Botelho

Coordenação e manipulação dos bonecos:
Zé Clayton

Vídeos:
Renato Jabuka

Diretora assistente:
Paula Sandroni

Coordenação artística:
Tina Salles

Produtores Associados:
Bottega D´Arte
Dalva de Abrantes
Marcos Amazonas
Marcos Mendonça

Direção de Produção e Produção Executiva:
Francisco Accioly
Tereza Durante

Produtora assistente:
Malu Allen

Pianista ensaiadora:
Zaida Valentim

Visagismo:
Beto Carramanhos

Realização:
Bottega D´Arte

Um Espetáculo:
Charles Möeller & Claudio Botelho

Elenco (por ordem de entrada em cena):

André Dias (Princeton / Rod)
Renato Rabelo (Brian)
Sabrina Korgut (Kate Monstra / Lucy de Vassa)
Fred Silveira (Nicky / Trekkie Monstro)
Claudia Netto (Japa Neuza)
Maurício Xavier (Gary Coleman)
Renata Ricci (Dona Coisa Ruim / Ursinha do Mal)
Gustavo Klein (Ursinho do Mal / Recém-Chegado)

Músicos:

Teclado 1/ Regência: Zaida Valentim / Luciano Magalhães (alternantes)
Teclado 2:  Heberth Souza / Priscilla Azevedo (alternantes)
Guitarra/ Banjo/ Violão: Thiago Trajano / André Dantas / Juan Pablo Martin (alternantes)
Bateria: Márcio Romano
Baixo Elétrico e Acústico: Omar Cavalheiro / João Mario Macedo / Fabio Cavalieri (alternantes)
Sax/ Flauta/ Clarinete: Alex Freitas / Marco Moreira (alternantes)

Ficha Técnica:

Confecção das cabeças dos bonecos gigantes:
Fernando Gomes

Confecção das caixinhas cantantes:
LFC Bonecos

Confecção do inflável:
Air Show

Manutenção dos bonecos:
Fernanda Silveira

Fisioterapeutas:
Viviana Restier
Fábio Armando

Cenógrafa assistente:
Natália Lana

Cenotécnico:
André Salles e equipe

Equipe de Cenotécnica:
Cezar Salles
Silvio Salles
Sidney Silveira
Ivan Cabeleira
Dom
Betinho
Renato
Beto Serralheiro
Marieta Spada
Sr.Ivan
Rex

Produção de objetos e adereços:
Natália Lana

Pintura Cenográfica:
Naira Santana

Equipe Pintura Cenográfica:
Lídia Taran
Ezequiel Góes

Ilustração de plotagens:
Barbara Lana

Assistente de figurinos:
Priscilla Peliks

Costureira:
Vangia Vilela

Aderecista:
Benedito

Perucaria:
Simone Momo

Iluminador assistente:
Julio Medeiros

Montagem de luz:
Equipe Art Light

Montagem de luzes cenográficas:
Boy Jorge

Operador de luz:
Anderson Schinaider

Operadores de canhão:
Boy Jorge
Jimmi Menezes

Equipamento de luz:
Art Light

Sonoplastia:
Marcelo Claret

Sonorização:
IAV – Instituto de Áudio e Vídeo

Equipe de áudio:
Ademir Moraes Junior
Rodolfo Santana
Kim Schiavo

Operador de som:
Carlos Ferreyra

Operador de microfone:
Marcus Frech

Operador de Vídeo:
André Beki

Diretor de palco:
Rodrigo Ramos

Contra-Regra:
André Boneco

Camareira:
Elma Lucia Antonio

Números:

Ato 1

Tema da Avenida Q – Elenco
Meu Diploma / Que Merda que eu To – Princeton / Elenco
Se Você For Gay – Nicky e Rod
Rumo – Princeton e Ursinhos
Todo Mundo é meio Racista – Princeton, Kate, Gary, Brian e Japa Neuza
A Internet é Pornô – Kate, Trekkie, Brian, Gary, Rod e Princeton
Uma Fita – Kate e Princeton
Eu to sem Cueca! – Brian
Vem Comigo – Lucy
Todo Mundo pode Fazer Auê – Gary, Ursinhos e Elenco
O Sonho que eu Sonhei – Rod, Nicky, Princeton e Kate
Minha Namorada no Canadá – Rod
É Amor ou Não? – Kate

Ato 2

Entreato / Que Merda que eu to – Princeton
Tem um mundo lindo lá fora – Elenco
Se você ama alguém – JapaNeuza e Kate
Schadenfreude – Gary e Nicky
Quisera voltar pro colégio – Kate, Nicky e Princeton
Canção do Dinheiro – Nicky, Princeton, Gary, Brian e JapaNeuza
É Amor ou Não? (Reprise) – Elenco
Tudo há de passar – Elenco

• Baseado na produção da Broadway dirigida por Jason Moore.
• AVENIDA Q é apresentado no Brasil por uma licença especial de Music Theatre International, que representa os autores e detém todos os direitos de montagem do espetáculo.

Veja fotos de “Avenida Q”:

Fotos: Robert Schwenck, Marian Starosta, Mônica Imbuzeiro (O Globo), Tasso Marcelo (Agência Estado), Leo Ladeira, Denny Naka.