Claudio Botelho

 

 
 

Ator, cantor, compositor, diretor e tradutor, Claudio Botelho é um dos mais atuantes nomes do teatro musical no Brasil.
 

Nascido em Araguari (MG), foi criado em Uberlândia e mudou-se para o Rio de Janeiro em 1978.

 

Foi no Rio que ele teve seu primeiro contato com um piano – de uma tia. Quando ia na casa dela, corria para o piano e aprendeu a tocá-lo sozinho.

 

Em 1980, estudando no São Vicente de Paulo, começou a se apresentar no sarau do colégio. Um dia um amigo o convidou para fazer uma aula de teatro no próprio São Vicente. Entrou na aula de Almir Telles e nunca mais saiu. Passou os três anos do curso colegial fazendo teatro e a vontade de participar daquele universo foi ficando cada vez mais forte. Foi Almir quem incentivou Claudio a escrever textos para os espetáculos do colégio e a compor canções para os pequenos musicais encenados no colégio. Quem apresentou os musicais a Claudio foi o próprio Almir, que o emprestou um disco do filme ‘Oliver’. Esse disco balançou o jovem e foi seu primeiro contato com a música de show business.

 

Em 1983, Claudio reuniu um grupo de amigos, jovens atores, e decidiu montar ‘Os Meninos da Rua Paulo’, de Ferenc Molnár. A peça foi montada e ficou mais de um ano em cartaz. No elenco estavam também Marcos Palmeira, Luis Filipe de Lima, Kiko Mascarenhas, Duda Monteiro e André Barros. A direção foi assinada por Luiz de Lima.

 

Acabada a temporada da peça, ficou desempregado e chegou a fazer figuração na novela ‘Bambolê’, da TV Globo. No entanto, continuava criando sem parar, escrevendo adaptações de peças, peças inéditas e canções que iam, em sua maioria, para a gaveta.
 
Em 1992, se formou na primeira turma da Casa das Artes de Laranjeiras – CAL.

 

Um dia resolveu fazer uma adaptação de ‘Oliver Twist’, tamanha era sua paixão pelo musical. Como sabia que não podia usar as músicas, decidiu fazer sua própria versão do Oliver: com o livro do Dickens, escrevi uma peça baseada em ‘Oliver Twist’, para a qual compôs 20 músicas com letra e tudo.

 

Tomou coragem e foi levar a adaptação para o ator Ary Fontoura, que elogiou a peça, disse que Claudio tinha talento e que gostaria de ouvir as músicas. Ary então o convidou para musicar a peça ‘Moça, Nunca Mais’, que ele estava fazendo. Claudio compôs as músicas, fez as letras e ganhava 2% da bilheteria do espetáculo, que foi estrelado por Suely Franco e chegou a viajar para Portugal.

 

Chegou a compor canções para um espetáculo de Sérgio Britto, ‘Casamento Branco’, que não estreou, mas no qual conheceu Ítalo Rossi. O ator estava estreando um espetáculo de poesias de Manuel Bandeira e Fernando Pessoa chamado ‘Um e Outro” e o convidou para tocar violão. Viajaram com o espetáculo e na volta, para a temporada carioca, Ítalo convidou Miguel Falabella para redirigir. Foi Miguel quem sugeriu colocar Claudio cantando. E foi durante este espetáculo que Claudio conheceu um rapaz um pouco mais novo do que ele, com cachinhos dourados e que atendia pelo nome de Charles Möeller. Ele fazia o filho do Miguel em uma novela e fora ver o ensaio da peça do colega – e foi assim que tudo começou.

 

Apesar de Ítalo e Miguel, o espetáculo foi um fracasso total – segundo Claudio, nem 10 pessoas em média iam assistir. Foi quando ‘Casamento Branco’, de Sérgio Britto, estreou e Claudio teve excelentes críticas para suas músicas. Luís Fernando Lobo, amigo de Sérgio, resolveu montar ‘Tambores na Noite’, de Brecht, e decidiu chamar Claudio para fazer a música. Em ‘Tambores da Noite’ ele conheceu uma atriz que tinha um papel pequeno, mas cantava muito bem e acabou com três músicas para interpretar: Claudia Netto. Ali nascia uma parceria que rendeu muitos frutos.

 

Com a convivência com Claudia, Claudio começou a pensar na possibilidade um espetáculo de clássicos norte-americanos, sua obsessão na época. A primeira escolha foi Gershwin, por quem ele era apaixonado.

 

Em 1991, com direção de Marco Nanini, Claudio e Claudia atuaram em “Hello Gershwin“. O espetáculo estreou no Teatro Ipanema, às segundas e terças-feiras, e foi apresentado também no Teatro Rival, no Rio Jazz Club e no Teatro do Crowne Plaza, em São Paulo. O show teve certa repercussão, porque ninguém nunca tinha feito nada parecido. No roteiro, os clássicos em inglês e letras em português para as canções menos conhecidas, especialmente as cômicas, tornando-as acessíveis ao público. O crítico João Máximo, então no Jornal do Brasil, assistiu e escreveu uma pagina inteira, falando muito bem das letras de Claudio.

 
 

 
 

Em 1992/1993, a dupla atuou em “De Rosto Colado“, novamente com direção de Marco Nanini. Neste musical, eles apresentaram canções de Irvin Berlin. O espetáculo estreou no Teatro Rival, no Rio, e depois fez temporada no Golden Room do Capacabana Palace, onde lotava todos os dias.

 

Paralelamente, Claudio trabalhava como compositor, fazendo alguns trabalhos com Sérgio Britto no Teatro Delfim, como ‘Nos Tempos de Martins Pena’ e ‘Memórias do Interior’.

 

Em 1994, Claudio e Claudia apresentaram o espetáculo “Fred e Judy“, com canções que se tornaram clássicos nas vozes de Fred Astaire e Judy Garland, como “Over the Rainbow” e “Cheek to Cheek”. O show tinha formato teatral e fazia uma homenagem ao cinema.
 
Em 1995, eles estrearam o show “That´s Entertainment“, com direção de José Wilker.

 

Em 1996, Paulo Afonso de Lima dirigiu a dupla Claudio & Claudia em “Sondheim Tonight“, espetáculo baseado em nas peças e filmes para os quais Sondheim compôs música e letra. Neste show, eles cantaram canções como “Side By Side” (de “Company”), “Maria” (de “West Side Story”), “Losing My Mind” (de “Folies”), “Pretty Women” (de “Sweeney Todd”) e até músicas do filme “Dick Tracy”, como “Sooner or Later” e “Back in Business”.

 

Também em 1996, Claudio assinou a direção musical, a tradução e as versões de “Os Fantastikos“, primeira versão brasileira do musical de Tom Jones e Harvey Schmidt. No elenco, além de Claudio, Kiara Sasso, Nildo Parente, Guilherme Corrêa e Beto Bellini. Charles Möeller assinou a cenografia e os figurinos.

 

No verão de 1998, Claudio e Claudia Netto estrelaram um dos maiores sucessos da dupla, o musical “Na Bagunça do Teu Coração“, com texto de João Máximo e Luiz Fernando Vianna, e direção de Bibi Ferreira. O espetáculo contava uma história de amor por meio das músicas de Chico Buarque, e foi grande sucesso de crítica e público.

 

Em 2000, Claudio e Claudia, comemorando 10 anos de parceria, estreou, no Teatro Café-Teatro de Arena, o espetáculo “Musicais in Concert“, uma colcha de retalhos da década de palco em comum. Os artistas mostraram em cena os melhores momentos dos musicais em que atuaram.

 

Na TV, Claudio e Claudia participaram do Programa “Série Grandes Compositores”, na TVE, apresentando, em cinco programas, canções de Gershwin, Cole Porter, Irvin Berlin, Rodgers & Hart e Jerome Kern, com direção de Dermeval Netto.

 

Também na TVE, a dupla apresentou, em 1995, quatro programas dedicados aos 100 anos da Broadway, a Kurt Weill e à dupla Rodgers & Hammerstein, com direção de Maurício Sherman.

 

A parceria artística de Charles Möeller & Claudio Botelho foi efetivada em 1997, a partir de quando os diretores passaram a se tornar referência no teatro musical do Brasil. O primeiro espetáculo da dupla, “As Malvadas” estreou em 1997 e era um tributo ao repertório das comédias musicais com espírito de filmes B. Com texto de Charles, e tradução, seleção e roteiro musical de Claudio, o repertório do musical ia de George Gershwin a Roberto Carlos, passando por Sondheim, Kurt Weill e Rodgers & Hammerstein.
(Veja os demais musicais da dupla M&B no link ao final do texto)

 

Em janeiro de 2010, celebrando os 20 anos de parceria artística com Charles Möeller, Claudio estreou, no Espaço SESC, no Rio, o espetáculo ‘Versão Brasileira’. No show, Claudio, acompanhado pelos músicos Edgar Duvivier (sax e clarinete), Marcelo Castro (piano) e Thiago Trajano (violão, guitarra e banjo), fez um panorama da bem-sucedida trajetória da dupla. Claudio apresentou algumas canções no original, e outras em português, já que são suas as versões dos principais musicais encenados no Brasil nos últimos 10 anos.

 

Após a estreia de ‘Versão Brasileira’ foi lançado, no espaço multiuso do SESC, o livro “Os Reis dos Musicais”, escrito por Tânia Carvalho para a Série Aplauso, da Imprensa Oficial de São Paulo. O livro é uma homenagem ao trabalho realizado pelos dois diretores ao longo dos últimos 20 anos e de sua importância para a história do teatro musical brasileiro.

 
 

Versões

 

O trabalho de Claudio Botelho como tradutor de musicais é bastante conceituado e elogiado. São suas as versões dos principais espetáculos de teatro musical apresentados no Brasil nos últimos anos, tais como “Les Misérables”, “O Beijo da Mulher Aranha”, “My Fair Lady”, “Victor ou Victoria”, “Candide”, “A Bela e a Fera”, “Chicago”, “O Fantasma da Ópera”, “West Side Story”, “O Rei e Eu”, “Mamma Mia!”, “Evita”, “A Família Addams”, entre outros.
 
 
Principais Trabalhos:
 
1980
Os Meninos da Rua Paulo (ator, adaptação, composições)
 
1983
Quixote (ator, composições)
 
1989
Moça, Nunca Mais (composições)
Casamento Branco (composições)
Um e Outro (cantor, composições e violonista)
 
1990
Tambores na Noite (direção musical e composições)
 
1991
Hello Gershwin (ator, cantor, versões)
 
1993
De Rosto Colado (Interpretação)
 
1994
Romeu e Julieta (composição da música original para o balé com direção de Sérgio Britto)
 
1995
Fred e Judy (Interpretação)
 
1996
Os Fantástikos (Interpretação)
Nos Tempos de Martins Pena (composições)
 
1997
Na Bagunça do Teu Coração (Interpretação)
Sondheim Tonight (Interpretação)
As Malvadas (Direção Musical)
Memórias do Interior (composição da música original para o balé com direção de Sérgio Britto)
 
1998
O Abre Alas (Direção Musical)
 
2000
Candide (Adaptação e Tradução)
Musicais in Concert (Interpretação)
American Concert (Criação e Interpretação)
Cole Porter – Ele Nunca Disse que Me Amava (Direção Musical, Roteiro, Versões, Arranjos Vocais)
 
2001
Vítor ou Vitória (Tradução)
Les Misérables (Tradução)
O Beijo da Mulher Aranha (Adaptação e Tradução)
Company (Interpretação e Direção Musical)
Um Dia de Sol em Shangrilá (Direção Musical)
 
2002
O Fantasma do Teatro (Direção, Adaptação e Tradução)
Suburbano Coração (Interpretação, Direção Musical, Pesquisa)
A Bela e a Fera (Tradução e Adaptação)
 
2003
Magdalena (Adaptação)
Ópera do Malandro, de Chico Buarque (Direção e Direção Musical)
 
2004
Tudo É Jazz (Adaptação, Tradução)
Lupicínio e Outros Amores (Interpretação, Roteiro e Autoria)
Cristal Bacharach (Direção Musical e Versões)
Chicago (Tradução e Adaptação)
 
2005
Lado a Lado com Sondheim (Interpretação e Tradução)
O Fantasma da Ópera (Tradução e Adaptação)
 
2006
Ópera do Malandro em Concerto (Direção Musical e Roteiro)
Sweet Charity (Tradução)
 
2007
Sassaricando – e o Rio Inventou a Marchinha (Direção e Direção Musical)
My Fair Lady (Tradução e Adaptação)
Miss Saigon (Tradução e Adaptação)
7 – O Musical (Letras, Arranjos Vocais, Direção Musical)
 
2008
Beatles num Céu de Diamantes (Direção Musical)
West Side Story (Adaptação)
A Noviça Rebelde (Adaptação, Direção Musical)
Gloriosa, A Vida de Florence Foster (Adaptação, Direção Musical)
 
2009
Avenida Q (Adaptação, Supervisão Musical)
O Despertar da Primavera (Adaptação, Supervisão Musical)
 
2010
Dalva & Herivelto – Uma Canção de Amor – microsérie da TV Globo (Direção dos números musicais)
Versão Brasileira (Interpretação, Roteiro, Versões)
Gypsy (Adaptação, Supervisão Musical)
O Rei e Eu (Adaptação)
É Com Esse Que Eu Vou (Direção)
Era no Tempo do Rei (Supervisão Musical)
Hair (Adaptação, Supervisão Musical)
Mamma Mia! (Adaptação)
 
2011
Evita (Adaptação)
Um Violinista no Telhado (Adaptação, Supervisão Musical)
As Bruxas de Eastwick (Adaptação, Direção)
Judy Garland – O Fim do Arco-Íris (Tradução, Adaptação, Direção Musical)
 
2012
A Família Addams (Adaptação)
O Mágico de Oz (Adaptação, Supervisão Musical)
 
 
 
Discografia Claudio Botelho
 
“Na Bagunça do teu Coração” – Claudia Netto & Cláudio Botelho (1998)
“Company” – Original Brazilian Cast (2001)
“Lado a Lado com Sondheim” – Original Brazilian Cast (2005)
 
 

Prêmios (Individuais)

 

1999
Prêmio Mambembe, pelo conjunto de seus trabalhos naquele ano.

 
2000
Prêmio Governo do Estado do Rio de Janeiro por seu trabalho em Cole Porter
 
2004
Prêmio Shell pelas versões para o português do musical Tudo é Jazz!
 
2010
Prêmio Shell: Categoria Especial: pela versão das músicas de “Avenida Q”
 
 
 

Confira os trabalhos da dupla Charles Möeller & Claudio Botelho em:
http://www.moellerbotelho.com.br/about/a-dupla

 

Conheça o Blog Claudio Botelho Letras, com todas as letras versionadas por Claudio Botelho:
http://claudiobotelholetras.wordpress.com

 
 
 
 



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